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  • Pesquisa encontra resíduos de plástico em tartarugas no Rio

    Pesquisa encontra resíduos de plástico em tartarugas no Rio

    Estudo feito com tartarugas-verdes (Chelonia mydas) no estado do Rio de Janeiro constatou que a espécie compartilha os mesmos tipos de bactérias encontradas nos resíduos de plástico no ambiente. 

    A pesquisa foi feita pelo professor Filipe Berbeti e orientada pelo coordenador Henrique Fragoso dos Santos, do Laboratório de Microbiologia Ambiental e Microbiotecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF),

    Também participaram pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do projeto Aruanã, que se dedica à conservação das tartarugas-marinhas da Baía de Guanabara.

    Berbeti analisou os microorganismos que vivem no corpo das tartarugas, na praia de Itaipu, em Niterói (RJ), e comparou com as bactérias encontradas nos pedaços de plástico, na água do mar e nas algas da região.

    A pesquisa concluiu que as bactérias das tartarugas eram mais semelhantes àquelas encontradas no plástico do que as recolhidas das algas (que servem de alimento para os animais) e da água (onde os quelônios vivem a maior parte do tempo).

    “Era esperado que a microbiota da tartaruga parecesse mais com a microbiota do próprio alimento dela [a alga]. É o que diz a literatura. Mas quando comparamos os tipos de bactérias, vimos que lembravam mais as dos plásticos. Foi um primeiro indício de que, provavelmente, a conectividade entre tartaruga e plástico está muito mais próxima do que a gente achava”, destacou o pesquisador.

    O resultado indica que a ingestão de plástico e o contato desse material com as tartarugas-verdes podem representar uma importante fonte de exposição dos animais a micróbios.

    “Hoje em dia, a gente já sabe que o plástico causa vários problemas. Seja poluição visual, animais se alimentando do material ou presos neles. A interação da microbiota e do plástico, quando ingerido, a gente ainda não sabia muito”, afirma Berbet

    Entre os gêneros de bactéria encontrados tanto no plástico quanto nas tartarugas, estão Vibrio, Pseudomonas, Bacillus, Staphylococcus, Streptococcus, Chryseobacterium e Clostridium.

    Esses grupos de microorganismos incluem espécies que provocam doenças tanto em animais quanto em seres humanos. Apesar disso, não foram feitas análises para associar essas bactérias a doenças nas tartarugas-verdes. Tampouco foi feita a identificação mais aprofundada para identificar a espécie e confirmar se algumas delas seriam patogênicas

    “É difícil chegar à identificação da espécie quando falamos da avaliação de microbioma. Pegamos uma parte do DNA para amplificar e tentar descobrir o organismo. Só conseguimos chegar até o nível de classificação para gênero. Então, não podemos afirmar com certeza que aquela espécie ali estava causando uma patogenicidade”, afirmou Berbeti.

    Segundo o estudo, os resíduos plásticos podem representar uma fonte potencial de micróbios associados à relevância patogênica. As tartarugas-verdes, por sua vez, podem servir como potenciais dispersores de bactérias marinhas, conectando ambientes contaminados com áreas remotas através de sua migração natural.

    A pesquisa envolveu cinco tartarugas coletadas pelo projeto Aruanã. Os resultados foram publicados na revista Environmental Pollution, em agosto deste ano.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Observadores internacionais chegam ao Brasil para monitorar eleições

    Observadores internacionais chegam ao Brasil para monitorar eleições

    Delegações de organizações internacionais convidadas como observadoras independentes do processo eleitoral brasileiro já começaram a chegar ao Brasil. O objetivo é que essas instituições avaliem a integridade, a eficácia operacional e o cumprimento estrito das normas eleitorais.

    Mais de 140 observadores de sete organizações internacionais vão acompanhar a preparação, a votação e a apuração nesse domingo (4):

    1. Organização dos Estados Americanos (OEA);
    2. Parlamento do Mercosul (Parlasul);
    3. União Europeia;
    4. Liga dos Estados Árabes (LEA);
    5. Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (Roaje-CPLP);
    6. União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore); e
    7. Rede Mundial de Justiça Eleitoral (RMJE).

    OEA

    Só a Missão de Observação Eleitoral da OEA é composta por 91 observadores de 23 países e vão acompanhar o processo eleitoral em 20 estados e no Distrito Federal.

    O grupo é chefiado pelo ex-secretário-geral da OEA e ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, José Miguel Insulza. Hoje, parte da delegação se reuniu com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.

    Na quarta-feira (30), os observadores se encontraram com técnicos e com integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro.

    Segundo a OEA, entre os integrantes da delegação há especialistas com capacidade de observar aspectos como organização e logística eleitoral, implementação de tecnologia, justiça eleitoral, financiamento político e eleitoral, violência, campanhas, mídia, comunicação digital, entre outros temas.

    Parlasul

    A Missão de Observação Eleitoral do Parlamento do Mercosul (Parlasul) chegou ao Brasil no dia 29 de setembro. O grupo, chefiado pelo parlamentar argentino Raul Bittel, se reuniu com consultores legislativos do Senado Federal e com o chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim.

    O Parlasul destacou que a Missão terá caráter técnico, neutro e não intervencionista e que vai respeitar “a soberania nacional, a legislação eleitoral brasileira e as atribuições das autoridades competentes, em conformidade com os princípios de independência, objetividade, transparência e imparcialidade que orientam a observação eleitoral internacional”.

    Afirmou ainda que as informações coletadas serão sistematizadas em um relatório técnico, que apresentará eventuais recomendações destinadas ao aprimoramento dos procedimentos eleitorais e ao intercâmbio de boas práticas entre os países da região.

    The Carter Center

    Observadores da organização The Carter Center também já estão no Brasil e se reuniram com integrantes do TSE. A delegação é liderada pela consultora sênior do The Carter Center para a América Latina e o Caribe, Jennie Lincoln, e conta com outros quatro observadores de Portugal, Alemanha e Estados Unidos.

    Segundo a organização, os observadores vão se concentrar em aspectos como tecnologia eleitoral, marco jurídico da administração eleitoral e educação do eleitor.

    “Dada a importância dessas eleições — não apenas para o Brasil, mas para todo o hemisfério —, esperamos que nossa missão fortaleça a transparência do processo eleitoral e ajude os brasileiros a avaliar a integridade de suas eleições”, disse Jennie Lincoln.

    The Carter Center é uma organização sem fins lucrativos fundada pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e pela ex primeira-dama Rosalynn Carter. Tem como principais objetivos a promoção da democracia, resolução de conflitos e promoção da saúde global.

    Missões de Observadores Nacionais

    Além das organizações internacionais convidadas formalmente, entidades nacionais da sociedade civil e governos estrangeiros também poderão participar como observadores nas eleições, desde que tenham feito um pedido ao TSE.

    Instituições como o Transparência Eleitoral Brasil, Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana estão entre os credenciados para atuarem como observadores eleitorais.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Bolívia prende procurador da República que investigava caso Cerimedo

    Bolívia prende procurador da República que investigava caso Cerimedo

    Autoridades bolivianas prenderam, na noite dessa quarta-feira (30), o procurador-geral da República do país, Roger Mariaca. Ele atuava em investigação contra o operador digital argentino Fernando Cerimedo, que é acusado de tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas.

    Ex-assessor dos presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, e da Argentina, Javier Milei, Cerimedo é ligado a grupos de direita na América Latina apoiados por Donald Trump. Ele também é próximo da família Bolsonaro e ficou conhecido no Brasil em 2022, quando participou da campanha para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.

    Além do chefe do Ministério Público da Bolívia, a polícia prendeu, até a manhã desta quinta-feira (1º), outras 13 autoridades do país sob acusações tráfico de drogas e organização criminosa, incluindo o ex-ministro do governo anterior, Eduardo Del Castillo, e o procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos.

    Zeballos e Mariaca estavam na lista de bolivianos que tiveram os vistos para entrada nos Estados Unidos (EUA) revogados pela administração de Donald Trump, na última segunda-feira (28). Ambos foram acusados por Washington de corrupção ou narcotráfico, sem que fossem apresentadas provas. 

    Após as prisões, uma transmissão online ao vivo pelas redes sociais do Ministério Público boliviano denunciou o “sequestro” de Mariaca e Zeballos sem mandado judicial.

    “O procurador-geral do Estado foi retido no Aeroporto de Viru Viru de maneira informal, sem qualquer documento ou ordem de prisão que pudesse esclarecer a razão dessas ações policiais ilegais que vêm ocorrendo em nosso país”, informou uma servidora não identificada em meio a policiais mascados. 

    Acusações

    O ministro do governo boliviano de Rodrigo Paz, Marco Antonio Oviedo, acusou o procurador-geral Roger Mariaca de liderar uma organização criminosa ligado ao tráfico de drogas.

    “Foi desmantelada uma organização criminosa infiltrada no sistema de Justiça e na administração de uma instituição muito importante do nosso país — o Ministério Público —, a qual, sob a liderança de Roger Mariaca, transformou-se em uma organização criminosa voltada a proteger e incentivar o narcoterrorismo no país”, informou.

    O ministro ainda divulgou imagens de policiais retirando diversos pacotes com dinheiro de um fundo falso de um veículo apontado como tendo relação com a residência de Mariaca. Oviedo ainda vinculou o grupo aos protestos que paralisaram a Bolívia por mais de 50 dias entre maio e junho deste ano que pediam a renúncia de Paz. 

    Nomeado pelo governo anterior 

    O procurador Roger Mariaca foi eleito pelo parlamento boliviano, em 2024, durante o governo de esquerda de Luiz Arce. Ele deveria cumprir um mandato de seis anos. Após as acusações do governo Trump contra ele, o Congresso da Bolívia convocou uma sessão para o próximo dia 5 de outubro para discutir a situação do Ministério Público.

    Após ter o visto cancelado pelos EUA, o então procurador-geral Roger Mariaca sugeriu que a medida era uma retaliação pelas investigações que conduz, em especial, do caso Cerimedo.

    “Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos”, afirmou o procurador agora preso.

    A defesa de Cerimedo nega as acusações alegando que o cliente é vítima de uma armação política.

    O operador digital de lideranças latino-americanas foi apontado pela revista inglesa The Economist como “o homem do Maga na América Latina”, em alusão ao slogan político do presidente Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo). 

    Motivação política e narcotráfico

    Especialista em política dos EUA para América Latina, a professora em relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou à Agência Brasil que a ação contra as autoridades bolivianas, com o apoio do governo dos EUA, teve objetivo político.  

    “De modo geral, o combate às drogas por parte dos EUA na América Latina é e sempre foi político. Você ter a retirada de visto de um procurador que, coincidentemente, estava justamente analisando toda a rede da extrema-direita na região nos indica muito sobre a dimensão política desse tipo de ação dos EUA”, disse.

    Ela acrescentou que o interesse dos EUA nunca foi de combater o narcotráfico na região.

    “Os EUA hoje vivem uma epidemia absurda de opioides que, até pouco tempo atrás, foi mais promovida por empresas farmacêuticas estadunidenses. Portanto, o objetivo não é combater o tráfico, é desestabilizar forças contrárias aos interesses econômicos, simbólicos e estratégicos dos EUA na América Latina”, acrescentou Vidal.

    O especialista em política boliviana, professor Salvador Schavelzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ponderou que não tem elementos para avaliar a legalidade da operação boliviana, ou dos supostos indícios contra Mariaca. Entretanto, lembra que o narcotráfico no país estaria infiltrado em diversas instituições.

    “O Poder, ao mesmo tempo, está conectado com o narcotráfico e joga na tentativa de se mostrar na luta contra o mesmo. Isso é uma constante desde a década de 1970 em áreas como o Poder Judiciário, alfândega, poder político e poder policial. O narcotráfico percorre a sociedade com todos os setores”, comentou Schavelzon.

    Procurador na mira dos EUA

    Ao anunciar a restrição aos vistos de autoridades da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, o governo Trump informou que a ação teve o objetivo de apoiar os aliados da Casa Branca.

    “O Departamento de Estado está tomando medidas imediatas para impor restrições de visto sob esta política, em apoio aos demais participantes do Escudo das Américas”, diz documento desta semana.

    O Escudo das Américas, liderado pelo governo Trump, reúne 14 países latino-americanos, tendo sido criado para, supostamente, combater os cartéis. Por outro lado, especialistas apontam interesse econômico na iniciativa para barrar a influência da China na região. 

    Questionado se a operação contra o procurador-geral nomeado no governo anterior teve participação dos EUA, o ministro do atual governo, Marco Antonio Oviedo, disse que a ação foi conduzida pela política local, mas com apoio de outros países.

    “Devo agradecer pela cooperação do governo americano que, por meio das suas agências, cooperam na luta contra o narcoterrorismo. O mesmo com os países da União Europeia e o mesmo com os países vizinhos com os quais temos fronteiras”, respondeu.

    Caso Cerimedo


    Luis Fernando Cerimedo, advisor of Presidential candidate Nasry Asfura of the National Party of Honduras, speaks during a press conference following the latest tally of the presidential election results, as vote-counting continues, in Tegucigalpa, Honduras December 3, 2025. REUTERS/Leonel Estrada REFILE - CORRECTING INFORMATION FROM
    Luis Fernando Cerimedo. – Reuters/Leonel Estrada/Arquivo/Proibida reprodução

    O operador digital de líderes da direita latino-americana, o argentino Fernando Cerimedo, foi preso na Bolívia, em agosto deste ano, acusado de tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller, sendo investigado também por tráfico de drogas e enriquecimento ilícito.

    No Brasil, o argentino se tornou conhecido em 2022 por ter participado de transmissão ao vivo na internet, na qual sustentava, sem provas, que o resultado das eleições presidenciais no Brasil tinha sido fraudado.

    Em fevereiro de 2026, o marketeiro digital ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano”, da organização Latino Wall Street, em cerimônia realizada na residência do presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida.

    Cerimedo recebeu o prêmio das mãos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso de processo judicial por ter articulado, junto à Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Durante as investigações contra Cerimedo, foi encontrada uma “fazenda de cliques” em um endereço ligado ao argentino, na Bolívia, usada para mobilizar robôs nas redes sociais. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Anvisa aprova regularização de cosméticos artesanais

    Anvisa aprova regularização de cosméticos artesanais

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a regularização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes produzidos de maneira artesanal no país. Os itens não precisam de regularização junto à Anvisa, mas devem seguir regras e limites específicos.

    A atuação regulatória sobre o tema se fez necessária após a sanção da Lei 15.154, em julho de 2025, que estabelece isenção de registro e observância de regras simplificadas para cosméticos, produtos de higiene pessoal, perfumes e outros produtos de finalidade congênere, quando produzidos de maneira artesanal.

    Em nota, a Anvisa informou que, em agosto do ano passado, deu início à regularização.

    “Todo o processo, que inclui duas consultas públicas com ampla participação de diversos segmentos da sociedade, buscou alinhar a simplificação burocrática à segurança sanitária”, informou a agência.

    Regras para o setor

    A instrução normativa aprovada apresenta um lista de grupos de produtos que podem ser produzidos e comercializados artesanalmente: artigos de perfumaria com base alcoólica, odorizantes de ambiente, produtos sólidos para banho e/ou imersão, sabonetes sólidos para o corpo, xampus e condicionadores sólidos, óleos e manteigas corporais e desodorante axilar em barra.

    A resolução aprovada pela diretoria colegiada da Anvisa regulamenta requisitos técnico-sanitários e procedimentos simplificados para a produção e a comercialização dos produtos.

    Entre outros pontos, a norma define boas práticas de fabricação (BPF) simplificadas por meio de regras básicas de higiene e controle para garantir a segurança, prevê a rotulagem obrigatória e estipula prazo de validade máximo de até 12 meses a partir da fabricação

    A regulação determina ainda que sejam utilizadas alegações simples, puramente sensoriais ou funcionais básicas (limpeza, hidratação e perfumação), sem apelos terapêuticos ou exigência de testes complexos de eficácia.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Livro conta como montadoras ajudaram a manter ditadura no Brasil

    Livro conta como montadoras ajudaram a manter ditadura no Brasil

    Em 2015, com base em depoimentos recolhidos pela Comissão Nacional da Verdade, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) aceitou abrir um procedimento para investigar a cooperação de diversas empresas com a ditadura militar brasileira. Entre elas estava a montadora Volkswagen.

    Seis anos depois, o Ministério Público divulgou um relatório que revelou que a Volkswagen “contribuiu intensamente com o aparato repressivo” e que isso ocorreu com conhecimento da direção da empresa.

    Em 2017, a própria empresa contratou um historiador para investigar o papel da Volkswagen durante a ditadura militar brasileira. Em seu relatório, o alemão Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, escreveu:

    “A VW do Brasil foi irrestritamente leal ao governo militar e compartilhou os seus objetivos econômicos e de política interna.”

    “Está claro que a Volkswagen estabeleceu por disposição própria uma intensa relação de contribuição com os órgãos da repressão política, muito além dos limites da fábrica. A empresa demonstrou vontade de participar do sistema repressivo, sabendo que submetia seus funcionários a risco de prisões ilegais e tortura”, diz um trecho do relatório elaborado pelo Ministério Público de São Paulo.

    Repressão Sociedade Anônima

    A Volks, no entanto, não foi a única. Um livro lançado esta semana, em São Paulo, revela que diversos bancos, metalúrgicas e fabricantes de veículos contribuíram para a manutenção da ditadura no Brasil.

    Escrito por Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli, o livro Repressão Sociedade Anônima apurou como muitos trabalhadores, especialmente da região do Grande ABC Paulista, foram observados, fichados, investigados, perseguidos, demitidos, presos e até torturados como consequência dessa intensa contribuição entre as empresas e o aparelho de repressão.
     


    São Paulo(SP)- 30/09/2026. Lançamento do livro “Repressão Sociedade Anônima” de Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
    Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli no lançamento do livro Repressão Sociedade Anônima – Paulo Pinto/Agência Brasil

    A obra é resultado de três anos de pesquisas documentais e de coletas de entrevistas.

    “A gente teve informação de muitas empresas, mas focamos em cinco delas: a Mercedes-Benz, a Volkswagen, a General Motors, a Scania e a Ford. Centramos [o trabalho] na região do ABC e nas grandes metalúrgicas”, explicou Reina, em entrevista à Agência Brasil.

    “Elas financiavam com dinheiro a máquina da repressão. E como a coisa foi surgindo? A gente estava analisando os livros de registro de entrada do Dops [Departamento de Ordem Política e Social] aqui no Largo General Osório [na capital paulista] e ali descobrimos uma lista de ramais. Nessa lista tinha um ramal de um estande de tiro. E descobrimos que algumas empresas financiavam equipamentos para esse estande de tiro tais como munições e até compra de protetor auricular. O protetor auricular era a GM quem financiava”, disse Reina.

    Essa cooperação, explicaram os pesquisadores, não se dava apenas pela compra de materiais ou pelo apoio financeiro à ditadura. Ela também ocorria, por exemplo, pela incorporação de militares dentro das fábricas e até de arapongas, explicou Ferrasoli.

    “Os arapongas eram pessoas que se misturavam ali com os trabalhadores e que depois iam dedurar quem estava fazendo reivindicações”, disse ela.

    “Havia um conjunto de ações que as empresas adotavam para reforçar ou firmar essa cumplicidade com a ditadura e ir expulsando os trabalhadores. Por exemplo, se o trabalhador participava de uma greve, ele não precisava nem ser de um partido de oposição ou de combate à ditadura, se ele participava de uma greve, ele já entrava numa lista. Essa lista, que hoje a gente chama de lista suja, era espalhada para várias outras empresas, então ele nunca mais conseguia emprego”, contou a pesquisadora.

    Além desse monitoramento, havia outro aspecto comum que era o descaso das empresas com as condições de trabalho nesse período.

    “A gente tem um capítulo todo dedicado a mostrar essa questão dos acidentes de trabalho. Em 1975, por exemplo, teve dia em que houve mais de cinco mil acidentes de trabalho registrados no Brasil. E olha que, naquela época, o registro de acidentes era extremamente precário, porque a delegacia do trabalho ou qualquer instância da justiça do trabalho estava na mão dos militares”, ressaltou Reina.


    São Paulo(SP)- 30/09/2026. Eduardo Reina posa para foto durante Lançamento do livro “Repressão Sociedade Anônima”.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
    Jornalista Eduardo Reina no Lançamento do livro em São Paulo – Paulo Pinto/Agência Brasil

    Situação das mulheres

    Tratadas aos gritos pelos chefes, assediadas e com tempo controlado até para ir ao banheiro, a situação das mulheres trabalhadoras durante a ditadura militar também não foi nada fácil de ser enfrentada.

    Maria Angélica Ferrasoli conta que entrevistou algumas dessas mulheres que começaram a trabalhar com 12 ou 13 anos. Muitas relataram condições ainda mais degradantes no ambiente de trabalho, que chegava até mesmo ao controle de uso do papel higiênico.

    “Elas precisavam pegar uma chave para usar o banheiro. Se demorassem mais do que 3 ou 4 minutos, já tinha gente batendo na porta. Em outras empresas, o papel higiênico ficava em cima da mesa do chefe. Ela tinha que ir lá e pegar uma cota [de papel]. Então, se acabava o rolinho dali, elas tinham que se virar no banheiro, levar de casa ou fazer o que fosse possível”, relatou.

    Dopinho do ABC

    Em suas pesquisas, os dois jornalistas descobriram também a existência de um braço do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) em São Bernardo do Campo, que era o principal polo metalúrgico do Brasil e que integra a região do Grande ABC.

    Segundo os pesquisadores, esse Dopinho do ABC era formado por empresas da região e continha um sistema de vigilância e de controle dos trabalhadores e dos ativistas sindicais. “Uma espécie de controle industrial sobre a sociedade civil”, contam, no livro.

    “A gente descobriu a existência de uma filial do DOPS no ABC que ficava a três ou quatro quadras distante da sede do sindicato. Lá, as pessoas eram presas e torturadas. Para lá iam presos os trabalhadores, pessoas ligadas aos movimentos eclesiais de base ou de movimentos de melhoria nos bairros. A gente conta a história, inclusive, de um menor de idade que foi preso e torturado ali”, disse Eduardo Reina.

    Essas descobertas, reforçam os pesquisadores, demonstram que ainda há muito a ser pesquisado sobre a cooperação das empresas com a ditadura militar brasileira. Principalmente sobre a participação das empresas públicas, o que ainda não aconteceu.

    “Eu acredito que a ditadura sobreviveria [sem a participação empresarial]. Mas ela sobreviveu de uma forma muito mais escalonada com a participação dessas empresas”, diz Ferrasoli.

    “Acho que o livro contribui bastante para mostrar isso”, disse Reina, em entrevista à Agência Brasil.

    “A história da ditadura no Brasil tem milhares de coisas que precisam ser contadas. Muitas coisas foram enterradas e muita coisa desapareceu. Muitos arquivos militares foram destruídos. Mas a gente precisa ter um outro olhar para toda essa documentação e avançarmos com isso para mostrar todas essas coisas que aconteceram e continuam acontecendo. Se a gente fizer um paralelo, a polícia militar age do mesmo modo hoje como agia na ditadura. Se formos para a periferia, então, os pretos e os pobres são as maiores vítimas dessa ditadura hoje, como eram também na época da ditadura. E isso ninguém contou até hoje”, destacou o pesquisador.

    Montadoras

    A Agência Brasil procurou as cinco montadoras citadas no livro, mas até o momento da publicação elas não se manifestaram sobre o tema. 

    Em nota enviada aos escritores do livro, a Volkswagen informou que assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público e que foi a primeira empresa estrangeira a reavaliar sua história durante o regime militar no Brasil.

    Já a Scania disse que repudia qualquer tipo de violação aos direitos humanos e que não guarda mais documentos sobre aquele período.

    A Mercedes-Benz escreveu aos autores que não identificou, até o momento, evidências de suporte da empresa com a ditadura militar.

    A GM, por sua vez, negou envolvimento com ações repressivas ou de colaboração com a ditadura, e a Ford também não se manifestou aos autores do livro.

    O livro Repressão Sociedade Anônima é uma publicação da Editora Alameda. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Anticiclone derruba temperatura no Sul do país

    Anticiclone derruba temperatura no Sul do país

    Ao longo desta quinta-feira (1º), as nuvens que encobrem a Região Sul do país começam a diminuir por causa da atuação de uma frente fria associada a um anticiclone, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

    O anticiclone é um sistema de alta pressão que favorece o tempo firme e estável. Ao contrário do ciclone, o ar frio e mais pesado desce e se afasta do centro do fenômeno.

    Ainda há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no noroeste, norte e leste paranaenses. A chuva com trovoada e possibilidade de granizo ainda pode ocorrer no Paraná e em Santa Catarina.

    No Rio Grande do Sul, há possibilidade de chuvas isoladas, mas ao longo do dia o céu vai ficando ada vez mais com menos nuvens e o frio aumenta conforme anoitece. Em Porto Alegre, a mínima será de 13°C e a máxima pode chegar a 23°C.

    No Sudeste, outra frente fria muda rapidamente as condições do tempo, levando chuvas e trovoadas ao oeste e sul de São Paulo. Ao longo do dia, o tempo instável avança sobre o sul de Minas Gerais, ao Rio de Janeiro e ao centro e sul do Espírito Santo. Há chance de granizo nesses locais.

    Um aviso laranja de perigo alerta para tempestades no Triângulo Mineiro, sul de Minas Gerais, centro e sul do Rio de Janeiro, além do noroeste, norte e leste de São Paulo.

    No norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, o calor será intenso e a baixa umidade do ar deixa as regiões noroeste, norte, centro e leste de Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte, sob alerta amarelo de perigo potencial.

    No Centro-Oeste, um aviso laranja alerta para perigo de tempestades entre o sudoeste e sul de Mato Grosso e de Goiás e para o noroeste, norte e nordeste de Mato Grosso do Sul. No noroeste, oeste, centro e leste de Mato Grosso, centro de Goiás, no Distrito Federal e nas demais áreas de Mato Grosso do Sul, o alerta perde a forma, mas ainda é amarelo de perigo potencial.

    No nordeste e leste Goiás e no Distrito Federal, a baixa umidade do ar deixa a região em alerta amarelo de perigo potencial. O calor prevalece na região e, entre as capitais, a temperatura mínima será de 19°C, em Campo Grande, e a máxima de 30°C, em Cuiabá.

    Na Regão Norte do Brasil, o mês de outubro começa com chuva e trovoadas isoladas na faixa leste, que inclui os estados do Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas, onde há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades. Pode chover de forma isolada em partes do oeste e noroeste do Pará e no sudoeste do Tocantins.

    No Amapá e demais áreas do Pará e do Tocantins, o dia será de sol e calor, com atenção especial para o sudeste do Tocantins, onde há aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade do ar.

    Nas capitais, a temperatura mínima será de 23°C em Rio Branco e a máxima chega a 39°C em Palmas.

    Na Regão Nordeste, um aviso amarelo de perigo potencial alerta para baixa umidade do ar no leste do Maranhão, grande parte do Piauí, centro e sul do Ceará, oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas, Sergipe, norte, centro e oeste da Bahia. Na maior parte da região, o dia será de céu com poucas nuvens e muito calor.

    Entre as capitais a temperatura mínima será de 21°C em Maceió e a máxima de 39°C em Teresina.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Confira a agenda dos presidenciáveis nesta quinta-feira (1º)

    Confira a agenda dos presidenciáveis nesta quinta-feira (1º)

    A agenda dos presidenciáveis nesta quinta-feira inclui debate em televisão e entrevista em podcast. Também estão previstos encontros com apoiadores, panfletagem e visita a instituição de ensino superior em São Paulo.

    Romeu Zema (Novo)
    Participa de debate na Rede Globo, à noite.

    Wilson Grassi
    Reunião com representante da Missão de Observação Eleitoral (MOE) da Organização dos Estados Americanos (OEA), à tarde.

    Augusto Cury (Avante)
    Participa de debate na Rede Globo, à noite.

    Clariana Barão (DC) 
    À tarde tem agenda online com a Organização dos Estados Americanos (OEA).

    Flávio Bolsonaro (PL) 
    Participa de debate na Rede Globo, à noite.

    Hertz Dias (PSTU)
    Participa de panfletagem no centro da cidade de Guarulhos (SP) à tarde e visita a Unifesp, à noite. 

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
    Participa de entrevista no Flow Podcast, à noite.

    Renan Santos (Missão)
    Participa de ato em Niterói, à tarde, e protesto em frente à Rede Globo no Rio, à noite. 

    Ronaldo Caiado (PSD) 
    Participa de debate na Rede Globo, à noite.

    Os candidatos Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) não divulgaram a agenda pública de campanha até o momento desta publicação. 

    A ordem de apresentação da cobertura da agenda dos candidatos a presidente segue rodízio diário em ordem alfabética.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Eleições 2026: saiba o que pode e o que não pode no dia da votação

    Eleições 2026: saiba o que pode e o que não pode no dia da votação

    Com a proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, cerca de 158,7 milhões de eleitores brasileiros vão às urnas para escolher deputados federais, estaduais (ou distritais), senadores, governadores e o presidente da República. Para garantir um processo eleitoral tranquilo e dentro das regras, confira abaixo as principais orientações sobre o que é permitido e o que é proibido na hora de votar.

    Posso levar uma “colinha” em papel para a cabine de votação?

    Sim. O eleitor pode levar um papel com os nomes e números de seus candidatos de preferência para consultar no momento do voto, evitando esquecimentos e o uso do celular. 

    É permitido entrar com o celular na cabine de votação?

    Não. O uso de celular, máquinas fotográficas, filmadoras ou qualquer tipo de equipamento que permita registrar o voto é estritamente proibido dentro da cabine. Caso esteja portando algum desses aparelhos, o eleitor deve deixá-lo com os mesários antes de votar. A regra visa proteger o sigilo do voto e evitar coações ou a compra de votos por meio de comprovação em foto ou vídeo.

    Posso usar camisetas, adesivos ou bandeiras de candidatos no dia da eleição?

    Sim, desde que seja uma manifestação individual e silenciosa. O uso de broches, adesivos, camisetas e bandeiras políticas é permitido. O que não pode é haver aglomerações, manifestações coletivas ruidosas, abordagem a outros eleitores ou qualquer tentativa de aliciamento (boca de urna).

    Qual é a ordem de votação na urna eletrônica?

    No primeiro turno, o eleitor fará seis escolhas na urna eletrônica, na seguinte sequência:

    • Deputado federal (4 dígitos)
    • Deputado estadual ou distrital (5 dígitos)
    • Senador — primeira vaga (3 dígitos)
    • Senador — segunda vaga (3 dígitos)
    • Governador (2 dígitos)
    • Presidente da República (2 dígitos)

    Trabalho no dia da eleição. Tenho direito de sair para votar?

    Sim. A legislação garante a todo cidadão o direito de se ausentar do trabalho pelo tempo estritamente necessário para exercer o voto, sem sofrer nenhum desconto no salário.

    Quem tem prioridade e direito a acompanhante na seção eleitoral?

    Pessoas com mais de 80 anos têm preferência sobre todos os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada. Já pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida têm o direito de entrar na cabine acompanhadas por uma pessoa de sua livre escolha para auxiliá-las no momento de votar.

    Qual documento poso apresentar para votar? 

    É necessário apresentar à mesa receptora um documento oficial com foto. 

    São aceitos como documento de identificação, inclusive em formato digital:

    • e-Título
    • carteira de identidade
    • identidade social
    • passaporte
    • carteira de categoria profissional reconhecida por lei
    • certificado de reservista
    • carteira de trabalho física
    • Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

    Os documentos oficiais com foto podem ser utilizados mesmo que estejam vencidos, desde que permitam a identificação do eleitor. 

    Confira mais detalhes sobre as regas na reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Conheça os direitos das pessoas com deficiência no dia das eleições

    Conheça os direitos das pessoas com deficiência no dia das eleições

    Dos 158 milhões de brasileiros e brasileiras aptos a votar nas eleições de 2026, quase 2 milhões são pessoas com deficiência.

    O podcast VideBula, da Radioagência Nacional, explica quais são os principais direitos desses eleitores no dia das eleições. 

    Braile e áudio

    Quando a urna eletrônica foi lançada em 1996, ela já tinha teclas em braille. Desde então, nos últimos 30 anos, novos recursos são incorporados a cada eleição.

    Segundo o chefe da Seção de Voto Informatizado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rodrigo Coimbra, a urna eletrônica conta com diversos mecanismos de acessibilidade, com especial destaque para o suporte a eleitores com deficiência visual ou auditiva.

    “Na urna, o eleitor utiliza um teclado mecânico com teclas em alto relevo e clique audível. As teclas possuem indicações em braile. A tecla cinco possui destaque em relevo e a tecla confirma possui tamanho diferenciado. Essas características auxiliam os eleitores com deficiência visual”, explicou Coimbra ao VideBula. 

    Outro mecanismo de assistência com foco nos deficientes visuais é o uso de sintetização de voz, que dá orientações faladas sobre o processo de votação, assim como a indicação da escolha feita pelo eleitor.

    Para o uso das orientações por voz, a Justiça Eleitoral fornece fones de ouvido para uso com a urna. Não é permitido usar fones de ouvido próprios, somente os fornecidos pela Justiça Eleitoral no dia da votação.

    A voz da urna guia o eleitor cego ou com baixa visão por todo o processo: informa o cargo em votação, os números digitados e o nome da candidatura escolhida.

    Em 2026, as pessoas com baixa visão também terão acesso a novas funcionalidades, como o uso de uma fonte de caracteres projetada para pessoas com baixa visão, que garantem uma legibilidade melhor para o texto da urna. 

    >>OUÇA AQUI O PODCAST VIDEBULA SOBRE INCLUSÃO ELEITORAL

    Libras 

    Para pessoas com deficiência auditiva, a urna eletrônica disponibiliza interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras), que indica qual cargo está em votação, além da indicação da escolha por voto branco, nulo ou de legenda.

    Essa última parte, da tradução de votos brancos, nulos e em legenda, é novidade para 2026.

    A janela de Libras ocupa metade da altura e um quarto da largura da tela, o que garante visibilidade adequada. 

    O design da urna também atende a eleitores de alturas diversas, como pessoas em cadeira de rodas ou com nanismo. 


    Rio de Janeiro (RJ), 03/08/2026 – O Tribunal Regional Eleitoral apresenta a estrutura e demonstra testes da urna eletrônica para as Eleições de 2026. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    A urna eletrônica disponibiliza interpretação em Libras, que indica qual cargo está em votação Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Direitos 

    De acordo com a legislação, o eleitor com deficiência pode votar acompanhado de uma pessoa de sua confiança. O acompanhante pode ingressar na cabine e até digitar os números na urna se necessário.

    Mas duas condições precisam ser observadas: 

    • A presença do acompanhante deve ser imprescindível para que a votação ocorra, ou seja, quando o eleitor realmente não consegue votar sozinho. 
    • A pessoa não pode estar a serviço da Justiça Eleitoral, de partido político ou de coligação.

    Não é preciso pedir autorização com antecedência. Basta comunicar o presidente da mesa no dia da votação. 

    Também é permitido o uso de instrumentos mecânicos de tecnologia assistiva que auxiliem os eleitores a votar, como hastes especiais para amputados, por exemplo. Os equipamentos só não podem ser eletrônicos ou comprometer o sigilo do voto.

    Neurodivergentes

    A Resolução nº 23.759/2026 do TSE assegura atendimento prioritário às pessoas com autismo no dia da votação. Não é necessário de cadastro prévio ou laudo: basta falar com o presidente da mesa na seção eleitoral. 

    O artigo 31, parágrafo primeiro, da mesma resolução garante às pessoas com autismo, que é considerado deficiência, o direito de votar acompanhada por alguém de sua confiança, inclusive para digitar os números na urna, desde que autorizado pelo presidente da mesa.

    Recursos para pessoas com deficiência auditiva ou visual 

    • Teclados com braile 
    • Auxílio em áudio – é possível regular o volume e a velocidade da voz sintetizada
    • Fonte de caracteres projetada para pessoas com baixa visão
    • Design para atender a eleitores de alturas diversas, como pessoas em cadeira de rodas ou com nanismo. 
    • Interpretação em Libras 

    Prioridades 

    • Na hora da votação, a prioridade é para pessoas com mais de 80 anos. 
    • Na sequência, por ordem de chegada, têm preferência às pessoas idosas, com deficiência, autismo, gestantes, obesas e com crianças de colo.
    • Doadores de sangue também têm prioridade para votar, mas são os últimos dessa fila. E precisam apresentar documento provando que a última doação tem menos de 120 dias.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Com 110 filmes inéditos, Festival do Rio começa nesta terça-feira

    Com 110 filmes inéditos, Festival do Rio começa nesta terça-feira

    O Festival do Rio começa nesta quinta-feira (1º) com programação que reúne cinema brasileiro e produções internacionais premiadas nos principais festivais do mundo. Até 11 de outubro, o público poderá assistir a 359 títulos entre longas, curtas e séries, em diferentes salas e espaços culturais do Rio de Janeiro.

    Paralelamente às sessões, o RioMarket reúne produtores, distribuidores, plataformas, canais e investidores para discutir negócios, inovação e os novos caminhos da indústria audiovisual.

    No tapete vermelho , na  abertura do festival  no Cine Odeon, no centro da capital fluminense , o filme exibido será ar (La Bola Negra), dos espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi, lembrando que os diretores  receberam o prêmio de Melhor Direção em Cannes neste ano.

    A programação tem como um dos principais destaques a mostra Première Brasil, que apresenta 110 filmes brasileiros inéditos. Considerada a principal vitrine do cinema nacional dentro do festival, a mostra reúne produções de diferentes gêneros, gerações e regiões, com sessões de gala, exibições populares e debates com as equipes.

    As sessões competitivas da Première Brasil também aproximam o público da premiação. Os espectadores podem avaliar os filmes por meio de uma cédula digital acessada por QR Code nas saídas das salas. As produções mais votadas concorrem ao Troféu Redentor de Voto Popular em categorias como Melhor Longa de Ficção, Melhor Longa Documentário e Melhor Longa da Mostra Novos Rumos.

    Entre os filmes selecionados estão Funk, de Aly Muritiba, que acompanha uma jovem funkeira diante da possibilidade de transformar a carreira artística; Alucinação, de Marcos Caetano, Renato Terra e Leo Caetano, inspirado nas canções de Belchior; e Elza, de Eryk Rocha, documentário em que Elza Soares é narradora de sua própria trajetória.

    A música também aparece em produções dedicadas a artistas como Aldir Blanc, Maria Alcina, Flora Purim, Airto Moreira e Alceu Valença. A programação inclui ainda a série Marília Mendonça: Sentimento Louco, de Susanna Lira, e o documentário Ney por Trás das Máscaras, de Esmir Filho e Thais Guisasola.

    O Festival do Rio também se consolida como porta de entrada para filmes que circularam recentemente pelos grandes festivais internacionais. A programação traz obras reconhecidas em Cannes, Berlim e Veneza, aproximando o público carioca de títulos que chegam ao Rio logo depois de passarem por importantes eventos da temporada cinematográfica.

    Entre os destaques está Cartas Amarelas, de Ilker Çatak, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. De Veneza chega Um Pequeno Bom Soldado, de Stéphane Brizé, premiado pelo roteiro. Cannes está representado por Covarde, de Lukas Dhont, e Um Homem do seu Tempo, de Emmanuel Marre, ambos reconhecidos no festival francês.

    A programação inclui ainda A Grande Estreia, de Jesse Eisenberg, que passou pelo Festival de Toronto e pela competição oficial de San Sebastián. Ao todo, 16 produções escolhidas por seus países para representá-los na disputa por uma indicação ao Oscar estão na programação, entre elas Feito Pipa, representante do Brasil, e A Bola Preta, representante da Espanha.

    Entre as estreias internacionais está Rosebush Pruning, do cineasta cearense  Karim Aïnouz, que terá première no Festival do Rio no dia 3 de outubro, com a presença do diretor. O filme é estrelado por Callum Turner, Elle Fanning, Riley Keough, Jamie Bell e Pamela Anderson e tem roteiro de Efthimis Filippou.

    Ao falar sobre a produção, Aïnouz destaca as relações entre privilégio, intimidade, violência e silêncio no interior de uma família:

    “Quando comecei a trabalhar em Rosebush Pruning, sabia que não estava simplesmente retratando uma família privilegiada. Eu estava confrontando um espelho no qual intimidade, privilégio e violência se fundem até se tornarem indistinguíveis.”

    Segundo o diretor, o filme busca tratar também das estruturas de poder que se escondem nas relações familiares:

    “O que estou refletindo não é apenas um drama familiar, mas aquilo que se esconde dentro dele: como o poder pode intoxicar, como o conforto se transforma em anestesia e como o silêncio mascara o abuso.”

    Riomarket reúne indústria audiovisual 

    Enquanto as salas recebem os filmes da programação, o RioMarket concentra as atividades voltadas à indústria audiovisual. Realizado no Armazém da Utopia, no Cais do Porto, o espaço reúne profissionais brasileiros e estrangeiros em uma agenda de debates, formação e negócios.

    Produtores, distribuidores, plataformas, canais, investidores e criadores participam de encontros sobre produção, distribuição, tecnologia, internacionalização, sustentabilidade e comportamento do público. O acesso à programação é gratuito, mediante inscrição.

    Entre os temas desta edição estão a TV 3.0, os FAST Channels e os microdramas, formatos que vêm alterando as formas de produção, distribuição e consumo de conteúdo. A programação também discute a relação entre plataformas, fãs e criadores, além das estratégias de internacionalização do audiovisual brasileiro.

    Representantes internacionais participam de debates sobre a presença do audiovisual brasileiro no mercado global. A programação reúne ainda produtores, distribuidores e exibidores chineses, coreanos e latino-americanos , que estarão no evento para discutir as transformações do setor e sua relação com o público.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br