Prefeitura de Juiz de Fora e ONU-Habitat promovem participação de crianças no planejamento de espaços públicos

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Caminhos mais acessíveis, ruas mais seguras, áreas verdes, espaços para brincar e mais lugares de convivência. Esses foram alguns dos desejos apresentados por 60 crianças da rede municipal de ensino de Juiz de Fora, que participaram, entre os dias 1º e 3 de setembro, das Oficinas de Desenho de Espaços Públicos, realizadas no âmbito do projeto Tecendo a Cidade – Planejando com Viés Participativo.

A iniciativa é desenvolvida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (SEDUPP), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). As atividades reuniram estudantes do 4º e 6º ano, de 9 a 12 anos, das escolas municipais Georg Rodenbach, no bairro Grama; Áurea Bicalho, no bairro Linhares; e Antônio Carlos Fagundes, no bairro Francisco Bernardino.

O objetivo da proposta foi compreender, a partir da perspectiva das crianças, os desafios encontrados nos espaços públicos e nos trajetos próximos às escolas dos territórios onde vivem, considerando também suas percepções sobre os espaços urbanos em diferentes escalas, do entorno imediato e dos caminhos cotidianos à cidade como um todo, bem como as mudanças que gostariam de ver nesses espaços. O material produzido durante as oficinas será sistematizado pelas equipes do ONU-Habitat e da Prefeitura de Juiz de Fora e servirá de subsídio para a elaboração de propostas preliminares de novos espaços públicos. 

“A parceria com o ONU-Habitat é muito importante porque nos permite acessar metodologias e experiências que dialogam com aquilo que acreditamos e buscamos construir na Secretaria: uma cidade planejada com participação popular. E, quando falamos em participação, precisamos ampliar essa escuta e aprender também a ouvir as crianças”, destaca a Secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular de Juiz de Fora, Cidinha Louzada. 

Arquitetas e arquitetos por um dia

A oficina de Desenho de Espaços Públicos convida as crianças a olhar para a cidade a partir de suas próprias experiências e a pensar em soluções para os espaços que fazem parte de seu cotidiano. Para isso, o ONU-Habitat utiliza diferentes ferramentas participativas, como caminhadas exploratórias virtuais, mapeamento afetivo dos bairros, um jogo de cartas com soluções urbanas e a construção de maquetes. As atividades estimulam os estudantes a observar os lugares que frequentam, identificar situações que gostariam de transformar e imaginar como esses espaços poderiam ser mais seguros, acessíveis, acolhedores e adequados às necessidades de diferentes pessoas.

Na dinâmica do “baralho de soluções urbanas”, os estudantes foram divididos em grupos temáticos — Mobilidade, Identidade, Segurança, Instalações, Brincar e Natureza — e escolheram cartas com diferentes possibilidades de intervenção nos espaços públicos. Além de selecionar as soluções, as crianças foram convidadas a explicar por que aquelas mudanças seriam importantes para os lugares onde vivem.

Ao pensar a cidade, as crianças também foram estimuladas a olhar para aspectos que vão além da infraestrutura, considerando elementos relacionados à cultura, ao conforto e ao cuidado com o ambiente. A estudante do 6º ano da Escola Municipal Georg Rodenbach Maria Eduarda Santos de Oliveira destacou a importância de valorizar a identidade dos territórios, criar espaços de convivência mais agradáveis e ampliar as possibilidades de descarte adequado de resíduos.

As oficinas contaram com 60 alunos de 9 a 12 anos e as maquetes produzidas com melhorias de espaços públicos serão transformadas em projetos preliminares.
Legenda: As oficinas contaram com 60 alunos de 9 a 12 anos e as maquetes produzidas com melhorias de espaços públicos serão transformadas em projetos preliminares.
Foto: © Amanda Andrade/ONU-Habitat Brasil

“No jogo, eu pensei em colocar mais artes nas ruas para representar a nossa cultura e as nossas histórias. Também gostei de pensar em praças com mais lugares tranquilos e árvores que façam sombra, deem abrigo e ajudem a refrescar. Faz muito calor e temos muita poluição por causa do lixo na praça. Por isso, acho que precisamos de mais lixeiras para separar papel, materiais orgânicos e plástico e deixar a cidade melhor.”

Arthur de Almeida Guedes, estudante do 6º ano da Escola Municipal Georg Rodenbach, participou do grupo Mobilidade e escolheu calçadas largas, sinalização nas ruas e rampas de acesso. “Escolhi calçadas largas porque aqui perto da escola as calçadas são muito pequenas e são difíceis de passar. Também escolhi rampas de acesso, para pessoas com deficiência passarem”.

Em outra dinâmica, os estudantes foram convidados a imaginar quais mudanças gostariam de ver na cidade. Helena Lopes da Silva Alves, estudante do 6º ano da Escola Municipal Áurea Bicalho, destacou a criação de mais parquinhos e a melhoria da estrutura dos espaços.

“Se eu fosse arquiteta da cidade, eu melhoraria a estrutura e faria mais parquinhos para as crianças. Também colocaria mais árvores, faria mais abrigos para animais e para as pessoas e melhoraria tudo.”

O mapeamento afetivo ampliou essa reflexão a partir da relação das crianças com os territórios onde vivem. Os estudantes registraram lugares de que gostam, espaços que frequentam e situações que consideram importantes, além de identificar pontos que poderiam ser melhorados. A atividade também contemplou os trajetos percorridos a pé entre suas casas, os pontos de ônibus e as escolas. Ao percorrer esses caminhos, as crianças foram estimuladas a observar aspectos como segurança, iluminação, limpeza, conservação das ruas, acessibilidade e condições de circulação.

Pedro Leonardo Martins de Souza, estudante do 6º ano da Escola Municipal Áurea Bicalho, destacou a segurança nos trajetos até a escola.“Se eu fosse o arquiteto da cidade por um dia, eu mudaria muitas coisas na segurança. A minha mãe não me deixa ir para a escola sozinho porque a rua é muito movimentada e tem muitos acidentes. Então, seria muito bom ter mais sinalização e faixas de pedestres.”

Na etapa final, as ideias deixaram o papel e ganharam forma nas maquetes. Com os elementos construídos, os estudantes puderam representar as transformações que gostariam de ver nos espaços públicos de seus bairros, materializando propostas pensadas a partir de suas próprias experiências.

Ao final das oficinas, as crianças receberam a medalha e o certificado Talento da Cidade, como reconhecimento pela participação e pelos esforços criativos dedicados a imaginar uma Juiz de Fora melhor para todas as pessoas.

Próximos passos

As ideias e propostas construídas pelas crianças ao longo das oficinas passam, agora, a integrar as próximas etapas do projeto. O material produzido será sistematizado pelas equipes do ONU-Habitat e da Prefeitura de Juiz de Fora, contribuindo para o desenvolvimento de propostas preliminares para os espaços públicos e para a construção de um caderno metodológico que reúna os aprendizados da experiência e apoie sua aplicação em outros territórios.

“Há cerca de dois anos, a SEDUPP vem realizando pesquisas, levantamentos e análises sobre as características que podem tornar os bairros mais adequados para as crianças. Por isso, a parceria com o ONU-Habitat representa uma oportunidade de aprofundar esse trabalho a partir da escuta direta de meninas e meninos. As informações produzidas nas oficinas vão nos ajudar a compreender como as crianças percebem e vivenciam a cidade, em diferentes escalas e a partir da sua escala humana, e a incorporar essa perspectiva ao planejamento urbano, subsidiando a elaboração de espaços públicos mais inclusivos, acessíveis e adequados para elas”, explica Julia Daibert, coordenadora do Departamento de Intervenções Urbanas da SEDUPP e da iniciativa Tecendo a Cidade pela Prefeitura de Juiz de Fora.

A metodologia utilizada em Juiz de Fora integra uma experiência que vem sendo desenvolvida pelo ONU-Habitat em diferentes cidades do Brasil e da América do Sul. Em Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina), estudantes participaram de oficinas que resultaram em anteprojetos arquitetônicos para praças próximas às escolas. Em São Gonçalo (RJ), as contribuições de cerca de 30 crianças da comunidade da Ipuca subsidiaram uma proposta de projeto arquitetônico desenvolvida com a Prefeitura de São Gonçalo.

“Cada cidade onde essa metodologia foi aplicada contribuiu para seu aprimoramento. Agora, em Juiz de Fora, teremos a oportunidade de incorporar novos aprendizados a essa experiência e sistematizar esse processo em um caderno metodológico para apoiar sua replicação em outros territórios. Esse é um dos grandes valores da cooperação: transformar experiências locais em conhecimento que possa ser adaptado e aplicado em diferentes contextos”, afirma Natália Oliveira, coordenadora de programas do ONU-Habitat.

Tecendo a cidade: planejando com um viés participativo 

O “Tecendo a cidade” integra as ações de cooperação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e o ONU-Habitat voltadas ao fortalecimento do planejamento urbano sustentável, à promoção da participação social e à construção de cidades mais inclusivas, seguras e resilientes.

As ações da iniciativa contribuem para a implementação local da Agenda 2030 e da Nova Agenda Urbana, com destaque para os ODS 5, de Igualdade de Gênero, e 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis.

Contato para imprensa: 

Fonte: brasil.un.org

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