Categoria: Mundo

  • EUA tiram visto de procurador que investiga ex-assessor de Milei

    EUA tiram visto de procurador que investiga ex-assessor de Milei

    Os Estados Unidos (EUA) retiraram o visto de 26 autoridades latino-americanas do Peru, da Colômbia, Equador e Bolívia. Entre eles, o do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, responsável pela investigação contra o argentino Fernando Cerimedo, operador digital de presidentes aliados de Donald Trump na América Latina.

    Cerimedo foi preso por suposta tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller e investigado por suposto tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. Ele também foi responsável por assessorar, no ambiente digital, os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Bolívia, Rodrigo Paz. 

    No Brasil, o argentino se tornou conhecido em 2022, logo após o segundo turno das eleições presidenciais, por ter participado de transmissão ao vivo na internet, na qual sustentava, sem provas, que o resultado das urnas tinha sido fraudado.

    Ele é apontado pela revista inglesa The Economist como “o homem do Maga na América Latina”, em alusão ao slogan político do presidente Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo). 

    Em resposta à Casa Branca, o procurador-geral boliviano Roger Mariaca classificou a restrição a seu visto como uma violação à soberania do país e citou o caso Cerimedo.

    “Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos”, afirmou Mariaca.

    Eleito pelo parlamento boliviano, em 2024, para um mandato de seis anos, o procurador-geral acrescentou que “nenhuma pressão política, nacional ou internacional pode se transformar em um impedimento para esclarecer questões que devem ser investigadas”.

    Cerimedo é investigado por operar uma rede digital para políticos de direita na América Latina. A polícia boliviana encontrou uma “fazenda de cliques” em um endereço ligado ao investigado usada para mobilizar robôs nas redes sociais. 

    Casa Branca

    O Departamento de Estado dos EUA, liderado pelo secretário Marco Rubio, justificou o cancelamento dos vistos como uma medida tomada para apoiar os demais participantes do Escudo das Américas, iniciativa liderada por Trump em parceria com aliados da América Latina para, supostamente, combater os cartéis de drogas na região.  Entre os atingidos estão empresários, juízes, ex-ministros de Estado, advogados, policiais – e familiares – sob acusação, sem provas, de corrupção ou atividades de narcotráfico.

    “Essa política restringe vistos para estrangeiros – e seus familiares imediatos – que prejudicam um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”, diz comunicado do Departamento de Estado dos EUA liderado por Marco Rúbio. 

    Ainda segundo o governo Trump, o procurador-geral da República da Bolívia, Roger Mariaca, teve o visto de entrada nos EUA cancelado por “seu envolvimento em corrupção significativa”.

    “[Mariaca] abusou de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça”, acusou o Departamento estadunidense sem apresentar provas.

    O procurador-geral boliviano Roger Mariaca respondeu que não aceitará que decisões externas, “sejam políticas ou de qualquer outra natureza”, condicionem as investigações das instituições bolivianas.

    “O povo boliviano tem direito a conhecer a veracidade das denúncias que foram apresentadas, incluindo aquelas relacionadas com ameaças de corrupção relacionadas aos combustíveis”, rebateu o procurador-geral boliviano.

    Governo Paz

    O governo de Rodrigo Paz afirmou que pedirá mais informações ao governo Donald Trump sobre as acusações dos EUA antes de iniciar uma investigação interna.

    “As declarações e acusações dos Estados Unidos são bastante sérias, e o governo as encara com a máxima seriedade”, afirmou o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano.

    O porta-voz da Presidência da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, disse que o governo local responderá a decisões soberanas dos EUA sobre cancelamento de vistos.

    “Vamos prestar toda a colaboração, para que se adiantem as investigações e as ações que correspondem à institucionalidade boliviana“, disse. 

    Maga na América Latina

    Em fevereiro de 2026, o marketeiro digital Fernando Cerimedo ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano”, da organização Latino Wall Street, em cerimônia realizada na residência do presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida.

    Cerimedo recebeu o prêmio das mãos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso de processo judicial por ter articulado, junto à Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado.

    O empresário e consultor político da direita latino-americana foi preso na Bolívia por tentativa de feminicídio a tiros contra a ativista e advogada boliviana Nadia Beller, que o acusa de ser o mandante do atentado.

    A defesa de Cerimedo nega que ele esteja envolvido no caso, alegando que o cliente é vítima de uma armação política.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Brasil e EUA criam grupo específico para negociar tarifaço

    Brasil e EUA criam grupo específico para negociar tarifaço

    Os governos do Brasil e dos Estados Unidos decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as tarifas aplicadas por Washington sobre produtos brasileiros e outros temas da relação comercial entre os dois países.

    O acordo foi anunciado nesta quarta-feira (30), após reunião dos ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na cidade estadunidense de Milwaukee, Wisconsin.

    O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros do Comércio do G20, grupo das 19 maiores economias do planeta, mais União Europeia e União Africana. Segundo o Mdic, o governo norte-americano deverá encaminhar nas próximas semanas um documento com uma proposta para definir o escopo das negociações, incluindo questões tarifárias e não tarifárias.

    Novo grupo

    A criação do grupo de trabalho estabelece um canal específico para a discussão dos obstáculos comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O objetivo é avaliar possíveis soluções e avançar nas negociações sobre um eventual acordo.

    Em nota, o Mdic explicou que os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do governo de buscar soluções por meio do diálogo e da negociação, com foco na defesa dos interesses brasileiros e na ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países.

    A reunião foi descrita pelo governo brasileiro como construtiva. Os dois países reconheceram a necessidade de avançar na superação dos obstáculos existentes e manifestaram disposição para trabalhar na busca de um entendimento.

    Tarifas em vigor

    As negociações ocorrem em meio à aplicação de sobretaxas adicionais dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. Em julho, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.

    Outra medida estabeleceu uma sobretaxa adicional de 10% ou 12,5% para importações de países enquadrados pelos Estados Unidos em sua política relacionada ao trabalho forçado. Segundo o Mdic, as duas medidas anunciadas em julho alcançam parcelas das exportações brasileiras.

    As tarifas são um dos principais pontos da negociação entre os dois governos, que também discutem questões não tarifárias relacionadas ao comércio bilateral.

    Diálogo retomado

    A atual rodada de negociações dá continuidade ao processo de aproximação entre os dois governos. Em 21 de agosto, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone, após o que representantes dos dois países retomaram contatos para tratar da relação comercial.

    Dez dias depois, ministros e representantes técnicos dos dois governos participaram de uma reunião virtual para avançar nas negociações. O encontro desta quarta-feira, em Milwaukee, representa a etapa presencial desse processo.

    Próximos passos

    O próximo passo será o envio, pelos Estados Unidos, do documento que deverá estabelecer o escopo dos trabalhos. A partir dessa proposta, o grupo de trabalho deverá discutir os temas tarifários e não tarifários e avaliar possibilidades de entendimento entre os dois países.

    A reunião ocorre durante o encontro ministerial do G20 sobre comércio, sediado em Milwaukee em 30 de setembro e 1º de outubro. O representante comercial americano, Jamieson Greer, é o anfitrião do encontro.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Autorregulação da IA de Trump é carta branca a big tech, diz professor

    Autorregulação da IA de Trump é carta branca a big tech, diz professor

    O anúncio do governo dos Estados Unidos (EUA) e de big techs da Inteligência Artificial (IA) de criar uma autorregulação voluntária com controles de segurança para o desenvolvimento da tecnologia representa uma “carta branca” para a indústria do setor com riscos para a saúde pública e para a democracia dos países.

    Essa é a avaliação do sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e autor de obras sobre tecnologias digitais:

    “O que o Trump fez foi entregar completamente e de modo irresponsável o controle democrático do desenvolvimento da IA para a própria corporação que a desenvolve. Isso é um risco gigantesco”, avaliou.

    Dentre as medidas anunciadas no acordo firmado na terça-feira (29), na Casa Branca, com a OpenAI, Meta, Anthropic, Google, Nvidia e X (antigo Twitter), está a implementação de “controles internos” para monitorar os modelos de IA para “garantir que seus modelos não invadam ou acessem sistemas técnicos de maneiras não intencionais”.

    “Isso já é feito. Todo o processo de treinamento de IA requer um controle robusto. O monitoramento interno já é feito. Tudo isso não agrega nada de importante para regulamentar e controlar usos e desenvolvimentos indevidos do aprendizado de máquina e do aprendizado profundo”, completou Amadeu.

    Sobre a previsão de auditoria externa independente das empresas de IA, o professor da UFABC contesta que essa auditoria será paga pela própria empresa.

    “Até que ponto esse auditor externo pago pela própria empresa vai fazer críticas e sugestões que vão criar descontentamento do conselho de acionistas das empresas?”, questionou Sérgio.  

    Benefícios frágeis

    O especialista em governança de IA Ettore Arpini, fundador da organização Plures, que apoia a formação de profissionais para atuação em IA, destacou à Agência Brasil que o acordo voluntário das IAs pode criar benefícios reais. 

    Porém, alerta que o compromisso pode ser abandonado quando as proteções se tornarem comercialmente prejudiciais.

    Arpini cita o exemplo da Moratória da Soja na Amazônia, que foi um acordo voluntário que envolveu empresas do setor para não plantar soja na Amazônia e evitar o desmatamento do bioma. 

    “Isso deu certo por 20 anos, de forma voluntária, até que mudou o ambiente político e econômico e as empresas que faziam parte saíram do acordo e a moratória morreu. O que acontece se uma empresa reprovar numa auditoria ou abandonar o pacto?”, questionou.

    Saúde Pública


    São Paulo (SP), 06.09.2024 - Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira. Foto: TV PUC/Reprodução
    Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira – TV PUC/Reprodução

    O sociólogo Sérgio Amadeu destaca que a IA traz riscos ambientais, devido ao alto consumo de energia e água, de violação de privacidade, devido a capacidade de vigilância em massa de populações, assim como riscos à democracia e à saúde pública.

    Ele explica que várias pesquisas realizadas na indústria farmacêutica, em parceria com big techs por meio de modelos de IA, podem envolver riscos para a saúde da população e, por isso, precisa de regulação do Estado.

    “Sabemos que quando o uso de IA fica sob controle apenas de investidores, isso traz um risco gigantesco para experimentos e ações que coloquem em risco a saúde pública”, comentou.

    Entre os riscos, o especialista cita a possibilidade do uso de IA levar as pessoas a tomar medicamentos por conta própria ou mesmo fazer diagnósticos com uso da máquina.

    “Quando nós estamos tratando de fenômenos ligados à chamada saúde pública e que incluam a parceria de grandes big techs com indústrias químicas e de fármacos, é um risco muito grande e, portanto, precisa de uma regulamentação estatal democrática”, concluiu.

    Temor social

    O governo Trump tem rejeitado impor limites ao desenvolvimento da IA, mesmo diante de pedidos da própria indústria e pressão social interna.

    Pesquisa de opinião realizada pela Ipsos e Reuters revelou que 73% da população dos EUA acreditam que as empresas de IA não tomam medidas suficientes para impedir os danos da tecnologia para a sociedade e 39% acreditam que a IA está tendo um impacto negativo na sociedade.

    Um dos riscos apontados é que os sistemas banalizem ataques cibernético por meio da invasão de sistemas de outras empresas e instituições. Outros riscos associados à IA são os impactos sobre o mercado de trabalho ou uso “maliciosos” da tecnologia por criminosos para aplicar golpes cibernéticos.

    Democracia

    A IA ainda pode ser usada para influenciar a opinião pública por meio da manipulação da informação que circula nas redes sociais, segundo descreve o relatório Internacional IA Safety Report 2026, elaborado por 100 especialistas de mais de 30 países.

    “Diversos estudos laboratoriais demonstraram que a interação com sistemas de IA pode levar a mudanças mensuráveis ​​nas crenças das pessoas”, aponta o relatório.

    Outro risco apontado é em relação ao desenvolvimento de armas químicas e biológicas.

    “Sistemas de IA de uso geral podem fornecer informações sobre o desenvolvimento de armas biológicas e químicas, incluindo detalhes sobre patógenos e instruções de laboratório de nível especializado”, diz o relatório internacional.

    Matéria ampliada às 13h13


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • ONU-Habitat abre chamada para eventos do Outubro Urbano 2026 sobre moradia adequada

    ONU-Habitat abre chamada para eventos do Outubro Urbano 2026 sobre moradia adequada

    Estão abertas as inscrições de eventos para o Outubro Urbano – iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) para promover debates e ações sobre os desafios e as oportunidades relacionados à urbanização e ao desenvolvimento sustentável das cidades.

    A iniciativa tem início no Dia Mundial do Habitat, celebrado em 5 de outubro, e se encerra no Dia Mundial das Cidades, no dia 31 de outubro. Em ambos, os temas vão focar na promoção da moradia adequada para todas as pessoas. As datas destacam a urgência de enfrentar a crise global da habitação, que afeta cerca de 2,8 bilhões de pessoas em diferentes formas de inadequação habitacional. Desse total, aproximadamente 1,1 bilhão vivem em favelas e assentamentos informais, reforçando a necessidade de ações coordenadas para garantir o acesso à moradia adequada.

    Nesse contexto, o Outubro Urbano convida instituições, governos, universidades, organizações da sociedade civil e indivíduos a promoverem, ao longo do mês, atividades relacionadas aos temas da iniciativa e a cadastrá-las na plataforma global do Outubro Urbano 2026. As iniciativas podem ser submetidas até 31 de outubro.

    Podem ser inscritos eventos, debates, oficinas, seminários, exposições e outras atividades que contribuam para ampliar o diálogo sobre habitação e desenvolvimento urbano sustentável. Ao integrar o calendário oficial, as iniciativas passam a fazer parte da mobilização global promovida pelo ONU-Habitat. 

    Acesse o passo a passo para inscrever seu evento.

    “O Outubro Urbano é uma oportunidade para dar visibilidade a iniciativas e experiências que contribuem para transformar as cidades. A participação dos parceiros é essencial para ampliar esse diálogo, conectar diferentes territórios e mostrar a diversidade de ações que estão contribuindo para um futuro urbano melhor”, destaca a chefe do escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferretti Moraes.

    Em 2026, os temas do Dia Mundial do Habitat e do Dia Mundial das Cidades, que marcam, respectivamente, o início e o encerramento do Outubro Urbano, dialogam com o Plano Estratégico do ONU-Habitat para 2026-2029 e seu compromisso com o direito à moradia adequada, o acesso seguro ao solo e a serviços básicos essenciais.
    Legenda: Em 2026, os temas do Dia Mundial do Habitat e do Dia Mundial das Cidades, que marcam, respectivamente, o início e o encerramento do Outubro Urbano, dialogam com o Plano Estratégico do ONU-Habitat para 2026-2029 e seu compromisso com o direito à moradia adequada, o acesso seguro ao solo e a serviços básicos essenciais.
    Foto: © ONU-Habitat

    Além da moradia adequada como caminho para cidades sustentáveis e inclusivas, o Dia Mundial das Cidades também vai destacar caminhos para avançar na garantia da moradia adequada e promover bairros mais inclusivos e resilientes às mudanças do clima. O tema também valoriza estratégias integradas e processos participativos, conduzidos com as comunidades e com medidas que evitem o deslocamento de moradores/as e garantam que a população que já vive nesses territórios se beneficie das melhorias.

    Sobre o Outubro Urbano

    O Outubro Urbano foi criado pelo ONU-Habitat para promover a conscientização e estimular o debate sobre a urbanização sustentável e a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados às cidades e aos assentamentos humanos. 

    A iniciativa oferece uma plataforma para que governos, organizações da sociedade civil, universidades, setor privado, comunidades e outros atores promovam atividades e compartilhem experiências sobre os desafios e as oportunidades relacionados ao desenvolvimento urbano. 

    O Outubro Urbano também contribui para o debate sobre a implementação da Nova Agenda Urbana, adotada em 2016 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III), em Quito, Equador. O documento estabelece princípios e compromissos para orientar a urbanização sustentável e promover cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. 

    Em 2026, a agenda do Outubro Urbano reforça a centralidade da moradia adequada para a construção de cidades mais justas e sustentáveis, destacando a importância de políticas integradas de habitação, regeneração urbana e melhoria dos assentamentos informais. 

    Contato para imprensa

    Fonte: brasil.un.org

  • Nobel Alternativo premia luta contra violência patriarcal e uso de IA

    Nobel Alternativo premia luta contra violência patriarcal e uso de IA

    A Right Livelihood Award distinguiu nesta quarta-feira (30) com o Nobel Alternativo a paquistanesa Jalila Haider e uma organização sul-africana pela luta contra a violência patriarcal, e a norte-americana Timnit Gebru pela defesa do uso ético da inteligência artificial.

     O prêmio da fundação sueca, que desde 1980 distingue o trabalho social, também premiou os esforços contra o autoritarismo da Associação de Jovens Advogados da Geórgia (GYLA, na sigla em inglês).

    O júri reconheceu Haider – a primeira mulher da comunidade hazara a tornar-se advogada –, por “desafiar a perseguição étnica, estatal e patriarcal, guiada pela convicção de que nenhum ser humano é ilegal”.

    “Combinando o trabalho jurídico com o ativismo de rua e o empoderamento comunitário, Haider conseguiu justiça para milhares de pessoas perseguidas ou ignoradas pelo poder, especialmente minorias étnicas, de gênero e religiosas, bem como refugiados”, destacou o veredicto.

    Haider, nascida em Quetta, no Paquistão, em 1984, liderou em 2018, uma greve de fome contra o assassinato de pessoas da etnia hazara, o que levou a uma negociação e reduziu os ataques contra esta comunidade.

    Como cofundadora da Frente Democrática das Mulheres, impulsionou a primeira marcha de mulheres do Baluchistão.

    A advogada paquistanesa ajudou mais de 400 viúvas de vítimas do terrorismo a alcançar a independência financeira através da sua organização Nós, os Humanos e conseguiu que mais de 600 ativistas políticos e defensores dos direitos humanos recuperassem a liberdade de circulação.

    Violência patriarcal

    Já a organização sul-africana Assembleia das Mulheres Rurais (RWA, na sigla em inglês) recebeu o prêmio por transformar as camponesas sul-africanas “em uma força unida em defesa da terra, das sementes e da autonomia corporal contra a espoliação corporativa e patriarcal”.

    O júri destacou que a organização transnacional, fundada em 2009 na Cidade do Cabo, África do Sul, reúne mais de 178 mil agricultoras de pequena escala em 11 países que, em oposição ao modelo das ONGs, aposta em uma estrutura horizontal dirigida por voluntários, construindo uma das maiores plataformas para mulheres rurais da região.

    A RWA documentou centenas de variedades de sementes indígenas e defendeu os sistemas tradicionais de comercialização.

    Além disso, transformou mulheres excluídas da propriedade da terra em uma voz política que ajudou a impulsionar uma lei no Zâmbia para a distribuição equitativa de terras às mulheres (2016) e outra na Suazilândia contra os abusos sexuais e a violência doméstica (2018).

    A GYLA foi distinguida “por construir e salvaguardar a democracia georgiana e por sustentar o poder civil diante da repressão autocrática”.

    Fundada em 1994, a GYLA é a organização de direitos humanos mais antiga da Geórgia: seus membros ajudaram a redigir a primeira Constituição deste país do Cáucaso após a queda da União Soviética em 1991 e desempenharam um papel essencial na sua democratização, salienta o júri, que a denomina como “espinha dorsal” da sociedade civil.

    A organização prestou cerca de 1,5 milhão de consultas jurídicas gratuitas em um país com 3,7 milhões de habitantes e contribuiu para assegurar os direitos das pessoas com deficiência e garantir o direito à educação infantil.

    O resultado salienta ainda que a GYLA decidiu permanecer na Geórgia, “apesar de sofrer uma dura repressão ao abrigo da nova lei contra agentes estrangeiros”.

    Inteligência Artificial

    A norte-americana de origem eritreia Timnit Gebru foi premiada “por desafiar o poder concentrado na inteligência artificial (IA) e por ser pioneira na tecnologia digital enraizada na justiça, na experiência vivida e na ação humana”.

    Através do Instituto de Investigação em Inteligência Artificial Distribuída, Gebru chamou a atenção para a concentração de poder no setor tecnológico e para os danos causados pela IA a comunidades discriminadas, bem como para a forma e os objetivos com que esta nova tecnologia é desenvolvida.

    Ex-diretora da equipa de ética da Google, ela criou também a Black in AI, uma organização destinada a aumentar a presença da população negra neste campo.

    “O seu modelo distributivo reúne investigadores e colaboradores de vários países e continentes, desafiando os conceitos centralizados e impulsionados pelas grandes empresas que a IA convencional acarreta”, salientou o júri.

    O Prêmio Meio de Vida Adequado (em tradução livre de Right Livelihood Award), como é realmente denominado, ainda que seja conhecido como Nobel Alternativo, já distinguiu cerca de duzentas pessoas e organizações desde que foi instituído em 1980 pelo escritor e ex-deputado europeu sueco-alemão Jakob von Uexküll.

    Os prêmios deste ano – cada um no valor de um milhão de coroas suecas (€ 88 mil ) – serão entregues em Estocolmo no próximo dia 1° de dezembro. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Denise Pires de Carvalho será vice-presidente de ciências da Unesco

    Denise Pires de Carvalho será vice-presidente de ciências da Unesco

    A cientista Denise Pires de Carvalho assumirá nos próximos dias o cargo de Vice Diretora-Geral de Ciências da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). É a primeira vez que a cadeira é ocupada pelo Brasil desde a criação da ONU em 1945.

    Ao fazer a indicação, a Unesco destacou a experiência da cientista em liderança e gestão de pesquisa e avaliação de programas de pesquisa e cooperação científica internacional e afirmou que o trabalho dela “abordou dimensões sociais da ciência, incluindo acesso equitativo, igualdade de gênero e governança institucional inclusiva”.

    Atual presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise afirma que chega à Unesco com o mesmo olhar que o Brasil teve para a ciência nos últimos anos, com reforço do multilateralismo e de uma ciência voltada para as pessoas.

    “Nesses últimos três anos,  o que o Brasil fez, a Capes fez, foi defender a interação sul-sul no nível da pós-graduação, internacionalizar cada vez mais os programas de pós-graduação do país, interagindo com a América Latina e o Caribe, com os países da África, para além de toda a cooperação que nós já fazíamos”, disse.

    Denise também destacou o papel da ciência no desenvolvimento dos países, especialmente os mais pobres. Ela defende que não há saída para o Brasil se tornar um país desenvolvido que não seja através da ciência.

    “Quem nega a ciência, nega o desenvolvimento da nação. Não há país independente sem universidades. Não há país independente sem ciência. E o Brasil começou muito tardiamente esse processo de verdadeira independência. Todos os países mais desenvolvidos do mundo são mais desenvolvidos porque investiram em ciência”, disse.

    Quem é Denise Pires de Carvalho

    Denise Pires de Carvalho é médica com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também é professora titular do departamento de Biofísica. Em 2019 se tornou a primeira mulher reitora da UFRJ.

    A cientista atuou também como Secretária de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) entre 2023 e 2024. Em fevereiro de 2024 assumiu a presidência da Capes. Atualmente preside também o Conselho Científico do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), da França, e participa de redes de cooperação acadêmica e científica de alcance regional e global.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • América Latina e Caribe fortalecem alimentação escolar com cooperação Sul-Sul

    América Latina e Caribe fortalecem alimentação escolar com cooperação Sul-Sul

    O Programa de Alimentação Escolar (PAE) da República Dominicana alcança 20% da população e oferece alimentação nutricionalmente adequada e saudável aos estudantes da rede pública, contribuindo também para a redução da evasão escolar. Considerado um dos principais investimentos sociais do país, o programa oferece café da manhã e almoço a mais de dois milhões de estudantes.

    Com o objetivo de continuar fortalecendo essa política pública, uma delegação do Instituto Nacional de Bem-Estar Estudantil (INABIE) realizou uma missão técnica ao Brasil e ao Paraguai para trocar experiências sobre alimentação escolar, analisar desafios e conhecer soluções implementadas nos dois países.

    A missão, realizada de 14 a 18 de setembro, incluiu apresentações técnicas com instituições responsáveis pela gestão, nutrição, saúde e logística dos programas de alimentação escolar dos três países, além de visitas a escolas e encontros com agricultores familiares que participam de programas de compras públicas para a alimentação escolar. Atualmente, a Rede RAES é integrada por 18 países-membros, entre eles, Brasil, Paraguai e República Dominicana.

    Brasil e Paraguai: compartilhando experiências

    Ao longo de cinco dias, a delegação dominicana conheceu experiências do Brasil e do Paraguai em diferentes áreas da alimentação escolar, desde a gestão e o financiamento até as compras públicas da agricultura familiar, os marcos normativos, o planejamento de cardápios, a logística, o armazenamento, a distribuição e os mecanismos de participação e controle social. Os intercâmbios também abordaram estratégias de sustentabilidade e a articulação entre alimentação, educação e saúde.

    A chefe de gabinete da ABC/MRE, Ministra Andreia Rigueira, destacou que, com a RAES, “conseguimos potencializar o intercâmbio de conhecimentos e experiências, promovendo programas de alimentação escolar e, consequentemente, contribuindo para enfrentar a insegurança alimentar”.

    O ministro do Desenvolvimento Social do Paraguai, Tadeo Rojas, destacou a importância do intercâmbio de experiências e conhecimentos para o fortalecimento dos programas de alimentação escolar e ressaltou o valor da participação do Paraguai na Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES) como espaço de aprendizagem.

    Em cooperação com a FAO, o INABIE desenvolve o projeto “Escolas Saudáveis e Sustentáveis: Inovação e fortalecimento do Programa de Alimentação Escolar”, voltado ao fortalecimento dos vínculos entre a produção agrícola local e a alimentação escolar, à promoção de hábitos alimentares saudáveis e à melhoria da nutrição dos estudantes.

    O diretor de Saúde e Nutrição do INABIE e chefe da delegação da República Dominicana, Luis Lizardo, agradeceu aos governos do Brasil e do Paraguai e à FAO pelo apoio, destacando também a saída de seu país do Mapa da Fome em 2026. “Nada disso é possível sem o programa de alimentação escolar, sem a Rede de Alimentação Escolar Sustentável, a RAES. Por meio da alimentação escolar, é possível avançar em direção a uma alimentação e nutrição melhores para todos os cidadãos do nosso país”, afirmou.

    A missão técnica foi promovida pelo INABIE, com apoio e organização da Rede RAES, e contou com o acompanhamento das representações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na República Dominicana, no Brasil e no Paraguai. Também contou com o apoio do Governo do Brasil, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e do Governo do Paraguai, por meio do Conselho Nacional de Alimentação Escolar (CONAE), do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e de outras instituições vinculadas ao Programa Fome Zero do Paraguai.

    Fortalecendo a alimentação escolar por meio da cooperação regional

    Para a coordenadora-geral do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do FNDE, Karine Santos, o intercâmbio de experiências durante a missão é fundamental para que os participantes levem para seus países estratégias que possam ser implementadas. Karine ressaltou o valor do trabalho em rede para fortalecer a alimentação escolar. “Quando podemos compartilhar experiências, ouvir desafios semelhantes e pensar em estratégias conjuntas, podemos alcançar programas de alimentação escolar melhores: mais sustentáveis, justos, equitativos e nutritivos”, afirmou.

    “Promover o intercâmbio de experiências entre os países é fundamental para fortalecer os gestores dos programas de alimentação escolar em suas tomadas de decisão e, assim, alcançar, passo a passo, a garantia do direito humano à alimentação adequada para todos os estudantes. Estamos juntos para compartilhar aprendizados, enfrentar desafios e avançar rumo a sistemas de alimentação escolar cada vez mais sustentáveis”, destacou Najla Veloso, secretária-executiva da RAES.

    Adoniram Sanches, coordenador sub-regional da FAO para a América Central, destacou o papel estratégico dos programas de alimentação escolar na transformação dos sistemas alimentares. Segundo ele, esses programas vão além de oferecer uma refeição diária, pois também contribuem para a formação de hábitos alimentares saudáveis. Ele também destacou as experiências do Brasil e do Paraguai na articulação da alimentação escolar com a agricultura familiar e observou que, por trás dos avanços registrados na redução da fome na região nos últimos anos, estão políticas públicas estratégicas, como os programas de alimentação escolar.

    A missão também contou com a participação de duas profissionais de Honduras, na qualidade de observadoras, representando a organização da sociedade civil Associação para uma Sociedade Mais Justa.

    Fonte: brasil.un.org

  • Trump revoga norma que protegia alunos LGBTI de discriminação sexual

    Trump revoga norma que protegia alunos LGBTI de discriminação sexual

    O governo dos Estados Unidos revogou formalmente normas da administração de Joe Biden que ampliavam proteções contra a discriminação sexual para incluir a orientação sexual e a identidade de gênero nas escolas dos EUA.

    A secretária da Educação, Linda McMahon, afirmou nesta segunda-feira (28) em comunicado que a medida retira do registro federal a regulamentação de 2024 e restabelece as normas aprovadas durante o primeiro mandato do presidente norte-americano, Donald Trump, que o governo vem aplicando desde janeiro de 2025.

    A norma de Biden, aprovada em 2024, interpretou pela primeira vez de forma explícita que a proibição da discriminação em razão do sexo prevista na legislação Título IX também abrangia a orientação sexual e a identidade de gênero.

    A regulamentação protegia estudantes e funcionários de estabelecimentos de ensino financiados com fundos federais contra esse tipo de discriminação.

    O Título IX, uma lei federal aprovada em 1972, proíbe a discriminação com base no sexo em programas educativos que recebem financiamento federal.

    A regulamentação de 2024 também ampliou a definição de assédio com base no sexo para incluir, entre outros comportamentos, o assédio devido à orientação sexual ou identidade de gênero, além de agressões sexuais, violência entre parceiros, violência doméstica e assédio.

    Com a decisão anunciada ontem, o Departamento de Educação restabelece, formalmente, as normas de 2020 que previam uma definição mais restrita de assédio sexual e reforçavam as garantias processuais dos estudantes acusados.

    De acordo com a imprensa local, a alteração tem um impacto limitado, uma vez que o governo Trump deixou de aplicar as normas de Biden em janeiro de 2025, depois de vários tribunais terem bloqueado e posteriormente revertido as alterações de Trump. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Ataque em escola na Eslováquia deixa pelo menos uma pessoa morta

    Ataque em escola na Eslováquia deixa pelo menos uma pessoa morta

    Uma mulher de 61 anos morreu e mais duas pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas em um ataque ocorrido numa escola em Staskov, no noroeste da Eslováquia, segundo informações dos serviços de emergência citadas pela France Presse.

    A vítima morreu na sequência de um ferimento de faca no peito. Os serviços de socorro revelaram ainda que, entre os feridos, estão uma mulher de 44 anos e uma criança em estado crítico. Ambas foram levadas ao hospital.

    A polícia informou, em comunicado, que “a situação está agora sob controle”.

    Segundo a imprensa, o agressor teria cerca de 14 anos.

    “Estou profundamente entristecido pelo trágico incidente ocorrido na escola de Staskov”, declarou o presidente eslovaco, Peter Pellegrini, dizendo-se “chocado por se tratar de mais um caso em que um aluno atacou professores e um colega de turma”.

    “Observamos que a agressividade e o clima de intolerância — propagados principalmente pelas redes sociais e, infelizmente, também por alguns políticos — estão literalmente a envenenar o espaço público e a influenciar o comportamento das nossas crianças na escola”, acrescentou Pellegrini em  comunicado.

    O primeiro-ministro Robert Fico expressou suas condolências aos familiares da vítima e afirmou que acompanha “a situação decorrente do trágico incidente”.

    Em janeiro de 2025, um adolescente matou um colega de turma e uma professora, além de ferir gravemente outra pessoa, durante um ataque numa escola de ensino em Spisska Stara Ves, no nordeste da Eslováquia.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • ARTIGO: O valor de saber

    ARTIGO: O valor de saber

    Os dividendos da integridade informacional: o valor de saber

    Não nos falta informação. Nunca tivemos tanta. No entanto, em todo o mundo, as pessoas lutam para responder às perguntas mais simples: o que realmente aconteceu? Quem decidiu o quê? É verdade?

    Esse é o paradoxo da nossa era. As sociedades mais conectadas da história também estão entre as mais vulneráveis ​​à confusão, à manipulação e à desconfiança. A informação circula mais rápido do que a responsabilidade. Os algoritmos recompensam a indignação em detrimento da precisão. A inteligência artificial gera falsidades plausíveis em larga escala. Em um ambiente como esse, o direito de saber não é apenas uma questão de transparência; é a essência da liberdade.

    Sem uma compreensão precisa do que está acontecendo e do que está sendo feito em seu nome, a névoa do engano se adensa e os malfeitores podem enganar impunemente.

    A sociedade é mais vulnerável quando o acesso à informação é negado. A Access Now e a coalizão #KeepItOn documentaram 313 interrupções da internet em 52 países em 2025, o maior número já registrado. As interrupções bloqueiam o jornalismo, silenciam comunidades e negam às pessoas informações potencialmente vitais.

    As leis de acesso à informação são um pilar da integridade da informação, e o monitoramento mais recente da UNESCO mostra progresso. Sua pesquisa de 2025 mostrou que 141 países têm garantias legais para o acesso à informação. Mas adoção não é implementação, e muitos países ainda enfrentam lacunas práticas em supervisão, recursos, aplicação, manutenção de registros e gerenciamento de dados. Dos países pesquisados, 51 não conseguiram fornecer dados sobre gestão documental, apesar de relatarem ter sistemas ou procedimentos em vigor.

    Os órgãos reguladores de acesso à informação e outros supervisores transformam as disposições legais em direitos exigíveis. No entanto, muitos deles são prejudicados por mandatos fracos, nomeações atrasadas, cortes orçamentários, interferência política, limites em seus poderes e ataques à sua independência. Para que o acesso à informação funcione, esses órgãos devem ser protegidos por lei, receber poderes e recursos adequados e estar protegidos de influências indevidas.

    Os danos causados ​​pela desinformação são reais. A UNESCO estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de US$ 350 bilhões a US$ 510 bilhões anualmente
    Legenda: A UNESCO estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de US$ 350 bilhões a US$ 510 bilhões anualmente.

    A lacuna foi ainda mais confirmada por um teste de leis de acesso à informação realizado em 2025, em conjunto pela UNESCO e pelo Centro para o Direito e a Democracia. Em 146 pedidos idênticos realizados em 76 países, 38% não receberam nenhuma resposta substancial, apenas 42% resultaram em divulgação completa e o tempo médio de resposta foi de 22 dias. Um exercício semelhante será repetido este ano para medir qualquer mudança.

    O acesso à informação precisa evoluir, mas exemplos das deficiências estão por toda parte, mesmo em países com legislação bem-intencionada.

    Em um vácuo de informação, o jornalismo corajoso e independente é indispensável. O jornalismo destila a informação para o entendimento público. Ele investiga, questiona, corrobora e contextualiza, mas também combate a desinformação. Ele faz perguntas que algumas partes preferem evitar. E dá aos cidadãos os meios para participar de forma significativa na vida pública.

    Os danos causados ​​pela desinformação são reais

    A UNESCO estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de US$ 350 bilhões a US$ 510 bilhões anualmente, por meio de respostas de saúde pública enfraquecidas, eleições distorcidas, atraso em ações climáticas, perdas financeiras, danos à reputação e erosão da confiança nas instituições. A desinformação, portanto, não é apenas um problema de comunicação. É um risco de governança, um passivo econômico e uma ameaça direta à capacidade das pessoas de tomar decisões informadas.

    As emissoras de serviço público e as organizações de mídia independentes são um contrapeso fundamental para esse problema. Seu mandato não é buscar engajamento a qualquer custo, mas informar e servir a todos os públicos. No entanto, elas enfrentam as pressões simultâneas de públicos fragmentados, declínio da confiança, interferência política, restrições financeiras, dependência de plataformas e conteúdo falso, sintético e manipulado desenfreado. Sua luta para continuar produzindo jornalismo de qualidade não é uma preocupação setorial, mas, sim, democrática.

    A resposta deve incluir investimentos renovados em jornalismo de interesse público, independência editorial, checagem de fatos, verificação de fontes abertas, Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) e colaboração transfronteiriça. Assim como as notícias falsas se espalham globalmente, os fornecedores de jornalismo confiável devem cooperar transnacionalmente. O ecossistema da informação seria mais pobre e muito mais frágil sem a mídia de interesse público – mas ela não pode defendê-lo sozinha.

    No Dia Mundial das Notícias e no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, o desafio é prático e apelamos a todos os atores no espaço da informação para que façam melhor:

    • Os governos devem aplicar as leis de acesso à informação e proteger a supervisão independente.
    • As plataformas e as empresas de tecnologia devem assumir total responsabilidade pelos espaços de informação que criam, em total consonância com o direito internacional dos direitos humanos.
    • E as organizações de comunicação social, de todos os tipos, devem sempre optar pelo rigor em vez do alcance.

    A informação confiável e de livre acesso é um benefício compartilhado. Mas depende de autoridades que protejam o acesso à informação, de jornalistas que procurem a verdade acima de tudo e do direito dos cidadãos aos fatos. O dividendo da integridade é real, mas só é alcançado quando todas e todos nós fazemos a nossa parte.

    Para saber mais, siga @unescobrasil nas redes e acesse a página da campanha #InformaçãoDeVerdade, da ONU Brasil. 

    Fonte: brasil.un.org