Categoria: Brasil

  • Takhi, o cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia

    Takhi, o cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia

    No Parque Nacional Hustai, na Mongólia, 354 cavalos selvagens takhi correm livres por morros e estepes. O animal chegou a ser extinto na natureza durante quase três décadas, mas voltou a habitar terras mongóis depois de um projeto de restauração que envolveu pesquisadores locais e estrangeiros.

    O cavalo é um dos principais símbolos do país. Pode ser visto em roupas, bichos de pelúcia, pintado em muros e ilustrando marcas comerciais. Trazê-lo para o território é devolver uma fonte de orgulho nacional, diz o diretor do parque, Dashpurev Tserendeleg.

    “Takhi significa respeito e adoração. Fala do espírito livre e da resistência. São cavalos animais muito especiais para os mongóis”, disse Tserendeleg  à Agência Brasil.

    Conhecido internacionalmente como cavalo-de-Przewalski, o animal recebeu esse nome após o explorador russo Nikolai Przhevalsky enviar espécimes encontrados na Ásia Central para cientistas europeus, no fim do século 19.

    O takhi é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que sobrevive até hoje. Outros animais chamados de cavalos selvagens são, na realidade, descendentes de cavalos domesticados que voltaram a viver livres na natureza.

    Geneticamente, o takhi também se diferencia do cavalo doméstico: tem 66 cromossomos, contra 64 dos animais domesticados. É um pouco menor, tem focinho mais claro e uma cauda menos espessa.


    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – O cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia
Foto: Hustai National Park/Divulgação

    Cavalos takhi correm livres por morros e estepes Foto: Hustai National Park/Divulgação – Hustai National Park/Divulgação

    Da captura à extinção

    A descoberta do animal pelos europeus despertou rapidamente o interesse de colecionadores e de zoológicos. Entre 1897 e 1903, expedições capturaram 88 cavalos na Mongólia. Apenas 54 chegaram vivos ao destino e somente 12 deixaram descendentes.

    Enquanto isso, a população selvagem continuava a desaparecer. O último takhi foi avistado na Mongólia em 1968. Depois, não houve novos registros, e a espécie foi declarada extinta na natureza. A sobrevivência passou então a depender dos descendentes mantidos fora de seu habitat original.

    Na década de 1970, uma organização criada por conservacionistas holandeses iniciou um programa de reprodução para reorganizar e ampliar a população cativa.

    Os animais foram transferidos para reservas com condições mais próximas da vida selvagem, e cientistas passaram a planejar o retorno à Mongólia, em parceria com a Associação Mongol para a Conservação da Natureza e do Meio Ambiente.

    Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos chegaram à Mongólia para iniciar a reintrodução em Hustai. Até o ano 2000, foram realizadas cinco operações de transporte, que levaram 84 animais ao país.

    Antes de serem soltos definitivamente, os cavalos passaram por um período de adaptação em áreas cercadas.

    “Eles tinham passado algumas gerações na Europa e em outros lugares com clima muito mais ameno e praticamente tinham esquecido tudo: o que era neve, o que era um lobo”, disse o diretor. “Se fossem soltos diretamente na natureza, não sobreviveriam”.

    O processo de adaptação funcionou. A população cresceu e passou a se reproduzir livremente nas estepes. Além dos mais de 300 animais que vivem no parque nacional, há duas populações reintroduzidas em outras áreas protegidas da Mongólia, elevando o total do país a cerca de 800 animais.

    Para Dashpurev Tserendeleg, o caso mostra que a cooperação internacional pode evitar o desaparecimento definitivo de uma espécie. O parque, criado em torno do projeto de reintrodução, abriga hoje uma das três populações do animal no país.

    “Esse é o nosso maior sucesso. É algo de que temos muito orgulho: o povo mongol e nossos colegas internacionais conseguiram salvar esse grande mamífero da extinção total e dar a ele um bom futuro”, disse o diretor.


    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – Diretor do Parque Nacional Hustai, Mongólia, Dashpurev Tserendeleg.
Foto: Hustai National Park/Divulgação

    O diretor do Parque Nacional Hustai, na Mongólia, Dashpurev Tserendeleg, por Hustai National Park/Divulgação

    Desafios para manutenção

    Com 50 mil hectares, Hustai é um dos menores parques nacionais da Mongólia. A área é gerida por uma organização não governamental, sem subsídios regulares do Estado. Cerca de 90% de sua receita vem do turismo.

    A conservação do takhi nas próximas décadas está diretamente ligada à proteção das estepes, cada vez mais pressionadas pela mudança climática e pelo aumento do número de animais domésticos, que pressionam o solo já degradado.

    A Mongólia tem hoje cerca de 58 milhões de animais de rebanho, segundo o Censo 2025 do Escritório Nacional de Estatísticas. São principalmente ovelhas, cabras, vacas e cavalos. O excesso de animais em determinadas áreas, combinado com secas e invernos extremos, tem provocado degradação dos pastos.

    A proteção e restauração da terra são temas centrais na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, capital do país. O evento reúne governos para discutir formas de combater a desertificação, restaurar terras degradadas e fortalecer a resiliência diante da seca.

    No entorno do parque, a estratégia tem sido tentar criar alternativas econômicas para as famílias nômades, reduzindo a dependência exclusiva da pecuária e, consequentemente, a pressão para aumentar os rebanhos.

    O parque apoia iniciativas como turismo comunitário, agricultura em estufas e artesanato.

    “Se os pastores tiverem outras fontes de renda, não precisarão aumentar tanto o número de animais”, explicou Tserendeleg. “Se a natureza estiver bem protegida, o parque também estará mais protegido”.

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Peixe antes desprezado melhora renda de mulheres da pesca no Rio

    Peixe antes desprezado melhora renda de mulheres da pesca no Rio

    Uma culinária criativa pode movimentar a economia de uma comunidade. É o que reflete a experiência de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, cujas vidas mudaram a partir de saberes tradicionais que transformaram a forma de renda local. No centro dessa história está um peixe que, até então, não era valorizado comercialmente por pescadores e pescadoras: a ubarana. 

    É da Cozinha das Caranguejeiras, localizada na sede da ACAMM, que saem estrogonofe, escondidinho, almôndegas, bolinhos, coxinhas, croquetes, quibes e risoles, entre outras receitas feitas com a ubarana. 

    A técnica utilizada pelas mulheres para processar a carne do peixe, baseada nos saberes transmitidos de geração em geração, agregou valor à ubarana em pratos comercializados durante almoços especiais, organizados com a venda de convites à comunidade, visitantes, grupos de turistas, de pesquisadores e de empresas, e ainda por meio de encomendas.

    “A gente pega muitos turista, pessoas de faculdade, ou que estão estudando a área ambiental e vêm conversar com a gente. São empresas que passam por lá, pessoas que têm interesse em conhecer o nosso trabalho e vão lá almoçar com a gente. Nisso, a gente vai fomentando as mulheres caranguejeiras”, conta Márcia Regina, pescadora durante 40 anos e agora aposentada da atividade.

    Com a aprovação em um edital do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cozinha conquistou um endereço físico provisório em 2021, quando o recurso foi usado no aluguel de um espaço. Três anos depois, após a associação ser contemplada em um outro edital, transferiu-se para um lugar maior na ACAMM.

    Aos 62 anos, atualmente auxiliar geral na Cozinha das Caranguejeiras e secretária da ACAMM, Márcia Regina vê o trabalho das mulheres na associação também como uma ação social.

    “São pratos feitos com ubarana e assim temos ajudado 15 famílias. As mulheres, às vezes com depressão, vão para a cozinha e acabam ficando boas. Porque, juntas, a gente começa a conversar, contar casos, histórias e problemas nossos. Uma ajudando a outra. Acaba sendo uma ação social dentro da Cozinha. Tem sido muito bom e ainda gera renda”, contou ela, que foi presidente da associação por 12 anos.

    Ubarana

    De acordo com Márcia, a história das mulheres caranguejeiras é antiga na área do Rio Suruí, no recôncavo da Baía de Guanabara, na região dos manguezais. Elas viviam da cata de caranguejos, mas já beneficiavam esse peixe para consumo próprio, quando os maridos traziam da pesca. “A gente começou a trabalhar com a associação, entidade criada por causa de muita insatisfação na área da pesca com os catadores. Começamos a fazer também na cozinha inaugurada em 2023 e a trabalhar mais ainda, não só para consumo, mas para vender”, explicou.

    Segundo a bióloga Verônica Souza, do Projeto Andadas Ecológicas, iniciativa da ONG Guardiões do Mar que apoia a Cozinha e a ACAMM, a ubarana é um peixe que vive em ambientes costeiros e estuarinos, sendo encontrado até em manguezais, por toda a Baía de Guanabara.

    Por ter muitas espinhas finas e espalhadas, tem o preparo em filés dificultado, o que prejudica também o consumo geral.

    “Por isso, tradicionalmente, é menos valorizado, por pescadores e pescadoras, já que as pessoas costumam preferir peixes com poucas espinhas. Acaba tendo um baixo valor comercial”, explica.

    A bióloga elogiou o trabalho das mulheres que encontraram uma nova forma de renda valorizando um pescado que era desprezado. “Elas desenvolveram uma forma própria de preparo, que permite aproveitar sua carne sem que as espinhas sejam percebidas. É um exemplo interessante de como o conhecimento e as práticas culinárias da comunidade podem transformar a forma como uma espécie é percebida e valorizada”, observa. 

    O presidente da ACAMM, Rafael Santos, conta que, antes, a ubarana era complemento de segurança alimentar da comunidade e passou a ser oferecida como petisco em reuniões na associação. Uma pessoa de fora que estava lá sugeriu que fosse vendido na associação e pudesse gerar renda para fortalecer a cadeia de mulheres que já faziam o preparo dentro das suas próprias casas.

    Até então, ele desconhecia o valor econômico desse peixe.

    “Foi uma organização delas mesmas dentro do território, cada uma trazendo ao produto um pouco da sua própria casa. ‘Olha testei um estrogonofe na minha casa e deu certo’, ‘testei uma coxinha da ubarana deu certo’ Foram juntando esse conhecimento e trouxeram à tona o valor da ubarana”, afirma.

    Geração de renda e conservação

    Atualmente, 15 mulheres atuam diretamente na Cozinha e nas atividades desenvolvidas pela ACAMM em formato de rodízio. Elas recebem um percentual sobre as vendas dos pratos. Além disso, 24 famílias também são atendidas. Neste grupo estão ainda pescadores associados, que por meio de aluguel reduzido, usam o espaço para seus eventos pessoais, como aniversários e casamentos.

    O presidente destacou que a renda dos pescadores e pescadoras da região, que continua sendo fortalecida pela cata do camarão e pela pesca de outros tipos de peixe, também é garantida por ações de conscientização que foram desenvolvidas para a preservação da região do manguezal.

    “A gente faz a limpeza e o replantio de manguezal, porque sabe que o estuário onde sobrevive o peixe depende muito da qualidade. Para esse peixe chegar com qualidade na mesa, depende do processo de conseguir manejar resíduos que prejudiquem a espécie para que ela não suma da Baía de Guanabara”, explica. 

    Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos retiraram 12.622 quilos de resíduos do Rio Suruí e de suas margens com a Operação LimpaOca, também desenvolvida pela ONG Guardiões do Mar.


    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – Cozinha das Caranguejeiras, em Magé (RJ), transforma a ubarana em renda para as mulheres da comunidade.
Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos retiraram 12 mil kgs de resíduos do Rio Suruí e de suas margens com a Operação LimpaOca.
Foto: Rodrigo Campanário/Divulgação

     Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos retiraram 12 mil kgs de resíduos do Rio Suruí e de suas margens com a Operação LimpaOca. Foto: Rodrigo Campanário/Divulgação

    Turismo de Base Comunitária

    Outra atividade das Caranguejeiras é incentivar os roteiros de Turismo de Base Comunitária na Baía de Guanabara. As construções centenárias e a natureza que chamam atenção são atrativos turísticos da cidade de Magé, que oferecem programas como a observação de fauna e flora, com embarque no Rio Suruí, incluindo o avistamento de botos, na Baía de Guanabara.

    Rafael Santos disse que essa atividade vai ao encontro do propósito da associação de desenvolver projetos educativos na região.

    “A Cozinha não funciona apenas para vender um prato de ubarana ou qualquer outro derivado, muito pelo contrário. Tem que ter uma demanda que diz que aquela pessoa está indo ali no intuito, além de se alimentar, de aprender alguma coisa sobre educação ambiental. Sem esse propósito ela não funciona”, afirmou.

    Parceria

    A Cozinha das Caranguejeiras e a ACAMM são apoiadas pelo Projeto Andadas Ecológicas, iniciativa da ONG Guardiões do Mar, em parceria com a Petrobras, a partir do atendimento à condicionante da Licença de Instalação do Sistema Dutoviário do Complexo de Energias Boaventura. “O projeto, construído a partir de uma escuta ativa das lideranças locais, atua na região com atividades de educação ambiental, Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), moeda ambiental e limpeza de rios e manguezais”, informou a ONG.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Campanha convoca familiares de desaparecidos para coleta de DNA

    Campanha convoca familiares de desaparecidos para coleta de DNA

    A partir de segunda-feira (24), terá início uma força-tarefa em todo o país para convocar familiares de pessoas desaparecidas para coleta de DNA. Ao todo, 334 pontos nas 27 unidades da Federação estão disponíveis para receber os interessados.

    É a quarta edição de uma mobilização especial organizada pelo governo federal, em parceria com as secretarias de segurança pública. A campanha vai até sexta (28). 

    Confira aqui os pontos de coleta. 

    A coleta de DNA de familiares de desaparecidos torna possível o cruzamento com perfis genéticos de pessoas encontradas vivas e falecidas com identidade desconhecida nos bancos estaduais, distrital e nacional. 

    Os familiares interessados em participar devem apresentar um documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência do desaparecimento (número, estado de registro, delegacia). 

    Perfis

    De acordo com o governo, a campanha é “uma ferramenta a mais para localização de pessoas desaparecidas, e uma chance para famílias que ainda não tenham doado o seu material genético”, explicou o Ministério da Justiça em nota.

    A coleta é gratuita e indolor. O ministério ressalta que, preferencialmente, devem comparecer aos pontos de coleta familiares de primeiro grau da pessoa desaparecida, tais como pai, mãe, irmãos ou filhos. 

    A coordenação da campanha explica que, caso ocorra resultado positivo da comparação do perfil genético, a instituição responsável entrará em contato com o familiar doador.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Dia D atualiza vacinação infantil e reforça alerta contra sarampo

    Dia D atualiza vacinação infantil e reforça alerta contra sarampo

    Foi sem medo de agulha que o estudante Noam Medeiros, de 10 anos, levantou a camisa e ofereceu o braço para as duas vacinas que faltavam para ele ficar com a caderneta de vacinação em dia, neste sábado (22) – o Dia D da Campanha Multivacinação.

    “Já fiquei internado, tendo de tirar sangue várias vezes. Já estou acostumado. Foi tudo tranquilo”, disse o estudante que, levado pela mãe, a bancária Ana Paula Medeiros, 45, se dirigiu à Unidade Básica de Saúde da 612 Sul, em Brasília.

    Segundo Ana Paula, toda a família está conscientizada do quão importante são as vacinas.

    “Viemos todos, após vermos a campanha na TV. Sabemos que a vacina é importante para nos prevenir de muitas doenças”, disse a bancária.


    Brasília (DF), 22/08/2026 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participa do Dia D Nacional de Multivacinação. Crianças e adolescentes menores de 15 anos poderão receber as vacinas indicadas para sua faixa etária e situação vacinal. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Brasil reconquistou o título de país livre do sarampo em 2024. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Mobilização nacional

    Quem também se vacinou no mesmo posto de saúde foi o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    “Hoje é dia de mobilização nacional. Todos os municípios e todos os estados responderam ao chamado do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais. É o dia de atualização da vacina das crianças. É uma campanha diferente porque ela não é de uma vacina, mas de todas as 17 que estão no calendário infantil obrigatório”, disse o ministro ao chegar no local.

    Pela primeira vez, a campanha conta com a vacina pneumocócica 20-valente (pneumo 20), que amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, incluindo pneumonias e meningites. O imunizante é indicado para crianças menores de 5 anos.

    Alerta contra o sarampo

    Padilha aproveitou a presença da imprensa para fazer um alerta sobre a necessidade de se dar atenção especial à vacina contra o sarampo para pessoas com idade entre 6 meses e 59 anos e para quem trabalha em locais que recebem muitos turistas, como restaurantes, hotéis, pousadas, rodoviárias, aeroportos, táxis e transporte por aplicativos.

    “Há muitos países que estão cortando vacina de criança, assumindo o discurso anti-vacina. Por isso tem ocorrido surtos de doenças que nem deveriam existir mais”, disse ele ao manifestar preocupação com a possibilidade de algum turista trazer doenças que já foram erradicadas do Brasil.

    Ele lembrou que o Brasil reconquistou o título de país livre do sarampo em 2024.

    “Mas, como está tendo um grande surto de sarampo nos Estados Unidos (que atingiu o Canadá e o México), ano passado a gente teve 38 casos importados. Eles só não viraram surto no Brasil por conta do esforço de vacinação do SUS”, argumentou.

    Caderneta vacinal em dia


    Brasília (DF), 22/08/2026 - Lúcia Araújo participa do Dia D Nacional de Multivacinação. Crianças e adolescentes menores de 15 anos poderão receber as vacinas indicadas para sua faixa etária e situação vacinal. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Lúcia Araújo participa do Dia D Nacional de Multivacinação. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    “Vamos garantir essa cobertura para que não aconteça o surto que começou em São Paulo em 2019. Quando começou, eles não controlaram [a doença] naquele [primeiro] momento. Chegou a ter 20 mil casos de sarampo em São Paulo, o que levou o Brasil a perder, na época, o certificado de país livre do sarampo”.

    A preocupação de evitar um mal maior levou também ao posto de saúde a aposentada Lúcia Araújo, de 91 anos.

    “Foi bem rápido aqui. Menos de 10 minutos. Venho religiosamente nos dias de vacinação porque é mais uma segurança que dou à minha saúde. Minha caderneta de vacina está sempre em dia”, comemorou a aposentada.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 58 milhões neste domingo

    Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 58 milhões neste domingo

    A Mega-Sena sorteia neste domingo (23) prêmio estimado em R$ 58 milhões. As seis dezenas do concurso 3.048 serão sorteadas a partir das 11h (horário de Brasília) no Espaço da Sorte, em São Paulo.

    As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) de sábado (22) em casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

    No último concurso, foram sorteados os números  04 – 18 – 22 – 26 – 31 – 58  e nenhum apostador acertou as seis dezenas.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Canetas emagrecedoras: uso sem supervisão pode causar perda muscular

    Canetas emagrecedoras: uso sem supervisão pode causar perda muscular

    O uso de medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras tem se mostrado eficaz no combate à obesidade, mas também é associado a casos de deficiência de vitaminas e perda de massa muscular, sobretudo quando não há mudança de hábitos relacionados à alimentação e atividade física.

    Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Marcio Mancini, explica que esse tipo de medicamento – da classe dos agonistas do receptor GLP 1 – pode causar deficiência de micronutrientes e perda excessiva de massa muscular se não houver um acompanhamento adequado.

    Segundo ele, o forte efeito de redução do apetite e de atraso do esvaziamento do estômago fazem com que os pacientes, muitas vezes, reduzam drasticamente a ingestão de alimentos, o que pode levar a um consumo insuficiente de proteínas e vitaminas.

    “Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes.”

    O médico sugere metas de proteína de aproximadamente 1,2 grama/quilo/dia para indivíduos jovens e saudáveis, e de 1,5 grama/quilo/dia para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia (perda de massa muscular.

    De acordo com o especialista, também é essencial fazer o acompanhamento da quantidade de massa magra, o que pode ser feito por meio de exames como a bioimpedância, em consultório, e  densitometria de corpo inteiro, no em laboratório. Outra estratégia é testar a função muscular por meio de testes de força de preensão manual (hand grip) para evitar que a perda de músculo ultrapasse 25% de todo o peso perdido.

    Mancini destaca que as queixas mais comuns associadas ao uso de canetas emagrecedoras sem supervisão adequada incluem queda e afinamento de cabelo e sintomas gastrointestinais persistentes, como náusea, constipação, flatulência e sensação de estufamento mais intensos que o normal.

    Para evitar tais situações, o endocrinologista lista algumas estratégias comportamentais e dietéticas:

    • fazer consumo fracionado das refeições (pequenas, frequentes e densas em nutrientes ao longo do dia);
    • consumir alimentos ricos em proteína logo no início da refeição, momento em que a sensação de saciedade precoce ainda é menos pronunciada;
    • evitar alimentos muito gordurosos, que costumam provocar náuseas;
    • aumentar o consumo de fibras e líquidos para combater diretamente os efeitos colaterais gastrointestinais.

    Já os sinais de alerta a serem monitorados por quem utiliza esse tipo de medicação, no intuito de evitar a desnutrição incluem:

    • diminuição da força física ou da mobilidade no dia a dia, que pode indicar desenvolvimento de sarcopenia (especialmente perigosa em idosos);
    • alterações de exames de laboratório, como redução do nível de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12;
    • restrição alimentar excessiva com perda completa do prazer diante da comida, que pode indicar que a dose do remédio está excessiva para aquele paciente.

    “Por isso, é importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento”, concluiu.

    Para a mentora de mulheres Amanda Vila Nova, os efeitos do tratamento com canetas emagrecedoras foram positivos, já que o processo foi acompanhado por especialistas.

    O resultado, segundo ela, foi emagrecimento eficaz e qualidade de vida. “Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”.

    *Colaborou Jailma Barbosa, da TV Brasil


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Engenharia social responde por 40% das fraudes financeiras no Brasil

    Engenharia social responde por 40% das fraudes financeiras no Brasil

    Golpes baseados em engenharia social respondem por 40% dos indícios de fraudes financeiras registrados no Brasil. A estratégia inclui falsos call centers, criminosos que se passam por funcionários de bancos e até falsas operações policiais para convencer vítimas a fornecer dados ou realizar transferências.

    Segundo pesquisa da recente Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, no primeiro semestre de 2026, foram registrados mais de 9 milhões de indícios de fraude, entre casos suspeitos e confirmados, alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025. A engenharia social representou mais de 3,6 milhões dessas ocorrências.

    De acordo com a Quod, o celular foi o principal canal usado nos golpes, presente em 78% dos casos. O Pix aparece como meio de movimentação em 85% das ocorrências.

    Golpes mais sofisticados

    A engenharia social explora a confiança e as emoções da vítima, em vez de depender de uma invasão aos sistemas bancários. Os criminosos criam situações de urgência, medo ou falsa autoridade para induzir decisões rápidas.

    No golpe do falso call center, por exemplo, o criminoso afirma ter identificado uma transação suspeita e orienta a vítima a realizar procedimentos para supostamente proteger a conta. Em falsas operações policiais, o golpista usa a autoridade para intimidar o alvo e exigir movimentações financeiras.

    Os ataques também podem combinar ligações, WhatsApp, SMS e e-mails durante dias ou semanas antes da tentativa de transferência. A inteligência artificial tornou as abordagens ainda mais convincentes, com clonagem de voz, imagens e produção de documentos falsificados.

    Para José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, empresa de verificação inteligente que unifica soluções antifraude em uma única plataforma, a engenharia social atinge uma camada diferente da segurança tradicional.

    “A IA antifraude não foi desenhada para combater engenharia social, ela foi desenhada para combater fraude. São camadas diferentes de um mesmo problema, onde engenharia social ataca a decisão humana, a fraude ataca o sistema, o documento, a identidade”, diz.


    Fraude, golpe, cibercrime, telefone celular- Idec aponta fragilidades na segurança de aplicativos de bancos. Foto: rawpixel.com / Chanikarn Thongsupa

    Jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. Foto: rawpixel.com / Chanikarn Thongsupa – rawpixel.com / Chanikarn Thongsu

    Tecnologia

    O combate às fraudes ganhou novos mecanismos em 2026. A Resolução 501 do Banco Central  ampliou o compartilhamento de informações sobre indícios de fraude entre instituições financeiras, enquanto o Registro Unificado de Fraudes (Rufra) concentra dados para identificar padrões e apoiar ações preventivas.

    As instituições também utilizam inteligência artificial (IA) e biometria comportamental para analisar fatores como dispositivo, horário, localização e histórico de transações.

    O avanço nos investimentos em IA, no entanto, não tem impedido o crescimento de golpes com o uso de engenharia social. Para Oliveira, a prevenção precisa acontecer antes do prejuízo.

    “Para as instituições, a lógica precisa ser exatamente a inversa, ou seja, usar tecnologia para reconhecer sinais, antecipar riscos e adaptar a proteção antes que a vulnerabilidade se transforme em prejuízo”, adverte Oliveira.

    Debate escasso

    Segundo levantamento recente da Certta e da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, apenas 11% das menções relacionadas a golpes e fraudes digitais nas redes tratam de prevenção.

    “O debate público é dominado por denúncias e buscas por socorro depois que o prejuízo já aconteceu e o brasileiro ainda confunde segurança cibernética com proteção antifraude”, destaca Oliveira.

    “Para o consumidor, a melhor defesa é aliar tecnologia a um comportamento preventivo. Como quase 78% das fraudes ocorrem via aparelho celular e a engenharia social é o principal motivo dos golpes, a regra é desconfiar do senso de urgência”, adverte o diretor de Produtos e Dados da datatech Quod, Danilo Coelho.

    Como evitar golpes

    •  Desconfie da urgência: pressão para agir rapidamente é um sinal de alerta;
    •  Confirme pelo canal oficial: desligue e procure o banco diretamente se receber uma ligação suspeita;
    •  Contate o gerente: desconfie de notícias de que o gerente da agência está envolvido em fraudes;
    •  Não compartilhe senhas e códigos: informações de autenticação nunca devem ser fornecidas a terceiros;
    •  Confira o Pix: verifique destinatário e valor antes de confirmar a transferência;
    •  Desconfie de falsas autoridades: uma suposta investigação policial não justifica transferências ou fornecimento de dados;
    •  Evite links suspeitos: não clique em mensagens inesperadas com alertas ou ofertas;
    •  Não empreste sua conta: contas usadas para receber dinheiro de terceiros podem fazer parte de esquemas criminosos;
    • Use autenticação multifator: mantenha recursos adicionais de segurança ativados nas contas.

    Mais vítimas jovens

    Os jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, segundo o levantamento da Quod. Pessoas que recebem até dois salários mínimos correspondem a 58% dos atingidos.

    Ao todo, 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no primeiro semestre, e cerca de 799 mil sofreram golpes duas ou mais vezes.

    O cenário mostra que, além do investimento em tecnologia, a prevenção depende da capacidade do usuário de reconhecer tentativas de manipulação antes de autorizar uma operação.

    “Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam da distração das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima do esquema de ‘contas laranja’”, orienta Coelho.

    Datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, a Quod desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial e análise de dados para apoiar instituições financeiras e empresas em decisões de crédito, prevenção a fraudes e recuperação de ativos.

    A Certta é uma empresa de verificação inteligente que integra, otimiza e desenvolve soluções antifraude para gerar decisões mais seguras. A plataforma da marca permite verificar identidades e documentos, protegendo pessoas e negócios contra golpes.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Focus Cia de Dança representa o Brasil em festival na China

    Focus Cia de Dança representa o Brasil em festival na China

     O Brasil será representado no Living Dance Festival, na China, pela Focus Cia de Dança, que embarca neste sábado (22)  para o país asiático. Cerca de 20 pessoas, entre bailarinos, diretores e técnicos, integram a equipe que pisará em território chinês pela primeira vez, para uma turnê de 13 dias.

    A Focus levará para o festival, que reúne companhias de diversos países, o espetáculo Still Reich, inspirado na obra do músico minimalista contemporâneo norte-americano Steve Reich. O espetáculo reúne quatro peças, sendo que as duas primeiras foram criadas pelo coreógrafo e diretor artístico da Focus, Alex Neoral, em 2008 e, as duas últimas, em 2018.

    “É como se ele ainda me trouxesse inspiração. Daí esse título Still Reich. É um espetáculo com bastante movimento e musicalidade. Mostra o lado mais vigoroso da companhia”, descreveu Neoral à Agência Brasil.

    As apresentações estão programadas para os dias 28 de 29 de agosto, em Hohhot, capital da Região Autônoma da Mongólia, no Hohhot Minzu Theatre; nos dias 31de agosto e 1º de setembro, em Pequim, no LDTX Theatre; e no dia 3 de setembro, em Zhengzhou, no Zhengzhou Grand Theater.

    Fazem parte da agenda workshops que o coreógrafo e os bailarinos brasileiros darão na China, para “dividir a linguagem da companhia com vários grupos diferentes”, disse Neoral.

    O retorno ao Brasil será iniciado no dia 4 de setembro.

    O Living Dance Festival integra o circuito da dança contemporânea chinesa e tem relação com a atuação da BeijingDance/LDTX, fundada em 2005 por Willy Tsao e Li Han-zhong. Sediada em Pequim, é reconhecida como a primeira companhia profissional privada de dança contemporânea a ser oficialmente registrada na China.

    A LDTX é uma das organizações mais relevantes para a difusão da dança contemporânea no país e está associada à curadoria e organização de importantes plataformas e festivais internacionais de dança na China.

    Para participar do Living Dance Festival, a companhia brasileira teve que enviar tradução de textos e músicas, além da agenda do ano anterior, do ano vigente e do próximo ano, para comprovar que estava realmente ativa.

    Trajetória

    Criada em 2000, por Alex Neoral e Tati Garcias, gestora e diretora de produção da companhia, a Focus Cia de Dança está comemorando 25 anos de atuação em 2026, graças ao patrocínio da Petrobras. A viagem à China conta com apoio também da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ).

    Declarada Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, a Focus Cia de Dança recebeu também a Comenda do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura.

    A companhia já se apresentou em mais de 100 cidades brasileiras e realizou turnês internacionais por países como Colômbia, Bolívia, México, Costa Rica, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha, Panamá e Argentina.

    Voltando da China ao Brasil, a Focus já tem agendada uma série de apresentações com balés diferentes, como Carlota, com músicas de Astor Piazolla; As Canções que Você fez para Mim, com músicas de Roberto e Erasmo Carlos; Entre a Pele e a Alma, músicas na voz de Ney Matogrosso; O Bicho Dançante (infantil), entre outros.

    O roteiro inclui cidades como Boavista (RR), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), João Pessoa (PB), São Luís (MA) e Uberlândia (MG).


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Fim de semana terá tempo seco no Centro-Oeste e frio intenso no Sul

    Fim de semana terá tempo seco no Centro-Oeste e frio intenso no Sul

    Neste sábado (22) e domingo (23), a previsão do tempo no país será marcada pelos contrastes térmicos, de acordo com boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Metereologia (Inmet).  

    Enquanto o Centro-Oeste e parte do Norte e Nordeste enfrentarão altas temperaturas e baixa umidade do ar, no Sul e Sudeste o frio aparece e há  possibilidade de geadas e nevoeiros. Há ainda a previsão de ventos intensos no litoral norte do Nordeste, no litoral do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. 

    Norte 

    No sábado (22), o cenário de baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas atinge grande parte do centro sul do estado do Pará, leste e sul do Amazonas, Rondônia e todo o Tocantins – em Palmas (TO), a máxima no fim de semana será de 39° C.  

    Em razão da baixa umidade do ar, o Inmet emitiu um aviso laranja, que indica perigo, para sudeste do Amazonas, sul do Pará e centro-sul de Tocantins, onde o índice pode chegar a 12%.  

    Já no oeste, noroeste e norte do Amazonas e no estado de Roraima, o tempo fica instável e há previsão de chuva e trovoadas. Também há possibilidade de chuva isolada no centro e oeste do Acre, centro do Amazonas, noroeste do Pará e no oeste e norte do Amapá. 

    Diante dessa previsão, o Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para chuvas intensas no oeste e noroeste do Amazonas, incluindo municípios como Tabatinga, Benjamin Constant e São Gabriel da Cachoeira. 

    Nordeste 

    O sábado será de sol na maior parte do Nordeste, com possibilidade de chuva isolada apenas no litoral da Bahia. Há um aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no sul do Maranhão, centro-sul do Piauí, sudoeste do Ceará, oeste de Pernambuco e centro-oeste da Bahia. Nesses locais, a umidade poderá chegar a 12%.  

    Entre as capitais, a temperatura mínima no período será de 21°C em Aracaju (SE) e Maceió (AL), e a máxima chega aos 38°C em Teresina (PI). 

    Ventos costeiros estão previstos para os litorais do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, com aviso amarelo de perigo potencial. O Inmet alerta ainda para o perigo potencial de vendaval no litoral sul da Bahia.  

    No domingo, o céu permanece com muitas nuvens e há possibilidade de chuva isolada em toda a faixa leste do Nordeste, desde o litoral da Bahia até o litoral leste do Rio Grande do Norte.  

    Centro-Oeste 

    O fim de semana será marcado pela baixa umidade do ar em todos os estados da região e no Distrito Federal. Para sábado, há aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no norte, centro, sul e leste de Mato Grosso, norte e leste de Mato Grosso do Sul, em Goiás e no DF. Nesse locais, a umidade pode chegar a 12%, com risco aumentado para queimadas.  

    Nas demais áreas do Centro-Oeste, há aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade do ar durante a tarde de sábado, com o índice podendo chegar a 20%. 

    Sudeste 

    No sábado (22), a previsão é de céu com muitas nuvens em toda a faixa litorânea da região. Há possibilidade de chuva isolada no litoral norte do Rio de Janeiro, No litoral do Espírito Santo, no leste de Minas Gerais, no norte do Rio de Janeiro e no Espírito Santo.  

    O Inmet emitiu aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no noroeste e norte de São Paulo e para grande parte de Minas Gerais. Nessas áreas, a umidade pode chegar a 12%. Já no Espírito Santo e no nordeste de Minas Gerais, há aviso amarelo de perigo potencial para vendaval.  

    Em São Paulo e nas regiões de serra do sul de Minas Gerais, a temperatura cai e há possibilidade de geada. Ao amanhecer, nevoeiros ocorrem no leste de São Paulo e ao longo da faixa litorânea do estado. 

    No domingo, a mínima pode chegar a e 10°C em São Paulo, a menor entre as capitais da região. Enquanto isso, a máxima será de 32°C em Belo Horizonte (MG).  

    Sul 

    O fim de semana será de frio intenso na maior parte do Sul do país. No sábado, pela manhã, está em vigor um aviso laranja de perigo para declínio de temperatura no sul do Paraná, serra de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.  

    Há previsão de geada no centro-sul e no sudeste do Paraná, na região central e nas serras de Santa Catarina e em grande parte do Rio Grande do Sul. O cenário se repete no domingo, quando o dia amanhecerá com nevoeiro no leste do Paraná e no nordeste de Santa Catarina.  

    Nas capitais da região Sul, a temperatura mínima será de 6°C em Porto Alegre (RS) no sábado e no domingo. A temperatura máxima será em Curitiba (PR), com 20°C no domingo. 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • “Cabeças Cortadas”, de Glauber Rocha, ganhará versão restaurada em 4k

    “Cabeças Cortadas”, de Glauber Rocha, ganhará versão restaurada em 4k

    “Cabeças Cortadas é um filme que está entre o teatro e a poesia”, explicou Glauber Rocha sobre a obra, uma produção hispano-brasileira rodada em 1970, na Catalunha, no norte da Espanha.

    Com uma metáfora sobre a decadência das ditaduras tanto na América Latina quanto na Península Ibérica, o longa-metragem ganhará versão 4k em 2027, 45 anos depois da morte do artista, graças a uma restauração realizada pela indústria do cinema espanhol.

    A obra retrata a “decadência de um ditador”, nas palavras de Glauber, trazendo para a tela um tirano que ora tinha referências de déspotas latino-americanos ora de Francisco Franco, ditador espanhol. Atormentado por seus atos, o personagem espera a chegada da morte.

    O filme tem cena icônicas, como a do telefone, quando o déspota Diaz II, interpretado pelo espanhol Francisco Rabal, questiona efeitos climáticos e relembra que já chegou a “extinguir vulcões”.

    Na mesma cena, ele manda chamar de volta um filósofo exilado para assumir uma fundação que pretende criar, com o lucro da venda de sua produção agrícola aos Estados Unidos.


     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    Ator Francisco Rabal no filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    Quebra de padrões

    Controverso e enigmático, Cabeças Cortados pode ser de difícil compreensão para quem não conhece o contexto latino e, talvez, por isso, não tenha agradado ao público menos habituado à estética de Glauber, que rompia com padrões comerciais do cinema Hollywoodiano.

    No entanto, despertou a atenção de críticos e realizadores mais jovens que se puseram a defender a obra, feita durante o exílio do cineasta brasileiro por causa da perseguição do regime militar no Brasil.

    Para o diretor e crítico de cinema Cavi Borges, Cabeças Cortadas é uma obra clássica, tanto pelo tema, que reflete sobre a dominação norte-americana, o racismo e o fascismo, quanto pelo rompimento estético com os padrões do cinema comercial.

    “O filme de Glauber e o que ele representa vão na contramão do momento em que vivemos, em que o cinema norte-americano e seu streaming (exibição online) crescem e dominam toda a indústria, ou seja, produzem, distribuem e exibem os conteúdos, ignorando o valor do autor e monopolizando o mercado”, avaliou Borges, à Agência Brasil.

    Para o diretor brasileiro, é importante que uma nova geração tenha acesso à obra de Glauber, que ele classificou ainda como única e especial.

    “Esse é um dos últimos filmes do Glauber que ainda não tinham sido restaurados, uma obra internacional que celebra o cinema anti-imperialista”, completou.


     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    “Joia rara”

    Em versão restaurada, Cabeças Cortadas retornará digitalizado em 4k, com correção de cor, imagem e som. O projeto reúne a Escola de Cinema de Madrid (Ecam), a Vídeo Mercury Films e a FlixOlé, distribuidora e plataforma de streaming especializada no cinema espanhol. A Ecam e as empresas têm se dedicado à digitalização e restauração de obras-primas do cinema mundial.

    As organizações, em nota conjunta, afirmaram que a iniciativa devolve Cabeças Cortadas, uma obra “única da filmografia de Glauber”, ao seu devido lugar na história do cinema:

    “O de uma joia rara do cinema espanhol que, ligada à América Latina e à vanguarda europeia, se conecta a um cinema teatral, histórica e politicamente revolucionário”.

    Representante da FlixOlé e da Video Mercury Films, Miguel López disse que se trata de “um filme completamente esquecido e inacessível”, o que o projeto pretende mudar.

    “É uma oportunidade para que seja novamente apresentado ao público graças à nova cópia digital”, disse.

    O projeto de revitalização também incluiu um website para que o público possa acompanhar o processo e conhecer mais a obra. Lá, estão depoimentos de artistas que participaram da filmagem, como Paco Rabal; bastidores das gravações, que enfrentaram o os fortes ventos da Tramontana; além de relatos sobre o jeito peculiar de Glauber de filmar. A improvisação de cenas era parte da liberdade criativa do autor, figura chave do Cinema Novo Brasileiro.

    Para Glauber, que explicou sua ideia com o filme no encarte de divulgação, Cabeças Cortadas é um filme do “Terceiro Mundo sobre o Terceiro Mundo”.

    “É um filme que procura uma comunicação com a sensibilidade do espectador, usando uma linguagem diferente da do cinema tradicional”, disse.  

    “Nesse caso, o espectador deve aceitar o filme como quem lê um poema, ouve uma música ou vê uma exposição de pintura”, avisou o cineasta, conhecido por obras como Deus e o diabo na terra do sol (1964) e Terra em transe (1967). Glauber Rocha morreu em 1981, aos 42 anos.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br