Autor: Redação Qnews

  • Julho das Pretas: mulheres negras marcham pelas ruas de todo país

    Julho das Pretas: mulheres negras marcham pelas ruas de todo país

    Manifestações por todo o país neste fim de semana coroaram o Julho das Pretas, agenda de ações contra o racismo e pelos direitos das mulheres negras. O mês foi escolhido por abrigar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana, celebrado neste sábado (25).

    Em todas as cidades, duas pautas estiveram no centro das discussões: a reparação pelas responsabilidades históricas do Estado e da sociedade na desigualdade; e o Bem Viver, modelo de sociedade que valoriza o cuidado, a ancestralidade e a coletividade, com o objetivo de alcançar a justiça social e a preservação da vida. 

    O pontapé foi dado pela Marcha das Mulheres Negras de Pernambuco, realizada na capital, Recife, na sexta-feira (24). As participantes se concentraram no parque Treze de Maio, de onde caminharam até o Pátio do Carmo, denunciando a sub-representação das mulheres negras nos espaços de poder. 

    No sábado (25), atos foram realizados em pelo menos três capitais. Em Belo Horizonte (MG), as participantes também homenagearam os 12 anos da Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela, que atua na capital mineira, em defesa dessa categoria, composta majoritariamente por mulheres negras. 


    Belém - 26/07/2026 -  Marcha das Mulheres Negras em Belém. Foto Gabriela Ribeiro

    Belém – 26/07/2026 – Marcha das Mulheres Negras em Belém. Foto Gabriela Ribeiro

    Em Belém (PA), a marcha saiu em sua 11ª edição ao redor da Praça da República, no Centro. De acordo com Flávia Vieira, uma das organizadoras do evento, a escolha do local não foi aleatória, já que parte da praça foi erguida sobre um cemitério de pessoas escravizadas. 

    Essa conexão através do tempo também marca o tema escolhido para a marcha deste ano, em Belém: “Ancestralidade, um projeto de futuro que se faz agora”

    “É um tema que nos convida a refletir sobre a importância dos direitos humanos, e a importância que precisamos dar para o nosso voto. Nós somos o maior grupo político e nós vamos decidir as eleições, então nós precisamos escolher bem as pessoas que vão nos representar”, destaca Flávia. 

    Sábado também foi dia de marcha e celebração em Salvador (BA). Beatriz Souza, integrante do Odara – Instituto da Mulher Negra, que organizou o ato, comemorou que a participação aumenta a cada edição. 

    “Foi um sábado perfeito, em que nós pudemos estar nas ruas com a força das yabás, pedindo licença para Exu, colocando as nossas crianças na frente da marcha. Foi um momento lindo que nos fez acreditar que é possível sonhar com um novo mundo e, principalmente, construir um novo mundo, com pactos novos de Bem Viver, igualdade e justiça para as pessoas” 

    O Odara também é o principal articulador das outras atividades do Julho das Pretas. Este ano, ao longo de julho, serão quase 700 atividades, realizadas por mais de 290 coletivos em 23 estados brasileiros e o Distrito Federal. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação

    Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação

    No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrados neste sábado (25), a ativista e pesquisadora Angela Davis foi um dos destaques da programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela participou de evento público e gratuito no Sesc Caborê. A conversa com a jornalista Flávia Oliveira fez parte da programação paralela da Festa, que se encerra hoje (26).

    “Nós podemos sentir a presença dos ancestrais aqui nesse lugar, que tiveram papel fundamental durante o período da escravização”, disse a ativista sobre a cidade de Paraty,  palco do festival literário. 

    Segundo ela, o processo de luta pela liberdade do movimento negro tem uma dimensão cultural, que estava sendo celebrada na ocasião do evento. “Há algo sobre a natureza da música, da arte e da literatura que nos permite alcançar dimensões que não são alcançáveis de outro modo.”

    A ativista denunciou ainda o processo de gentrificação e racismo ambiental na cidade. “Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty. E também sobre o racismo ambiental. Os jovens nos falam que estão preocupados com o meio ambiente, que eles não têm futuro. Eles não terão futuro para viver neste planeta. Aqui em Paraty, tentam criar meios para ganhar mais lucro, tirando as pessoas das suas terras, das terras dos seus ancestrais”, disse Angela.

    Gentrificação é o processo em que a valorização de um bairro eleva o custo de vida e acaba expulsando os moradores mais pobres para regiões mais periféricas.

    A ativista relatou que teve a oportunidade de conversar com a própria comunidade em Paraty. “Podemos escutar o que está acontecendo aqui nessa área. Não devemos prestar atenção apenas na literatura, mas devemos prestar atenção nesse papel da literatura de influenciar as pessoas e promover mudanças.”

    Angela afirmou que estava feliz em participar da mesa de conversa e lamentou que o convidado Wole Soyinka, primeiro africano a vencer o Nobel de Literatura, não estivesse presente devido a questões de saúde. Ele dividiria a mesa com ela. Angela agradeceu ainda a presença da escritora mineira Conceição Evaristo, que estavaa plateia.

    “É um prazer que ela esteja aqui presente. Muito obrigada pela sua literatura tão bela.”

    Para a ativista, Conceição está no mesmo patamar de relevância da cantora Nina Simone e da escritora Toni Morrison, ambas norte-americanas.

    Ao comentar sobre a “escrevivência”, conceito literário criado por Conceição Evaristo, a ativista mencionou que demorou muito tempo para o reconhecimento de que as pessoas negras precisavam contar e compartilhar as próprias histórias. “Toni Morrison nos mostrou que a experiência branca não é universal.”, afirmou, ao citar a primeira mulher negra a receber um Prêmio Nobel de Literatura, em 1993. 

    Com mediação da jornalista Flávia Oliveira, que foi apresentando nomes de pesquisadores e ativistas relacionados ao movimento negro, ambiental e de direitos humanos, Angela comentou sobre as contribuições da brasileira Beatriz Nascimento. “Quando ela falou ‘eu sou atlântica’, ela emitiu o sentimento que nos chega a todos, que nos faz sentir parte de um mundo gigantesco.” 

    “O internacionalismo foi minha primeira iluminação”, disse.

    A ativista contou que chegou a ir para a França e pensou que encontraria igualdade, liberdade e fraternidade, que foram elementos chave do discurso durante a Revolução Francesa. “Eu não encontrei o que estava procurando. Eu descobri a revolução argelina. Os argelinos estavam sob ataque da polícia francesa, então eu descobri que eu poderia estar em solidariedade com as pessoas na França, que eu poderia ser parte de algo maior, que é o que Beatriz Nascimento diz quando ela fala ‘eu sou atlântica’.”

    Lélia Gonzalez

    Angela Davis também citou a autora e ativista brasileira Lélia Gonzales, referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe.“Eu amo a Lélia Gonzalez”, afirmou.

    Ela acrescentou que Lélia é uma inspiração há muito tempo, destacando o conceito da Amefricanidade da ativista e professora. “Naquele conceito ela reconhece que a luta negra, em qualquer parte do mundo, não pode acontecer também sem o povo indígena”, disse, ao exemplificar o conceito.

    “Eu gostaria de dizer que a Lélia Gonzalez é uma crítica do capitalismo, algo que precisamos fazer na primeira era dos trilionários, especialmente porque temos bilionários e trilionários que estão explorando a terra, não se preocupam com nada mais do que fazer dinheiro sem pensar nas consequências”, mencionou. 

    Na crítica que fez aos trilionários, ela ressalta que eles não representam o futuro do planeta. “Devemos considerar que essas pessoas são o motivo pelos quais a vida é tão difícil para tantas outras pessoas no planeta. O capitalismo acaba lucrando mais.”

    Para Angela, uma das dificuldades enfrentadas para que as pessoas habitem o planeta de forma justa e equilibrada decorre do sistema capitalista. Ela enfatizou que a exploração e destruição atingem, além dos recursos naturais, os próprios seres humanos. 

    Contexto atual


    Paraty (RJ), 25/07/2026 - A filósofa e escritora Angela Davis participa da mesa América e África: uma conversa Atlântica, mediada pela jornalista Flávia Oliveira,

 durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP, no Sesc RJ. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    A filósofa e escritora Angela Davis participa da mesa América e África: uma conversa Atlântica, mediada pela jornalista Flávia Oliveira- Rovena Rosa/Agência Brasil

    A ativista comentou também sobre o prejuízo às populações por conta da ascensão de governos autoritários e afirmou que o povo é mais forte do que o fascismo que pretende governá-lo. “Fascimo é uma coisa que está emergindo na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, mas não entre o povo”, disse. Ela citou ainda as eleições no Brasil neste ano, mencionando que não se pode permitir que candidatos alinhados ao fascismo sejam colocados no poder.

    A redução da jornada de trabalho e a inclusão de pessoas negras nas universidades também foram temas abordados pela ativista. Segundo ela, a redução de jornada poderia permitir mais tempo de lazer e oportunidade de acesso à cultura aos trabalhadores. Angela conta que alguns lugares da Europa já estão vivenciando a redução da jornada de trabalho.

    “Na primeira vez em que visitei o Brasil, havia poucos negros na universidade. Eu estava aqui e eu vi um novo sistema universitário se desenvolver na Bahia, eu vi mudanças palpáveis e nós devemos celebrar essas mudanças porque vocês as conquistaram. Nós conquistamos essas vitórias, mas não nos acomodemos com essas vistorias. Temos que continuar lutando.”

    Luta popular

    Como forma de demonstrar o poder da luta coletiva contra as pessoas em posição de poder, Angela rememorou o período de sua prisão. “Eu digo que eu não fiz muito, eu estava sentada na prisão. As pessoas estavam nas ruas gerando o movimento que impediria que aqueles homens que estavam no poder tomassem essa decisão [pela pena de morte].”

    “Essa experiência me trouxe o ensinamento de que as pessoas se unindo além das fronteiras podem impedir as pessoas [que violam direitos]. Em todo o mundo as pessoas disseram: não vamos permitir que nossa irmã seja executada”, concluiu.

    Perseguida por seu ativismo no Partido Comunista e nos Panteras Negras, ela foi presa sob a falsa acusação de conspiração, sequestro e homicídio. Em diversas partes do mundo, houve protestos por sua libertação.

    Ao contar sobre esse período da vida, ela disse acreditar que a maior parte do que fez no ativismo e no trabalho acadêmico foi porque a prisão lhe trouxe uma evolução.

    “Quando olho pra trás naquele período, vejo que foi um presente. Eu fui moldada pelo que passei naquela cadeia, com a experiência com aquelas mulheres que estavam encarceradas também. Nunca pensei que isso acabaria moldando a minha vida.”

    Angela lembrou ainda da luta em defesa da Palestina, da qual participa desde a década de 60. “Uma das vantagens de a gente ficar velha é que a gente acaba reconhecendo que as coisas podem mudar. Eu digo isso porque, por um longo período, parecia que seria impossível a opinião pública mundial ser contrária ao Estado de Israel”, afirmou. 

    Violência contra mulheres

    Ao comentar sobre violência de gênero, Angela, citou que não há apenas a violência íntima, que ocorre no âmbito doméstico, mas aquelas cometidas pelo Estado.

    “Vamos pensar também na violência do Estado, as conexões entre a violência íntima e a violência contra mulheres que estão encarceradas, por exemplo, as mulheres sujeitas a violência policial. Isso acaba aumentando a medida da violência no mundo e no contexto da violência íntima”, disse ela.

    A ativista lembrou da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. “E eu quero dizer obrigada a Marielle. Muito obrigada, Marielle Franco”, disse, ressaltando que sua irmã Anielle Franco se dedica a continuar o legado de Marielle.

    Para a ativista, a violência contra a mulher é uma das mais perversas. Ela apontou os grupos mais vulneráveis, nesse contexto. “Eu acho que aprendemos que nós [mulheres negras] somos as que sofremos mais [violência de gênero], e nós sabemos que as mulheres trans negras aqui no Brasil e nos Estados Unidos sofrem muito mais violência do que outro grupo de mulheres. Isso nos indica que temos que quantificar isso de algum modo”.

    *A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Após ofensas de Milei a Lula, Itamaraty chama embaixador para consulta

    Após ofensas de Milei a Lula, Itamaraty chama embaixador para consulta

    O Ministério das Relações Exteriores chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, após ofensas proferidas pelo presidente da Argentina Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Milei participou, nesse sábado (25), em São Paulo, da convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

    Seu discurso foi repleto de ofensas ao seu homólogo brasileiro, insultando-o diretamente mais de uma vez. Em uma delas, chamou o presidente do Brasil de “presidiário”.

    Houve insultos também ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, a quem Javier Milei chamou de “lixo careca” por não ter autorizado visita a Jair Bolsonaro.

    Na diplomacia, o gesto de chamar o embaixador para consultas significa descontentamento, um momento de tensão e gravidade entre dois países.

    Bitelli deve chegar a Brasília entre a noite deste domingo (26) ou na madrugada de segunda-feira (27).

    Civilidade

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, divulgou nesse sábado (25) nota oficial em que classifica como “referência desrespeitosa” a declaração do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre o ministro do STF Alexandre de Moraes.

    “Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, disse Fachin, em nota.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Unidade Popular formaliza candidatura de Samara Martins a presidente

    Unidade Popular formaliza candidatura de Samara Martins a presidente

    O partido Unidade Popular (UP) formalizou neste domingo (26) a candidatura à presidência da República de Samara Martins. A chapa anunciada contará ainda com Raquel Bricio como candidata a vice-presidente.

    A oficialização da candidatura ocorreu na convenção nacional do partido, realizada na Universidade Zumbi dos Palmares, no bairro do Bom Retiro, na capital paulista.    

    Samara é dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), dirigente do movimento negro e de mulheres. Atua no Movimento de Mulheres Olga Benario, que apoia a luta dos sem-teto pelo direito à moradia e principalmente das mulheres negras e pobres. Já Bricio é guarda portuária sindicalista e uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Olga Benario.

    Em 2022, Samara foi candidata à vice-presidência da República pela UP na chapa encabeçada por Leonardo Péricles.

    Entre as pautas defendidas pela candidata estão a reestatização de empresas privatizadas, a nacionalização de riquezas do país, o aumento do orçamento para questões sociais, além da realização de uma auditoria e da suspensão do pagamento da dívida pública do país.  


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Da periferia para o mundo: concerto marca 20 anos de projeto no Recife

    Da periferia para o mundo: concerto marca 20 anos de projeto no Recife

    Degrau a degrau, Ivone do Santos, de 57 anos, sobe ao segundo andar do tradicional Teatro de Santa Isabel, no Recife (PE), com o ingresso nas mãos para o concerto tão esperado. 

    Enquanto anda pelo carpete vermelho em direção ao camarote, sente os olhos marejarem ao falar do filho-ídolo, o violista Isaías Tavares, de 33 anos. “Teve muito sofrimento para chegar até aqui”. Mas a reviravolta na vida deles levou sorriso ao palco e à plateia. 

    Não por acaso, os sentimentos se misturam. As pilastras douradas do teatro, inaugurado em 1850 em estilo neoclássico, ornamentam também as memórias que acompanham os passos de mãe e filho.

    “Nossa casa era feita de tábuas de madeira, e uma tempestade derrubou tudo em 2009”, lembra.


    Recife - 26/07/2026 - Da periferia para o mundo, músicos celebram 20 anos de projeto social. Foto: Luiz Claudio

    ivone_-_personagem_-_foto_-_luiz_claudio, por Luiz Claudio

    Eles moravam no violento bairro do Coque, que tinha o menor índice de desenvolvimento humano do Recife. A então empregada doméstica e mãe solo viu o teto cair e sentiu como se o chão se abrisse.

    O menino Isaías participava, desde 2006, de um projeto social chamado Orquestra Criança Cidadã, criado em 25 de julho daquele ano. Os responsáveis pela iniciativa conseguiram doações para erguer uma residência de alvenaria em outra rua do bairro. O projeto ficou responsável por pagar o aluguel de uma casa até o novo lar ser erguido.

    Enquanto aguardava o filho subir ao palco do Santa Isabel neste final de semana, para os concertos comemorativos de 20 anos do Criança Cidadã, Ivone sabia que era mais do que música o que passaria pelos seus ouvidos. “A gente não é só mãe e filho. Nós somos muito amigos”. Ivone estava acompanhada no concerto pelo esposo, Damião Ferreira, 61 anos, padrasto de Isaías. 

    “Ela me ensinou”


    Recife - 26/07/2026 - Da periferia para o mundo, músicos celebram 20 anos de projeto social. Foto: Victoria Brito

    Violista Isaías atua na Orquestra Sinfônica de Goiânia e já estudou na Áustria. Foto: Victoria Brito – ORQUESTRA CRIANCA CIDADA

    Diferente do filho, que teve a oportunidade de conhecer a música clássica na adolescência e se encantar, por exemplo, pelas obras do compositor russo Piotr Tchaikovski (1840 – 1893), Ivone, aos 11 anos de idade, já fazia faxina e cuidava de crianças na casa de outras pessoas. Por isso, precisou abandonar a escola. Foi no trabalho como doméstica que sustentou o filho, mesmo com tantas dificuldades.  

    Era pouco dinheiro para o dia a dia, tanto para comer quanto para se vestir, recordam mãe e filho. Antes das apresentações da última sexta (24) e sábado (25), o hoje violista principal da Orquestra Sinfônica de Goiânia, onde trabalha há 15 anos, diz que não tem como não “rever” um filme todas as vezes que volta ao Recife.

    “Foi minha mãe que me estimulou e nunca me deixou desistir”, afirmou o músico. 

    Isaías não se esquece que, quando não tinha a viola, o instrumento era simulado com uma caixa de papelão, e o movimento do arco ensaiado com um pedaço de galho de goiabeira perto de casa.

    “A vida sem coragem e ousadia é vazia. A gente não sabe se vai dar certo ou não. Precisamos de persistência. Sentado no sofá, não se consegue nada”, disse o violista.

    Ele diz que a mãe ensinou isso a ele. “Ela foi muito trabalhadora e corajosa”.

    Quando entrou para o projeto social, em 2006, Isaías teve formação musical, “mas também humana, de cidadão”. Como a iniciativa tem sede em um quartel do Exército próximo ao Coque, ele passou a contar com três refeições diárias, o que era impossível antes. A orquestra tinha, na época, o maestro potiguar Cussy de Almeida na regência. Quando Isaías passou a levar a viola para casa, Ivone, mesmo cansada da labuta, ouvia o filho ensaiar até adormecer.

    Aos 18 anos de idade, Isaías passou em um processo seletivo e foi estudar no conservatório superior na cidade de Salzburgo, na Áustria. Estudou e tocou na Orquestra Sinfônica de Wels. Viajou pela Europa e viu o mundo se abrir com o arco pelas cordas da sua viola. 

    Primeiro lugar

    Quando voltou ao Recife, avisou para “mainha” que faria concurso para Orquestra Sinfônica de Goiânia. Sabia que ela ficaria com saudades, mas seria importante. Não só se inscreveu, como também a outros dois outros colegas da orquestra. Os três passaram em primeiro lugar nos seus instrumentos.

    Um dos amigos aprovados foi o contrabaixista Antonino Tertuliano. Para ele, era mais uma de sua lista de aprovações nos concursos mais concorridos em sua área. Atualmente, o músico é o único latino-americano entre os 100 integrantes da Orquestra Filarmônica de Duisburg, na Alemanha. Mas se lembra em detalhes de como chegou à orquestra, com apenas 14 anos, ou da primeira vez que tocou no teatro de Santa Isabel. “Foi aqui que tudo começou”.

    As crianças e adolescentes da orquestra de hoje olham para Antonino como a uma lenda. Não há, entre os 1.500 jovens que já passaram pelo projeto, um que não tenham ouvido falar do rapaz.

    “Sempre que eu retorno à cidade, eu costumo fazer uma mesa em que eles me fazem pergunta. Eu digo que é muito possível chegar longe como nós chegamos”, afirmou. 

    Ele conta, por exemplo, que a opção pelo contrabaixo surgiu pela ideia de que poderia ser um “instrumento difícil”. Com 16 anos, já sabia e avisou aos pais que a música seria a profissão de sua vida. Por isso, em qualquer momento livre da escola ou em casa, ele não tinha dúvidas. Fazia sua caminhada de 20 minutos até a orquestra. Lá ficava o tempo que podia na sala de estudos. 


    Recife - 26/07/2026 - Da periferia para o mundo, músicos celebram 20 anos de projeto social. (  Antonino Tertuliano é integrante de orquestra na Alemanha) Foto: Victoria Brito

    Antonino Tertuliano é integrante de orquestra na Alemanha Foto: Victoria Brito – ORQUESTRA CRIANCA CIDADA

    Antonino diz que os demais adolescentes que frequentavam a orquestra eram como irmãos para ele, com os mesmos objetivos: dar um futuro melhor para si mesmo, para a família e se afastar dos destinos de outros rapazes da comunidade, atraídos pela possibilidade de aderir ao crime, como o tráfico de drogas. Os músicos reconhecem que o cenário local se alterou com a implementação da orquestra. 

    Os músicos sonham em produzir espetáculos com mais tempo para encantar ainda mais jovens de diferentes comunidades. Antonino conseguiu aprovar, um projeto, via Lei Rouanet, para captar recursos e apresentar música clássica em escolas no Nordeste. O trio de músicos, formado por ele e mais dois europeus, se chama Palíntonos. “É uma expressão que significa flexibilidade e tensão, mas nunca rompimento”. Antonino diz que quer fazer essa turnê ainda neste ano. 

    Outra egressa da primeira turma, a violoncelista Herlane da Silva, de 31 anos, que está no doutorado em Houston (EUA), estava emocionada ao tocar para a mãe, a dona de casa Patrícia, e para o pai, o pedreiro Herculano José. No curso, ela pesquisa a importância dos projetos sociais latino-americanos na formação de músicos. 

    Conseguiu chegar tão longe porque os pais, além dos professores, a estimularam para fazer música. Ao assistir às crianças ensaiando para o concerto segurou o choro. “Quando eu cheguei na sala, meu coração começou a palpitar”

    Urbana e rural


    Recife - 26/07/2026 - Da periferia para o mundo, músicos celebram 20 anos de projeto social. Foto: Luiz Claudio

    José Felipe e Maralayne são moradores de área rural de Pernambuco. Foto: Luiz Claudio/ Agência Brasil

    A trajetória dos artistas, da infância à vida adulta, enche de orgulho o diretor e criador do projeto Orquestra Criança Cidadã, o juiz de direito João Targino, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). 

    Ele faz questão de explicar que o primeiro objetivo não é apenas formar músicos, mas cidadãos.

    “Nós começamos esse trabalho há 20 anos e eu pude ver o quanto a música é transformadora na vida de uma pessoa”, afirmou. 

    Uma transformação que não existe apenas na comunidade urbana do Coque, mas também em um núcleo na área rural de Igarassu, a cerca de 30 quilômetros da capital pernambucana. Lá, 40 crianças e adolescentes, filhos de pais que trabalham na roça, estão trocando a lida no campo por instrumentos musicais.

    “Eles veem no projeto uma oportunidade de crescer, de conhecer e expandir os horizontes”, afirmou a professora Basemate Neves, que coordena as atividades no local.

    Quatro alunos de Igarassu foram aprovados no curso de música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Entre os novos universitários, José Felipe da Silva, 20 anos, que hoje é contrabaixista, conheceu o projeto de música há 10 anos na escola pública onde estudava. Antes, a rotina dele era acompanhar os pais na plantação de milho, inhame, macaxeira e feijão.

    A mudança não foi simples. A família não entendia direito onde ele poderia chegar, mas apoiou a ida do filho para outro campo. 

    Da casa na roça até a escola de música, eram 30 minutos de caminhada. Atravessava mata fechada até chegar à estrada e pegar um ônibus. Atualmente, sai todos os dias de casa antes das 5h e passa o dia inteiro estudando no Recife. A aula acaba às 22h. 

    São seis trajetos de ônibus todos os dias e mais caminhadas. Chega em casa depois de meia-noite. Nem sobra muito tempo para dormir ou descansar. Mas chegar à UFPE era um dos sonhos dele. 

    Quer um dia ser professor e influenciar outros jovens. Mas deseja também ir para fora do país.

    “De início, eu fiz um instrumento de bambu, coloquei uma corda de nylon, para treinar o dedilhado. Hoje quero terminar minha faculdade e alçar outros rumos”.

    Na mesma turma da faculdade está a violoncelista Mirallayne Gomes, 19 anos. Filha de um eletricista e uma dona de casa, conheceu a música aos 10 anos.

    “As crianças da área rural nos veem como espelho. A gente sente uma responsabilidade com isso. Lá na rua, por exemplo, tem várias crianças que entraram na orquestra por nossa causa”, sorri a jovem musicista.

    * O repórter viajou a convite da Orquestra Criança Cidadã


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño

    Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño

    A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção e no enfrentamento dos efeitos do El Niño, fenômeno que pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses.

    Segundo a entidade, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027.

    De acordo com a ABM, os efeitos podem variar de acordo com a região.

    “Norte e Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas. No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal”, explica a associação.

    “No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos”, complementou.

    Recomendações

    O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres.

    Entre as recomendações estão o mapeamento de áreas de risco, a atualização de planos de contingência, a definição prévia de abrigos e equipes de atendimento e a organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais.

    A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. O guia está disponível gratuitamente no portal da ABM.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • PSD oficializa candidatura de Caiado à presidência da República

    PSD oficializa candidatura de Caiado à presidência da República

    O Partido Social Democrático (PSD) oficializou neste domingo (26) a candidatura à presidência da República do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A chapa formalizada contará ainda com o líder da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente. 

    O anúncio das candidaturas ocorreu na convenção nacional do partido, realizada na capital paulista, na região central da cidade.

    Em seu discurso, Caiado destacou a sua carreira política de 40 anos e criticou a polarização entre a esquerda e a direita no país. Ele agradeceu ao apoio de seu parceiro de chapa, Gilberto Kassab, e à esposa Maria das Graças Caiado e familiares.

    Ele enalteceu especialmente a sua gestão no governo de Goiás, em que esteve à frente de 2019 até março de 2026. 

    Ronaldo Caiado é goiano de Anápolis, médico, graduado e mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É cirurgião especializado em coluna vertebral. É produtor rural e foi deputado federal por cinco mandatos (1991-1995, 1999-2003, 2003-2007, 2007-2011, 2011-2015). Também foi senador eleito por Goiás em 2014. Ele já foi candidato à Presidência da República em 1989.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Brasil sofre virada da Turquia e é vice-campeão da Liga das Nações

    Brasil sofre virada da Turquia e é vice-campeão da Liga das Nações

    Seleção brasileira feminina de vôlei adiou o sonho do título inédito na Liga das Nações. Neste domingo (26), em Macau (China), as brasileiras perderam a final de virada para a Turquia, por 3 sets a 1 (parciais de 25/23. 23/25, 24/26 e 21/25) e amargaram o quinto vice-campeonato no torneio. O jogo reeditou o embate pelo bronze olímpico nos Jogos de Paris, vencido pelas brasileiras.

    Hoje, no entanto, a Turquia levou a melhor, contando com o talento da oposta Melissa Vargas. A cubana naturalizada turca acertou 33 ataques e conduziu o time ao bicampeonato – o primeiro ouro foi em 2023 – e, de quebra, ganhou o prêmio de melhor jogadora da Liga das Nações. 

    A medalha de bronze da Liga ficou com a Itália – derrotada pelo Brasil no sábado (26) -, que superou a anfiriã China por 3 sets a 1 (25/16, 23/25, 25/22 e 25/13).

    Do lado da Amarelinha, Ana Cristina (25 pontos) e Rosamaria (19) foram as melhores em quadra. Com o revés de hoje, as brasileiras chegam a cinco pratas no torneio – as anteriores foram em 2025, 2022, 2021 e 2019.

    “Fica aquele sentimento que dava mais um pouco, é normal. Diante das adversidades que a gente teve, houve luta, houve atitude, houve comprometimento muito grande. Algumas jogadoras surgindo, a gente perdeu algumas jogadoras importantes nessa trajetória, e agora é pensar no futuro, no Sul-Americano”, pontuou José Roberto, em entrevista à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

    Nesta edição a seleção entrou em quadra desfalcada de titulares de peso como a ponteira Gabi (poupada por desconfortou na região lombar), a oposta Tanara e a central Julia Kudiess – ambas por lesão – e sem líbero Nyeme, em razão da maternidade.

    O próximo compromisso do Brasil será no Campeonato Sul-Americano, entre os dias 8 e 13 de setembro, no Ginásio do Maranãzinho, no Rio de Janeiro. A equipe vencedora arremata vaga para a Olimpíada de Los Angeles 2028.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • ABM lança guia para prefeituras enfrentarem impactos do El Niño

    ABM lança guia para prefeituras enfrentarem impactos do El Niño

    A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção e no enfrentamento dos efeitos do El Niño, fenômeno que pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses.

    Segundo a entidade, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027.

    De acordo com a ABM, os efeitos podem variar de acordo com a região.

    “Norte e Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas. No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal”, explica a associação.

    “No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos”, complementou.

    Recomendações

    O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres.

    Entre as recomendações estão o mapeamento de áreas de risco, a atualização de planos de contingência, a definição prévia de abrigos e equipes de atendimento e a organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais.

    A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. O guia está disponível gratuitamente no portal da ABM.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mega-sena acumula e pagará R$ 78 milhões no próximo sorteio

    Mega-sena acumula e pagará R$ 78 milhões no próximo sorteio

    Nenhum apostador acertou as seis dezenas do Concurso 3.036 da Mega-Sena, realizado neste domingo (26), em São Paulo. 

    Com isso, o prêmio acumulou e está estimado em R$ 78 milhões para o próximo sorteio, marcado para terça-feira (28).

    Os números sorteados são: 05 – 12 – 21 – 33 – 43 – 50

    92 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber  R$ 28.109,79 cada

    7.263 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 586,9 cada

    Apostas

    Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília) de terça-feira (28), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

    A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br