Categoria: Mundo

  • Warsh: Fed tem “trabalho a fazer” caso inflação siga acima da meta

    Warsh: Fed tem “trabalho a fazer” caso inflação siga acima da meta

    O banco central dos EUA “terá trabalho a fazer” se os formuladores de política monetária não estiverem confiantes de que a inflação subjacente está voltando à meta de 2%, afirmou o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, nesta sexta-feira (28), em declarações que reconheceram que as condições financeiras não parecem restritivas –representando o momento em que ele mais se aproximou de admitir que aumentos nas taxas de juros podem ser necessários para amenizar as pressões sobre os preços.
    “Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho… nosso mandato… e nossa responsabilidade”, disse Warsh em um discurso preparado para ser proferido no simpósio econômico do Fed em Jackson Hole, no Wyoming.
    Embora grande parte do discurso de 16 páginas tenha se concentrado em questões amplas, como a influência da inteligência artificial, que Warsh considera que serão fundamentais no longo prazo, ele também incluiu alguns reconhecimentos importantes — incluindo que “as taxas de juros de curto prazo são a ferramenta predominante para cumprir o duplo mandato”.
    Notavelmente, Warsh afirmou que as recomendações dos cinco grupos de trabalho que ele encarregou de estudar questões de longo prazo “virão mais tarde e não terão influência nas decisões que tomamos na conjuntura atual de política monetária. Mas acredito que, para os desafios futuros da política monetária, esse investimento intelectual de hoje nos deixará muito mais bem preparados”.
    Ele não abordou diretamente as recentes intervenções no mercado realizadas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mas afirmou que o Fed “precisa de sinais claros do mercado, o mais puros possível”, para definir uma política monetária adequada.
    Mas foram seus comentários sobre a inflação que, discutivelmente, foram mais longe para preencher o que alguns viram como uma lacuna nas declarações de Warsh em suas duas primeiras coletivas de imprensa.
    “O progresso nos últimos dois anos tem sido modesto”, disse Warsh sobre a inflação que, segundo o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) — preferido pelo Fed —, permaneceu em 3,7% em base anual até julho.
    Dados recentes “não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”, disse ele, com cerca de metade dos itens da cesta de bens e serviços do PCE apresentando aumento superior a 3% ao ano — valor abaixo da taxa observada durante o surto de inflação da Covid-19, mas acima da norma pré-pandêmica.
    Expectativas de inflação devem ser “acompanhadas de perto”
    Warsh não sugeriu um cronograma para aumentos das taxas de juros e afirmou explicitamente que suas falas não devem ser interpretadas como “orientação prospectiva” nem mesmo como a “função de reação” mais explícita que investidores e analistas do Fed têm sugerido que ele forneça — nenhuma das duas, segundo ele, seria apropriada ou possível de fornecer com precisão.
    Mas essas falas representam seus comentários mais detalhados até o momento sobre a posição do Fed em seus esforços para retornar a inflação à meta de 2%, após mais de cinco anos acima dela.
    Ele observou que atualmente vê as expectativas de inflação como ancoradas, embora devam ser “acompanhadas de perto”.
    “É função do Fed garantir que as expectativas de inflação não se desvinculem”, disse Warsh.
    Ele também disse que não apenas a economia parece resiliente, mas que, dadas as atuais taxas de juros de mercado e a taxa de política monetária de curto prazo do Fed inalterada desde dezembro, “os mercados de crédito e empréstimos estão mostrando poucos sinais de restrição da política monetária”, comentários que poderiam preparar o terreno para argumentos a favor de um aumento dos juros caso a inflação persista.
    A próxima reunião de política monetária do Fed está marcada para 15 e 16 de setembro. Antes do discurso de Warsh, os investidores avaliavam em cerca de um em três a chance de o banco central aumentar as taxas no mês que vem. Um aumento na reunião de dezembro, ou até essa data, tinha probabilidade superior a 90%, de acordo com dados da ferramenta FedWatch do CME Group.
    Na reunião de julho do Fed houve pressão a favor de um aperto monetário, com três membros do Comitê discordando da decisão de manter a taxa de juros estável na faixa atual de 3,50% a 3,75%, onde se mantém desde dezembro.
    Os principais dados sobre desemprego, crescimento do emprego e inflação ao consumidor referentes a agosto serão divulgados no início do próximo mês.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • PNUD e Trata Brasil formalizam parceria de apoio à campanha Voto no Saneamento

    PNUD e Trata Brasil formalizam parceria de apoio à campanha Voto no Saneamento

    27 agosto 2026
    A colaboração entre as duas instituições busca fortalecer o debate sobre saneamento básico nas eleições e ampliar o alcance da campanha junto a candidatos e eleitores.
    O Instituto Trata Brasil lançou a campanha Voto no Saneamento para colocar o saneamento básico no centro do debate eleitoral. Agora, a iniciativa passa a contar com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência de desenvolvimento global da ONU.
    O saneamento básico ainda ocupa pouco espaço no debate público brasileiro, em meio a uma realidade preocupante. Mais de 32 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, e quase 90 milhões não contam com coleta de esgoto. Somente em 2024, cerca de 340 mil pessoas foram internadas por doenças associadas à falta de saneamento, como diarreia, dengue, hepatite e leptospirose.
    Diante desse cenário, a campanha Voto no Saneamento reúne informações em uma plataforma que ajuda eleitoras e eleitores a cobrarem propostas concretas das candidatas e candidatos e, ao mesmo tempo, apoia-os na estruturação de uma proposta de saneamento consistente para seu plano de governo.
    Além de somar peso institucional à campanha, a adesão do PNUD conecta a pauta eleitoral brasileira a compromissos internacionais que o país já assumiu. O programa atua no Brasil há décadas em temas ligados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, que trata de água potável e saneamento, e tem experiência de cooperação técnica internacional com os governos municipais, estaduais e Governo Federal.
    Essa articulação reforça que o saneamento faz parte de uma agenda de desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo nacional e global. Um estudo do Instituto Trata Brasil aponta que a universalização do saneamento traria ganhos socioeconômicos de quase R$ 1,4 trilhão entre 2021 e 2040, com um retorno estimado de R$ 4,10 para cada R$ 1,00 investido.
    Para o chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas, “o acesso universal à água potável e ao saneamento é essencial para o desenvolvimento humano, a saúde e a dignidade das pessoas. Ao apoiar o Voto no Saneamento, o PNUD reafirma a importância de colocar essa agenda no centro das políticas públicas e das escolhas eleitorais, contribuindo para um Brasil mais inclusivo e sustentável.”
    “A adesão do PNUD à campanha Voto no Saneamento dá mais força e visibilidade a essa causa. Ganhamos um parceiro de peso internacional e o reconhecimento de que o saneamento básico é parte de uma agenda global de desenvolvimento sustentável. Esperamos que essa parceria ajude a mobilizar eleitores, candidatos e gestores públicos para que o saneamento ocupe o lugar central que merece nas eleições. Vivemos um momento decisivo, e ele precisa se traduzir em prioridade real, para que as famílias brasileiras tenham acesso ao básico e uma vida com mais saúde e dignidade”, aponta a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto.
    Para mais informações, acesse a página da campanha: https://votonosaneamento.tratabrasil.org.br/
    Contatos para a imprensa:
    – PNUD Brasil: [email protected]
    – Instituto Trata Brasil: [email protected]

    Fonte: brasil.un.org

  • Nepal alerta para novo risco, com lago em área afetada por inundações

    Nepal alerta para novo risco, com lago em área afetada por inundações

    Um lago formado no local onde ocorreu a enchente no Nepal está subindo e corre o risco de transbordar, informou nesta quinta-feira (27) a autoridade responsável por desastres do país, ao apelar para que moradores e equipes de resgate se mantenham afastados das margens do rio.
    O bloqueio de um rio na quarta-feira levou à formação do lago, segundo a autoridade.
    Mudanças climáticas
    Para cientistas, as mudanças climáticas estão levando a condições que podem desestabilizar as rochas e o gelo nas altas montanhas, aumentando as chances de desastres como a enchente ocorrida nesta quarta-feira (26) no Himalaia, ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete, que causou a morte de centenas de pessoas.
    Pelo menos 800 estrangeiros estão entre os quase 1,5 mil desaparecidos, informaram as autoridades, um dia após uma enorme parede de lama e rochas desabar em um rio do Himalaia, provocando inundações catastróficas em cidades e vales.
    “As mudanças climáticas estão gerando condições que podem desestabilizar rochas e gelo nas altas montanhas”, afirmou Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea da Earth Sciences New Zealand.
    Isso, por sua vez, torna mais frequentes os desabamentos e os riscos em cascata do tipo observado nesta semana, acrescentou ele.
    Embora a causa exata do desastre de quarta-feira ainda esteja sendo analisada, os cientistas afirmam que ele provavelmente teve início com uma enorme avalanche de gelo e rochas nas encostas norte do pico Langtang Lirung, no Nepal, que desceu até o rio Lhende Khola, no lado tibetano.
    Danos
    Pelo menos seis grandes usinas hidrelétricas e infraestruturas no centro comercial do Porto de Gyirong foram danificadas em uma cadeia de riscos em várias etapas que atravessou fronteiras, desencadeada pelo desabamento inicial.
    O desabamento também alterou os leitos dos rios a mais de 100 km rio abaixo, perto da fronteira com a Índia.
    Embora os especialistas alertem contra a descrição das mudanças climáticas como o único e imediato gatilho para o desabamento de ontem, eles afirmam que o aumento das temperaturas e o derretimento das geleiras provavelmente contribuíram para o desastre.
    O aquecimento pode reduzir o suporte do gelo em encostas íngremes, aumentar o volume de água de degelo e alterar os padrões de congelamento, degelo e precipitação, o que pode enfraquecer as encostas das montanhas e tornar mais prováveis grandes desabamentos em alguns pontos, acrescentou Cox.
    Inundações, deslizamentos de terra, avalanches e secas estão aumentando em frequência e intensidade em toda a cordilheira do Hindu Kush.
    As mudanças cada vez mais rápidas na água, na terra e no ar representam uma grande ameaça para as pessoas da região, afirma o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com sede no Nepal.
    O aumento das temperaturas nas montanhas torna a criosfera — ou a parte da superfície terrestre coberta de gelo — muito mais vulnerável do que no passado, disse Farooq Azam, especialista sênior em criosfera do ICIMOD.
    Ele afirmou acreditar que o derretimento intenso da neve, aliado à atividade sísmica, provavelmente desencadeou a avalanche inicial de rochas e gelo que resultou na enchente repentina de quarta-feira.
    Tendência alarmante
    A tendência de longo prazo parece alarmante: as Nações Unidas afirmaram, em 2023, que o aquecimento global fez com que as montanhas nevadas do Nepal perdessem quase um terço de sua cobertura de gelo em pouco mais de 30 anos.
    Acrescentou, na época, que as geleiras no Nepal haviam derretido 65% mais rápido na década anterior do que na década anterior a essa.
    O desastre de quarta-feira pode ser um exemplo clássico de um “evento composto”, disse Benjamin Horton, reitor da Escola de Energia e Meio Ambiente da City University de Hong Kong.
    Isso acontece quando um terremoto interage com mudanças impulsionadas pelo clima, como a perda de geleiras, o degelo do permafrost e a instabilidade de encostas, para “criar um desastre mais complexo e devastador do que aquele que ocorreria com qualquer um desses fatores isoladamente”, acrescentou ele.
    Compreender esses riscos em cascata será essencial para melhorar a resiliência em regiões de alta montanha, disse Horton.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • COP17 caminha para novo adiamento de acordo de combate às secas

    COP17 caminha para novo adiamento de acordo de combate às secas

    A criação de um regime global para enfrentar as secas será adiada mais uma vez. Enquanto declarações oficiais sinalizam alguma esperança, negociadores envolvidos diretamente no processo indicam que não há dúvidas sobre o desfecho da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia.
    O evento termina oficialmente nesta sexta-feira (28), mas um grupo de países já deixou claro que não haverá acordo sobre o tema. A oposição é liderada principalmente pelos Estados Unidos (EUA) e pela União Europeia (UE), mas é compartilhada por outros países sul-americanos como Argentina, Chile e Paraguai.
    O que está acordado até o momento é a apresentação de uma decisão procedimental ao fim da conferência, deixando novas discussões sobre o tema para a COP18, em 2028, que provavelmente será realizada no Egito. Algo igual ocorreu na COP16, em Riad, na Arábia Saudita.
    O Brasil se coloca a favor da criação do regime das secas, mas entende que, como não será possível chegar a um consenso mais uma vez, o melhor é manter o tema na agenda para futuras discussões.
    Até mesmo esse encaminhamento precisou ser mediado durante a semana, principalmente pelo Brasil e a Arábia Saudita. Enquanto representantes dos Estados Unidos queriam a exclusão total do tema dos documentos finais, países da África insistiam na criação efetiva do mecanismo.
    A proposta é defendida por africanos há, pelo menos, três conferências. Historicamente afetados pela escassez hídrica e expansão de desertos, eles exigem um mecanismo multilateral para enfrentar de forma coordenada esses problemas.
    Isso demandaria ajuda financeira para os países mais vulneráveis serem capazes de se antecipar e se recuperar dos eventos extremos. Eles entendem que mecanismos internacionais, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), são estruturados sob o tema de degradação das terras, algo mais amplo do que a seca.
    Os países mais ricos, porém, não querem se comprometer com um acordo obrigatório e defendem adesão voluntária. A União Europeia não quer se comprometer com gastos externos, principalmente quando precisa enfrentar crises recentes de seca no próprio território.
    Os impasses são financeiros, mas também geopolíticos. Alguns países, liderados principalmente pelos Estados Unidos, tentam enfraquecer e travar agendas multilaterais como um todo desde o primeiro dia da COP17.
    Contexto geopolítico desfavorável
    Uma vez que o documento final da COP17 deverá ser apresentado somente ao fim do evento, autoridades envolvidas nas negociações tentam ser otimistas. É o caso de Andrea Meza Murillo, secretária executiva adjunta da UNCCD, órgão das Nações Unidas responsável pela conferência.
    Meza disse esperar por um acordo sobre as secas, porém, não escondeu que há dificuldades.
    “Estamos em um momento em que o túnel está escuro, mas acho que sempre haverá uma luz no fim dele. Temos esperança e estamos trabalhando muito para isso”, disse Meza em entrevista à Agência Brasil e a cinco veículos internacionais.
    “Acho que a maioria dos países não pode simplesmente voltar para suas bases eleitorais e dizer que este não é um desafio comum global e que eles não vão colaborar com a comunidade internacional para enfrentá-lo”, complementa.
    Andrea Meza, que também foi ministra do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica, disse confiar na pressão social para que os governos assumam a urgência do tema.
    “Quando governos esquecem de suas responsabilidades, uma sociedade civil forte, ONGs e o setor privado podem dar continuidade a isso. Engajamento e uma agenda de ação robusta, com muitas iniciativas, projetos e programas, são o caminho para que isso ocorra”, reflete Meza.
    “Porém, neste novo contexto geopolítico, teremos cada vez mais dificuldades para alcançar resultados negociados ambiciosos”, complementa.
    Urgência do problema
    Relatórios da UNCCD indicam que a frequência, intensidade e alcance espacial das secas aumentaram quase 30% desde 2000. A extensão do problema é reforçada por eventos recentes na Europa, África, Ásia e América Latina.
    Segundo o coordenador do grupo de trabalho sobre seca da UNCCD, Daniel Tsegai, tratar o fenômeno como desastre imprevisível é abordagem ultrapassada. Ele defende que os países precisam instituir políticas permanentes para atuar antes, durante e após os períodos de eventos extremos.
    “Para uma crise pontual, você não se prepara: apenas espera que ela chegue com força e depois tenta reagir. Mas a seca agora é uma crise constante. Precisamos mudar esse paradigma da gestão de crises para a gestão preventiva de riscos”, ponderou o especialista.
    Tsegai alertou que a seca deixou de ser um problema exclusivo do setor agrícola ou de falta de chuva temporária, tornando-se um risco sistêmico que afeta hidrovias, transporte, saúde e o comércio global.
    Mesmo países não atingidos diretamente pela falta de chuva sofrem as consequências econômicas e de deslocamento populacional. Eventos climáticos em um local geram impactos logísticos e econômicos em outros continentes. Tsagai cita o exemplo de como uma redução do nível da água no Canal do Panamá ou no Rio Reno podem afetar o comércio internacional e o suprimento de grãos.
    O especialista enfatizou que os impactos transfronteiriços da seca exigem resposta unificada e que a preparação deve ocorrer antes que o evento extremo se materialize.
    “Não devemos esperar até que a seca nos atinja para dizer se éramos resilientes ou não. Isso é tarde demais. Alcançamos um momento em que esta é a prioridade máxima. Vamos olhar para isso juntos e encontrar uma solução”, pede Tsagai.
    Iniciativas paralelas de financiamento
    Enquanto o regime global de secas continua sob incertezas, iniciativas paralelas sobre o tema avançam durante a COP17. Duas delas envolvem mecanismos de financiamento.
    A Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca (RGDRP, na sigla em inglês) está desenvolvendo um fundo comum para ajudar 70 países em desenvolvimento a resistir e se adaptar ao fenômeno. A primeira assembleia do grupo ocorreu na Mongólia.
    A Arábia Saudita, fundadora da aliança, se comprometeu a investir US$ 150 milhões. O Banco Islâmico de Desenvolvimento e o Fundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opeo) prometeram aporte de US$ 2 bilhões.
    Outro anúncio feito em Ulaanbaatar foi a criação do Fundo de Investimento para Resiliência à Seca (Drif, na sigla em inglês), considerada a primeira plataforma global de financiamento catalítico.
    Investimentos nessa modalidade aplicam recursos públicos, filantrópicos ou subsidiados para assumir maiores riscos ou aceitar retornos financeiros menores, com o objetivo principal de atrair e destravar capital privado em larga escala.
    O fundo foi criado pela UNCCD e o governo de Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para Resiliência à Seca (Idra). O país europeu fez aporte inicial de US$ 2 milhões. O objetivo do fundo é mobilizar até US$ 400 milhões em capital público e privado.
    Plataforma contra seca
    Foi apresentada na Mongólia a Fase 2 do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (Idro, na sigla em inglês), uma plataforma desenvolvida pela UNCCD, o Centro de Ecossistemas e Arquitetura de Yale e a Aliança Internacional de Resiliência à Seca (Idra).
    A nova etapa marca uma transição entre a versão piloto apresentada na COP16 e a plataforma online que promete ajudar os países a irem além do simples monitoramento dos riscos de seca.
    Ela se baseia no Índice de Resiliência à Seca (DRI), que define a capacidade dos países de antecipação, preparação e adaptação ao fenômeno. O objetivo é identificar vulnerabilidades e fundamentar políticas e investimentos mais eficazes.
    Há recursos com inteligência artificial para ajudar formuladores de políticas, especialistas técnicos e o público em geral a interpretar dados complexos. A plataforma inclui oito estudos de caso detalhados de países em cinco continentes. Ela está aberta para revisão por usuários do mundo todo, que podem ajudar a aprimorar a ferramenta.
    * O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • ONU reconhece iniciativa brasileira Araticum como Referência da Restauração Mundial

    26 agosto 2026
    A iniciativa brasileira Araticum foi reconhecida pela ONU como uma Referência da Restauração Mundial, um dos mais importantes títulos globais para projetos de recuperação de ecossistemas.
    Este reconhecimento coloca o Brasil como o único país com dois reconhecimentos da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas.
    Aliança de mais de 180 organizações, que inclui povos indígenas, quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores e governos, quer restaurar 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030.
    A ONU reconheceu nesta quarta-feira (26) a iniciativa brasileira Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro, como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), destacando o grande esforço para restaurar o Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do mundo e um bioma que sofre intensa pressão devido à conversão e fragmentação de terras e às mudanças climáticas.
    Anunciada durante um evento na 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), a iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro foi reconhecida junto a outros dois projetos emblemáticos de restauração, localizados na Arábia Saudita e no Sahel. Com esse reconhecimento, o Brasil torna-se o único país até o momento a receber dois títulos de Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).
    Liderados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, os prêmios reconhecem algumas das iniciativas de restauração de ecossistemas mais ambiciosas e impactantes do mundo.
    “Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação, bem como as tensões geopolíticas em curso, estão afetando duramente os sistemas alimentares globais. Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças. As três iniciativas reconhecidas hoje mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos – desde segurança alimentar e novos empregos até maior resiliência para milhões de pessoas”, afirmou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen.
    Com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Cerrado perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte devido à conversão de terras em grande escala. Esse processo prejudica os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.
    A iniciativa reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros. Esse trabalho é realizado por meio da regeneração natural, da semeadura direta, da restauração ecológica e de sistemas agroflorestais com espécies nativas.
    O projeto já mapeou mais de 27 mil hectares em processo de restauração, com novas áreas sendo continuamente incorporadas por meio de sua plataforma de monitoramento. Além disso, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas já foram coletadas e utilizadas em atividades de restauração, contribuindo para a formação de uma cadeia produtiva da restauração que inclui coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.
    “Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro. A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação, afirmou a coordenadora da Araticum e coletora de sementes Geraizeira, Fabrícia Santarém.”
    Até 2030, a iniciativa pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração até 2030, contribuindo para a valorização dos ecossistemas não florestais e para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa.
    Para isso, combina a restauração ecológica com ferramentas sociais e econômicas, incluindo programas de pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais, planejamento territorial e articulação com políticas públicas.
    A iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro, é uma das 30 iniciativas de restauração reconhecidas pela ONU desde 2022. Juntas, essas iniciativas já somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e abrangem compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, ao mesmo tempo em que geram mais de 800 mil empregos e contribuem para a recuperação e o aumento das populações de espécies da biodiversidade.
    NOTA AOS EDITORES
    Sobre as Iniciativas de Referência da Restauração Mundial da ONU (UN World Restoration Flagships)
    Os países já assumiram o compromisso de restaurar 1 bilhão de hectares – uma área maior que a da China – como parte de seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, das Metas de Aichi para a Biodiversidade, das Metas de Neutralidade da Degradação da Terra e do Desafio de Bonn.
    No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade da restauração. Por meio das Iniciativas de Referência de Restauração Mundial, a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas homenageia os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em grande escala e de longo prazo, que incorporam os 10 Princípios de Restauração da Década da ONU.
    O progresso de todas as Iniciativas de Referência de Restauração Mundial será monitorado de forma transparente por meio da Estrutura de Monitoramento da Restauração de Ecossistemas (Framework for Ecosystem Restoration Monitoring), plataforma da Década da ONU dedicada ao acompanhamento dos esforços globais de restauração.
    Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
    O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das gerações futuras.
    Sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)
    A FAO é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome. Seu objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos suficientes e de boa qualidade para levar uma vida ativa e saudável. Com mais de 193 países-membros, a FAO atua em mais de 130 países ao redor do mundo.
    Para mais informações, entre em contato:
    – Carlos Gomez, PNUMA: [email protected]
    – Carol Sacramento, Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado): [email protected]
    Confira o banco de imagens com fotos e vídeos disponíveis para uso.

    Fonte: brasil.un.org

  • Governo brasileiro lamenta mortes em avalanche no Nepal e na China

    Governo brasileiro lamenta mortes em avalanche no Nepal e na China

    O governo brasileiro lamentou nesta quarta-feira (26) as mortes causadas por deslizamentos de terra e inundações no Nepal e na região Administrativa Autônoma do Tibete, na China.
    A tragédia resultou em ao menos 157 pessoas mortas e centenas de desaparecidas. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas.
    “O governo brasileiro expressa profundo pesar e solidariedade às famílias das vítimas, ao povo e ao governo do Nepal e da China”, disse Itamaraty, em nota.
    O MRE informou ainda que a Embaixada do Brasil em Katmandu, capital do Nepal, e a Embaixada do Brasil em Pequim, capital da China, acompanham com atenção os desdobramentos da calamidade no país.
    “O plantão consular da Embaixada do Brasil em Katmandu (telefone +977 9801032381) poderá prestar assistência consular a cidadãos brasileiros em situação de emergência no Nepal”, diz a nota.
    Já os brasileiros que estiverem na Região Administrativa Autônoma do Tibete, na China, podem entrar em contato com o plantão consular da Embaixada do Brasil em Pequim (telefone +86 138 0121 0722).
    Câmeras de segurança registraram o momento em que pessoas fugiam enquanto uma avalanche de lama e água arrastava prédios e pontes em um vale, no distrito de Rasuwa. O local fica no Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o condado de Gyirong, na região chinesa do Tibete. O porto de Gyirong também foi destruído pelo desastre.
    A avalanche que atingiu o Tibete e o Nepal teria relação com o acúmulo de grandes volumes de gelo e rocha, em razão de chuvas que atingiram a região.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mortos pela enchente no Nepal e no Tibete sobem para 157, diz polícia

    Mortos pela enchente no Nepal e no Tibete sobem para 157, diz polícia

    O número de mortos pela enchente repentina que atingiu a região fronteiriça do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26), subiu para 157, informou a polícia.
    Uma parede de lama e rochas desabou em um rio na fronteira himalaia entre o Nepal e o Tibete, provocando inundações catastróficas no lado nepalês e deixaram centenas de turistas desaparecidos.
    Em um desastre que ainda estava em andamento, vídeos comprovados mostraram dezenas de pessoas sendo arrastadas, com as autoridades de ambos os lados temendo um número muito maior de vítimas e destruição em grande escala.
    Casas, estradas e projetos de energia foram arrastados no Nepal, enquanto autoridades no Tibete afirmaram temer “um grande número de vítimas”, com algumas pessoas desaparecidas no condado de Gyirong após um deslizamento de terra atingir um posto de fronteira terrestre.
    Relatos iniciais sugeriram que um terremoto na região poderia ter desencadeado uma avalanche e causado as enchentes, disse o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, ao Parlamento do país, segundo a mídia local.
    Pelo menos 384 turistas, incluindo 105 indianos, 93 nepaleses, três cidadãos norte-americanos e 12 britânicos, estavam desaparecidos na região, informou a autoridade de turismo do Nepal.
    A agência de notícias sul-coreana Yonhap informou, separadamente, que cerca de oito de seus cidadãos também estavam desaparecidos no Nepal.
    Alertas de enchentes foram emitidos nos populosos estados de Uttar Pradesh e Bihar, no norte da Índia, uma vez que fazem fronteira com o Nepal e vários rios descem das montanhas para suas planícies.
    Enchente
    Imagens de câmeras de segurança captadas no lado chinês da fronteira entre o Nepal e o Tibete mostraram muitas pessoas fugindo antes que uma parede de rochas, lama e água destruísse prédios, veículos e ceifasse muitas vidas.
    A causa exata do deslizamento de terra não pôde ser determinada imediatamente, mas o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) informou que houve um terremoto de magnitude 4,4 aproximadamente 7 minutos antes do horário indicado nas imagens de segurança.
    Uma avalanche de gelo e rochas no Rio Lhende Khola, no lado nepalês, foi o gatilho, mas a causa ainda não foi confirmada, disse Qianggong Zhang, chefe de Riscos Climáticos e Ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, com sede em Catmandu.
    “Com uma obstrução ainda situada a montante no rio que marca a fronteira entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer”, alertou Qianggong.
    Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas do Nepal, em Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, com uma população de cerca de 50 mil habitantes, segundo autoridades, já que o rio estava transbordando.
    Imagens de televisão mostraram casas destruídas pelas águas da enchente, carros flutuando e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza, enquanto testemunhas relataram à Reuters que as águas engoliram vilas inteiras.
    “Pode haver um grande número de vítimas ou perdas materiais”, disse o administrador distrital Narendra Pariyar, que instou os moradores das margens do Rio Bhote Koshi a se deslocarem para terrenos mais elevados, após relatos de que vilas e locais de obras estavam sendo levados pela correnteza.
    “Há devastação por toda parte”, declarou Tula Bahadur BK, profissional de saúde em Rasuwa, à Reuters.
    “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco dos meus próprios parentes estão desaparecidos”, relatou.
    * Reportagem de Saurabh Sharma, Ruchika Khanna, Sahana Bajracharya, Aftab Ahmed, Liz Lee e Yukun Zhang

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Vício em redes sociais: Meta faz acordos de US$18 bi em julgamento

    Vício em redes sociais: Meta faz acordos de US$18 bi em julgamento

    A Meta acertou acordos para promover mudanças no Facebook e no Instagram e pagar até US$18 bilhões para encerrar acusações de estados dos Estados Unidos de que teria projetado suas plataformas de mídia social para causar dependência em crianças e enganado o público sobre a segurança delas.
    Os acordos anunciados nesta quarta-feira (26) encerram um processo judicial que vinha sendo um dos testes de maior repercussão sobre as alegações de que as empresas de mídia social prejudicam crianças.
    “O foco deste caso era proteger nossas crianças”, disse o procurador-geral do Colorado, Phil Weiser, em comunicado.
    “A reparação que estamos obtendo neste acordo é muito significativa e vai muito além do que qualquer tribunal já ordenou ou provavelmente ordenará.”
    A Meta concordou, ao longo da próxima década, em restringir o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes a duas horas por dia e bloquear o uso por completo, da meia-noite às 6h, sem o consentimento dos pais.
    Esses limites poderão ser reforçados caso outras empresas de mídia social adotem termos semelhantes. A Meta também aprimorará medidas para impedir que crianças acessem conteúdo restrito por idade.
    O acordo não exige que a Meta — que negou qualquer irregularidade — abandone as recomendações personalizadas ou a publicidade direcionada. O valor total do acordo representa cerca de três a quatro meses de lucro para a empresa.
    “Garantir que os adolescentes tenham uma experiência segura e produtiva em nossas plataformas é um imperativo absoluto para a Meta”, afirmou a empresa.
    “Queremos fazer o que é certo para os pais e adolescentes.”
    Experiência online
    Os acordos incluem mais de US$ 17,6 bilhões em pagamentos a 48 estados dos EUA, Washington (D.C.), Porto Rico, Samoa norte-americana e Ilhas Marianas do Norte.
    A Meta também pagará US$ 459 milhões para resolver as reivindicações dos estados norte-americanos relacionadas à privacidade no escândalo da Cambridge Analytica, em que a consultoria britânica coletou dados pessoais de milhões de usuários do Facebook.
    A Califórnia receberá o maior valor: US$ 2,2 bilhões. Nova York e o Texas ficarão com mais de US$ 1 bilhão cada.
    Parte do pagamento depende da imposição, por parte do YouTube, da Alphabet, e do TikTok, da ByteDance, de proteções semelhantes para crianças. Nenhuma dessas empresas estava disponível para comentar a condenação judicial.
    “Isso é muito importante”, disse James Speta, professor de Direito da Universidade Northwestern especializado em políticas de telecomunicações e internet.
    “A Meta e outras empresas estavam enfrentando pressão para mudar suas práticas comerciais, independentemente de perderem ou não os processos, tanto do público quanto do Congresso e das legislaturas estaduais”, continuou ele.
    “Essas restrições mudarão a experiência no Instagram e no Facebook, e foram concebidas para reduzirem o engajamento.”
    O acordo precisa da aprovação da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, que supervisionou o julgamento iniciado em 18 de agosto.
    O chefe do Instagram, Adam Mosseri, já havia começado a depor, e esperava-se que o presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, também prestasse depoimento.
    As ações da Meta subiam 2,2% às 12h45, no horário de Brasília.
    Crise de saúde mental
    As empresas de mídia social enfrentam uma ampla onda de ações judiciais movidas por estados, governos locais, distritos escolares e indivíduos que as acusam de alimentar uma crise de saúde mental entre os jovens, causando danos como ansiedade, depressão e suicídio.
    Meta, YouTube, TikTok e Snapchat, da Snap, ainda enfrentam milhares de processos em tribunais federais e estaduais nos EUA, nos quais se alega que elas tentaram, conscientemente, tornar as crianças viciadas em suas plataformas.
    O processo contra a Meta incluiu alegações da Califórnia, do Colorado, de Kentucky e de Nova Jersey de que a empresa violou leis estaduais de proteção ao consumidor.
    Também incluiu alegações de 29 estados de que a companhia violou a Lei Federal de Proteção à Privacidade Online das Crianças ao coletar, conscientemente, dados pessoais de crianças sem o consentimento dos pais e ao usar esses dados para treinar IA generativa.
    A Meta há muito argumentava que não poderia ter induzido os consumidores em erro, pois o “vício em redes sociais” não era uma condição psiquiátrica reconhecida.
    Antes do início do julgamento, a Meta afirmou que Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey estavam buscando penalidades de até US$ 1,4 trilhão. Os estados sugeriram que o valor estaria mais próximo de US$ 200 bilhões.
    Milhares de ações
    A juíza Gonzalez Rogers ainda supervisiona milhares de ações judiciais movidas por pessoas físicas, distritos escolares e governos estaduais e municipais dos EUA que acusam empresas de redes sociais de causar danos a crianças.
    A própria Meta ainda enfrenta milhares de ações judiciais movidas por pessoas físicas, distritos escolares e municípios. Os próximos julgamentos estão marcados para outubro, em Los Angeles.
    No início deste ano, a Meta perdeu ambas as fases de um processo judicial histórico em que o estado do Novo México a acusou de enganar os consumidores sobre a segurança de suas plataformas.
    Em março, um júri condenou a Meta a pagar US$ 375 milhões, e, em 6 de agosto, um juiz determinou que ela pagasse mais US$ 567 milhões e implementasse medidas de segurança para jovens, concluindo que a companhia causou perturbação da ordem pública.
    Também em março, um júri de Los Angeles considerou Meta e Google negligentes no projeto de suas plataformas e ordenou que pagassem US$ 6 milhões a uma mulher de 20 anos que afirmou ter se tornado viciada no Instagram e no YouTube ainda criança e ter sofrido de ansiedade e depressão.
    Meta e Google afirmaram que vão recorrer dessas sentenças.
    Novo México e Flórida não fizeram parte dos acordos firmados nesta quarta-feira.
    “Os pagamentos aos estados são uma ninharia em comparação com os danos profundos que os recursos viciantes da Meta, orientados pelo lucro, causaram às nossas crianças”, disse o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, em comunicado. “Nos veremos no julgamento.”

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Guerra, tarifas e menos imposto a ricos geram dívida recorde nos EUA

    Guerra, tarifas e menos imposto a ricos geram dívida recorde nos EUA

    A dívida pública recorde nos Estados Unidos (EUA), que ultrapassou os US$ 40 trilhões pela primeira vez na história, foi motivada, principalmente, pela redução de impostos para os ricos, pela inflação causada pela guerra no Oriente Médio – que pressionou o preço dos combustíveis –, e pelas tarifas à importação do governo de Donald Trump.
    A avaliação é de economistas consultados pela Agência Brasil, que acrescentam como fatores para a dívida recorde: a manutenção dos elevados gastos militares, próximo a US$ 1 trilhão, e o aumento dos gastos com juros da dívida, que chegou a US$ 1,1 trilhão, montante que é mais que o dobro de 2021, quando os juros consumiram US$ 419 bilhões dos contribuintes.
    Entre as razões para o aumento dos juros, estaria a inflação causada pela guerra e o “risco Trump” motivado pela política agressiva da Casa Branca, que causa incertezas no mercado, como no caso do conflito tarifário com o Canadá. Os especialistas sustentam que essa política pressiona os juros cobrados pelos títulos do Tesouro estadunidense.
    Apesar do número impressionante de US$ 40 trilhões, que dobrou desde 2017, os economistas rejeitam que os EUA estejam em risco de insolvência, quando não se consegue pagar o que se deve. Além disso, alertam que a situação fiscal da potência econômica tende a pressionar o Brasil a manter as taxas de juros em nível elevado.
    Solvência
    O professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos destacou que o número de US$ 40 trilhões não indica risco de insolvência porque, entre outros motivos, os EUA emitem a própria moeda e têm o dólar como principal reserva monetária do planeta.
    “Um governo assim não quebra contra a vontade. Se o mercado não quiser esses títulos ao preço corrente, o FED [Federal Reserve, o Banco Central dos EUA] pode comprá-los. Foi o que fez em 2020, quando expandiu o balanço em quase US$ 3 trilhões em três meses. E foi o que fez entre 1942 e 1951, quando travou o juro dos títulos longos em 2,5%”, explicou.
    Após o anúncio da dívida pública recorde, a Secretaria de Tesouro dos EUA se apressou em comunicar o aumento das operações para compra de títulos no mercado, que deve dobrar de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro.
    O economista e doutor em história Pedro Faria ponderou à Agência Brasil que o valor de US$ 40 trilhões, em si, “não diz muita coisa” sobre a capacidade de pagamento dos EUA.
    “A gente sempre compara com o tamanho do país e com a realidade econômica ao redor. É uma realidade das principais economias desenvolvidas estarem em déficit desde 2008”, comentou Faria, que é associado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
    Juros dos títulos sobem
    Desde o final da 2ª Guerra Mundial, os títulos do Tesouro dos EUA são considerados o ativo “mais seguro” no mundo. Segundo o professor Pedro Bastos, ainda não há desconfiança no mercado em relação a capacidade de pagamento da dívida pelos EUA.
    “Os estrangeiros continuam comprando. O que subiu foi o preço cobrado, não a recusa em comprar”, pontuou, acrescentando que dois terços da dívida no mercado estão em mãos domésticas nos EUA e US$ 4,5 trilhões estão no próprio FED, o que reduz riscos de insolvência.
    Além disso, US$ 8 trilhões da dívida estão nas mãos do próprio governo, com US$ 32 trilhões no mercado: “O mercado detém cerca de 100% do PIB em dívida, similar ao recorde de 106% de 1946, ao fim da 2ª guerra”, acrescentou o especialista da Unicamp.
    O único risco de calote dos EUA seria político, quando o Congresso se recusa a autorizar o aumento do teto da dívida, mas o professor Pedro Paulo Zahluth Bastos alertou também para o problema dos gastos crescentes com juros.
    “O único risco ligado à dívida hoje é o de juros longos mais altos. Mas a causa imediata não é o tamanho da dívida. É a inflação, puxada pelo petróleo do conflito no Oriente Médio e pelas tarifas”, explicou.
    Em apenas cinco meses, a dívida cresceu US$ 1 trilhão, superando as expectativas de analistas. O Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO) calculava chegar aos US$ 40 trilhões apenas em 2027.
    Corte de imposto no topo
    A política econômica focada no corte de impostos para os ricos, adotada nos dois mandatos de Trump, motivou parte do aumento do endividamento ao reduzir a arrecadação, explicou o economista Pedro Faria.
    “O Trump aposta nessa política característica dos republicanos, que é tirar a tributação dos ricos sob a justificativa de tentar expandir a economia. O que se vê é um aumento do endividamento dos EUA no governo Trump 2 por conta dessa abordagem de política econômica”, explicou.
    Em 2025, o governo Trump aprovou projeto com mais corte de impostos para ricos que aumentaram a previsão do déficit dos EUA em US$ 4,7 trilhões em 10 anos, ao mesmo tempo que cortou US$ 1 trilhão da saúde pública nesse período.
    O professor da Unicamp Pedro Bastos acrescentou que a menor tributação dos ricos nos EUA tem contribuído ainda para concentrar a renda do país, sendo a dívida recorde um sintoma do conflito pela distribuição dessa riqueza dentro dos EUA.
    “A receita do imposto sobre lucros caiu 23% neste ano fiscal. Já os juros vão para quem tem títulos: fundos, bancos e as famílias mais ricas. O 1% mais rico detém metade das ações do país”, comentou Bastos.
    O especialista da Unicamp argumentou que os EUA não gastam demais, mas arrecadam de menos. A carga tributária nos EUA é de cerca de 25% do PIB, contra 34% na média da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne países entre os mais desenvolvidos do mundo).
    Risco Trump
    Para o especialista Pedro Faria, do Instituto Economias, o que pode preocupar o Tesouro dos EUA é a tendência, observada entre governos, Estados e empresas em todo o mundo, de reduzir o uso de títulos dos EUA como opção para manter a liquidez da economia.
    “Diversos governos têm reduzido o estoque de títulos dos EUA, como Brasil e China. Isso porque veem a política econômica da Casa Branca como errática e não muito racional. Os agentes econômicos têm medo de se expor a sanções ou ter os ativos congelados, como ocorreu diversas vezes”, comentou.
    Para o economista da Unicamp Pedro Bastos, os juros mais altos cobrados pelos títulos dos EUA é a resposta do mercado aos ataques do governo Trump aos pilares que dão confiança a esses papéis: um FED autônomo, tribunais judiciais independentes e aliados sendo tratados como aliados.
    “Por exemplo, o uso do acesso ao mercado americano como chantagem [tarifaços]. Os bancos centrais compram ouro em ritmo recorde desde 2022 por isso, não pelo tamanho da dívida. Se a dívida um dia virar problema, não será por chegar a US$ 40 trilhões ou US$ 50 trilhões. Será porque a política destruiu o que a tornava desejada”, completou.
    Para o especialista, é o “risco Trump” que pressiona o rendimento dos títulos públicos de 30 anos dos EUA, que alcançaram 5,33% em 18 de agosto, o maior nível desde 2007. Esse nível de juros dos títulos longos é o que pressiona os gastos com a dívida do país norte-americano.
    Apesar dos juros mais altos cobrados pelos títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA, Bastos avalia que o mercado segue investindo nos papéis do Estado do país norte-americano.
    “A China reduziu o estoque de títulos dos EUA de US$ 1,3 trilhão, em 2013, para US$ 700 bilhões, e nada aconteceu. O dólar ainda responde por 57% das reservas mundiais, o euro por 20% e o yuan por 2%”, ponderou.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Inundação repentina na fronteira entre Nepal e Tibete deixa 95 mortos

    Inundação repentina na fronteira entre Nepal e Tibete deixa 95 mortos

    Uma parede de lama e rochas desabou em um rio na fronteira himalaia entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26), provocando inundações catastróficas no lado nepalês que mataram pelo menos 95 pessoas, segundo a polícia, e deixaram centenas de turistas desaparecidos.
    Em um desastre que ainda estava em andamento, vídeos comprovados mostraram dezenas de pessoas sendo arrastadas, com as autoridades de ambos os lados temendo um número muito maior de vítimas e destruição em grande escala.
    Casas, estradas e projetos de energia foram arrastados no Nepal, enquanto autoridades no Tibete afirmaram temer “um grande número de vítimas”, com algumas pessoas desaparecidas no condado de Gyirong após um deslizamento de terra atingir um posto de fronteira terrestre.
    Relatos iniciais sugeriram que um terremoto na região poderia ter desencadeado uma avalanche e causado as enchentes, disse o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, ao Parlamento do país, segundo a mídia local.
    Pelo menos 384 turistas, incluindo 105 indianos, 93 nepaleses, três cidadãos norte-americanos e 12 britânicos, estavam desaparecidos na região, informou a autoridade de turismo do Nepal.
    A agência de notícias sul-coreana Yonhap informou, separadamente, que cerca de oito de seus cidadãos também estavam desaparecidos no Nepal.
    Alertas de enchentes foram emitidos nos populosos estados de Uttar Pradesh e Bihar, no norte da Índia, uma vez que fazem fronteira com o Nepal e vários rios descem das montanhas para suas planícies.
    Enchente
    Imagens de câmeras de segurança captadas no lado chinês da fronteira entre o Nepal e o Tibete mostraram muitas pessoas fugindo antes que uma parede de rochas, lama e água destruísse prédios, veículos e ceifasse muitas vidas.
    A causa exata do deslizamento de terra não pôde ser determinada imediatamente, mas o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) informou que houve um terremoto de magnitude 4,4 aproximadamente 7 minutos antes do horário indicado nas imagens de segurança.
    Uma avalanche de gelo e rochas no Rio Lhende Khola, no lado nepalês, foi o gatilho, mas a causa ainda não foi confirmada, disse Qianggong Zhang, chefe de Riscos Climáticos e Ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, com sede em Catmandu.
    “Com uma obstrução ainda situada a montante no rio que marca a fronteira entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer”, alertou Qianggong.
    Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas do Nepal, em Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, com uma população de cerca de 50 mil habitantes, segundo autoridades, já que o rio estava transbordando.
    Imagens de televisão mostraram casas destruídas pelas águas da enchente, carros flutuando e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza, enquanto testemunhas relataram à Reuters que as águas engoliram vilas inteiras.
    “Pode haver um grande número de vítimas ou perdas materiais”, disse o administrador distrital Narendra Pariyar, que instou os moradores das margens do Rio Bhote Koshi a se deslocarem para terrenos mais elevados, após relatos de que vilas e locais de obras estavam sendo levados pela correnteza.
    “Há devastação por toda parte”, declarou Tula Bahadur BK, profissional de saúde em Rasuwa, à Reuters.
    “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco dos meus próprios parentes estão desaparecidos”, relatou.
    * Colaboraram Sahana Bajracharya, Aftab Ahmed, Liz Lee e Yukun Zhang

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br