A empresa espacial de Elon Musk – a SpaceX – quer, nesta segunda-feira (28), colocar na história da indústria espacial mais uma bandeira, ao tentar um dos voos mais importantes do módulo espacial StarShip. Depois de 13 missões de testes, realizadas em trajetórias suborbitais, pela primeira vez a SpaceX quer colocar a nave Starship em órbita terrestre.
A missão, designada Starship Flight 14, tem a janela de lançamento a partir das 13h15 ((hora local) e deverá decolar da base de Starbase, no Texas, para permanecer cerca de dez horas no espaço.
De acordo com a missão, a nave vai realizar cerca de seis órbitas à Terra antes de regressar, por meio de uma reentrada controlada, um pouso sobre o Oceano Pacífico.
Mais do que um simples voo de teste, esta será também a primeira missão da Starship com uma carga operacional. A nave tem no seu interior 26 satélites Starlink V3 – uma nova geração de mais de 100 mil satélites da rede de internet espacial da SpaceX – concebida para aumentar significativamente a capacidade e velocidade de comunicações da constelação em atual funcionamento.
Ao contrário dos voos anteriores, a missão de hoje deverá elevar a nave até uma altitude aproximada de 275 quilómetros, permitindo-lhe completar cerca de seis órbitas à Terra ao longo de uma missão com duração próxima de dez horas.
O sucesso da missão, se tudo correr como previsto, poderá representar um marco na evolução do maior e mais poderoso sistema de lançamento já construído.
O presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, disse que este 14º voo representa a maturidade deste lançador pesado. “
Só para se ter uma ideia, estamos lançando ao espaço cerca de 100 toneladas do que se considera carga útil”, afirmou.
Com cerca de 124 metros de altura, a Starship foi concebida para ser totalmente reutilizável e é vista por Elon Musk como a plataforma que poderá suportar futuras missões à Lua, ao programa Artemis da Nasa, a agência espacial norte-americana e, a longo prazo, transportar seres humanos para Marte.
Depois de anos de desenvolvimento, sucessos parciais e algumas explosões “espectaculares”, que foram também imagem de marca da SpaceX, o voo de hoje poderá assinalar a transição da Starship de veículo experimental para uma verdadeira nave operacional.
Até agora, a SpaceX testou se a Starship conseguia chegar ao espaço. A partir de hoje, começa a testar se a nave consegue trabalhar no espaço.
Os Estados Unidos e a China concordaram em reduzir as tarifas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias e iniciar um diálogo sobre inteligência artificial, informaram os dois países após a visita do presidente Xi Jinping a Washington.
As reduções tarifárias devem ser aplicadas a exportações dos EUA, como produtos agrícolas, madeira e cosméticos, assim como a importações dos EUA, incluindo pequenos eletrodomésticos, brinquedos e artigos de decoração, segundo comunicado divulgado pela Casa Branca na sexta-feira.
“Os dois países chegaram a um consenso sobre recomendações para um tratamento tarifário mais favorável para US$ 30 bilhões em mercadorias não sensíveis em ambas as direções”, afirmou a Casa Branca.
A cúpula de três dias entre Xi e o presidente Donald Trump, que terminou na sexta-feira, destacou a diplomacia pessoal em vez de grandes avanços públicos.
Xi já pousou em Pequim, informou a agência de notícias estatal chinesa Xinhua neste sábado.
Os dois lados também concordaram em criar um conselho comercial e ampliar os resultados das negociações anteriores em Kuala Lumpur, informou o Ministério das Relações Exteriores da China.
O acordo segue iniciativa das duas maiores economias do mundo de prorrogar por dois meses uma trégua comercial que deveria expirar em 10 de novembro, dando mais tempo para a busca de um acordo comercial potencialmente maior, afirmou na quarta-feira o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
“Esta visita histórica enriqueceu a relação construtiva e estável entre a China e os EUA, manteve a estabilidade geral dos laços bilaterais, abriu um novo capítulo nas relações entre os dois países e terá um impacto de longo alcance na paz e no desenvolvimento mundial”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em comunicado.
Diálogo sobre IA
Sobre inteligência artificial, os dois lados concordaram em manter um diálogo sobre os riscos e benefícios da tecnologia, com a próxima rodada de discussões marcada para novembro, e acertaram de estabelecer um canal de comunicação para incidentes relacionados à IA, informaram o Ministério das Relações Exteriores da China e a Casa Branca.
A Casa Branca informou que os líderes concordaram em usar o termo “superinteligência” em vez de “inteligência artificial”.
Em um comunicado separado, o ministério chinês afirmou que Pequim valorizou o uso do novo termo por parte de Washington.
À medida que a tecnologia de IA continua a avançar, as duas partes devem intensificar intercâmbios e trabalhar em busca de um consenso, de acordo com os novos desdobramentos, afirmou.
Os dois lados também concordaram em apoiar-se mutuamente na organização da reunião de líderes da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) e da cúpula do Grupo dos 20 (G-20).
Em relação à política externa, os líderes concordaram que o Irã deve cumprir seu compromisso de não desenvolver armas nucleares e que nenhum país ou entidade deve impor taxas de trânsito em vias navegáveis internacionais, afirmaram os dois países.
A China se contrapôs aos Estados Unidos (EUA), em seu discurso na Assembleia Geral da ONU neste sábado (26), afirmando que a soberania dos países do Golfo deve ser respeitada. Pediu ainda que o país pare de ameaçar Cuba e suspenda o bloqueio imposto à ilha.
O vice-presidente Han Zheng não mencionou nominalmente os Estados Unidos em seu discurso. Os norte-americanos lançaram uma campanha de pressão contra Cuba que tem impedido, em grande parte, que o petróleo chegue à ilha. A guerra contra o Irã começou com ataques conjuntos dos EUA e de Israel em fevereiro.
Os comentários contrastaram fortemente com a cordialidade demonstrada no início desta semana na Casa Branca, onde o presidente Donald Trump homenageou o líder chinês, Xi Jinping, com desfiles aéreos militares e um luxuoso jantar de Estado.
“Os principais países devem assumir responsabilidades especiais pela salvaguarda da paz e da segurança internacionais e devem assumir a liderança no cumprimento das regras, na defesa do Estado de Direito e na prática do que é certo”, afirmou Han.
“A China defende que a soberania e a segurança dos países do Oriente Médio, incluindo o Golfo, devem ser respeitadas.”
Trump advertiu Xi contra a concessão de apoio ao Irã durante as negociações em Washington e recebeu garantias de que a China não o faria, afirmou nessa sexta-feira (25) o embaixador dos EUA na China.
A advertência ocorre após relatos de que Pequim havia fornecido ao Irã lançadores de mísseis de defesa aérea portáteis e de que Teerã havia encontrado maneiras de contornar as sanções sobre suas vendas de petróleo com a ajuda chinesa.
Bloqueio a Cuba
Sobre Cuba, Han disse que a China apela ao governo norte-americano para que cesse imediatamente o uso da ameaça de força contra o país suspenda, de imediato e por completo, o bloqueio e as sanções.
A rede elétrica de Cuba sofreu colapso total no início deste mês, mergulhando o país na escuridão e deixando milhões sem energia elétrica, enquanto os EUA mantêm o bloqueio.
Horas depois, no plenário da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, repetiu as falas chinesas, exortando Washington a suspender o cerco a Cuba e as restrições ao comércio com a maior ilha do Caribe.
Lavrov também afirmou que os EUA deveriam retirar Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo.
O envelhecido sistema de geração de energia de Cuba vem sofrendo forte pressão há anos devido à escassez de combustível e à infraestrutura precária, mas o bloqueio ao petróleo imposto pelos EUA, iniciado em janeiro, agravou os apagões e levou a frequentes colapsos na rede elétrica.
Han também aproveitou o discurso para retratar a China como um parceiro confiável no cenário global e uma defensora inabalável dos países em desenvolvimento.
“A China defende que todos os países, grandes ou pequenos, são membros iguais da comunidade internacional e que os assuntos mundiais devem ser tratados por todos, por meio de consultas”, disse Han.
Como mulheres e meninas se deslocam, utilizam e percebem os espaços públicos de seus bairros? Para responder a essa pergunta a partir da experiência de quem vive e circula pelo território, 78 participantes foram parte das oficinas Cidade Mulher, realizadas entre março e agosto na região de Nova Era, na Zona Norte de Juiz de Fora.
A iniciativa ouviu diferentes públicos sobre segurança, mobilidade, cuidado e uso dos espaços públicos e, a partir dessa escuta, será elaborado um diagnóstico de segurança urbana com recomendações para qualificar o território.
Realizadas pela Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), as atividades abrangeram os territórios de Nova Era I, Nova Era II, Jardim Santa Isabel, Santa Lúcia e Jardim dos Alfineiros.
“É importante falar sobre a escolha desse território. A Zona Norte, pelas estatísticas, concentra um número significativo de casos de violência contra as mulheres, o que é triste e, ao mesmo tempo, nos chama a atenção. O Cidade Mulher nos permite escutar mulheres de diferentes idades, entender o que elas vivenciam e identificar como essas violências aparecem no território. A partir desse conhecimento, podemos pensar em políticas públicas que tornem a cidade mais segura para as mulheres, olhando para toda a jornada: desde o momento em que elas entram no ônibus até a iluminação das ruas, os escadões e os demais espaços por onde circulam”, explica a Secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, Cidinha Louzada.
Ao longo do processo, foram realizadas oficinas em diferentes equipamentos públicos e com públicos diversos, além de visitas de campo para observar os pontos identificados pelas participantes e encaminhar demandas de zeladoria. A proposta foi compreender como as características do território influenciam a segurança, a autonomia, a mobilidade e o acesso das mulheres e meninas aos espaços públicos, incorporando suas experiências ao processo de planejamento urbano.
O Cidade Mulher tem como referência as Auditorias de Segurança das Mulheres, metodologia adaptada pelo ONU-Habitat a partir do Programa Global Cidades Mais Seguras. A abordagem parte do reconhecimento de que mulheres e meninas vivenciam situações de insegurança de maneira particular nos espaços urbanos e, por isso, coloca suas experiências no centro do processo de planejamento. A escuta das participantes permite identificar barreiras, riscos e oportunidades presentes nos caminhos e espaços do cotidiano, contribuindo para orientar ações que tornem a cidade mais segura, acessível e acolhedora para todas as pessoas.
Nas oficinas, esse processo foi organizado em diferentes momentos: conhecer, sensibilizar, territorializar, reconhecer e comunicar. As participantes foram convidadas a compartilhar suas experiências, mapear trajetos e lugares de uso cotidiano, identificar pontos de maior ou menor segurança e construir recomendações para o território.
Da escuta ao diagnóstico
A primeira atividade foi realizada na Escola Municipal Cecília Meireles, com foco nas mães dos estudantes, incluindo mães atípicas. Nesse encontro, o mapeamento dos caminhos do cuidado permitiu identificar trajetos realizados para levar e buscar crianças na escola, acompanhar pessoas à Unidade Básica de Saúde (UBS), ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e à farmácia, além dos deslocamentos de ônibus necessários para cumprir essas atividades. A ferramenta ajudou a revelar como as responsabilidades de cuidado também organizam a mobilidade das mulheres e influenciam a forma como elas utilizam e se deslocam pela cidade.
Na UBS Nova Era, participaram mulheres que realizam atividades de educação física, incluindo algumas com mobilidade reduzida. Já com as Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), profissionais que acompanham famílias diretamente nos bairros e percorrem diariamente o território, foi realizada uma caminhada exploratória pelos trajetos utilizados no trabalho.
Durante a caminhada, foram identificados escadões, ruas mal iluminadas e outros pontos percebidos como inseguros ou que dificultam a circulação. A atividade incorporou ao processo o conhecimento de mulheres que conhecem o território a partir da experiência cotidiana de percorrê-lo. Afinal, poucas pessoas conhecem melhor os caminhos de um bairro do que quem caminha por eles todos os dias.
“A caminhada foi muito legal porque, ao andar pelo bairro, conseguimos enxergar as áreas de risco de uma forma diferente. A dinâmica de olhar o mapa de cima também foi muito interessante, porque permitiu identificar os pontos e pensar em coisas que não costumamos pensar no dia a dia, como: se acontecer alguma coisa comigo, onde eu posso pedir ajuda? Conversar com outras mulheres também foi importante para pensarmos juntas onde podemos buscar proteção. Eu acho que esse projeto deveria acontecer em todos os bairros, porque a gente vai criando ideias e percebendo coisas que antes não enxergava. Eu achei a ideia maravilhosa”, conta a participante Patrícia da Silva Santos.
A escuta também incluiu adolescentes de 13 a 15 anos, em oficina realizada na Escola Municipal Professora Thereza Falci, e uma atividade específica, adaptada para mulheres idosas que participam das atividades de convivência da Associação de Apoio a Crianças e Idosos (AACI). Também foram realizadas ações de sensibilização sobre segurança urbana com perspectiva de gênero na Cecília Meireles, na Thereza Falci e no CRAS Santa Cruz.
Além das oficinas, foram realizadas visitas de campo aos pontos identificados pelas participantes, permitindo observar diretamente as condições dos locais e encaminhar demandas relacionadas à zeladoria urbana. A etapa aproximou a escuta realizada nas oficinas das condições concretas encontradas no território, contribuindo para qualificar a leitura dos desafios apontados pelas participantes.
“A oficina também é muito importante porque, além de contribuir para a construção de políticas públicas, trabalha a conscientização sobre a violência urbana de gênero. Isso vira educação e gera transformação. É um trabalho que vai trazer frutos no futuro e nos ajudar a pensar políticas públicas para as mulheres em diferentes territórios. O ONU-Habitat está fazendo um trabalho muito importante para Juiz de Fora, e acredito que uma cidade governada por mulheres e que pensa políticas públicas para mulheres pode transformar muito essa realidade”, finaliza Cidinha Louzada.
Próximas etapas
Com a conclusão das atividades participativas e das visitas de campo, a próxima etapa vai sistematizar os relatos, mapas, caminhos do cuidado, caminhadas exploratórias, observações e recomendações produzidos durante o processo.
“É justamente essa conexão entre a experiência de quem vive o território e o planejamento urbano que orienta o trabalho do ONU-Habitat. O diagnóstico vai sistematizar as percepções de mulheres e meninas, articulando essas informações à leitura do território para produzir evidências e recomendações que possam apoiar o município nas decisões de planejamento urbano”, afirma a coordenadora de programas do ONU-Habitat Natália Oliveira.
O diagnóstico deverá identificar aspectos do território que interferem na segurança, na autonomia e no acesso das mulheres aos espaços públicos e orientar recomendações a partir das características e dos desafios identificados. A proposta é que as experiências de quem vive e circula pelo bairro sejam incorporadas ao planejamento, transformando o conhecimento cotidiano em informação para a tomada de decisão.
“Vale ressaltar que nós, que estamos participando da concepção do projeto, somos mulheres, compartilhamos de alguns desses medos e também desejamos uma cidade mais segura, onde possamos andar com tranquilidade. A intenção agora é, a partir dessa escuta, analisar os programas e ações já existentes na Prefeitura, para pensar em como podemos levá-los para o bairro e também em novas iniciativas que possam somar e atender aos desejos das meninas e mulheres da região de Nova Era”, reforça Julia Daibert, coordenadora do Departamento de Intervenções Urbanas (DIURB) da SEDUPP e da iniciativa Tecendo a Cidade por parte da Prefeitura de Juiz de Fora.
Todo o processo desenvolvido em Juiz de Fora também será sistematizado em um caderno metodológico, reunindo as etapas, ferramentas e aprendizados da experiência de aplicação do Cidade Mulher em escala de bairro.
Legenda: Adolescentes mapearam seus caminhos mais utilizados no bairro e os caminhos que evitam. Experiência será transformada em caderno metodológico.
Tecendo a Cidade: planejando com um viés participativo
O “Tecendo a Cidade” integra as ações de cooperação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e o ONU-Habitat voltadas ao fortalecimento do planejamento urbano sustentável, à promoção da participação social e à construção de cidades mais inclusivas, seguras e resilientes.
As ações da iniciativa contribuem para a implementação local da Agenda 2030 e da Nova Agenda Urbana, com destaque para os ODS 5, de Igualdade de Gênero, e 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis.
Em Malibu, o Oceano Pacífico abriu um buraco perto da casa do astro de cinema Nicolas Cage e causou estragos em propriedades à beira-mar. Ao longo da Beach Road, na cidade de Dana Point, as ondas destruíram uma casa e obrigaram a prefeitura a desocupar ou restringir a ocupação de outras 16.
Esses danos, que se estenderam por todo o sul da Califórnia neste verão, foram provocados por uma série de ciclones e furacões do Pacífico Oriental, intensificados pelo fenômeno climático El Niño. Embora os furacões não tenham atingido o continente na Califórnia, eles geraram ondas gigantes que se chocaram contra a costa, arrancando a areia das praias e transformando um litoral que faz parte da identidade da Califórnia tanto quanto Hollywood ou o Vale do Silício.
Especialistas afirmam que ondas ainda mais violentas podem chegar nos próximos meses, quando ciclos climáticos naturais, intensificados pelas mudanças climáticas, podem coincidir com as marés mais altas.
“Tudo indica que este será um inverno bastante épico em termos de riscos potenciais”, disse Patrick Barnard, diretor de pesquisa do Centro de Resiliência Climática Costeira da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. “Tudo é amplificado pelas mudanças climáticas.”
A Califórnia declarou preventivamente, nesta semana, estado de emergência para ajudar a mobilizar equipes de resgate e de primeiros socorros, em preparação para mais turbulências causadas pelo El Niño, que surgiu em junho. A previsão é de que o fenômeno demonstre seus maiores efeitos até o final do ano e início de 2027.
Na sexta-feira, outro furacão, o Polo, se formou na costa do Pacífico mexicano. Ele pode enviar mais ondas para o norte. As autoridades cancelaram a primeira edição do Ocean Way Festival, marcada para este fim de semana em Santa Mônica, depois que as ondas causadas pela tempestade e o escoamento das águas do furacão Marie, durante o fim de semana do Dia do Trabalho, corroeram grande parte do local do show, logo ao sul do píer.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico tropical central e oriental ficam excepcionalmente quentes, alterando a circulação atmosférica e o clima em todo o mundo.
O nível do mar no sul da Califórnia subiu de 20 centímetros (cm) a 30 cm ao longo do último século. Um El Niño forte poderia elevar temporariamente o nível do mar em mais 15 ou 30 cm.
Relacionada ao El Niño está a onda de Kelvin subaquática, que poderia elevar temporariamente o nível do mar em mais 15 a 30 cm. A primeira grande onda de Kelvin do atual El Niño deve chegar à Califórnia no início de outubro, segundo Michael Jacox, oceanógrafo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA.
Os efeitos podem coincidir com marés-reinas sazonalmente extremas que ocorrem durante a fase de amplificação das marés do ciclo nodal lunar de 18,6 anos. O El Niño também pode produzir tempestades intensas conhecidas como “rios atmosféricos”, que frequentemente inundam áreas costeiras e corroem os penhascos das praias.
O litoral da Califórnia, geralmente íngreme, até agora poupou em grande parte os moradores das inundações crônicas observadas em áreas costeiras baixas em outras partes do mundo.
Em Carlsbad, uma cidade de 112 mil habitantes a cerca de 56 km ao norte de San Diego, a areia desapareceu quase da noite para o dia da praia de Tamarack, a joia de uma cidade que arrecada 14% de seu orçamento operacional com impostos sobre quartos de hotel.
Adam Young, geomorfologista costeiro do Instituto Scripps de Oceanografia da UC San Diego, visitou Tamarack recentemente, escalando pedras onde antes havia uma praia arenosa. Logo ao sul, o oceano engoliu a praia completamente, invadindo um estacionamento que antes permitia aos visitantes estacionarem a poucos passos da areia.
Os surfistas ainda lotam Tamarack. Mas uma praia que costumava estar repleta de turistas e moradores locais agora tem apenas alguns visitantes que ocupam um pedaço da pouca areia que resta.
“Espero que consigam encontrar uma solução, porque, sinceramente, acho que a Mãe Natureza vai levar tudo de volta até que eles parem com isso, certo?”, disse o surfista Alex Stott após uma sessão matinal. “Está ficando claro que ela pode levar a praia inteira, se quiser, bem rapidamente.”
A pobreza na Argentina voltou a subir e atingiu 32,3% da população do país no primeiro semestre de 2026, o que representa 9,7 milhões de pessoas, contra 28,2% registrados no semestre anterior.
No início do governo de Javier Milei, a pobreza cresceu de 41,7%, no 2º semestre de 2023, para 52,9% da população, no 2º semestre de 2024.
Desde então, o indicador que mede a pobreza do país vizinho vinha caindo até chegar aos 28% no ano passado, sendo apresentado como um dos trunfos do governo Milei.
O aumento da pobreza no país vem acompanhado do fechamento de empresas e empregos e da queda na atividade econômica medida pelo Indec, que fechou julho com retração de 2,9% em relação a junho.
O número de pessoas pobres classificadas como “abaixo da linha da indigência” também cresceu, passando de 6,3% no 2º semestre de 2025 para 7,5% no 1º semestre de 2026, o que equivale a 2,2 milhões de pessoas.
Os dados de pobreza do Indec são referentes a 31 regiões urbanas do país e são medidos de acordo com a capacidade das famílias de comprar a cesta básica de alimentos e a cesta básica total, que inclui despesas como habitação, transporte e roupas.
“Em média, a renda familiar per capita aumentou 11,5%. As cestas regionais médias aumentaram 21,4% (Cesta Básica Alimentar) e 19,6% (Cesta Básica Total)”, diz o Indec.
O Instituto Nacional de Estatísticas da Argentina ainda destaca que a maior parte das pessoas pobres, 44,5% do total, é formada por crianças e adolescentes de até 14 anos.
Governo comenta
Nas redes sociais, o ministro da Economia do governo argentino Luis Caputo minimizou o aumento da pobreza.
“Embora as taxas de pobreza e de indigência tenham aumentado 4,1 ponto percentual e 1,2 ponto percentual em relação ao semestre anterior, ambas as taxas registraram forte queda em relação ao primeiro semestre de 2024”, ponderou.
Sobre a queda na atividade econômica em julho de 2,9%, Caputo destacou que, no acumulado do ano, o dado ainda é positivo, com crescimento de 1,7% nos sete primeiros meses do ano.
A queda da atividade econômica em julho foi atribuída pelo ministro a “diversos choques transitórios que afetaram vários setores de atividade”.
“Podem ser mencionados a menor disponibilidade de gás no caso da indústria manufatureira; as maiores chuvas e nevascas em relação às médias históricas, para a construção, a mineração e alguns serviços; e as menores horas trabalhadas em alguns setores em relação à Copa do Mundo de Futebol”, explicou o ministro.
O 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, principal encontro mundial dedicado à prevenção do crime e à justiça criminal, será realizado em Abu Dhabi, de 26 de setembro a 1º de outubro. O evento, que acontece a cada cinco anos, discutirá novas formas de ameaças e a atuação de redes criminosas transnacionais.
A diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Monica Juma, alerta que o uso das novas tecnologias digitais pelo crime “está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo”. Em entrevista à ONU News, Juma também ressaltou a importância do Congresso das Nações Unidas para a promoção da justiça criminal.
Legenda: O 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal será realizado em Abu Dhabi de 26 de setembro a 1º de outubro.
Crimes cibernéticos, tráfico e golpes online estarão entre os temas do evento global, que buscará fortalecer a cooperação internacional para aprimorar respostas rápidas, inteligentes e coordenadas diante de ameaças que se expandem com o uso da tecnologia.
Confira a entrevista da chefe do UNODC à ONU News:
ONU News: O Congresso da ONU sobre Crime, realizado a cada cinco anos, oferece uma plataforma para que o mundo se reúna para fazer a seguinte pergunta: como o crime mudou?
Monica Juma: O fator determinante hoje é, obviamente, a tecnologia. Há cinco anos, a tecnologia evoluía de maneira muito diferente. Agora, ela está possibilitando uma infinidade de crimes em diversos setores. O que estamos vendo é uma convergência de tipos de crimes que está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo. Com a tecnologia, milhões de pessoas podem se tornar alvos em uma fração de segundo. Não há necessidade de intermediários nem de cruzar fronteiras.
Legenda: A diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Monica Juma, faz um pronunciamento ao Conselho de Segurança sobre a situação no Haiti.
ONU News: Como o Congresso sobre Crime pode ajudar a garantir que os sistemas de justiça e de aplicação da lei nos países em desenvolvimento não fiquem para trás em meio a uma crescente exclusão digital global?
Monica Juma: A tecnologia, na verdade, não está deixando ninguém para trás. Países considerados muito avançados em termos de tecnologia são tão vulneráveis quanto os mais fracos. Os criminosos organizados não têm inibições em relação às fronteiras. Os traficantes não dependem mais apenas de pessoas que transportam outras pessoas através das fronteiras em barcos. Agora, eles também estão usando tecnologia e desinformação para criar empregos falsos e, às vezes, acabam se infiltrando em cadeias de suprimentos de negócios legítimos, incluindo serviços bancários.
É exatamente por isso que o Congresso das Nações Unidas sobre Crime é tão importante. Esse é o valor da ONU. Temos a capacidade de reunir todos à mesa, e é isso que veremos em Abu Dhabi. Haverá representantes de todas as partes do mundo.
No UNODC, estamos criando cada vez mais plataformas para a interação entre fronteiras e setores, por exemplo: investigadores, promotores, agentes de segurança pública, autoridades judiciais e até mesmo jornalistas investigativos.
O objetivo é criar uma convergência de competências que possa ser rapidamente utilizada para transmitir informações, provas ou suspeitas a alguém que possa agir com base nelas quase imediatamente.
Estamos incentivando os países a cooperarem mais, inclusive nas áreas de compartilhamento de inteligência e análise forense, entre outras, mas a capacidade de concretizar essa cooperação ainda não foi totalmente viabilizada, até o momento, por parte dos Estados-membros. Para isso, são necessárias políticas, trocas de experiências e mecanismos adequados.
ONU News: Por que a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético é tão importante?
Monica Juma: A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético foi adotada por unanimidade pela Assembleia Geral em 2024, e já contamos com mais de 80 signatários. A Convenção oferece um conjunto completo de ferramentas que facilita a cooperação entre os países e estabelece padrões semelhantes que permitirão respostas mais rápidas e ágeis a ameaças comuns.
Estamos convocando e incentivando os países a ratificá-la para que ela possa entrar em vigor, pois, até que isso aconteça, sua plena utilização será limitada.
A ratificação é um processo legislativo interno, mas muitos países com os quais conversei pessoalmente indicaram que esse processo está em andamento. Esperamos que ela possa entrar em vigor em breve.
Legenda: Na cerimônia de assinatura em Hanói, em 25 de outubro de 2025, o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético como um instrumento poderoso e juridicamente vinculante para fortalecer as defesas coletivas contra o crime cibernético.
ONU News: Centenas de milhares de vítimas de tráfico são forçadas a cometer crimes cibernéticos em centros de golpes em grande escala e em constante expansão. Como o Congresso sobre Crime pode lidar com essa situação?
Monica Juma: Em primeiro lugar, esses centros de golpes representam realmente uma crise global. Nosso último relatório sobre centros de golpes no Sudeste Asiático indicou que as vítimas eram de mais de 80 nacionalidades de todo o mundo. Trata-se de uma situação global que está se expandindo exponencialmente. Esses centros de golpes são uma verdadeira pandemia, se pensarmos bem.
Muitas vezes, eles se apresentam como oportunidades genuínas para jovens curiosos — que querem trabalhar e conhecer o mundo. É muito importante que eles sejam vistos como vítimas, e não como culpados, e que identifiquemos os verdadeiros autores do crime. São as pessoas que os estão enganando, recrutando e induzindo ao erro.
Também é importante proteger os direitos das vítimas e apoiá-las por meio de reabilitação e tratamento. Algumas delas passaram por experiências muito traumáticas, incluindo tortura e abuso, e essas experiências permanecerão com elas por muito tempo. De nossa parte, o UNODC vem apoiando o fortalecimento das capacidades dos sistemas de justiça criminal para lidar de forma eficaz com vítimas e grupos vulneráveis.
ONU News: O que pode ser feito para garantir que o Congresso sobre Crime apresente soluções reais em um momento de crescente polarização geopolítica e tensões globais?
Monica Juma: É verdade que o mundo está em uma situação muito preocupante, mas também é verdade que a ameaça do crime é algo que as pessoas sentem todos os dias em todo o mundo.
É impossível alcançar qualquer nível de produtividade ou sustentabilidade se houver insegurança no âmbito pessoal, local ou comunitário – e é exatamente isso que as drogas e o crime estão causando. Isso afeta as pessoas em todos os níveis, e essa realidade facilita a cooperação e a busca por soluções.
Assim, temos uma situação em que há uma convergência, tanto no nível da ameaça quanto no desejo de buscar soluções. Ao chegarmos a Abu Dhabi, não há debate sobre se isso é importante ou não.
Esperamos poder fortalecer as soluções apresentadas em Kyoto (sede do Congresso das Nações Unidas sobre o Crime de 2021) para agora analisar as ameaças atuais que estão sendo aceleradas por novas variáveis intervenientes, como a tecnologia.
Contamos com o papel da tecnologia para nos ajudar a responder de maneira ágil e mais eficaz, para que possamos restaurar ambientes mais seguros, proteger as comunidades e, assim, alcançar maior prosperidade para o mundo.
O 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, principal encontro mundial dedicado à prevenção do crime e à justiça criminal, será realizado em Abu Dhabi, de 26 de setembro a 1º de outubro. O evento, que acontece a cada cinco anos, discutirá novas formas de ameaças e a atuação de redes criminosas transnacionais.
A diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Monica Juma, alerta que o uso das novas tecnologias digitais pelo crime “está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo”. Em entrevista à ONU News, a Juma também ressaltou a importância do Congresso das Nações Unidas para a promoção da justiça criminal.
Crimes cibernéticos, tráfico e golpes online estarão entre os temas do evento global, que buscará fortalecer a cooperação internacional para aprimorar respostas rápidas, inteligentes e coordenadas diante de ameaças que se expandem com o uso da tecnologia.
Legenda: Escritório das Nações Unidas em Viena, na Áustria, sede global do UNODC.
Confira a entrevista da chefe do UNODC à ONU News:
ONU News: O Congresso da ONU sobre o Crime, a cada cinco anos, oferece uma plataforma para que o mundo se reúna para fazer a seguinte pergunta: como o crime mudou?
Monica Juma: O fator determinante hoje é, obviamente, a tecnologia. Há cinco anos, a tecnologia evoluía de maneira muito diferente. Agora, ela está possibilitando uma infinidade de crimes em diversos setores. O que estamos vendo é uma convergência de tipos de crimes que está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo. Com a tecnologia, milhões de pessoas podem se tornar alvos em uma fração de segundo. Não há necessidade de intermediários nem de cruzar fronteiras.
ONU News: Como o Congresso sobre o Crime pode ajudar a garantir que os sistemas de justiça e de aplicação da lei nos países em desenvolvimento não fiquem para trás em meio a uma crescente exclusão digital global?
Monica Juma: A tecnologia, na verdade, não está deixando ninguém para trás. Países considerados muito avançados em termos de tecnologia são tão vulneráveis quanto os mais fracos. Os criminosos organizados não têm inibições em relação às fronteiras. Os traficantes não dependem mais apenas de pessoas que transportam outras pessoas através das fronteiras em barcos. Agora, eles também estão usando tecnologia e desinformação para criar empregos falsos e, às vezes, acabam se infiltrando em cadeias de suprimentos de negócios legítimos, incluindo serviços bancários.
É exatamente por isso que a plataforma do Congresso das Nações Unidas contra o Crime é tão importante. Esse é o valor da ONU. Temos a capacidade de reunir todos à mesa, e é isso que veremos em Abu Dhabi. Haverá representantes de todas as partes do mundo.
No UNODC, estamos criando cada vez mais plataformas para a interação entre fronteiras e setores, por exemplo: investigadores, promotores, agentes de segurança pública, autoridades judiciais e, agora, até mesmo jornalistas de investigação.
O objetivo é criar uma convergência de competências que possa ser rapidamente utilizada para transmitir informações, provas ou suspeitas a alguém que possa agir com base nelas quase imediatamente.
Estamos incentivando os países a cooperarem mais, inclusive nas áreas de compartilhamento de inteligência e análise forense, entre outras, mas a capacidade de concretizar essa cooperação ainda não foi totalmente viabilizada, até o momento, por parte dos Estados-membros. Para isso, são necessárias as políticas, os relacionamentos e os mecanismos adequados.
ONU News: Por que a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético é tão importante?
Monica Juma: A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético foi adotada por unanimidade pela Assembleia Geral em 2024, e já contamos com mais de 80 signatários. A Convenção oferece um conjunto completo de ferramentas que facilita a cooperação entre os países e estabelece padrões semelhantes que permitirão respostas mais rápidas e ágeis a ameaças comuns.
Estamos convocando e incentivando os países a ratificá-la para que ela possa entrar em vigor, pois, até que isso aconteça, sua plena utilização será limitada.
A ratificação é um processo legislativo interno, mas muitos países com os quais conversei pessoalmente indicaram que esse processo está em andamento. Esperamos que ela possa entrar em vigor em breve.
Legenda: Na cerimônia de assinatura em Hanói, em 25 de outubro de 2025, o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético como um instrumento poderoso e juridicamente vinculante para fortalecer as defesas coletivas contra o crime cibernético.
ONU News: Centenas de milhares de vítimas de tráfico são forçadas a cometer crimes cibernéticos em centros de golpes em grande escala e em constante expansão. Como o Congresso sobre o Crime pode lidar com essa situação?
Monica Juma: Em primeiro lugar, esses centros de golpes representam realmente uma crise global. Nosso último relatório sobre centros de golpes no Sudeste Asiático indicou que as vítimas eram de mais de 80 nacionalidades de todo o mundo. Trata-se de uma situação global que está se expandindo exponencialmente. Esses centros de golpes são uma verdadeira pandemia, se pensarmos bem.
Muitas vezes, eles se apresentam como oportunidades genuínas para jovens curiosos — que querem trabalhar e conhecer o mundo. É muito importante que eles sejam vistos como vítimas, e não como culpados, e que identifiquemos os verdadeiros autores do crime. São as pessoas que os estão enganando, recrutando e induzindo ao erro.
Também é importante proteger os direitos das vítimas e apoiá-las por meio de reabilitação e tratamento. Algumas delas passaram por experiências muito traumáticas, incluindo tortura e abuso, e essas experiências permanecerão com elas por muito tempo. De nossa parte, o UNODC vem apoiando o fortalecimento das capacidades dos sistemas de justiça criminal para lidar de forma eficaz com vítimas e grupos vulneráveis.
ONU News: O que pode ser feito para garantir que o Congresso sobre o Crime apresente soluções reais em um momento de crescente polarização geopolítica e tensões globais?
Monica Juma: É verdade que o mundo está em uma situação muito preocupante, mas também é verdade que a ameaça do crime é algo que as pessoas sentem todos os dias em todo o mundo.
É impossível alcançar qualquer nível de produtividade ou sustentabilidade se houver insegurança no âmbito pessoal, local ou comunitário – e é exatamente isso que as drogas e o crime estão causando. Isso afeta as pessoas em todos os níveis, e essa realidade facilita a cooperação e a busca por soluções.
Assim, temos uma situação em que há uma convergência, tanto no nível da ameaça quanto no desejo de buscar soluções. Ao chegarmos a Abu Dhabi, não há debate sobre se isso é importante ou não.
Esperamos poder fortalecer as soluções apresentadas em Kyoto (sede do Congresso das Nações Unidas sobre o Crime de 2021) para agora analisar as ameaças atuais que estão sendo aceleradas por novas variáveis intervenientes, como a tecnologia.
Contamos com o papel da tecnologia para nos ajudar a responder de maneira ágil e mais eficaz, para que possamos restaurar ambientes mais seguros, proteger as comunidades e, assim, alcançar maior prosperidade para o mundo.
O multilateralismo e os desafios da Organização das Nações Unidas (ONU) diante da escalada de conflitos internacionais estão em pauta no Brasil no Mundo desta quinta-feira (24), às 22h30, na TV Brasil.
A edição vai ao ar na semana em que líderes de 193 Estados-membros participam da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, fórum central da diplomacia internacional e da busca por respostas comuns para temas globais.
Nesta edição, Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat recebem a historiadora Beatriz Bissio, professora de História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A convidada analisa o papel da ONU em um cenário marcado por guerras e disputas geopolíticas.
O programa também discute os desdobramentos da reunião do Escudo das Américas e a ampliação da presença dos Estados Unidos na América Latina.
Outro ponto da conversa é o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, em meio à disputa pela hegemonia tecnológica e às tensões em torno de Taiwan. A edição ainda aborda o acordo de segurança sobre a Groenlândia e a escalada do conflito entre os houthis e a Arábia Saudita.
O Brasil no Mundo se dedica a discutir, com profundidade e clareza, os grandes acontecimentos internacionais que moldam a política, a economia e a vida cotidiana. Conduzido por Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, o programa combina análises de contexto, explicações acessíveis e entrevistas com especialistas que ajudam a iluminar os reflexos do cenário global no Brasil.
O programa já recebeu personalidades como a ministra Marina Silva; o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30; o geógrafo Elias Jabbour; e a economista Juliana Furno.
Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV.
Serviço
Brasil no Mundo – quintas-feiras, às 22h30, na TV Brasil. Reprise na madrugada de quinta para sexta-feira, às 4h30.
A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos e que reúne outros 14 países latino-americanos, usa o combate aos cartéis de drogas como pretexto para interferir nos países da América Latina e barrar a influência econômica da China na região.
Essa é a avaliação de especialistas em relações internacionais na América Latina consultados pela Agência Brasil, como o professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Danilo Enrico Martuscelli.
“O Escudo das Américas é uma retomada desse processo de tentativa de anexação colonial ou imperial dos países latino-americanos em relação aos EUA dentro de uma lógica geopolítica de disputa comercial e tecnológica com a China”, disse.
Nesta semana, às margens da 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, os 15 países da coalizão divulgaram documento informando a intenção de levar a proposta do Escudo das Américas para dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA).
No documento divulgado, as nações concordaram ainda em classificar como “terroristas” 24 grupos narcotraficantes, entre eles, os brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
O especialista Danilo Enrico Martuscelli classifica a política do segundo mandato de Donald Trump como “de agressão imperial aberta” e, ao questionar a política de combate aos cartéis da Casa Branca, lembra que o próprio Trump deu indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por facilitar a importação de toneladas de cocaína para os EUA.
“Uma pessoa que está comprometida a combater o narcotráfico vai dar indulto e liberar um narcotraficante? Eles querem combater o narcotráfico, mas no quintal dos outros. Internamente, o que eles fazem para controlar o controle desse crime organizado?”, questionou Danilo Martuscelli.
Criado em março deste ano, o Escudo das Américas é formado atualmente por EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
Ingerência na América Latina
O professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Robson Valdez, ponderou que o foco principal do Escudo das Américas é a possibilidade de utilizar o narcotráfico para legitimar ingerências na América Latina.
“E, indiretamente, isso sinaliza para a China que a manutenção das suas relações com os países da região teria de ser revista e sob a perspectiva da política externa norte-americana”, comentou.
Para Valdez, a coalizão visa “principalmente, [legitimar] a presença física de tropas americanas na região a pretexto de combater o crime organizado”.
Brasil
Sem ter sido convocado para participar da iniciativa, o governo brasileiro encara o Escudo das Américas com cautela, ao mesmo tempo que mantém as medidas de cooperação internacional no combate ao crime organizado com os países da região.
Para Brasília, a iniciativa pode ser usada por Washington para obter alinhamentos automáticos no campo econômico, com possíveis restrições à presença da China na América Latina.
No documento conjunto publicado nesta semana, o grupo informa que pretende apresentar proposta à OEA para atuação conjunta dos países no combate ao narcotráfico.
“Uma vez convocada a reunião formal do Órgão de Consulta [da OEA], pretendemos participar em nível ministerial para considerar a adoção de uma resolução que promova e facilite a ação coletiva contra organizações narcoterroristas, nos termos do Tratado do Rio [TIAR, Tratado Interamericano de Assistência Recíproca]”, dizem os países.
Assinado em 1947, no contexto da Guerra Fria, o TIAR prevê que “a agressão a um Estado americano constitui uma agressão a todos os demais Estados americanos”.
O professor Danilo Martuscelli pondera que, ao levar o tema à OEA, o grupo liderado pelos EUA tenta pressionar os países que ainda não aderiram à proposta, como Brasil, México, Uruguai e Canadá.
“O recurso à OEA tem o propósito de dar alguma legitimidade institucional a essa política de pressão imperial aberta”, disse.
O governo brasileiro espera a apresentação da proposta do Escudo das Américas à OEA para estudar se apoiará ou rejeitará uma eventual resolução do organismo internacional sobre o tema.
Drogas e economia
O documento da Coalizão divulgado em Nova York mistura o combate às drogas com medidas de “cooperação econômica” entre os países, incluindo a proteção das “cadeias de suprimento de minerais críticos por meio de fontes diversificadas e confiáveis”.
“[Defendemos nossas economias] promovendo regulamentações de fornecedores confiáveis para infraestrutura digital, aplicadas de forma não discriminatória”, acrescenta o documento conjunto.
O professor de relações internacionais Robson Valdez acrescentou que o Escudo das Américas pode ser usado para impor a venda de equipamentos militares dos EUA, “o que tira dos países a autonomia de escolher os seus parceiros para compras de armamento”.