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  • Crimes da ditadura paraguaia seguem sem respostas, diz ator no CineSur

    Crimes da ditadura paraguaia seguem sem respostas, diz ator no CineSur

    Entre as ditaduras militares que se instalaram pelos países da América do Sul, nenhuma durou tanto quanto a do Paraguai, comandada pelo general Alfredo Stroessner entre os anos de 1954 e 1989.

    Durante esses 35 anos de governo, o regime de Stroessner prendeu arbitrariamente ou de forma ilegal quase 20 mil pessoas, torturou 19 mil e matou 60. Além disso, 3,5 mil precisaram ser exiladas, segundo dados divulgados em 2003 pela Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai. Entre os grupos que mais sofreram violações nesse período estavam os formados por pessoas LGBTQI+.

    Um dos casos mais emblemáticos dessa violência foi o assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959, um locutor de rádio homossexual que amava o rock and roll e que foi queimado enquanto dormia. 

    O crime jamais foi solucionado, mas, para a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia, o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar.

    A história de Aranda acabou inspirando o livro Narciso, escrito pelo escritor e jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá e que agora foi adaptado ao cinema pelo diretor Marcelo Martinessi.

    Chamado Quién Mato a Narciso?, o filme conquistou recentemente o Prêmio de Melhor Filme da Mostra Panorama do Festival de Berlim e foi exibido esta semana dentro da competição de filmes sul-americanos do Bonito CineSur, festival de cinema que ocorre em Bonito (MS) até este sábado (1°/8).

    “Esse crime nunca foi esclarecido até hoje. Por isso, durante a apresentação [do filme no Bonito CineSur], eu falei: ‘Tanto no cinema quanto na vida, muitas vezes não temos respostas’. Então, no cinema também não há um desfecho, porque nós mesmos, no Paraguai, não sabemos a resposta. E este é apenas um dos muitos casos que ocorreram”, disse o ator Diro Romero, que interpreta Narciso no cinema.

    Para Romero, a história da ditadura no Paraguai é muito semelhante às vividas pelos demais países da América do Sul, com “desaparecidos, torturas e mortes que, até hoje, permanecem sem esclarecimento”.

    Segundo ele, apresentar essa história por meio do cinema procura transmitir a ideia de que é preciso garantir que essa violência jamais volte a ocorrer entre países sul-americanos.

    “Viemos do mesmo lugar. A ideia é que sejamos mais unidos. Acho que é isso que as pessoas querem, mas nossos líderes estão seguindo uma direção diferente. Estamos nos dividindo em um momento em que precisamos estar mais unidos do que nunca.” 

    O cinema no Paraguai

    Quién Mato a Narciso? marca um novo momento do cinema paraguaio. Nos últimos anos, o país instituiu novas políticas para incentivar sua produção cinematográfica, tais como a Lei do Cinema (2018), a criação do Instituto Nacional do Audiovisual do Paraguai e o recente acordo de coprodução cinematográfica e audiovisual do Mercosul. 

    O documento assinado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, moderniza regras para o setor audiovisual dos países do bloco e permite que coproduções recorram a fundos públicos de fomento dos países que compõem o Mercossul.

    Para o ator, músico, produtor e membro da Academia de Cinema e da União de Atores do Paraguai, Celso Franco, o cinema de seu país só começou, de fato, a ganhar impulso após o grande sucesso de 7 Caixas (2012), filme que ele protagonizou e que chegou a atrair 300 mil pessoas aos cinemas paraguaios.

    “Foi um filme que teve um impacto enorme no cinema. Foi um fenômeno — e um fenômeno decorrente de uma questão que venho analisando há muito tempo: a falta de visão do Paraguai sobre si mesmo.”

    Há cerca de cinco anos, o setor de investimento ganhou impulso. “Agora temos o INAP, o Instituto Nacional do Audiovisual, que conta com fundos específicos para o cinema e vem impulsionando fortemente a produção audiovisual.”

    Para ele, com essas novas políticas para o audiovisual, o cinema paraguaio poderá, finalmente, contar suas histórias. “Há muitas histórias para serem contadas.”

    * A repórter viajou a convite do Bonito CineSur


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Censo Escolar 2026: coleta de dados da 1ª etapa termina nesta sexta

    Censo Escolar 2026: coleta de dados da 1ª etapa termina nesta sexta

    As escolas devem coletar os dados da primeira etapa do Censo Escolar da Educação Básica 2026 até esta sexta-feira (31). Nesta etapa, são informados os dados de matrículas, turmas, profissionais escolares e infraestrutura das unidades de ensino, por meio do Sistema EduCacenso.

    O Censo Escolar é uma pesquisa estatística obrigatória da educação básica brasileira, feita em colaboração com as secretarias estaduais, distrital e municipais de educação, com a participação das escolas públicas e privadas.

    A pesquisa coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) abrange as diferentes etapas e modalidades da educação básica e da educação profissional, incluindo educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional.

    Cronograma

    Os gestores municipais, estaduais e do Distrito Federal serão os responsáveis pela exportação dos dados preliminares ao Ministério da Educação, em 27 de agosto, para publicação no Diário Oficial da União.

    Após essa publicação, o Sistema EducaCenso será reaberto durante 30 dias aos gestores educacionais para conferência, confirmação e eventual correção das informações declaradas.

    Os resultados finais da primeira etapa e estatísticas da Educação Básica serão divulgados em 1º de fevereiro de 2027.

    Nesta mesma data, começa a segunda etapa do Censo Escolar da Educação Básica 2026, que trata da situação do aluno.

    Fase final

    Os indicadores finais de rendimento escolar serão divulgados pelo Inep em 14 de maio de 2027.

    Os dados no Censo Escolar servem para a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas educacionais, além de servir de base para a distribuição de recursos.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Inmet emite alerta laranja para baixa umidade do ar em 8 estados e DF

    Inmet emite alerta laranja para baixa umidade do ar em 8 estados e DF

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta laranja, abrangendo oito estados, além do Distrito Federal, em razão da baixa umidade do ar. A condição estará em vigor entre 12h e 18h desta sexta-feira (31) e prevê uma variação da umidade relativa do ar entre 20% e 12%.  

    O alerta, que indica perigo, abrange 501 municípios do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia e o DF. O instituto ressalta que, com a umidade do ar neste patamar, há risco potencial de incêndios florestais e à saúde das populações nesta região. Confira as regiões cobertas pelo alerta laranja:


    Brasília - 30/07/2026 - Mapas do Inmet. Foto: Inmet

    Alerta laranja – Foto: Inmet

    Um outro aviso, também relacionado à baixa umidade ar, abrange uma área maior do centro do país. Neste caso, o alerta é amarelo, que indica perigo potencial. Neste cenário, a umidade pode variar entre 30% e 20% e há baixo risco de incêndios florestais e à saúde. Esse alerta estará em vigor entre 10h30 e 21h desta sexta-feira. Confira as áreas afetadas:


    Brasília - 30/07/2026 - Mapas do Inmet. Foto: Inmet

    Alerta amarela para baixa umidade – Foto: Inmet

    Ventos costeiros 

    Após a ventania que assustou moradores de São Paulo e do Rio de Janeiro nesta semana, o Inmet indica perigo potencial para a ocorrência de ventos costeiros no litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

    De acordo com o Instituto, o alerta amarelo estará em vigor ao longo de toda sexta-feira, indicando intensificação dos ventos nas regiões litorâneas, com movimentação de dunas de areia sobre construções na orla. O alerta abrange um total de 48 municípios, conforme mapa abaixo:


    Brasília - 30/07/2026 - Mapas do Inmet. Foto: Inmet

    Alerta amarela para ventos costeiros. – Foto: Inmet


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Cidades, Transportes e Fazenda lideram desbloqueio do Orçamento

    Cidades, Transportes e Fazenda lideram desbloqueio do Orçamento

    Os Ministérios das Cidades, dos Transportes e da Fazenda lideraram o desbloqueio de R$ 5,7 bilhões do Orçamento de 2026, anunciou na noite desta quinta-feira (30) o Ministério do Planejamento e Orçamento.

    Os novos limites de gastos constam do decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União, com os novos valores detalhados dos bloqueios por ministérios e por órgãos. Pela legislação, o decreto é divulgado oito dias após o envio ao Congresso Nacional do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento.

    Segundo o documento, dos R$ 5,741 bilhões desbloqueados no último dia 24, R$ 3,332 bilhões são de gastos discricionários (não obrigatórios) e R$ 1,204 de emendas parlamentares. Dentro dos gastos discricionários, R$ 2,523 bilhões serão liberados do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

    Os ministérios e demais órgãos federais têm até 6 de agosto para detalharem os programas que terão mais recursos.

    A última edição do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas reduziu de R$ 23,679 bilhões para R$ 17,937 bilhões o volume bloqueado no Orçamento de 2026.

    Emendas parlamentares

    Mesmo com a liberação de recursos, continuam bloqueados R$ 3,675 bilhões em emendas parlamentares de bancada, recursos indicados por deputados e senadores para obras e projetos nos estados.

    Nesse caso, será aplicada a Lei Complementar 210/2024, aprovada para regulamentar a execução das emendas parlamentares e ampliar a transparência desses recursos.

    Pela lei complementar, as emendas são bloqueadas ou desbloqueadas até a mesma proporção aplicada às demais despesas discricionárias, para cumprir as metas fiscais. No entanto, o Congresso poderá definir as prioridades quando houver necessidade de bloqueio ou contingenciamento, indicando quais programações terão os recursos preservados e quais serão afetadas pelos cortes, dentro dos limites definidos pelo governo.

    Faseamento

    Além dos bloqueios, o governo está utilizando o chamado faseamento de empenho. O mecanismo não corta recursos, mas limita temporariamente a velocidade com que os órgãos podem assumir novos compromissos financeiros.

    A medida funciona como um controle de fluxo de caixa. Se a arrecadação ficar abaixo do esperado, o governo evita empenhar (autorizar o gasto de) recursos antes de confirmar a entrada das receitas.

    A restrição de empenho está prevista em R$ 47,46 bilhões até setembro. O valor sujeito a esse controle cai para R$ 29,498 bilhões até novembro e para zero em dezembro.

    Ao somar o total bloqueado de R$ 17,937 bilhões, a restrição chega a R$ 65,397 bilhões até setembro e a R$ 47,436 bilhões até novembro.

    Tipos de despesa

    O arcabouço fiscal em vigor divide os recursos congelados em dois tipos: o contingenciamento e o bloqueio. O contingenciamento representa os recursos retidos temporariamente para cobrir falta de receitas do governo que atrapalham o cumprimento da meta fiscal. Para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prevê resultado primário zero (nem déficit, nem superávit), com uma margem de tolerância de até R$ 31 bilhões para mais ou para menos.

    O bloqueio corresponde aos recursos retidos para cumprir o limite de gastos do arcabouço. Neste ano, o governo federal não contingenciou o Orçamento, porque prevê superávit primário (economia de recursos para pagar os juros da dívida pública) de R$ 10,8 bilhões, se excluídos precatórios e alguns gastos com saúde, educação e defesa.

    Para 2026, o marco fiscal limita o crescimento das despesas a 2,5% acima da inflação do ano anterior.

    Detalhamento

    Desconsiderando as emendas parlamentares, a redução dos bloqueios foi dividida da seguinte forma:
     

    Órgãos Bloqueio 2º Bimestre Bloqueio 3º Bimestre Diferença (R$ milhões)
    Ministério das Cidades 3,047.50 1,847.30 -1,200.20
    Ministério dos Transportes 1,608.70 592.9 -1,015.80
    Ministério da Fazenda 1,396.30 856.3 -540
    Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação 490.1 153.8 -336.3
    Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar 545.2 245.2 -300
    Ministério da Educação 1,605.00 1,325.00 -280
    Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional 399.3 259.3 -140
    Ministério das Relações Exteriores 414.5 284.5 -130
    Presidência da República 279.9 209.9 -70
    Ministério do Planejamento e Orçamento 334.1 272.1 -62
    Ministério do Esporte 162.3 101.1 -61.2
    Advocacia-Geral da União 111.1 51.1 -60
    Agência Nacional de Transportes Terrestres 57 7 -50
    Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania 76.1 30.1 -46
    Banco Central do Brasil 92.4 47.4 -45
    Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico 44.9 – -44.9
    Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos 228.7 188.7 -40
    Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome 243.4 206.4 -37
    Ministério dos Povos Indígenas 74.7 44.8 -29.9
    Agência Nacional de Mineração 22.7 -22.7
    Ministério da Defesa 4,363.30 4,344.30 -19
    Agência Nacional de Proteção de Dados 6.5 -6.5
    Ministério da Agricultura e Pecuária 489.9 489.9
    Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços 130.7 130.7
    Ministério da Justiça e Segurança Pública
    Conselho Administrativo de Defesa Econômica 9.7 9.7
    Ministério de Minas e Energia 143.1 143.1
    Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 18.1 18.1
    Agência Nacional de Energia Elétrica 34.3 34.3
    Ministério da Previdência Social
    Ministério da Saúde 1,001.70 1,001.70
    Agência Nacional de Vigilância Sanitária 22.4 22.4
    Agência Nacional de Saúde Suplementar 34.2 34.2
    Controladoria-Geral da União 29.4 29.4
    Ministério do Trabalho e Emprego
    Ministério das Comunicações 127.6 127.6
    Agência Nacional de Telecomunicações 51.8 51.8
    Ministério da Cultura 220.8 220.8
    Agência Nacional do Cinema 8.2 8.2
    Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima 31.8 31.8
    Ministério do Turismo 83.8 83.8
    Ministério da Pesca e Aquicultura 46.8 46.8
    Gabinete da Vice-Presidência da República 0.9 0.9
    Ministério das Mulheres 53.3 53.3
    Ministério da Igualdade Racial 29.9 29.9
    Ministério de Portos e Aeroportos 347.2 347.2
    Agência Nacional de Transportes Aquaviários 14.3 14.3
    Agência Nacional de Aviação Civil 24 24
    Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte 151.1 151.1

    Na divisão por tipo de despesa, a distribuição dos recursos desbloqueados é a seguinte:
     

    Total bloqueado 2º Bimestre 3º Bimestre Diferença (R$ milhões)
    I. Poder Executivo 23,678.60 17,937.50 -5,741.00
    I.I. Discricionárias totais 18,709.00 14,172.40 -4,536.60
    ↳ RP 2 (Discricionárias em geral) 9,963.40 7,949.50 -2,013.80
    ↳ RP 3 (PAC) 8,745.60 6,222.80 -2,522.80
    I.II. Emendas 4,969.60 3,765.20 -1,204.40
    Fonte: Ministério do Planejamento e Orçamento


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças

    Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças

    Em 1973, quando trabalhava como cinegrafista para uma TV alemã, Jorge Bondansky sobrevoou os arredores da cidade de Aripuanã (MT) para registrar a criação da Cidade Laboratório de Humboldt – projeto científico e tecnológico idealizado pela ditadura militar brasileira para ocupar a Amazônia e que foi desativado poucos anos depois, em 1978.

    Durante este voo e com uma câmera Super-8 em mãos, o cineasta filmou, por acaso, um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados, que nunca havia sido contatado, tentando flechar o avião. Essas imagens acabaram não sendo enviadas para a TV alemã e ficaram esquecidas em seu arquivo até que esse material acabou sendo digitalizado recentemente e revisto pelo cineasta.

    “O objetivo desse sobrevoo não eram os indígenas, por acaso eles apareceram e subiram no telhado e tentaram flechar o avião. Essa imagem ficou esquecida e agora ela apareceu e eu pensei: ‘Puxa vida, isso me intrigou muito. Quem são esses indígenas?’.”

    E foi com esse questionamento que ele começou a revisitar toda a sua carreira para produzir o seu mais novo documentário Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky. 

    O filme foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival de cinema que ocorre até o próximo sábado (1°/8) na cidade de Bonito (MT).

    O cineasta decidiu revisitar o local das filmagens para tentar descobrir quem eram aqueles indígenas retratados casualmente e também documentar como estava aquela região depois de tanto tempo. 

    “No decorrer desse processo de pesquisar imagens eu acabei contando a minha história também. Então esse é um filme autobiográfico e que conta uma história que eu vivi”, disse o cineasta.

    Mudanças

    Passados 50 anos daquele sobrevoo, Bodansky diz que sua forma de fazer cinema pouco mudou. “O título do filme é Um Olhar Inquieto porque acho que meu olhar continua inquieto.Eu sempre olho e procuro as coisas. Minha forma de me posicionar diante da imagem do cinema continua a mesma. Eu continuo fazendo esse tipo de cinema de aventura, de observação e preocupado com a questão social.”

    Embora sua forma de fazer cinema tenha permanecido praticamente a mesma, o mesmo não aconteceu com os Pater Surui ou com aquela localidade. Muitos daqueles indígenas morreram por doenças ou violências quando começaram a ser contatados. O projeto Humboldt, por sua vez, estava em ruínas. E aquela paisagem que aparece nas imagens do sobrevoo jamais foi a mesma. 

    “A questão que aconteceu com esses indígenas, não quero dar o spoiler, mas é a história que todo mundo sabe. E a outra é que quando eu estive lá, era floresta até o horizonte. Hoje é soja até o horizonte.”

    Ao voltar a filmar aquela região, a câmera de Bodansky mostra que a exploração da Amazônia encampada pela ditadura militar ainda continua um problema muito atual. “Essa é uma forma de ocupação que começou na ditadura militar e que não mudou até agora”, ressaltou o cineasta. 

    “Independentemente do governo que está de plantão, a forma de ocupar a Amazônia e de ver a Amazônia é a mesma. Você parte do princípio de que não existe nada lá e temos que ocupá-la e fazê-la produzir. Isso não leva em consideração que lá tem gente e que sabe o que quer – e que luta por isso.”

    Para ele, esse problema só será resolvido por meio da organização e mobilização da sociedade civil. “Hoje você vai a qualquer comunidade quilombola, ribeirinha ou indígena e eles estão organizados, têm representatividade, sabem o que querem.”

    *A repórter viajou a convite do Bonito CineSur


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Receita paga nesta sexta-feira terceiro lote de restituição do IR 2026

    Receita paga nesta sexta-feira terceiro lote de restituição do IR 2026

    Quase 3 milhões de contribuintes recebem, nesta sexta-feira (31), o terceiro lote de restituição do Imposto de Renda 2026. Ao longo do dia, a Receita Federal liberará R$ 4,61 bilhões a 2.743.200 declarantes.

    A consulta pode ser feita desde o dia 24 na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

    As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

    • 1.396.474 contribuintes sem prioridade;
    • 839.464 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix;
    • 309.441 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix; 
    • 197.821 contribuintes com prioridade legal.

    As prioridades legais são as seguintes: idosos a partir de 80 anos, idosos de 60 a 79 anos, pessoas com deficiência física ou mental ou doença grave e contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.

    Em relação aos contribuintes sem prioridade, esse será o primeiro pagamento de restituição para quem declarou em 2026. Os dois primeiros lotes só abrangeram contribuintes com prioridade legal e não determinada por lei.

    Os lotes de maio e junho, informou o órgão, representaram 80% das restituições previstas para serem pagas este ano, tanto em valores quanto em número de contribuintes. Segundo o Fisco,  a agilidade no processamento das declarações e no avanço das ferramentas de modernização e automação permitiram a concentração dos pagamentos nos dois primeiros lotes.

    Encerramento 

    Este ano, a Receita reduziu de cinco para quatro o número de lotes regulares de restituições da declaração, com pagamentos no fim de maio, de junho, de julho e de agosto.

    O Fisco informou que o lote de julho encerra a fila de restituições relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026. Após o processamento, o lote de agosto concentrará apenas restituições retidas em malha fiscal ou que apresentam inconsistências nos dados bancários informados para o recebimento, como casos relacionados à chave PIX.

    Segundo a Receita, cerca de 165 mil restituições não foram creditadas porque o contribuinte informou o CPF como chave Pix para recebimento, mas não detém conta bancária vinculada a essa chave.

    Para regularizar a situação, o contribuinte tem três alternativas:

    1. cadastrar uma chave Pix CPF numa instituição financeira;
    2. alterar a conta para crédito da restituição por meio do serviço Meu Imposto de Renda;
    3. retificar a declaração, informando uma conta bancária de sua titularidade.

    Pagamento

    O pagamento será creditado na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e requerer o extrato da declaração. Se verificar pendência, pode enviar declaração retificadora e esperar os próximos lotes.

    Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil.

    Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

    Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessar o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Confira a lista de pré-selecionados para o Fies do 2º semestre

    Confira a lista de pré-selecionados para o Fies do 2º semestre

    O Ministério da Educação divulgou nesta quinta-feira (30) a lista de candidatos pré-selecionados na chamada única do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Estudantes pré-selecionados devem complementar sua inscrição entre os dias 31 de julho e 4 de agosto.

    Em 2026, são ofertadas, ao todo, mais de 112 mil vagas, sendo 75,5 mil para o segundo semestre.

    Para participar, é preciso ter feito qualquer edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010; ter obtido média aritmética das notas igual ou superior a 450 pontos; não ter zerado a prova de redação; e não ter participado como treineiro.

    Já para a obtenção do financiamento é necessário comprovar que o candidato possui renda bruta familiar mensal per capita de até três salários mínimos. Todos os demais requisitos, prazos e procedimentos foram publicados no edital.

    De acordo com o ministério, a classificação no processo seletivo é feita de acordo com a ordem decrescente das notas obtidas no Enem, por tipo de vaga, grupo de preferência e modalidade de concorrência, e respeita a seguinte ordem de priorização:

    – candidatos que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil;

    – candidatos que não tenham concluído o ensino superior, tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil e o tenham quitado;

    – candidatos que já tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil;

    – candidatos que já tenham concluído o ensino superior, tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil e o tenham quitado.

    A pasta reforçou ainda que o candidato é pré-selecionado em apenas uma das opções de curso/turno/local de oferta/instituição de ensino superior indicadas na inscrição, conforme o tipo de vaga e a modalidade de concorrência.

    Lista de espera

    Os candidatos que não foram pré-selecionados na chamada única estão, automaticamente, na lista de espera para preenchimento das vagas não ocupadas, observada a ordem de classificação.

    Nessa etapa, a pré-seleção ocorre de 7 de agosto a 24 de setembro. 

    “Todos os inscritos e aqueles que venham a ser pré-selecionados devem ficar atentos aos prazos e procedimentos estabelecidos no edital para não perderem as oportunidades de ocupar as vagas ofertadas nesta edição do Fies”, destacou o ministério.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Justiça mantém suspensão de obras de tirolesa no Pão de Açúcar

    Justiça mantém suspensão de obras de tirolesa no Pão de Açúcar

    O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) negou pedido da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar (CCAPA) para suspender a anulação da licença ambiental para instalação de uma tirolesa no Pão de Açúcar, no alto do Morro do Corcovado.

    A decisão é desembargador federal Luiz Norton Baptista de Mattos.

    A empresa recorreu de uma decisão da 20ª Vara Federal do Rio, de 1º de abril deste ano, que acatou uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra licença concedida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a instalação da tirolesa.

    Na decisão, o juiz determinou que a CCAPA apresentasse um plano de recuperação da área degradada, em até 60 dias, incluindo retirada de estruturas provisórias e resíduos, e o pagamento de indenização de R$ 30 milhões por danos morais.

    Ao recorrer da decisão, o Caminho Aéreo do Pão de Açúcar alegou que a instalação da tirolesa é regular e que a sua suspensão traria danos ao turismo.

    Ao negar o recurso, o desembargador federal Luiz Norton de Mattos escreveu que “danos a interesses econômicos são, em regra, recuperáveis”. “Não há demonstração concreta de que eventual atraso na inauguração da tirolesa, em caso de reforma da sentença, causará um dano irreparável. Apenas adiará a obtenção de renda que não existiam até então”.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mega-Sena acumula e próximo prêmio está estimado em R$ 100 milhões

    Mega-Sena acumula e próximo prêmio está estimado em R$ 100 milhões

    Nenhum apostador acertou as seis dezenas do Concurso 3.039 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (30). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 100 milhões para o próximo sorteio, que será realizado no sábado (1º).

    As dezenas sorteadas foram: 30 – 35 – 38 – 39 – 46 – 50.

    – 41 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 64.733,96 cada;

    – 2.549 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.716,31 cada.

    Apostas

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    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Gênero, raça e origem familiar definem mobilidade social, diz estudo

    Gênero, raça e origem familiar definem mobilidade social, diz estudo

    O Atlas da Mobilidade Social, divulgado nesta sexta-feira (31), mostra que gênero, raça e origem familiar são os principais condicionantes para a baixa mobilidade social no Brasil. O Atlas é uma plataforma pública desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab.

    De acordo com o levantamento, entre jovens brancos que nasceram em famílias situadas entre os 25% mais pobres da distribuição de renda, 36,3% permanecem nesse mesmo grupo quando adultos. Entre os não brancos, essa probabilidade sobe para 51,6%, indicando que a questão racial é ainda mais determinante para esse grupo.

    Segundo os dados do Atlas, o gênero também altera significativamente as possibilidades de mobilidade social. Entre os filhos de pais que estavam entre os 25% mais pobres da população, cerca de um terço dos homens (32,9%) permanece nesse mesmo estrato de renda na vida adulta. Entre as mulheres, a proporção chega a 65,1%. 

    Essa disparidade aparece também no recorte racial: enquanto 69% das mulheres não brancas continuam entre os 25% mais pobres quando adultas, entre as mulheres brancas esse percentual é menor, de 52,9%.

    Origem familiar

    O estudo mostra ainda que filhos de pais que estavam entre os 25% mais pobres da população têm 48% de chance de permanecer nesse mesmo grupo quando atingem a idade adulta. As possibilidades de romper esse ciclo são reduzidas: apenas 8,32% conseguem alcançar o grupo dos 25% mais ricos e somente 1,28% chegam ao estrato dos 10% com maior renda do país.

    Já a situação para quem nasce em famílias de maior renda é bastante diferente. Jovens cujos pais pertenciam à faixa intermediária da distribuição de renda (entre os 26% e os 75% dos mais ricos) têm 17,5% de probabilidade de alcançar o grupo dos 25% mais ricos na vida adulta. Entre os filhos das famílias que pertenciam aos 25% mais ricos, 56,5% permanecem nesse mesmo estrato quando adultos e 30,8% chegam ao grupo dos 10% mais ricos. 

    Gerações

    A hierarquia de oportunidades, de acordo com o Atlas, mostra-se resiliente ao longo do tempo. Ao comparar duas gerações, nascidas de 1983 a 1987 e de 1988 a 1990, os dados mostram que, embora tenha havido um pequeno aumento na mobilidade social entre os dois grupos analisados, a possibilidade de ascensão social dos filhos permanece similar à dos pais.

    Filhos de pais que pertenciam aos 25% mais pobres da população e nasceram entre 1983 e 1987 tinham 7,9% de probabilidade de ascender aos 25% mais ricos quando adultos. Entre os nascidos de 1988 a 1990, essa probabilidade subiu para 8,8%. 

    O cenário se repete entre os filhos de famílias de renda média: a chance de ascender aos 25% mais ricos passou de 16,6% para 18,6%, uma variação pequena que reforça a persistência da baixa mobilidade social.

    Regiões

    O Atlas analisou as chances de ascensão social de jovens oriundos de famílias de baixa renda nas diferentes regiões do país. As maiores probabilidades de mobilidade concentram-se nas regiões Sul, Sudeste e em partes do Centro-Oeste. Já grande parte do Norte e do Nordeste apresenta as menores taxas de mobilidade, revelando territórios onde a pobreza tende a ser mais persistente entre gerações.

    A reprodução das desvantagens sociais, em que filhos de famílias de renda mais baixa têm maior chance de permanecer no mesmo grupo da distribuição, se mostra mais intensa em municípios das regiões Norte e Nordeste.

    Os contrastes entre os municípios brasileiros ilustram a magnitude das desigualdades de oportunidades. Em Assis Brasil (AC), 84,4% dos jovens oriundos de famílias que pertenciam aos 25% mais pobres permanecem nesse mesmo grupo de renda quando adultos, um dos piores resultados do país. Já em Ponte Serrada (SC), apenas 2,13% dos jovens permanecem nesse estrato de renda, evidenciando um ambiente muito mais favorável à ascensão socioeconômica.

    Educação

    Entre os indicadores socioeconômicos incorporados ao Atlas, a educação apareceu como a dimensão mais associada à mobilidade social. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e menor distorção idade-série, tendem a apresentar maiores chances de mobilidade ascendente.

    “A mobilidade social depende da capacidade de reduzir as desigualdades de origem. O Atlas mostra que políticas educacionais são fundamentais, mas precisam ser acompanhadas de estratégias econômicas capazes de ampliar oportunidades ao longo da vida. Nosso objetivo é oferecer evidências que ajudem gestores públicos a desenhar políticas mais eficazes para promover a ascensão social”, destacou o presidente do Imds, Paulo Tafner.

    Segundo o Atlas, os números apresentados no mapeamento têm como base os dados e a metodologia desenvolvidos no artigo acadêmico Intergenerational Mobility in the Land of Inequality (Britto et al., 2025). 

    As estimativas de mobilidade intergeracional de renda foram calculadas utilizando métodos contemporâneos de mensuração da mobilidade social e dados administrativos da Receita Federal, dos Ministérios do Trabalho e Emprego e do Desenvolvimento Social, além de pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O estudo completo pode ser consultado em: https://atlasmobilidadesocial.org.br/


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br