O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), organismo da ONU especializado em infraestrutura, compras e gestão de projetos, publicou o Purchase for Impact 2025, relatório anual que demonstra como as aquisições podem ser ferramentas estratégicas para a melhoria da eficiência, para o fortalecimento de serviços públicos e para a promoção da sustentabilidade e da inclusão.
De acordo com o informe, em 2025, o UNOPS movimentou US$ 1,4 bilhão em compras a nível global, trabalhando com 5.810 fornecedores de 173 países. Mais da metade dessas aquisições foi realizada junto a fornecedores locais, indicando como as compras podem desempenhar papel importante não apenas na entrega eficiente de bens e serviços, mas também no fortalecimento dos mercados locais.
Na América Latina e no Caribe, o relatório destaca experiências em diferentes países e setores, tais como a de Honduras, onde o UNOPS apoia micro e pequenas empresas cafeeiras lideradas por mulheres, através de ferramentas que permitem avaliar riscos climáticos, resiliência e inclusão em cadeias de suprimentos agrícolas. Em outro exemplo, na Argentina, o UNOPS vem trabalhando para reduzir a lacuna no acesso à tecnologia e à digitalização, por meio do fornecimento de 5 milhões de equipamentos para escolas, além de fortalecer o atendimento médico de alta complexidade.
“As aquisições públicas estão no centro do mandato do UNOPS. Elas vão muito além da simples compra – são uma ferramenta poderosa para impulsionar a sustentabilidade, criar empregos e promover a inclusão e a equidade”, afirma o diretor-executivo do UNOPS, Jorge Moreira da Silva.
Infraestrutura e inclusão
No Brasil, o Purchase for Impact destaca o projeto para a conclusão das obras do Campus Arandu da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina e o Paraguai. O UNOPS está responsável pela gestão da obra, uma das últimas com projeto assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
O trabalho feito pelo UNOPS incluiu sessões de escuta com a comunidade acadêmica para o levantamento de demandas ligadas, principalmente, à inclusão e diversidade na infraestrutura. A atividade resultou em mais de 80 recomendações – como melhorias na iluminação, espaços dedicados para parentalidade e banheiros adaptados – incorporadas ao projeto final. Também, foram incluídas especificações voltadas para a sustentabilidade, como equipamentos de alta eficiência energética, iluminação LED, madeira certificada e reaproveitamento de água pluvial, para reduzir o uso de recursos hídricos.
Outro ponto de destaque é o compromisso com a inclusão na força de trabalho. Por contrato, as empresas que atuam no canteiro de obras (construtora, e subcontratadas) devem ter ao menos 15% da mão de obra composta por grupos prioritários (como mulheres, pessoas LGBTIQ+, pessoas com deficiência, jovens, migrantes e/ou refugiados, e egressos do sistema prisional e/ou pessoas privadas de liberdade). Todas as pessoas recebem treinamento obrigatório sobre prevenção e proteção contra exploração, abuso e assédio sexual (PSEAH).
“O UNOPS vem provando como as compras públicas podem impulsionar mudanças reais. Em 2025, o Brasil foi um dos nossos maiores países de implementação em termos de aquisições, e uma grande parte dessas compras esteve relacionada a projetos de infraestrutura”, destacou a diretora de Compras do UNOPS, Anne-Claire Howard.
“Nossos projetos no Brasil estão viabilizando diretamente uma educação de qualidade, reduzindo desigualdades e capacitando comunidades para que alcancem todo o seu potencial socioeconômico.”
Para saber mais, leia a íntegra do relatório Purchase for Impact (em inglês) e saiba mais sobre a finalização da obra do Campus Arandu aqui.
Fonte: brasil.un.org

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