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  • Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe

    Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe

    A amamentação reduz em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver uma doença cardiovascular em relação a mulher que não amamenta, destaca a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

    A queda dos fatores de risco está ligada ao período de amamentação. 

    “As publicações giram em torno de 18 meses de amamentação. A mulher que amamenta por mais tempo tem também redução desses fatores de risco: 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC), 14% menos risco de infarto. Viu-se que a amamentação traz essa proteção para a mulher”, destaca a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita.

    A médica esclarece que isso não significa que a mulher que não amamenta tenha risco aumentado para esse tipo de doença.

    Durante a gestação, a mulher sofre alterações hormonais, como alta da resistência à insulina e elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL (colesterol ruim).

    Já na lactação ocorre um reset metabólico, uma espécie de reinicialização do organismo, pois a produção de leite atua na regulação do açúcar, ao melhorar o efeito sobre o metabolismo glicídico e aumentar a sensibilidade à insulina; usa glicose do corpo, reduzindo o risco de diabetes; e o alívio cardíaco, uma vez que reduz a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca da mãe, permitindo que o coração trabalhe com menos esforço para bombeamento do sangue.

    Liberação de hormônios

    O período de lactação ativa a liberação de hormônios específicos, como a ocitocina, a prolactina, os glicocorticoides, a grelina e o hormônio do crescimento, que atuam como uma proteção ao miocárdio contra possíveis lesões cardíacas.

    Um dos principais destaques é a ocitocina. Conhecido como o “hormônio do amor”, a ocitocina protege o coração contra a falta de oxigênio por meio da ativação de receptores cerebrais e de uma via que envolve estruturas responsáveis pela geração de energia celular, oferecendo uma barreira extra de cardioproteção à mãe.

    “Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação, faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que “resetadas” na fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos”, explicou a médica, acrescentando que a resistência à insulina, se não for controlada, pode evoluir para o diabetes.

    A Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que, na gravidez, o corpo da mulher acumula naturalmente reservas de gordura. A lactação utiliza esses depósitos, o que reduz diretamente o risco de doenças cardíacas e um infarto.

    Risco alto para mulheres

    Alexandra Mesquita cita que as doenças cardiovasculares respondem por 33% da mortalidade feminina, superior aos óbitos por câncer de mama.

    “Ainda se pensa que a maior causa de mortalidade feminina é câncer de mama, mas a doença cardiovascular mata sete vezes mais que o câncer de mama”, disse.

    A maior parte dos fatores de risco – diabetes, pressão alta e sedentarismo – é comum a homens e mulheres. No entanto, podem ser piores entre as mulheres. 

    Porém, há fatores de risco próprios do sexo feminino. Entre eles, por exemplo, a cardiologista citou a primeira menstruação precoce (9 ou 10 anos) ou tardia (15 e 16 anos); a menopausa precoce, com menos de 45 anos; endometriose; ovários policísticos; uso de anticoncepcional oral; alterações da gravidez, como hipertensão induzida pela gestação, diabete gestacional ou bebê de baixo peso. 

    Dia Internacional da Amamentação

    Neste sábado (1º), será comemorado o Dia Internacional da Amamentação. O tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026 é “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona.”

    A campanha global do Agosto Dourado é coordenada pela instituição World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) e tem como objetivo reforçar a importância de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para um futuro mais saudável para crianças, famílias e comunidades.

    A pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), aponta dez benefícios da amamentação para mãe e para a criança:

    • Proteção contra doenças
    • Recuperação pós-parto
    • Desenvolvimento infantil 
    • Maior vínculo afetivo
    • Formação dos dentes
    • Fácil adaptação
    • Prevenção de tumores
    • Planejamento familiar
    • Construção de hábitos alimentares
    • Benefício financeiro, sem a necessidade de comprar leites e suplementos infantis 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica

    Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica

    Os ataques ecoam pelo tempo. “Minha mulher não irá votar”, disse o senador constituinte Coelho e Campos, em 1891. No mesmo ano, outro parlamentar, Serzedelo Corrêa, afirmou que jogar a mulher no meio das paixões e das lutas políticas é “tirar-lhe a santidade”.

    Depois de 135 anos, mais discursos violentos reaparecem. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, afirmou o influenciador Paulo Figueiredo (neto do ex-presidente João Figueiredo).

    Os reiterados discursos machistas que atacam o voto feminino ao longo da história do Brasil podem ser compreendidos em diferentes facetas como reações aos avanços da cidadania das mulheres, segundo afirmam estudiosas do tema do sufrágio em entrevistas à Agência Brasil. Elas explicam que, do ponto de vista histórico e político, o que chama a atenção não é o ineditismo do discurso, mas a continuidade e as ameaças.
     


    Brasília - DF - 30/07/2026 - . (Constituição de 1891, a primeira da República). Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Constituição de 1891, a primeira da República, rejeitou o sufrágio feminino – Foto: Acervo Arquivo Nacional

    “Luta permanente”

    Por outro lado, há inspirações concretas históricas, por parte das experiências da luta sufragista, para ações de resistência. “A linguagem mudou, mas a lógica patriarcal, misógina e machista é a mesma”, afirma a professora de direito Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN).

    A estudiosa destaca que o voto feminino no Brasil foi uma conquista obtida contra a resistência do Estado e da sociedade machista. Não foi uma concessão espontânea. “Direitos não se mantêm sozinhos. Eles exigem luta permanente”, diz.

    Fernanda avalia que essas manifestações questionando o voto da mulher ressurgiram, em 2026, com uma força “perturbadora”.

    “Parece absurdo, mas é verdade. Do ponto de vista jurídico-constitucional, qualquer discurso que questione o voto feminino no Brasil viola o Artigo 14 da Constituição Federal de 1988, que estabelece o sufrágio universal sem distinção de sexo”, explica.

    A professora acrescenta que o discurso ataca o Artigo 5º da Constituição, que veda qualquer tipo de discriminação. Além de inconstitucionais, as manifestações operariam um discurso criminoso. Ela pondera que há iniciativas para acionar a Procuradoria-Geral da República para tratar “dessa questão gravíssima”.

    A pesquisadora diz que as falas do influenciador Paulo Figueiredo conectam-se diretamente com o movimento antifeminista norte-americano, que defende abertamente o fim do sufrágio feminino.

    Inteligência diferenciada

    Do ponto de vista histórico, a pesquisadora Cibele Tenório, da Universidade de Brasília (UnB), assinala que a recorrência dos ataques em mais de um século é “absurda”, mas não surpreende em uma estrutura de machismo estrutural.

    “As sufragistas do século 20 lutaram e tiveram inteligência diferenciada para garantir o direito para todas nós”, afirma.


    Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Alagoana Almerinda Farias Gama). Foto:  Acervo Arquivo Nacional

    Almerinda Gama, sufragista alagoana – Foto:  Acervo Arquivo Nacional

    Jornalista e doutoranda em história, Cibele é biógrafa da sufragista alagoana Almerinda Gama (1899 – 1999). Almerinda foi uma das primeiras mulheres negras a atuar na política brasileira. 

    Cibele Tenório pondera que, diante de ataques que chegam ao tempo presente, é necessário manter atenção a toda e qualquer ameaça, ainda que não se transforme em uma hipotética e inimaginável proposta de revogação de direitos de mulheres. No entanto, as ofensivas antigênero podem fazer parte de uma estratégia que barre evoluções de direitos. 

    “Mas podem, de alguma forma, gerar incômodo ou desestímulo à participação, o que é muito perigoso.” Cibele lembra que, em 1890, a Constituinte brasileira rejeitou o sufrágio feminino, alegando incapacidade da mulher para a política.

    Intimidações

    Em 2026, em um cenário em que as mulheres representam mais de 53% do eleitorado brasileiro, atacar o voto feminino reveste-se também em uma estratégia de intimidação política, apontam as pesquisadores.

    Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão aptas a votar, em 2026, 83.877.126 brasileiras. Os homens somam 74.845.001. Em relação ao nível educacional formal, a maior faixa das mulheres está no ensino médio completo (29,28%, contra 26,35% dos homens). Terminaram a faculdade 13,08% das eleitoras (contra 9,1% dos homens).

    Eis um cenário de resistência: as mulheres são maioria da população brasileira (51,5%), minorizadas em direitos, e desestimuladas ao mercado de trabalho ou para a participação política. Conforme explica a professora Hildete Pereira, pesquisadora de economia e gênero da Universidade Federal Fluminense (UFF), a luta não se tornou simples porque, no Brasil, o estímulo às mulheres é para a função de cuidadora, e não de representante.

    Entre as mulheres que vão votar neste ano, 51,76% são pardas, 10,96%, pretas e 35,71% brancas. Outras estatísticas divulgadas pelo TSE dão conta que 50% das eleitoras declararam-se solteiras.

    As pesquisadoras ouvidas pela reportagem dizem que esses discursos integram o que a teoria feminista tem chamado de backlash (expressão que pode ser traduzida como “retaliação”) por parte dos homens. A cada evolução de direitos, surge pela estrutura misógina alguma tentativa de violação.

    “Quanto mais as mulheres avançam, mais as estruturas que sustentam a misoginia, o patriarcado e o machismo resistem”, diz Fernanda Abreu, da UERN.

    Espaços de violência

    As pesquisadoras identificam que a primeira Constituição Republicana, a de 1891, rejeitou explicitamente o sufrágio feminino com o argumento oficial de que a mulher era intelectualmente incapaz para a vida pública e que ela deveria se limitar ao espaço doméstico.

    Entre os ataques comuns, no plano social e cultural, as sufragistas eram ridicularizadas inclusive na imprensa, nas rodas sociais, e chamadas de “mulheres-homens”. Isso porque a mulher casada era legalmente definida como dependente do marido, e a solteira, dependente do pai.

    A professora e historiadora Ana Prestes, da Universidade de Brasília (UnB), acrescenta que a ridicularização na imprensa, inclusive, ocorria, por exemplo, de forma ilustrada.

    “A gente tem, nessa época, muitas charges em que aparecem o homem de avental na casa e a mulher com o terno na rua para ridicularizar. Principalmente aqueles homens que chegaram a defender o voto da mulher.”


    Brasília -Df -30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. ( Leolinda Daltro) Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Leolinda Daltro foi uma das líderes mais combativas do sufragismo – Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Segundo contextualiza a professora Fernanda Abreu, da UERN, esse argumento era usado para negar às mulheres a capacidade do voto consciente. “No âmbito jurídico individual, em 1919, a Leolinda Daltro [1859-1935], que foi a fundadora do Partido Republicano Feminino e uma das líderes mais combativas do sufragismo, teve sua candidatura à Intendência Municipal do Distrito Federal negada pelo Poder Público.”

    Inclusive, Leolinda Daltro foi uma das pessoas mais massacradas pela imprensa brasileira da época, segundo a professora e historiadora Ana Prestes. “[Os jornais] encontravam forma de colocar a atividade dela como se fosse praticamente uma baderneira, uma mulher que queria quebrar tudo”, afirma.

    As pesquisadoras exemplificam que o Código Eleitoral de 1932 chegou a incluir a exigência de autorização do marido para que a mulher casada pudesse votar. A cláusula só foi retirada do texto final depois de muita pressão das sufragistas. “Nada ocorreu sem luta e inteligência estratégica para conseguir aliados nessa causa”, explica Cibele Tenório, doutoranda na UnB.

    Elas são da opinião de que a resistência ao voto feminino não foi ligada à questão de um conservadorismo pontual. Foi institucionalizada como política pública e norma jurídica.

    As estudiosas assinalam que a trajetória de pressão feminina tem um marco no ano de 1910 com o Partido Republicano Feminino, a primeira legenda desse gênero que, em 1917, promoveu uma marcha de 90 mulheres pelo centro do Rio de Janeiro defendendo a causa.

    As sufragistas criaram jornais e escolas para debater o tema. Inclusive para contrapor os discursos machistas que escorriam pelas páginas dos jornais tradicionais.

    Diante dessa efervescência cultural e científica das primeiras décadas do século 20, as mulheres buscavam diferentes direitos, segundo explica a professora de ciência política Marlise Matos, do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

     Ela explica que as mulheres lutavam por duas outras grandes agendas – maior acesso à escolarização e ao mercado de trabalho. “Mas, sem dúvida, a conquista do voto feminino era fundamental para a cidadania efetiva. Isso foi travado com muita tensão e disputas”, diz. 


    Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Bertha Lutz na conferência de fundação da ONU, em 1945: diplomata e cientista também lutou pelo voto feminino. Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Bertha Lutz também lutou pelo voto feminino – Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Não por acaso que Bertha Lutz (1894-1976) ficou reconhecida como um dos principais nomes dessa batalha. “Ela sabia acionar pessoas e conversar inclusive com os mais conservadores em busca de aliados”, diz Cibele Tenório.

    A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922, articulou governadores, pressionou o Congresso e organizou manifestações. “Usou a imprensa nacional e internacional e estabeleceu muitas conexões com o movimento sufragista global”, acrescenta a estudiosa Fernanda Abreu, da UERN.

    Avanço legislativo

    As pesquisadoras ouvidas pela Agência Brasil entendem que o marco mais importante é o Decreto 21.076 de 1932, o primeiro código eleitoral brasileiro a garantir o direito de as mulheres irem às urnas e também de votarem secretamente. O direito foi solidificado na Constituição de 1934. O Brasil tornou-se o quarto país do Ocidente a garantir o sufrágio feminino (depois do Canadá, Estados Unidos e Equador).

    No Código Eleitoral de 1946, o voto feminino passa a ser obrigatório para mulheres alfabetizadas. Esse novo marco completou 80 anos em maio. A Constituição, promulgada em 18 setembro do mesmo ano, confirma a regra. A última Carta, a de 1988, eliminou o requisito da alfabetização.

    Para a professora da UFMG Marlise Matos, o Estado brasileiro tem que reafirmar o seu compromisso com os direitos políticos das mulheres brasileiras e reforçar campanhas informativas e publicitárias sobre a participação nas eleições.

    Ana Prestes, da UnB, aponta que um caminho da resistência é o reforço nos processos de educação formal.  “Uma coisa que eu observo nas minhas pesquisas é que muitas sufragistas eram professoras ou atuavam em cursos.”

    “Eram pessoas que defendiam o ensinamento e a criatividade também”, completa. Ela recorda que Bertha Lutz chegou a arrumar um avião para fazer um sobrevoo com panfletos, no Rio de Janeiro. “Eram ousadas, persistentes e hábeis articuladoras”, diz a professora e historiadora

    Por isso, é necessário romper com o apagamento e com a invisibilidade de mulheres que lutaram por grandes causas, como a do voto feminino, a da educação e a do trabalho, defende a professora Hildete Pereira, pesquisadora da UFF.

    A dependência financeira funcionaria como um obstáculo social de subalternidade, inclusive no tempo presente. Além disso, o próprio mercado de trabalho garante salários melhores aos homens em vista do machismo estrutural. Historicamente, segundo salienta, políticas públicas devem reforçar o papel da mulher na sociedade, como em relação à participação na política.

    “Essas mulheres do final do século 19 e início do século 20 nos ensinam, tanto tempo depois, que é preciso participar e não desistir”, ressalta Hildete Pereira.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • História do voto: mulheres do RN tiveram feitos inéditos

    História do voto: mulheres do RN tiveram feitos inéditos

    Cidadãs do Rio Grande do Norte têm uma representação singular na história do sufrágio feminino brasileiro. “Na luta pelo direito ao voto, o Rio Grande do Norte foi pioneiro no Brasil e na América do Sul”, destaca a professora Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN). Uma lei estadual (nº 660), de 25 de outubro de 1927, aprovada pelo presidente do estado (como se chamava o governador), Juvenal Lamartine, garantiu o avanço inédito.

    “Ele tinha simpatia a essa causa pelo diálogo com a Bertha Lutz. Essa lei estabeleceu que não haveria distinção de sexo para exercício do sufrágio. Foi a primeira lei em território brasileiro a garantir isso institucionalmente”, afirma.

    Em novembro de 1927, Celina Guimarães Viana (1890-1972), da cidade de Mossoró (a 280 quilômetros de Natal), foi ao cartório requerer seu alistamento eleitoral por um ato individual de insurgência.“A gente classifica como feminista pela natureza”, afirma a professora.

    “Isso a tornou a primeira mulher alistada como eleitora no Brasil e na América do Sul. No dia 5 de abril de 1928, ela exerceu o seu voto. Ela foi a primeira na história brasileira a exercer”, destaca.

    Outra cidadã, Júlia Alves Barbosa Cavalcante (1898-1943), de Natal, fez o pedido no mesmo dia que Celina e tornou-se a segunda eleitora do Brasil. “No total, 15 mulheres [foto principal] votaram no estado naquele ano de 1928.”

    Pioneirismo

    O Rio Grande do Norte tornou-se um pioneiro em relação às mulheres na política. Na candidatura, o estado também foi pioneiro. Alzira Soriano de Nóbrega Teixeira (1897-1963) candidatou-se à prefeitura de Lajes (a 130 quilômetros de Natal) em 1928.


    Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Em 1928, antes mesmo de as brasileiras poderem votar, Alzira Soriano foi eleita prefeita da cidade de Lajes (RN). Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Em 1928, antes mesmo de as brasileiras poderem votar, Alzira Soriano foi eleita prefeita da cidade de Lajes (RN) – Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Segundo a professora Fernanda Abreu, a sufragista Bertha Lutz fez interlocuções com Juvenal Lamartine para esse feito. “O New York Times noticiou que ela foi eleita com 60% dos votos e se tornou a primeira prefeita do Brasil e da América Latina.”

    Alzira venceu uma campanha marcada por ataques misóginos, explica a professora. “Muito incisivos, incluindo insinuações de que a mulher pública seria sinônimo de prostituta. Foi uma vitória política real, não apenas simbólica”, contextualiza.

    A pesquisadora em história Cibele Tenório, da Universidade de Brasília (UnB), biógrafa da sufragista alagoana Almerinda Gama (1899-1999), acrescenta que a luta pelo voto veio primeiro e possibilitou as candidaturas.

    “A resistência ao voto feminino tem relação com uma interdição prévia às eventuais candidaturas femininas e também às pautas defendidas pelas mulheres, particularmente as temáticas sociais”, reitera.


    Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Bertha Lutz na conferência de fundação da ONU, em 1945: diplomata e cientista também lutou pelo voto feminino. Foto: Acervo Arquivo Nacional

    Bertha Lutz teve atuação fundamental na luta pelo voto feminino – Foto: Acervo Arquivo Nacional

    No caso do Rio Grande do Norte, as pesquisadoras identificam que o ambiente institucional viabilizou as conquistas femininas. “Sem a lei de 1927, que foi resultado de pressão política, incluindo a articulação de Bertha Lutz com o governo estadual, Celina não teria se alistado e Alzira não teria podido se candidatar”, diz Fernanda Abreu, da UERN.

    A professora considera o caso do Rio Grande do Norte “muito raro”, já que as duas conquistas ocorreram simultaneamente e antes do marco nacional de 1932. “Quando o ambiente político e institucional é receptivo e há organização feminista, os espaços vão se acelerar.”

    Ela assinala que se tratava de mulheres comuns que foram pedir o que entendiam ser direito. “Isso é o gesto mais subversivo e mais poderoso de toda essa história.”


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios

    Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios

    Mulheres de diferentes lugares do Brasil se conectaram em uma rede de apoio e articulação que tem como principal elo a defesa ambiental e da justiça climática.  

    O Programa Defensoras por Defensoras, promovido pela rede ambiental Observatório do Clima, reúne histórias de vida ligadas pelos cuidados com as pessoas, o meio ambiente e a memória dos territórios.

    São 36 mulheres que atuam na linha de frente do ativismo ambiental e climático e que juntas trocam vivência, compartilham desafios e passam por formações para o fortalecimento da luta em seus territórios.

    A Pernambucana Sara Marques (foto de destaque) vive na comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE), desde que nasceu. O local às margens de um braço do Rio Capiberibe, há algumas décadas, era uma região de pescadores e marisqueiras.


    Brasília - 31/07/2026 - Sara Marques, no programa Defensoras por Defensoras. Foto: Gabriella Godoy/ Divulgação

    Sara Marques no programa Defensoras por Defensoras.- Gabriella Godoy/ Divulgação

    Hoje, totalmente integrado à área urbana, sofre os impactos de um crescimento desordenado que tornou o rio improdutivo e pressiona a população local para dar espaço a novos empreendimentos imobiliários.

    “Eu tinha essa relação com a natureza, de saber que ia chover quando os caranguejos saíam do buraco, quando os aratus corriam [pequenos caranguejos], quando tinha peixe nos viveiros. Aqui a gente tinha uma cadeia de pescado. Então tinha camarão, siri, aratu, tinha cavalo marinho”, lembra Sara.

    Antes mesmo de nascer, os avós da Sara já viviam ali e os pais se conheceram e construíram a casa onde ela nasceu também em Caranguejo Tabaiares. Mas com o tempo, tudo mudou.

    “Então a gente diz que nós somos uma comunidade pesqueira descaracterizada. Você tem o rio canalizado, você tem uma ilha que não é mais ilha, agora é um istmo [faixa de terra que conecta duas áreas]. Você tem viveiros que antes eram bem cheios de espécies e que hoje produz, majoritariamente, só o camarão”, descreve Sara.

    Restauração

    No outro extremo do Brasil, em Santa Catarina, Mirian Prochnow também sentiu despertar a vontade de lutar por um meio ambiente saudável para as próximas gerações quando percebeu que o pedaço de Mata Atlântica onde viveu a infância começou a desaparecer.

    “Quando a gente se deparou com centenas de caminhões carregados de Mata Atlântica passando na frente de casa foi o momento em que eu com um grupo de amigos pensamos o que a gente pode fazer e decidimos ‘vamos criar uma ONG e vamos salvar o planeta’”, relembra.

    Do sonho de replantar as árvores e ver o rio vivo, nasceu, há 40 anos, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) e começou o trabalho de produção de mudas de espécies nativas para restauração.

    “Começou com 18 mudinhas no fundo do quintal. Hoje o viveiro que a gente tem, tem capacidade para mais de um milhão de mudas por ano e 200 espécies diferentes da Mata Atlântica”, diz Mirian Prochnow.


     Brasília - 31/07/2026 -  Miriam Prochnow, no programa Defensoras por Defensoras. Foto:  Gabriella schaffer/ Divulgação

    Miriam Prochnow sentiu despertar força para lutar lugar quando viu que o pedaço de Mata Atlântica onde viveu a infância começou a desaparecer- Gabriella schaffer/ Divulgação

    Coletivo

    Foi exatamente essa vivência e experiência nas ações que fazem frente aos desafios sociais, ambientais e também de gênero que Valdineia Sauré, conhecida como Val Munduruku, decidiu também fazer parte das Defensoras por Defensoras.

    Nascida em Jacareacanga, no Pará, já fora do contexto de aldeia, nunca deixou as lutas indígenas de seu território pra trás. Levou o ativismo para a vida universitária, onde começou a entender melhor as conexões entre a proteção da terra, os impactos das mudanças climáticas e como isso afeta de forma diferente cada pessoa.

    “O que acontece no território não é algo isolado e a gente, enquanto pessoas que somos parte da solução, precisamos entender isso. Então, o casamento das causas, da universidade, do território, do movimento de mulheres e da juventude, resulta nesse boom no despertar do ativismo”, diz Val Munduruku.

    Comunicação

    Na união feminina, além de ganharem força para enfrentar os desafios em seus territórios, as mulheres também constroem a comunicação que ultrapassa os espaços coletivos conquistados por elas.

    “A gente precisa fazer com que não só o nosso meio que está sendo afetado entenda, mas também com que outras pessoas tenham consciência para si, de que também vão ser prejudicadas. E que pobres, indígenas, e mulheres já estão comunicando isso há bastante tempo, mas estão pensando que ainda não tiveram tanta atenção”, reforça a paraense.

    Cuidado

    Em uma publicação lançada recentemente pelo programa Defensoras por Defensoras, o grupo faz uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido por elas em relação à Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024).

    No relatório Mulheres que Sustem o Clima, elas contam suas histórias e apontam lacunas existentes na lei, como a ausência de apoio para lideranças comunitárias e defensoras de território.

    “Muitas vezes a gente não tem nem tempo para cuidar do próprio corpo, porque tem outras preocupações de como desenvolver um projeto, como que vai defender o território. Então, a gente sempre pergunta nesse movimento, quem defende as defensoras?” questiona Val.

    A partir dessas reflexões elas também apontam caminhos como a revisão do conceito de cuidado indo além da prática cotidiana entre pessoas e alcançando a relação de cuidado com o território

    “Então, oferecer suporte, apoio de todas as formas para que a gente consiga também estar na luta árdua e ao mesmo tempo fazer esse abraçamento coletivo de mulheres que cuidam, de mulheres trans, de pessoas que são mais marginalizadas nos territórios e que precisam ter esse olhar do cuidado espiritual, mental, para poder defender o território”, conclui Val Munduruku.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Programa de renegociação de dívidas é prorrogado até 31 de agosto

    Programa de renegociação de dívidas é prorrogado até 31 de agosto

    A prorrogação do programa de renegociação de dívidas bancárias, o Desenrola Brasil 2.0, foi oficializada neste sábado (1º), em portaria do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União. A medida já havia sido anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

    Os consumidores terão até 31 de agosto para renegociar os débitos com os bancos e regularizar a situação de acesso ao crédito.

    As regras do Desenrola permanecem inalteradas e, de acordo com a portaria, a prorrogação aplica-se exclusivamente às instituições financeiras que tenham celebrado, até 30 de julho de, no mínimo 1 mil operações de crédito com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

    Na ocasião do anúncio, Durigan ressaltou que a medida não exigirá novos aportes públicos ao FGO, uma vez que os recursos destinados ao programa já são suficientes para atender à demanda prevista. O objetivo do prazo adicional é permitir que pessoas que ainda estão em negociação com instituições financeiras consigam concluir o processo de regularização.

    O ministro destacou que a prorrogação também beneficia quem pretende contratar financiamentos. De acordo com ele, entre os beneficiados estão os motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e caminhoneiros que pretendem trocar de veículo por meio do Programa Move Brasil.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Fluminense e Vasco abrem oitavas de final da Copa do Brasil com 0 a 0

    Fluminense e Vasco abrem oitavas de final da Copa do Brasil com 0 a 0

    Fluminense e Vasco não saíram do 0 a 0 na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O jogo ocorreu na tarde deste sábado (1º) no estádio do Maracanã e foi transmitido ao vivo pela Rádio Nacional.

    O jogo foi muito disputado com muitas faltas e com poucas chances de gol. As equipes pareciam estar mais preocupadas em não perder. Dessa forma, o empate com placar fechado acabou ficando justo.

    A partida de volta entre Fluminense e Vasco será na próxima quarta-feira (6), às 21h30, também no Maracanã. Uma vitória simples dá a vaga para o vencedor e qualquer empate leva a decisão para os pênaltis.

    Às 19h30 deste sábado começou o jogo de ida de Atlético-MG e Juventude, em Belo Horizonte e, às 21h, tem Santos e Remo, Vila Belmiro. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Justiça do Rio revoga prisão preventiva do rapper Oruam

    Justiça do Rio revoga prisão preventiva do rapper Oruam

    A Justiça do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. A decisão é da juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, que desclassificou a acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal leve.

    O processo é referente ao episódio ocorrido em 22 de julho de 2025, quando o artista e outras pessoas foram denunciados por arremessar pedras contra policiais civis em frente à residência dele, no bairro do Joá, zona oeste do Rio de Janeiro. Na ocasião, os agentes cumpriam mandados de busca e apreensão contra um adolescente apontado pela polícia como escondido no imóvel.

    Com a mudança na tipificação do crime, a magistrada determinou que o processo seja encaminhado a uma das varas criminais comuns da capital, já que a 3ª Vara Criminal tem competência para julgar crimes dolosos contra a vida.

    Na decisão, a juíza entendeu que não há fundamento legal para a manutenção da prisão preventiva de Oruam, uma vez que os crimes remanescentes não admitem a medida cautelar.

    Apesar da revogação da prisão, o rapper terá de cumprir medidas cautelares, entre elas comparecimento mensal em juízo, recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 6h, e proibição de frequentar o Complexo do Alemão.

    Os demais denunciados — Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos — continuarão submetidos às medidas cautelares já impostas. Segundo a magistrada, não houve descumprimento das determinações judiciais nem fatos novos que justificassem a alteração dessas medidas.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Cresce o número de estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça

    Cresce o número de estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça

    O Brasil tinha 1.583 estabelecimentos registrados na cadeia produtiva de cachaça no ano passado, 272 a mais na comparação com 2024 – o crescimento de 21% é o maior desde 2018.

    O número engloba quem produz a bebida; padroniza cor, aroma e paladar; envasa as garrafas e/ou vende no atacado. Desde 2018, o número de estabelecimentos cresceu 61%

    Os dados são do Anuário da Cachaça publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a elaboração da Secretaria de Defesa Agropecuária..

    O maior número de estabelecimentos estava na Região Sudeste (961), puxado por Minas Gerais (564) e por São Paulo (230). Mais de 62% dos fabricantes, padronizadores, envasadores e atacadistas atuavam naquele estado. A Região Sul tinha 277 estabelecimentos – puxada pelo Rio Grande do Sul (230). No Nordeste, funcionavam 211 estabelecimentos; no Centro-Oeste, 70; e no Norte, 19.

    Em 844 municípios brasileiros, havia ao menos um estabelecimento da cadeia produtiva da aguardente brasileira registrada pelo Mapa.

    Entre essas cidades, Salinas (MG) era o município que tinha mais estabelecimentos da cadeia produtiva da cachaça (27). A cidade no norte de Minas era seguida de perto por Alto Rio Doce, na Zona da Mata mineira, com 25 estabelecimentos; e por Viçosa do Ceará, no topo da Serra da Ibiapaba, no noroeste cearense, com 24 estabelecimentos.

    Em todo o país, a produção de cachaça manteve (em média) 6.232 postos de trabalho em 2025 – 4,4% do total dos empregos na indústria de fabricação de bebidas.


    Dia Nacional da Cachaça é comemorado no dia 13 de agosto.

    Dia Nacional da Cachaça é comemorado no dia 13 de agosto. – Marcello Casal JrAgência Brasil

    Produto de exportação

    O Anuário da Cachaça ainda destaca a venda da bebida para o mercado internacional (76 países). Em 2025, as exportações foram de quase 8 milhões de litros – um crescimento de 19,4% sobre o volume exportado em 2024. O faturamento superou os 17 milhões.

    Em valores pagos, os Estados Unidos foram no ano passado o maior comprador. Enquanto o Paraguai foi o país que consumiu o maior volume (1,34 milhão de litros).

    Para o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, a exportação da bebida “continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados”, conforme declara em nota à imprensa.

    A nota do Ibrac assinala que “apesar do crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, o Anuário registra que o volume de produção declarado em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, redução de 15,77% em relação ao ano anterior.”

    Registro de produtos e saúde

    O conjunto de estabelecimentos elaboradores de cachaça em todo o Brasil tem 8.379 produtos registrados no Mapa.

    É ilegal produzir e comercializar aguardente sem autorização no Mapa. O ministério orienta que a população consuma apenas cachaças que tenham no rótulo o número do registro no ministério.

    Produtos não registrados no Mapa podem ter origem em fabricação clandestina e ser falsificados, como aconteceu entre setembro e dezembro de 2025 nas dezenas de casos de mistura e adulteração de bebidas destiladas com metanol.

    A intoxicação pelo consumo de bebidas adulteradas pode levar a óbito. Por isso, sua ingestão é considerada emergência médica grave: não pode ser tratada em casa. O consumo pode causar cegueira irreversível, falência dos rins e morte se o tratamento não for iniciado nas primeiras horas.

    Para o Ministério da Saúde, não existe quantidade segura para o consumo de qualquer bebida alcóolica. Em caso de dependência, há tratamento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Espanha põe barreira flutuante em Ceuta após fluxo morte de imigrantes

    Espanha põe barreira flutuante em Ceuta após fluxo morte de imigrantes

    A Espanha começou neste sábado (1º) a instalar uma barreira flutuante de 500 metros na fronteira entre o enclave de Ceuta e Marrocos, após a tentativa de travessia que deixou ao menos 67 mortos. Segundo o governo espanhol, a entrada de migrantes na região foi interrompida durante a noite.

    Segundo as autoridades espanholas, cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar desde quinta-feira, num fluxo sem precedentes numa das únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Mais de 48 mil delas voltaram para o Marrocos em 48 horas, informou a Espanha.

    Um vídeo da Reuters divulgado no sábado flagrou soldados e policiais espanhóis patrulhando a praia de Tarajal, praticamente deserta e envolta em neblina.

    Reunião de emergência

    A Guarda Civil começou a instalar a nova barreira às 7h50 do horário local no quebra-mar de Tarajal, um dos principais pontos utilizados por pessoas que tentam entrar no pequeno território espanhol, informou o governo em comunicado.

    A barreira pneumática, juntamente com uma linha de boias navais ancoradas, foi projetada para ficar de 30 a 70 centímetros acima da água e se estender até um metro abaixo da superfície, acrescentou, enquanto um canal entre as barreiras permitirá que embarcações da Guarda Civil patrulhem a área.

    A travessia em massa gerou alarme em toda a União Europeia, e 22 Estados-membros escreveram uma carta solicitando ações coordenadas para proteger as fronteiras externas e outras medidas.

    A Irlanda, que detém a presidência rotativa da UE, afirmou ter convocado uma reunião de emergência por videoconferência com os ministros do Interior do bloco para discutir a crise na terça-feira (4).

    O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de centro-esquerda, criticou na sexta-feira (31) a decisão da Itália de suspender por um mês o acordo de livre circulação de pessoas com Madri, dentro do espaço Schengen.

    “No atual contexto internacional, a UE não pode se dar ao luxo de ter esse tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal”, escreveu Sánchez em uma carta aos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.

    Mortes

    Pelo menos 67 corpos foram recuperados no lado espanhol da fronteira, disseram as autoridades, depois que alguns migrantes se afogaram e outros foram esmagados ao tentar escalar o quebra-mar e a cerca da fronteira.

    Muitos foram levados a migrar por dificuldades econômicas e incentivados por boatos nas redes sociais.

    O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, culpou as redes de tráfico de pessoas por explorarem migrantes vulneráveis ​​e por disseminarem interpretações enganosas de uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol, segundo a qual os migrantes interceptados no mar não podem ser devolvidos sumariamente na ausência de uma barreira física.

    Falando de Ceuta, Grande-Marlaska disse aos repórteres que a Espanha havia restabelecido a ordem em grande parte em 24 horas, mas alertou que a crise ainda não havia terminado formalmente e que os reforços policiais e militares permaneceriam enquanto fossem necessários, embora as travessias noturnas tivessem caído para quase zero.

    “Marrocos não representa qualquer ameaça para Ceuta ou para o resto da Espanha — é um parceiro totalmente confiável”, disse, acrescentando que não havia informações de inteligência indicando que uma entrada em massa fosse iminente.

    O sindicato AUGC, que representa a Guarda Civil espanhola, afirmou estar solicitando um reforço de pelo menos 200 agentes e alertou que é necessário um esforço maior para impedir que as pessoas contornem a nova barreira inflável a nado.

    Madri afirmou que as pessoas que entraram em Ceuta irregularmente não poderiam viajar para o resto da Espanha continental ou para qualquer outro lugar na zona Schengen.

    Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores acrescentou que os viajantes que saem de Ceuta por via marítima ou aérea são submetidos a verificações de identidade pela polícia, o que representa uma segunda camada de controle após a fronteira terrestre com Marrocos.

    Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, introduzindo um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

    Mas rejeitou as sugestões de que o programa de regularização teria incentivado a entrada descontrolada em Ceuta, afirmando que os candidatos devem comprovar residência na Espanha antes de 1º de janeiro de 2026 e cinco meses consecutivos de residência no momento da inscrição.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Documentário colombiano chama atenção para preservação dos páramos

    Documentário colombiano chama atenção para preservação dos páramos

    Sistemas em constante ameaça e fundamentais para o abastecimento de rios, os páramos são tema abordado no documentário Páramos II El Origen, do cineasta colombiano Alejandro Calderón. Exibida no festival de Bonito CineSur, em Bonito (MS), a produção reúne especialistas para explicar a formação desses ecossistemas e sua importância para o ciclo hídrico.

    Os páramos são ecossistemas de montanha formados por um terreno encharcado, musgos e arbustos e se encontram na região da Cordilheira dos Andes.

    Neste ecossistema, os solos em geral são recentes, de origem glacial e vulcânica, e muitos ainda estão em formação. Por sua característica, estes solos costumam reter muita água e, por isso, eles são de importância vital, já que fornecem recursos hídricos e água limpa para lugares mais baixos.

    “São encontrados apenas nos Andes tropicais, especificamente na Colômbia, na Venezuela e no Equador, bem como em uma pequena parte do Peru e na região de fronteira entre o Panamá e a Costa Rica.  A maior parte desses ecossistemas está localizada na Colômbia, em altitudes que variam de 3 mil a 5 mil metros acima do nível do mar”, explicou o cineasta colombiano.

    Este ecossistema, ressaltou Calderón, é composto por inúmeras lagoas, que atuam “como o principal ponto de processamento da água proveniente dos Andes, abastecendo os rios que correm em direção ao mar, à Amazônia e ao Orinoco [um dos rios mais longos e importantes da América do Sul]”.

    Em seu mais recente documentário, Calderón apresenta especialistas que falam sobre a importância dos páramos para o abastecimento e regulação do clima do planeta e destacam as diversas ameaças, com destruição da vegetação local e redução da capacidade do solo em reter a água.

    “Há muitas questões envolvidas como a mineração, a monocultura e a pecuária”, disse o diretor.

    “O filme aborda todos esses aspectos, concentrando-se fortemente no manejo da terra e do solo, na história de nossa relação com a terra e na forma como temos utilizado o solo”.

    Em entrevista à Agência Brasil, Calderón destacou que estas mesmas ameaças também constituem um problema a outros ecossistemas como a Amazônia, e que é preciso haver uma discussão mundial sobre os usos do solo. O diretor destaca que mudar as práticas de uso da terra, algo também ligado a fatores políticos e econômicos, é fundamental.

    “Se continuarmos consumindo da maneira como temos feito no último século, o planeta simplesmente não vai aguentar. Em outras palavras, a menos que mudemos os hábitos que cada um de nós temos em casa, não conseguiremos resolver nada”, destacou.

    Para ele, a solução para o que acontece atualmente nos páramos andinos precisa ser discutida de forma conjunta. “A solução proposta no documentário é reunir todas as partes interessadas no conflito como comunidades camponesas e indígenas, pecuaristas e proprietários de terras, para chegar a um consenso. Acreditamos que esse é um caminho, talvez o único, para resolver esses problemas”, afirmou o cineasta.

    *A repórter viajou a convite do Bonito CineSur


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br