Categoria: Brasil

  • Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

    Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

    “Populações são essenciais para a preservação do território”, afirmam

    “Mulheres em resistência, em defesa dos nossos corpos e dos nossos territórios. Que não sejam tocados, não sejam violados, não sejam mortos! A força da terra está dentro de nós.”

    Com o manifesto, treze mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia encerraram a última edição do TEDxAmazônia, realizado pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades de Banos e Puyos, no Equador. À frente do grupo, a anciã sábia do povo Shuar Catalina Chumpi, pediu às águas das cachoeiras que dêem poder às suas “netas” para defender seus territórios. 


    Brasília (DF), 04/09/2026 - TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    TEDxAmazonia reúne líderes indígenas: populações que vivem na Amazônia são essenciais para preservação do território, e devem ser protegidas. Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    O manifesto das mulheres e o pedido de Catalina reverberam a mensagem de abertura do encontro, realizado entre os dias 27 e 30 de agosto. O líder indígena do povo Shuar, Domingos Peas, pediu um minuto de silêncio por todas as defesoras e defensores da natureza assassinados em represália por seu trabalho. 

    De acordo com o último relatório divulgado pela organização Global Witness, os povos da Amazonia se encontram em uma intersecção letal: a América Latina é o continente onde mais se matam defensores ambientais, e os líderes indígenas são os mais vitimados. 

    O oposto desse cenário trágico é um apontamento para o futuro: as populações que vivem na Amazônia são essenciais para a preservação do território, e devem ser protegidas e ter o seu protagonismo garantido, defenderam diversas palestrantes do TEDXAmazonia. 

    De acordo com a líder do povo Kichwa, Patricia Gualinga, isso passa pela incorporação legal da cosmovisão indígena sobre a natureza como um sujeito em si mesmo, e não uma fonte passiva de recursos para os humanos. A “selva viva”, em suas palavras, “com memória, com alma, com direitos, um sujeito próprio”.  

    “Para nós, a natureza sempre teve direitos. Por isso, os lugares mais bem cuidados estão nos territórios indígenas, porque nós entendemos que não somos os únicos habitantes do planeta”, declarou a integrante do Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas durante sua apresentação no evento.

    “Quando eu era criança aprendi que a floresta respirava e agora que sou adulta sigo acreditando que a floresta respira. É uma proposta ao mundo de reconhecer o território como um ser vivo. Aprender uma língua que nossos povos falam há milhares de anos”, complementou a juiza do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza. 

    Ela destacou que, em 2008, o Equador deu um passo histórico nesse sentido, e se tornou o primeiro país do mundo a definir em sua Constituição que a natureza tem direitos equivalentes às pessoas, “uma mudança paradigmática”. Uma aplicação desse entendimento, em 2024, proibiu a mineração na Floresta Los Cedros, porque a atividade violaria os direitos da natureza do local. 

    Decisões pontuais semelhantes ocorreram em outros países, como o reconhecimento dos direitos do Rio Atrato, na Colômbia, e do Rio Maranhão, no Peru. De acordo com Patrícia, é preciso avançar para o reconhecimento de territórios inteiros e não somente de pontos específicos, como rios e florestas. 

    Mas o maior desafio é a aplicação desses direitos, após a obtenção da garantia legal. “Uma constituição não vai regenerar por si mesma uma floresta, uma sentença não vai sanear um rio. Nós precisamos de políticas públicas, de transformações profundas na economia global, de instituições firmes”, defendeu Patricia Gualinga. 


    Brasília (DF), 04/09/2026 - Diana Chavez na TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    Diana Chavez diz que mudanças concretas dependem da participação efetiva dos povos indígenas na governança de fundos. Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    A diretora de Comunas, Povos e Nacionalidades do Fundo do Biocorredor Amazônico, Diana Chavez, reivindicou também recursos e poder de decisão sobre eles. Para ela, mudanças concretas dependem da participação efetiva dos povos indígenas na governança de fundos e outras fontes financeiras de ações para a conservação da floresta. 

    “No Equador há um fundo abastecido por recursos da mineração e do petróleo. Ele existe há seis anos sem que os povos indígenas consigam acesso a ele de maneira direta. Por quê? Burocracia, requisitos excessivos, mudanças na adiministração e nas normativas. Porque esse fundo foi desenhado para os povos indígenas e não com eles. E a diferença entre o “para” e o “com” não é apenas semântica”, exemplificou. 

    Diana enfatizou que menos de 1% do financiamento global para ações de controle do clima chegam diretamente aos povos indígenas. Por isso defendeu também que esses fundos construam mecanismos de acesso direto e facilitado aos recursos, em conjunto com a comunidade. 

    “Quando falamos da participação indígena no financiamento climático, normalmente se fala de consulta, de reunião. Mas isso não é suficiente. A consulta te coloca na sala de espera, a governança te coloca na mesa de decisão”, destacou. 

    A líder do povo Kichwa de Pastaza também argumentou que, mesmo sem recursos, os povos indígenas vêm protegendo a Amazônia, com seus corpos e suas vidas. “Graças à filosofia de vida dos povos indígenas a Amazonia segue quase intacta. As comunidades amazônicas não são beneficiárias passivas da conservação e sim suas arquitetas”.

    Ela lembra que a conservação da floresta não é inimiga do desenvolvimento sustentável das comunidades, porque a convivência igualitária com a natureza está na raiz do modo de viver indígena. Um exemplo disso foi oferecido pela administradora Esthela Noteno, de origem Kichwa.

    Esthela contou que cresceu em uma comunidade abundante no distrito de Sucumbíos, e viu essa riqueza se tornar escassa por causa da contaminação ambiental, causada principalmente pela atividade petroleira. Em situação de pobreza, e sem acesso a serviços básicos, muitos moradores aceitaram uma proposta de empresas agrícolas e arrendaram suas terras para a produção monocultora de taro, um tubérculo estrangeiro da família do inhame. 

    “Não continuaram arrendando porque odeiam seu território, e sim porque não tinham outra oportunidade de gerar renda para alimentar seus filhos”, ressalva a administradora. 

    Essa “armadilha”, como define Esthela, golpeou mais uma vez a biodiversidade do território. Mas em meio a pandemia de covid-19, ela sonhou com uma solução. “Isolados em casa, meu pai cozinhava a guayusa enquanto nos explicava seu valor, suas propriedades antioxidantes, reequilibrantes.”


    Brasília (DF), 04/09/2026 - Estehela Noteno na TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    Esthela destaca o cultivo da guayusa, planta nativa da Amazônia  Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    A guayusa é uma planta nativa da Amazônia, consumida sob a forma de chá em diversas regiões do Equador. A família de Esthela promovia “guayusadas”, durante as quais os idosos compartilhavam seus ensinamentos e sonhos, e falavam sobre sua conexão com a terra, enquanto consumiam o chá. 

    Assim nasceu uma agroindustria comunitária, produtora de extrato de guayusa, onde hoje trabalham 12 famílias. “Quando começamos, nós produzíamos 150 garrafas. Atualmente produzimos de 3 a 5 mil garrafas por mês. O caminho foi difícil, inclusive para obter apoio público para entender as normas sanitárias, registrar os produtos…”, ela conta. 

    As folhas são adquiridas de outras mulheres indígenas, que produzem a guayusa em sistemas agroflorestais, em meio a mais de 150 espécies nativas. “A guayusa representa o espírito da mulher, por isso respeitamos a sabedoria delas delas. Tendo um mercado justo para a guayusa, elas têm um incentivo real para manter a floresta em pé”, ressaltou Esthela Noteno. 

    TedxAmazonia 

    A primeira edição do TedxAmazonia fora do Brasil desembarcou nas cidades de Banos e Puyo, porque ficam na área de transição entre os Andes e a Amazônia, sendo consideradas a “porta de entrada” para a floresta. 

    A coorganizadora do TEDxAmazonia Verônica Reed lembrou que 40% do território amazônico está em oito países fora do Brasil. 

    “Os povos originários dos Andes e da Amazônia habitaram aqui muito antes dos países serem divididos politicamente. A Amazônia começa nos glaciares andinos, que dão origem aos rios”. 

    O evento foi realizado entre os dias 27 e 31 de agosto, reunindo 30 palestrantes indígenas e não-indígenas, que realizam trabalhos de conservação ou pesquisa sobre a Amazônia. 

    O organizador do evento, Rodrigo Cunha, diz que a mensagem principal é de alerta: “Existe uma urgência muito real. Estamos em um ponto de não retorno. Estamos emitindo mais carbono que podemos absorver. Os indígenas enfrentam violência sem procedentes. Já estamos no limite”.

    O revezamento entre países deve ser mantido para as próximas edições. Em junho do ano que vem, o evento será realizado em Belém (PA), e em 2028 a expectativa é de que volte ao Equador.

    *A repórter acompanhou o evento a convite da organização do TEDXAmazonia. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Justiça Eleitoral garante transporte e urnas adaptadas para PCD

    Justiça Eleitoral garante transporte e urnas adaptadas para PCD

    Eleitores precisam fazer pedido até 14 de setembro para 1º turno

    Diante do crescimento expressivo do número de eleitores com algum tipo de deficiência física ou dificuldade motora, a Justiça Eleitoral estruturou uma série de iniciativas que permitem a esses cidadãos e cidadãs exercer o direito ao voto com autonomia e dignidade.

    Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o eleitorado com alguma deficiência aumentou quase 14 vezes (ou 1.290%) em 16 anos, saltando de 141.690, em 2010, para os atuais 1.970.165. Sobre as candidaturas, a base de dados do tribunal só informa a evolução dos últimos quatro anos, período no qual o pedido de registros passou de 489 para 524.

    Transporte

    Com o Programa Seu Voto Importa, instituído em fevereiro de 2026, pela Resolução 23.753, a Justiça Eleitoral se compromete a viabilizar, no dia da eleição, mediante pedido prévio, transporte especial gratuito para eleitores que enfrentam dificuldades para chegar aos locais de votação devido a algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida.

    O transporte será viabilizado pelos tribunais regionais eleitorais (TREs) em suas respectivas unidades federativas, por meio de acordos de cooperação técnica. Para o primeiro turno, em 4 de outubro, os interessados têm até o dia 14 de setembro para formalizar o pedido presencialmente, em um cartório eleitoral, ou por meio dos canais de atendimento informados no site do TRE responsável pelo local de votação.

    A solicitação pode ser entregue pelo próprio eleitor ou eleitora, ou por seu procurador legal, curador ou apoiador. Também será necessária autodeclaração ou documentação que comprove a deficiência ou a dificuldade de locomoção.

    O TRE de São Paulo, por exemplo, informou, nesta sexta-feira (4) que o serviço será disponibilizado em mais de 300 cidades do estado, contemplando pessoas com deficiência e que apresentarem dificuldade para se movimentar, incluindo idosos, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e pessoas obesas.

    Urnas

    As urnas eletrônicas também contarão com novidades que visam facilitar o ato de votar para milhares de pessoas. De acordo com o TSE, uma nova fonte tipográfica – Atkinson Hyperlegible, desenvolvida pelo Braille Institute –, mais legível, facilitará a leitura para pessoas com deficiência visual.

    Além disso, uma barra de progresso fixa na parte superior da tela orientará o eleitor durante todas as etapas da votação, tornando o processo mais intuitivo.

    Recursos de acessibilidade que já vinham sendo empregados também foram ampliados. Caso dos intérpretes de Libras, que além de informar o cargo em votação, passam a indicar situações como voto em branco, voto nulo e voto de legenda.

    “Assegurar condições para que todas as pessoas possam exercer em igualdade de condições seus direitos políticos de forma plena está no centro da missão da Justiça Eleitoral”, comentou o Diretor de Assuntos Estratégicos do TSE, o defensor público do Rio de Janeiro William Akerman, durante audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, nessa quinta-feira (3).

    “Quando falamos sobre acessibilidade eleitoral não estamos falando apenas de permitir que uma pessoa chegue à sessão eleitoral”, prosseguiu Akerman, destacando que, em muitos casos, um mero degrau pode representar uma barreira ao pleno exercício da cidadania.

    Ainda segundo o defensor público, as iniciativas de acessibilidade incluem a ampliação dos intérpretes de Libras empregados para sinalizar votos em branco e nulos; o livre ingresso e a permanência de cães-guia nos locais de votação e o treinamento dos mesários, com foco em assegurar atendimento preferencial a grupos específicos, como as pessoas no Transtorno do Espectro Autista (TEA).


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Eleições 2026: candidaturas de autistas aumentam mais de cinco vezes

    Eleições 2026: candidaturas de autistas aumentam mais de cinco vezes

    Número de candidatos saltou de 13 para 70 entre 2022 e 2026

    As candidaturas de pessoas que se declaram autistas cresceu mais de cinco vezes entre as eleições gerais de 2022 e as de 2026, saltando de 13 para 70 os pedidos de registro.

    Trinta e nove desses candidatos concorrem a uma vaga como deputado estadual. Outros 22 almejam ser eleitos deputado federal. Há também cinco candidatos à Câmara Legislativa do Distrito Federal; três a vice-governador e um primeiro suplente.

    Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e vão na contramão das candidaturas gerais, que diminuíram de 29.262, em 2022, para 20.829, este ano – dado que ainda pode variar, conforme o TSE atualiza sua base de dados.

    Segundo o Ministério da Saúde, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do desenvolvimento do cérebro que pode afetar a comunicação, as interações sociais e os comportamentos, manifestando-se de formas diferentes em cada pessoa, de quadros leves até casos que exigem maior apoio.

    O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria (APA), classifica o TEA em diferentes níveis de suporte, conforme o grau de autonomia de cada pessoa. Em geral, uma pessoa com autismo de nível 1 de suporte que recebe ajuda adequada tem plenas condições de trabalhar, estudar, praticar atividades culturais e físicas, desenvolvendo uma vida independente e exercendo plenamente sua cidadania.

    Deficiências

    No total, 524 candidatos declararam à Justiça Eleitoral que têm algum tipo de deficiência física (208); visual (112); auditiva (59) entre outras (145), incluindo o autismo.

    Em 4 de outubro, data do primeiro turno, eles disputarão a preferência de cerca de 158,74 milhões de eleitores, dos quais aproximadamente 1,97 milhão têm algum tipo de deficiência – um crescimento de 42% em relação aos 1,38 milhão registrados em 2022.

    Mãe de duas filhas autistas e há 30 anos militando a favor da promoção e garantia dos direitos das pessoas com deficiência, a presidenta da Associação Vozes Atípicas (AVA) e terapeuta Simone Alli Chair, considera que o aumento do número de candidaturas é reflexo da crescente visibilidade social que o segmento vem conquistando ano a ano.

    “Graças aos avanços da ciência, hoje são diagnosticados casos que, até há pouco tempo, não eram considerados. Isso não significa que o número de autistas, por exemplo, é maior, mas sim que, antes, os casos eram subnotificados. De qualquer forma, estas pessoas estão chamando cada vez mais atenção”, ponderou Simone

    Consequentemente, acrescenta a ativista, o número de candidaturas também vem aumentando gradualmente para todos os cargos. “Como o tema parece estar em alta, há cada vez mais candidatos e políticos tentando se aproximar do segmento”, acrescentou Simone. Porém, ela alerta que nem sempre este aparente interesse vem acompanhado de compromisso real com a causa.

    “Muitos candidatos não estão interessados em realmente nos ajudar, mas sim em arregimentar eleitores. Quando chega a hora de pedirmos apoio a projetos que beneficiem nossa comunidade, querem condicioná-la à propaganda, nos deixam em segundo plano ou ignoram nossas reais necessidades e sugestões”, disse a presidenta da AVA.

    Para Simone, muitos candidatos pecam pela superficialidade ao priorizar, em suas propostas, a quantidade em detrimento da qualidade. Distorção que, segundo a terapeuta, muitos mantém após serem eleitos.

    “Em geral, os políticos querem apresentar números, quantidade. Só que nós precisamos e queremos qualidade. Se uma criança autista precisa de uma psicóloga, não é qualquer psicóloga. É uma profissional com formação específica para atender esta criança”, frisou Simone.

    “Não adianta prometer, por exemplo, que vai construir CAPS [Centros de Atenção Psicossocial] ou ampliar o número de atendimentos sem levar em conta a especificidade dos casos e a necessidade de profissionais qualificados. Ou, quando eleito, dizer que ajudou a que fossem feitos não sei quantos atendimentos – o que é importante, mas precisa ser contextualizado – sem atentar para o tempo de espera; a qualidade do atendimento; se o tratamento foi continuado ou se há equipes multidisciplinares”, acrescentou.

    Simone ressalta a necessidade de os eleitores analisarem com rigor o histórico e a viabilidade técnica das propostas apresentadas nas urnas.

    Segmentação

    Para o cientista político e sócio-fundador do Instituto Vox Populi João Francisco Meira o crescimento das candidaturas voltadas à neurodiversidade e aos direitos das pessoas com deficiência atende a uma lógica de segmentação e diferenciação, especialmente nas eleições proporcionais, ou seja, o sistema pelo qual são eleitos vereadores e deputados federais, estaduais e distritais.

    “Há, hoje, três grandes categorias ideológicas dentro do eleitorado: do centro para a esquerda; do centro para a direita e, entre estas duas, os nichos dentro dos quais os candidatos proporcionais buscam se diferenciar em meio a centenas, milhares de outros candidatos que oferecem mais ou menos um mesmo cardápio”, explicou Meira.

    Para ele, a segmentação pode ajudar um candidato proporcional a atrair eleitores para além das divisões partidárias tradicionais.

    “Alguém que não comungue com suas ideias em geral pode prestar atenção em uma determinada proposta segmentada. Ou seja, há aí um pouco de economia da atenção, de segmentação de mercado e um aspecto importante de diferenciação da narrativa”, comentou Meira.

    Ele sustenta que é comum que, a cada eleição, novos temas ganhem visibilidade e passem a atrair maior interesse de candidatos e eleitores, impactando as estratégias de campanha.

    “Na medida em que alguns problemas vão sendo resolvidos ou equacionados, novas preocupações – demograficamente menos densas [em contraposição a temas de apelo universal e massivo, como segurança pública e saúde] – passam a receber um olhar diferenciado e entram na agenda política”, concluiu Meira.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Confira a agenda dos presidenciáveis neste fim de semana (5 e 6)

    Confira a agenda dos presidenciáveis neste fim de semana (5 e 6)

    Candidatos têm compromissos de campanha em diferentes estados

    A agenda dos presidenciáveis neste fim de semana inclui lançamentos de campanha, caminhadas, panfletagens e eventos políticos. Também estão previstas entrevistas, visitas, atos com aliados, encontros com representantes do setor produtivo e participação em eventos de campanha e manifestações políticas.

    Flávio Bolsonaro (PL) 
    Visita o ex-assessor Filipe Martins na cadeia Pública de Ponta Grossa (PR), no sábado. 

    Hertz Dias (PSTU)
    No sábado, participa de panfletagem na Estação da Lapa, em Salvador (BA), e de conversa de apresentação do programa do PSTU no Empório Bourbon Beer. 

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 
    Participa de ato Lula, Alckmin e Haddad em São José do Rio Preto (SP), na manhã de sábado. 

    Renan Santos (Missão)
    No sábado à noite, participa de evento de campanha no Teatro Brasil Tropical, em Fortaleza (CE). No domingo, participa de evento de campanha no Salão Atlantis, em São Luís (MA).  

    Samara Martins (UP)
    Em Santo André (SP), participa da Marcha do Heroísmo Revolucionário, em homenagem aos militantes assassinados e desaparecidos pela ditadura militar, no sábado. 

    Romeu Zema
    9h – Participa de entrevista presencial e gravada para a Record. Em seguida, vai para Uberlândia, onde participa da exposição agropecuária Camaru 2026, às 19h50.

    Ronaldo Caiado (PSD)
    Visita à 49ª edição da Expointer, em Esteio (RS). Durante o evento, visita o  Pavilhão da Agricultura Familiar e a área de máquinas agrícolas e se reúne com a Ocergs e a Farsul. 

    Rui Costa Pimenta (PCO) 
    Em Belo Horizonte (MG), participa de almoço e lançamento de candidaturas. 

    Augusto Cury (Avante)
    No sábado, participa de lançamento de campanha em Araçatuba (SP) e faz caminhada pelo camelódromo e calçadão da cidade. No domingo, participa de adesivaço em Natal (RN).

    Clariana Barão (DC)
    Concede entrevista para o Jornal News SBT, no sábado

    Edmilson Costa (PCB)
    Cumpre agenda da secretaria-geral do PCB em Lisboa. 

    O candidato Wilson Grassi (Democrata) não tem agenda pública de campanha neste fim de semana. 

    A ordem de apresentação da cobertura da agenda dos candidatos a presidente segue rodízio diário em ordem alfabética.

    *Colaborou Paula Laboissière. Texto atualizado às 12h57.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Saúde mental após perda gestacional requer atenção de profissionais

    Saúde mental após perda gestacional requer atenção de profissionais

    Cuidado médico, familiar e dos amigos ajuda a atravessar o luto

    Nascida em uma família grande em Manaus, Kalyane Ribeiro não imaginava que teria dificuldades para engravidar. Mas, aos 32 anos, após um ano e meio de tentativas, ela passou pela perda gestacional precoce, uma interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até a 20ª semana da gestação.

    “Eu sempre falo para as pessoas que quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco. Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas dentro, e as pessoas que estão do lado de fora não conseguem saber o que tem lá”, disse. 

    O cuidado e a atenção com a saúde mental após a perda gestacional, como a vivida por Kalyane, são ainda negligenciados, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Neste Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio no Brasil, a associação chama atenção para a questão.

    Muitas vezes, a perda gestacional é negligenciada por familiares, amigos e até mesmo por profissionais de saúde, conta Kalyane.

    “As pessoas do mundo real, aqui fora, elas não querem saber. Você só escuta um ‘você vai ter que tentar de novo, vai dar certo’. Só que não é uma questão de substituir o filho, né? A gente não tá procurando um substituto”, diz.

    Trauma

    A perda gestacional constitui um evento traumático e exige acolhimento e assistência especializada, ressalta o vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, o obstetra Romulo Negrini.

    “Independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia. Sofrer intensamente nesse momento é uma reação humana esperada e não significa, por si só, que a mulher tenha desenvolvido uma doença psiquiátrica”, diz Negrini.

    De acordo com o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, entre 15% e 20% das gestações não evoluem. O integrante da Comissão da Febrasgo e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do curso de Pós-Graduação do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta a necessidade de apoio durante o luto.

    “É um desafio passar por isso e é muito importante que a mulher não passe por isso sozinha”, enfatiza Santana.

    A psiquiatra Andréa Cristina Galastri, professora do Instituto de Educação Médica (Idomed), acrescenta que questões hormonais que fazem parte do processo da perda também impactam a saúde mental. As alterações hormonais duram cerca de 15 dias, de acordo com a médica.

    “Os hormônios aumentam durante a gravidez e no pós-parto da mulher. Os hormônios são para manter a placenta, para manter o feto viável. Então, quando a mulher tem a perda da gestação, os hormônios também caem. Então, junto à queda hormonal, que seria igual a uma TPM [tensão pré-menstrual], só que maior, tem a questão da sensibilidade da perda”, explica.

    Alerta

    Segundo Galastri, o quadro se agrava quando o estado persiste, e a mulher apresenta ansiedade, depressão e chega a achar que não tem mais razão para viver ou se considerar um fracasso. “Aí, o quadro já está bem grave”, afirmou a médica.

    Se ela começa a perder função, para de comer, não consegue mais dormir, o choro não para em nenhum momento do dia e aquilo vai durando mais de 15 dias, mais de um mês, aí já se tem um problema mais grave, passível de tratamento, descreve.

    “O sofrimento é esperado e é natural. Mas a paralisia da vida, não”, afirmou a médica.

    Quando se chega ao ponto de ter um sofrimento que desencadeia uma depressão posterior, ou um luto patológico, a indicação é psicoterapia e medicação, para reajustar a parte bioquímica que o estresse altera.

    Papel dos médicos

    O obstetra Eduardo Felix Martins Santana defende que, para lidar com uma mulher que tenha passado pela experiência de perda gestacional, a primeira regra é aproximá-la do cuidado, envolvendo o cuidado médico, familiar e dos amigos.

    A pessoa vai passar por diferentes estágios de aceitação, negação, raiva, tristeza profunda. “E a verdade é que, para todos eles, a gente precisa de acolhimento”, ressalta.

    Para Santana, é preciso que haja uma proatividade dos médicos, dos órgãos que regulamentam os profissionais médicos e das sociedades médicas. Ele destaca que, na Febrasgo, existe essa comissão que presta assistência ao abortamento, parto e pós-parto.

    “Existe essa preocupação. O problema está em difundir isso para todo o Brasil. É um desafio muito grande”.

    “A gente precisa que os médicos corram atrás também dessa assistência e se preocupem com esse estado. Porque se formos esperar a paciente retornar ao consultório quando já está deprimida, vamos perder muita gente”.

    Rede de apoio

    Hoje aos 34 anos, Kalyane atua na área de marketing em Campinas, no estado de São Paulo, onde vive com o marido. Ela conta que encontrou força, além da ajuda profissional, também nas experiências de outras mulheres.


    04/09/2026 - Rio de Janeiro – Vinda de uma família grande em Manaus, Kalyane Ribeiro não imaginava que teria dificuldades para engravidar. Mas aos 32 anos, após um ano e meio de tentativas, ela passou pela perda gestacional precoce, uma interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até à décima segunda ou a vigésima semana da gestação. Foto: Kalyane Ribeiro/Arquivo Pessoal

    Kayane Ribeiro criou comunidade na internet para reunir mulheres que viveram essa experiência. Foto: Kalyane Ribeiro/Arquivo Pessoal

    Por não encontrarem espaços de acolhimento onde realmente possam se sentir ouvidas, diversas mulheres procuram comunidades online onde podem conversar, trocar experiências e falar sobre assuntos mais cotidianos. Kalyane é responsável por uma dessas comunidades, que nasceu da sua presença nas redes sociais. 

    “Não é todo mundo que está preparado para ouvir e lidar com esse sentimento. Eu abri essa conta no TikTok e comecei a me conectar com as mulheres que passaram por isso”. 

    “Chegaram mulheres de todas as faixas etárias, desde meninas de 13 anos que passaram por perda gestacional, às vezes, meninas que engravidaram de seus abusadores e mesmo assim queriam continuar com essa gravidez, até mulheres que tiveram uma perna gestacional há mais de 20 anos e nunca tiveram a oportunidade de conversar sobre isso com outras pessoas”. 

    Desses encontros e conversas, surgiu o livro Ainda me Sinto Mãe — mesmo nome da página nas redes sociais —, uma série de textos escritos por Kalyane, que já atuou profissionalmente como pedagoga, acerca das experiências vividas por ela e outras mulheres com a perda gestacional. 

    Onde buscar ajuda

    Pessoas com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em serviços de saúde.

    De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para serviços de saúde.

    Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento: 

    • Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
    • UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
    • Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

    O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (188), e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

    *Estagiária sob supervisão de Mariana Tokarnia.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com clima e terra

    Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com clima e terra

    Jovens e indígenas cobram respostas para além da COP da Desertificação

    Na Amazônia peruana, o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi alerta que a seca ameaça não apenas alimentos e rios, mas também culturas e conhecimentos ancestrais.

    Em El Salvador, a líder juvenil Xenia López acompanha comunidades do Corredor Seco Centro-Americano que tentam adaptar a agricultura à falta de água.

    Na parte argentina do Chaco Americano, a professora e ativista Antonella Sleiman conta que a região, historicamente afetada pela seca, teve inundações inéditas que devastaram plantações este ano.

    As três histórias foram compartilhadas durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada na semana passada em Ulaanbaatar, na Mongólia. Elas levantam desafios comuns que vão além do evento: como transformar metas internacionais de restauração e combate à seca em mudanças concretas para quem depende diretamente da terra na América Latina.

    Cerca de 28% dos territórios na região são de terras degradadas. O índice é muito superior à média global (que gira em torno de 15% a 16%). Os dados são da convenção das Nações Unidas especializada no combate à desertificação (UNCCD, na sigla em inglês).

    A conferência terminou com novos mecanismos de financiamento, discussões sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e maior participação formal de povos indígenas e comunidades.

    Para os representantes latino-americanos, no entanto, a distância entre as decisões internacionais e os cotidianos locais ainda é grande.

    Quando a chuva não vem

    Xenia López trabalha com 16 comunidades rurais e semi urbanas no departamento de Chalatenango, em El Salvador. A maior parte delas vive principalmente da agricultura. A região está dentro do Corredor Seco Centro-Americano, uma faixa que se estende desde o sul do México até o oeste do Panamá, e é particularmente vulnerável à irregularidade das chuvas.

    “Há zonas que enfrentam longos períodos de verão e episódios de calor intenso no inverno. Quando deveria chover e abastecer a agricultura, simplesmente fica seco”, contou.

    Nos últimos anos, Xenia passou a trabalhar com comunidades na adoção de práticas agroecológicas. A preocupação não é apenas com a redução das chuvas, mas também com solos empobrecidos pelo uso intensivo de produtos químicos.

    Segundo a líder, a mudança das práticas permitiu melhorar o aproveitamento da água e a proteção do solo.

    “A agroecologia, ao invés da agricultura intensiva, nos permite fazer um uso mais eficiente da água e proteger o solo, em vez de tratá-lo apenas como um recurso do qual podemos usar e abusar”, relata.

    São soluções comunitárias, mas os problemas demandam maior apoio de autoridades e organismos internacionais. Xenia lamenta o fato de países como El Salvador e Nicarágua terem governos hostis, que não permitem espaços de reivindicação por iniciativas mais estruturais.

    Participantes defendem que conferências como a COP17 permitem construir redes de apoio, dar maior visibilidade às demandas populares e sonhar com um futuro diferente para a região.

    “No evento, contamos muito com a ajuda do Brasil, que nos deu espaço no pavilhão do país. Lá, conseguimos compartilhar nossas histórias e lutas. Mas precisamos de ajuda para ampliar nossas vozes em espaços internacionais e ter um lugar específico para as questões da América Central”, diz Xenia.

    Da seca à inundação

    No Chaco Americano, na Argentina, Antonella Sleiman vive outro tipo de transformação.

    A região do Rio Salado Norte sempre conviveu com a seca. Neste ano, porém, tiveram de lidar com o outro extremo. Comunidades que haviam aprendido a administrar a escassez de água enfrentaram inundações em uma escala que, segundo ela, não era observada havia cerca de 50 anos.


    04/09/2026 - Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com secas e clima
Jovens e indígenas cobram respostas para além da COP da Desertificação. Na foto: Antonella Sleiman  .  Foto: Maristela Crispim/ Divulgação

     Antonella Sleiman viu comunidades acostumadas a lidar com a seca serem inundadas. Maristela Crispim/ Divulgação

    As famílias produzem milho, abóbora e outros alimentos principalmente para consumo próprio e para o comércio local. Também criam cabras, ovelhas, vacas e porcos.

    Com as inundações, perderam parte das plantações e da vegetação utilizada naturalmente para alimentar os animais.

    “Este ano, pela primeira vez, algumas comunidades precisaram comprar alimentos para as famílias e para os rebanhos em localidades distantes. Essa mudança gerou muitos problemas”, conta.

    Professora de escolas rurais e promotora territorial da Fundação para o Desenvolvimento em Justiça e Paz (Fundapaz), Antonella participa também da Mesa de Tierra del Salado Norte, que reúne representantes de oito organizações camponesas e indígenas distribuídas em uma área de cerca de 80 quilômetros.

    Todos os meses, o grupo debate problemas de terra, água, produção, agricultura e juventude.

    Antonella, assim como Xenia, integra a Plataforma Semiaridos, iniciativa formada por 16 instituições representativas de 10 países da América Latina. Ela espera que as demandas do seu povo tenham ecoado durante a COP17 e que novos espaços sejam abertos a partir do evento.

    “Não gostaria que nossas lutas ficassem restritas às nossas realidades, mas que fossem captadas e ampliadas. Que pudéssemos ser capazes de incidir nas negociações que decidem o futuro de todos nós. Trazemos as vozes dos nossos territórios sem intermediários, então, seria importante que pudessem nos escutar e nos incluir nas decisões”, diz Antonella.

    Seca também ameaça cultura


    04/09/2026 - Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com secas e clima
Jovens e indígenas cobram respostas para além da COP da Desertificação. Na foto: Gilmer Yuimachi .  Foto: Gilmer Yuimachi/ Arquivo Pessoal

     Gilmer Yuimachi defende que os povos indígenas são guardiões dos territórios. Gilmer Yuimachi/ Arquivo Pessoal

    Na Amazônia peruana, Gilmer Yuimachi observa outra dimensão da degradação ambiental. Indígena do povo shipibo-konibo, ele atua pela Associação Intercultural Bari Wesna junto a comunidades de Ucayali e de outras regiões amazônicas.

    Segundo Yuimachi, períodos prolongados de seca reduzem os níveis de rios, lagos e igarapés utilizados para consumo, pesca, agricultura e criação de animais.

    Alterações no regime de chuvas também prejudicam cultivos fundamentais para a alimentação das comunidades, entre eles mandioca, milho, feijão e arroz. Mas ele enfatiza que reduzir o problema a perdas econômicas seria insuficiente.

    “Desde nossa experiência nos territórios indígenas da Amazônia peruana, a seca e a degradação dos solos não significam somente falta de água ou que a terra produz menos. Significam colocar em risco nossa alimentação, nossas florestas, nossos peixes, nossas plantas medicinais e também nossos conhecimentos e nossa cultura”, reflete.

    Ao mesmo tempo, Yuimachi rejeita a imagem dos povos indígenas apenas como vítimas da crise ambiental.

    “Não queremos ser vistos somente como comunidades vulneráveis. Somos também guardiões do território e temos conhecimentos ancestrais que podem contribuir para a restauração das florestas, a adaptação às mudanças climáticas e a recuperação de terras degradadas”.

    Vozes jovens na COP

    Nem todos os jovens latino-americanos que participaram da conferência em Ulaanbaatar vivem diretamente em territórios marcados pela desertificação e degradação dos solos. O que não significa que não sejam afetados por elas.

    É o caso da brasileira Thaiane Maciel, 33 anos, engenheira ambiental e fundadora do Instituto Ecocria, uma organização que trabalha com educação ambiental no Rio de Janeiro. Para a engenheira, as políticas sobre a terra precisam estar conectadas a diferentes dimensões da vida.

    “A questão da terra engloba tudo: a água, os sistemas alimentares, as migrações climáticas. Todos somos impactados em diferentes territórios e devemos pensar em modelos mais sustentáveis de uso do solo, como a agrofloresta”, pontua.

    Thaiane participou da COP17 por meio da coalizão de juventude da convenção. Também moderou debates e trabalhou em uma iniciativa de comunicação destinada a divulgar a atuação de jovens durante as negociações.


    04/09/2026 - Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com secas e clima
Jovens e indígenas cobram respostas para além da COP da Desertificação. Na foto: Thaiane Maciel na COP 17 .  Foto: Thaiane Maciel/ Arquivo Pessoal

    Thaiane Maciel lamenta que os jovens ainda sejam vistos como partes ainda em aprendizado- Thaiane Maciel/ Arquivo Pessoal

    Para ela, um dos problemas desses espaços é tratar a juventude como um grupo que ainda precisa apenas aprender, e não como parte capaz de formular e executar políticas.

    “Acabam tendo uma visão do jovem como estando ainda em aprendizado, quando, na verdade, a gente já está pronto. Não é que você esteja iniciando ou entrando no mercado. Muitos jovens já estão consolidados ou têm essa bagagem técnica e de vivência no território”, analisa.

    Com o fim da conferência, Thaiane espera que as ações continuem para além das declarações oficiais e contemplem as necessidades mais urgentes daqueles que vivem diretamente os problemas da terra e da seca.

    “O documento final muitas vezes não é o que vai ser seguido à risca, mas a conferência é muito mais do que isso. É evidenciar o que os países estão fazendo, com o que estão se comprometendo. É o momento de cobrar dos governos soluções, e de construir parcerias e projetos para os territórios”, finaliza.

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Justiça do Rio julgou mais de 1 milhão de processos no 1º semestre

    Justiça do Rio julgou mais de 1 milhão de processos no 1º semestre

    Foram proferidas mais de 1,5 milhão de sentenças

    O Tribunal de Justiça Rio de Janeiro (TJRJ) julgou, no primeiro semestre deste ano, mais de 1 milhão de processos e proferiu mais de 1,5 milhão de sentenças. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualizados até 30 de junho.  A marca é acompanhada por uma queda significativa na taxa de congestionamento do tribunal, consolidando o avanço da eficiência e da digitalização nos serviços prestados aos cidadãos fluminenses.

    De acordo com a Base Nacional de Dados do Poder Judiciário (DataJud), o TJRJ alcançou, no período, Índice de Atendimento à Demanda de 122,96%. O indicador revela que a Justiça do Rio conseguiu solucionar e arquivar um volume de processos substancialmente maior do que o montante de novas ações protocoladas no mesmo período.

    Os números de 2026 mostram o tamanho do desafio e a velocidade de resposta do Judiciário fluminense: o tribunal fechou o semestre com mais de 5 milhões de processos ativos sob sua gestão.

    Nos primeiros seis meses do ano, o total de ações julgadas por magistrados de primeira e segunda instâncias superou as 943.261 novas ações que chegaram à Justiça no mesmo período.  Ao todo, 1,240 milhão de processos foram arquivados definitivamente, aliviando o estoque acumulado de anos anteriores. Foram também proferidas 1,564 milhão de decisões e produzidos 2,759 milhões de despachos. O tribunal realizou, no período, 121,276 mil audiências, sendo 47,543 mil de conciliação.

    Segundo o TJRJ, o reflexo mais direto está na taxa de congestionamento bruta, que despencou para 65,26% no encerramento de junho. A redução mostra progresso constante se comparada aos anos anteriores: em 2023, o índice de congestionamento da corte alcançava a marca de 76,54%. Quanto menor essa taxa, mais rápido o processo caminha entre o protocolo inicial e a decisão final.

    Os números mostram ainda o Judiciário quase totalmente digital. Entre os novos processos, 99,99% tramitaram em meio eletrônico.

    Tecnologia e especialização

    Por trás desses números, está o trabalho da Comissão de Políticas Institucionais para Eficiência Operacional e Qualidade dos Serviços Judiciais (Comaq), responsável por coordenar projetos que ajudam o tribunal a julgar mais e melhor.

    Um dos destaques é o Grupo de Sentença. Criado originalmente em 2009 para auxiliar no cumprimento das metas do Conselho Nacional de Justiça, o grupo conta hoje com cerca de 60 magistrados dedicados a julgar processos já “maduros”, acumulados nas varas. Atuando paralelamente às suas funções originais, cada magistrado assume, em média, 60 processos mensais, gerando cerca de 3,6 mil sentenças por mês e 50 mil decisões por ano.

    Para a presidente da comissão, desembargadora Jacqueline Lima Montenegro, o diálogo com magistrados, servidores e usuários da Justiça é essencial para melhorar o atendimento ao público.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Atacada por EUA, regra do TSE evita que bigtech privilegie candidatos

    Funcionária da Casa Branca atacou medida alegando “censura”

    Os Estados Unidos tacharam de “censura” uma regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbe os algoritmos das redes sociais de recomendar perfis dos candidatos durante o período da campanha eleitoral, com exceção das recomendações por impulsionamento pago.

    Os algoritmos das redes sociais costumam exibir ao internauta contas e conteúdos de acordo com critérios da própria plataforma. Dessa forma, a regra, aprovada em fevereiro de 2024, funciona para evitar que bigtechs possam desequilibrar a disputa eleitoral a favor de determinados candidatos.  

    Antes de as regras da Resolução Nº 23.732 entrarem em vigor, no último domingo (16), a plataforma X, do trilionário Elon Musk, aliado de Donald Trump, comunicou aos usuários sobre a mudança, destacando que a recomendação de contas ocorrerá apenas se a pessoa já seguir o perfil do candidato.

    A postagem da plataforma X sobre o tema foi republicada pela subsecretária de diplomacia pública do Departamento de Estado dos EUA, Sarah B. Rogers, que chamou a medida de “censura imposta pelo Brasil”.

    O TSE afirma que as regras previstas são destinadas à “prevenção e mitigação de riscos à integridade do processo eleitoral”.

    Procurada para comentar o tema, a assessoria do TSE não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

    Crítica infundada

    Especialistas em tecnologia, eleições e direito eleitoral consultados pela Agência Brasil criticaram a acusação da funcionária da Casa Branca como “infundada”, lembrando que a medida não veta a publicação dos candidatos, apenas proíbe a recomendação algorítmica.  

    O doutor em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Arns Gonzales, membro do Direito à Comunicação e Democracia (DiraCom), explicou que a regra existe para garantir maior igualdade na disputa eleitoral.

    “Esse tipo de regra busca incidir no que seria potencialmente uma espécie de viés ou assimetria, um tratamento não isonômico entre as contas oficiais das candidaturas que estão concorrendo”, explicou o integrante do DiraCom, ligado à Coalização Direitos na Rede.

    Gonzales acrescentou que a regra surge em meio ao debate sobre a desinformação que inunda as plataformas em eleições importantes, como a do Brexit – quando o Reino Unido saiu da União Europeia, e a do plebiscito do Acordo de Paz entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ambos em 2016.

    Ao estudar como a tecnologia e os dados pessoais impactam os processos eleitorais, Alexandre Arns Gonzales identificou que o debate é sobre se os “vieses” dos algoritmos, que tendem a privilegiar determinados conteúdos em detrimentos de outros, são um problema técnico ou decorre de uma orientação comercial das bigtechs.

    “A decisão do TSE encontrou um meio termo entre manter a legalização da propaganda nesses ambientes, ao mesmo tempo que incide sobre a assimetria que o sistema algorítmico de recomendação poderia produzir em relação ao alcance das contas dos candidatos.”

    Constituição

    O advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo argumentou que a decisão do TSE está amparada pela Constituição, pois busca garantir maior igualdade de condições na disputa eleitoral.

    “Não pode ter essa recomendação artificialmente criada com essas bigtechs. Isso evita qualquer acusação de preferência por este ou por aquele candidato. Porque, afinal, quem faz os algoritmos? A ideia é garantir a igualdade, a lisura e isso é com base na Constituição e na lei eleitoral”, disse Rollo à Agência Brasil.

    Na avaliação de Arns Gonzales, a crítica da Casa Branca contra a regra do TSE é fruto de uma articulação da plataforma X com o governo Trump em mais uma tentativa de interferir nas eleições brasileiras.

    Em 2024, a rede social controlada por Elon Musk entrou em confronto aberto contra o Supremo Tribunal Federal (STF) após a plataforma X não cumprir decisões do Judiciário brasileiro.

    O caso foi, inclusive, usado como argumento para o tarifaço de Trump contra o Brasil.

    Impulsionamento pago

    Por outro lado, as regras eleitorais permitem a recomendação de candidatos nas redes sociais via impulsionamento pago, com regras e limites para os valores usados por cada campanha.

    O especialista da Diracom Alexandre Arns Gonzales ponderou que, como a propaganda eleitoral tem toda uma estrutura legalizada no Brasil, o impulsionamento pago de conteúdo de candidatos nas plataformas acabou sendo permitido.

    “Na medida em que a campanha tá pagando, tem uma suposta razão para a conta e o conteúdo estarem sendo entregues a determinado eleitor conforme os sistemas de recomendação”, comentou.

    Por outro lado, Gonzales alerta que não há garantias de que as plataformas cobrem o mesmo valor de todos os candidatos para impulsionar um conteúdo com o mesmo alcance, o que poderia ferir a regra da isonomia no pleito.

    “O conteúdo pago não necessariamente é entregue para a mesma audiência. Isso fica a critério da plataforma do jeito que está hoje”, acrescentou.

    Regras da IA

    As resoluções do TSE também impõem restrições aos sistemas de Inteligência Artificial (IA) usados pelas bigtechs, os chamados chatbots de IA, que vem avançando nos últimos anos.

    O § 1º-C do Art. 28 da Resolução n° 23610 de 2019 proíbe que sistemas de IA façam ranqueamento, recomendação ou priorização de candidatos, campanhas, partidos ou coligações.

    O mesmo dispositivo proíbe ainda os sistemas de IA de “emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas”.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Corpos das vítimas de acidente no Paraná são retirados da pista

    Batida entre ônibus e caminhão aconteceu nesta madrugada

    As equipes de resgate já retiraram da pista os corpos das 23 pessoas que morreram após a batida frontal entre um micro-ônibus e uma carreta na BR-373, na madrugada desta quarta-feira (19), entre as cidades de Ponta Grossa e Imbituva.

    Cinco pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para um hospital em Ponta Grossa. A pista segue totalmente interditada nos dois sentidos e a previsão de liberação é a partir das 10h20.

    Segundo dados da concessionária Via Araucária, as vítimas do acidente são 13 mulheres, oito homens e duas crianças. Os cinco feridos encaminhados para um hospital em Ponta Grossa são três homens com idades entre 22, 50 e 49 anos; uma mulher de 26 anos e uma criança de 9 anos.

    De acordo com as informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os corpos serão agora encaminhados para a Unidade de Execução Técnico-Científica (UETC) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde serão feitos exames periciais para a identificação das vítimas. Apenas após esse processo é que serão confirmadas oficialmente as vítimas do acidente para que as famílias possam ser avisadas pelas autoridades.

    A equipe científica ainda analisa as circunstâncias da batida para determinar as responsabilidades. Uma avaliação preliminar da PRF indica que o caminhão teria invadido a pista contrária onde trafegava o micro-ônibus. No momento do choque entre os dois veículos não chovia e também não havia neblina.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br