Autor: Redação Qnews

  • Petrobras batiza primeiro navio a navegar com tripulação 100% feminina

    Petrobras batiza primeiro navio a navegar com tripulação 100% feminina

    Equipe embarcada no Starnav Elektra é composta por 16 mulheres

    A Petrobras batizou, no Píer Mauá, a embarcação Starnav Elektra, primeira entrega do Programa Mar Aberto, iniciativa voltada para renovação e ampliação da frota da companhia.

    A embarcação foi construída no Estaleiro Detroit, em Itajaí (SC), e agora segue para operar nas plataformas das bacias petrolíferas brasileiras. Investimento foi de R$ 450 milhões.

    O Starnav é o primeiro navio afretado pelo Programa Mar Aberto. A embarcação navegou de Santa Catarina ao Rio de Janeiro com uma tripulação 100% feminina, equipe composta por 16 mulheres sob a liderança da comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon.

    A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou nesta quinta-feira (17), que os investimentos feitos pela companhia na indústria naval e offshore impulsionam novo ciclo de negócios e oportunidades para o setor e otimizam o retorno de capital da estatal.

    “São projetos que nos trazem mais eficiência e lucro. Quando utilizamos nossa própria frota estamos economizando recursos e valorizando o portfólio da Petrobras”, disse. Magda destacou, ainda, o compromisso da Petrobras com a renovação da frota, garantindo segurança e continuidade para a indústria nacional. 

    De acordo com Magna, são 48 barcos contratados até o final do ano. Até o ano que vem serão entregues 96 embarcações, incluindo barcaças e empurradores. “As empresas brasileiras estão tendo um desempenho excelente e estão vencendo todas as licitações.”

    Eficiência

    Em linha com as metas de transição energética da companhia, os projetos dos novos PSV (Platform Supply Vessel) incorporam sistemas mais modernos de geração e distribuição de energia, incluindo bancos de baterias, monitoramento de consumo por telemetria e possibilidade futura de operação parcial com combustível renovável.

    As embarcações também contam com novas tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação, que contribuem para reduzir o consumo de combustível e as emissões de gases.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência

    Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência

    Especialistas apontam maior vulnerabilidade de jovens a apostas online

    Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para largar a dependência de bets, avalia Luiz Carlos*, integrante de um grupo de apoio para pessoas com problemas de jogo, a irmandade Jogadores Anônimos. Segundo ele, já é comum encontrar adolescentes na faixa de 14 anos procurando ajuda para conter o vício.

    “Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos”, conta ele.

    O jovem Gustavo Pereira é um dos que enfrentaram graves problemas financeiros e de saúde mental por conta da compulsão por bets. Atualmente com 24 anos de idade, ele começou a fazer apostas online aos 18 anos. Em um período de seis anos, chegou a perder meio milhão de reais por causa do vício.

    “Ganhava muito bem na época, já fiz R$ 10 mil virarem R$ 300 mil, já fiz bancas inimagináveis, fiz R$ 10 mil virarem R$ 200 mil, R$ 240 mil, e perdi tudo. Então o dinheiro começou a perder valor para mim, eu comecei a perder a dimensão do dinheiro, na minha conta não tinha todo aquele valor, mas lá na bet tinha, e o vício faz isso, te enche de ganância”, diz o jovem.
     


    Santa Catarina - 17/09/2026 - O jovem Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets - Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal
    Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets – Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal

    Gustavo conta que está há cerca de dois meses sem apostar e tenta recomeçar a vida vendendo café nas ruas de Lages (SC). Ele mantém um perfil no Instagram onde posta conteúdos sobre seu trabalho e sobre como faz para superar o vício e evitar recaídas.

    “Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar. Nestes seis anos, eu enfrentei muitas coisas, mudei com a depressão, uma síndrome do pânico, e graças a Deus eu me libertei disso. Hoje vendo café na rua e, se estou aqui, foi graças a Deus, à minha fé, me apeguei nas pessoas que amo, consegui superar isso, e hoje meu propósito de vida é ajudar pessoas”, relata Gustavo.

    Especialistas afirmam que a facilidade de acesso às plataformas de jogos pelo celular amplia a exposição de jovens às bets. Dados do Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) mostram que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos online até os 11 anos de idade. O número chega a 78% a partir de 12 anos. Os dados, de 2021, continuam atuais.

    É o que indica uma pesquisa deste ano feita no Brasil e divulgada pela Frente Parlamentar Mista de Educação. Entre 1.912 estudantes dos ensinos médio e fundamental, 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Quase metade dos entrevistados no 3º ano do ensino médio fizeram apostas.

    Pesquisa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) mostrou que canais voltados ao público infantil exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais.


    Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Mariana Kehl. Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal
    Psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia – Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal

    A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem é mais vulnerável a apelos desse tipo porque o cérebro dele ainda está em construção. Enquanto o núcleo ligado à sensação de prazer e à dopamina funciona em ritmo acelerado, as regiões que controlam os impulsos e avaliam riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.

    “O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, diz.

    Cassino no bolso

    Luiz Carlos tem 71 anos e lembra que, quando começou a jogar, na década de 1980, não existia celular. Na época, o vício eram as máquinas de videopôquer. “Saía do jogo 4h, 5h da manhã, socando o painel do meu carro, me machucando, chorando, prometendo que nunca mais voltaria, e no outro dia eu estava lá, jogando novamente.”

    ”Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje não precisa mais, você carrega um cassino dentro do seu bolso”, afirma.

    A dependência de Luiz Carlos é a mesma de quem aposta online, como Rogério* (53 anos), Rodrigo* (47) e Carla Xavier* (41), também frequentadores do Jogadores Anônimos.

    Luiz Carlos está há 15 sem jogar. Carla e Rogério estão há mais de um ano longe do vício, enquanto Rodrigo está há seis meses sem apostar. A abstinência foi conquistada graças à irmandade Jogadores Anônimos.

    Segundo Carla, o grupo tem recebido principalmente pessoas que já perderam tudo por causa de apostas. “[Elas] já não tem mais onde pedir ajuda. Então já estão desacreditadas da vida, já estão pensando em suicídio, estão devendo para um monte de gente. Essas são as pessoas que procuram o grupo. E, com as apostas online, isso cresceu demais, porque está tudo na palma da mão hoje.”

    Ouça na Radioagência Nacional
     

    Compulsão e endividamento

    Relatório do IBICT concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, sendo que quase metade ficou endividada.

    São muitos os relatos de quem passou pelo problema, como Rogério, que frequenta a irmandade Jogadores Anônimos. Ele diz que no começo as apostas pareciam inofensivas. Percepção que mudou quando elas começaram a controlar a vida dele de forma negativa.

    “Começaram a comprometer o meu orçamento, dificultar o pagamento das minhas contas, comecei a comprometer a minha renda.”

    Segundo o diretor do IBICT, Tiago Braga, as apostas online não são um investimento, mas um gasto. O descontrole aumenta o risco.

    “Quanto mais você aposta ou quanto mais você gasta recursos com a aposta, menos você terá recursos para o seu futuro. E isso a gente está falando de questões do cotidiano como aluguel, comida, vestuário, educação.”

    Ele aponta ainda o risco de “de ideação suicida associada ao endividamento por jogo.”

    Endividamento e ensino superior

    Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) aponta que 34% dos entrevistados afirmaram que precisariam parar de gastar com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026.

    Entre aqueles que já estão no ensino superior, 14% relataram ter atrasado as mensalidades ou trancado o curso por causa dos gastos com bets.


    Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Paulo Chanan. Foto: Paulo Chanan/Arquivo Pessoal
    Diretor-geral da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Paulo Chanan – Foto: Paulo Chanan/Arquivo Pessoal

    Para o diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, os dados são um alerta importante, mas não se pode generalizar o comportamento dos jovens. O que é possível afirmar, segundo ele, é que, para uma parcela relevante deles, o dinheiro destinado às apostas interfere diretamente em decisões relacionadas à educação, o que cria uma barreira adicional ao acesso e à permanência no ensino superior.

    A pesquisa mostra ainda que 34% afirmaram ter deixado de investir em cursos, idiomas ou outras formas de aprendizado por causa dos gastos com apostas. Outro dado: 33% deixaram de investir em academia ou atividades físicas.

    Segundo Paulo Chanan, as instituições de ensino podem contribuir com informação, prevenção, orientação, acolhimento e encaminhamento adequado quando necessário, já que o tema passou a fazer parte de uma realidade social que também chega ao ambiente acadêmico.

    O diretor-geral frisa que as instituições não podem ser responsabilizadas sozinhas pelo enfrentamento do problema. Para ele, deve haver uma atuação conjunta que envolva educação, saúde, comportamento, regulação e políticas públicas.

    O estudo da ABMES não avaliou indicadores de desempenho acadêmico nem de saúde mental.

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    ECA Digital

    Para aumentar o rigor em relação às plataformas, o governo federal sancionou, em setembro de 2025, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Conhecido como Lei Felca, o ECA Digital entrou em vigor em março de 2026 e atualizou a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual com novas regras para aplicativos, jogos e redes sociais.

    Para o advogado especialista em direito digital Felipe Moreira, a maior novidade é a responsabilidade compartilhada entre as plataformas, as famílias e o próprio Estado.


    Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Felipe Moreira. Foto: Felipe Moreira/Arquivo Pessoal
    Advogado especialista em direito digital Felipe Moreira – Foto: Felipe Moreira/Arquivo Pessoal

    Moreira ressalta ainda a criação de mecanismos de aferição de idade confiáveis, “não mais sendo possível aquela utilização de sou maior de 18 anos com um simples clique, a criação de verificação de padrões de segurança maiores também nesses jogos e, em especial, a criação de mecanismos de fiscalização por parte dos pais das atividades que vêm sendo desenvolvidas por seus filhos.”

    Antes, para entrar em sites restritos, bastava digitar uma data de nascimento, que podia ser falsa, para atestar a idade. Agora, quem tem menos de 18 anos não pode apostar online, e menores de 16 anos só podem usar redes sociais vinculados a responsáveis.

    O ECA Digital proíbe também o acesso às loot boxes, caixas com itens aleatórios pagos, que se assemelham a jogos de azar.

    A advogada Luana Mendes diz que o controle parental não significa apenas um não, mas educação digital. Ela destaca a importância de ensinar a criança a identificar situações perigosas, a não fornecer informações pessoais, não conversar com desconhecidos e denunciar comportamentos abusivos.

    Luana ressalta que estabelecer uma relação de confiança com a criança é fundamental para que ela possa “se sentir segura a ponto de procurar um adulto quando alguma situação dentro do jogo, dentro do ambiente digital, gerar medo e desconforto.”

    O estatuto também amplia a responsabilidade das instituições de ensino, que devem reforçar a cidadania digital e podem ser responsabilizadas em caso de omissão diante de cyberbullying. Influenciadores mirins não podem fazer publicidade velada.

    A psicóloga Mariana Kehl avalia que a publicidade feita por influencers é um risco, sobretudo para crianças e jovens.

    “Quando o anúncio vem na voz de um influenciador que esse jovem acompanha diariamente, ele não é processado como publicidade. Ele é processado como uma recomendação de alguém de confiança, o que rebaixa as defesas críticas que qualquer consumidor adulto poderia mobilizar diante de um comercial tradicional.”


    Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Tiago Braga. Foto: Tiago Braga/Arquivo Pessoal
    Diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Tiago Braga – Foto: Tiago Braga/Arquivo Pessoal

    Tiago Braga, do IBICT, destaca estudo realizado pelo instituto que mostra como influenciadores estavam utilizando o Facebook, o X (antigo Twitter), o TikTok e principalmente o YouTube para estimular jovens e crianças a apostar online.

    Para o advogado Felipe Moreira, a legislação é suficiente, mas a regulamentação da lei precisa ser cumprida e observada tanto pelo Poder Público, no âmbito fiscalizatório, quanto pelas empresas que atuam no setor. 

    *Sobrenome omitido a pedido dos entrevistados.

    Colaborou Luciene Cruz


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 28 milhões neste domingo

    Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 28 milhões neste domingo

    Apostas podem ser feitas até às 22h de sábado

    A Mega-Sena sorteia neste domingo (20) prêmio estimado em R$ 28 milhões. As seis dezenas do concurso 3.060 serão sorteadas a partir das 11h (horário de Brasília) no Espaço da Sorte, em São Paulo.

    As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) de sábado (19) em casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

    No último concurso, foram sorteados os números   01 – 02 – 07 – 18 – 33 – 35 e um bolão feito em Presidente Venceslau (SP) levou o prêmio de R$ 101.970.706,13..


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Apostas online podem levar ao endividamento rápido, diz pesquisa

    Apostas online podem levar ao endividamento rápido, diz pesquisa

    Gasto anual equivale a 3 vezes mais o estimado para compras de Natal

    As apostas online têm gastos anuais de R$ 2,2 bilhões e equivalem a mais de três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de Natal. A falsa impressão de ganho rápido de dinheiro pode causar efeitos colaterais aos apostadore, como é o caso do endividamento.

    O hábito pode acarretar perda de controle, conflitos pessoais e impacto sobre a saúde mental. É o que indica pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), feita nos dias 22 a 25 de junho, com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 

    Entre os entrevistados, 22,8% afirmaram já ter participado de apostas online. Desses, 33% disseram que apostam por causa da chance de ganhar dinheiro rápido, enquanto 25,4% veem no jogo uma oportunidade de fazer renda extra.

    Dificuldade de parar

    O levantamento aponta que 22,3% dos apostadores disseram ter dificuldade de parar com as apostas. Outros 29,1% afirmaram já ter sentido culpa por apostar, enquanto 34,8% disseram ter sido criticados por causa do hábito. A pesquisa mostra ainda que 6,9% afirmaram já ter se prejudicado ou afetar outra pessoa em razão das apostas. Entre esses, 68% relataram ter perdido dinheiro.

    O gasto médio mensal declarado pelos apostadores foi de R$ 96,30, e o instituto estima que 1,9 milhão de pessoas na Região Metropolitana do Rio já tenham participado de apostas online. Com base nos valores, a estimativa é de R$ 182 milhões movimentados mensalmente em apostas online.

    Entre os que já apostaram, 5,1% afirmaram ter se endividado por causa das apostas. O percentual pode parecer pequeno, mas ganha outra dimensão quando observado em conjunto com outros indicadores. Ao menos 42,9% disseram possuir alguma dívida, e, entre aqueles com dívidas, 45,9% afirmaram que não estão com os pagamentos em dia. Além disso, 42% admitiram que, depois de perder dinheiro, voltaram a apostar para tentar recuperar o prejuízo.

    Renda

    Dos que já participaram de apostas online, 36% têm renda mensal entre um e dois salários mínimos, enquanto 19,7% recebem de dois a três salários mínimos e 19,4% têm renda de até um salário mínimo.

    Em relação à frequência com que apostam, 21,9% disseram jogar diariamente e 27,9% fazem de uma a duas vezes por semana. De acordo com a sondagem, 60,9% já participaram de apostas em bets. O Tigrinho aparece em seguida, com 49,4%.

    Para o diretor-executivo do IFec-RJ, João Gomes, “existe uma falsa percepção dos apostadores de que o jogo representa uma forma de ganhar dinheiro rápido, complementar a renda ou até mesmo funcionar como investimento”.

    Os dados mostram, porém, que esse comportamento alavanca o endividamento e compromete o orçamento das famílias.

    Do ponto de vista econômico, os recursos destinados às apostas também deixam de circular em outras atividades de consumo e investimento, reduzindo o potencial de movimentação da economia fluminense.

    “É um problema que ultrapassa a esfera individual e produz impactos socioeconômicos mais amplos”, avalia Jóão Gomes.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Cargos de liderança são só 1,5% das vagas para pessoas com deficiência

    Cargos de liderança são só 1,5% das vagas para pessoas com deficiência

    Empresas destinam maioria dos postos para posições operacionais

    Apenas 1,5% das vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcDs) ofertam posições técnicas e gerenciais, aponta levantamento inédito da startup Egalite. O levantamento considera dados de 116 mil profissionais cadastrados e mais de 19 mil vagas ativas no portal Inclui PcD, da própria startup, especializada em projetos para empregabilidade de pessoas com deficiência.

    As empresas destinam grande parte das vagas para posições operacionais, que representam 98,5% dos postos de trabalho. Por outro lado, o levantamento aponta que 31% de todas as candidaturas espontâneas desses profissionais são direcionadas para posições gerenciais e técnicas.

    Embora esses dados apontem para um cenário desafiador, a pesquisa destaca um avanço nas organizações empenhadas na inclusão e no crescimento efetivo desses profissionais.

    Metade das organizações analisadas no portal Inclui PcD já disponibiliza todas as suas vagas, desde posições de entrada até cargos de liderança e especialistas, para pessoas com deficiência, superando a exigência legal de cotas.

    Um dos fundadores da Egalite e embaixador e CEO da Rede Empresarial de Inclusão Social, Djalma Scartezini aponta que a maioria das vagas de trabalho é para cargos operacionais, pois o varejo é a base da pirâmide e, por isso, disponibiliza maior quantidade de postos de trabalho.

    “Não existem cargos de liderança na mesma proporção que cargos de entrada”, diz Djalma Scartezini.

    Contudo, o diretor executivo reconhece que existe uma falta de vagas de gerência destinada à população PcD. “Eu sendo um executivo com deficiência também não estou contente de ver poucos pares com deficiência em cargos de direção. O que eu acho que é positivo é que tem avançado esse número.”

    Ele cita a última feira Inclui PcD, uma iniciativa da Egalite, que abriu 19 mil vagas para pessoas com deficiência, das quais quase 4 mil eram cargos para especialistas, coordenadores e primeiros estágios de liderança.

    Outro dado relevante da pesquisa demonstra que a pretensão salarial mediana de candidatos PcD é de R$ 1.450, valor abaixo do salário mínimo em vigor (R$ 1.621). O dado revela que os trabalhadores muitas vezes chegam aos processos seletivos cobrando menos do que o que é de direito.

    Muitas vezes esse cenário se dá por um viés de mercado que utiliza marcadores identitários – como deficiência, gênero, raça e orientação sexual – para desqualificar as pessoas. Como aponta Scartezini, frequentemente, as próprias vagas oferecidas a PcDs já são disponibilizadas com valores de remuneração reduzidos em relação aos parâmetros de mercado.

    Uma outra barreira enfrentada por trabalhadores com deficiência é o recuo de postos de trabalho no modelo home office. De acordo com dados da Inclui PcD, o percentual de vagas remotas e híbridas sofreu queda de 28,4% em 2024 para somente 0,8% em 2026.

    “O modelo de trabalho remoto remove barreiras cruciais de mobilidade urbana e transporte público inacessível para pessoas com deficiência física”, explica o CEO da Egilate, Guilherme Braga.

    Além disso, para profissionais neurodivergentes, o ambiente de casa atua como um regulador sensorial, possibilitando a gestão de estímulos do ambiente, a adaptação do espaço de trabalho e a diminuição da sobrecarga social.

    *Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Confira a agenda dos presidenciáveis neste fim de semana (19 e 20)

    Confira a agenda dos presidenciáveis neste fim de semana (19 e 20)

    Candidatos participam de sabatinas, atos e caminhadas no sábado

    A agenda dos candidatos à Presidência neste fim de semana inclui sabatinas, atos políticos, caminhadas e panfletagens. Também estão previstas visitas a municípios, participação em eventos e manifestações culturais, além de encontros com empresários e apoiadores e atividades de campanha em diferentes cidades.

    Augusto Cury (Avante)
    Participa de sabatina do Jornal da Record, em São Paulo (SP), sábado. 

    Flávio Bolsonaro (PL)
    No sábado, faz comícios em Joinville (SC) e Chapecó (SC).

    Hertz Dias (PSTU)
    No Rio de Janeiro, faz panfletagem no calçadão de Madureira e participa de festa da campanha na Portelinha. 

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
    Participa de ato no Centro de Florianópolis (SC), no sábado pela manhã. 

    Renan Santos (Missão) 
    No sábado, visita os municípios de Capão da Canoa (RS), Criciúma (SC) e Florianópolis (SC). Domingo, visita Balneário Camboriú (SC), 13h Blumenau (SC) e Curitiba (PR). 

    Romeu Zema (Novo)
    Participa de caminhada na feira Eldorado, em Contagem, no sábado. Também almoça com empresários e apoiadores na cidade.  

    Ronaldo Caiado  (PSD)
    No sábado, visita o comércio do Centro de Osasco (SP) e participa de sabatina no SBT.  

    Samara Martins (UP)
    No Rio de Janeiro, faz caminhada em Madureira e panfletagem faz panfletagem em frente à Império Serrano, no sábado. À noite, participa de voo noturno nos Arcos da Lapa.

    Wilson Grassi (Democrata) 
    Participa do Rocky Mountain Games, em São Paulo, no sábado. 

    A candidata Clariana Barão (DC) não tem agenda pública de campanha.

    Os candidatos Edmilson Costa (PCB), Leonardo Avalanche (PRTB), e Rui Costa Pimenta (PCO) não divulgaram a agenda pública de campanha até o momento desta publicação. 

    A ordem de apresentação da agenda dos candidatos a presidente segue rodízio diário em ordem alfabética.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Condenados por violência doméstica terão de passar por reabilitação

    Condenados por violência doméstica terão de passar por reabilitação

    Decisão do STJ restabelece obrigatoriedade de medidas educativas

    O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) obteve, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), decisão favorável que restabelece a obrigatoriedade de participação de condenados por violência doméstica em grupos reflexivos de reeducação.

    A decisão da 6ª Turma do STJ consolida o entendimento de que a resposta penal nos crimes de violência de gênero deve contemplar não apenas o aspecto punitivo, mas também medidas educativas e preventivas. 

    “A medida visa transcender o caráter meramente retributivo da sanção e promover espaços de diálogo e reflexão que conduzam à responsabilização do agressor e à efetiva readequação comportamental, com o escopo precípuo de coibir a reiteração delitiva”, avaliou o ministro relator Rogério Schietti Cruz.

    De acordo com o MPRJ, a participação obrigatória de agressores em grupos reflexivos e programas de reeducação, prevista na Lei Maria da Penha, tem como objetivo reduzir a reincidência da violência doméstica e fortalecer a proteção às vítimas.

     A medida tem a finalidade de romper o ciclo da violência por meio de ações pedagógicas voltadas aos autores das agressões, incentivando a reflexão sobre seus comportamentos.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • ONU: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral

    ONU: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral

    O cenário de riscos globais mudou significativamente nos últimos dois anos. Conflitos e guerras passaram ao centro das preocupações, enquanto os avanços tecnológicos e os riscos econômicos ganharam importância. Ao mesmo tempo, a percepção sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder a esses desafios diminuiu em diversas áreas.

    Os dados fazem parte de um novo relatório das Nações Unidas, baseado em uma pesquisa com cerca de 1,3 mil representantes de governos, empresas, sociedade civil e sistema ONU, de todas as regiões do mundo.

    Os participantes avaliaram 28 riscos globais, agrupados em cinco categorias — política, tecnologia, economia, meio ambiente e sociedade — considerando sua probabilidade, gravidade, velocidade de materialização e o grau de preparação do sistema multilateral para responder a eles.

    A comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2024, mostra uma mudança no mapa de riscos. Naquele ano, as maiores preocupações estavam relacionadas ao meio ambiente, à desinformação e às pandemias. Em 2026, os riscos geopolíticos ganharam destaque.

    O relatório define como vulnerabilidade global a existência de uma grande diferença entre a importância atribuída a um risco e a capacidade percebida das instituições multilaterais de responder a ele.

    Riscos políticos são a principal vulnerabilidade

    Os riscos políticos registraram a mudança mais expressiva desde 2024. Todos foram considerados mais importantes do que há dois anos, enquanto a percepção sobre a preparação das instituições multilaterais caiu em quase todos os casos.

    O risco de guerra em larga escala se destaca especialmente. Ele está entre os riscos mais interconectados, aumentou em importância e apresentou a maior queda na percepção sobre a capacidade de resposta multilateral.

    Inteligência artificial e outras tecnologias ampliam vulnerabilidades

    A percepção sobre a preparação multilateral para riscos tecnológicos permaneceu baixa, em níveis semelhantes aos observados em 2024.

    Por outro lado, aumentou de forma significativa a importância atribuída aos riscos relacionados à inteligência artificial e às tecnologias de fronteira, assim como à concentração de poder impulsionada pela tecnologia.

    As preocupações com possíveis rupturas de sistemas de cibersegurança também permanecem. Segundo a pesquisa, a compreensão desses riscos ainda é limitada, enquanto as tecnologias avançam rapidamente.

    A combinação entre maior importância percebida e baixa preparação coloca os riscos tecnológicos entre as principais vulnerabilidades globais.

    Riscos econômicos ganham espaço

    As preocupações com os riscos econômicos também aumentaram. Quatro dos cinco riscos avaliados nessa categoria foram considerados mais importantes do que em 2024.

    A possibilidade de uma crise financeira global aparece como destaque, especialmente devido à preocupação com seus efeitos sistêmicos e com a capacidade do sistema multilateral de coordenar uma resposta internacional.

    Meio ambiente: menos preocupação relativa, mas lacunas permanecem

    Os riscos ambientais foram considerados, em geral, um pouco menos importantes do que em 2024. A percepção sobre a preparação multilateral, porém, continua desigual.

    A perda de biodiversidade e a poluição em larga escala deixaram de aparecer entre as áreas de maior vulnerabilidade. A mudança ocorreu principalmente porque esses riscos passaram a ser considerados menos importantes, e não porque a preparação para enfrentá-los tenha melhorado.

    A vulnerabilidade continua elevada diante dos riscos relacionados a desastres naturais, devido, em parte, à percepção de baixa capacidade para reduzi-los. A inação diante da mudança do clima continua sendo considerada o risco global de maior importância.

    Riscos sociais apresentam menor vulnerabilidade

    Seis anos após o início da pandemia de COVID-19, diminuiu a preocupação com novas pandemias e riscos biológicos em comparação com 2024.

    Também perderam importância relativa os riscos relacionados a movimentos em massa de pessoas e à proliferação de atores não estatais.

    Ao mesmo tempo, as pessoas participantes consideraram o sistema multilateral mais preparado para responder a esses riscos do que há dois anos.

    Um mapa de riscos em transformação

    A comparação entre as pesquisas de 2024 e 2026 mostra que o cenário global não está apenas mudando, mas que os diferentes riscos estão evoluindo em ritmos distintos.

    Os resultados apontam para uma maior preocupação com conflitos, tecnologias de fronteira e instabilidade econômica, ao mesmo tempo em que algumas ameaças ambientais e sociais perderam importância relativa.

    Para as Nações Unidas, compreender essas mudanças é fundamental para fortalecer a capacidade de prevenção e resposta internacional. Ao oferecer aos Estados-membros e formuladores de políticas uma visão compartilhada e baseada em evidências sobre os riscos globais e a capacidade de resposta do sistema multilateral, o relatório busca contribuir para que ações sejam tomadas antes que os riscos atuais se transformem em crises.

    Para saber mais, acesse o relatório completo e visite a página especial da ONU Brasil para a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. 

    Fonte: brasil.un.org

  • Prevenção do Aliciamento de crianças e adolescentes: uma estratégia essencial para desmantelar o crime organizado, aponta o UNODC

    Prevenção do Aliciamento de crianças e adolescentes: uma estratégia essencial para desmantelar o crime organizado, aponta o UNODC

    O UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) apontou, nesta quinta-feira (17), que prevenir o aliciamento de crianças e adolescentes é um caminho essencial para desmantelar as estruturas do crime organizado no Brasil. 

    A posição foi apresentada durante a mesa “Dos territórios às plataformas: dados e respostas ao aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado”, realizada na Academia de Polícia Civil de São Paulo (Acadepol), como parte do 20º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), um dos principais espaços de debate sobre segurança pública da América Latina. A mesa reuniu representantes do UNODC, da Polícia Federal, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes e do Instituto Latinoamericano para la Paz y la Seguridad.

    O aliciamento de crianças e adolescentes por organizações criminosas é um processo que envolve aproximação, criação de vínculos, oferta de proteção ou vantagens, dependência e coerção. Esse processo, que ocorre nos territórios e no ambiente digital, ainda carece de registros administrativos e estatísticos de segurança pública, o que é requisito essencial para a compreensão do fenômeno e elaboração de políticas públicas eficazes, que responsabilizem os aliciadores, desarticulem os fluxos financeiros e as cadeias de comando por trás do aliciamento. Para o UNODC, esse enfoque pressupõe o reconhecimento do aliciamento como um crime e do status legal de crianças e adolescentes aliciados como vítimas.

    Segundo Alexandra Martins, líder da equipe global de Prevenção e Resposta ao Crime e à Violência contra Crianças, Mulheres e Comunidades do UNODC, o aliciamento de crianças e adolescentes é função operacional das estruturas criminosas e proteger a infância e a adolescência deste fenômeno é tarefa crucial para desmantelar o crime organizado. Assim, ela propôs uma mudança de paradigma e ressaltou a necessidade de mensuração do processo de aliciamento e não apenas do seu desfecho. 

    “O indicador de sucesso de uma política de segurança pública em relação à infância não pode ser quantos adolescentes são apreendidos, mas quantos deixaram de ser aliciados” completou Alexandra.

    Tratar o aliciamento como peça estrutural do crime organizado, e não como um problema à parte, também abre caminho para fortalecer a produção de dados e indicadores sobre esse fenômeno e para construir uma leitura compartilhada entre segurança pública, justiça, proteção social, educação e saúde, capaz de sustentar respostas coordenadas. Essa abordagem está alinhada aos princípios que orientam a atuação do UNODC na Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC) — de que respostas eficazes ao crime organizado devem se apoiar em evidências, cooperação institucional e no fortalecimento de capacidades nacionais.

    No Brasil, no âmbito da proteção de crianças e adolescentes, o UNODC vem apoiando instituições nacionais na construção de diversas iniciativas, entre elas a Estratégia Crescer em Paz, lançada em 2025 e baseada na versão global ENDVAC (End Violence Against Children) do UNODC, além de dialogar com outras iniciativas em curso no país voltadas a essa mesma agenda, como o projeto Protegendo Futuros, desenvolvido em conjunto com a União Europeia; o Crescer em Segurança, cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD); a Plataforma CRIA e a metodologia PIPA de prevenção do uso de álcool e outras drogas; o Pronasci Juventude; e o programa Vidas Protegidas, desenvolvido em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

    Sobre o Protegendo Futuros

    O Protegendo Futuros (Protecting Futures) é uma iniciativa conjunta da União Europeia e do UNODC que atua no Brasil e nas Filipinas para prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes por grupos armados e criminosos, em respeito aos direitos humanos, à igualdade de gênero e ao direito internacional. O projeto tem como principal documento norteador a resolução A/RES/79/188 da Assembleia Geral das Nações Unidas, adotada em dezembro de 2024, apoiando-se também na Convenção sobre os Direitos da Criança e na Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC). No Brasil, sua governança reúne instituições como o Conselho Nacional de Justiça, a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, a Polícia Federal e a Defensoria Pública da União.

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU: Uma em cada três instituições criadas para promover a igualdade de gênero perdeu poder em dois anos

    ONU: Uma em cada três instituições criadas para promover a igualdade de gênero perdeu poder em dois anos

    O Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026, divulgado em 17 de setembro pela ONU Mulheres e pelo Departamento das de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), mostra que, nos lugares onde as mulheres detêm poder real, os resultados melhoram em todas as dimensões da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável — desde a paz até a educação e da pobreza até a ação climática. No entanto, as próprias instituições construídas ao longo de décadas para promover a igualdade de gênero estão sendo sistematicamente enfraquecidas, paralisadas ou revertendo o progresso justamente no momento em que o mundo não pode se dar ao luxo de retroceder.

    As conclusões do Relatório sobre Panorama de Gênero 2026 revelam um retrocesso político em relação à igualdade de gênero que é transversal, mensurável e cada vez mais grave: 

    • Um em cada três mecanismos institucionais para a igualdade de gênero sofreu uma erosão institucional nos últimos dois anos. 

    • Cerca de uma em cada quatro instituições dedicadas à igualdade de gênero teve seu orçamento operacional reduzido no mesmo período. Quase uma em cada dez perdeu totalmente o controle sobre seu orçamento. 

    • O financiamento para a igualdade de gênero caiu para seu nível mais baixo desde 2021, com o financiamento para organizações de direitos das mulheres como mais afetado. 

    • Em meio aos cortes de financiamento, 42% das entidades da ONU relatam um enfraquecimento de seus esforços em prol da igualdade de gênero.

    A concentração do poder político continua acentuada: seis em cada sete países são liderados por homens. As mulheres continuam enfrentando barreiras sistêmicas em todas as etapas. O custo de uma candidatura a um cargo público pode ultrapassar 100 vezes a renda per capita média de um país, o que exclui muitas mulheres antes mesmo do início da disputa. Em alguns países, até oito em cada dez mulheres que concorrem a um cargo público enfrentam violência na vida pública. E quando as mulheres chegam ao governo, ainda são desviadas de forma desproporcional das áreas que detêm maior poder econômico e de segurança. Quase nove em cada dez ministros da área de defesa e mais de oito em cada dez ministros da área de finanças são homens.

    À medida que as mulheres continuam enfrentando barreiras à participação e influência, décadas de conquistas políticas e jurídicas em matéria de igualdade de gênero estão sendo cada vez mais contestadas e, em alguns casos, desmanteladas. Nenhum indicador do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para a Igualdade de Gênero (ODS 5) está no caminho certo para ser alcançado até 2030.

    “As evidências são claras: quando as mulheres lideram, as sociedades ficam mais fortes, as economias são mais resilientes e os resultados são melhores para todos. No entanto, enquanto o poder permanecer concentrado em instituições que excluem sistematicamente as mulheres, as sociedades continuam aquém de seu pleno potencial. A igualdade não pode ser alcançada sem acesso igualitário ao poder — porque igualdade sem poder não é igualdade alguma”, afirmou a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous.

    “Os dados não deixam margem para ambiguidade:, no ritmo atual, ainda faltam 171 anos para alcançarmos a igualdade de gênero. O que o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 mostra é que isso não é inevitável — é o resultado de escolhas, tornadas visíveis por meio dos dados. Investir na igualdade de gênero, nas instituições e nos sistemas estatísticos que as responsabilizam não é um custo. É o caminho mais rápido de volta à promessa da Agenda 2030 de poder igual para todos”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. 

    Esse padrão se estende além do governo. As mulheres ocupam apenas 6% dos cargos de diretora executiva em empresas em todo o mundo e lideram menos de 20% dos tribunais superiores, deixando as decisões que moldam os negócios, o sistema jurídico, o emprego e a economia global predominantemente nas mãos dos homens.

    As conclusões do relatório surgem em um momento decisivo para o sistema multilateral. Os líderes mundiais estão se reunindo para a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU (UNGA81), enquanto a Organização das Nações Unidas se prepara para eleger seu décimo secretário-geral – cargo que nenhuma mulher ocupou nos 80 anos de história da ONU. 

    Enquanto os governos debatem o futuro do multilateralismo, o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 argumenta que nenhuma visão para o futuro do mundo é aceitável sem que mulheres e meninas tenham participação igualitária no poder para moldá-la.

    A Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores do Quênia, Raychelle Omamo, concede entrevista à imprensa após sessão do Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança.
    Legenda: A Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores do Quênia, Raychelle Omamo, concede entrevista à imprensa após sessão do Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança.
    Foto: © ONU/Loey Felipe.

    A ONU Mulheres e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) cobram uma reversão do retrocesso político em relação à igualdade de gênero – e que o poder seja compartilhado de forma mais equitativa. Isso significa garantir que as mulheres tenham voz igualitária nas decisões políticas e econômicas, financiar adequadamente as instituições de igualdade de gênero, proteger as organizações de direitos das mulheres e o espaço cívico, e assegurar que as mulheres tenham poder igualitário para moldar as decisões que afetam as economias, a paz e a segurança, a tecnologia e a vida pública.

    Para saber mais, acesse o relatório completo na página global da ONU Mulheres e siga @onumulheresbr nas redes sociais! 

    NOTAS PARA EDITORES

    O Relatório sobre o Panorama de Gênero é a principal fonte mundial de dados sobre igualdade de gênero e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Com base em mais de 100 fontes de dados, ele acompanha o progresso das mulheres e meninas em todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

    Os dados referem-se a todos os mecanismos de igualdade de gênero. Os mecanismos institucionais para a igualdade de gênero, ou mecanismos de igualdade de gênero, referem-se a estruturas estatais encarregadas de promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas (por exemplo, “Ministério do Desenvolvimento da Mulher e da Criança”, “Diretoria de Igualdade de Gênero”). Esses mecanismos são responsáveis por promover os direitos, a condição social e o bem-estar de mulheres e meninas, bem como por combater normas de gênero discriminatórias.

    Contatos para a imprensa:

    Fonte: brasil.un.org