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  • OIT alerta para avanço do desemprego juvenil e maior dificuldade de acesso ao trabalho decente

    OIT alerta para avanço do desemprego juvenil e maior dificuldade de acesso ao trabalho decente

    O desemprego juvenil global está aumentando, à medida que a estagnação do crescimento econômico e a fraca criação de empregos ampliam as barreiras para a entrada dos jovens no mercado de trabalho e deixam um número maior de jovens fora do mercado de trabalho, dos estudos ou da capacitação profissional, de acordo com novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

    O relatório “Tendências Globais do Emprego Juvenil 2026: De volta ao futuro”(Global Employment Trends for Youth 2026: Back to the future ) mostra que a taxa global de desemprego juvenil aumentou para 12,4% em 2025, o equivalente a 67 milhões de pessoas desempregadas com idades entre 15 e 24 anos. Ao mesmo tempo, a proporção de jovens que não estão empregados, estudando ou em formação profissional (NEET, na sigla em inglês) aumentou ligeiramente para 20%, afetando mais de 257 milhões de pessoas. Alguns dos aumentos mais acentuados do desemprego juvenil foram registrados nas economias de renda mais elevada, o que frustra as aspirações de milhões de jovens no início de suas vidas profissionais.

    Entre 2023 e 2025, as taxas de desemprego juvenil aumentaram em oito das 11 sub-regiões do mundo, à medida que a desaceleração do crescimento econômico, a fraca criação de empregos, as tensões geopolíticas e as rápidas transformações tecnológicas conduzem os países a uma nova crise de emprego juvenil.

    “Uma geração que não consegue encontrar trabalho decente não pode construir seu futuro com confiança. Quando os jovens são excluídos de empregos de qualidade, os países perdem talentos, produtividade e coesão social. Criar empregos decentes para os jovens não é apenas um imperativo social, mas também um dos investimentos mais inteligentes que um país pode fazer”, afirmou o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo. 

    Diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo.
    Legenda: Diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert F. Houngbo.
    Foto: © ONU/Manuel Elías.

    Perspectivas de emprego para jovens pioram nas economias de renda mais alta

    Na América do Norte, o desemprego juvenil aumentou acentuadamente, passando de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No Norte, Sul e Oeste da Europa, o desemprego juvenil permaneceu elevado, em 15% em 2025, com 20 dos 29 países da sub-região registrando uma redução nas oportunidades de emprego para os jovens.

    Segundo o relatório, o desaparecimento de muitos empregos que exigem qualificações de nível intermediário está tornando mais difícil para os jovens encontrar trajetórias profissionais estáveis. Os empregos que tradicionalmente têm servido como porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho — incluindo funções administrativas e de escritório, ocupações nos setores de serviços e vendas, empregos relacionados à indústria e algumas ocupações técnicas — estão diminuindo.

    Poucos empregos decentes nas economias em desenvolvimento

    Nas economias em desenvolvimento, o desafio continua a ser criar empregos decentes em número suficiente para absorver uma população jovem crescente. As baixas taxas de desemprego ocultam uma insegurança generalizada no mercado de trabalho, uma vez que muitos jovens não podem permanecer desempregados e acabam ingressando em empregos informais ou instáveis.

    Quase nove em cada 10 jovens trabalhadores com idades entre 15 e 29 anos nos países de rendas baixa e média-baixa estão em empregos informais, o que limita seu acesso a rendas estáveis e à proteção social. O relatório identifica a África Subsaariana como a sub-região que enfrenta pressões demográficas particularmente intensas, combinadas com uma oferta insuficiente de empregos decentes, o que resulta em um número crescente de jovens na condição de não estar empregado, estudando ou em formação profissional (NEET, na sigla em inglês).

    Os Estados Árabes e o Norte da África continuam registrando as taxas de desemprego juvenil mais elevadas do mundo. Em 2025, a taxa de desemprego juvenil foi de 26,2% nos Estados Árabes e de 22,6% no Norte da África. Em ambas as sub-regiões, pelo menos um em cada três jovens não estava empregado, estudando ou em formação professional.

    A tecnologia está transformando o emprego juvenil

    O relatório aponta que a transformação tecnológica, incluindo os avanços na inteligência artificial (IA), está remodelando as oportunidades de emprego para os jovens trabalhadores.

    Estima-se que 6,1% dos empregos ocupados por jovens de 15 a 29 anos estão em ocupações altamente expostas às transformações relacionadas à IA. Muitas delas coincidem com as ocupações que exigem qualificações de nível intermediário e cujo número entre os jovens vem diminuindo desde 2023, particularmente as funções administrativas e de escritório. Ao mesmo tempo, a demanda continua crescendo em algumas ocupações técnicas baseadas no conhecimento, em áreas como ciência, saúde e engenharia, o que destaca a importância de garantir que os jovens tenham acesso às qualificações que correspondam às necessidades em constante evolução do mercado de trabalho

    “Há um debate cada vez maior em torno da IA”, afirmou a diretora do Departamento de Emprego, Competências e Empresas Sustentáveis da OIT, Sukti Dasgupta. 

    “Embora o impacto direto sobre os empregos ainda não esteja claro, não podemos ser complacentes nem subestimar os riscos. Precisamos ampliar nossos investimentos em qualificação, aprendizagem ao longo da vida e proteção social para que os jovens possam se adaptar às mudanças e aproveitar novas oportunidades. O progresso tecnológico, incluindo a IA, deve trabalhar a favor dos jovens, e não contra eles.”

    Voltar a um futuro no qual os caminhos levem ao trabalho decente

    O relatório pede uma ação renovada para ajudar os jovens a enfrentar um mundo do trabalho cada vez mais incerto. Entre as principais medidas de política estão:

    • adotar uma abordagem centrada nas pessoas para a governança da IA, garantindo que a inovação crie oportunidades, em vez de aprofundar as desigualdades;
    • investir em educação de qualidade, aprendizagem ao longo da vida e programas de aprendizagem profissional;
    • fortalecer os serviços de emprego e as instituições do mercado de trabalho para apoiar a transição dos jovens para o emprego, com atenção especial às mulheres jovens;
    • expandir a proteção social e garantir os direitos no trabalho, especialmente para os jovens em situações de vulnerabilidade; e
    • criar mais oportunidades de trabalho decente por meio de políticas macroeconômicas e setoriais favoráveis.

    O relatório conclui que o desafio não é apenas criar mais empregos para os jovens, mas garantir que esses empregos ofereçam segurança, dignidade e oportunidades para uma transição bem-sucedida para a vida adulta.

    Para saber mais, siga @oit_brasil nas redes e acesse o relatório completo na página global da OIT. 

    Contato para a imprensa: 

    • Denise Marinho dos Santos, Oficial de Comunicação, Escritório da OIT para o Brasil: [email protected]

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU-Habitat promove oficinas para fortalecer implementação da Agenda 2030 no Rio de Janeiro

    ONU-Habitat promove oficinas para fortalecer implementação da Agenda 2030 no Rio de Janeiro

    O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) avançou na construção da Revisão Local Voluntária (RLV) do Estado do Rio de Janeiro, instrumento de monitoramento que reúne indicadores sobre avanços, desafios e oportunidades relacionados à implementação da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no território fluminense.

    Entre junho e julho de 2026, o ONU-Habitat reuniu representantes das secretarias dos órgãos que integram a Comissão Estadual para o Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CEDODS) nas Oficinas da Análise Situacional da RLV do Estado do Rio de Janeiro. A etapa teve como objetivo promover uma análise participativa e crítica verificando a correlação entre as missões do Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social e da Agenda 2030 do Estado do Rio de Janeiro, as iniciativas em curso ou planejadas, os indicadores e as informações obtidas via formulário. As discussões foram orientadas por três perguntas centrais: o que fizemos? Onde estamos? E para onde vamos? 

    As Revisões Locais Voluntárias constituem uma metodologia que apoia governos locais na avaliação do progresso da Agenda 2030, na identificação de desafios e no planejamento de ações mais eficazes, tornando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) mais concretos e aplicáveis à realidade dos territórios. Além de fortalecer a governança, promover a transparência e fortalecer a tomada de decisão baseada em evidências, a metodologia orientou as oficinas, nas quais participantes aprofundaram seus conhecimentos com apoio da Cartilha da RLV do ONU-Habitat.

    Participantes da Oficina de Análise Situacional da Revisão Local Voluntária (RLV) durante a palestra de apresentação da metodologia.
    Legenda: Participantes da Oficina de Análise Situacional da Revisão Local Voluntária (RLV) durante a palestra de apresentação da metodologia.
    Foto: © Livia Freire / ONU-Habitat

    Também foram realizadas   dinâmicas em grupo, para avaliar a relação entre as missões do Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social (PEDES), os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, suas metas e as iniciativas governamentais em curso ou previstas. A análise considerou informações obtidas por meio de formulários, dados públicos e da avaliação do Plano Plurianual (PPA).

    “O planejamento estratégico do estado, conhecido como Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado do Rio de Janeiro (PEDES), também já havia alinhado as missões estratégicas aos ODS. Esses instrumentos de política pública permitem que se estabeleça a discussão com maior qualidade. Isso significou discutir nas oficinas as políticas, planos, programas e projetos do governo do estado com maior profundidade, relacionando-as aos temas e subtemas abordados em parte das 145 metas estadualizadas da Agenda 2030 no território fluminense”, afirmou o analista de Programas do ONU-Habitat, Felipe Sacramento, durante os encontros.

    As contribuições apresentadas durante a oficina vão apoiar o aprimoramento do diagnóstico da Revisão Local Voluntária, além de orientar as próximas etapas do processo participativo, fortalecendo uma visão compartilhada sobre a implementação da Agenda 2030 no Rio de Janeiro. A análise situacional identificou os seguintes ODS como prioritários:

    • ODS 1 – Erradicação da Pobreza;
    • ODS 5 – Igualdade de Gênero;
    • ODS 6 – Água Potável e Saneamento;
    • ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis;
    • ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima;
    • ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação. 

    “Aqui nos deparamos com temas relevantes e até centrais na Secretaria de Saúde, de Educação e de Cultura. É uma oficina para trocar esse olhar e identificar onde temos avanços e pontos fortes e onde a gente ainda precisa aperfeiçoar”, afirmou a assessora de Articulação Institucional e Políticas Transversais da Secretaria de Estado da Mulher do RJ, Rebeca Almeida, membro da Comissão Estadual para o Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CEDODS) e participante das oficinas.

    Durante os debates, participantes também destacaram a importância de ampliar o foco sobre o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e o ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), além de aprofundar a avaliação relacionada ao ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), especialmente em temas ligados à segurança pública.

    As contribuições apresentadas pelos integrantes da Comissão serão incorporadas ao processo de construção da Revisão Local Voluntária e consideradas nas próximas etapas participativas, que também inclui encontros com representantes dos municípios.

    Próximos passos 

    A próxima etapa será o Ciclo de Oficinas Regionais da Revisão Local Voluntária do Estado do Rio de Janeiro, composta por oficinas realizadas entre agosto e setembro nas nove regiões hidrográficas do estado do Rio de Janeiro. Com o tema “Onde estamos e para onde vamos?”, os encontros vão ampliar o diálogo técnico com profissionais da gestão pública e representantes locais sobre os avanços, desafios e perspectivas para a implementação da Agenda 2030 nos diferentes territórios do estado.
     

    Estrutura da Jornada das Revisões Locais Voluntárias nos municípios que representam as nove regiões hidrográficas do estado do Rio de Janeiro.
    Legenda: Estrutura da Jornada das Revisões Locais Voluntárias nos municípios que representam as nove regiões hidrográficas do estado do Rio de Janeiro.
    Foto: © ONU-Habitat

    As contribuições coletadas vão compor o relatório final, que irá reunir evidências, desafios e recomendações para fortalecer a formulação de políticas públicas e o planejamento do desenvolvimento sustentável no Estado do Rio de Janeiro.

    Contatos para a imprensa:

    Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes! 

    Fonte: brasil.un.org

  • Congresso adia instalação de comissão sobre MP da “taxa das blusinhas”

    Congresso adia instalação de comissão sobre MP da “taxa das blusinhas”

    O Congresso Nacional decisiu nesta quarta-feira (12) adiar a instalação da comissão parlamentar mista que vai analisar a Medida Provisória (MP) apelidada de “taxa das blusinhas”, que zera o imposto de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50 feitas pela internet. A medida perde a validade no dia 8 de setembro se não for aprovada na Câmara e no Senado.

    Segundo informações da liderança do governo no Congresso, ainda não houve acordo sobre a relatoria e a presidência do colegiado, por isso ela só deve ser instalada daqui a três semanas, entre os dias 31 de agosto 3 de setembro, quando deputados e senadores vão realizar um novo esforço concentrado para votação de propostas legislativas prioritárias pendentes.

    A análise da MP da taxa das blusinhas estava parada por falta de autorização para instalação da comissão por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o que levou o governo a pedir formalmente a instalação do colegiado.

    Mais cedo, nesta quarta-feira (12), o ministro das Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, informou que uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre, no Palácio da Alvorada, contribuiu para destravar pautas em tramitação no Legislativo, incluindo esta e outras MPs.

    “Foi reafirmada a importância do avanço das pautas prioritárias para o Governo, como a PEC do fim da escala 6×1, a MP que trata do fim da ‘taxa das blusinhas’, a PEC da Segurança Pública e o PL de Minerais Críticos”, disse Guimarães, em postagem nas redes sociais.

    Outras MPs

    Apesar da indefinição da comissão da Medida Provisória da taxa das blusinhas, outras cinco MPs que estavam pendentes de análise tiveram seus colegiados instalados, com escolha de presidentes e relatores.

    São elas: 

    • MP que estabelece alterações no Código de Trânsito para simplificar atividades de motoboys e mototaxistas (MP 1.360/2026);
    • MP que permite a renegociação das dívidas de produtores rurais que perderam safras entre 2019 e 2025 (MP 1.376/2026);
    • MP que amplia as atribuições do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), voltado à redução das filas de análise de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da Perícia Médica Federal (MP 1.369/2026);
    • MP que cria um “adicional de fronteira” para servidores de carreira da Controladoria-Geral da União (CGU) e analistas técnicos do Poder Executivo federal que atuam em localidades estratégicas (MP 1.375/2026);
    • MP que criou e tornou obrigatória a aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para o exercício da profissão no país (MP 1.370/2026).

    Impostos sobre combustíveis

    O acordo para destravar pautas no Congresso tabém viabilizou a aprovação, tanto na Câmara, quanto no Senado, do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que estabelece redução de alíquotas de tributos federais sobre a importação, a produção e a comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação.

    O objetivo da medida é mitigar os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis decorrente da guerra dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã no Oriente Médio, que fechou a principal rota de exportação do petróleo na região, impactando e fortes oscilações na cotação do barril.

    Além da redução de tributos sobre derivados de petróleo, o texto prevê benefícios fiscais para o setor de etanol, de fertilizantes agrícolas, da pesquisa de minerais críticos e terras raras, além da desoneração de impostos para Fifa, organizadora da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será realizada no Brasil, em 2027.

    “A retomada do diálogo institucional é fundamental para que Executivo e Legislativo possam avançar nas pautas prioritárias e entregar os resultados aguardados pela população”, destacou o ministro José Guimarães, ao celebrar a reunião entre Lula e Alcolumbre.

    Diálogo entre Poderes

    José Guimarães acrescentou que “novos encontros” com senadores estão previstos até o final de semana. Das pautas prioritárias do governo ainda pendentes, Alcolumbre segue sem sinalizar avanço na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 de trabalho e redução da jornada laboral para até 40 horas semanais.

    Esse texto já passou pela Câmara no semestre passado e está paralisado no Senado. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027

    Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (12) o decreto que regulamenta o funcionamento do mercado livre de energia, que permite a venda direta a pequenos e médios consumidores de energia elétrica. Na prática, a medida permitirá aos consumidores escolher de quem comprará sua energia, de forma semelhante à que ocorre com a telefonia.

    A medida vale para clientes atendidos em baixa tensão (inferior a 2,3 kV). Para consumidores industriais e comerciais, a regra começa a partir de novembro de 2027. Para os demais clientes, incluindo os residenciais, a escolha poderá ser feita a partir de novembro de 2028. 

    As regras não alteram a produção e transmissão de energia, que têm outras regulamentações.

    O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), que será responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Essa função ficará com as distribuidoras de energia até o final de 2030, quando poderá ser exercida por outros agentes, abrindo ainda mais o mercado.

    A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneell) fará essa regulamentação e é quem terá a responsabilidade de organizar a transição entre os ambientes regulado (atual) e livre. A ela caberá estabelecer as regras sobre informação e proteção ao consumidor. 

    Energia Sustentável

    Outros três decretos foram assinados no mesmo evento, que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e à captura e armazenamento de carbono.

    Para a aviação foi criado o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), com regras para a produção, certificação, comercialização, rastreabilidade e o cumprimento das metas de redução de emissões pelo setor aéreo. A medida estabeleceu um prazo de dez anos, entre 2027 e 2037, para que o setor reduza suas emissões em 10%.

    Foram definidas, ainda, as regras para certificação de combustível sustentável de aviação, tanto para importação quanto para produção nacional.

    Foram criados também o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), além do Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH2).

    Na prática foram estabelecidas responsabilidades sobre certificação, determinação de regras e estabelecimento de critérios para avaliar o hidrogênio frente a outros combustíveis sustentáveis, permitindo a entrada do Brasil de maneira definitiva neste mercado.

    Quanto à regulamentação da captura e armazenamento de carbono, foi estabelecido o marco regulatório para a atividade, decisiva para o avanço da descarbonização da indústria nacional. Também determina que o Ministério das Minas e Energia (MME) lidere a construção de um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento geológico de carbono, com revisão a cada dois anos.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • MPF pede ações de segurança para voos de helicóptero no Rio de Janeiro

    MPF pede ações de segurança para voos de helicóptero no Rio de Janeiro

    O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública para pedir medidas de controle e segurança dos voos comerciais de helicópteros no Rio de Janeiro. A ação foi proposta contra a União, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o município do Rio de Janeiro. 

    No último sábado (8), um acidente com um helicóptero que fazia um voo panorâmico ocorreu no Parque Nacional da Tijuca, próximo à Vista Chinesa, causando incêndio e a morte de três turistas colombianas, além do piloto da aeronave.

    Em 14 de junho de 2026, dois helicópteros se chocaram no ar e caíram no bairro do Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio de Janeiro. O acidente resultou na morte de seis pessoas, entre elas o cantor americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspi.

    Os destroços atingiram um terreno utilizado como pátio de veículos elétricos. O impacto provocou uma forte explosão e um incêndio de grandes proporções que destruiu dezenas de carros no local.

    O MPF determinou também a abertura de novo inquérito civil para apurar a responsabilidade da empresa Voos Rio Panorâmico Serviços Aeronáuticos Ltda. pelos danos ambientais causados ao Parque Nacional da Tijuca em decorrência da queda e do incêndio da aeronave na floresta. A apuração será realizada independentemente das investigações destinadas a determinar as causas do acidente aéreo.

    O MPF pede que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), adote providências para que o trânsito ordinário dos helicópteros destinados ao transporte remunerado de passageiros, inclusive voos panorâmicos, seja direcionado à Rota Especial de Helicópteros Praia (REH Praia), independentemente da modalidade de contratação do serviço. A rota é um corredor aéreo já existente ao longo do litoral carioca, situado a 600 metros da faixa de praia.

    O MPF pede também, em caráter de urgência, que o Decea intensifique a fiscalização das altitudes mínimas e demais regras das rotas de helicópteros. O órgão pede ainda que a Anac reforce a fiscalização dos operadores, impedindo a exploração comercial por empresas, aeronaves ou operadores que não atendam às exigências regulamentares.

    A ação é resultado de inquérito civil aberto pelo MPF para apurar os impactos provocados pela expansão dos voos panorâmicos na cidade. Segundo dados reunidos na investigação, empresas associadas à entidade representativa do setor realizaram 24.681 voos panorâmicos em um ano, transportando 81.390 passageiros.

    “Não se pretende proibir os passeios turísticos de helicóptero. Mas não é razoável que uma atividade usufruída por poucos exponha centenas de milhares de moradores e áreas ambientalmente protegidas aos impactos dos sobrevoos. O Rio já possui uma rota marítima estruturada pelo próprio Decea que permite conciliar a atividade turística com a proteção da população e do meio ambiente”, afirma o procurador da República Sergio Suiama, autor da ação.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • PGR é contra recurso de Bolsonaro para voltar a receber visitas

    PGR é contra recurso de Bolsonaro para voltar a receber visitas

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta quarta-feira (12) a rejeição dos recursos apresentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para derrubar a decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitá-lo na prisão domiciliar pelo prazo de 30 dias. 

    No mês passado, Moraes proibiu as visitas após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente, que está em prisão domiciliar e proibido de fazer postagens nas redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

    No recurso, a defesa de Bolsonaro disse Flávio é um dos advogados do pai e tem direito assegurado a encontrá-lo. Os advogados também contestaram o trecho da decisão que impede o ex-presidente de receber visitas de políticos durante o período eleitoral.

    Para Gonet, as medidas determinadas pelo ministro ocorreram após o descumprimento da proibição de fazer postagens por meio de terceiros.

    “A divulgação, por Flávio Bolsonaro, de conteúdo que lhe fora entregue pelo apenado durante visita [carta] contrariou uma dessas condições. Como resposta ao descumprimento, suspendeu-se, por prazo determinado, a visita que havia permitido a circulação do conteúdo, medida posteriormente ampliada diante da participação do apenado na produção do material divulgado”, argumentou o procurador.

    No ano passado, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo de trama golpista. Em seguida, após passar por uma cirurgia, ele ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar. O ex-presidente se recupera de uma pneumonia bacteriana.

    Durante o cumprimento da pena, as visitas devem ser autorizadas previamente pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Cinefoot celebra filme de Joaquim Salles sobre time do Amapá

    Cinefoot celebra filme de Joaquim Salles sobre time do Amapá

    A 16ª edição do Festival de Cinema de Futebol (Cinefoot) teve como um dos vencedores a obra Copinha, com direção de Joaquim Salles, premiada como Melhor Filme da mostra competitiva internacional entre os longas-metragens.

    O diretor é sobrinho do cineasta Walter Salles, que levou o Oscar de Melhor Filme Internacional por Ainda Estou Aqui, e filho do documentarista João Moreira Salles.

    Os filmes foram exibidos, gratuitamente, em quatro salas no Rio de Janeiro, de quinta-feira da semana passada (6) até terça-feira (11), e no Museu do Futebol, em São Paulo, entre as últimas sexta (7) e segunda-feira (10).

    A obra de Joaquim Salles (foto) conta a trajetória do Esporte Clube Macapá, time da capital amapaense, na edição de 2024 da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, principal torneio de futebol sub-20 do mundo.

    O longa, que traz a luta por visibilidade de jovens atletas que vivem distante dos grandes centros da modalidade, superou filmes da Argentina, da Espanha e do Reino Unido. O resultado foi definido por meio de voto popular.

    Naquela Copinha, o Macapá venceu o Potyguar Seridoense-RN e buscou empates com o Flamengo de Guarulhos (SP), time anfitrião do Grupo 29, e com o tradicional Vasco. A equipe do Amapá se classificou no segundo lugar da chave, sendo eliminada na fase seguinte pelo Ibrachina, clube da capital paulista focado em categorias de base.

    Já na categoria de Melhor Curta-Metragem da mostra competitiva internacional, a vitória foi de Camisa 9, dirigido por Guilherme Baptista. A obra mostra como três jornalistas negros da família Baptista – Orlando e os filhos Luiz Orlando e Oswaldo – mudaram a forma de se abordar o futebol na televisão nos anos 1980, trazendo irreverência e representatividade à famosa mesa-redonda.

    O Troféu João Saldanha, que premia obras que destacam o lado humano, libertário e democrático do futebol, foi para o documentário Coligay, com direção de Guto Franco e Murilo Megale. O filme relembra o surgimento de uma torcida do Grêmio que se notabilizou por ser a primeira 100% gay do país, criada durante a ditadura militar.

    Por fim, o Troféu Museu da Pelada teve como ganhador Várzea, documentário com a direção de D’Andrade. A obra retrata memórias do futebol amador jogado nos campos de terra batida – a chamada várzea – e o desaparecimento desses espaços.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Totalização dos votos é aberta, auditável e segura, diz TSE

    Totalização dos votos é aberta, auditável e segura, diz TSE

    Com a aproximação das eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforça os mecanismos de segurança e fiscalização do sistema eletrônico de votação. O secretário de Tecnologia da Informação da corte, Júlio Valente, explicou que o processo de votação e totalização dos resultados é estruturado de forma descentralizada e pública, permitindo a verificação dos dados produzidos em cada seção eleitoral.

    De acordo com Valente, uma das principais características do sistema brasileiro é que a apuração dos votos começa na própria seção eleitoral. Ao fim da votação, a urna eletrônica registra o resultado e imprime o boletim de urna, com os votos recebidos por candidatos e partidos. Uma das vias é afixada no local de votação, e os dados também podem ser conferidos posteriormente no resultado divulgado pela Justiça Eleitoral.

    O secretário explicou que os arquivos com os resultados são retirados da urna e transmitidos por canais criptografados. Antes de serem incorporados à totalização, passam por verificações que confirmam, entre outros pontos, se foram gerados pela urna eletrônica destinada àquela seção e se possuem a assinatura digital correspondente.

    “Não é só receber e somar. Tudo é verificado”, disse Valente.

    Ele ressaltou que partidos, candidatos e instituições fiscalizadoras podem acompanhar as diferentes etapas do processo. Segundo o secretário, o sistema eleitoral oferece atualmente dezenas de oportunidades de fiscalização e auditoria.

    Valente também destacou a biometria como uma das camadas de segurança do processo eleitoral. O mecanismo busca garantir que apenas o eleitor identificado possa liberar a urna para votar. Caso haja algum impedimento para a identificação biométrica, o mesário pode autorizar a votação, deixando registrado o procedimento.

    Recontagem

    Segundo Valente, eventuais questionamentos sobre os resultados podem ser apresentados à Justiça Eleitoral. Caso haja elementos que justifiquem uma recontagem, as urnas e os registros digitais dos votos permanecem preservados e lacrados após a eleição para permitir auditorias.

    Sobre o voto impresso, o secretário lembrou que a implantação do modelo previsto em legislação foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também citou a experiência realizada em 2002, quando a utilização de impressoras provocou problemas técnicos e aumentou a taxa de falhas no sistema.

    Para Valente, a participação de partidos e instituições na fiscalização é fundamental para fortalecer a confiança no processo eleitoral. “O processo eleitoral brasileiro é um dos mais seguros, modernos e auditáveis do mundo”, afirmou.

    Desinformação

    Ao responder às críticas sobre a segurança das urnas eletrônicas, o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júlio Valente, ressaltou que não há registro de fraude comprovada no sistema eletrônico de votação desde sua implantação, em 1996.

    Segundo ele, o modelo substituiu o sistema de votação por cédulas de papel, que apresentava casos documentados de fraudes durante a coleta, a apuração e a guarda dos votos.

    Para Valente, além do histórico de quase 30 anos sem casos comprovados de fraude nas urnas eletrônicas, a possibilidade de fiscalização é um dos principais elementos de segurança do sistema. Segundo o secretário, o processo eleitoral brasileiro conta atualmente com 40 oportunidades de fiscalização e auditoria, permitindo o acompanhamento e a verificação das diferentes etapas da votação e da totalização dos resultados.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas abre votação popular para craque

    Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas abre votação popular para craque

    A partir desta quarta-feira, dia 12 de agosto, o público pode escolher a Craque da Torcida, categoria com votação popular do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas no site lançado pela parceria.

    A iniciativa reconhece a atleta que mais mobiliza e inspira fãs dentro e fora de campo. Cada clube da elite do futebol feminino brasileiro conta com uma representante na votação. A torcida decide qual jogadora receberá esse reconhecimento especial como um dos destaques da temporada.

    A votação aberta e gratuita, sem necessidade de cadastro, permite votos ilimitados. O prazo da escolha vai até 31 de outubro. As três finalistas serão anunciadas no início de novembro e a vencedora será revelada durante a cerimônia de entrega do prêmio, no Museu do Futebol, em São Paulo, no dia 15 de novembro, com transmissão pela TV Brasil.

    Sobre a premiação

    Criada pela TV Brasil e pela Petrobras, a primeira edição do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas vai reconhecer atletas, treinadores e treinadoras, dirigentes, departamentos de futebol feminino e clubes que se destacarem ao longo da temporada de 2026.

    Confira aqui o regulamento.

    A premiação nasce com a proposta de se consolidar como a principal honraria exclusiva dedicada à modalidade no país. O prêmio pretende valorizar o desempenho esportivo, as boas práticas de gestão, a responsabilidade social e a visibilidade das protagonistas do futebol feminino dentro e fora de campo.

    Antonia Pellegrino, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que faz a gestão da TV Brasil, observa que a emissora pública se consolidou nos últimos anos como “tela do futebol feminino”, exibindo os principais campeonatos da modalidade e também as categorias de base. Para a presidente da EBC, o prêmio reforça esse compromisso em um momento decisivo para o esporte, às vésperas da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil.

    “Há poucos anos seria difícil imaginar a mídia pública brasileira ocupando um lugar de protagonismo nas principais conversas sobre o futuro do futebol feminino. Essa posição foi construída porque a TV Brasil decidiu investir na modalidade de forma consistente, muito antes de ela se tornar consenso”, relata.

    “Queremos ajudar a construir um legado para a Copa do Mundo de 2027, valorizando quem faz a história do futebol feminino todos os dias e contribuindo para que a modalidade ocupe o lugar que merece no esporte e na cultura brasileira”, afirma Pellegrino.

    A campanha do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas tem como mote Celebrando quem faz história no futebol feminino. A estratégia prevê ações ao longo da temporada para aproximar atletas do público, ampliar a identificação com a modalidade, fortalecer a presença do futebol feminino na cultura esportiva brasileira e incentivar a participação das torcidas.

    A cerimônia oficial de entrega do prêmio está prevista para 15 de novembro de 2026, no Museu do Futebol, em São Paulo, com transmissão pela TV Brasil.

    Categorias

    O Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas será concedido para preencher uma lacuna histórica: a inexistência no Brasil de uma premiação exclusiva dedicada ao futebol feminino. A iniciativa estabelece reconhecimento técnico e simbólico, com categorias que vão desde o reconhecimento dos profissionais do gramado e da comissão técnica até distinções institucionais.

    Com exceção da categoria Craque da Torcida, definida exclusivamente por votação popular aberta ao público, e do Prêmio Especial Futebol Feminino Contra o Feminicídio, que será avaliado por um júri técnico específico composto por especialistas, as demais categorias do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas serão escolhidas por meio de votação técnica realizada por representantes dos clubes da elite do futebol feminino brasileiro.

    O colégio eleitoral das categorias técnicas será composto por três representantes de cada clube: a capitã da equipe, o(a) treinador(a) e um(a) dirigente responsável pelo departamento de futebol feminino. Cada votante participará individualmente da escolha das atletas e profissionais nas categorias previstas no regulamento, observando os critérios, posições e demais regras estabelecidas para cada premiação.

    A categoria Craque da Torcida seguirá dinâmica própria: cada clube terá uma atleta representante na disputa, e a vencedora será definida exclusivamente pelos votos do público, registrados por meio da plataforma oficial do Prêmio.

    Já a categoria especial relacionada ao enfrentamento ao feminicídio terá processo de avaliação independente, conduzido por júri técnico formado por especialistas, de acordo com critérios específicos estabelecidos pela organização do Prêmio.

    Entre as categorias do Prêmio estão:

    • Melhor Jogadora da Temporada em Competições Nacionais,
    • Artilheira da Temporada em Competições Nacionais,
    • Jogadora Revelação em Competições Nacionais,
    • Melhor Treinadora ou Treinador em Competições Nacionais,
    • Gol Mais Bonito em Competições Nacionais,
    • Departamento de Futebol Feminino da Temporada,
    • Seleção da Temporada, formada por 11 jogadoras distribuídas por posição.

    A premiação também contará com o Prêmio Especial Futebol Feminino Contra o Feminicídio, destinado a reconhecer ações de clubes no enfrentamento à violência contra a mulher.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Câmara aprova redução de impostos para combustíveis e outros setores

    Câmara aprova redução de impostos para combustíveis e outros setores

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que estabelece redução de alíquotas de tributos federais sobre a importação, a produção e a comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. Foram 318 votos favoráveis, 113 contrários e uma abstenção.

    O texto agora vai para votação no Senado. O objetivo da medida é mitigar os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis decorrente da guerra dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã no Oriente Médio, que fechou a principal rota de exportação do petróleo na região, impactando e fortes oscilações na cotação do barril.

    A perda de arrecadação, de acordo com o texto, será compensada pelo aumento extraordinário de receitas da União obtidas  por causa do aumento no valor do petróleo, que ampliou os royalties e outras participações desde o início do ano.

    “Somente entre janeiro e março de 2026, a arrecadação federal chegou a R$ 28 bilhões, contra R$ 9 bilhões no mesmo período em 2025, um crescimento real superior a 200%”, destacou a relatora do projeto, Marussa Boldrin (Republicanos-GO).

    Marussa apresentou um substitutivo ao texto original, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-SP), ampliando ainda mais o alcance da proposta para além do setor de combustíveis derivados do petróleo. Os benefícios fiscais passaram a incluir o setor de etanol, de fertilizantes agrícola, de pesquisa de minerais críticos e terras raras, além da desoneração fiscal para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, em 2027.

    A inclusão do etanol e biocombustível busca impedir que subsídios à gasolina ou ao diesel eliminem a vantagem tributária dos combustíveis não fósseis. A diferença deverá ser equivalente à praticada antes do conflito, tanto em termos percentuais quanto absolutos por unidade de medida. Se a tributação federal da gasolina cair 30% ou mais, as alíquotas do etanol serão reduzidas a zero.

    Neste ano, o governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado para garantir a diferenciação nos preços da gasolina e do etanol. Produtores de etanol, inclusive cooperativas, poderão compensar até R$ 750 milhões em débitos com a Receita Federal.

    A compensação será feita por meio de saldos credores da contribuição para o PIS/Pasep da Cofins. O valor será proporcional ao percentual de produção de etanol hidratado em 2025 dos contribuintes habilitados.

    Entre as medidas para os produtores rurais, o texto reduz de 50% para 30% o limite da receita com exportação para que a empresa possa se enquadrar na suspensão do pagamento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS). 

    A União poderá conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para a produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores e bioinsumos entre 2027 e 2031. Os créditos serão de até R$ 1 bilhão por ano. O valor corresponderá a até 20% dos gastos com produção de fertilizantes e matérias-primas em território nacional.

    As mercadorias destinadas a projetos de desenvolvimento da indústria de fertilizantes e matérias-primas ficarão isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). A renúncia de receita deverá ser de até R$ 200 milhões por ano.

    A proposta também prevê medidas como regras para a destinação de recursos a hospitais inteligentes de alta complexidade e benefício fiscal para a Fifa pela realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será sediada no Brasil.

    Acordo com o governo

    A votação deste Projeto de Lei Complementar foi viabilizada após acordo do governo com lideranças do Congresso Nacional, com participação dos ministérios do Planejamento e da Fazenda. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram no Palácio da Alvorada para definir as prioridades legislativas deste período de esforço concentrado no Parlamento.

    Também participaram do encontro o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães e a líder do governo do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

    O Congresso Nacional retomou a agenda legislativa essa semana, após o recesso parlamentar, em um esforço concentrado para votar proposições em plenário e nas comissões. De acordo com os presidentes da Câmara e do Senado, serão duas semanas de esforço concentrado antes das eleições: entre 10 e 14 de agosto, e entre 31 de agosto e 3 de setembro.

    *Com informações da Agência Câmara.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br