Categoria: Brasil

  • Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios

    Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios

    Mulheres de diferentes lugares do Brasil se conectaram em uma rede de apoio e articulação que tem como principal elo a defesa ambiental e da justiça climática.  

    O Programa Defensoras por Defensoras, promovido pela rede ambiental Observatório do Clima, reúne histórias de vida ligadas pelos cuidados com as pessoas, o meio ambiente e a memória dos territórios.

    São 36 mulheres que atuam na linha de frente do ativismo ambiental e climático e que juntas trocam vivência, compartilham desafios e passam por formações para o fortalecimento da luta em seus territórios.

    A Pernambucana Sara Marques (foto de destaque) vive na comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE), desde que nasceu. O local às margens de um braço do Rio Capiberibe, há algumas décadas, era uma região de pescadores e marisqueiras.


    Brasília - 31/07/2026 - Sara Marques, no programa Defensoras por Defensoras. Foto: Gabriella Godoy/ Divulgação

    Sara Marques no programa Defensoras por Defensoras.- Gabriella Godoy/ Divulgação

    Hoje, totalmente integrado à área urbana, sofre os impactos de um crescimento desordenado que tornou o rio improdutivo e pressiona a população local para dar espaço a novos empreendimentos imobiliários.

    “Eu tinha essa relação com a natureza, de saber que ia chover quando os caranguejos saíam do buraco, quando os aratus corriam [pequenos caranguejos], quando tinha peixe nos viveiros. Aqui a gente tinha uma cadeia de pescado. Então tinha camarão, siri, aratu, tinha cavalo marinho”, lembra Sara.

    Antes mesmo de nascer, os avós da Sara já viviam ali e os pais se conheceram e construíram a casa onde ela nasceu também em Caranguejo Tabaiares. Mas com o tempo, tudo mudou.

    “Então a gente diz que nós somos uma comunidade pesqueira descaracterizada. Você tem o rio canalizado, você tem uma ilha que não é mais ilha, agora é um istmo [faixa de terra que conecta duas áreas]. Você tem viveiros que antes eram bem cheios de espécies e que hoje produz, majoritariamente, só o camarão”, descreve Sara.

    Restauração

    No outro extremo do Brasil, em Santa Catarina, Mirian Prochnow também sentiu despertar a vontade de lutar por um meio ambiente saudável para as próximas gerações quando percebeu que o pedaço de Mata Atlântica onde viveu a infância começou a desaparecer.

    “Quando a gente se deparou com centenas de caminhões carregados de Mata Atlântica passando na frente de casa foi o momento em que eu com um grupo de amigos pensamos o que a gente pode fazer e decidimos ‘vamos criar uma ONG e vamos salvar o planeta’”, relembra.

    Do sonho de replantar as árvores e ver o rio vivo, nasceu, há 40 anos, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) e começou o trabalho de produção de mudas de espécies nativas para restauração.

    “Começou com 18 mudinhas no fundo do quintal. Hoje o viveiro que a gente tem, tem capacidade para mais de um milhão de mudas por ano e 200 espécies diferentes da Mata Atlântica”, diz Mirian Prochnow.


     Brasília - 31/07/2026 -  Miriam Prochnow, no programa Defensoras por Defensoras. Foto:  Gabriella schaffer/ Divulgação

    Miriam Prochnow sentiu despertar força para lutar lugar quando viu que o pedaço de Mata Atlântica onde viveu a infância começou a desaparecer- Gabriella schaffer/ Divulgação

    Coletivo

    Foi exatamente essa vivência e experiência nas ações que fazem frente aos desafios sociais, ambientais e também de gênero que Valdineia Sauré, conhecida como Val Munduruku, decidiu também fazer parte das Defensoras por Defensoras.

    Nascida em Jacareacanga, no Pará, já fora do contexto de aldeia, nunca deixou as lutas indígenas de seu território pra trás. Levou o ativismo para a vida universitária, onde começou a entender melhor as conexões entre a proteção da terra, os impactos das mudanças climáticas e como isso afeta de forma diferente cada pessoa.

    “O que acontece no território não é algo isolado e a gente, enquanto pessoas que somos parte da solução, precisamos entender isso. Então, o casamento das causas, da universidade, do território, do movimento de mulheres e da juventude, resulta nesse boom no despertar do ativismo”, diz Val Munduruku.

    Comunicação

    Na união feminina, além de ganharem força para enfrentar os desafios em seus territórios, as mulheres também constroem a comunicação que ultrapassa os espaços coletivos conquistados por elas.

    “A gente precisa fazer com que não só o nosso meio que está sendo afetado entenda, mas também com que outras pessoas tenham consciência para si, de que também vão ser prejudicadas. E que pobres, indígenas, e mulheres já estão comunicando isso há bastante tempo, mas estão pensando que ainda não tiveram tanta atenção”, reforça a paraense.

    Cuidado

    Em uma publicação lançada recentemente pelo programa Defensoras por Defensoras, o grupo faz uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido por elas em relação à Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024).

    No relatório Mulheres que Sustem o Clima, elas contam suas histórias e apontam lacunas existentes na lei, como a ausência de apoio para lideranças comunitárias e defensoras de território.

    “Muitas vezes a gente não tem nem tempo para cuidar do próprio corpo, porque tem outras preocupações de como desenvolver um projeto, como que vai defender o território. Então, a gente sempre pergunta nesse movimento, quem defende as defensoras?” questiona Val.

    A partir dessas reflexões elas também apontam caminhos como a revisão do conceito de cuidado indo além da prática cotidiana entre pessoas e alcançando a relação de cuidado com o território

    “Então, oferecer suporte, apoio de todas as formas para que a gente consiga também estar na luta árdua e ao mesmo tempo fazer esse abraçamento coletivo de mulheres que cuidam, de mulheres trans, de pessoas que são mais marginalizadas nos territórios e que precisam ter esse olhar do cuidado espiritual, mental, para poder defender o território”, conclui Val Munduruku.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Programa de renegociação de dívidas é prorrogado até 31 de agosto

    Programa de renegociação de dívidas é prorrogado até 31 de agosto

    A prorrogação do programa de renegociação de dívidas bancárias, o Desenrola Brasil 2.0, foi oficializada neste sábado (1º), em portaria do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União. A medida já havia sido anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

    Os consumidores terão até 31 de agosto para renegociar os débitos com os bancos e regularizar a situação de acesso ao crédito.

    As regras do Desenrola permanecem inalteradas e, de acordo com a portaria, a prorrogação aplica-se exclusivamente às instituições financeiras que tenham celebrado, até 30 de julho de, no mínimo 1 mil operações de crédito com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

    Na ocasião do anúncio, Durigan ressaltou que a medida não exigirá novos aportes públicos ao FGO, uma vez que os recursos destinados ao programa já são suficientes para atender à demanda prevista. O objetivo do prazo adicional é permitir que pessoas que ainda estão em negociação com instituições financeiras consigam concluir o processo de regularização.

    O ministro destacou que a prorrogação também beneficia quem pretende contratar financiamentos. De acordo com ele, entre os beneficiados estão os motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e caminhoneiros que pretendem trocar de veículo por meio do Programa Move Brasil.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Justiça do Rio revoga prisão preventiva do rapper Oruam

    Justiça do Rio revoga prisão preventiva do rapper Oruam

    A Justiça do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. A decisão é da juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, que desclassificou a acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal leve.

    O processo é referente ao episódio ocorrido em 22 de julho de 2025, quando o artista e outras pessoas foram denunciados por arremessar pedras contra policiais civis em frente à residência dele, no bairro do Joá, zona oeste do Rio de Janeiro. Na ocasião, os agentes cumpriam mandados de busca e apreensão contra um adolescente apontado pela polícia como escondido no imóvel.

    Com a mudança na tipificação do crime, a magistrada determinou que o processo seja encaminhado a uma das varas criminais comuns da capital, já que a 3ª Vara Criminal tem competência para julgar crimes dolosos contra a vida.

    Na decisão, a juíza entendeu que não há fundamento legal para a manutenção da prisão preventiva de Oruam, uma vez que os crimes remanescentes não admitem a medida cautelar.

    Apesar da revogação da prisão, o rapper terá de cumprir medidas cautelares, entre elas comparecimento mensal em juízo, recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 6h, e proibição de frequentar o Complexo do Alemão.

    Os demais denunciados — Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos — continuarão submetidos às medidas cautelares já impostas. Segundo a magistrada, não houve descumprimento das determinações judiciais nem fatos novos que justificassem a alteração dessas medidas.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Cresce o número de estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça

    Cresce o número de estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça

    O Brasil tinha 1.583 estabelecimentos registrados na cadeia produtiva de cachaça no ano passado, 272 a mais na comparação com 2024 – o crescimento de 21% é o maior desde 2018.

    O número engloba quem produz a bebida; padroniza cor, aroma e paladar; envasa as garrafas e/ou vende no atacado. Desde 2018, o número de estabelecimentos cresceu 61%

    Os dados são do Anuário da Cachaça publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a elaboração da Secretaria de Defesa Agropecuária..

    O maior número de estabelecimentos estava na Região Sudeste (961), puxado por Minas Gerais (564) e por São Paulo (230). Mais de 62% dos fabricantes, padronizadores, envasadores e atacadistas atuavam naquele estado. A Região Sul tinha 277 estabelecimentos – puxada pelo Rio Grande do Sul (230). No Nordeste, funcionavam 211 estabelecimentos; no Centro-Oeste, 70; e no Norte, 19.

    Em 844 municípios brasileiros, havia ao menos um estabelecimento da cadeia produtiva da aguardente brasileira registrada pelo Mapa.

    Entre essas cidades, Salinas (MG) era o município que tinha mais estabelecimentos da cadeia produtiva da cachaça (27). A cidade no norte de Minas era seguida de perto por Alto Rio Doce, na Zona da Mata mineira, com 25 estabelecimentos; e por Viçosa do Ceará, no topo da Serra da Ibiapaba, no noroeste cearense, com 24 estabelecimentos.

    Em todo o país, a produção de cachaça manteve (em média) 6.232 postos de trabalho em 2025 – 4,4% do total dos empregos na indústria de fabricação de bebidas.


    Dia Nacional da Cachaça é comemorado no dia 13 de agosto.

    Dia Nacional da Cachaça é comemorado no dia 13 de agosto. – Marcello Casal JrAgência Brasil

    Produto de exportação

    O Anuário da Cachaça ainda destaca a venda da bebida para o mercado internacional (76 países). Em 2025, as exportações foram de quase 8 milhões de litros – um crescimento de 19,4% sobre o volume exportado em 2024. O faturamento superou os 17 milhões.

    Em valores pagos, os Estados Unidos foram no ano passado o maior comprador. Enquanto o Paraguai foi o país que consumiu o maior volume (1,34 milhão de litros).

    Para o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, a exportação da bebida “continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados”, conforme declara em nota à imprensa.

    A nota do Ibrac assinala que “apesar do crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, o Anuário registra que o volume de produção declarado em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, redução de 15,77% em relação ao ano anterior.”

    Registro de produtos e saúde

    O conjunto de estabelecimentos elaboradores de cachaça em todo o Brasil tem 8.379 produtos registrados no Mapa.

    É ilegal produzir e comercializar aguardente sem autorização no Mapa. O ministério orienta que a população consuma apenas cachaças que tenham no rótulo o número do registro no ministério.

    Produtos não registrados no Mapa podem ter origem em fabricação clandestina e ser falsificados, como aconteceu entre setembro e dezembro de 2025 nas dezenas de casos de mistura e adulteração de bebidas destiladas com metanol.

    A intoxicação pelo consumo de bebidas adulteradas pode levar a óbito. Por isso, sua ingestão é considerada emergência médica grave: não pode ser tratada em casa. O consumo pode causar cegueira irreversível, falência dos rins e morte se o tratamento não for iniciado nas primeiras horas.

    Para o Ministério da Saúde, não existe quantidade segura para o consumo de qualquer bebida alcóolica. Em caso de dependência, há tratamento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Documentário colombiano chama atenção para preservação dos páramos

    Documentário colombiano chama atenção para preservação dos páramos

    Sistemas em constante ameaça e fundamentais para o abastecimento de rios, os páramos são tema abordado no documentário Páramos II El Origen, do cineasta colombiano Alejandro Calderón. Exibida no festival de Bonito CineSur, em Bonito (MS), a produção reúne especialistas para explicar a formação desses ecossistemas e sua importância para o ciclo hídrico.

    Os páramos são ecossistemas de montanha formados por um terreno encharcado, musgos e arbustos e se encontram na região da Cordilheira dos Andes.

    Neste ecossistema, os solos em geral são recentes, de origem glacial e vulcânica, e muitos ainda estão em formação. Por sua característica, estes solos costumam reter muita água e, por isso, eles são de importância vital, já que fornecem recursos hídricos e água limpa para lugares mais baixos.

    “São encontrados apenas nos Andes tropicais, especificamente na Colômbia, na Venezuela e no Equador, bem como em uma pequena parte do Peru e na região de fronteira entre o Panamá e a Costa Rica.  A maior parte desses ecossistemas está localizada na Colômbia, em altitudes que variam de 3 mil a 5 mil metros acima do nível do mar”, explicou o cineasta colombiano.

    Este ecossistema, ressaltou Calderón, é composto por inúmeras lagoas, que atuam “como o principal ponto de processamento da água proveniente dos Andes, abastecendo os rios que correm em direção ao mar, à Amazônia e ao Orinoco [um dos rios mais longos e importantes da América do Sul]”.

    Em seu mais recente documentário, Calderón apresenta especialistas que falam sobre a importância dos páramos para o abastecimento e regulação do clima do planeta e destacam as diversas ameaças, com destruição da vegetação local e redução da capacidade do solo em reter a água.

    “Há muitas questões envolvidas como a mineração, a monocultura e a pecuária”, disse o diretor.

    “O filme aborda todos esses aspectos, concentrando-se fortemente no manejo da terra e do solo, na história de nossa relação com a terra e na forma como temos utilizado o solo”.

    Em entrevista à Agência Brasil, Calderón destacou que estas mesmas ameaças também constituem um problema a outros ecossistemas como a Amazônia, e que é preciso haver uma discussão mundial sobre os usos do solo. O diretor destaca que mudar as práticas de uso da terra, algo também ligado a fatores políticos e econômicos, é fundamental.

    “Se continuarmos consumindo da maneira como temos feito no último século, o planeta simplesmente não vai aguentar. Em outras palavras, a menos que mudemos os hábitos que cada um de nós temos em casa, não conseguiremos resolver nada”, destacou.

    Para ele, a solução para o que acontece atualmente nos páramos andinos precisa ser discutida de forma conjunta. “A solução proposta no documentário é reunir todas as partes interessadas no conflito como comunidades camponesas e indígenas, pecuaristas e proprietários de terras, para chegar a um consenso. Acreditamos que esse é um caminho, talvez o único, para resolver esses problemas”, afirmou o cineasta.

    *A repórter viajou a convite do Bonito CineSur


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%

    Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%

    Embora ainda sejam a maioria entre os que se formam em cursos audiovisuais, as mulheres não encontram representação em cargos de liderança das obras cinematográficas produzidas no Brasil. E esse cenário só será alterado por meio de políticas públicas, defende Minom Pinho, produtora de cinema e audiovisual, diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci) e coordenadora e idealizadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM Cine).

    “As grandes mudanças se fazem com política pública”, ressalta. “E para você alcançar a política pública, você tem que ter indicador e indutor. O que significa isso? Por exemplo, estipular que o número de mulheres em roteiro e direção em longas-metragens deve bater 30% até 2030. A gente vai ter que entender que é preciso estabelecer metas mais claras porque o cinema é uma zona de resistência muito grande”.

    Em entrevista à Agência Brasil durante a realização do festival de cinema Bonito CineSur, Minom destacou que há anos a participação de mulheres em cargos de liderança no cinema e no audiovisual brasileiro não chega a ultrapassar 20%, mesmo as mulheres tendo maior formação que os homens e conseguindo atrair grandes públicos aos cinemas brasileiros.


    Bonito - 01/08/2026 -  Minon Pinho no Festival de cinema Sul-americano de Bonito. Foto: Divulgação

    Minon Pinho defende políticas públicas para ampliar participação feminina nas lideranças do setor cinematográfico – Divulgação

    A produtora assegura que não há número que justifique o não crescimento da participação feminina em cargos de liderança.

    “Ninguém pode alegar que as mulheres não têm competência. Elas estão fazendo um milagre. Foi dado a elas 20% [de cargos de liderança] nos filmes, mas elas estão pegando 44% do mercado. Isso quer dizer que elas estão fazendo muito com a pior situação possível”, enfatiza.

    Por isso, defende, é importante estabelecer políticas públicas que estipulem metas para o aumento dessa participação. “Meu sonho é a gente chegar em equidade nos próximos 10 anos. Meu sonho é que a gente saia desse atual patamar”.

    Dados apresentados pelo Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) – e publicado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), mostram que apesar de as mulheres serem maioria nas atividades de exibição (58%) e distribuição (54%), elas representam apenas 17% da direção de séries e filmes brasileiros.

    O anuário também aponta que, enquanto 231 longas-metragens brasileiros produzidos em 2023 foram dirigidos exclusivamente por homens, apenas 52 foram feitos por mulheres. No caso dos roteiros, o domínio também era dos homens: 165 contra 41.

    Enquanto isso, as mulheres eram maioria na direção de arte (99 contra 57) e na produção-executiva (110 contra 66).

    “Esse é o lugar que a sociedade convencionou que é o nosso lugar, o lugar das mulheres. Temos aí a direção de arte ou figurino, por exemplo, porque ‘arte é coisa de mulher’. Isso é um estereótipo absurdo. Temos sim excelentes diretoras de arte. Mas o número de diretoras de filmes precisa crescer”, aponta Minom.

    A produtora destaca que o cinema precisa de mais mulheres na condução das narrativas. “A gente quer estar em todos os lugares. Mas quando você tem uma ideia, escreve essa história e tem uma mulher dirigindo essas histórias e escolhendo as imagens que vão configurar naquela peça ou naquela obra audiovisual, isso faz muita diferença”.

    Mesa de debates

    No domingo passado, o festival de cinema Bonito CineSur promoveu uma mesa para debater o protagonismo feminino no cinema sul-americano.

    Além de Minom Pinho, a mesa também contou com a presença da atriz chilena Paulina Garcia. Em sua fala, Paulina destacou que é preciso haver mais histórias contadas por mulheres e interpretadas por mulheres.


    Bonito - 01/08/2026 - Paulina Garcia no Festival de cinema Sul-americano de Bonito. Foto: Divulgação

    Para Paulina Garcia,  é preciso haver mais histórias contadas por mulheres e interpretadas por mulheres. – Divulgação

    “Para as mulheres, existem mais coisas do que desempenhar papéis de pessoas doentes ou que morrem a certa idade. Também há mais coisas do que se apaixonar por um homem mau ou um homem perdido ou ser filha de alguém. Precisamos contar com histórias mais complexas sobre quem somos ou sobre o que queremos fazer”, defende.

    Também presente ao debate, Gabriela Sandoval, diretora e produtora de indústria do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic), destacou que é preciso uma união das mulheres do continente para reforçar suas participações nas produções cinematográficas sul-americanas.

    “Creio que essa construção de uma rede é importantíssima”, diz. “Quando se fala em mulheres em espaços de poder, sempre se vê como algo negativo. Mas o espaço de decisão é uma responsabilidade e abre caminhos para que se contem outras histórias”.

    * A repórter viajou a convite do Bonito CineSur


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Rua é renomeada em São Paulo em homenagem à história do samba

    Rua é renomeada em São Paulo em homenagem à história do samba

     A Rua João de Barros, que fica no bairro da Barra Funda, em São Paulo, foi rebatizada, em 28 de julho como Rua do Samba. Com apenas uma quadra, o local é endereço de rodas de samba desde a década de 1980, quando Carlos Alberto Tobias organizava eventos na rua.


    São Paulo (SP)-31/07/2026 . Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

    Rua do Samba resgata memória na Barra Funda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

    O nome na placa representa mais do que o reconhecimento do gênero musical. É também um resgate de memória da população negra no bairro da Barra Funda, como é o caso da família da cantora e compositora Simone Tobias, filha de Carlos Alberto e neta de seu Inocêncio, que reorganizou um antigo grupo carnavalesco em 1953. Depois o grupo se tornou a Escola Camisa Verde e Branco.

    “Em 1914, seu Dionísio Barbosa, que era tio da minha avó paterna, funda o grupo carnavalesco Barra Funda. Em 53, meu vô começa esse movimento para chamar algumas pessoas para fazer parte de um novo cordão e usa as cores primárias do Grupo da Barra Funda para homenagear seu Dionísio”, conta Simone.

    Segundo Simone, seu avô usava o apelido “camisas verdes”, mas inseria o branco para que “não fosse mais confundido com os integralistas”.

    Os ensaios aconteciam em frente à casa da família Tobias, um porão em um antigo cortiço que não existe mais. Simone diz que o senso de comunidade e pertencimento foi afetado pela especulação imobiliária ainda no final da década de 70, empurrando os moradores para longe. 


    São Paulo (SP)-31/07/2026 . Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

    Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

    “Mesmo para a minha família, que na década de 80 foi morar na periferia da zona norte, ficava inviável entender como é essa loucura, né? Essa higienização, novamente feita para que a negritude fosse colocada nas periferias da cidade”.

    Em busca da valorização da memória negra do samba no bairro, antes que a gentrificação apague sua história, surgiu o projeto Cartografias de Bambas, coordenado por Nathália Oliveira. Ela ressalta que o movimento diz mais sobre o pertencimento a um território do que apenas à musicalidade. 

    “O samba entendido apenas como um som é esvaziar totalmente de sentido a construção dessa história. Quando a gente reconhece um bairro que está cada vez mais embranquecendo, é ir apagando o legado, né?”, questiona Nathália.

    Para Nathália, o reconhecimento da Rua do Samba “é um momento em que a gente também tem que provocar uma discussão na cidade sobre como as pessoas negras permanecem no seu lugar de memória construída pelos seus antepassados”.

    Uma das iniciativas que contribuem para a permanência e memória da comunidade negra é o Festival Cartografias de Bambas, que reúne mensalmente sambistas e coletivos culturais na Rua do Samba. Esse tipo de evento, para Nathália, reconecta as pessoas com o território:

    “E o que a gente vem percebendo é que cada vez mais chegam pessoas negras de lugares diferentes da cidade, de várias idades. Então, tem muita gente mais velha que já veio aqui e fala que quer voltar a frequentar os nossos eventos”.

    Ela conta que o festival já ocorre mensalmente há oito meses. “A gente vai vendo como o público cada vez mais vai enegrecendo.”

    Antes da Rua do Samba, um outro ponto já reconhecia a Barra Funda como berço do samba paulistano: o Largo da Banana. Ali,estivadores negros se reuniam no final do século 19 para cantar e tocar o que daria origem ao samba na cidade. No local, foi construído um viaduto na década de 1950, e do lugar de memória restou apenas uma placa.

    No manifesto Rua do Samba da Barra Funda, o projeto Cartografias de Bambas reforça que memória também é política pública. E que a Rua do Samba siga como “patrimônio vivo, chão de memória e encruzilhada de futuros”.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Republicanos lança candidatura de Tarcísio ao governo de São Paulo

    Republicanos lança candidatura de Tarcísio ao governo de São Paulo

    O Partido Republicanos confirmou, neste sábado (1), durante convenção na capital paulista, a candidatura de Tarcísio de Freitas para reeleição no cargo de governador do estado de São Paulo, com Felício Ramuth (MDB) como vice-governador na chapa. 

    O partido faz coligação no estado com MDB, PL, PSD, União Brasil, PP, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade, PRD, Avante e Novo. Outras candidaturas aprovadas na convenção foram as de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), ambos para o Senado, além de deputados federais e estaduais.

    Em seu discurso, Tarcísio agradeceu à esposa, Cristiane Freitas, lembrou da batalha contra o câncer e destacou o início da carreira política ao lado de Jair Bolsonaro.

    “Aprendi que servir é o único motivo para ocupar o cargo que ocupo. Essa é a essência da política, é isso que faz sentido. Foi com essa noção que assumi o meu mandato de São Paulo e decidi desde o primeiro dia, que isso seria um marco”, completou. 

    O candidato à presidência da República pelo PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, esteve presente. 

    Perfil 

    Tarcísio de Freitas tem 51 anos, é engenheiro civil e nasceu no Rio de Janeiro. Antes de ocupar a cadeira de governador de São Paulo, foi ministro da Infraestrutura do governo de Jair Bolsonaro e atuou como secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), sendo responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações. 

    Foi também diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e coordenador-geral de auditoria da área de transportes Na Controladoria-Geral da União, além de consultor legislativo da Câmara dos Deputados. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Procon-RJ orienta sobre danos em aparelhos por falta de luz

    Procon-RJ orienta sobre danos em aparelhos por falta de luz

    Os consumidores que tiveram prejuízos após a falta de energia provocada pelos fortes ventos registrados no estado do Rio de Janeiro, na última quarta-feira (29), estão sendo orientados pela Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e o Procon.

    Equipamentos danificados, alimentos perdidos por falta de refrigeração e outros prejuízos podem ser ressarcidos, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor e na regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

    É importante que o consumidor reúna provas dos prejuízos e siga os procedimentos adequados para solicitar eventual ressarcimento junto à concessionária responsável pelo fornecimento de energia.

    Caso um aparelho tenha sido danificado em razão da interrupção ou oscilação no fornecimento de energia, o consumidor deve registrar o pedido de ressarcimento junto à concessionária de energia, além de informar a data e o horário aproximado da ocorrência.

    O consumidor deve identificar o equipamento danificado, informando marca, modelo e tempo de uso, se possível. Não descartar ou consertar o aparelho antes da análise da concessionária, salvo se houver autorização ou necessidade comprovada e guardar protocolos de atendimento, notas fiscais, laudos técnicos, orçamentos e demais documentos que possam comprovar o dano.

    De acordo com a regulamentação da Aneel, o consumidor que sofrer danos em equipamentos em decorrência de falhas no fornecimento de energia elétrica pode solicitar ressarcimento diretamente à distribuidora responsável.

    O consumidor tem até cinco anos para solicitar o ressarcimento. Após o registro do pedido, a concessionária deve realizar a verificação do equipamento em até um dia útil, quando se tratar de aparelhos utilizados para conservar alimentos perecíveis ou medicamentos, como geladeiras e freezers, e em até 10 dias para os demais equipamentos.

     Concluída a análise, a distribuidora deve informar o resultado ao consumidor em até 15 dias, quando a solicitação for feita nos primeiros 90 dias após o dano, ou em até 30 dias, nos demais casos. Caso o pedido seja aceito, o ressarcimento deverá ser realizado em até 20 dias, por meio de conserto, substituição do equipamento ou pagamento da indenização.

    A Sedcon  e o Procon-RJ reforçam que consumidores que enfrentarem dificuldades para exercer seus direitos podem procurar os canais oficiais de atendimento do órgão para registrar reclamações e receber orientação sobre os procedimentos cabíveis.

    Falta de luz 

    No terceiro dia após o vendaval que atingiu o Rio, pouco menos de 40 mil clientes da concessionária Light continuavam sem energia.  Na quarta-feira (29), primeiro dia da ventania que atingiu mais de 105 km/h, no Aeroporto Internacional do Galeão, zona norte da cidade, aproximadamente 1,1 milhão de consumidores ficaram sem energia.

    “Mais de 2 mil profissionais trabalham para reduzir número de clientes impactados pelo vendaval. As principais ocorrências de reconstrução da rede elétrica estão sendo executadas na Baixada Fluminense e zona oeste do Rio”, disse o superintendente da Light, Bruno Rodrigues.

    Enel

    A concessionária Enel informou que restabeleceu o serviço para 99% dos consumidores afetados pelo vendaval, restando cerca de 3,5 mil a 5 mil clientes sem luz, principalmente nas cidades de Niterói, Maricá e partes da Costa Verde, Angra dos Reis e Paraty. 

    A concessionária informou que a demora no restabelecimento de energia nessas regiões deve-se principalmente à reconstrução de redes, postes caídos e remoção de grandes árvores.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • PCB aprova candidatura de Edmilson Costa à presidência da República

    PCB aprova candidatura de Edmilson Costa à presidência da República

    O Partido Comunista Brasileiro (PCB) oficializou neste sábado (1°) a candidatura de Edmilson Costa à Presidência da República nas eleições de outubro. A chapa também será composta por Cleusa Santos, que será candidata à vice-presidente.

    Os nomes foram aprovados durante convenção nacional do partido, realizada nesta manhã, no auditório da Câmara Municipal de São Paulo.

    Edmilson Costa é doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atua na militância socialista desde a juventude.

    A Agência Brasil vai acompanhar os resultados das convenções nacionais partidárias. As próximas convenções com datas marcadas são:

    Partido da Causa Operária (PCO) – 1º de agosto

    Partido dos Trabalhadores (PT) – 2 de agosto


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br