O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.
Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuarem semelhante aos bancos, usando as garantias do FGC, porém não apresentam ativos suficientes para tal operação.
“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, completou.
O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, quando procuram desempenhar papel análogo ao dos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos maiores e menor necessidade de garantias.
“Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empresta e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial”, disse Galípolo, ao destacar a importância do fundo como elemento de estabilização do sistema financeiro.
O presidente do BC participou da comemoração aos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e dar estabilidade ao sistema financeiro com a chegada do Plano Real. O fundo é mantido com contribuições das instituições financeiras associadas.
O fundo teve papel importante durante o Plano Real e a crise mundial de 2008, dando segurança aos correntistas.
Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas pelas fraudes do Banco Master, em um montante de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após o impacto causado pelo Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% das contribuições adicionais das instituições associadas.
Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.
O evento também inaugurou a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que ficará até o dia 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro da capital paulista. A mostra explica as origens e mudanças pelas quais o fundo passou ao longo de 30 anos, assim como seu funcionamento e impactos na economia nacional.
Lançado em 4 de agosto, o relatório Rupturas e oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica foi apresentado em evento de alto nível na sede da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em Santiago do Chile. Elaborado por 13 especialistas, o documento afirma que a América Latina e o Caribe possuem ativos estratégicos para impulsionar seu desenvolvimento, mas destaca que transformar esse potencial em oportunidades exige estratégias claras, maior cooperação e governança eficaz.
Convocada no final de 2024 pelo secretário-executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, a Comissão sobre Geopolítica, Globalização e Desenvolvimento para a América Latina e o Caribe, foi copresidida pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e pelo ex-presidente da Colômbia, Iván Duque, reunindo 13 personalidades e vozes influentes da América Latina e do Caribe, da América do Norte, da África, da Ásia e da Europa. Os integrantes participaram a título individual e de forma honorária, e o trabalho da Comissão contou com o apoio do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Legenda: O secretário-executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, discursa no evento de lançamento do relatório “Rupturas e oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica” na sede da CEPAL, em Santiago do Chile, em 4 de agosto de 2026.
A mensagem central do relatório é que o mundo mudou e que a América Latina e o Caribe têm os recursos necessários para navegar com sucesso nesta nova era geopolítica. O documento identificou oito rupturas que estão ocorrendo simultaneamente em nível mundial:
Reconfiguração da globalização: A interdependência econômica deixou de ser celebrada e vista como um fator de estabilidade e eficiência. Passou a ser considerada um fator de vulnerabilidade e utilizada como instrumento de poder e até mesmo de coerção.
Erosão do multilateralismo e reconfiguração da governança global: A ordem multilateral pós-guerra enfraquece-se e surge uma governança mais fragmentada, com alianças seletivas e redes que competem entre si.
Da hegemonia unipolar à competição multipolar: O mundo está passando de um sistema unipolar, dominado pelos Estados Unidos, para uma redistribuição progressiva do poder e para um sistema de competição multipolar assimétrica.
Reconfiguração do poder brando (soft power): O poder brando ganha peso na presença global dos Estados. O nível de poder brando dos Estados Unidos diminui, enquanto o da China está em ascensão.
Retrocesso da democracia e aumento da polarização política: O mundo atravessa um processo de erosão democrática, acompanhado por uma crescente polarização política. A proporção de países classificados como democracias liberais diminui.
Desinformação e crise da verdade na era da inteligência artificial (IA): A desinformação, a manipulação algorítmica e o uso mal-intencionado da IA estão minando a confiança nas instituições, alimentando a polarização e reduzindo a legitimidade democrática.
Retrocesso nos direitos das mulheres, na igualdade de gênero e na inclusão: Os avanços alcançados nessas áreas nas últimas décadas enfrentam questionamentos cada vez maiores e, em alguns contextos, um retrocesso.
O fim do consenso global sobre o clima: As medidas relacionadas ao clima estão se tornando cada vez mais subordinadas a estratégias industriais, a preocupações com a segurança energética e à competição geopolítica. Em alguns setores, o consenso científico é posto em dúvida.
Legenda: Membros da Comissão de Alto Nível da CEPAL no Rio de Janeiro (da esquerda para a direita): Keith Nurse, José Manuel Salazar-Xirinachs (presidente da CEPAL), Aloizio Mercadante, Iván Duque, Brian Winter, Qian Liu, Harsha Vardhana Singh e Josep Borrell.
Diante desse cenário mundial, a Comissão argumenta que a região conta com um conjunto de ativos que se valorizaram no atual contexto geopolítico. Entre eles estão sua abundante dotação de recursos naturais; suas capacidades produtivas, humanas e financeiras; o grande tamanho de seu mercado; sua condição de região livre de armas nucleares e de guerras entre Estados; e seus ativos intangíveis, como o poder brando (soft power). Esses ativos oferecem à região uma grande oportunidade para impulsionar seu desenvolvimento e aumentar sua projeção e influência internacional.
O relatório afirma, no entanto, que isso não acontecerá espontaneamente: são necessárias estratégias claras, instituições fortes e governança eficaz. Nessa linha, propõe dez recomendações concretas, organizadas em três eixos:
Aproveitar o momento mobilizando ativos estratégicos.
Fortalecer a governança, as instituições e a democracia.
Impulsionar a capacidade de atuação internacional e regional.
Legenda: Lançamento do relatório “Rupturas e oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica” na sede da CEPAL, em 4 de agosto de 2026.
Entre os dados que sustentam seu diagnóstico, o relatório destaca que a América Latina e o Caribe concentram 46% das reservas mundiais de lítio, 35% das de cobre, 28% das de grafite e 23% das de terras raras; são a principal região exportadora líquida de alimentos do mundo; abrigam quase metade da biodiversidade terrestre do planeta e um terço de seus recursos de água doce; e possuem a matriz elétrica mais limpa do mundo.
O relatório acrescenta que o mercado regional, com mais de 660 milhões de pessoas, poderia ser um motor de diversificação produtiva, embora hoje o comércio intrarregional represente apenas 14% das exportações totais da região, uma das taxas mais baixas do mundo.
“O título deste relatório sintetiza sua mensagem principal: as rupturas sugerem que o mundo mudou, e isso também levanta a necessidade de uma mudança de paradigma para aproveitar as oportunidades com estratégias inovadoras de desenvolvimento e de inserção internacional. As dez propostas apresentadas pelo relatório constituem um roteiro concreto para mobilizar os ativos em benefício do desenvolvimento e da projeção internacional dos países da região”, destacou o secretário-executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs.
O relatório afirma que nenhuma de suas recomendações pode ser colocada em prática sem uma governança eficaz e instituições sólidas. O documento também apela ao fortalecimento da capacidade fiscal do Estado e para que o combate ao crime organizado seja tratado como uma prioridade da governança regional, e não apenas como uma questão de segurança.
“Não contamos apenas com riquezas no subsolo e na superfície, mas também em nosso povo e em nossas indústrias. A América Latina e o Caribe possuem capacidades produtivas, humanas e financeiras que merecem ser valorizadas em sua justa dimensão e em seu grande potencial. Temos também influência política, embora às vezes nos custe acreditar nisso e compreendê-lo. Nossa diversidade, nosso patrimônio cultural, a influência e a visibilidade que a região tem no mundo nos conferem uma influência que devemos saber aproveitar”, afirmou a ex-presidente do Chile e copresidente da Comissão, Michelle Bachelet.
Legenda: José Manuel Salazar-Xirinachs e Michelle Bachelet na Universidade Nacional Autônoma do México (Cidade do México).
O relatório destaca que a cooperação regional pode ser uma ferramenta poderosa para transformar ativos em desenvolvimento e que ela não exige unanimidade. Diante do quadro de alta polarização política existente na região, recomenda-se priorizar a cooperação funcional entre países interessados em avançar em temas específicos, com objetivos, prazos e responsabilidades claras.
O relatório também destaca que ampliar a capacidade de influência internacional da região requer evitar alinhamentos rígidos diante da rivalidade entre a China e os Estados Unidos e, em vez disso, construir coalizões de geometria variável com parceiros que compartilhem interesses específicos, além de desenvolver novas capacidades de análise geopolítica nos âmbitos governamental, empresarial e acadêmico.
“O desafio é desenvolver a capacidade da região de diversificar suas alianças e defender seus interesses estratégicos. Uma região com capacidade de ação coletiva tem maiores possibilidades de manter relações benéficas com as principais potências mundiais, sem se subordinar a nenhuma delas. Nossa proposta não é contra nenhum país, nem a favor de nenhum bloco. Nossa proposta é criar espaços próprios para agir e decidir”, afirmou o ex-presidente da Colômbia e copresidente da Comissão, Iván Duque.
Legenda: O ex-presidente da Colômbia e copresidente da Comissão de Alto Nível, Iván Duque, no evento de lançamento do relatório final na sede da CEPAL, em Santiago do Chile.
As Nações Unidas defendem que a integridade da informação se tornou uma questão central para a proteção dos direitos das crianças e dos jovens na era digital. Em novo relatório do Departamento de Comunicação Global, a ONU alerta que estas populações estão entre as mais conectadas do mundo e, simultaneamente, entre as mais expostas aos riscos associados à desinformação, ao discurso de ódio, à manipulação algorítmica e às novas tecnologias de inteligência artificial.
Segundo o documento temático “Reforçando a Integridade da Informação: Crianças, Jovens e Integridade da Informação”, publicado às vésperas do Dia Internacional da Juventude (12 de agosto), mais de 82% das pessoas jovens entre 15 e 24 anos utilizam a Internet, o que lhes proporciona oportunidades sem precedentes de aprendizagem, participação cívica e inclusão econômica. No entanto, a crescente dependência dos ambientes digitais faz com que os impactos negativos das plataformas online tenham consequências profundas no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das novas gerações.
A ONU identifica três grandes categorias de riscos para a integridade da informação:
Riscos tecnológicos, relacionados com o uso abusivo de ferramentas digitais e inteligência artificial.
Riscos de acesso e distribuição, ligados a algoritmos, desigualdades digitais e enfraquecimento do jornalismo independente.
Riscos associados aos conteúdos, incluindo desinformação, assédio online e discurso de ódio.
Legenda: A subsecretária-geral da ONU para Comunicação Global, Melissa Fleming, discursa durante o lançamento da Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança Climática, na Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 2024.
Estes desafios afetam particularmente crianças e adolescentes, que ainda estão desenvolvendo competências críticas para interpretar e avaliar a informação que consomem.
O relatório destaca ainda o papel das grandes plataformas tecnológicas na criação de ambientes digitais desenhados para maximizar a atenção dos utilizadores. Modelos de negócio baseados na coleta de dados e na publicidade comportamental incentivam práticas que podem explorar vulnerabilidades psicológicas de menores, expondo-os a conteúdos extremos, mecanismos de dependência e estratégias de marketing altamente personalizadas.
Diante desse grave cenário, governos de várias regiões do mundo têm avançado com novas medidas regulatórias para reforçar a segurança online das crianças. Entre as propostas mais debatidas estão as restrições de idade para acesso às redes sociais. Contudo, especialistas em direitos da criança alertam que tais medidas, isoladamente, não resolvem o problema e podem até limitar o acesso a espaços digitais importantes para a educação, a socialização e o apoio emocional.
O documento dedica igualmente atenção ao crescente protagonismo dos jovens na esfera pública digital. Movimentos liderados por jovens utilizam plataformas online para mobilizar apoio em torno de temas como mudança climática, direitos humanos e combate à corrupção. Ainda assim, esses grupos enfrentam frequentemente campanhas de desinformação, vigilância, ataques coordenados e censura, o que reforça a necessidade de ambientes informativos mais seguros e transparentes.
Estabelecimento de incentivos saudáveis para as empresas de tecnologia.
Capacitação pública.
Promoção de meios de comunicação livres e independentes.
Fortalecimento da transparência e de pesquisas.
O relatório defende que as crianças e os jovens devem ser vistos não apenas como usuários digitais que devem ser protegidos, mas também como participantes ativos na construção do ecossistema informativo.
Legenda: O secretário-geral da ONU, António Guterres (à esquerda na mesa), discursa na coletiva de imprensa híbrida sobre os Princípios Globais das Nações Unidas sobre Integridade da Informação, em 24 de junho de 2024. À direita está a subsecretária-geral da ONU para Comunicação Global, Melissa Fleming.
Neste contexto, a ONU apela a uma ação coordenada entre governos, empresas tecnológicas, meios de comunicação, investigadores, organizações da sociedade civil e os próprios jovens. A ONU enfatiza que a participação significativa das novas gerações, aliada a políticas baseadas em evidência científica e no respeito pelos direitos humanos, será determinante para garantir que a transformação digital contribua para sociedades mais resilientes, informadas e democráticas.
Lançada em 23 de julho, a campanha digital #InformaçãoDeVerdadeé uma iniciativa do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) voltada à promoção da integridade da informação e ao enfrentamento da desinformação e do discurso de ódio nas plataformas digitais.
Com duração de 12 semanas, a série publica conteúdos explicativos nas redes sociais da @onubrasil, abordando temas como desinformação, verificação de fatos, pensamento crítico e uso responsável das plataformas digitais. O objetivo é fortalecer a capacidade do público de identificar conteúdos enganosos, compreender os impactos da desinformação e navegar de forma mais segura no ambiente digital.
Legenda: Ao longo de 12 episódios, a série #InformaçãoDeVerdade abordará temas como desinformação, discurso de ódio, verificação de fatos e pensamento crítico nas plataformas digitais.
Ao apresentar conceitos e recomendações das Nações Unidas em linguagem acessível, a campanha #InformaçãoDeVerdade busca capacitar a população para avaliar criticamente as informações que consome e compartilha.
Para saber mais, siga @onubrasil nas redes sociais.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (13) a abertura formal do processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos (EUA) contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Em nota, o Palácio do Planalto informou que o procedimento foi iniciado a partir do compartilhamento do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com os demais integrantes de seu Comitê-Executivo de Gestão. Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) notificará o governo dos Estados Unidos e solicitará a abertura de consultas diplomáticas.
“As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”, diz a nota.
A abertura do processo não significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente contratarifas ou outras medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. Neste momento, o governo inicia uma análise formal para verificar se as medidas dos EUA justificam a adoção de respostas previstas na legislação brasileira.
Lei de Reciprocidade
Aprovada no ano passado, justamente em reação ao primeiro tarifaço do governo de Donald Trump, a Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.
Dentre as possíveis medidas, o Brasil poderá impor tributos ou taxas, acabar com isenções ou redução de valores de tarifas de importação, ou ainda restringir importações de bens ou serviços. Pela lei, as contramedidas devem ser, na medida do possível, aplicadas na mesma proporção do prejuízo econômico causado por outro país ou bloco econômico ao Brasil.
“As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, prossegue a nota emitida pelo Planalto.
Tarifaço
Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil, após cerca de um ano de análise. Foram taxados exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.
O USTR justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses. Uma sobretaxa adicional de 12,5% também foi aplicada na sequência sobre mais produtos nacionais, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Com isso, as novas tarifas em vigor desde o fim do mês passado atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Desde o início das taxações por parte do governo Trump, o Brasil vem reforçando que na relação comercial entre os dois países, os EUA são superavitários, ou seja, vendem mais do que compram. Na nota em que anuncia a abertura do processo de reciprocidade econômica, o governo brasileiro aponta que seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas à economia e à renda dos brasileiros.
“Continuaremos a defender o multilateralismo e a reforma da OMC e seguiremos trabalhando pela diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos produtos. Manteremos medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por meio do Plano Brasil Soberano, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”.
O Rock in Rio e a organização Ação da Cidadania vão atuar juntos no combate à fome no país. Os presidentes da Rock World, Roberto Medina, e do conselho da Ação da Cidadania, Daniel Souza, anunciaram nesta quinta-feira (13) a parceria para a edição de 2026 do festival.
A meta da campanha, que tem como tema “Um mundo melhor é um mundo sem fome”, é atingir a doação de 2 milhões de pratos de comida. Para isso, foi divulgado um QR code para o repasse de qualquer quantia. O valor vai direto para a Ação da Cidadania.
Há ainda o sorteio de duas entradas a cada R$ 25 dados, no total de mil ingressos.
A expectativa de Medina é que a campanha dê mais visibilidade à necessidade de combater a fome no Brasil.
“Nossa meta é 2 milhões, quero passar disso. A gente tem batido todas as metas feitas na história do Rock in Rio.”
Presidente da Rock World, Roberto Medina, e o presidente do conselho da Ação da Cidadania, Daniel de Souza. Foto:Cristina Indio do Brasil
Parceria
O Rock in Rio juntou-se à Ação da Cidadania em outras campanhas de combate à fome. A primeira ocorreu em parceria com Herbert de Souza, o Betinho. Medida o conheceu depois de ter sofrido um sequestro.
A aproximação veio após a publicação de um artigo que escreveu para um jornal propondo a mobilização da sociedade e convocando as pessoas irem para as ruas contra os sequestros que se repetiam no Rio naquele momento. O chamado de Medida deu resultado.
“Betinho veio [à minha agência]. Ele foi o grande comandante, e no mês seguinte levamos 400 mil pessoas às ruas. Ali era a força de uma pessoa que inspirava confiança”, lembrou.
Pratômetro
Ao lado da Cidade do Rock, um prato grande, o pratômetro, vai exibir, em tempo real, o número de doações recebidas e poderá ser visto perto da entrada por quem for aos shows, que começam daqui a 22 dias.
Visibilidade
Para Daniel de Souza, a forma mais impactante e mais importante de uma parceria com o Rock in Rio é dar mais visibilidade a esta pauta mostrando, que apesar de o Brasil ter saído do mapa da fome, há muita gente que ainda sofre com insegurança alimentar.
“Há ainda 6,5 milhões de pessoas. É muita gente. Esse tambor para o Brasil e o mundo que é o Rock in Rio é fundamental para dizer que a fome existe. A cultura está fazendo a sua parte.”
Outras arrecadações
Além das doações em dinheiro, a organização receberá valores decorrentes das vendas nas lojas oficiais de camisetas que funcionarão na Cidade do Rock.
Ficará também com a quantia arrecada no leilão de instrumentos doados por artistas que se apresentam nos shows do festival.
“Esse é o nosso papel e acho que o Rock in Rio sempre teve essa missão de bater o tambor. É o que a gente está fazendo aqui, dando a nossa contribuição.”
O empresário ressaltou que o festival provoca efeitos financeiros que contribuem para o Rio. “Há um complemento disso, que é o impacto econômico na cidade de mais de R$ 3 bilhões e 30 mil empregos diretos”, destacou, ao acrescentar que o projeto todo soma mais de R$ 1 bilhão.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu, nesta quinta-feira (13), sete mandados de busca e apreensão contra investigados de uma organização criminosa que explora ilegalmente o mercado de apostas online, as chamadas bets, e aplicava golpes contra clientes.
Os mandados da Operação Aposta Suja, expedidos pela 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, foram cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.
Entre 2022 e 2026, o esquema ilegal de apostas online registrou movimentação financeira de mais de R$ 1,4 bilhão.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos no Rio de Janeiro, um carro e dois celulares. Na Bahia, foram apreendidos dois carros de luxo, aparelhos eletrônicos e dinheiro em espécie. Em São Paulo, foram apreendidos dois carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie, celulares e aparelhos eletrônicos.
Segundo a investigação, a organização opera por meio de diversos sites de apostas, direcionando os depósitos dos usuários para empresas de fachada. Além de funcionarem sem autorização do Ministério da Fazenda, as plataformas aplicam golpes nos consumidores, impedindo-os de sacar os valores disponíveis em suas contas.
Após a captação dos recursos das vítimas, o esquema prosseguia com a lavagem de dinheiro, por meio da conversão em criptoativos, da pulverização dos valores em múltiplas contas e de remessas para o exterior, com o objetivo de reintroduzir o capital na economia formal.
O Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), composto por mais de 800 comunicações de operações suspeitas entre 2022 e 2026, registrou movimentação financeira superior a R$ 1,4 bilhão, dos quais mais de R$ 100 milhões correspondem, isoladamente, a apenas uma empresa envolvida no esquema.
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (13) confirmar prazo de 24 meses para o Congresso aprovar uma lei e regulamentar a participação de indígenas na exploração mineral legal de seu território.
A Corte referendou uma decisão individual do ministro Flávio Dino, que, em fevereiro deste ano, reconheceu a omissão constitucional do Legislativo para tratar da matéria.
A decisão foi motivada por uma ação protocolada pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (PATJAMAAJ) para que o Supremo reconheça a falta de aprovação de uma lei para que os indígenas tenham participação nos resultados do aproveitamento dos recursos hídricos e minerais presentes no território indígena, que está localizado em Rondônia.
A entidade alegou que os cinta larga sofrem constantes ameaças de invasão por garimpeiros e com conflitos violentos relacionados à exploração ilegal de minerais, fatores que provocam a falta de renda e a exclusão econômica dos indígenas.
Ao referendar a decisão de Dino, o plenário também definiu balizas para a exploração mineral, que deverão ser seguidas enquanto o Congresso não editar a lei.
A exploração deverá contar com a autorização dos indígenas.
A autorização para mineração não poderá ultrapassar o uso de 1% da Terra Indígena Cinta Larga.
Estudos de impacto e planos de manejo sustentável também serão obrigatórios.
A fiscalização deverá ser feita pelo Ministério Público Federal (MPF).
Belo Monte
No ano passado, Dino determinou que comunidades indígenas afetadas pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, localizada no Pará, tenham participação nos lucros da usina.
Conforme a liminar, as comunidades deverão receber 100% do valor que é repassado pela concessionária para a União. O ministro também deu prazo de 24 meses para o Congresso aprovar uma lei específica para tratar do assunto.
A polícia prendeu 13 pessoas, apreendeu dois fuzis, duas pistolas e seis granadas durante em operação nesta quinta-feira (13) em 27 comunidades controladas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). Quatro morreram em confrontos entre criminosos e policiais.
Um dos presos é suspeito de envolvimento na morte do policial militar Marco Antônio Matheus Maia, ocorrida em dezembro de 2024, na comunidade do Quitungo. O detido André Silveira das Dores, conhecido como Coquinho, portava um fuzil automático AR-10 no momento da prisão.
As equipes retiraram 10 toneladas de concreto utilizadas em barricadas nas comunidades do Quitungo e Guaporé, na zona norte da capital.
As diligências foram feitas na cidade do Rio e em municípios da região metropolitana, como São Gonçalo, Niterói, Magé, Itaboraí, Duque de Caxias, São João de Meriti, Queimado. Esses cinco últimos ficam na região chamada Baixada Fluminense.
A ação coordenada acontece um dia depois de a fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, ter sido baleada dentro de um ônibus, em Vicente de carvalho, na Zona Norte. O caso foi durante confronto entre policiais militares e criminosos.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou nesta quinta-feira (13) uma audiência de mediação para tentar destravar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o Banco de Brasília (BRB) busca junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir parte do rombo provocado pela compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master.
A audiência terminou sem avanços, e as partes envolvidas no caso decidiram que as negociações vão continuar.
Em maio deste ano, Fux chancelou o acordo no qual o FGC, entidade privada que reúne bancos públicos e privados, avaliaria a concessão do empréstimo ao BRB, sem aval financeiro do governo federal. O fundo receberia como garantia as verbas federais que são destinadas ao governo do Distrito Federal (GDF) por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Contudo, as negociações não prosperaram, e o GDF entrou com uma petição no STF para informar que o acordo não foi colocado em prática.
O impasse envolve as regras para eventual calote por parte do governo distrital. Os bancos que fazem parte do FGC querem garantias de que vão conseguir acessar os recursos do FPE e FPM, que são recursos públicos, em caso de inadimplência.
Os bancos também têm dúvidas sobre a viabilidade do plano de negócios do BRB para os próximos anos.
Durante a audiência de hoje, a governadora Celina Leão ressaltou que o empréstimo será concedido ao GDF, controlador do BRB, e não ao banco. O governo é o controlador da instituição.
A governadora reconheceu que o BRB não divulgou seu balanço financeiro após o surgimento da investigação do caso Master, mas ponderou que todas as informações financeiras foram enviadas ao FGC.
Segundo a governadora, o balanço só será publicado após a concessão do empréstimo.
“O banco está nesta condição desde novembro do ano passado. É um banco solido. É um banco que sobreviveu com liquidez”, afirmou.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também participou da audiência e reforçou que a União não será avalista do empréstimo.
Durigan disse que o BRB é um banco sólido, mas teve um “problema grave”, que não foi gerado pela União.
Apesar disso, o ministro afirmou que o governo federal foi proativo e sugeriu soluções ao participar da mediação.
“A União não tem nada que ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF, com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis”, completou.
O empréstimo é uma exigência do Banco Central (BC) para recompor as contas do banco após as fraudes apontadas pelas investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em setembro do ano passado, o BC rejeitou a compra do Master pelo BRB ao encontrar diversas fraudes, entre elas, ativos financeiros sem lastro financeiro.
Líder do ranking da World Surf League (WSL), a Liga Internacional de Surfe, o potiguar Ítalo Ferreira voltou a brilhar na etapa de Teahupo’o, no Taiti, a sétima o circuito mundial. Único representante brasileiro remanescente na competição, Ítalo levou a melhor sobre o australiano Ethan Ewing na segunda bateria masculina desta quinta-feira (13).
Campeão mundial em 2019 e primeiro ouro olímpico do surfe (Tóquio 2020), o potiguar deu show nos tubos ao pegar uma boa sequência de ondas, que lhe valeram notas 8.33 e 7.17. Já o australiano anotou 7.77 e 5.17.
As semifinais ocorrerão nesta noite. Ítalo Ferreira terá pela frente o havaiano Seth Moniz (26º no ranking), que derrotou o mexicano Alan Cleland (21º). Moniz cravou 7.83 e 5.83 contra apenas 1.50 do mexicano, que teve somente uma onda válida. Provavelmente o vencedor de Teahupo’o será conhecido no fim desta noite. A disputa tem transmissão ao vivo no canal da WSL no YouTube.
Na última segunda (10), o potiguar retomou a liderança do ranking, após a eliminação precoce do italiano Leonardo Fioravanti, que detinha a lycra amarela. Com a derrota do europeu para o marroquino Ramzi Boukhiam, Ìtalo subiu da segunda para a primeira posição.
Ítalo teve uma estreia difícil na segunda, com dores na região lombar. Mesmo assim, venceu a bateria contra o sul-africano Luke Thompson, avançando às oitavas. Depois, o brasileiro derrotou o japonês Connor O’Leary, assegurando vaga nas quartas.
O Brasil iniciou a etapa do Taiti com nove surfistas. Samuel Pupo, Yago Dora, Filipe Toledo, Gabriel Medina e Matheus Herdy caíram na estreia, assim como Luana Silva, única representante do país na disputa feminina. Depois, nas oitavas, deram adeus à competição João Chianca, o Chumbinho, Alejo Muniz e Miguel Pupo.
Ítalo Ferreira voltará a usar a lycra amarela na próxima etapa: a de Cloudbreak, em Fiji (Oceania), a partir de 4 de setembro.