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  • Eventos em Porto Alegre se manifestam contra a intolerância religiosa

    Eventos em Porto Alegre se manifestam contra a intolerância religiosa

    A luta contra a intolerância religiosa volta às ruas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, neste sábado (15), com a Marcha dos Quimbandeiros e o Encontro Internacional de Quimbandeiros.

    Os dois eventos terão à frente o presidente da Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá, Pai Ricardo de Oxum, babalorixá de destaque nas religiões de matriz africana, que ao lado da Família Yecari do terreiro de batuque da instituição, idealizador da marcha. 

    A marcha, em sua 3ª edição, marcada para as 14h, e o Encontro, na 19ª edição, a partir das 20h, pretendem transformar a cidade em referência nacional e internacional para sacerdotes e praticantes da Quimbanda no Brasil, no Uruguai e na Argentina.

    Pai Ricardo de Oxum lembra que o encontro surgiu justamente por causa do preconceito no Rio Grande do Sul, que é o estado com maior número de adeptos das religiões de matriz africana, mas também um dos estados com mais casos de intolerância religiosa.

    “Há 19 anos surgiu o Encontro de Quimbandeiros por causa do preconceito de não se poder andar caracterizado na rua, nem manifestar sua fé nas encruzilhadas. Se acendessem uma vela na esquina, já vinham e te tratavam com racismo e preconceito”, disse à Agência Brasil.

    Dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o Rio Grande do Sul tem o maior percentual de seguidores da umbanda e do candomblé em relação ao total da sua população (3,19%), seguido do Rio de Janeiro (2,58%), São Paulo (1,47%), Bahia (1%) e Distrito Federal (0,85%).

    O sacerdote disse que o encontro evoluiu ao longo dos anos a ponto de ser descoberto internacionalmente pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Chile, onde já foi realizado.

    De acordo com Pai Ricardo de Oxum, a resistência é bem forte na Argentina. “Lá, o preconceito é descarado. Nos dias de hoje os terreiros quando estão manifestando o seu tambor e um vizinho denuncia que está alto, a polícia chega e tira o tambor e acaba. Não tem discussão”, relatou.

    “No Uruguai também há intolerância e no Chile a religião é mais fraca. Ela não predomina com tanta força, justamente porque não consegue evoluir por causa dos preconceitos”, avalia.

    No Rio Grande do Sul, além da umbanda, do candomblé e do batuque, a Quimbanda é uma das mais importantes expressões da espiritualidade afro e tem lugar especial entre as correntes religiosas de matriz africana com fundamentos ancestrais ligados à história da população negra no estado.

    “Existe o batuqueiro de batuque que veste branco e o quimbandeiro que veste preto com vermelho, que se chamam os Exu e Pomba-Gira. Essas entidades predominam muito em homossexuais e na comunidade LGBTQIA+ e aí surgiu um preconceito decorrente disso”, revelou.

    “Há um preconceito com os Exus e Pomba-Giras nas manifestações dos terreiros, onde os homens, que eram maioria, recebiam Pomba-Giras e se vestiam de saia e as mulheres calças quando eram incorporadas por Exu”, explicou.

    A intenção de realizar a marcha é para demonstrar que são entidades que fazem o bem e não escolhem o sexo porque podem se manifestar em qualquer pessoa, explica Pai Ricardo. 

    No ano passado a marcha reuniu cerca de 2 mil pessoas.

    “É um manifesto na rua com trio elétrico e cantos de pontos de Exu e Pomba-Gira. O pessoal acompanha, muitos com cartazes refutando a intolerância religiosa. Vem gente de vários municípios relatando preconceitos das suas cidades e nos seus terreiros. É um momento de explanar. É para isso que existe”, explicou Pai Ricardo.

    Pai Ricardo de Oxum acrescentou que as entidades nada mais são do que mensageiros que passaram pela Terra, cada um dentro da sua origem. O malandro da Lapa, as Marias, as prostitutas, os trabalhadores, os médicos, hoje se manifestam com os nomes de Exu e Pomba-Gira que trabalham em um campo astral. Tem Exu que trabalha para o amor, outros para a família. Não tem quem trabalhe para o mal. O mal está na cabeça do ser humano”, esclarece.

    Espaço exclusivo

    O Encontro em Porto Alegre será em um espaço doado pela prefeitura da cidade. 

    “Isso é um marco histórico nacional que se chama Rótulo da Quimbanda. É um espaço que a prefeitura doou para colocar o monumento de Exu, que é o primeiro em céu aberto no Brasil. Isso ocorreu há cinco anos”, disse.

    Entre as principais lideranças do batuque gaúcho, uma das vertentes religiosas de matriz africana e bem representativo no Rio Grande do Sul, Pai Ricardo de Oxum se dedica há mais de três décadas à preservação das tradições afro-brasileiras.

    Na visão do sacerdote do Terreiro de Batuque, a luta contra a intolerância se torna ainda mais urgente ao se analisar os números do Disque 100, que recebe e encaminha denúncias de desrespeito aos direitos humanos.

    Conforme a instituição, um levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostrou que entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o canal registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa. Quando se trata dos casos com religião da vítima identificada, as de matriz africana estão em maiores números. Na Umbanda são 228 e no Candomblé, 161, o que demonstra racismo religioso estrutural.

    Pai Ricardo de Oxum apontou a necessidade de desmistificar as figuras de Exu e Pomba-Gira, o que foi feito, por exemplo, no desfile de 2022 da escola de samba Grande Rio, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. 

    “Esse é o trabalho, botando o povo nas ruas mostrando as coisas que deram certo, relatando os seus milagres e as suas famílias unidas e mostrando que Exu não é diabo. Dentro do nosso panteão africano não existe a palavra diabo”, ressaltou.

    Representação de Exu

    Nesse desfile da Grande Rio, com o enredo Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, a figura de Exu foi interpretada pelo ator Demerson D’Alvaro e a vermelho, verde e branco de Duque de Caxias conquistou o primeiro título de sua história no Grupo Especial do Rio de Janeiro.

    Para ele, o desfile e a dança ajudaram a desmistificar a figura de Exu, ainda visto por muitas pessoas contrárias às religiões de matriz africana, como um ser do mal.

    “Muitas pessoas conheceram Exu em um desfile de escola de samba, quando se fez uma narrativa que Exu é o orixá mais próximo de nós humanos, por sua singularidade. Não é que só faz o mal ou só faz o bem, ele erra e também acerta. Isso elucida muito para o público quem é Exu”, disse à Agência Brasil.

    A 3ª Marcha e o 19º Encontro ocorrem quatro meses depois que Pai Ricardo liderou um ato inter-religioso em homenagem a São Jorge, em parceria com a Igreja São Jorge de Porto Alegre.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Risco de desertificação no Brasil ameaça segurança hídrica e alimentar

    Risco de desertificação no Brasil ameaça segurança hídrica e alimentar

    Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em locais ameaçados pela desertificação. Entre eles, estão sertanejos, agricultores, povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros.

    O termo pode causar estranhamento, já que o país não possui desertos como o Atacama, no Chile, e o Saara, no norte da África. Lugares onde o clima seco e a escassez de água são extremos.

    Desertificação, porém, é um termo mais amplo, que indica o processo de degradação ambiental em que uma terra antes produtiva perde sua capacidade de reter água e sustentar vida. Isso ocorre principalmente por atividades humanas, como desmatamento e agricultura inadequada, e também por variações climáticas. Quanto mais avançado o processo, maior o risco de uma região virar um deserto.

    Cerca de 18% do território brasileiro é composto por Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD), segundo o boletim mais recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

    Obstáculos e soluções para o problema estão na pauta de representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais do Brasil que participarão da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), na Mongólia, entre os dias 17 e 28 de agosto.

    A coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana, destaca que o problema atinge principalmente populações vulneráveis e comunidades tradicionais.

    “Elas são as primeiras a sentir os efeitos, porque lidam diretamente com os impactos na água e na biodiversidade no território”, diz Ivi.

    Ela reforça, porém, que a degradação da terra não é um problema exclusivo de quem vive nela.

    “Parece um problema distante para alguns, mas a desertificação afeta a produção de alimentos, a segurança hídrica, a economia, influencia no aumento do calor. E tudo isso vai além das áreas degradadas. Tem impactos  tanto no campo quanto nas cidades brasileiras”, explica.


    Balsas (MA), 10/10/2025 – O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas, no Maranhão. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Dados nacionais

    Entre os anos de 2000 e 2020, a área afetada pela desertificação no Brasil passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados, um aumento de 170 mil km², que equivale à soma dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

    O fenômeno atinge principalmente os nove estados do Nordeste, mas chega também ao norte de Minas Gerais e ao do Espírito Santo, ao nordeste do Rio de Janeiro e ao noroeste do Mato Grosso do Sul.

    Nestas áreas, há três tipos de clima: subúmido seco, semiárido e árido. Eles são classificados de acordo com a quantidade de chuva e a evaporação da água, por meio do índice de aridez.

    O subúmido seco tem índice de aridez entre 0,50 até 0,65; o semiárido, entre 0,2 e 0,5; e o árido, entre 0,05 e 0,2. Quando o número fica abaixo de 0,05 tem-se o clima dos desertos, o hiperárido, que ainda não existe no Brasil.

    A primeira região árida do país foi identificada recentemente, em 2023, e abrange 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia. A análise foi publicada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade.  Mapa comparativo da evolução da desertificação no Brasil. Crédito: Rodrigo Cunha / Revista Fapesp

    Mapa comparativo da evolução da desertificação no Brasil. Crédito: Rodrigo Cunha / Revista Fapesp

    Caatinga

    Dos seis biomas brasileiros, a Caatinga é a que concentra os níveis mais graves de deterioração do solo: 11% dela está em situação crítica e severa, o que equivale a 100 mil km2. Cerca de 42,6% de sua vegetação nativa já foi suprimida.

    Proteger a Caatinga é fundamental para a biodiversidade, as pessoas que vivem nela e o clima, explica o pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) Aldrin Martin Pérez-Marín, que também coordena o Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA).

    O bioma é monitorado continuamente pelo órgão, em parceria com mais de 30 universidades e instituições nordestinas. Um levantamento conjunto mostrou que a Caatinga aproveita o carbono com uma eficiência de 58%, maior que a de todos os outros biomas brasileiros. Essa contribuição é fundamental na luta contra o aquecimento global, já que o excesso de carbono na atmosfera retém calor e intensifica o efeito estufa.

    “O mais surpreendente está debaixo da terra: 72% de todo esse carbono fica armazenado no solo, cerca de 125 toneladas por hectare, o que faz dela não só um sumidouro ativo, mas um enorme cofre natural de longo prazo. É essa resiliência que explica o seu protagonismo: ela sabe guardar vida e equilibrar o clima mesmo nos cenários mais áridos”, diz Aldrin.


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade. . Cactos típicos da Caatinga, bioma no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação

    Cactos típicos da Caatinga, bioma no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação

    Um estudo publicado na revista Science of the Total Environment, em 2025, confirmou esse protagonismo. Só em 2022, a Caatinga foi responsável por cerca de 50% de todo o sequestro líquido de carbono do Brasil, compensando parte significativa das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

    O pesquisador do Insa alerta que o Brasil precisa brigar para que a Caatinga seja citada explicitamente no texto científico que será negociado durante a COP17. Caso isso não ocorra, o semiárido tropical ficaria fora do radar científico oficial da Convenção até 2030.

    “A Caatinga não é o problema. Ela é parte da solução, para o Brasil e para o planeta. Diante da crise climática, a escolha é por territórios vivos: gente de pé, Caatinga em pé e futuro em pé”, diz Aldrin.

    Políticas públicas

    O Brasil se tornou signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) em 1997, o que significou assumir acordos para prevenir e reverter os efeitos da degradação da terra.

    Em março de 2026, foi lançado oficialmente o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043). O plano prevê o enfrentamento da desertificação como política pública que articula meio ambiente, educação, saúde, assistência social, infraestrutura, acesso à água, inclusão produtiva e inovação tecnológica.

    Outra iniciativa, lançada em junho deste ano, foi o Programa Recaatingar. O biólogo Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, explica que a meta é a recuperação produtiva de 10 milhões de hectares de terras degradadas do bioma nos próximos 20 anos.


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade

    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade – ASA / Divulgação

    O foco é promover segurança hídrica, restauração socioprodutiva e adaptação às mudanças climáticas, com base no conhecimento tradicional das comunidades locais.

    “O recaatingamento é uma metodologia que envolve desde a questão física do solo e da agronomia até o trabalho com as comunidades tradicionais, o modo de vida e a forma como elas manejam essa biodiversidade. A gente se inspirou nessas tecnologias sociais de convivência com o semiárido para criar o programa”, explica Alexandre. 

    “Recuperar o solo degradado é um caminho estratégico para garantir trabalho, emprego e renda, ao mesmo tempo em que promove um serviço que ajuda a humanidade a enfrentar os desastres climáticos. É preciso olhar para a potência e a capacidade de resiliência desses territórios”, complementa.

    O pesquisador do Insa, Aldrin Martin Pérez-Marín, atesta a efetividade do recaatingamento. Ele diz que, mesmo antes do programa, a tecnologia social já produziu 36 mil hectares em conservação, 2 mil hectares em recuperação ativa, 15 sistemas de agrocaatinga, 31 planos de manejo implementados e mais de 280 enxames de abelhas nativas de volta à paisagem.

    “O manejo agrossilvipastoril da Caatinga consegue quadruplicar a oferta de forragem sem derrubar o bioma. Os sistemas agroflorestais elevaram a biomassa em torno de 85% e chegam a segurar 100 toneladas de solo por hectare a cada ano contra a erosão”, diz Aldrin. “A rotação de culturas e as barragens subterrâneas devolvem água, carbono e fertilidade a esse cofre subterrâneo”.

    Perspectivas e soluções

    A Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), formada por mais de 3 mil organizações da sociedade civil, atua há mais de 25 anos na promoção de soluções e tecnologias que ajudam as comunidades impactadas pela desertificação.

    Um dos principais exemplos de atuação da ASA é no desenvolvimento de programas de captação de água da chuva. Parte deles foca na construção de cisternas e pequenas barragens para garantir que famílias tenham acesso à água potável, além de garantir água para produção de alimentos e consumo dos animais.


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade. Cisterna construída com ajuda da ASA para garantir que famílias tenham acesso à água potável. Crédito: ASA / Divulgação

    Cisterna construída com ajuda da ASA para garantir que famílias tenham acesso à água potável. Crédito: ASA / Divulgação

    Outras iniciativas são focadas no fortalecimento de sementes adaptadas ao clima da Caatinga e técnicas agrícolas que respeitam a biodiversidade do bioma.

    “Não vai ser helicóptero jogando sementes em um território desabitado que vai recuperar essa área. O combate à desertificação passa pela agricultura familiar, pela agroecologia e pelas pessoas vivendo e cuidando desses territórios”, diz Ivi Aliana, coordenadora do ASA.

    Cobertura da COP17

    A Agência Brasil vai acompanhar as duas semanas da COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.

    Nos próximos dias, a Agência Brasil publica uma série de matérias com informações sobre a conferência e como os temas debatidos nela afetam o Brasil.


    Paisagem campestre na Mongólia, sede da COP17 da Desertificação. Crédito: Divulgação UNCCD

    Paisagem campestre na Mongólia, sede da COP17 da Desertificação. Crédito: Divulgação UNCCD


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Com envelhecimento da população, eleitorado jovem recua 22% em 16 anos

    Com envelhecimento da população, eleitorado jovem recua 22% em 16 anos

    O envelhecimento da população brasileira já impacta o perfil do eleitorado, com diminuição de 22% dos votantes com idade entre 16 e 24 anos, considerando o período de 2010 a 2026. O levantamento foi realizado pelo Instituto Nexus, a pedido da Agência Brasil, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

    Além da redução proporcional, também houve recuo em números absolutos. A quantidade de brasileiros com menos de 24 anos que podem comparecer às urnas caiu 5,5 milhões. Eram 24,7 milhões eleitores nesta faixa etária, em 2010, contra 19,2 milhões, em 2026. 

    Como o número total de eleitores no país aumentou 17%, passando de 135,8 milhões para 158,8 milhões no período, a participação dos jovens teve uma queda abrupta: de 18,2% para apenas 12,5% do eleitorado.

    “Em um cenário de aguda polarização, em que a eleição de 2022 foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença entre Lula e Jair Bolsonaro, todo eleitor é estratégico. A quantidade absoluta de votos dos jovens segue perdendo anualmente sua força, principalmente em comparação ao aumento de eleitores 60+”, analisa o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski. 

    Segundo dados do TSE, o número de idosos com o título de eleitor ativo cresceu cerca de 74% desde 2010. Atualmente eles correspondem a mais de 36,8 milhões de pessoas. 

    Campanhas


    São Paulo (SP), 09/11/2025 - Estudantes no primeiro dia de provas do ENEM na UNIP Vergueiro em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.

    Voto jovem perde relevância, mas ainda é importante em cenários de disputa acirrada . – Paulo Pinto/Agência Brasil

    O professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Hilton Fernandes, avalia que as campanhas presidenciais ainda não deram indicativo de como vão tratar o grupo de jovens.

    “Em 2022 houve alguma dedicação em buscar esse grupo de jovens, não tanto pelo volume de votos, mas pelo engajamento. Essa força do jovem na campanha é importante. Por isso tivemos em 2022 propostas relacionadas ao desenvolvimento de games e outros temas, como a facilidade para adquirir produtos eletrônicos, produtos de jogos com isenções, apareceram”, afirma.

    Ele acredita que as principais candidaturas à Presidência da República, a medida que avancem nas pesquisas, tendem a buscar mais esse público. Em campanhas proporcionais, como a de deputados, ele acredita que pode haver um olhar mais focado aos jovens, que pode ser um nicho importante para algumas candidaturas. 

    As prioridades do voto jovem seguem as mesmas tendências de eleições anteriores, aponta Fernandes. Ele procura, principalmente, o primeiro emprego e formação profissional. São vários contextos de vida que podem moldar esse voto, de acordo com a situação econômica das famílias, a região em que vivem ou os grupos sociais e instituições que frequentam. Ao mesmo tempo, sua visão eleitoral pode ser mais influenciada por discursos que remetem a grandes mudanças, afirma o especialista.

    “Não são os partidos que vão chamar atenção, mas o discurso dos candidatos, com um personalismo cada vez mais concentrado. O discurso mais radical tende a atender mais o jovem”, aponta Fernandes. 

    Ele ressalta, entretanto, que esse discurso pode “enganar” o eleitor mais novo, pois “nem toda vez é necessário quebrar uma estrutura para mudar uma sociedade”, critica o professor. Ele ressalta, ainda, que o eleitor jovem não pode ser tratado como um  grupo homogêneo.

    “Isso pode ter uma diferença, por exemplo, em jovens que convivam em ambientes mais conservadores. Enquanto o jovem que vê a família numa situação mais complicada, principalmente financeira, busca mais a mudança”, complementa.

    Engajamento

    Outro destaque do levantamento da Nexus é o engajamento nas urnas. Entre os brasileiros 18 a 24 anos, em que o voto é obrigatório, o percentual de comparecimento no primeiro turno foi de 78,5%. Já entre os jovens de 16 e 17 anos, que não têm obrigação de votar, 82,9% foram às urnas. A média de comparecimento no país, no último pleito, foi de 79,1% dos eleitores aptos a votar.

    Sul e Sudeste são “mais velhos”


    Brasília (DF), 19/04/2026 - Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Regiões Sul e Sudeste concentram menor percentual de jovens nas urnas – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A pesquisa apontou ainda que as regiões Sul e Sudeste concentram menor percentual de jovens nas urnas. Nelas, estão os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O estado “mais velho” é o Rio Grande do Sul, onde eleitores até 24 anos representam apenas 9% do eleitorado.

    Em seguida, aparecem o Rio de Janeiro (10%), São Paulo (11%), Santa Catarina (11%), Espírito Santo (11%), Minas Gerais (11%) e Paraná (11%). Na outra ponta, Roraima, Acre, Amapá e Amazonas são os estados com maior proporção de jovens aptos a irem às urnas, com 18% cada. Em seguida aparecem ainda Maranhão (17%), Pará (16%) e Tocantins (16%).

    “O Brasil está diante de uma nova geografia eleitoral. Os mais jovens perderam espaço nos maiores colégios eleitorais do país, tirando-os do centro gravitacional das principais estratégias políticas”, observa Tokarski. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Prazo para registro de candidaturas às eleições termina neste sábado

    Prazo para registro de candidaturas às eleições termina neste sábado

    O prazo para o registro de candidaturas aos cargos em disputa nas eleições de outubro termina neste sábado (15). A Justiça Eleitoral já recebeu cerca de 18 mil pedidos de candidaturas.

    O registro pode ser feito eletronicamente pelos partidos e federações até as 19h. 

    O procedimento é feito por meio do Sistema de Candidaturas (CANDex) da Justiça Eleitoral.

    Após o cumprimento dessa etapa, a Justiça Eleitoral decide se o registro de candidatura será deferido ou indeferido.

    No caso de candidatos à Presidência da República, o registro será avaliado pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    As candidaturas aos cargos de senador, governador e deputado federal, distrital e estadual serão julgadas pelos juízes eleitorais dos tribunais regionais eleitorais (TREs). 

    Entre os aspectos avaliados, os magistrados verificam se o candidato está inelegível pela Lei da Ficha Limpa ou por outro motivo e se apresentou os documentos obrigatórios. 

    As candidaturas também podem ter o pedido de impugnação por candidatos e partidos e pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

    Eleições

    O primeiro turno será no dia 4 de outubro, quando serão escolhidos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República.

    O segundo turno está marcado para o dia 25 do mesmo mês e ocorre na disputa para os cargos de governador e presidente da República. 

    Os eleitores só voltam às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • PF prende no Rio suspeito de golpe que fez idosa perder R$ 37 milhões

    PF prende no Rio suspeito de golpe que fez idosa perder R$ 37 milhões

    A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (14), no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um homem acusado de participar do esquema fraudulento que fez uma mulher de 70 anos ter prejuízo superior a R$ 37 milhões.

    A prisão ocorreu no âmbito da Operação Criptoabate, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul nessa quinta-feira (13), com o objetivo de desarticular um esquema de fraude eletrônica estruturado por meio de uma falsa plataforma de investimentos. O valor das fraudes pode chegar a R$ 50 milhões.

    De acordo com as investigações, a organização criminosa usava a prática conhecida como “pig butchering” (golpe do abate de porcos), quando os criminosos estabelecem uma relação com as vítimas, por meio de mentorias, para induzi-las a realizar investimentos financeiros em plataformas falsas com promessa de alta rentabilidade.

    Natural de Presidente Prudente (SP) e morador de Balneário Camboriú (SC), o homem é apontado como dono de instituição financeira ligada ao esquema. Ele responderá pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • ‘Casamento é coisa de adulto’: UNFPA lança campanha de enfrentamento ao casamento infantil no Brasil

    ‘Casamento é coisa de adulto’: UNFPA lança campanha de enfrentamento ao casamento infantil no Brasil

    O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) lançou nesta sexta-feira (14) a campanha “Casamento é coisa de adulto”, uma iniciativa para ampliar o conhecimento da população sobre o casamento infantil no Brasil, combater a naturalização dessa prática e fortalecer a defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Casamento infantil é qualquer união, formal ou informal, em que pelo menos uma das pessoas envolvidas tem menos de 18 anos.

    A campanha parte de uma realidade ainda pouco conhecida pelos brasileiros: o Brasil é o país da América Latina com o maior número absoluto de uniões envolvendo pessoas com menos de 18 anos e ocupa a sexta posição no mundo. Estimativas disponíveis indicam que uma em cada quatro jovens brasileiras entrou em uma união conjugal antes da idade adulta.

    Mesmo assim, o casamento infantil permanece frequentemente invisível no país. Diferentemente de outros contextos, no Brasil, essas uniões acontecem majoritariamente de maneira informal, muitas vezes entendidas apenas como “morar junto”, e podem ser naturalizadas pelas próprias famílias, comunidades e pela sociedade. 

    “Quando falamos em casamento infantil, muitas pessoas imaginam uma cerimônia formal ou uma situação explicitamente forçada. No Brasil, o casamento infantil acontece, na maioria das vezes, de forma menos perceptível, em relações informais. Meninas em contexto de pobreza passam a viver com parceiros, frequentemente mais velhos, em uniões marcadas por desigualdades de idade, renda, poder e autonomia”, afirma a representante do UNFPA no Brasil, Florbela Fernandes.

    ‘Casamento é coisa de adulto’

    A campanha reúne diferentes frentes de atuação. Uma página especial criada pelo UNFPA concentra dados e informações sobre o casamento infantil no Brasil, incluindo um mapa com o número de uniões por estado e conteúdos que ajudam a compreender as causas, características e consequências da questão no país. O endereço é: unf.pa/casamentoinfantil.

    A iniciativa também convida a população a assinar a campanha e se somar a um movimento de conscientização e mudança de comportamento, contribuindo para que as uniões antes dos 18 anos deixem de ser naturalizadas. 

    Nas redes sociais do @unfpabrasil, uma série de conteúdos informativos vai ampliar essa conversa, apresentando dados e evidências para levar o tema a diferentes públicos. A imprensa também tem papel fundamental nesse esforço, contribuindo para dar visibilidade ao casamento infantil, ampliar o debate público e ajudar a romper a naturalização das uniões antes dos 18 anos. 

    A campanha inclui ainda a realização de pesquisas de opinião pública para medir o conhecimento e a percepção dos brasileiros sobre o tema. Os levantamentos vão ajudar a identificar o que a população sabe sobre o casamento infantil e suas consequências, produzindo evidências para qualificar o debate público e orientar futuras ações de conscientização e enfrentamento. 

    ‘Casamento é coisa de adulto’: Fundo de População da ONU lança campanha de enfrentamento ao casamento infantil no Brasil

    Legenda: ‘Casamento é coisa de adulto’: Fundo de População da ONU lança campanha de enfrentamento ao casamento infantil no Brasil
    Foto: © UNFPA.

    Mais de 34 mil crianças em casamento infantil

    O Censo Demográfico de 2022 identificou 34.202 crianças de 10 a 14 anos vivendo algum tipo de união conjugal no país.

    Entre elas, 77% eram meninas e 69% eram pretas ou pardas. A maior parte dessas relações, 86,6%, era informal, sem casamento civil ou religioso.

    O dado representa apenas parte da dimensão total, já que esse recorte não inclui adolescentes de 15 a 17 anos.

    As últimas estimativas disponíveis, baseadas na Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde de 2006, mostram ainda que uma em cada quatro jovens brasileiras entrou em uma união antes dos 18 anos. Isso significa que ao longo das últimas décadas, mais de 22 milhões de mulheres brasileiras entre 20 e 24 anos tiveram suas trajetórias marcadas por uma união precoce.

    As consequências podem se estender por toda a vida. O casamento infantil está associado à interrupção da trajetória escolar, menores oportunidades profissionais, dependência econômica, gravidez precoce e maior exposição a diferentes formas de violência.

    Situações de pobreza, exclusão escolar, violência e falta de perspectivas também podem fazer com que relações apresentadas como oportunidades de amor, proteção ou estabilidade sejam percebidas como uma saída possível.

    “Uma relação que parece oferecer proteção pode, na prática, aprofundar desigualdades e limitar as possibilidades de escolha dessas meninas. Enfrentar o casamento infantil significa ampliar oportunidades para que crianças e adolescentes possam estudar e desenvolver seus próprios projetos de vida”, afirma Florbela Fernandes.

    A discussão no Congresso

    O lançamento da campanha acontece em um momento em que o tema também avança no Congresso Nacional.

    A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou no dia 15 de julho, em caráter conclusivo, uma proposta que torna nulo, em qualquer circunstância, o casamento de pessoas com menos de 16 anos.

    Desde 2019, a legislação brasileira proíbe esses casamentos. No entanto, o Código Civil ainda os classifica como “anuláveis”, mantendo dispositivos que poderiam permitir questionamentos sobre sua invalidação. A proposta aprovada pela CCJ elimina essa possibilidade e estabelece sua nulidade para todos os efeitos. Caso não haja recurso para análise pelo Plenário da Câmara, o texto seguirá para o Senado.

    Para o UNFPA, a mudança representa um avanço importante, mas a legislação brasileira ainda mantém uma lacuna ao permitir o casamento de adolescentes de 16 e 17 anos mediante autorização dos pais ou responsáveis legais.

    Isso contraria as recomendações do Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw) e do Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas, instrumentos que historicamente orientam a aplicação de parâmetros internacionais assumidos pelo Brasil e que defendem os 18 anos como idade mínima para qualquer união, formal ou informal.

    Por isso, o UNFPA defende a fixação dos 18 anos como idade mínima legal para o casamento no Brasil, aliado a políticas que assegurem permanência escolar, proteção social, acesso à saúde, apoio às famílias, oportunidades de autonomia econômica e o fortalecimento das redes locais de proteção.

    Ao redor do mundo, mais de 50 países já avançaram em suas legislações ao estabelecer 18 anos como idade mínima para o casamento. Entre eles estão Suécia, Finlândia, Alemanha, México, Colômbia, Peru e Bolívia.

    Para saber mais, acesse a página da campanha e siga @unfpabrasil nas redes! 

    Sobre o UNFPA

    O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é a agência da ONU dedicada à saúde sexual e reprodutiva e à promoção dos direitos de mulheres, adolescentes e jovens em todo o mundo.

    No Brasil, o UNFPA atua para que meninas e adolescentes tenham acesso à informação, a serviços de saúde de qualidade e a redes de proteção, garantindo condições para que possam tomar decisões seguras e informadas sobre suas próprias vidas.

    MATERIAL DA CAMPANHA DISPONÍVEL PARA JORNALISTAS

    Contato para aimprensa: 

    Fonte: brasil.un.org

  • FIDA e BNDES realizam 1º Encontro do Fórum Sertão Vivo

    FIDA e BNDES realizam 1º Encontro do Fórum Sertão Vivo

    O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizou no início de agosto o 1º Encontro do Fórum de Transparência e Orientação da Iniciativa Sertão Vivo (FTOSV). O evento ocorreu na sede da Embrapa, em Brasília (DF), reunindo representantes dos estados responsáveis pela implementação do projeto, da Unidade PMEL (Plan, Monitor, Evaluate and Learn), de instituições parceiras e demais atores envolvidos na iniciativa.

    Representantes das instituições parceiras e da equipe técnica do Sertão Vivo reunidos ao final do 1º Fórum de Transparência e Orientação, em Brasília.
    Legenda: Representantes das instituições parceiras e da equipe técnica do Sertão Vivo reunidos ao final do 1º Fórum de Transparência e Orientação do Projeto Sertão Vivo, em Brasília.
    Foto: © FIDA/Lucas Rodrigues.

    Instituído em caráter consultivo, o Fórum de Transparência e Orientação tem como objetivo promover maior transparência na implementação do projeto Sertão Vivo, contribuir para o aprimoramento do planejamento e da execução das ações, além de identificar sinergias com outras iniciativas desenvolvidas nos territórios de atuação do programa, conforme previsto em seu regimento interno.

    O projeto Sertão Vivo – Semeando Resiliência Climática em Comunidades Rurais do Nordeste é uma iniciativa conjunta do BNDES e do FIDA, com apoio do Green Climate Fund (GCF), voltada ao fortalecimento da resiliência climática das comunidades rurais do Semiárido nordestino.

    Este primeiro encontro representou um marco para a governança da iniciativa. Ao reunir os diversos parceiros envolvidos, o Fórum fortalece o diálogo, o alinhamento institucional e a coordenação entre os diferentes atores, além de criar um espaço permanente para o compartilhamento de informações estratégicas, lições aprendidas e avanços da implementação. O encontro também foi uma valiosa oportunidade para que os estados apresentassem os resultados alcançados até o momento e seus planejamentos para o segundo semestre de 2026, compartilhando desafios, aprendizados e conquistas que vêm contribuindo para o fortalecimento e o avanço do projeto.

    O Fórum contou com a participação de representantes dos estados da Bahia, Ceará, Paraíba e Piauí, Unidade PMEL (ASA), além de instituições federais, organismos de pesquisa e organizações parceiras. Estiveram presentes representantes dos ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Fazenda (MF) e do Planejamento e Orçamento (MPO), bem como da Autoridade Nacional Designada (NDA), Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), do Consórcio Nordeste, do Fórum de Secretários do Nordeste, da Embrapa, do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), do Landscape Alliance, da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), entre outras instituições parceiras.

    “O projeto Sertão Vivo é resultado de uma parceria construída sobre confiança, cooperação e uma visão compartilhada de desenvolvimento rural sustentável. O Fórum reforça esse compromisso ao criar um espaço de diálogo e transparência que permite alinhar esforços, compartilhar aprendizados e fortalecer a implementação da iniciativa, sempre com foco em gerar impactos concretos para as famílias rurais do Semiárido”, afirmou o diretor do FIDA para o Brasil, Arnoud Hameleers. 

    Mesa de abertura do 1º Fórum do Sertão Vivo reúne representantes do FIDA, BNDES EMBRAPA para apresentar o programa de resiliência climática em comunidades rurais do Nordeste.
    Legenda: Mesa de abertura do 1º Fórum do Sertão Vivo reúne representantes do FIDA, BNDES EMBRAPA para apresentar o programa de resiliência climática em comunidades rurais do Nordeste.
    Foto: © FIDA/Lucas Rodrigues.

    Produção Resiliente

    Sertão Vivo busca ampliar o acesso à água por meio de tecnologias de captação, armazenamento e reuso, a promoção de sistemas produtivos resilientes e sustentáveis, a recuperação de áreas degradadas, o fortalecimento da capacidade de adaptação das comunidades aos eventos climáticos extremos e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

    O projeto está estruturado em três componentes: 

    1. Sistemas produtivos resilientes à mudança climática.
    2. Acesso à água. 
    3. Gestão do conhecimento. 

    Trata-se da primeira operação do FIDA em parceria com um banco nacional de desenvolvimento e da primeira operação conjunta entre BNDES, FIDA e GCF.

    As ações serão realizadas em comunidades de pequenos agricultores rurais, incluindo povos e comunidades tradicionais, como quilombolas e quebradeiras de coco, assentamentos da reforma agrária, além de ações de educação ambiental em escolas rurais. Haverá intercâmbios entre agricultores, além do trabalho específico com a juventude, como na formação técnica para a jovens comunicadores.

    O programa mobiliza cerca de US$ 283,2 milhões em recursos de crédito e doação, com a meta de restaurar 84.124 hectares de sistemas produtivos resilientes e beneficiar 1 milhão de pessoas, distribuídas em 250 mil famílias rurais, das quais pelo menos 40% são mulheres e 50% são jovens.

    Até o momento, já foram firmados contratos com cinco estados do Nordeste — Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe — além da Unidade de Planejamento, Monitoramento, Avaliação e Aprendizagem (PMEL), totalizando mais de R$ 1 bilhão em recursos reembolsáveis e não reembolsáveis.

    Apresentação da iniciativa Sertão Vivo no Piauí, um dos estados contemplados pelo programa de fortalecimento da resiliência climática no Semiárido nordestino.
    Legenda: Apresentação da iniciativa Sertão Vivo no Piauí, um dos estados contemplados pelo programa de fortalecimento da resiliência climática no Semiárido nordestino.
    Foto: © FIDA/Lucas Rodrigues.

    Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram,  LinkedIn, TikTok,X, YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (em espanhol).

    Contato para a imprensa: 

    NOTA PARA EDITORES

    O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.

    Fonte: brasil.un.org

  • Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Foz do Amazonas

    Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Foz do Amazonas

    A Petrobras informou nesta sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos em poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na margem equatorial brasileira. 

    Os hidrocarbonetos são obtidos principalmente do petróleo e do gás natural, servindo como matéria-prima essencial para combustíveis, plásticos e borrachas.

    O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) está localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros.

    “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje [sexta-feira]. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

    De acordo com a Petrobras, o intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha. 

    “As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”, informou a estatal.

    A atuação da Petrobras no bloco FZA-M-59 está alinhada à estratégia da companhia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira, visando ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética justa.

    A Petrobras é a operadora do bloco e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob o regime de concessão.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Amcham defende que adoção de reciprocidade contra os EUA seja evitada

    Amcham defende que adoção de reciprocidade contra os EUA seja evitada

    A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) defende que a posição adoção de medidas de retaliações por parte do Brasil em relação às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos seja evitada.

    Nessa quinta-feira (13), o governo federal anunciou a abertura formal do processo para avaliar se a imposição das tarifas contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A abertura do processo não significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente contratarifas ou outras medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. Neste momento, o governo inicia uma análise formal para verificar se as medidas dos EUA justificam a adoção de respostas previstas na legislação brasileira.

    Diante da abertura do processo, a Amcham clama pela intensificação dos diálogos de alto nível e negociações entre os dois governos para reduzir a sobretaxação e evitar novas restrições.

    “A Amcham considera que a adoção de eventuais contramedidas deve ser evitada, diante do considerável risco de elevar custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos e levar a uma escalada comercial e política na relação com os Estados Unidos, reduzindo o espaço para o diálogo e tornando mais difícil alcançar uma solução negociada”, diz a nota da entidade.

    De acordo com a organização, uma pesquisa apontou que 90,5% das empresas defendem o diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos; e apenas 3,2% querem a adoção de medidas de reciprocidade.

    A Amcham considera fundamental que a estratégia seja conduzida com equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa dos impactos, além da participação do setor empresarial.

    Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que ouvirá os empresários brasileiros e estrangeiros sobre os possíveis impactos da aplicação da Lei da Reciprocidade do Brasil, em resposta ao tarifaço.

    A Amcham é formada por empresas dos dois países que têm interesse em relações comerciais conjuntas.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Bolsonaro pede ao STF para se consultar com a nora, que é dentista

    Bolsonaro pede ao STF para se consultar com a nora, que é dentista

    O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu nesta sexta-feira (14) ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para deixar a prisão domiciliar e ir ao dentista.

    Na solicitação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, a defesa do ex-presidente pede que ele seja atendido pela dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, casada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A consulta foi marcada para sexta-feira (21), às 14h.

    “Requer, portanto, seja autorizada a saída do peticionário de sua residência, exclusivamente para a realização da referida consulta odontológica, pelo período necessário ao deslocamento, atendimento e retorno, observadas as medidas de fiscalização pertinentes”, solicitou a defesa.

    Bolsonaro está proibido de receber visitas de Flávio depois da divulgação, nas redes sociais do senador, de uma carta escrita pelo ex-presidente, que está em prisão domiciliar e proibido de fazer postagens nas redes sociais, inclusive por meio de terceiros. 

    No ano passado, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo de trama golpista. Em seguida, após passar por uma cirurgia, ele ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar. O ex-presidente se recupera de uma pneumonia bacteriana.

    Durante o cumprimento da pena, as visitas devem ser autorizadas previamente por Alexandre de Moraes, relator da execução penal. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br