ONU-Habitat capacita 150 servidores públicos do Rio em planejamento para resiliência climática

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Com foco fortalecer a resiliência em municípios e identificar planos e instrumentos que contribuem para mitigar e se adaptar aos riscos climáticos, o curso “Planejamento Territorial Integrado: Estratégias para Resiliência Municipal”, promovido pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), foi encerrado na sexta-feira (11) tendo capacitado cerca de 150 servidores e servidoras de municípios fluminenses e do estado do Rio de Janeiro.

Com nove aulas no total, realizadas entre junho e agosto, a formação faz parte da trilha de capacitação técnica realizada pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Rio de Janeiro (SEAS), em parceria com o ONU-Habitat e com apoio da Universidade do Ambiente, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Ao longo das aulas, 16 instrutoras – todas mulheres, fortalecendo também a perspectiva de gênero sobre a iniciativa – apresentaram e debateram as possibilidades de inclusão da dimensão climática nas agendas setoriais de saneamento, saúde, educação, assistência social, habitação, agricultura, mobilidade, dentre outras.

A especialista em Resiliência e Mudança do Clima do ONU-Habitat, Leta Vieira de Sousa, ministrou três aulas que debateram como melhorar o diagnóstico climático e elaborar um Plano de Ação Climática de um município a partir de uma visão sistêmica. “Inserir a lente climática dentro do planejamento urbano se tornou indispensável. Quando um município consegue levar essa reflexão para o planejamento municipal de uma forma objetiva e realiza planejamentos de curto, médio e longo prazo, isso permite que toda a política pública do município tenha um olhar diferenciado para a resiliência“, comenta. 

Já a especialista em Desenvolvimento Urbano Sustentável do ONU-Habitat Maria Fernandes Caldas apresentou um histórico da urbanização no Brasil, explicando como a crise climática agrava a situação das cidades, e debateu soluções que buscam integrar, mitigar e adaptar. “Trocar experiências é sempre muito gratificante. Gosto especialmente de interagir com turmas como esta, formada por pessoas técnicas que atuam na linha de frente nos municípios. Conseguimos equilibrar teoria, troca de experiências e interação em uma sequência de conteúdos bastante rica e estratégica para os municípios“, diz a especialista.

Resiliência nos municípios

Em Paracambi, a ação levou a um engajamento coletivo de 11 servidores de diferentes pastas da prefeitura – o maior número de participantes de um mesmo município no Curso 2. Toda semana, colegas da prefeitura reuniram-se na sala da Subsecretaria de Clima para participar das aulas ao vivo. 

Um momento que marcou a equipe foi a roda de conversa sobre planejamento climático com seis especialistas, que reforçou a importância da interdisciplinaridade de formação e de atuação para realizar um bom planejamento. 

“O fato de sermos uma turma interdisciplinar somou muito para o nosso aprendizado. A pauta da mudança do clima mudou nosso paradigma de gestão. Não podemos mais pensar numa gestão focada em cada secretaria na sua caixinha. Quando há um tema transversal, como o tema da mudança do clima, o enfrentamento também é transversal”, relata a superintendente de Clima e Eventos Extremos da Secretaria de Meio Ambiente e Clima, Mariana Oliveira da Costa.

Servidoras da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima de Paracambi (RJ) participaram do segundo curso da trilha de capacitação e mobilizaram mais 12 profissionais a acompanhar as aulas.
Legenda: Servidoras da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima de Paracambi (RJ) participaram do segundo curso da trilha de capacitação e mobilizaram mais 12 profissionais a acompanhar as aulas.
Foto: © Ludmilla Balduíno/ONU-Habitat

Mariana conta que a interdisciplinaridade no planejamento e no enfrentamento às questões do clima já é uma realidade do município. “Nossa ideia é manter a equipe para que participe das próximas formações. Além disso, o grupo está trabalhando ativamente do processo de elaboração do Plano Local de Ação Climática de Paracambi. As pessoas que estavam no curso também fazem parte do Grupo de Trabalho Intersetorial, então estamos aprendendo duas vezes: na teoria, com os cursos, e na prática, com a elaboração do Plano“, comenta.

Clique aqui e saiba mais sobre a elaboração dos Planos Locais de Ação Climática em 34 municípios do Rio de Janeiro.

Servidoras e servidores se aprofundaram sobre o Plano Local de Ação Climática, que precisa ser elaborado com participação de diferentes setores do município e da sociedade.
Legenda: Servidoras e servidores se aprofundaram sobre o Plano Local de Ação Climática, que precisa ser elaborado com participação de diferentes setores do município e da sociedade.
Foto: © reprodução

Sobre a trilha de capacitação 

A formação é parte da parceria da Seas com o ONU-Habitat para promover a resiliência climática nos municípios fluminenses, fortalecendo as metas da Agenda 2030 e os princípios da Nova Agenda Urbana em todo o estado. Outros três cursos voltados aos municípios fluminenses devem ser realizados ao longo de 2027 e 2028.

Do total de 149 pessoas que concluíram o curso, 58% são mulheres. As cidades que mais mobilizaram participantes foram Paracambi, com 11 pessoas, seguidas de Macaé (10), Nova Friburgo (8), e Maricá (7).

O primeiro curso da trilha, “Construindo cidades resilientes: os 10 princípios essenciais em ação”, ministrado pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR) entre janeiro e abril de 2026, reuniu mais de 130 servidores, representando 77 dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro (84%).

Além dos cursos da trilha de capacitação, a parceria entre SEAS e ONU-Habitat vai entregar projetos-pilotos de Soluções Baseadas na Natureza; um piloto de Cidade Esponja; Planos Locais de Ação Climática para 34 municípios; um mapeamento preliminar de riscos de inundação no estado do Rio; notas conceituais de projetos voltados à obtenção de financiamento climático; e uma estratégia sobre cultura da resiliência nas escolas.

As ações geram novos conhecimentos e fortalecem as capacidades institucionais do estado e dos municípios fluminenses, reduzindo a exposição dos territórios e da população a novos riscos e vulnerabilidades, promovendo e aprimorando a transição para cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis. Alinhada a marcos internacionais como o Acordo de Paris, a Agenda 2030, o Marco de Sendai e a iniciativa MCR2030, a parceria adota uma abordagem integrada de gestão de riscos e adaptação, articulando políticas públicas estaduais e municipais, incluindo a participação popular.

Contato para imprensa: 

Fonte: brasil.un.org

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