Autor: Redação Qnews

  • Saúde estende atuação de 676 médicos especialistas no SUS

    Saúde estende atuação de 676 médicos especialistas no SUS

    O Ministério da Saúde publicou nesta semana um extrato de adesão para que 676 médicos do Projeto Mais Médicos Especialistas (PMM-E) continuem a trabalhar nos municípios até fevereiro de 2027. Está previsto para dezembro de 2026 um novo edital do programa, que contrata especialistas para atendimento à população e também inclui formação dos profissionais em instituições de ensino e saúde.
    O ministério ressalta que a prorrogação não é automática. Os médicos vinculados ao edital nº 03/2025, cujos contratos venceriam em setembro, precisam cumprir requisitos relacionados ao aprimoramento profissional, ao desempenho das atividades e à regularidade administrativa.
    Também é necessário manifestar interesse em permanecer no programa e obter aprovação dos gestores locais.
    Além da manutenção dos 676 profissionais, outros 451 especialistas começaram a se apresentar na semana passada. De acordo com o ministério, 52% dos especialistas atuam em municípios do interior.
    A pasta destaca que, em alguns locais, os médicos do programa chegam a representar 75% da oferta de determinados serviços especializados.
    Entre os profissionais em atividade, estão aproximadamente 500 anestesiologistas, considerados estratégicos para ampliar a realização de cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS).
    Os profissionais recebem até R$ 20 mil por 20 horas semanais de trabalho ─ 16 horas dedicadas a atividades de assistência e quatro horas para formação e educação permanentes.
    Baixa desistência
    Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, a baixa taxa de desistência dos especialistas mostra que o programa tem se mantido interessante a esses profissionais.
    “Menos de 10% dos participantes desistem de continuar no programa. Vale lembrar que esses profissionais costumam ter várias ofertas de emprego”, destacou Proenço.
    O secretário adjunto de Gestão do Trabalho, Jerzey Timóteo, acrescenta que, com as informações consolidadas a partir das avaliações que vêm sendo feitas, é possível sempre planejar, de forma mais eficiente, os próximos passos do programa.
    “Com o avanço de nossa infraestrutura, precisamos ter atenção também com a formação de novos profissionais. Percebemos que a distância média percorrida para atendimento especializado diminui por conta disso. Esse deslocamento ocorre porque, mesmo estando equipadas, algumas localidades não tinham profissionais capacitados para os exames”, argumentou Timóteo.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Receita arrecada R$ 3,1 bilhões com IR sobre dividendos

    Receita arrecada R$ 3,1 bilhões com IR sobre dividendos

    Principal alternativa do governo para compensar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, a tributação sobre lucros e dividendos continua a arrecadar menos que o previsto. De janeiro a julho, a Receita Federal recebeu R$ 3,145 bilhões com a medida, o equivalente a apenas 18,3% da previsão revisada de R$ 17,2 bilhões para todo o ano.
    A estimativa inicial do governo era arrecadar cerca de R$ 28 bilhões com Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês. O valor foi reduzido para R$ 17,2 bilhões no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, divulgado em julho.
    Do total arrecadado até julho:
    • R$ 2,043 bilhões vieram de dividendos pagos a residentes no Brasil;
    • R$ 1,102 bilhão correspondeu a valores pagos ou remetidos ao exterior;
    • somente em julho, foram arrecadados R$ 906,65 milhões, maior resultado mensal desde o início da cobrança.
    Receita sobe mês a mês
    Apesar de o montante acumulado estar abaixo da previsão anual, a arrecadação vem crescendo ao longo de 2026.
    Os valores passaram de R$ 5,5 milhões em janeiro para R$ 906,65 milhões em julho. A evolução mensal foi:
    • Janeiro: R$ 5,5 milhões;
    • Fevereiro: R$ 151,5 milhões;
    • Março: R$ 306,6 milhões;
    • Abril: R$ 421,5 milhões;
    • Maio: R$ 651,9 milhões;
    • Junho: R$ 701,5 milhões;
    • Julho: R$ 906,65 milhões.
    Fonte: Receita Federal
    A parcela relacionada a dividendos remetidos ao exterior também ganhou peso durante o ano. Em julho, foram arrecadados R$ 419,28 milhões nessa modalidade, contra R$ 5 milhões em janeiro.
    Receita vê incerteza
    O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que ainda não há elementos técnicos suficientes para concluir que a arrecadação esteja abaixo do esperado.
    “Tecnicamente, não há fundamentos para dizer que a arrecadação com IRRF sobre dividendos está abaixo do esperado”, respondeu.
    Segundo Malaquias, a distribuição de lucros pelas empresas não segue um calendário fixo e pode variar ao longo do ano.
    “A distribuição de dividendos é um ato voluntário das empresas, com critérios próprios, e não existe uma data prédeterminada para que as companhias façam a distribuição”, justificou.
    O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita afirmou ainda que as projeções são reavaliadas periodicamente.
    “A base de dividendos que foi considerada na projeção é a base de dividendos que vinha sendo apresentada pelas empresas. Pode ser alterado? Pode. Por isso a cada dois meses fazemos a revisão”, declarou.
    Nova regra
    A tributação dos dividendos começou a valer em 1º de janeiro de 2026, após mudanças promovidas pela Lei 15.270, de novembro de 2025.
    Para pessoas físicas residentes no Brasil, passou a incidir IR de 10% sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa no mesmo mês quando o valor ultrapassa R$ 50 mil a cada 30 dias.
    Para lucros e dividendos pagos, creditados ou remetidos ao exterior, também foi estabelecida alíquota de 10%.
    A mudança foi criada como parte do mecanismo de compensação pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que passou a beneficiar quem recebe até R$ 5 mil por mês, além da redução do imposto para contribuintes com renda mensal de até R$ 7.350.
    Impacto nas contas
    A equipe econômica estimou inicialmente que a ampliação da isenção do IRPF provocaria uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 28,04 bilhões em 2026.
    A tributação dos dividendos foi planejada para compensar parte desse impacto. Entretanto, a arrecadação até julho ainda está distante da previsão anual, mesmo considerando a estimativa revisada de R$ 17,2 bilhões.
    A Receita ressalta, porém, que a arrecadação com dividendos não ocorre de maneira linear. Enquanto o imposto descontado dos salários produz efeitos mensais mais previsíveis, a receita sobre dividendos depende das decisões das empresas sobre quando distribuir seus lucros.
    O ajuste definitivo relacionado ao chamado imposto mínimo sobre altas rendas será feito posteriormente, na declaração anual.
    Revisão em setembro
    Questionado sobre a possibilidade de arrecadar cerca de R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro para alcançar a previsão revisada, Malaquias afirmou que o Fisco seguirá o calendário oficial de acompanhamento das contas públicas.
    “A Receita Federal obedece a esse regramento. Qualquer antecipação feita de informações de natureza fiscal e econômica fora das regras, a Receita estaria extrapolando seu papel institucional”, disse.
    A próxima revisão das projeções ocorrerá na divulgação de setembro do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mortos pela enchente no Nepal e no Tibete sobem para 157, diz polícia

    Mortos pela enchente no Nepal e no Tibete sobem para 157, diz polícia

    O número de mortos pela enchente repentina que atingiu a região fronteiriça do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26), subiu para 157, informou a polícia.
    Uma parede de lama e rochas desabou em um rio na fronteira himalaia entre o Nepal e o Tibete, provocando inundações catastróficas no lado nepalês e deixaram centenas de turistas desaparecidos.
    Em um desastre que ainda estava em andamento, vídeos comprovados mostraram dezenas de pessoas sendo arrastadas, com as autoridades de ambos os lados temendo um número muito maior de vítimas e destruição em grande escala.
    Casas, estradas e projetos de energia foram arrastados no Nepal, enquanto autoridades no Tibete afirmaram temer “um grande número de vítimas”, com algumas pessoas desaparecidas no condado de Gyirong após um deslizamento de terra atingir um posto de fronteira terrestre.
    Relatos iniciais sugeriram que um terremoto na região poderia ter desencadeado uma avalanche e causado as enchentes, disse o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, ao Parlamento do país, segundo a mídia local.
    Pelo menos 384 turistas, incluindo 105 indianos, 93 nepaleses, três cidadãos norte-americanos e 12 britânicos, estavam desaparecidos na região, informou a autoridade de turismo do Nepal.
    A agência de notícias sul-coreana Yonhap informou, separadamente, que cerca de oito de seus cidadãos também estavam desaparecidos no Nepal.
    Alertas de enchentes foram emitidos nos populosos estados de Uttar Pradesh e Bihar, no norte da Índia, uma vez que fazem fronteira com o Nepal e vários rios descem das montanhas para suas planícies.
    Enchente
    Imagens de câmeras de segurança captadas no lado chinês da fronteira entre o Nepal e o Tibete mostraram muitas pessoas fugindo antes que uma parede de rochas, lama e água destruísse prédios, veículos e ceifasse muitas vidas.
    A causa exata do deslizamento de terra não pôde ser determinada imediatamente, mas o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) informou que houve um terremoto de magnitude 4,4 aproximadamente 7 minutos antes do horário indicado nas imagens de segurança.
    Uma avalanche de gelo e rochas no Rio Lhende Khola, no lado nepalês, foi o gatilho, mas a causa ainda não foi confirmada, disse Qianggong Zhang, chefe de Riscos Climáticos e Ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, com sede em Catmandu.
    “Com uma obstrução ainda situada a montante no rio que marca a fronteira entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer”, alertou Qianggong.
    Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas do Nepal, em Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, com uma população de cerca de 50 mil habitantes, segundo autoridades, já que o rio estava transbordando.
    Imagens de televisão mostraram casas destruídas pelas águas da enchente, carros flutuando e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza, enquanto testemunhas relataram à Reuters que as águas engoliram vilas inteiras.
    “Pode haver um grande número de vítimas ou perdas materiais”, disse o administrador distrital Narendra Pariyar, que instou os moradores das margens do Rio Bhote Koshi a se deslocarem para terrenos mais elevados, após relatos de que vilas e locais de obras estavam sendo levados pela correnteza.
    “Há devastação por toda parte”, declarou Tula Bahadur BK, profissional de saúde em Rasuwa, à Reuters.
    “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco dos meus próprios parentes estão desaparecidos”, relatou.
    * Reportagem de Saurabh Sharma, Ruchika Khanna, Sahana Bajracharya, Aftab Ahmed, Liz Lee e Yukun Zhang

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Criminosos usam ônibus em barricadas contra operação policial no Rio

    Criminosos usam ônibus em barricadas contra operação policial no Rio

    Criminosos atravessaram 18 ônibus em ruas de Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em retaliação a uma operação da Polícia Militar realizada na manhã desta quarta-feira (26) nas comunidades do Campinho e do Fubá.
    A ação conjunta das equipes do 9° Batallhão de Polícia Militar (Rocha Miranda) e do 18° BPM (Jacarepaguá) resultou na prisão de quatro suspeitos. O comando da operação informou que homens armados entraram em confronto com as equipes e fugiram para uma região de mata.
    A polícia afirma que “um quinto [suspeito] foi atingido e socorrido ao Hospital Estadual Carlos Chagas e um sexto teria sofrido uma parada cardíaca e não resistiu”.
    De acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus), coletivos usados no transporte urbano foram atravessados nas ruas Clarimundo de Melo e Ernani Cardoso, em Cascadura, e também na Avenida Dom Hélder Câmara. No início desta tarde, havia 33 linhas de ônibus que passam na região com itinerário impactado.
    Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM), o objetivo dos criminosos era “desmobilizar a atuação das equipes”, que reprimiam uma facção criminosa que atua nas comunidades do Campinho, do Fubá, do Morro do 18, da Praça Seca e diversas outras de Jacarepaguá.
    Foram apreendidos uma pistola, uma granada, um rádio comunicador, seis carregadores de fuzis, um carregador de pistola e quantidade de entorpecentes a serem contabilizado, completou a secretaria.
    O policiamento foi reforçado com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e do 3º BPM (Méier). Policiais do Recom também atuam nas regiões atingidas.
    Educação
    A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro informou que, até 12h15, nenhuma escola da rede estadual precisou ser fechada em consequência dos conflitos na região.
    De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, as unidades escolares na região das comunidades do Fubá e do Campinho, “atendem presencialmente” apesar do ocorrido.
    Saúde
    No início da tarde, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que uma unidade de atenção primária suspendeu o início do funcionamento nesta quarta-feira e avalia a possibilidade de abertura nas próximas horas.
    “Outras duas unidades mantêm o funcionamento, porém as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares, estão suspensas”, completou.
    Já as unidades estaduais de saúde, conforme a Secretaria de estado, funcionam normalmente.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Vício em redes sociais: Meta faz acordos de US$18 bi em julgamento

    Vício em redes sociais: Meta faz acordos de US$18 bi em julgamento

    A Meta acertou acordos para promover mudanças no Facebook e no Instagram e pagar até US$18 bilhões para encerrar acusações de estados dos Estados Unidos de que teria projetado suas plataformas de mídia social para causar dependência em crianças e enganado o público sobre a segurança delas.
    Os acordos anunciados nesta quarta-feira (26) encerram um processo judicial que vinha sendo um dos testes de maior repercussão sobre as alegações de que as empresas de mídia social prejudicam crianças.
    “O foco deste caso era proteger nossas crianças”, disse o procurador-geral do Colorado, Phil Weiser, em comunicado.
    “A reparação que estamos obtendo neste acordo é muito significativa e vai muito além do que qualquer tribunal já ordenou ou provavelmente ordenará.”
    A Meta concordou, ao longo da próxima década, em restringir o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes a duas horas por dia e bloquear o uso por completo, da meia-noite às 6h, sem o consentimento dos pais.
    Esses limites poderão ser reforçados caso outras empresas de mídia social adotem termos semelhantes. A Meta também aprimorará medidas para impedir que crianças acessem conteúdo restrito por idade.
    O acordo não exige que a Meta — que negou qualquer irregularidade — abandone as recomendações personalizadas ou a publicidade direcionada. O valor total do acordo representa cerca de três a quatro meses de lucro para a empresa.
    “Garantir que os adolescentes tenham uma experiência segura e produtiva em nossas plataformas é um imperativo absoluto para a Meta”, afirmou a empresa.
    “Queremos fazer o que é certo para os pais e adolescentes.”
    Experiência online
    Os acordos incluem mais de US$ 17,6 bilhões em pagamentos a 48 estados dos EUA, Washington (D.C.), Porto Rico, Samoa norte-americana e Ilhas Marianas do Norte.
    A Meta também pagará US$ 459 milhões para resolver as reivindicações dos estados norte-americanos relacionadas à privacidade no escândalo da Cambridge Analytica, em que a consultoria britânica coletou dados pessoais de milhões de usuários do Facebook.
    A Califórnia receberá o maior valor: US$ 2,2 bilhões. Nova York e o Texas ficarão com mais de US$ 1 bilhão cada.
    Parte do pagamento depende da imposição, por parte do YouTube, da Alphabet, e do TikTok, da ByteDance, de proteções semelhantes para crianças. Nenhuma dessas empresas estava disponível para comentar a condenação judicial.
    “Isso é muito importante”, disse James Speta, professor de Direito da Universidade Northwestern especializado em políticas de telecomunicações e internet.
    “A Meta e outras empresas estavam enfrentando pressão para mudar suas práticas comerciais, independentemente de perderem ou não os processos, tanto do público quanto do Congresso e das legislaturas estaduais”, continuou ele.
    “Essas restrições mudarão a experiência no Instagram e no Facebook, e foram concebidas para reduzirem o engajamento.”
    O acordo precisa da aprovação da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, que supervisionou o julgamento iniciado em 18 de agosto.
    O chefe do Instagram, Adam Mosseri, já havia começado a depor, e esperava-se que o presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, também prestasse depoimento.
    As ações da Meta subiam 2,2% às 12h45, no horário de Brasília.
    Crise de saúde mental
    As empresas de mídia social enfrentam uma ampla onda de ações judiciais movidas por estados, governos locais, distritos escolares e indivíduos que as acusam de alimentar uma crise de saúde mental entre os jovens, causando danos como ansiedade, depressão e suicídio.
    Meta, YouTube, TikTok e Snapchat, da Snap, ainda enfrentam milhares de processos em tribunais federais e estaduais nos EUA, nos quais se alega que elas tentaram, conscientemente, tornar as crianças viciadas em suas plataformas.
    O processo contra a Meta incluiu alegações da Califórnia, do Colorado, de Kentucky e de Nova Jersey de que a empresa violou leis estaduais de proteção ao consumidor.
    Também incluiu alegações de 29 estados de que a companhia violou a Lei Federal de Proteção à Privacidade Online das Crianças ao coletar, conscientemente, dados pessoais de crianças sem o consentimento dos pais e ao usar esses dados para treinar IA generativa.
    A Meta há muito argumentava que não poderia ter induzido os consumidores em erro, pois o “vício em redes sociais” não era uma condição psiquiátrica reconhecida.
    Antes do início do julgamento, a Meta afirmou que Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey estavam buscando penalidades de até US$ 1,4 trilhão. Os estados sugeriram que o valor estaria mais próximo de US$ 200 bilhões.
    Milhares de ações
    A juíza Gonzalez Rogers ainda supervisiona milhares de ações judiciais movidas por pessoas físicas, distritos escolares e governos estaduais e municipais dos EUA que acusam empresas de redes sociais de causar danos a crianças.
    A própria Meta ainda enfrenta milhares de ações judiciais movidas por pessoas físicas, distritos escolares e municípios. Os próximos julgamentos estão marcados para outubro, em Los Angeles.
    No início deste ano, a Meta perdeu ambas as fases de um processo judicial histórico em que o estado do Novo México a acusou de enganar os consumidores sobre a segurança de suas plataformas.
    Em março, um júri condenou a Meta a pagar US$ 375 milhões, e, em 6 de agosto, um juiz determinou que ela pagasse mais US$ 567 milhões e implementasse medidas de segurança para jovens, concluindo que a companhia causou perturbação da ordem pública.
    Também em março, um júri de Los Angeles considerou Meta e Google negligentes no projeto de suas plataformas e ordenou que pagassem US$ 6 milhões a uma mulher de 20 anos que afirmou ter se tornado viciada no Instagram e no YouTube ainda criança e ter sofrido de ansiedade e depressão.
    Meta e Google afirmaram que vão recorrer dessas sentenças.
    Novo México e Flórida não fizeram parte dos acordos firmados nesta quarta-feira.
    “Os pagamentos aos estados são uma ninharia em comparação com os danos profundos que os recursos viciantes da Meta, orientados pelo lucro, causaram às nossas crianças”, disse o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, em comunicado. “Nos veremos no julgamento.”

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Degelo e seca avançam sobre Ásia Central e pequenos países insulares

    Degelo e seca avançam sobre Ásia Central e pequenos países insulares

    Dois relatórios lançados nesta quarta-feira (26) alertam que os pequenos países insulares em desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês) e a Ásia Central estão sofrendo pressões sem precedentes sobre recursos hídricos, saúde do solo e clima.
    No total, são mais de 50 países e territórios afetados. As duas publicações foram apresentadas oficialmente na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.
    Os textos fazem parte do Global Land Outlook (GLO), principal publicação da convenção das Nações Unidas sobre a terra (UNCCD). O documento geral teve duas versões até agora, o GLO1 de 2017 e GLO2 de 2022, e seis relatórios regionais. Entre elas, o da América Latina.
    Ásia Central
    A Ásia Central é formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. A imagem de outros tempos, de estepes vastas e oásis férteis, está deixando de existir.
    A região é considerada um dos epicentros mundiais da degradação do solo. Mais de 80 milhões de hectares, ou mais de um quarto, já estão degradados. O problema atinge 30% da população ou 24 milhões de pessoas. O cálculo da UNCCD é de que, a cada ano, essa degradação provoque perdas entre dois e seis bilhões de dólares.
    A Ásia Central também está aquecendo duas vezes mais do que a média global. As geleiras, que antes eram as “torres de água” da região, encolheram 30% em apenas cinquenta anos.
    Países insulares
    Os SIDS incluem 39 países e 18 territórios no Caribe, oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, além do Mar do Sul da China. Cerca de 18,8 milhões de hectares de terra, ou 16,5% de sua área total combinada, estão degradados em diferentes graus, ligeiramente acima da média global.
    Mais de 70% deles enfrentam problemas de escassez de água e 43% da área total estão sendo afetados pela seca. Desses, 3% sofreram seca severa e 6% seca extrema. A área total afetada pela seca extrema aumentou 30% entre os períodos de 1961/1970 e 2014/2023.
    Estima-se que 16,3 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar grave, com 11,5 milhões de pessoas subnutridas.
    Estes países recebem cerca de US$ 2 bilhões em financiamento público para adaptação por ano, o que equivale a aproximadamente 0,2% do financiamento climático global total. Os pesquisadores estimam que os países precisarão de pelo menos US$ 11,7 bilhões anualmente para fins de adaptação, quase seis vezes o nível atual de financiamento.
    A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, disse que apesar das diferenças, tanto Ásia Central como os SIDS mostram vulnerabilidades, mas ainda estão em situação possível de melhora.
    “ A prioridade agora é acelerar esse progresso, ao investir na gestão responsável da terra, fortalecendo a cooperação regional e internacional e garantindo que as pessoas e os ecossistemas permaneçam no centro das decisões de desenvolvimento”, afirma Yasmine.
    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Morre, em Salvador, o poeta e ativista Luis Turiba

    Morre, em Salvador, o poeta e ativista Luis Turiba

    Morreu na madrugada desta quarta -feira (26), em Salvador (BA), o poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba. O escritor morreu em casa, aos 76 anos de idade, devido a complicações graves de saúde. A família ainda não divulgou informações acerca do velório e enterro.
    Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma obra ampla, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais, como a letra da canção Bico da Torre, musicada por Renato Matos e gravada por Zélia Duncan (então Zélia Cristina) e por Célia Porto.
    Flamenguista, deixou em seu livro, Luminares (1983), uma espécie de manual de despedida, um roteiro de velório, bem a seu estilo: irônico, despojado e afetuoso. “Coloquem Imagine na vitrola / retirem—lhe o coração em frangalhos / e enterrem-no enrolado na bandeira do Flamengo / Quanto ao resto / corpo — subproduto da vida / qualquer cerimônia (simples) cabe / Afinal a morte é sempre um gol de placa / aos 45 minutos / do segundo tempo da existência / No mais: —foi bom ponta-de-lança / Comemorem pois nada disso lhe pertence mais.
    Trajetória
    Luiz Artur Toribio, ou simplesmente Turiba, nasceu no Recife (PE), em 1950, mas mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde tornou-se militante do movimento estudantil. Ex-membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi impedido de terminar seus estudos na Escola Técnica Nacional Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) durante a ditadura civil-militar (1964/1985).
    Prestes a completar 18 anos, foi preso por determinação da Justiça Militar, que o condenou a seis meses de prisão por alegada participação em “atividades subversivas”. Segundo ele, ao ser detido, agentes do antigo Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), órgão de repressão subordinado ao Exército, o torturaram física e psicologicamente.
    Lançou seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, em 1977. Ainda no Rio de Janeiro, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
    Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
    Entre 1985 e 2022, Turiba editou, em Brasília, a revista cultural Bric-a-Brac. Lançada em meio aos estertores da ditadura militar e à campanha pela retomada do direito da população a votar para presidente da República, a publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como os músicos Caetano Veloso e Paulinho da Viola; a psiquiatra Nise da Silveira; o poeta Manoel de Barros, entre outras personalidades.
    Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Voltou a se estabelecer no Rio de Janeiro, mas vivia em trânsito, entre as capitais fluminense, baiana e Brasília, onde amigos estão se mobilizando para homenageá-lo com um encontro no bar e restaurante Beirute, tradicional reduto da boemia brasiliense, para ler os poemas do “amigo poeta”, neste sábado (29) à tarde.
    Repercussão
    Para o poeta Nicolas Behr, um dos maiores legados culturais deixados por Turiba é justamente a revista Bric-a-Brac.
    “Ela foi uma publicação que entrou para a história das revistas literárias por ter sido muito inovadora, tanto do ponto de vista gráfico, quanto de conteúdo, com entrevistas muito importantes”, disse Behr a Agência Brasil, lembrando que Turiba também participou do Concerto Cabeças, movimento artístico que reuniu, no fim da década de 1970, escritores, músicos, produtores culturais, artistas gráficos, estudantes e intelectuais que promoviam, regularmente, eventos culturais nas ruas da capital federal, com a presença de nomes como Oswaldo Montenegro, Cássia Eller, Renato Matos, Liga Tripa e Mel da Terra.
    Behr também destacou o engajamento jornalístico do amigo.
    “Ele participou da resistência [à ditadura] e da redemocratização. Depois, participou do [famoso bloco carnavalesco de Brasília] Pacotão. O Turiba era um agitador cultural, uma pessoa que vai ser lembrada como alguém alegre, criativo, engajado. Um poeta agregador, do coletivo”, acrescentou Behr.
    Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou o falecimento de Turiba. Para a entidade, o escritor, um “brasiliense por adoção”, tornou-se um “ícone inestimável da nossa imprensa e da cultura local, o que lhe rendeu o merecido título de Cidadão Brasiliense”.
    “Com a certeza de que o exemplo e as palavras de Turiba continuarão inspirando cada profissional que luta por um jornalismo livre e democrático, expressamos nossa solidariedade aos seus filhos, netos, familiares e amigos”, acrescentou o sindicato.
    * Matéria atualizada às 12h48min. para acréscimo de informações.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Febre do Nilo Ocidental: não há motivo para pânico, diz médico

    Febre do Nilo Ocidental: não há motivo para pânico, diz médico

    A febre do Nilo Ocidental não é uma doença comum no Brasil, mas é conhecida na África há pelo menos 90 anos. Segundo o médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Furtado da Costa, apesar de casos confirmados e até uma morte causada pela doença, a maioria absoluta dos quadros é leve e menos de 1% evolui para a forma grave.
    “Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal. Vamos aguardar os estudos e resultados, mas sabendo que não é só entrar em contato com aves que você vai pegar a doença.”
    A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, grupo que também inclui aqueles responsáveis pela dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
    A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito do gênero Culex, como pernilongo ou muriçoca, que adquire o vírus ao se alimentar de aves infectadas.
    A infecção pode não provocar sintomas. Estima-se que cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvem manifestações clínicas, que, na maioria, são brandas.
    Entre os sintomas que podem surgir estão:
    – febre e mal-estar;
    – falta de apetite;
    – náuseas e vômitos;
    – dor de cabeça;
    – dor muscular;
    – dor nos olhos;
    – manchas na pele;
    – aumento dos gânglios linfáticos;
    – confusão mental;
    – rebaixamento do nível de consciência;
    – tremores ou convulsões.
    Contágio e tratamento
    “Os mosquitos picam as aves infectadas – os reservatórios do vírus – e, picando o ser humano, podem transmitir a doença. Os sintomas são muito parecidos com os de arboviroses como dengue, zika, que são vírus ‘primos’”, explicou Costa.
    Os quadros podem variar desde uma febre passageira até formas mais graves, causando encefalite, meningite ou outras alterações neurológicas. Nesses casos, é necessária avaliação médica imediata e, quando indicado, hospitalização.
    Nos casos graves pode ser necessária internação hospitalar e atendimento em unidade de terapia intensiva. O tratamento pode incluir reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir e tratar complicações.
    O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais, em pessoas que apresentem sintomas compatíveis e tenham histórico de exposição a áreas com presença do mosquito.
    Não existe vacina nem tratamento antiviral específico disponível para a febre do Nilo Ocidental em humanos. O controle do quadro é direcionado aos sintomas, com repouso, hidratação e acompanhamento médico, conforme a necessidade de cada paciente.
    “Ainda não há estudo idealizando uma vacina para essa doença, que tem um número muito pequeno de casos pelo mundo, totalmente diferente de outras arboviroses com um número bem maior de casos como zika e dengue”, acrescentou o infectologista.
    Casos
    Uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, são os dois casos confirmados no estado de São Paulo, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP).
    A primeira informou que viajou recentemente para a região amazônica, mas já está curada. A segunda está internada sob cuidados médicos. Esta é a primeira vez que o estado de São Paulo registra casos humanos da doença.
    “As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção”, disse a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini.
    Segundo o Ministério da Saúde, também foram confirmados dois casos em Santa Catarina, com um deles evoluindo para a morte, e há um caso provável no Piauí. Diante disso, a pasta informou que mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar casos e possíveis áreas de transmissão.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Guerra, tarifas e menos imposto a ricos geram dívida recorde nos EUA

    Guerra, tarifas e menos imposto a ricos geram dívida recorde nos EUA

    A dívida pública recorde nos Estados Unidos (EUA), que ultrapassou os US$ 40 trilhões pela primeira vez na história, foi motivada, principalmente, pela redução de impostos para os ricos, pela inflação causada pela guerra no Oriente Médio – que pressionou o preço dos combustíveis –, e pelas tarifas à importação do governo de Donald Trump.
    A avaliação é de economistas consultados pela Agência Brasil, que acrescentam como fatores para a dívida recorde: a manutenção dos elevados gastos militares, próximo a US$ 1 trilhão, e o aumento dos gastos com juros da dívida, que chegou a US$ 1,1 trilhão, montante que é mais que o dobro de 2021, quando os juros consumiram US$ 419 bilhões dos contribuintes.
    Entre as razões para o aumento dos juros, estaria a inflação causada pela guerra e o “risco Trump” motivado pela política agressiva da Casa Branca, que causa incertezas no mercado, como no caso do conflito tarifário com o Canadá. Os especialistas sustentam que essa política pressiona os juros cobrados pelos títulos do Tesouro estadunidense.
    Apesar do número impressionante de US$ 40 trilhões, que dobrou desde 2017, os economistas rejeitam que os EUA estejam em risco de insolvência, quando não se consegue pagar o que se deve. Além disso, alertam que a situação fiscal da potência econômica tende a pressionar o Brasil a manter as taxas de juros em nível elevado.
    Solvência
    O professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos destacou que o número de US$ 40 trilhões não indica risco de insolvência porque, entre outros motivos, os EUA emitem a própria moeda e têm o dólar como principal reserva monetária do planeta.
    “Um governo assim não quebra contra a vontade. Se o mercado não quiser esses títulos ao preço corrente, o FED [Federal Reserve, o Banco Central dos EUA] pode comprá-los. Foi o que fez em 2020, quando expandiu o balanço em quase US$ 3 trilhões em três meses. E foi o que fez entre 1942 e 1951, quando travou o juro dos títulos longos em 2,5%”, explicou.
    Após o anúncio da dívida pública recorde, a Secretaria de Tesouro dos EUA se apressou em comunicar o aumento das operações para compra de títulos no mercado, que deve dobrar de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro.
    O economista e doutor em história Pedro Faria ponderou à Agência Brasil que o valor de US$ 40 trilhões, em si, “não diz muita coisa” sobre a capacidade de pagamento dos EUA.
    “A gente sempre compara com o tamanho do país e com a realidade econômica ao redor. É uma realidade das principais economias desenvolvidas estarem em déficit desde 2008”, comentou Faria, que é associado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
    Juros dos títulos sobem
    Desde o final da 2ª Guerra Mundial, os títulos do Tesouro dos EUA são considerados o ativo “mais seguro” no mundo. Segundo o professor Pedro Bastos, ainda não há desconfiança no mercado em relação a capacidade de pagamento da dívida pelos EUA.
    “Os estrangeiros continuam comprando. O que subiu foi o preço cobrado, não a recusa em comprar”, pontuou, acrescentando que dois terços da dívida no mercado estão em mãos domésticas nos EUA e US$ 4,5 trilhões estão no próprio FED, o que reduz riscos de insolvência.
    Além disso, US$ 8 trilhões da dívida estão nas mãos do próprio governo, com US$ 32 trilhões no mercado: “O mercado detém cerca de 100% do PIB em dívida, similar ao recorde de 106% de 1946, ao fim da 2ª guerra”, acrescentou o especialista da Unicamp.
    O único risco de calote dos EUA seria político, quando o Congresso se recusa a autorizar o aumento do teto da dívida, mas o professor Pedro Paulo Zahluth Bastos alertou também para o problema dos gastos crescentes com juros.
    “O único risco ligado à dívida hoje é o de juros longos mais altos. Mas a causa imediata não é o tamanho da dívida. É a inflação, puxada pelo petróleo do conflito no Oriente Médio e pelas tarifas”, explicou.
    Em apenas cinco meses, a dívida cresceu US$ 1 trilhão, superando as expectativas de analistas. O Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO) calculava chegar aos US$ 40 trilhões apenas em 2027.
    Corte de imposto no topo
    A política econômica focada no corte de impostos para os ricos, adotada nos dois mandatos de Trump, motivou parte do aumento do endividamento ao reduzir a arrecadação, explicou o economista Pedro Faria.
    “O Trump aposta nessa política característica dos republicanos, que é tirar a tributação dos ricos sob a justificativa de tentar expandir a economia. O que se vê é um aumento do endividamento dos EUA no governo Trump 2 por conta dessa abordagem de política econômica”, explicou.
    Em 2025, o governo Trump aprovou projeto com mais corte de impostos para ricos que aumentaram a previsão do déficit dos EUA em US$ 4,7 trilhões em 10 anos, ao mesmo tempo que cortou US$ 1 trilhão da saúde pública nesse período.
    O professor da Unicamp Pedro Bastos acrescentou que a menor tributação dos ricos nos EUA tem contribuído ainda para concentrar a renda do país, sendo a dívida recorde um sintoma do conflito pela distribuição dessa riqueza dentro dos EUA.
    “A receita do imposto sobre lucros caiu 23% neste ano fiscal. Já os juros vão para quem tem títulos: fundos, bancos e as famílias mais ricas. O 1% mais rico detém metade das ações do país”, comentou Bastos.
    O especialista da Unicamp argumentou que os EUA não gastam demais, mas arrecadam de menos. A carga tributária nos EUA é de cerca de 25% do PIB, contra 34% na média da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne países entre os mais desenvolvidos do mundo).
    Risco Trump
    Para o especialista Pedro Faria, do Instituto Economias, o que pode preocupar o Tesouro dos EUA é a tendência, observada entre governos, Estados e empresas em todo o mundo, de reduzir o uso de títulos dos EUA como opção para manter a liquidez da economia.
    “Diversos governos têm reduzido o estoque de títulos dos EUA, como Brasil e China. Isso porque veem a política econômica da Casa Branca como errática e não muito racional. Os agentes econômicos têm medo de se expor a sanções ou ter os ativos congelados, como ocorreu diversas vezes”, comentou.
    Para o economista da Unicamp Pedro Bastos, os juros mais altos cobrados pelos títulos dos EUA é a resposta do mercado aos ataques do governo Trump aos pilares que dão confiança a esses papéis: um FED autônomo, tribunais judiciais independentes e aliados sendo tratados como aliados.
    “Por exemplo, o uso do acesso ao mercado americano como chantagem [tarifaços]. Os bancos centrais compram ouro em ritmo recorde desde 2022 por isso, não pelo tamanho da dívida. Se a dívida um dia virar problema, não será por chegar a US$ 40 trilhões ou US$ 50 trilhões. Será porque a política destruiu o que a tornava desejada”, completou.
    Para o especialista, é o “risco Trump” que pressiona o rendimento dos títulos públicos de 30 anos dos EUA, que alcançaram 5,33% em 18 de agosto, o maior nível desde 2007. Esse nível de juros dos títulos longos é o que pressiona os gastos com a dívida do país norte-americano.
    Apesar dos juros mais altos cobrados pelos títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA, Bastos avalia que o mercado segue investindo nos papéis do Estado do país norte-americano.
    “A China reduziu o estoque de títulos dos EUA de US$ 1,3 trilhão, em 2013, para US$ 700 bilhões, e nada aconteceu. O dólar ainda responde por 57% das reservas mundiais, o euro por 20% e o yuan por 2%”, ponderou.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Inundação repentina na fronteira entre Nepal e Tibete deixa 95 mortos

    Inundação repentina na fronteira entre Nepal e Tibete deixa 95 mortos

    Uma parede de lama e rochas desabou em um rio na fronteira himalaia entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26), provocando inundações catastróficas no lado nepalês que mataram pelo menos 95 pessoas, segundo a polícia, e deixaram centenas de turistas desaparecidos.
    Em um desastre que ainda estava em andamento, vídeos comprovados mostraram dezenas de pessoas sendo arrastadas, com as autoridades de ambos os lados temendo um número muito maior de vítimas e destruição em grande escala.
    Casas, estradas e projetos de energia foram arrastados no Nepal, enquanto autoridades no Tibete afirmaram temer “um grande número de vítimas”, com algumas pessoas desaparecidas no condado de Gyirong após um deslizamento de terra atingir um posto de fronteira terrestre.
    Relatos iniciais sugeriram que um terremoto na região poderia ter desencadeado uma avalanche e causado as enchentes, disse o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, ao Parlamento do país, segundo a mídia local.
    Pelo menos 384 turistas, incluindo 105 indianos, 93 nepaleses, três cidadãos norte-americanos e 12 britânicos, estavam desaparecidos na região, informou a autoridade de turismo do Nepal.
    A agência de notícias sul-coreana Yonhap informou, separadamente, que cerca de oito de seus cidadãos também estavam desaparecidos no Nepal.
    Alertas de enchentes foram emitidos nos populosos estados de Uttar Pradesh e Bihar, no norte da Índia, uma vez que fazem fronteira com o Nepal e vários rios descem das montanhas para suas planícies.
    Enchente
    Imagens de câmeras de segurança captadas no lado chinês da fronteira entre o Nepal e o Tibete mostraram muitas pessoas fugindo antes que uma parede de rochas, lama e água destruísse prédios, veículos e ceifasse muitas vidas.
    A causa exata do deslizamento de terra não pôde ser determinada imediatamente, mas o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) informou que houve um terremoto de magnitude 4,4 aproximadamente 7 minutos antes do horário indicado nas imagens de segurança.
    Uma avalanche de gelo e rochas no Rio Lhende Khola, no lado nepalês, foi o gatilho, mas a causa ainda não foi confirmada, disse Qianggong Zhang, chefe de Riscos Climáticos e Ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, com sede em Catmandu.
    “Com uma obstrução ainda situada a montante no rio que marca a fronteira entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer”, alertou Qianggong.
    Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas do Nepal, em Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, com uma população de cerca de 50 mil habitantes, segundo autoridades, já que o rio estava transbordando.
    Imagens de televisão mostraram casas destruídas pelas águas da enchente, carros flutuando e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza, enquanto testemunhas relataram à Reuters que as águas engoliram vilas inteiras.
    “Pode haver um grande número de vítimas ou perdas materiais”, disse o administrador distrital Narendra Pariyar, que instou os moradores das margens do Rio Bhote Koshi a se deslocarem para terrenos mais elevados, após relatos de que vilas e locais de obras estavam sendo levados pela correnteza.
    “Há devastação por toda parte”, declarou Tula Bahadur BK, profissional de saúde em Rasuwa, à Reuters.
    “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco dos meus próprios parentes estão desaparecidos”, relatou.
    * Colaboraram Sahana Bajracharya, Aftab Ahmed, Liz Lee e Yukun Zhang

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br