Sertão Vivo fortalece escolas rurais e protagonismo juvenil no Semiárido

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As escolas rurais desempenham um papel que vai além da sala de aula: conectar educação, comunidade e desenvolvimento dos territórios. Essa foi uma das principais ideias discutidas durante encontro do projeto Sertão Vivo, realizado nos dias 2 e 3 de setembro, na Escola Família Agrícola (EFA) de Sobradinho, na Bahia.

A atividade reuniu representantes dos cinco estados atendidos pelo projeto Sertão Vivo — Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe —, a Unidade de Monitoramento, Avaliação e Aprendizagem do Projeto (PMEL), organizações da sociedade civil, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), representantes do Projeto Dom Hélder Câmara III (PDHC III), equipes territoriais e outros parceiros para construir uma estratégia comum de atuação junto às escolas rurais. O objetivo foi articular diferentes experiências e realidades territoriais em torno de uma visão compartilhada.

Representantes de organizações parceiras do Sertão Vivo, entre elas IRPAA e MOC, ao final do encontro na Escola Família Agrícola de Sobradinho, na Bahia.
Legenda: Representantes de organizações parceiras do Sertão Vivo, entre elas IRPAA e MOC, ao final do encontro na Escola Família Agrícola de Sobradinho, na Bahia.
Foto: © Caio Leal/FIDA.

Um dos principais eixos da discussão foi o papel das juventudes. O projeto Sertão Vivo, cofinanciado pelo FIDA e pelo BNDES, com apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF), estabelece como referência que 50% das pessoas beneficiárias sejam jovens. A proposta discutida no encontro é que essa participação não se limite à preparação de uma futura geração, mas que os jovens sejam protagonistas/sujeitos ativos do se próprio desenvolvimento e contribuam, já no presente, para as transformações de suas comunidades.

A partir dessa perspectiva, estudantes podem atuar como multiplicadores, mobilizando famílias, participando de organizações locais e contribuindo para a construção de novas oportunidades de trabalho, renda, educação e qualidade de vida no campo.

“Escutar os jovens” foi um dos princípios destacados durante as discussões. As estratégias deverão considerar diferentes interesses, conhecimentos, identidades e projetos de vida, e considerar abordagens e atividades concretas que respondam a diversidade de vocações existentes no meio rural, que não se restringem à agropecuária.

Educação conectada ao território

Representantes dos cinco estados atendidos pelo Sertão Vivo — Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe — participam de dinâmica coletiva sobre o futuro das escolas rurais.
Legenda: Representantes dos cinco estados atendidos pelo Sertão Vivo — Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe — participam de dinâmica coletiva sobre o futuro das escolas rurais.
Foto: © Caio Leal/FIDA.

As Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) foram identificadas como espaços importantes para a implementação dessa estratégia, devido à experiência acumulada com educação contextualizada, formação técnica, alternância entre escola e comunidade e valorização dos conhecimentos do Semiárido. A proposta também considera a articulação com escolas públicas de ensino médio, buscando alcançar a rede educacional dos territórios atendidos.

Uma das possibilidades discutidas foi fortalecer as escolas como espaços comunitários de conhecimento, cultura, formação e convivência, aproximando estudantes, famílias, associações e conselhos da definição de prioridades e estratégias.

A ideia é que questões concretas dos territórios também possam fazer parte dos processos pedagógicos. Entre os exemplos debatidos estão mudança climática, queimadas, alimentação, agroecologia, infraestrutura, preconceito e direitos sociais. A pesquisa-ação foi apontada como uma abordagem possível para conhecer a realidade local, analisá-la coletivamente e construir respostas com a participação das comunidades.

Participantes visitam o viveiro de mudas e sistema agroecológico da Escola Família Agrícola de Sobradinho durante a programação técnica do encontro.
Legenda: Participantes visitam o viveiro de mudas e sistema agroecológico da Escola Família Agrícola de Sobradinho durante a programação técnica do encontro.
Foto: © Caio Leal/FIDA.

Próximos passos

O encontro também resultou em uma agenda de trabalho que inclui o mapeamento de escolas e territórios em cada estado, a definição de critérios para sua participação, a elaboração de objetivos, metas, indicadores e metodologias e o fortalecimento das equipes de assistência técnica e extensão rural (ATER).

Entre as propostas está ainda a criação de um grupo de trabalho com pontos focais de juventude nos estados e nas equipes envolvidas, para promover o intercâmbio de experiências, acompanhar desafios e apoiar a construção de soluções comuns.

Jogo pedagógico "Agenda 2030", desenvolvido pela EFA de Sobradinho, relaciona os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável à educação contextualizada com o Semiárido.
Legenda: Jogo pedagógico “Agenda 2030”, desenvolvido pela EFA de Sobradinho, relaciona os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável à educação contextualizada com o Semiárido.
Foto: © Caio Leal/FIDA.

A estratégia deverá considerar as especificidades de cada território, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a coordenação entre os cinco estados e as instituições parceiras. A expectativa é que a atuação conjunta contribua para aproximar educação, participação juvenil e desenvolvimento rural sustentável no Semiárido.

Assista ao vídeo e conheça mais sobre o encontro e as perspectivas para fortalecer a participação das escolas e das juventudes nos territórios do Sertão Vivo.

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Sobre o FIDA

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.

Fonte: brasil.un.org

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