Categoria: Mundo

  • Mais de 300 turistas estão desaparecidos no Nepal após cheias

    Mais de 300 turistas estão desaparecidos no Nepal após cheias

    Internacional

    Chuvas torrenciais atingiram a fronteira com o Tibete
    RTP*
    Publicado em 26/08/2026 – 09:56
    Catmandu
    Versão em áudio
    Pelo menos 384 turistas, entre os quais 300 estrangeiros, foram declarados desaparecidos, na sequência das chuvas torrenciais que causaram uma inundação no Nepal, na fronteira com o Tibete.
    As cheias no distrito de Rasuwa, área fronteiriça do Nepal com os Himalaias deixaram, pelo menos, nove mortos e destruíram estradas, pontes e projetos de energia.
    As autoridades do país e da China já antecipam “grande perda” e o aumento do número de danos materiais.
    Várias áreas próximas do Rio Bhote Koshi estão sob alerta máximo.
    A circulação e as comunicações permanecem interrompidas na região por tempo indeterminado, de acordo com as autoridade locais.
    Mais notícias
    Geral Estiagem: Defesa Civil reconhece emergência em cidades do Nordeste
    qua, 26/08/2026 – 10:42
    Economia Prévia da inflação fica em -0,40%, a menor desde agosto de 2022
    qua, 26/08/2026 – 10:01
    Internacional Mais de 300 turistas estão desaparecidos no Nepal após cheias
    qua, 26/08/2026 – 09:56
    Geral Anvisa atualiza regras de segurança sanitária para aviões e aeroportos
    qua, 26/08/2026 – 09:37
    Meio Ambiente Centro-Oeste tem três alertas ativos para chuvas e baixa umidade
    qua, 26/08/2026 – 09:17
    Educação Pé-de-Meia: nascidos em maio e junho recebem parcela nesta quarta
    qua, 26/08/2026 – 09:05

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • América Latina, Caribe e FAO reforçam o compromisso com o abastecimento alimentar

    América Latina, Caribe e FAO reforçam o compromisso com o abastecimento alimentar

    24 agosto 2026
    Representantes de 16 países aprovaram ações conjuntas para enfrentar a inflação dos alimentos e combater a fome na região.
    Agenda da Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) prevê maior transparência nos preços, reservas estratégicas de alimentos e fortalecimento dos sistemas públicos de abastecimento.
    Países reforçaram o apoio às compras públicas da agricultura familiar, camponesa e indígena para ampliar o acesso a alimentos saudáveis.
    A região registrou avanços na redução da fome e da insegurança alimentar. Em 2025, cerca de 32 milhões de pessoas passaram fome, o equivalente a 4,8% da população regional. No entanto, o acesso econômico a uma dieta saudável continua sendo um dos maiores desafios. Em 2025, o custo médio de uma dieta saudável na América Latina e no Caribe chegou a US$ 4,91 por pessoa ao dia, o valor mais alto do mundo.
    Diante desse cenário e dos desafios climáticos, representantes de 16 países membros da Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) reafirmaram seu compromisso de fortalecer esses sistemas como ferramentas estratégicas para enfrentar a inflação dos alimentos, melhorar o funcionamento dos mercados de alimentos, a transparência dos preços, a geração de estoques e reservas estratégicas e o fortalecimento de programas voltados a garantir o acesso a alimentos saudáveis que contribuam diretamente para a população, especialmente para aquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade nas áreas rurais, urbanas e periurbanas. A essa iniciativa também se juntou a Comunidade do Caribe (CARICOM), que participou pela primeira vez desse espaço de integração regional.
    A XI Reunião da Rede SPAA foi organizada em Santo Domingo conjuntamente pela FAO e pelo Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), no âmbito do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO, e pelo Instituto de Estabilização de Preços (INESPRE) da República Dominicana. A FAO desempenha um importante papel como Secretaria Executiva da Rede há mais de uma década, coordenando seu funcionamento, prestando assistência e assessoria às instituições públicas dos países membros, além de facilitar a cooperação.
    No encontro, os países-membros trocaram experiências e analisaram os principais desafios da América Latina e do Caribe para garantir o acesso a alimentos saudáveis e a melhores preços em benefício dos consumidores, bem como para alcançar sistemas públicos de abastecimento cada vez mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis.
    Os membros da Rede aprovaram uma declaração que estabelece uma agenda de ações conjuntas, tendo entre as prioridades o fortalecimento das capacidades institucionais dos sistemas públicos de abastecimento; o desenvolvimento de mecanismos transparentes de gestão e estabilização de preços; a melhoria dos sistemas públicos de informação e inteligência de mercados; o estabelecimento de mecanismos de alerta precoce e reservas estratégicas de alimentos; e a ampliação dos programas de compras públicas de alimentos com a participação da agricultura familiar, camponesa e indígena, das mulheres e dos jovens rurais, das cooperativas e das associações de produtores.
    A XI Reunião foi inaugurada pelo presidente da República Dominicana, Luis Abinader, que destacou que combater a fome exige atuar simultaneamente sobre a produção, a geração de renda para os produtores, a proteção social e o abastecimento eficiente e inclusivo, aproximando produtores e consumidores. Além disso, afirmou que a fome não é combatida pelo trabalho de uma única instituição, mas que é necessário estabelecer uma estratégia de trabalho que reúna mais instituições em um esforço conjunto para a busca de soluções.
    O representante da FAO na República Dominicana, Rodrigo Castañeda, afirmou que “diante da crise climática, das tensões geopolíticas e da inflação dos alimentos, fortalecer os Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos é fundamental para construir sistemas alimentares resilientes e garantir um acesso mais equitativo e eficiente aos alimentos”.
    O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Eric Moura, afirmou: “Esperamos que a Rede SPAA se fortaleça como um espaço permanente de cooperação, aprendizagem mútua e construção de uma agenda regional duradoura de combate à fome e promoção da segurança alimentar e nutricional”.
    Panamá na presidência da Rede
    Durante a reunião, o Panamá, representado pelo Instituto de Mercado Agropecuário (IMA), foi escolhido para a presidência da Rede SPAA para o período 2026–2028. A instituição governamental tem como função implementar as políticas de comercialização, apoiando o produtor nacional na comercialização e no mercado de seus produtos, para o crescimento e desenvolvimento do setor agrário. A vice-presidência ficará a cargo do Uruguai, representado pelo Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP).
    Nilo Murillo Robles, diretor-geral do IMA, ressaltou que a integração entre os países para enfrentar problemas comuns, como a inflação dos alimentos e a fome, é fundamental para tornar as políticas públicas mais eficientes. Além disso, expressou seu compromisso e reconheceu a importância de assumir a presidência da Rede SPAA e o papel estratégico desse espaço regional, que atualmente conta com 19 países membros.
    Por outro lado, os países decidiram que o Panamá será a sede da XII Reunião da Rede, em 2027.
    SPAA: a conexão entre a produção local e o consumo
    Os Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (SPAA) desempenham um papel estratégico para assegurar uma oferta estável, melhorar a transparência dos mercados, reduzir as diferenças entre os preços na origem e os preços ao consumidor e aproximar alimentos saudáveis das populações rurais, das mulheres, dos povos indígenas, das comunidades afrodescendentes, dos pequenos produtores e das famílias de menor renda nas cidades.
    As compras públicas, os programas de alimentação escolar, os mercados públicos e populares, as feiras livres, as reservas estratégicas de alimentos básicos, as lojas e unidades móveis, os circuitos curtos de comercialização e a venda direta constituem ferramentas fundamentais para conectar a produção local ao consumo, direcionando as políticas públicas de alimentação. Quando esses instrumentos incorporam efetivamente a agricultura familiar, permitem melhorar a renda dos produtores, dinamizar as economias territoriais e locais, além de reduzir a intermediação desnecessária e facilitar o acesso da população a alimentos frescos, de melhor qualidade, saudáveis e culturalmente adequados.
    Contato para imprensa:
    – Palova Brito, Comunicação do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO: [email protected]

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU e Cruz Vermelha cobram adoção urgente de normas sobre armas autônomas

    ONU e Cruz Vermelha cobram adoção urgente de normas sobre armas autônomas

    25 agosto 2026
    Em um apelo conjunto feito nesta terça (25), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, pediram que líderes políticos adotem com urgência novas normas internacionais sobre sistemas de armas autônomas.
    Em meio a relatos de que drones totalmente autônomos e guiados por inteligência artificial (IA) estejam sendo utilizados em campos de batalha, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, renovaram, nesta terça-feira (25/08), seu apelo urgente por controles mais rigorosos, antes que seja tarde demais.
    O momento em que o apelo foi feito reflete as crescentes preocupações de que armas cada vez mais sofisticadas estejam sendo fabricadas e empregadas com velocidade e escala cada vez maiores, impulsionadas por uma tecnologia de IA cada vez mais poderosa.
    “Estamos agora perigosamente próximos de cruzar uma linha vermelha moral: o ataque autônomo a seres humanos por máquinas”, afirmou o secretário-geral António Guterres, em um apelo conjunto com a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric Egger.
    Atacar civis e infraestrutura civil em conflitos já é estritamente proibido pelo direito internacional humanitário. A preocupação adicional é que decisões de vida ou morte sejam tomadas por máquinas incapazes de distinguir entre combatentes e não combatentes.
    Ecoando essas preocupações em Genebra, a chefe de assuntos de desarmamento da ONU em Genebra, Mélanie Régimbal, enfatizou a posição de longa data do líder das Nações Unidas de que sistemas que selecionam ou atacam alvos e tiram vidas humanas sem controle e julgamento humanos “são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser proibidos pelo direito internacional”.
    No apelo, Guterres e Egger observaram que as armas autônomas “não fazem parte de um futuro distante”, uma vez que a corrida rumo a uma maior autonomia já está em andamento. Cientistas e engenheiros que desenvolvem tais sistemas também manifestaram preocupações quanto aos riscos envolvidos, observaram eles.
    A ONU e a Cruz Vermelha exortam os governos a iniciar negociações sobre um instrumento juridicamente vinculativo que estabeleça proibições e restrições claras.
    O apelo é feito antes da Sétima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW), que ocorrerá em novembro, em Genebra. Os líderes da ONU e da Cruz Vermelha descreveram o encontro como o “caminho mais claro disponível” para que os Estados cheguem a um acordo para avançar nas negociações sobre um instrumento juridicamente vinculativo.
    Já foram estabelecidas bases importantes para um acordo por meio de discussões na Assembleia Geral da ONU e no Grupo de Peritos Governamentais da CCW, afirmaram eles, incluindo avanços na definição do julgamento e do controle humanos necessários para garantir o cumprimento do Direito Internacional Humanitário.
    A ONU e o CICV lançaram seu apelo conjunto pela primeira vez em 2023, instando os Estados a negociarem um instrumento juridicamente vinculativo até 2026. O apelo inicial enfatizou que o controle humano deve ser mantido sobre decisões de vida ou morte e que máquinas capazes de tirar vidas sem envolvimento humano devem ser proibidas pelo direito internacional.
    O apelo desta terça (25) renova esse impulso com prazo definido, ressaltando que o trabalho meticuloso dos últimos anos deve agora levar à ação.
    “Exortamos os Estados a aproveitarem este momento”, afirmaram os líderes.
    “A inovação deve servir à humanidade – e não colocá-la em risco.”
    Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português e assista à gravação da coletiva de imprensa realizada na sede europeia das Nações Unidas em Genebra.
    NOTA A EDITORES
    Íntegra do apelo conjunto das Nações Unidas e da Cruz Vermelha (25 de agosto de 2026):
    Há três anos, pedimos aos Estados que estabelecessem proibições e restrições específicas aos sistemas de armas autônomas. Hoje, reiteramos esse pedido com uma urgência ainda maior. As preocupações básicas continuam inalteradas, mas os riscos se intensificaram. Estamos agora perigosamente perto de cruzar um limite moral: a autonomia das máquinas para determinar que seres humanos sejam alvos.
    O desenvolvimento da tecnologia bélica avançou a uma velocidade recorde, o que aumenta a pressão sobre os marcos jurídicos. Desde nosso pedido anterior, a lacuna entre a capacidade tecnológica e a restrição regulatória aumentou, porque as tecnologias avançadas que estão sendo empregadas no campo de batalha ampliam o risco de prejudicar populações e infraestruturas civis e de agravar o sofrimento das pessoas em conflitos armados.
    O desenvolvimento e o uso de sistemas de armas autônomas representam uma nova escalada, porque reduzem o controle humano sobre o uso da força. Os sistemas de armas autônomas não fazem parte de um futuro distante: a corrida rumo a uma maior autonomia nos sistemas de armas já está ocorrendo. Ao mesmo tempo, os próprios cientistas e engenheiros que desenvolvem esses sistemas fizeram um alerta. Quando os próprios arquitetos dessa tecnologia exigem limites, os Estados não podem se dar ao luxo de permanecer passivos.
    Este ano deve marcar uma mudança.
    Os Estados estabeleceram bases importantes através da Assembleia Geral das Nações Unidas e do Grupo de Especialistas Governamentais no âmbito da Convenção sobre Certas Armas Convencionais. Houve um avanço significativo para uma compreensão comum do julgamento e do controle humanos requeridos e das medidas necessárias para garantir a conformidade com o Direito Internacional Humanitário, resolver as preocupações éticas e reduzir o sofrimento humano.
    Os Estados devem mostrar coragem política para ir além dos debates incrementais e tomar uma atitude decisiva. As negociações devem começar agora para adotar com urgência um instrumento juridicamente vinculante que regule os sistemas de armas autônomas com proibições e restrições claras. Não agir de forma rápida e decisiva custará vidas.
    As gerações futuras vão herdar um mundo em que a ausência de proibições e restrições claras e específicas a estas armas abre a porta a práticas que abalam as proteções que o Direito Internacional Humanitário pretende garantir. Um mundo onde a prestação de contas fica cada vez mais evasiva à medida que se torna mais difícil determinar a responsabilidade por erros e violações das normas aplicáveis.
    Os Estados têm uma responsabilidade para com aqueles que já sofrem as consequências dos conflitos armados atuais e para com aqueles que herdarão o mundo que está sendo moldado. As gerações futuras perguntarão se os líderes agiram quando ainda havia a chance de estabelecer limites, antes que a proliferação dessas armas saísse do controle. A Sétima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, que ocorrerá em novembro, oferece o caminho mais claro para que os Estados decidam negociar um instrumento juridicamente vinculante. O trabalho meticuloso realizado nos últimos três anos constitui a base ideal para essas negociações e não deve ser desperdiçado.
    Pedimos que os Estados aproveitem este momento.
    Continuar criando sistemas de armas que facilitem a guerra só prejudicará nossos esforços coletivos por um mundo mais pacífico.
    O caminho está livre. A necessidade é urgente. A inovação deve servir à humanidade, não a colocar em risco.
    Acesse a versão original em inglês na página das Nações Unidas em Genebra.

    Fonte: brasil.un.org

  • Irã Desafia Novas Sanções dos EUA em Crise Geopolítica com Impacto Global

    Irã Desafia Novas Sanções dos EUA em Crise Geopolítica com Impacto Global

    Em um cenário de crescente tensão geopolítica, o Irã prometeu resistir firmemente à mais recente rodada de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos na última segunda-feira (24). As medidas, que visam isolar Teerã, vêm acompanhadas de sinais de que Washington estaria interessada em retomar negociações. Essa escalada, que já se arrasta por quase seis meses e envolve a mediação do Paquistão, tem implicações diretas para o cidadão comum, uma vez que a instabilidade no Oriente Médio e as restrições ao comércio global podem impactar diretamente os preços do petróleo e, consequentemente, o custo de vida em todo o mundo.

    Novas Sanções e a Resposta Iraniana

    As novas sanções foram divulgadas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na última segunda-feira (24). Embora as medidas busquem isolar a economia iraniana, Bessent evitou impor as sanções mais severas. Ele afirmou que países que continuassem a negociar com o Irã corriam o risco de serem excluídos do sistema financeiro baseado no dólar, mas se recusou a fornecer um prazo ou identificar quais nações poderiam ser alvo, indicando que lhes seria concedido tempo para cumprir a nova diretriz.

    Do lado iraniano, a resposta foi de desafio. Abbas Golroo, chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, revelou que o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, entregou uma mensagem dos EUA ao Irã. “Ao que parece, o objetivo principal era retomar o processo político paralisado”, declarou Golroo, indicando uma possível abertura para o diálogo por parte de Washington.

    O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções contra 60 pessoas físicas, entidades e embarcações. Contudo, a lista notavelmente não incluía nenhuma das instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo do Irã. “Queremos deixar claro que ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA”, declarou Bessent ao ser questionado sobre a ausência de bancos chineses na lista.

    O Papel da China e as Negociações de Alto Nível

    A China tem sido a maior compradora de petróleo iraniano por vários anos, apesar do bloqueio dos portos iranianos pelos EUA, que reduziu o fluxo de petróleo para o país asiático desde sua renovação em meados de julho. Especialistas apontam que Washington teme uma retaliação chinesa por quaisquer sanções contra seus bancos, especialmente antes das negociações previstas para o próximo mês entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping. Restrições sobre exportações chinesas de minerais essenciais são consideradas particularmente delicadas nesse contexto.

    Nesta terça-feira, a China reafirmou sua posição, declarando que sua cooperação com o Irã é conduzida dentro da estrutura do direito internacional e não deve ser interferida nem interrompida.

    Impacto no Mercado de Petróleo e a Mediação Paquistanesa

    Apesar da escalada das sanções, os preços do petróleo caíram pelo segundo dia consecutivo, com operadores ignorando o impacto imediato das medidas. No entanto, os participantes do mercado permanecem cautelosos quanto à capacidade contínua do Irã de interromper o transporte marítimo em rotas estratégicas.

    A preocupação com a segurança marítima foi reforçada por um incidente recente. Um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado e ficou inoperante a cerca de 17 km a nordeste de Ash Shishah, em Omã, uma localidade estratégica na entrada do Estreito de Ormuz, conforme informou a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO).

    Antes do anúncio das últimas sanções, o Irã já havia ameaçado com uma possível resposta militar e uma redução ainda maior nas exportações de petróleo do Golfo, em retaliação a quaisquer medidas econômicas dos EUA.

    A crise atual é um desdobramento de um conflito que se intensificou após o fracasso de um acordo provisório assinado em junho entre Irã e Estados Unidos, que visava pôr fim à guerra iniciada em fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irã. Após o fracasso do acordo, o Irã retomou os ataques, que bloquearam a maior parte das exportações de energia do Golfo.

    O Paquistão, atuando como mediador, tem feito “progressos significativos” nas negociações mais recentes com Teerã. As conversas se concentraram em evitar uma nova escalada e na reabertura do Estreito de Ormuz, conforme informaram as Forças Armadas paquistanesas. “Tivemos uma troca de ideias muito construtiva”, afirmou o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, em sua rede social X, referindo-se à sua viagem a Teerã acompanhando Munir.

    Jornalista Responsável:

    Thiago Franco Martins — MTb nº 68.180/SP

    Redação Qnews | Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Lula e Erdogan combinam criação de conselho entre Brasil e Turquia

    Lula e Erdogan combinam criação de conselho entre Brasil e Turquia

    Em uma chamada telefônica nesta segunda-feira (24), o presidente da República brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, combinou com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, a criação de um Conselho Estratégico, em nível vice-presidencial, para aprofundar as relações entre os dois países.
    “O presidente Lula afirmou que o Brasil tenciona ampliar investimentos na área de defesa e expressou interesse em fomentar parcerias entre empresas brasileiras e turcas nesse setor”, informou, em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
    O Palácio do Planalto afirmou que foi acordado o envio à Turquia de delegação brasileira chefiada pelos ministros da Defesa, José Mucio Monteiro; e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para tratar do tema.
    “Ambos celebraram a recente ratificação, pelos Parlamentos dos dois países, do Acordo de Cooperação em Indústria de Defesa”, acrescentou a nota oficial do Planalto.
    Os presidentes Lula e Erdogan também discutiram os conflitos bélicos ao redor do mundo, lamentando as persistências das guerras em curso, “e enfatizaram a importância de intensificar o diálogo para encontrar caminhos para a paz na Ucrânia e no Oriente Médio”.
    O presidente turco ainda convidou o presidente Lula a participar da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), a ser realizada em Antália, cidade do Sul da Turquia, no mês de novembro. “Lula agradeceu e aceitou o convite, expressando expectativa de encontrá-lo em breve”, completou a nota.
    Turquia comenta
    Em comunicado, o governo turco afirmou ser um prazer ver o desenvolvimento das relações entre os dois países, destacando que esse aprofundamento bilateral beneficiará o Brasil e a Turquia, em especial, nas áreas de investimento, comércio e indústria de defesa.
    “O presidente Erdogan afirmou acreditar que os dois países poderiam implementar um modelo de cooperação econômica que aumentaria a prosperidade de seus povos, mesmo diante das tendências protecionistas”, afirmou o comunicado do governo da Turquia.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • América Latina, Caribe e FAO reforçam abastecimento contra inflação alimentar

    América Latina, Caribe e FAO reforçam abastecimento contra inflação alimentar

    24 agosto 2026
    Representantes de 16 países aprovaram ações conjuntas para enfrentar a inflação dos alimentos e combater a fome na região.
    Agenda da Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) prevê maior transparência nos preços, reservas estratégicas de alimentos e fortalecimento dos sistemas públicos de abastecimento.
    Países reforçaram o apoio às compras públicas da agricultura familiar, camponesa e indígena para ampliar o acesso a alimentos saudáveis.
    A região registrou avanços na redução da fome e da insegurança alimentar. Em 2025, cerca de 32 milhões de pessoas passaram fome, o equivalente a 4,8% da população regional. No entanto, o acesso econômico a uma dieta saudável continua sendo um dos maiores desafios. Em 2025, o custo médio de uma dieta saudável na América Latina e no Caribe chegou a US$ 4,91 por pessoa ao dia, o valor mais alto do mundo.
    Diante desse cenário e dos desafios climáticos, representantes de 16 países membros da Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) reafirmaram seu compromisso de fortalecer esses sistemas como ferramentas estratégicas para enfrentar a inflação dos alimentos, melhorar o funcionamento dos mercados de alimentos, a transparência dos preços, a geração de estoques e reservas estratégicas e o fortalecimento de programas voltados a garantir o acesso a alimentos saudáveis que contribuam diretamente para a população, especialmente para aquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade nas áreas rurais, urbanas e periurbanas. A essa iniciativa também se juntou a Comunidade do Caribe (CARICOM), que participou pela primeira vez desse espaço de integração regional.
    A XI Reunião da Rede SPAA foi organizada em Santo Domingo conjuntamente pela FAO e pelo Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), no âmbito do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO, e pelo Instituto de Estabilização de Preços (INESPRE) da República Dominicana. A FAO desempenha um importante papel como Secretaria Executiva da Rede há mais de uma década, coordenando seu funcionamento, prestando assistência e assessoria às instituições públicas dos países membros, além de facilitar a cooperação.
    No encontro, os países-membros trocaram experiências e analisaram os principais desafios da América Latina e do Caribe para garantir o acesso a alimentos saudáveis e a melhores preços em benefício dos consumidores, bem como para alcançar sistemas públicos de abastecimento cada vez mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis.
    Os membros da Rede aprovaram uma declaração que estabelece uma agenda de ações conjuntas, tendo entre as prioridades o fortalecimento das capacidades institucionais dos sistemas públicos de abastecimento; o desenvolvimento de mecanismos transparentes de gestão e estabilização de preços; a melhoria dos sistemas públicos de informação e inteligência de mercados; o estabelecimento de mecanismos de alerta precoce e reservas estratégicas de alimentos; e a ampliação dos programas de compras públicas de alimentos com a participação da agricultura familiar, camponesa e indígena, das mulheres e dos jovens rurais, das cooperativas e das associações de produtores.
    A XI Reunião foi inaugurada pelo presidente da República Dominicana, Luis Abinader, que destacou que combater a fome exige atuar simultaneamente sobre a produção, a geração de renda para os produtores, a proteção social e o abastecimento eficiente e inclusivo, aproximando produtores e consumidores. Além disso, afirmou que a fome não é combatida pelo trabalho de uma única instituição, mas que é necessário estabelecer uma estratégia de trabalho que reúna mais instituições em um esforço conjunto para a busca de soluções.
    O representante da FAO na República Dominicana, Rodrigo Castañeda, afirmou que “diante da crise climática, das tensões geopolíticas e da inflação dos alimentos, fortalecer os Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos é fundamental para construir sistemas alimentares resilientes e garantir um acesso mais equitativo e eficiente aos alimentos”.
    O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Eric Moura, afirmou: “Esperamos que a Rede SPAA se fortaleça como um espaço permanente de cooperação, aprendizagem mútua e construção de uma agenda regional duradoura de combate à fome e promoção da segurança alimentar e nutricional”.
    Panamá na presidência da Rede
    Durante a reunião, o Panamá, representado pelo Instituto de Mercado Agropecuário (IMA), foi escolhido para a presidência da Rede SPAA para o período 2026–2028. A instituição governamental tem como função implementar as políticas de comercialização, apoiando o produtor nacional na comercialização e no mercado de seus produtos, para o crescimento e desenvolvimento do setor agrário. A vice-presidência ficará a cargo do Uruguai, representado pelo Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP).
    Nilo Murillo Robles, diretor-geral do IMA, ressaltou que a integração entre os países para enfrentar problemas comuns, como a inflação dos alimentos e a fome, é fundamental para tornar as políticas públicas mais eficientes. Além disso, expressou seu compromisso e reconheceu a importância de assumir a presidência da Rede SPAA e o papel estratégico desse espaço regional, que atualmente conta com 19 países membros.
    Por outro lado, os países decidiram que o Panamá será a sede da XII Reunião da Rede, em 2027.
    SPAA: a conexão entre a produção local e o consumo
    Os Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (SPAA) desempenham um papel estratégico para assegurar uma oferta estável, melhorar a transparência dos mercados, reduzir as diferenças entre os preços na origem e os preços ao consumidor e aproximar alimentos saudáveis das populações rurais, das mulheres, dos povos indígenas, das comunidades afrodescendentes, dos pequenos produtores e das famílias de menor renda nas cidades.
    As compras públicas, os programas de alimentação escolar, os mercados públicos e populares, as feiras livres, as reservas estratégicas de alimentos básicos, as lojas e unidades móveis, os circuitos curtos de comercialização e a venda direta constituem ferramentas fundamentais para conectar a produção local ao consumo, direcionando as políticas públicas de alimentação. Quando esses instrumentos incorporam efetivamente a agricultura familiar, permitem melhorar a renda dos produtores, dinamizar as economias territoriais e locais, além de reduzir a intermediação desnecessária e facilitar o acesso da população a alimentos frescos, de melhor qualidade, saudáveis e culturalmente adequados.
    Contato para imprensa:
    – Palova Brito, Comunicação do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO: [email protected]

    Fonte: brasil.un.org

  • Irã anuncia descoberta de colossal reserva de gás natural em meio a tensões geopolíticas

    Irã anuncia descoberta de colossal reserva de gás natural em meio a tensões geopolíticas

    Em um movimento que pode redefinir seu futuro energético e aliviar a pressão das sanções internacionais, o Irã anunciou, neste último domingo (23), a descoberta de uma colossal reserva de gás natural. Mais de 212 bilhões de metros cúbicos do combustível fóssil foram encontrados em um campo localizado no sul da província de Fars. A revelação, feita pelo ministro do Petróleo iraniano, Mohsen Paknejad, pode ter um impacto profundo na economia do país e reverberar no cenário energético global, influenciando a geopolítica e, indiretamente, os custos de energia para o cidadão comum em todo o mundo.

    A descoberta representa um volume impressionante de 7,5 trilhões de pés cúbicos, com estimativas de que cerca de 5,7 bilhões de pés cúbicos possam ser efetivamente extraídos, considerando a taxa de recuperação projetada. Paknejad destacou que o gás recém-descoberto é do tipo “doce”, uma característica que promete reduzir significativamente tanto os custos de desenvolvimento quanto os de operação, tornando a exploração mais eficiente e economicamente viável.

    Contexto de Sanções e Produção

    A notícia chega em um momento crucial para Teerã. O país tem se dedicado a reparar sua infraestrutura energética, que sofreu danos consideráveis durante conflitos passados. Além disso, o Irã enfrenta um cenário de sanções econômicas impostas pelo governo norte-americano, que ameaçam sobrecarregar ainda mais sua economia já fragilizada.

    Historicamente, a produção iraniana de gás atingiu cerca de 650 milhões de metros cúbicos por dia antes de períodos de guerra, o que equivaleria a aproximadamente 8,4 trilhões de pés cúbicos por ano. Contudo, a capacidade de produção foi drasticamente afetada. Em julho, uma alta autoridade do governo iraniano expressou otimismo, afirmando que o país esperava restaurar cerca de 100 milhões de metros cúbicos por dia de capacidade de produção de gás natural “nos próximos meses”.

    Essa expectativa surge após greves e instabilidades que reduziram a produção em cerca de 230 milhões de metros cúbicos por dia desde o início de um conflito no final de fevereiro. A nova reserva de gás, portanto, oferece um fôlego estratégico para o Irã, que busca reafirmar sua posição como um dos principais players no mercado global de energia, apesar das pressões externas e dos desafios internos.

  • Lula e Edorgan combinam criação de conselho entre Brasil e Turquia

    Lula e Edorgan combinam criação de conselho entre Brasil e Turquia

    Em uma chamada telefônica nesta segunda-feira (24), o presidente da República brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, combinou, com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, a criação de um Conselho Estratégico, em nível vice-presidencial, para aprofundar as relações entre os dois países.
    “O Presidente Lula afirmou que o Brasil tenciona ampliar investimentos na área de defesa e expressou interesse em fomentar parcerias entre empresas brasileiras e turcas nesse setor”, informou, em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
    O Palácio do Planalto afirmou que foi acordado o envio à Turquia de delegação brasileira chefiada pelos ministros da Defesa, José Mucio Monteiro; e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para tratar do tema.
    “Ambos celebraram a recente ratificação, pelos Parlamentos dos dois países, do Acordo de Cooperação em Indústria de Defesa”, acrescentou a nota oficial do Planalto.
    Os presidentes Lula e Erdogan também discutiram os conflitos bélicos ao redor do mundo, lamentando a persistências das guerras em curso, “e enfatizaram a importância de intensificar o diálogo para encontrar caminhos para a paz na Ucrânia e no Oriente Médio”.
    O presidente turco ainda convidou o presidente Lula a participar da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), a ser realizada em Antália, cidade do Sul da Turquia, no mês de novembro. “Lula agradeceu e aceitou o convite, expressando expectativa de encontrá-lo em breve”, completou a nota.
    Turquia comenta
    Em comunicado, o governo turco afirmou ser um prazer ver o desenvolvimento das relações entre os dois países, destacando que esse aprofundamento bilateral beneficiará o Brasil e a Turquia, em especial, nas áreas de investimento, comércio e indústria de defesa.
    “O presidente Erdoğan afirmou acreditar que os dois países poderiam implementar um modelo de cooperação econômica que aumentaria a prosperidade de seus povos, mesmo diante das tendências protecionistas”, afirmou o comunicado do governo da Turquia.

    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Japão é atingido por terremoto que deixa ao menos dez pessoas feridas

    Japão é atingido por terremoto que deixa ao menos dez pessoas feridas

    Um forte terremoto atingiu o Japão na madrugada de domingo (23), com epicentro ao norte de Tóquio, de acordo com a NHK, organização de mídia pública do Japão. A agência informa ainda que o tremor teria deixado ao menos dez pessoas feridas. 

    Segundo a Agência de Meteorologia do Japão (JMA), não há ameaça de tsunami. O terremoto de magnitude 5,9 teve seu epicentro no sul da província de Ibaraki.

    O tremor, conforme a NHK, teve intensidade de 5 fraco na escala japonesa de 0 a 7 nas províncias de Ibaraki, Saitama e Chiba, bem como na capital Tóquio, com foco estimado a 68 quilômetros de profundidade.  

    A JMA informou que, durante o terremoto, foram registradas ondas sísmicas que poderiam causar oscilações em prédios altos na região de Tóquio.  

    Operadores da usina nuclear Tokai No.2 na província de Ibaraki, e da usina nuclear de Fukushima 1, declararam que não há relatos de anomalias em suas instalações. Eles informam que os níveis de radiação ao redor das usinas permanecem inalterados.

    *Com informações da NHK 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Naufrágio na Tunísia deixa 13 migrantes desaparecidos em rota para a Europa

    Naufrágio na Tunísia deixa 13 migrantes desaparecidos em rota para a Europa

    Uma nova e devastadora tragédia abalou as águas do Mediterrâneo na última quinta-feira (20), quando um barco de migrantes tunisianos naufragou na costa da Tunísia. O incidente, que deixou pelo menos 13 pessoas desaparecidas, incluindo jovens e uma gestante, lança luz sobre o drama vivido por milhares de cidadãos comuns que arriscam suas vidas em busca de esperança na Europa, transformando sonhos em pesadelo nas traiçoeiras rotas marítimas.

    A embarcação, que partiu na madrugada de quinta-feira, transportava principalmente jovens, entre eles sete membros da mesma família, além de um homem e sua esposa grávida. A informação foi confirmada por Mostafa Abdelkebir, diretor do Observatório Tunisiano dos Direitos Humanos, uma organização que monitora de perto as complexas questões migratórias na região.

    A rota do Mediterrâneo Central, que se estende a partir das costas do Norte da África, é tristemente reconhecida como uma das mais letais do mundo. Milhares de migrantes da África e do Oriente Médio arriscam anualmente suas vidas, embarcando em viagens perigosas a bordo de embarcações frequentemente superlotadas e impróprias para navegação, em uma tentativa desesperada de alcançar o continente europeu.

    Entre os dois sobreviventes resgatados, um relatou às equipes de salvamento que a embarcação virou, deixando-os à deriva por horas no mar. O segundo indivíduo, por sua vez, foi encontrado em estado crítico, conforme detalhado por Abdelkebir.

    Em resposta à emergência, unidades da Guarda Costeira tunisiana, com o apoio de uma aeronave e outras unidades navais, iniciaram imediatamente operações de busca pelos migrantes desaparecidos, informou o porta-voz da Guarda Nacional, Houssem Eddine Jebabli.

    Embora quatro corpos tenham sido recuperados na região, Abdelkebir ressaltou que, até o momento, não foi possível confirmar se pertenciam aos passageiros da mesma embarcação naufragada, aumentando a angústia em torno da tragédia.

    A Repressão Migratória e o Acordo com a União Europeia

    Historicamente, a Tunísia tem sido um ponto de partida crucial para migrantes que tentam a perigosa travessia do Mediterrâneo. Contudo, nos últimos dois anos, observou-se uma drástica redução nas partidas, impulsionada por uma repressão mais intensa e controles marítimos mais rigorosos. Essas medidas são resultado de um financiamento significativo e do fornecimento de equipamentos modernos de monitoramento de fronteiras por parte da União Europeia (UE), especialmente da Itália.

    Essa política, no entanto, tem sido alvo de fortes críticas por parte de organizações internacionais. Entidades de direitos humanos de renome, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, juntamente com dezenas de outras, emitiram um comunicado no mês passado. Nele, afirmaram categoricamente que o acordo de migração entre a UE e a Tunísia tem “incentivado e normalizado graves abusos” contra migrantes e requerentes de asilo no país norte-africano.

    As organizações instaram veementemente a União Europeia a suspender o financiamento destinado a atividades relacionadas à migração e ao controle de fronteiras que envolvam as forças de segurança tunisianas, diante das crescentes denúncias de violações dos direitos humanos.

    Até o momento, a Tunísia não se pronunciou oficialmente sobre a declaração conjunta das ONGs. Contudo, o país tem reiterado que arca com o “peso” de um grande fluxo migratório. Em 2023, o presidente Kais Saied chegou a afirmar que o influxo tinha como objetivo “alterar a composição demográfica do país”, uma declaração que gerou ampla controvérsia e preocupação internacional.