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  • Ambulantes “desfilam” no 7 de Setembro em busca de sustento

    Ambulantes “desfilam” no 7 de Setembro em busca de sustento

    Vendedores trabalham às margens da Esplanada dos Ministérios

    Equilibrar 30 quilos de balões e algodões-doces coloridos sobre o ombro esquerdo, em uma caminhada apressada, foi o “desfile” do Palhaço Bolinha, o autônomo Renato Siqueira, de 53 anos, às margens da área do desfile de 7 de Setembro deste ano, em Brasília (DF).


    Brasília (DF), 07/09/2026 - Renato Siqueira, vende balões durante o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

    Renato Siqueira vende balões durante o Desfile da Independência, em Brasília – Lula Marques/Agência Brasil

    Além do colorido dos produtos, a maquiagem no rosto escorre com o suor da correria desta segunda. “A gente não pode parar. Mas vai fazendo graça”.

    Há oito meses ele trabalha em frente a escolas. Mas hoje precisou acordar às 4h30 e andar em busca dos clientes.

    O Palhaço Bolinha mora em Água Quente (DF), uma região administrativa periférica a 45 quilômetros de Brasília, nasceu em Anápolis (GO) e há 20 anos mudou-se para a capital para trabalhar.

    Estudou apenas até o 8° ano. A eventos como o 7 de Setembro, ele vem com a esperança de melhorar os rendimentos. Ele consegue carregar os algodões-doces (vendidos a R$ 10) por mais de uma hora no ônibus, mas não os balões (que custam R$ 20).

    Os produtos que fazem brilhar os olhos das crianças são entregues pelo fabricante quando ele está na rua.

    Desfile da Independência, Dia das Crianças e Ano Novo estão entre as datas com mais vendas. Mesmo com o peso nas costas, ele prefere a atual atividade. No trabalho anterior, ganhava um salário mínimo para vender plano funerário. Resolveu, então, viver fazendo graça, ainda que a maquiagem escorra.


    Brasília (DF), 07/09/2026 - Gustavo Ferreira, vende churros durante o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

    Gustavo Ferreira vende churros no Desfile de 7 de Setembro – Lula Marques/Agência Brasil

    Outro ambulante que também usou os braços e o ombro foi Gustavo Ferreira, de 30 anos, que equilibrava churros de doce de leite e chocolate (a R$ 10) com cuidado para que o recheio não escorresse. 

    No dia a dia, ele trabalha como cobrador de ônibus. “Acordei às 4h e a gente está na luta”. Mesmo que o dia a dia não seja assim tão doce.

    A água de coco vendida por Samuel Santos estava, segundo ele, doce e gelada. Madrugar não chega a ser uma novidade para ele, que vive em Planaltina (a 40 quilômetros de distância) e trabalha na escala como porteiro de um prédio.

    “Estou experimentando essas vendas de água de coco aqui na Esplanada dos Ministérios. Estou estreando, na verdade. Se der certo, eu vou continuar”.


    Brasília (DF), 07/09/2026 - Samuel dos Santos, vende água e coco durante o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

    O porteiro Samuel dos Santos resolveu vender água de coco neste 7 de Setembro – Lula Marques/Agência Brasil

    Prioridades

    Aliás a palavra “continuar” faz parte dessa rotina. Ele foi direto do trabalho na portaria para o comércio informal na Esplanada dos Ministérios. Não há muito tempo para se divertir. A prioridade é levar sustento para os dois filhos em casa.

    Sob o sol de Brasília, o paraibano Reinivaldo Garcia, de Brejo da Cruz, de 54 anos, vendia bonés e chapéus ao público, a R$ 20.

    “Só pude estudar até a 3ª série do primário. Não consegui estudar mais porque precisava trabalhar. Eu digo aos meus dois filhos que eles precisam estudar sempre para não ficar nesse sol como eu Tem que ser independente, né?”
     


    Brasília (DF), 07/09/2026 - Renivaldo Garcia, vende bonés durante o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

    O vendedor de bonés Reinivaldo Garcia o Desfile da Independência – Lula Marques/Agência Brasil


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Justiça Federal paralisa atividade de mina de lítio em Minas Gerais

    Justiça Federal paralisa atividade de mina de lítio em Minas Gerais

    Empreendimento é acusado de fraudar estudos de impacto ambiental

    A Justiça Federal em Minas Gerais determinou a suspensão das licenças ambientais e a consequente paralisação das atividades no complexo minerário Grota do Cirilo, operado pela Sigma Mineração S.A. nos municípios de Itinga e Araçuaí, região do Vale do Jequitinhonha.

    O juiz federal Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, da Vara Cível de Teófilo Otoni, atendeu a pedido da Federação da Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, que acusa o empreendimento de fraude nos estudos de impacto ambiental.

    O magistrado estipulou multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento da suspensão das atividades. Ele justificou a medida diante do risco de dano irreversível às comunidades tradicionais.

    “O perigo de dano reside no fato de que o complexo de mineração opera de forma contínua, extraindo recursos e promovendo constantes detonações de explosivos e movimentação de terras a poucos quilômetros de distância do território tradicional.”

    Argumentos

    Em resumo, a federação argumenta que ao menos três comunidades quilombolas – Baú, Genipapo Pintos e Jenipapo II – encontram-se dentro da zona de impacto direto, mas não foram consultadas sobre o empreendimento, etapa obrigatória para a emissão das licenças ambientais.

    A atividade minerária no projeto Grota do Cirilo começou em 2023, em meio aos projetos do chamado Vale do Lítio, como é chamada a região em que é extraído esse tipo de minério fundamental para diversas indústrias, em especial as de eletrônicos e de baterias.

    A federação quilombola alega que a Sigma Mineração subestimou a distância da atividade minerária em relação às comunidades tradicionais, de modo a acelerar a obtenção das licenças ambientais por parte dos órgãos ambientais de Minas Gerais.

    Em sua defesa, a empresa alega que as comunidades citadas estão fora do raio de oito quilômetros que obriga a consulta antes da concessão do licenciamento ambiental, conforme dados de georreferenciamento anexados ao processo.

    Consultado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apresentou dados de demarcação segundo os quais a Comunidade do Baú, por exemplo, dista apenas 2,3 km da área diretamente afetada, situando-se assim dentro da área de proteção legal.

    Pela decisão da Justiça Federal, uma nova perícia deve ocorrer para esclarecer as discrepâncias entre os diferentes dados de georreferenciamento. Enquanto, qualquer atividade minerária deve ser imediatamente interrompida.

    O magistrado responsável escreveu que a mineração no local sem a devida consulta às comunidades impactadas “representa uma lesão diária, cumulativa e crônica à integridade física e sociocultural do grupo tradicional, justificando a imediata paralisação corretiva”.

    Multa

    De acordo com os autos do processo, desde que começou a operação na Grota do Cirilo, a Sigma foi multada em R$ 2 milhões pelo governo mineiro pelo descumprimento de condicionantes ambientais.

    A empresa concordou em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para corrigir as falhas e continuar a atividade minerária. O juiz Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, proibiu o governo mineiro de firmar qualquer acordo do tipo, sob pena de R$ 100 mil de multa.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • “Restaurar a confiança” é tema da 81ª Assembleia-Geral da ONU

    “Restaurar a confiança” é tema da 81ª Assembleia-Geral da ONU

    Encontro, último de Gueterres na secretaria-geral, começa nesta terça

    A 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começa nesta terça-feira (8) em Nova York, sob o tema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação”,. Esta será a última sessão de que António Guterres participará como secretário-geral da instituição..

    Até o final do mês, a 81ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (UNGA81) irá reunir, mais uma vez, líderes mundiais em Nova York, que acolhe a sede da ONU, com o propósito de revitalizar a cooperação global, impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e promover ações coletivas em prol da paz, da dignidade e da igualdade num planeta saudável.

    Este ano, a corrida para o lugar de secretário-geral da ONU deverá dominar a agenda, com António Guterres deixando o cargo no final de dezembro, após completar dois mandatos consecutivos de cinco anos na liderança da organização.

    Amanhã, Guterres irá abrir, pela última vez, os trabalhos da nova sessão, na qual o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros do Bangladesh, Khalilur Rahman, tomará posse como presidente da UNGA81.

    O mandato de um ano de Rahman, que terminará em setembro de 2027, será orientado pelo tema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Funciona para Todos”. 

    Ao longo do mês de setembro, a sede da ONU vai receber vários eventos. No dia 18, o “Momento ODS” estará em especial destaque, uma vez que serão discutidas iniciativas transformadoras globais e nacionais, assim como formas de acelerar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mesmo diante dos crescentes desafios globais. Os ODS são um conjunto de 17 metas globais de desenvolvimento estabelecidas pela Assembleia-Geral das Nações Unidas que devem ser atingidas até 2030.m dos momentos mais esperados da UNGA81 é o Debate Geral de Alto Nível, que vai começar em 22 de setembro e deverá reunir em Nova York, até o dia 28, dezenas de chefes de Estado e de Governo.

    Por essa ocasião, espera-se que os líderes façam declarações delineando as suas posições e prioridades no contexto dos complexos e interligados desafios globais.

    Entre os líderes esperados para esse debate estão os presidentes do Brasil (por tradição, é o primeiro país a discursar), dos Estados Unidos e da Ucrânia, bem como o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov.

    Segundo o calendário provisório cedido pela ONU, Portugal estará representado pelo chefe do Governo, o primeiro-ministro Luís Montenegro.

    Para 23 de setembro está agendada a Cimeira do Clima, convocada por Guterres e que vai reunir líderes das principais economias, países desenvolvidos e em desenvolvimento, nações vulneráveis e os principais produtores e consumidores de energia para fortalecer a cooperação num momento crucial da crise climática.

    Também no dia 23, terá lugar a reunião de alto nível para comemorar o 40º aniversário da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, que abriu novos caminhos na luta universal por maior dignidade humana, liberdade, igualdade e justiça.

    Ainda dentro da temática ambiental, uma reunião de alto nível sobre a subida do nível do mar vai juntar, no dia 24, líderes globais, especialistas e outras partes interessadas para abordar a ameaça urgente e crescente dessa situação.

    Em 25 de setembro, o presidente da UNGA81 convocará uma reunião com o objetivo de mobilizar vontade política nos níveis nacional, regional e internacional para a prevenção, preparação e resposta a pandemias. 

    A reunião deverá culminar na aprovação de uma declaração política orientada para a ação, acordada por consenso por meio de negociações intergovernamentais.

    Um encontro de alto nível para comemorar o 25º aniversário da adoção da Declaração e do Programa de Ação de Durban – um plano global para a justiça e a igualdade racial – está marcado para o dia 28. 

    No dia seguinte, em 29 de setembro, será realizada reunião plenária anual de alto nível para comemorar e promover o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, a prioridade máxima das Nações Unidas em matéria de desarmamento.

    A UNGA81 ocorre em contexto mundial complexo, marcado por tensões geopolíticas e conflitos crescentes, pressão sobre o financiamento do desenvolvimento e da própria organização, rápidas mudanças tecnológicas e o aquecimento global, fatores que continuam a testar o sistema internacional.

    A Assembleia-Geral é o órgão no qual os 193 Estados-membros da ONU se sentam em pé de igualdade e têm função exclusivamente representativa, uma vez que o verdadeiro poder é exercido pelo Conselho de Segurança, em que cinco grandes potências (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) são membros permanentes com direito de veto.

    Quando a ONU foi criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, apenas 51 países integravam a organização.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Fachin aguarda explicações de ministros para decidir sobre crise

    Fachin aguarda explicações de ministros para decidir sobre crise

    Prazo de 5 dias para manifestação vence na sexta-feira (11)

    O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, também do Supremo, para decidir se leva a crise dos dois para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada.

    A crise ganhou, na última semana, gravidade sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações.

    No desdobramento mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e suspeito de praticar fraudes financeiras bilionárias e corromper autoridades públicas.

    Antes de decidir, porém, Fachin deve aguardar até a próxima sexta-feira (11), quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

    Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna.

    Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça.

    A diferença da crise atual é que Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, de sua relatoria, os documentos e pedidos referentes ao caso. Embora improvável, é possível que o presidente do Supremo decida monocraticamente (de forma individual) sobre o arquivamento ou a abertura de investigação contra os colegas.

    No processo consta, por exemplo, um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado, sob o argumento de que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço das investigações contra um de seus ministros.

    O próprio Gonet, entretanto, é citado no mesmo relatório da PF por possíveis ligações com Vorcaro.

    Outro pedido feito a Fachin, desta vez por Alexandre de Moraes, é para que o próprio Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

    Para embasar seu pedido, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça poderia direcionar as investigações do caso Master, de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado e traz na capa a advertência de se tratar de conjecturas “sem valor probatório”.

    O Regimento Interno do Supremo prevê que somente o plenário tem a competência para processar e julgar membros da própria Corte, mas não traz detalhes sobre os procedimentos a serem adotados. 

    Saiba mais sobre a crise no STF no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Começa o desfile cívico-militar do Dia da Independência em Brasília

    Começa o desfile cívico-militar do Dia da Independência em Brasília

    Evento tem previsão de terminar às 11h

    Começou pouco depois das 9h desta segunda-feira (7) o desfile cívico-militar do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios, no centro de Brasília.

    Após a execução do Hino Nacional, o general de divisão João Felipe Dias Alves solicitou autorização para iniciar o evento. 

    Na tribuna de autoridades figuram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. 

    Também acompanham o desfile, posicionados na tribuna, ministros de diversas pastas, incluindo Leonardo Barchini, da Educação; Gustavo Feliciano, do Turismo; Márcia Lopes, das Mulheres; Wolney Queiroz, da Previdência, e Dario Durigan, da Fazenda, além do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias. 

    Para este ano, o governo federal definiu três eixos temáticos para o desfile: a soberania nacional, assunto recorrente após as tarifas aplicadas a produtos brasileiros; o enfrentamento à violência contra as mulheres, com destaque para um pacto nacional lançado pelos Três Poderes em fevereiro; e a Copa do Mundo Feminina de 2027.

    O público começou a chegar ao local antes das 6h30, em meio aos preparativos e ensaios dos participantes do desfile. As arquibancadas cobertas já estavam cheias minutos antes do evento ter início.

    O tempo ameno na capital federal, com céu bastante nublado, ajuda os que acompanham as apresentações próximo às grades de segurança. 

    O desfile cívico-militar tem encerramento previsto para as 11h. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Convivência da cidade e vida selvagem é tema do Caminhos da Reportagem

    Convivência da cidade e vida selvagem é tema do Caminhos da Reportagem

    Programa vai ao ar nesta segunda (7), às 23h30, na TV Brasil

    O episódio “Cidade Selvagem, Fauna Urbana”, do programa Caminhos da Reportagem, vai ao ar nesta segunda-feira (7), às 23h30, na TV Brasil, com uma análise sobre a vida silvestre que ainda resiste, adaptando-se aos impactos da expansão urbana da cidade de São Paulo (SP). A premiada atração da emissora pública mostra algumas das iniciativas para recuperação e preservação da fauna e flora nativas na maior metrópole da América Latina.

    Apesar da prevalência já estabelecida da espécie humana ter transformado profundamente a paisagem, a capital paulista ainda abriga vida selvagem sob o asfalto e acima dos prédios, sendo que registros históricos e os nomes próprios de alguns lugares mantêm viva a memória da fauna nativa.

    Os povos originários davam nomes para as áreas usando os animais como referência: M’Boi Mirim significa cobra pequena (como a Dormideira, Dipsas mikanii); o Rio Tamanduateí rememora o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla); o Tatuapé, o caminho do tatu (Dasypus novemcinctus). 

    Na edição, o Caminhos da Reportagem mostra que essa relação ancestral com a fauna é preservada na Terra Indígena Jaraguá, onde 45 famílias Guarani mantêm relação sustentável com o território e forte vínculo espiritual com os animais. Liderança tradicional da Tekoa Yvy Porã, Márcio Mendonça Boggarim, ou Guarani Karaí Werá Mirim, em tupi-guarani, destaca a relevância das abelhas nativas sem ferrão para a cultura local: 

    “Todos os animais, para nós Guarani, são considerados sagrados. O Guarani se fortalece mentalmente por meio dessas espécies nativas, principalmente a Jataí [Melipona rufiventris]. A gente utiliza a cera, a própolis e o mel para fazer batismo e curar pessoas doentes”, afirma.

    Outro entrevistado é o ornitólogo Luís Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), que comenta que a região era marcada por uma transição geográfica singular:  “Tinha essa mescla de Mata Atlântica com campos naturais, tanto que a cidade, antes de chamar São Paulo, se chamava São Paulo dos Campos de Piratininga”, informa.

    A degradação histórica das matas também motivou iniciativas privadas de restauração. No extremo sul da cidade, dentro da APA Capivari-Monos, Jayme Roso reconstruiu, na década de 1960, uma área desmatada que deu origem à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sítio Curucutu. “Quando eu cheguei aqui não tinha nada. Acredito que tenha plantado umas 650 mil mudas”, ilustra.

    Sua filha e gestora da reserva, Ana Roso, explica que esse trabalho é feito hoje pelos próprios animais: “Meu pai reflorestou no passado, mas depois a anta [Tapirus terrestris] fez o trabalho dela: ela come frutos maiores e vai dispersando as sementes, ajudando a reflorestar”, contextualiza.

    Fauna silvestre em São Paulo

    De acordo com o Inventário da Fauna Silvestre de São Paulo, o município conta com 1.475 espécies de animais catalogadas, das quais 223 estão ameaçadas de extinção. Para socorrer a fauna vitimada pelo tráfico e por atropelamentos, choques elétricos e linhas de pipa com cerol, o Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (Cemacas) opera em duas unidades: uma no Parque do Ibirapuera e outra no Refúgio de Vida Silvestre Anhanguera. 

    O médico veterinário Felipe Lucato, ouvido pela atração jornalística, aponta a dimensão do trabalho realizado pela instituição. 

    “O número anual de animais que a gente recebe é em torno de 13 mil. Na alta temporada, chegamos a receber até 2 mil animais por mês”, conta.

    Contudo, nem todos os espécimes conseguem retornar ao seu habitat natural. O manejo humano inadequado e as sequelas do tráfico ilegal impedem a soltura.

    A preservação da fauna também ganha força com a participação ativa da sociedade por meio da ciência cidadã. A fotógrafa e educadora Paula Romano transforma registros de insetos em dados para pesquisadores na plataforma iNaturalist. Com mais de 24 mil postagens, ela já auxiliou na descrição de espécies e no mapeamento de animais ameaçados de extinção.  “Felizmente, agora, a gente tem visto muitos pesquisadores usando esse material. A minha autoestima é lapidada a partir disso”, enfatiza.

    A observação atenta do ambiente urbano pode, ainda, converter cenas comuns em grandes manifestações artísticas. Ao registrar pássaros pousados em fios elétricos na cidade de Santana do Livramento (RS), o repórter fotográfico Paulo Pinto capturou uma imagem que chamou a atenção do diretor de arte e músico Jarbas Agnelli. “Cinco fios é o mesmo número de linhas numa partitura. Fui pro piano e interpretei aquilo”, menciona. A composição e o vídeo resultantes alcançaram milhões de visualizações.

    Quinze anos depois, Jarbas e Paulo voltaram para Santana do Livramento para fazer nova sinfonia. O projeto, que ficou conhecido como Sinfonia da Energia e contou com outras 60 fotografias de diversos lugares do mundo, foi feito em parceria com a Agência África Creative e com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).

    Neste ano, a campanha conquistou o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes. “Qual não foi nossa surpresa ao verificar que os pássaros já não estavam mais lá, porque o dono da casa que alimentava os passarinhos já tinha ido embora também. E a mãe que indicou também já não estava mais aqui. Então, diante de tudo isso, o  que ficou de lição? Que nós temos que aproveitar o momento”, reflete Paulo.

    Sobre o programa

    No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileiras mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.

    Exibido às segundas, às 23h30, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 3h. A produção disponibiliza as edições especiais no site do programa e no YouTube da emissora pública. As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site.

    Ao vivo e on demand

    Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize.
    Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Rádio Nacional celebra 90 anos com transmissões de momentos marcantes

    Rádio Nacional celebra 90 anos com transmissões de momentos marcantes

    De 7 a 11 de setembro, programas da emissora trazem edições especiais

    Veículo público da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) completa nove décadas de existência no sábado (12)

    Na semana em que a Rádio Nacional faz 90 anos, programas da emissora vão abrir espaço para reviver momentos marcantes de suas trajetórias.

    De 7 a 11 de setembro, as atrações apresentam edições especiais com memórias, entrevistas, quadros e registros que reforçam a conexão histórica e afetiva com o público brasileiro.

    O veículo também prepara uma programação especial em rede, específica para o sábado (12), dia do aniversário.

    A Rádio Nacional nasceu em 12 de setembro de 1936 e hoje integra o conglomerado de mídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    As edições temáticas com os melhores momentos serão pauta dos seguintes programas durante a semana:

    Rádio Nacional de Brasília AM 980Khz:

    Tarde Nacional Brasília, de segunda a sexta-feira, às 15h;
    Madrugada Nacional, de segunda a sexta-feira, à 0h
    É Tudo Brasil, de segunda a sexta-feira, às 17h

    Rádio Nacional de Brasília FM 96,1 MHz:

    Espaço Arte, de segunda a sexta-feira, às 15h

    Rádio Nacional da Amazônia OC 11.780KHz | AM 6.180KHz

    Ponto de Encontro, de segunda a domingo, das 10h às 12h;
    Mosaico, de segunda a sexta-feira, às 12h30
    Nacional Jovem, de segunda a sexta-feira, às 13h30
    Tarde Nacional Amazônia, de segunda a sexta-feira, às 15h
    É Tudo Brasil, de segunda a sexta-feira, às 17h.

    Rádio Nacional do Rio de Janeiro FM 87,1 MHz | AM 1130 kHz:

    Revista Rio, de segunda a sexta-feira, às 13h
    Tarde Nacional Rio, de segunda a sexta-feira, às 15h
    É Tudo Brasil, de segunda a sexta-feira, às 17h

    Rádio Nacional de São Paulo FM 87,1 MHz:

    Tarde Nacional SP, de segunda a sexta-feira, às 15h
    É Tudo Brasil, de segunda a sexta-feira, às 17h

    Rádio Nacional do Alto Solimões FM 96,1 MHz:

    Alô Fronteira, de segunda a sexta-feira, às 8h, no horário de Tabatinga (AM)
    Tarde Cabocla, de segunda a sexta-feira, às 13h, no horário de Tabatinga (AM)

    Desde o ano passado, a EBC realiza ações para celebrar as nove décadas da Rádio Nacional. Em 2026, a emissora estreou o documentário especial 90 Anos em 90 Histórias, com episódios diários em contagem regressiva até o aniversário.

    A iniciativa resgata a trajetória da rádio a partir de entrevistas com personagens que ajudaram a construir sua relevância e de acervos raros, muitos deles pouco conhecidos pelo público. Clique aqui e confira.

    A Rádio Nacional se consolidou ao longo dos anos como uma das principais referências da comunicação brasileira. Em suas nove décadas de existência, a emissora acompanhou transformações culturais, políticas e sociais do país, com programação marcada por jornalismo, prestação de serviço, música, dramaturgia, esporte, cultura e forte vínculo com os ouvintes.

    Rádio Nacional na internet e nas redes sociais:
    Site: https://radionacional.ebc.com.br 
    Instagram: https://www.instagram.com/radionacionalbr 
    Spotify: https://open.spotify.com/user/vpj3k8ogjwf1nkv4nap3tlruv 
    YouTube: http://youtube.com/radionacionalbr 
    Facebook: https://www.facebook.com/radionacionalbr 
    X: https://x.com/radionacionalbr
    Streaming: https://aovivo.ebc.com.br/embed-audio.html?emissora=radio-nacional-do-rio-de-janeiro

    WhatsApp Nacional:
    – Rádio Nacional FM: (61) 99989-1201 
    – Rádio Nacional AM: (61) 99674-1536 
    – Rádio Nacional da Amazônia: (61) 99674-1568 
    – Rádio Nacional do Rio de Janeiro: (21) 97119-9966

    Saiba como sintonizar a Rádio Nacional:
    Brasília: FM 96,1 MHz e AM 980 Khz
    Rio de Janeiro: FM 87,1 MHz e AM 1130 kHz 
    São Paulo: FM 87,1 MHz 
    Recife: FM 87,1 MHz 
    São Luís: FM 93,7 MHz 
    Amazônia: 11.780KHz e 6.180KHz OC 
    Alto Solimões: FM 96,1 MHz 
    Celular – App Rádios EBC para Android e iOS


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Desfile de 7 de Setembro homenageia pioneiras do futebol feminino

    Desfile de 7 de Setembro homenageia pioneiras do futebol feminino

    Jogadoras desfilarão em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios

    As atletas pioneiras do futebol feminino brasileiro serão homenageadas durante o Desfile de 7 de Setembro, nesta segunda-feira, em Brasília. Um grupo de jogadoras que atuaram na seleção brasileira entre as décadas de 1980 e 1990 desfilará pela Esplanada dos Ministérios, em carro aberto.

    A homenagem celebra a trajetória da modalidade no Brasil, país que sediará a Copa do Mundo de Futebol Feminino em junho e julho de 2027.

    Onze ex-jogadoras foram convidadas a participar da festividade. Tricampeã mundial e técnica da Seleção Brasileira Feminina de Fut7 desde 2019, a baiana Dilma Mendes representará a geração de mulheres que enfrentou o preconceito e a falta de apoio anterior à regulamentação da prática – que só deixou de ser legalmente proibida para mulheres em 1979. Dilma foi eleita três vezes a melhor treinadora do mundo de futebol 7 (também conhecido como society).

    Veja como foi o desfile na reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

    A primeira geração pós-profissionalização será representada por cinco ex-atletas que participaram da Copa do Mundo Experimental de Futebol Feminino, em 1988, na China. O Brasil terminou em terceiro lugar. São elas:

    • Lucilene de Souza Marinho, a Cebola; 
    • Marisa Pires Nogueira; 
    • Mariléia dos Santos, a Michael Jackson; 
    • Iracema Ferreira (Rata);
    • Suzy Bittencourt de Oliveira.

    O segundo grupo é formado por atletas cuja presença em campo avança pela década de 1990: 

    • Miriam Soares; 
    • Lunalva Torres de Almeida, a Nalvinha;
    • Elissandra Regina Cavalcanti (Nenê); 
    • Yara Silva;
    • Miraildes Maciel Mota, a Formiga, atleta que disputou sete edições da Copa da Fifa, entre 1995 e 2019.

    “Como capitã da primeira Seleção Brasileira feminina, de 1988, sinto-me honrada de estar aqui, com outras pioneiras”, disse Marisa, que além de ganhar a medalha de bronze junto com a equipe de 1988, participou da Copa do Mundo Feminina de 1991.

    Para ela, a homenagem ficará marcada na história.

    “É sempre muito bom nos reunirmos. Ainda mais em um momento tão significativo como este. Representaremos não só nossas gerações e o legado que deixamos, mas o futebol feminino como um todo.”

    Encontro

    Segundo o Ministério do Esporte, o eixo temático do Desfile de 7 de Setembro dedicado ao futebol feminino e à Copa do Mundo de 2027 proporcionará um encontro de gerações. Ao lado das 11 pioneiras, estarão 40 meninas de um projeto social do Distrito Federal que estão começando na modalidade.

    “Às vésperas da Copa do Mundo Feminina da Fifa Brasil, essas gerações se encontram para mostrar que cada novo passo da modalidade foi construído sobre o caminho aberto por quem veio antes”, informou a pasta, em nota, ao acrescentar que, enquanto as pioneiras das seleções de 1988, 1991 e 1995 representam aquelas que abriram caminho, as mais jovens simbolizam o futuro do esporte.

    A Copa do Mundo feminina ocorre de 24 de junho a 25 de julho de 2027. Serão 64 jogos, disputados em oito capitais. A cidade que receberá mais partidas será São Paulo, com dez jogos. Em seguida vem Rio de Janeiro e Fortaleza (nove), Belo Horizonte (oito), Brasília, Salvador, Porto Alegre e Recife (sete).

    O anúncio da escolha do Brasil como sede ocorreu em maio de 2024, em um congresso da Fifa em Bangkok, na Tailândia. O Brasil obteve 119 votos e venceu a disputa com a aliança formada por Alemanha, Holanda e Bélgica, que conseguiu 78 votos.

    Independência

    O desfile na Esplanada dos Ministérios também contará com a presença de atletas de outras modalidades esportivas. No mesmo percurso, estarão nomes de destaque do alto rendimento brasileiro, incluindo competidores olímpicos e paralímpicos, que se juntam às pioneiras e às novas gerações para celebrar o esporte nacional.

    A solenidade está prevista para começar às 9 horas, com abertura das arquibancadas a partir das 6h30 e encerramento às 11 horas. A abertura terá a participação de estudantes de escolas públicas, que representarão as 27 unidades da federação. Além do eixo dedicado ao futebol feminino, o evento será estruturado em outros dois eixos temáticos: soberania nacional e enfrentamento à violência contra as mulheres.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Público madruga para assistir ao desfile na Esplanada dos Ministérios

    Público madruga para assistir ao desfile na Esplanada dos Ministérios

    Aposentada viajou mais de 15 horas para o evento

    Quando o relógio despertou nesta madrugada, às 3h da manhã, a aposentada tocantinense Maria de Fátima Barbosa, de 71 anos, levantou imediatamente, tamanha era a ansiedade pelo desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ela está hospedada na casa de uma amiga no Recanto das Emas, a 30 quilômetros do centro da capital. No entanto, a viagem dela veio de muito mais longe.

    Moradora de Tocantinópolis, Maria de Fátima pegou uma van até Araguaína (TO) a mais de duas horas de distância de casa, madrugou na rodoviária para cedinho encarar mais mil quilômetros até a capital do país. Foram mais de 15 horas de viagem. Chegou no sábado (6) e descansou um pouco para assistir ao nascer do sol de dentro do ônibus.

     “Enquanto eu viver, eu venho para esse desfile”, afirmou, ansiosa também por ouvir as mensagens no desfile sobre o passado de escravização e opressão no Brasil

    Maria de Fátima morou em Brasília nos anos 1980 quando foi doméstica. Voltou para o Tocantins para recomeçar. Foi quebradeira de coco. Depois, continuou em empregos precários, inclusive catou latinhas para cumprir o sonho de comprar um sax para tocar. Conseguiu estudar e se formou no ano passado em licenciatura de educação no campo. “Vir para o desfile me faz lembrar o quanto eu sou brasileira. É muito lindo isso aqui”. 


    Brasília (DF), 07/09/2026 - Maria de Fátima Barbosa chegou cedo para acompanhar o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

    Maria de Fátima Barbosa chegou cedo para acompanhar o Desfile da Independência na Esplanada dos Ministérios – Foto Lula Marques/Agência Brasil

    Brasilienses que moram na periferia da capital também madrugaram para chegar cedo à Esplanada. Entre eles, o casal, Jorge Fernandes, de 55 anos, que é pintor de casa, e Adabel Daiane, de 42, dona de casa. Eles foram acordados por Maria Alice, de 8, que antes das 4h pediu para vir logo ao desfile. Pegaram um ônibus de Sobradinho 2.

    “Como era a primeira vez, nem dormi direito”. A mãe entende que é algo que ficará para a história. “Assim, a gente constrói memórias para ela. E de patriotismo.” O pai, que já foi soldado do Exército, diz que nunca deixou de vir. 


    Brasília (DF), 07/09/2026 - Jorge Fernandes, Adabel Faina e a filha Maria Alice chegaram cedo para acompanhar o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

    Jorge Fernandes, Adabel Faina e a filha Maria Alice acordaram antes das 4h para assistir ao desfile – Lula Marques/Agência Brasil

    Outro ex-militar, Maurício Batista, de 33, colocou a bandeira do Brasil sobre a camisa, como faz a cada ano. “Eu fico emocionado mesmo.”

    Também estava sensibilizada a família do paratleta dos 100 metros rasos, Leonardo Carvalho, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que deve desfilar nesta manhã.  

    Preocupado com o horário, acordou antes das 4h da manhã. Ao chegar à rodoviária, viu a luz do amanhecer e correu. Não era novidade para quem redescobriu a vida em velocidade. “Faço 100 metros em menos de 12 segundos. Vou correr porque está chegando a hora”, disse à reportagem da Agência Brasil. 

    A mãe, Maura, e toda a família que o acompanhava, sorriu com a pressa do rapaz. “Ele ama estar aqui e o esporte. Ele fica ansioso e a gente na torcida por tudo dar certo na vida dele”. O desfile ainda não tinha começado, mas eles já chamavam o momento de “inesquecível”.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Alemanha: partido de extrema direita tem vitória estadual histórica

    Alemanha: partido de extrema direita tem vitória estadual histórica

    AfD alcançou o primeiro lugar nas eleições estaduais na Saxônia-Anhalt

    O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou o primeiro lugar nas eleições estaduais na Saxônia-Anhalt nesse domingo (6), segundo pesquisas de boca de urna, colocando um partido de extrema direita à beira de assumir o poder em nível estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

    Embora não tenha alcançado a maioria absoluta, a AfD obteve 44% dos votos e desferiu uma derrota esmagadora aos conservadores do chanceler Friedrich Merz, refletindo a profunda impopularidade da coalizão governista da Alemanha em cenário político fragmentado.

    A AfD já é o partido mais popular da Alemanha em nível nacional e busca garantir uma base para levar adiante sua agenda, que inclui fortes restrições à imigração, o restabelecimento das relações com a Rússia, o corte do apoio à Ucrânia e a saída do euro.

    À medida que a contagem continuava, ainda não estava claro se a AfD conseguiria formar um governo, mas o significado político mais amplo da eleição era evidente; segundo a emissora ZDF, a participação eleitoral foi elevada, chegando a 77%.

    “Fizemos história neste país”, disse Ulrich Siegmund, de 35 anos, candidato-líder da AfD na Saxônia-Anhalt, que atraiu milhares de pessoas aos seus comícios de campanha e que repetidamente apresentou a vitória no estado como primeiro passo para garantir o poder nacional nas eleições federais previstas para 2029.

    “O povo deixou absolutamente claro que finalmente quer uma mudança política e, acima de tudo, mostrou que quer isso conosco”, disse Siegmund.

    Quando as primeiras pesquisas de boca de urna foram divulgadas, ele estava de braços dados com os dois líderes nacionais de seu partido, que riam alegremente à medida que a magnitude da vitória se tornava evidente. Comemorações eufóricas eclodiram na reunião eleitoral do partido na cidade de Magdeburg, onde as pessoas agitavam bandeiras alemãs e se abraçavam em sinal de triunfo.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, postou uma captura de tela do resultado sem comentários em seu site Truth Social, enquanto líderes de extrema direita em outros países europeus comemoraram a eleição como um mandato para a mudança.

    Revés para Merz

    O resultado representa um revés significativo para Merz, cujo índice de aprovação pessoal caiu para níveis historicamente baixos, à medida que os eleitores se afastam tanto de suas reformas planejadas para reanimar a economia estagnada da Alemanha, quanto de seu estilo de comunicação pessoal, propenso a gafes.

    Uma pesquisa da emissora ARD mostrou que 87% dos eleitores do estado estavam insatisfeitos com o governo federal. Siegmund descreveu Merz como o melhor candidato da AfD, dada sua impopularidade no estado.

    “Este resultado eleitoral é, acima de tudo, um voto de desconfiança no governo federal”, disse Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, à Reuters.

    Merz prometeu revitalizar a maior economia da Europa com reformas favoráveis às empresas e aumento dos gastos, ao mesmo tempo em que alertou que uma vitória da AfD na Saxônia-Anhalt prejudicaria o estado e dissuadiria empresas estrangeiras de investir na região.

    Todos os principais partidos da Alemanha se recusaram a colaborar com a AfD, que foi classificada como extremista de direita pelo escritório local do serviço de inteligência interna da Alemanha.

    Uma exceção é o pequeno partido Aliança de Sahra Wagenknecht (BSW), que parecia prestes a ultrapassar o limite mínimo para entrar no Parlamento. O BSW sugeriu a ideia de que a Saxônia-Anhalt fosse governada por um primeiro-ministro estadual apartidário, contando com maiorias variáveis, inclusive com votos da AfD.

    Siegmund, no entanto, rejeitou a ideia do BSW como uma “confusão” e descartou quaisquer acordos com outros partidos que impedissem a AfD de cumprir sua promessa de mudança. “Se chegar ao ponto crítico, simplesmente haverá novas eleições”, disse ele.

    Os conservadores de Merz afirmaram que explorariam negociações com outros partidos, embora isso possa exigir a união de partidos com agendas políticas muito diferentes. No estado vizinho da Turíngia, no leste da Alemanha, os conservadores formam um governo minoritário com a tolerância passiva do Partido de Esquerda.

    Embora a Saxônia-Anhalt, que antes fazia parte da Alemanha Oriental governada pelos comunistas, seja um dos menores estados alemães, com uma população de pouco mais de 2 milhões de habitantes, o resultado ressalta o rápido avanço da AfD desde a sua criação, em 2013.

    A AfD é agora o partido mais popular da Alemanha em nível nacional, com 28% das intenções de voto segundo uma pesquisa recente do INSA, confortavelmente à frente dos conservadores, que têm 20%.

    Linha dura em relação à migração

    Embora partidos de extrema direita tenham ganhado terreno em outras partes da Europa, o passado nazista da Alemanha contribuiu para uma relutância entre os partidos tradicionais em cooperar com a AfD.

    A AfD rejeitou as acusações de extremismo, considerando-as alarmismo e um insulto aos milhões de apoiadores do partido.

    Durante a campanha, a AfD aproveitou a crescente desilusão com os partidos tradicionais, que caracteriza como desgastados e desconectados da realidade, oferecendo, em vez disso, uma série de políticas de linha dura e uma visão nostálgica de um retorno a ruas mais limpas e seguras, além de promover o orgulho de ser alemão.

    “É claro que precisamos de mudanças na Alemanha e na Europa Ocidental. E acredito que um sinal de partida está definitivamente partindo daqui — quer você goste ou não”, disse Antony Lee, um participante da festa eleitoral da AfD. “Sou pai, sou empresário e sei que as coisas não podem continuar assim na Alemanha.”

    O programa da AfD inclui planos para orientar escolas e instituições culturais em direção ao que considera valores mais tradicionais, ao mesmo tempo em que restringe a imigração e reformula a radiodifusão pública. O partido quer que os filhos de refugiados sejam ensinados em turmas segregadas.

    O partido pediu que as bandeiras arco-íris sejam proibidas nas escolas e que a bandeira nacional alemã seja hasteada todos os dias. O hino nacional seria cantado por alunos e funcionários em comemorações escolares. Outras propostas incluem patrulhas de cidadãos, mais ensino de russo nas escolas e a suspensão da construção de novos parques eólicos.

    * (Reportagem adicional de Thomas Seythal, Cian Muenster, Christian Krämer, Andreas Rinke, Markus Wacket, Rene Wagner, Alexander Ratz, Francesca Landini, David Ljunggren)

    * É proibida a repodução deste conteúdo.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br