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  • Prefeitura de Juiz de Fora e ONU-Habitat promovem participação de crianças no planejamento de espaços públicos

    Prefeitura de Juiz de Fora e ONU-Habitat promovem participação de crianças no planejamento de espaços públicos

    Caminhos mais acessíveis, ruas mais seguras, áreas verdes, espaços para brincar e mais lugares de convivência. Esses foram alguns dos desejos apresentados por 60 crianças da rede municipal de ensino de Juiz de Fora, que participaram, entre os dias 1º e 3 de setembro, das Oficinas de Desenho de Espaços Públicos, realizadas no âmbito do projeto Tecendo a Cidade – Planejando com Viés Participativo.

    A iniciativa é desenvolvida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (SEDUPP), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). As atividades reuniram estudantes do 4º e 6º ano, de 9 a 12 anos, das escolas municipais Georg Rodenbach, no bairro Grama; Áurea Bicalho, no bairro Linhares; e Antônio Carlos Fagundes, no bairro Francisco Bernardino.

    O objetivo da proposta foi compreender, a partir da perspectiva das crianças, os desafios encontrados nos espaços públicos e nos trajetos próximos às escolas dos territórios onde vivem, considerando também suas percepções sobre os espaços urbanos em diferentes escalas, do entorno imediato e dos caminhos cotidianos à cidade como um todo, bem como as mudanças que gostariam de ver nesses espaços. O material produzido durante as oficinas será sistematizado pelas equipes do ONU-Habitat e da Prefeitura de Juiz de Fora e servirá de subsídio para a elaboração de propostas preliminares de novos espaços públicos. 

    “A parceria com o ONU-Habitat é muito importante porque nos permite acessar metodologias e experiências que dialogam com aquilo que acreditamos e buscamos construir na Secretaria: uma cidade planejada com participação popular. E, quando falamos em participação, precisamos ampliar essa escuta e aprender também a ouvir as crianças”, destaca a Secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular de Juiz de Fora, Cidinha Louzada. 

    Arquitetas e arquitetos por um dia

    A oficina de Desenho de Espaços Públicos convida as crianças a olhar para a cidade a partir de suas próprias experiências e a pensar em soluções para os espaços que fazem parte de seu cotidiano. Para isso, o ONU-Habitat utiliza diferentes ferramentas participativas, como caminhadas exploratórias virtuais, mapeamento afetivo dos bairros, um jogo de cartas com soluções urbanas e a construção de maquetes. As atividades estimulam os estudantes a observar os lugares que frequentam, identificar situações que gostariam de transformar e imaginar como esses espaços poderiam ser mais seguros, acessíveis, acolhedores e adequados às necessidades de diferentes pessoas.

    Na dinâmica do “baralho de soluções urbanas”, os estudantes foram divididos em grupos temáticos — Mobilidade, Identidade, Segurança, Instalações, Brincar e Natureza — e escolheram cartas com diferentes possibilidades de intervenção nos espaços públicos. Além de selecionar as soluções, as crianças foram convidadas a explicar por que aquelas mudanças seriam importantes para os lugares onde vivem.

    Ao pensar a cidade, as crianças também foram estimuladas a olhar para aspectos que vão além da infraestrutura, considerando elementos relacionados à cultura, ao conforto e ao cuidado com o ambiente. A estudante do 6º ano da Escola Municipal Georg Rodenbach Maria Eduarda Santos de Oliveira destacou a importância de valorizar a identidade dos territórios, criar espaços de convivência mais agradáveis e ampliar as possibilidades de descarte adequado de resíduos.

    As oficinas contaram com 60 alunos de 9 a 12 anos e as maquetes produzidas com melhorias de espaços públicos serão transformadas em projetos preliminares.
    Legenda: As oficinas contaram com 60 alunos de 9 a 12 anos e as maquetes produzidas com melhorias de espaços públicos serão transformadas em projetos preliminares.
    Foto: © Amanda Andrade/ONU-Habitat Brasil

    “No jogo, eu pensei em colocar mais artes nas ruas para representar a nossa cultura e as nossas histórias. Também gostei de pensar em praças com mais lugares tranquilos e árvores que façam sombra, deem abrigo e ajudem a refrescar. Faz muito calor e temos muita poluição por causa do lixo na praça. Por isso, acho que precisamos de mais lixeiras para separar papel, materiais orgânicos e plástico e deixar a cidade melhor.”

    Arthur de Almeida Guedes, estudante do 6º ano da Escola Municipal Georg Rodenbach, participou do grupo Mobilidade e escolheu calçadas largas, sinalização nas ruas e rampas de acesso. “Escolhi calçadas largas porque aqui perto da escola as calçadas são muito pequenas e são difíceis de passar. Também escolhi rampas de acesso, para pessoas com deficiência passarem”.

    Em outra dinâmica, os estudantes foram convidados a imaginar quais mudanças gostariam de ver na cidade. Helena Lopes da Silva Alves, estudante do 6º ano da Escola Municipal Áurea Bicalho, destacou a criação de mais parquinhos e a melhoria da estrutura dos espaços.

    “Se eu fosse arquiteta da cidade, eu melhoraria a estrutura e faria mais parquinhos para as crianças. Também colocaria mais árvores, faria mais abrigos para animais e para as pessoas e melhoraria tudo.”

    O mapeamento afetivo ampliou essa reflexão a partir da relação das crianças com os territórios onde vivem. Os estudantes registraram lugares de que gostam, espaços que frequentam e situações que consideram importantes, além de identificar pontos que poderiam ser melhorados. A atividade também contemplou os trajetos percorridos a pé entre suas casas, os pontos de ônibus e as escolas. Ao percorrer esses caminhos, as crianças foram estimuladas a observar aspectos como segurança, iluminação, limpeza, conservação das ruas, acessibilidade e condições de circulação.

    Pedro Leonardo Martins de Souza, estudante do 6º ano da Escola Municipal Áurea Bicalho, destacou a segurança nos trajetos até a escola.“Se eu fosse o arquiteto da cidade por um dia, eu mudaria muitas coisas na segurança. A minha mãe não me deixa ir para a escola sozinho porque a rua é muito movimentada e tem muitos acidentes. Então, seria muito bom ter mais sinalização e faixas de pedestres.”

    Na etapa final, as ideias deixaram o papel e ganharam forma nas maquetes. Com os elementos construídos, os estudantes puderam representar as transformações que gostariam de ver nos espaços públicos de seus bairros, materializando propostas pensadas a partir de suas próprias experiências.

    Ao final das oficinas, as crianças receberam a medalha e o certificado Talento da Cidade, como reconhecimento pela participação e pelos esforços criativos dedicados a imaginar uma Juiz de Fora melhor para todas as pessoas.

    Próximos passos

    As ideias e propostas construídas pelas crianças ao longo das oficinas passam, agora, a integrar as próximas etapas do projeto. O material produzido será sistematizado pelas equipes do ONU-Habitat e da Prefeitura de Juiz de Fora, contribuindo para o desenvolvimento de propostas preliminares para os espaços públicos e para a construção de um caderno metodológico que reúna os aprendizados da experiência e apoie sua aplicação em outros territórios.

    “Há cerca de dois anos, a SEDUPP vem realizando pesquisas, levantamentos e análises sobre as características que podem tornar os bairros mais adequados para as crianças. Por isso, a parceria com o ONU-Habitat representa uma oportunidade de aprofundar esse trabalho a partir da escuta direta de meninas e meninos. As informações produzidas nas oficinas vão nos ajudar a compreender como as crianças percebem e vivenciam a cidade, em diferentes escalas e a partir da sua escala humana, e a incorporar essa perspectiva ao planejamento urbano, subsidiando a elaboração de espaços públicos mais inclusivos, acessíveis e adequados para elas”, explica Julia Daibert, coordenadora do Departamento de Intervenções Urbanas da SEDUPP e da iniciativa Tecendo a Cidade pela Prefeitura de Juiz de Fora.

    A metodologia utilizada em Juiz de Fora integra uma experiência que vem sendo desenvolvida pelo ONU-Habitat em diferentes cidades do Brasil e da América do Sul. Em Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina), estudantes participaram de oficinas que resultaram em anteprojetos arquitetônicos para praças próximas às escolas. Em São Gonçalo (RJ), as contribuições de cerca de 30 crianças da comunidade da Ipuca subsidiaram uma proposta de projeto arquitetônico desenvolvida com a Prefeitura de São Gonçalo.

    “Cada cidade onde essa metodologia foi aplicada contribuiu para seu aprimoramento. Agora, em Juiz de Fora, teremos a oportunidade de incorporar novos aprendizados a essa experiência e sistematizar esse processo em um caderno metodológico para apoiar sua replicação em outros territórios. Esse é um dos grandes valores da cooperação: transformar experiências locais em conhecimento que possa ser adaptado e aplicado em diferentes contextos”, afirma Natália Oliveira, coordenadora de programas do ONU-Habitat.

    Tecendo a cidade: planejando com um viés participativo 

    O “Tecendo a cidade” integra as ações de cooperação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e o ONU-Habitat voltadas ao fortalecimento do planejamento urbano sustentável, à promoção da participação social e à construção de cidades mais inclusivas, seguras e resilientes.

    As ações da iniciativa contribuem para a implementação local da Agenda 2030 e da Nova Agenda Urbana, com destaque para os ODS 5, de Igualdade de Gênero, e 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis.

    Contato para imprensa: 

    Fonte: brasil.un.org

  • Prefeitura de Juiz de Fora e ONU-Habitat promovem participação de crianças no planejamento de espaços públicos

    Prefeitura de Juiz de Fora e ONU-Habitat promovem participação de crianças no planejamento de espaços públicos

    Caminhos mais acessíveis, ruas mais seguras, áreas verdes, espaços para brincar e mais lugares de convivência. Esses foram alguns dos desejos apresentados por 60 crianças da rede municipal de ensino de Juiz de Fora, que participaram, entre os dias 1º e 3 de setembro, das Oficinas de Desenho de Espaços Públicos, realizadas no âmbito do projeto Tecendo a Cidade – Planejando com Viés Participativo.

    A iniciativa é desenvolvida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (SEDUPP), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). As atividades reuniram estudantes do 4º e 6º ano, de 9 a 12 anos, das escolas municipais Georg Rodenbach, no bairro Grama; Áurea Bicalho, no bairro Linhares; e Antônio Carlos Fagundes, no bairro Francisco Bernardino.

    O objetivo da proposta foi compreender, a partir da perspectiva das crianças, os desafios encontrados nos espaços públicos e nos trajetos próximos às escolas dos territórios onde vivem, considerando também suas percepções sobre os espaços urbanos em diferentes escalas, do entorno imediato e dos caminhos cotidianos à cidade como um todo, bem como as mudanças que gostariam de ver nesses espaços. O material produzido durante as oficinas será sistematizado pelas equipes do ONU-Habitat e da Prefeitura de Juiz de Fora e servirá de subsídio para a elaboração de propostas preliminares de novos espaços públicos. 

    “A parceria com o ONU-Habitat é muito importante porque nos permite acessar metodologias e experiências que dialogam com aquilo que acreditamos e buscamos construir na Secretaria: uma cidade planejada com participação popular. E, quando falamos em participação, precisamos ampliar essa escuta e aprender também a ouvir as crianças”, destaca a Secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular de Juiz de Fora, Cidinha Louzada. 

    Arquitetas e arquitetos por um dia

    Estudantes trabalharam com ferramentas como mapeamento afetivo do bairro e do entorno das escolas de três territórios: Linhares, Francisco Bernardino e Grama, em Juiz de Fora (MG).
    Legenda: Estudantes trabalharam com ferramentas como mapeamento afetivo do bairro e do entorno das escolas de três territórios: Linhares, Francisco Bernardino e Grama, em Juiz de Fora (MG).
    Foto: © Amanda Andrade/ONU-Habitat Brasil

    A oficina de Desenho de Espaços Públicos convida as crianças a olhar para a cidade a partir de suas próprias experiências e a pensar em soluções para os espaços que fazem parte de seu cotidiano. Para isso, o ONU-Habitat utiliza diferentes ferramentas participativas, como caminhadas exploratórias virtuais, mapeamento afetivo dos bairros, um jogo de cartas com soluções urbanas e a construção de maquetes. As atividades estimulam os estudantes a observar os lugares que frequentam, identificar situações que gostariam de transformar e imaginar como esses espaços poderiam ser mais seguros, acessíveis, acolhedores e adequados às necessidades de diferentes pessoas.

    Na dinâmica do “baralho de soluções urbanas”, os estudantes foram divididos em grupos temáticos — Mobilidade, Identidade, Segurança, Instalações, Brincar e Natureza — e escolheram cartas com diferentes possibilidades de intervenção nos espaços públicos. Além de selecionar as soluções, as crianças foram convidadas a explicar por que aquelas mudanças seriam importantes para os lugares onde vivem.

    Ao pensar a cidade, as crianças também foram estimuladas a olhar para aspectos que vão além da infraestrutura, considerando elementos relacionados à cultura, ao conforto e ao cuidado com o ambiente. A estudante do 6º ano da Escola Municipal Georg Rodenbach Maria Eduarda Santos de Oliveira destacou a importância de valorizar a identidade dos territórios, criar espaços de convivência mais agradáveis e ampliar as possibilidades de descarte adequado de resíduos.

    As oficinas contaram com 60 alunos de 9 a 12 anos e as maquetes produzidas com melhorias de espaços públicos serão transformadas em projetos preliminares.
    Legenda: As oficinas contaram com 60 alunos de 9 a 12 anos e as maquetes produzidas com melhorias de espaços públicos serão transformadas em projetos preliminares.
    Foto: © Amanda Andrade/ONU-Habitat Brasil

    “No jogo, eu pensei em colocar mais artes nas ruas para representar a nossa cultura e as nossas histórias. Também gostei de pensar em praças com mais lugares tranquilos e árvores que façam sombra, deem abrigo e ajudem a refrescar. Faz muito calor e temos muita poluição por causa do lixo na praça. Por isso, acho que precisamos de mais lixeiras para separar papel, materiais orgânicos e plástico e deixar a cidade melhor.”

    Arthur de Almeida Guedes, estudante do 6º ano da Escola Municipal Georg Rodenbach, participou do grupo Mobilidade e escolheu calçadas largas, sinalização nas ruas e rampas de acesso. “Escolhi calçadas largas porque aqui perto da escola as calçadas são muito pequenas e são difíceis de passar. Também escolhi rampas de acesso, para pessoas com deficiência passarem”.

    Em outra dinâmica, os estudantes foram convidados a imaginar quais mudanças gostariam de ver na cidade. Helena Lopes da Silva Alves, estudante do 6º ano da Escola Municipal Áurea Bicalho, destacou a criação de mais parquinhos e a melhoria da estrutura dos espaços.

    “Se eu fosse arquiteta da cidade, eu melhoraria a estrutura e faria mais parquinhos para as crianças. Também colocaria mais árvores, faria mais abrigos para animais e para as pessoas e melhoraria tudo.”

    O mapeamento afetivo ampliou essa reflexão a partir da relação das crianças com os territórios onde vivem. Os estudantes registraram lugares de que gostam, espaços que frequentam e situações que consideram importantes, além de identificar pontos que poderiam ser melhorados. A atividade também contemplou os trajetos percorridos a pé entre suas casas, os pontos de ônibus e as escolas. Ao percorrer esses caminhos, as crianças foram estimuladas a observar aspectos como segurança, iluminação, limpeza, conservação das ruas, acessibilidade e condições de circulação.

    Pedro Leonardo Martins de Souza, estudante do 6º ano da Escola Municipal Áurea Bicalho, destacou a segurança nos trajetos até a escola.“Se eu fosse o arquiteto da cidade por um dia, eu mudaria muitas coisas na segurança. A minha mãe não me deixa ir para a escola sozinho porque a rua é muito movimentada e tem muitos acidentes. Então, seria muito bom ter mais sinalização e faixas de pedestres.”

    Na etapa final, as ideias deixaram o papel e ganharam forma nas maquetes. Com os elementos construídos, os estudantes puderam representar as transformações que gostariam de ver nos espaços públicos de seus bairros, materializando propostas pensadas a partir de suas próprias experiências.

    Ao final das oficinas, as crianças receberam a medalha e o certificado Talento da Cidade, como reconhecimento pela participação e pelos esforços criativos dedicados a imaginar uma Juiz de Fora melhor para todas as pessoas.

    Próximos passos

    As ideias e propostas construídas pelas crianças ao longo das oficinas passam, agora, a integrar as próximas etapas do projeto. O material produzido será sistematizado pelas equipes do ONU-Habitat e da Prefeitura de Juiz de Fora, contribuindo para o desenvolvimento de propostas preliminares para os espaços públicos e para a construção de um caderno metodológico que reúna os aprendizados da experiência e apoie sua aplicação em outros territórios.

    “Há cerca de dois anos, a SEDUPP vem realizando pesquisas, levantamentos e análises sobre as características que podem tornar os bairros mais adequados para as crianças. Por isso, a parceria com o ONU-Habitat representa uma oportunidade de aprofundar esse trabalho a partir da escuta direta de meninas e meninos. As informações produzidas nas oficinas vão nos ajudar a compreender como as crianças percebem e vivenciam a cidade, em diferentes escalas e a partir da sua escala humana, e a incorporar essa perspectiva ao planejamento urbano, subsidiando a elaboração de espaços públicos mais inclusivos, acessíveis e adequados para elas”, explica Julia Daibert, coordenadora do Departamento de Intervenções Urbanas da SEDUPP e da iniciativa Tecendo a Cidade pela Prefeitura de Juiz de Fora.

    A metodologia utilizada em Juiz de Fora integra uma experiência que vem sendo desenvolvida pelo ONU-Habitat em diferentes cidades do Brasil e da América do Sul. Em Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina), estudantes participaram de oficinas que resultaram em anteprojetos arquitetônicos para praças próximas às escolas. Em São Gonçalo (RJ), as contribuições de cerca de 30 crianças da comunidade da Ipuca subsidiaram uma proposta de projeto arquitetônico desenvolvida com a Prefeitura de São Gonçalo.

    “Cada cidade onde essa metodologia foi aplicada contribuiu para seu aprimoramento. Agora, em Juiz de Fora, teremos a oportunidade de incorporar novos aprendizados a essa experiência e sistematizar esse processo em um caderno metodológico para apoiar sua replicação em outros territórios. Esse é um dos grandes valores da cooperação: transformar experiências locais em conhecimento que possa ser adaptado e aplicado em diferentes contextos”, afirma Natália Oliveira, coordenadora de programas do ONU-Habitat.

    Tecendo a cidade: planejando com um viés participativo 

    O “Tecendo a cidade” integra as ações de cooperação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e o ONU-Habitat voltadas ao fortalecimento do planejamento urbano sustentável, à promoção da participação social e à construção de cidades mais inclusivas, seguras e resilientes.

    As ações da iniciativa contribuem para a implementação local da Agenda 2030 e da Nova Agenda Urbana, com destaque para os ODS 5, de Igualdade de Gênero, e 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis.

    Contato para imprensa: 

    Fonte: brasil.un.org

  • Redes de TV dos EUA suspendem cobertura de atos da Casa Branca

    Redes de TV dos EUA suspendem cobertura de atos da Casa Branca

    Medida ocorre depois de Trump vetar o acesso de veículos como a CNN

    As cadeias de televisão norte-americanas CBS, NBC, ABC e Fox News anunciaram que vão deixar de cobrir as atividades do presidente Donald Trump. A decisão se dá em apoio à emissora CNN, que foi vetada na sexta-feira (19) pelo governo da cobertura dos assuntos na Casa Branca.

    “A partir de hoje, a ‘pool’ televisiva [consórcio entre emissoras] não irá cobrir os eventos em que o presidente participe e que sejam da competência do ‘pool’”, indicou Bryan Boughton, representante da Fox e organizador deste grupo de canais, a quem cabe a responsabilidade de filmar o líder norte-americano ao longo do dia e de distribuir as imagens assim produzidas.

    Trata-se de uma iniciativa inédita desde o retorno ao poder do dirigente republicano, e surge na sequência da sua decisão de bloquear o acesso dos jornalistas da CNN, do canal MS NOW e do meio de comunicação online Politico.

    “É vital para o grande público receber informações corretas e independentes sobre o governo. Nenhuma administração deveria restringir o acesso de um órgão de comunicação social por este não estar de acordo com a sua cobertura”, indicaram os cinco canais em um comunicado.

    O objetivo do “pool” da Casa Branca é filmar o presidente norte-americano ao longo do dia e distribuir as imagens produzidas, segundo um princípio de rotatividade entre estes cinco canais, que são também concorrentes.

    Existe um sistema comparável para os jornalistas da imprensa escrita, as agências e os fotógrafos. Participar do “pool” garante um acesso privilegiado ao chefe de Estado e os meios de comunicação que dele fazem parte comprometem-se, em contrapartida, a compartilhar as imagens, declarações e observações recolhidas.

    Trump acusou hoje parte da imprensa de representar “uma ameaça à segurança nacional”, três dias depois de ter excluído da Casa Branca não só a CNN, como também o MS NOW e o Politico, que avançaram, de manhã, com processos judiciais.

    Numa mensagem na rede Truth Social, da qual é proprietário, Trump afirmou estar levando a cabo uma ofensiva contra as “notícias falsas” ao vetar a entrada na Casa Branca a jornalistas dos três meios de comunicação.

    “A Casa Branca não está atacando a liberdade de imprensa, algo que valorizo muito Está atacando um problema que se espalhou como um cancro nos nossos queridos Estados Unidos da América”, afirmou Trump. 

    Trump afirmou que o fenômeno “é algo corrupto, deliberado, generalizado, totalmente coordenado e que está fora de controle”.

    A CNN, a MS NOW e o Politico anunciaram nesta segunda-feira (21) uma ação judicial contra o governo de Trump por considerem que a medida “ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente, livre de interferências governamentais”.

    “De manhã, notificamos o governo de que vamos apresentar hoje uma ação judicial para proteger os nossos direitos amparados pela Primeira Emenda e defender o princípio de que o governo não decide o que a imprensa noticia ou publica”, afirmaram os três meios de comunicação social em declaração conjunta.

    “Sem aviso ou processo, a Casa Branca revogou as credenciais dos nossos jornalistas porque se opôs à nossa cobertura”, afirmaram os veículos de comunicação. “Se não for contestado, isto ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente e livre de interferência governamental”, acrescentaram.

    O anúncio representou uma nova escalada na ofensiva do chefe de Estado contra a imprensa, depois de, no início do seu mandato, ter restringido o acesso da agência Associated Press (AP) a alguns atos na Casa Branca por se recusar a usar o nome “golfo da América” utilizado por Trump para se referir ao golfo do México.          

    O confronto é um dos ataques de maior visibilidade da administração à imprensa até hoje, com implicações que vão muito além dos três veículos proibidos. Trump afirmou na passada sexta-feira, quando anunciou a proibição, que poderia acrescentar outros à lista.

    Vários especialistas na Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade fundamental de imprensa, entre outras, já classificaram amplamente a proibição como inconstitucional e condenaram-na como “abrupta, discriminatória e prejudicial” à capacidade dos meios de comunicação social para cobrir questões nacionais.

    É esperado que a ação judicial dos órgãos de comunicação social se baseie na justificativa vaga apresentada por Trump na sexta-feira para revogar o acesso, dizendo que não gostava de “notícias negativas”.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Nos EUA, Lula se reúne com prefeito de Nova York e presidente uruguaio

    Nos EUA, Lula se reúne com prefeito de Nova York e presidente uruguaio

    Lula está em Nova York para participar da 81º Assembleia Geral da ONU

    Antes da 81º Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que começa nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, nesta segunda-feira (21). Lula também deve se encontrar hoje com o senador Bernie Sanders, do estado de Vermont. Políticos democratas, Mamdani e Sanders  são opositores do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.

    Se classificando como “socialista democrata”, Zohran Mamdani é o primeiro muçulmano a virar prefeito de Nova York. Após o encontro, ambos falaram com a imprensa.

    O político democrata e Lula destacaram a importância de priorizar a população pobre na formulação de políticas públicas, discutiram a importância de defender a democracia, além de combater o extremismo político e a desinformação em todo o mundo.

    Questionado por Lula se Nova York também tinha problemas sociais, Mamdani disse que o custo de vida na cidade é muito elevado e citou a criação, durante sua gestão, dos supermercados populares.

    “Nós vivemos na cidade mais cara das Américas. A terceira cidade mais cara do mundo. E um em cada quatro nova-iorquinos vivem na pobreza”, disse Mandani, acrescentando que o presidente do Brasil é uma “inspiração” para ele.

    Lula criticou o fato de a Europa e o Japão terem aumentando os investimentos em armas e defesa militar, enquanto não teria sobrado “quase nada” para políticas de educação e de combate à fome.

    “Como ele [Mamdani] é uma pessoa muito jovem, que tem muitos anos [de] vida [pela frente], eu espero que ele esteja preparado para se transformar num grande soldado, para colocar fim ou diminuir a pobreza e a invisibilidade que vivem os pobres”, disse Lula a jornalistas.

    Presidente do Uruguai

    O presidente Lula ainda se reuniu, em Nova York, com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Ambos discutiram a necessidade de fortalecer o multilateralismo nas relações internacionais e a integração latino-americana.
     


    21/09/2026 - O presidente Lula durante encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em Nova York, no contexto da semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. Foto: @LulaOficial/ X
    O presidente Lula durante encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em Nova York – Foto: @LulaOficial/ X

    Lula informou que Orsi autorizou o Brasil a usar o excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China. Os dois presidentes discutiram também medidas de regulamentação das apostas online (bets).

    “O presidente Orsi e eu devemos nos encontrar novamente em breve, para avançar em projetos de integração transfronteiriça, em especial a construção da ponte binacional sobre o rio Jaguarão”, escreveu Lula em uma rede social.

    Em nota, o governo do Uruguai informou que foram discutidos temas como comércio, infraestrutura, intercâmbio cultural e desenvolvimento produtivo. “Os líderes enfatizaram a importância de fortalecer o multilateralismo e discutiram os próximos passos na agenda regional, particularmente no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e do Mercosul”, informou a Presidência do país vizinho.

    Matéria alterada às 19h17 para corrigir informação. No momento de publicação do texto, o presidente Lula ainda não havia se reunido com o senador Bernie Sanders, como informado na matéria. .


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Rússia relata ataques cibernéticos ao sistema eleitoral

    Rússia relata ataques cibernéticos ao sistema eleitoral

    Eleições parlamentares são disputadas este final de semana no país

    Autoridades russas relataram ataques a sistemas eleitorais e linhas de comunicação em todo o país no sábado, segundo dia das eleições parlamentares realizadas entre 18 e 20 de setembro. Moscou considera o pleito um teste ao apoio público à guerra na Ucrânia.

    Espera-se amplamente que as eleições para a Duma Estatal, as primeiras desde que a Rússia iniciou sua guerra em grande escala em fevereiro de 2022, resultem na manutenção do domínio do partido governista pró-Putin, o Rússia Unida, no sistema político rigidamente controlado da Rússia.

    A maioria dos candidatos antigerra foi excluída das cédulas antes do início da votação nos 11 fusos horários da Rússia, depois que a Suprema Corte decidiu, no mês passado, que o partido liberal Yabloko — que defende um cessar-fogo na Ucrânia — havia violado as regras eleitorais, o que o partido negou.

    Alguns candidatos do Yabloko, no entanto, ainda disputam assentos em distritos uninominais, que correspondem à metade das 450 cadeiras da câmara baixa do parlamento. Tradicionalmente, o partido registra intenções de voto na casa de um dígito.

    No sábado, as autoridades informaram que o sistema de votação online em Moscou havia sofrido um forte ataque durante a madrugada, mas afirmaram que a situação estava sob controle.

    Os ataques continuavam, segundo declaração da presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC), Ella Pamfilova, divulgada pela mídia estatal, mas todos estavam sendo repelidos com sucesso.

    O Ministério da Transformação Digital da Rússia informou ter registrado uma tentativa de sabotagem nas linhas de comunicação no Extremo Oriente do país, mas que o ataque havia sido frustrado e todas as comunicações haviam sido restauradas, segundo a mídia estatal.

    O presidente Vladimir Putin acusou anteriormente a Ucrânia de tentar interferir na votação, sem apresentar provas.

    (Reportagem da Reuters)


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições

    Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições

    Lula e Trump estarão juntos novamente na ONU, em Nova York, na terça

    A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório em que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento reservado alerta ainda para uma tendência de escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil.

    O relatório foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas neste sábado (19) pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    Segundo a publicação, a inteligência brasileira classifica a possibilidade de interferência externa com um “nível de criticidade” e contextualiza o problema dizendo que “a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina” é prioridade do segundo governo do presidente norte-americano Donald Trump. O objetivo é afastar “rivais dos EUA”, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região.

     A avaliação da Abin indica que houve intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil ao longo dos últimos meses. Além da ingerência nas eleições, o Brasil vem sendo alvo de medidas econômicas e políticas prejudiciais aos interesses nacionais. 

    Enquanto isso, o governo brasileiro busca manter as boas relações diplomáticas e comerciais. Apesar de criticar as ações do governo estadunidense, é comum ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer, em eventos e entrevistas, “eu me dou muito bem com o Trump”. 

    Entenda

    Tudo começou com a famosa “química” que teria brotado entre os dois durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025. Essa foi a exata definição do mandatário norte-americano após um breve encontro entre ambos, quando Lula deixava o palco e Trump se preparava para discursar.

    Mas essa aparente boa relação entre os dois não significa vida fácil para a diplomacia ou para a economia brasileira.

    Desde abril de 2025, o Brasil tem sido alvo de tarifas de exportação para produtos vendidos ao vizinho do Norte. Inicialmente, foram 10% aplicados a vários países. Naquele momento, o interesse puramente econômico dava o tom das medidas anunciadas.

    Dois meses depois, porém, o tom político passou a influenciar medidas econômicas do governo estadunidense. No dia 30 de julho, Donald Trump assinou uma Ordem Executiva (OE) que considerava o Brasil uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA”. E elevou o valor total da tarifa para 50%.

    Aumento das tarifas

    Entre as justificativas para o aumento da tarifa, destacava-se a atuação da Justiça brasileira ao limitar a atuação de redes sociais em território brasileiro. Entre essas redes sociais estavam a Rumble, rede social da Trump Media & Tecnology Group (TMTG), e o X, antigo Twitter, presidido por Elon Musk, aliado de Donald Trump.

    A restrição a determinadas redes sociais tinha relação com a incitação de discursos de ódio e atentados à democracia, de acordo com o Supremo Tribunal Federal.

    Outra justificativa para as tarifas passou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O governo dos Estados Unidos considerou a condenação uma perseguição política e intimidação a opositores do atual governo.

    Trump repetia a versão de Bolsonaro, que afirma ser perseguido no processo em que foi acusado de liderar a tentativa de golpe de Estado no Brasil. Na ocasião, Bolsonaro pressionou comandantes militares para suspender o resultado da eleição presidencial de outubro de 2022, quando perdeu para Lula.

    Lei Magnitsky

    Além das tarifas, o governo norte-americano foi além e aplicou a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator dos processos da trama golpista, bem como de sua esposa, a advogada Viviane Barci Moraes.

    Trata-se de uma lei local, mas que prevê o bloqueio de contas bancárias, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, a proibição de transações com empresas americanas que estão no Brasil, além do impedimento de entrada no país.

    Na ocasião, também foram alvo de cancelamento do visto de entrada nos EUA os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes.

    Em dezembro de 2025, Moraes e sua esposa tiveram os nomes retirados da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.

    O papel de Eduardo Bolsonaro

    Na ocasião, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, já havia ido para os Estados Unidos argumentando ser um perseguido político. Assim que a Lei Magnitsky foi aplicada, ele foi às redes sociais celebrar as medidas econômicas e legais contra o Brasil.

    Além disso, Eduardo afirmou ter atuado junto às autoridades americanas em prol desse resultado. Isso levou o parlamentar a ser denunciado por coação no curso do processo, já que incentivou os EUA a decretarem tarifas para pressionar a Justiça a não condenar seu pai.

    Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF em junho de 2026. Ele continua morando nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

    Queda nas tarifas

    Em fevereiro deste ano, porém, Donald Trump sofreu um revés em sua política tarifária. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente por Trump.

    A Corte decidiu que a imposição de tarifas feita pelo presidente interferiria nos poderes do Congresso do país e violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes. O governo dos EUA, então, teve que devolver bilhões de dólares arrecadados ilegalmente.

    Apesar da limitação legal, o governo dos Estados Unidos ainda lança mão de tarifas. Inclusive contra o Brasil. No dia 22 de julho, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 25%. A medida atingiu 19% das exportações brasileiras para o país norte-americano.

    A alegação do governo Trump, desta vez, se baseava em “adoção de práticas desleais” do Brasil na relação entre os dois países. Entre essas práticas, estariam o uso do PIX (sistema de pagamentos eletrônicos brasileiro), a regulação das redes sociais, o desmatamento ilegal e acordos preferenciais com México e Índia, entre outros.

    Dias depois, uma nova tarifa, de 12,5%, foi aplicada. O argumento foi de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na ocasião, o governo brasileiro afirmou que a tarifa foi “arbitrária e injustificada” e ressaltou o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

    Atualmente, parte dos produtos exportados para o país norte-americano podem ser tributados em até 37,5%.

    Organizações terroristas

    Em maio deste ano, os EUA anunciaram, em comunicado do Departamento de Estado, o desígnio das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

    O governo brasileiro tentou evitar essa designação por meses. Na avaliação do governo, isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou uma aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

    De acordo com especialistas, a classificação dessas facções como terroristas pode, na verdade, atenuar eventuais punições a quem comete crimes de narcotráfico, lavagem de dinheiro, extorsão, latrocínio e contrabando de armas e munições.

    Visto revogado

    Em 4 de agosto, os EUA anunciaram a revogação do visto da embaixadora do Brasil no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O país norte-americano justificou a medida pela demora do Brasil na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil.

    O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando serem falsas. Em nota divulgada à época, o Brasil afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil.

    Segundo o governo, o nome só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião.

    Lula e Trump

    Apesar de reafirmar seu bom relacionamento pessoal com Donald Trump, o presidente Lula não o poupa de críticas. Em junho, afirmou que Trump “fez uma coisa desaforada” ao sugerir novas tarifas contra o Brasil enquanto os dois países negociam.

    Isso não impede, no entanto, encontros ou conversas telefônicas entre os dois. Após o breve encontro na ONU, em setembro de 2025, os dois se encontrariam novamente no mês seguinte em Kuala Lumpur, na Malásia, onde ocorria a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

    Na ocasião, Trump se disse “honrado” por encontrar o presidente brasileiro. Mas nenhum acordo foi anunciado.

    O último encontro entre os dois ocorreu em maio deste ano, em Washington. No encontro, Lula procurou explicar que os Estados Unidos têm superávit na relação comercial com o Brasil e que não há “prática desleal” na relação comercial. Levou documentos e acertou com seu homólogo uma mesa de negociação entre as equipes dos dois governos.

    A reunião durou mais de três horas. Lula também expôs as medidas do Brasil contra o crime organizado, numa tentativa de evitar a designação de facções brasileiras como terroristas, o que ocorreria dias depois.

    Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.

    Além de encontros presenciais, os dois já conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A última dessas conversas, e a mais longa, com 1h20 de duração, ocorreu em agosto. A iniciativa partiu do presidente brasileiro e a ideia era retomar as negociações comerciais e discutir a contenção de conflitos internacionais.

    Ambos estarão juntos novamente na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima terça-feira (22). Lula, como presidente do Brasil, é responsável por abrir o Debate Geral, seguido do discurso do presidente dos Estados Unidos.

    Não há, entretanto, nenhum encontro bilateral marcado entre eles.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Michelle Bachelet desiste da disputa pelo comando da ONU

    Michelle Bachelet desiste da disputa pelo comando da ONU

    Ex-presidente chilena perdeu apoio na disputa pela cargo

    A ex-presidente chilena Michelle Bachelet anunciou no sábado (19) que está retirando sua candidatura ao cargo de próxima secretária-geral das Nações Unidas, encerrando uma campanha que vinha enfrentando dificuldades para ganhar apoio entre os membros do Conselho de Segurança.

    Bachelet, de 74 anos, anunciou sua decisão em um vídeo publicado no Instagram, dizendo: “Vou agora continuar, com a mesma determinação de sempre, meu trabalho internacional”.

    Duas vezes presidente do Chile e ex-chefe de direitos humanos da ONU, Bachelet havia baseado sua campanha na defesa do multilateralismo e do direito internacional, em um momento em que, segundo ela, ambos estão sob pressão constante.

    A desistência de Bachelet deixa sete candidatos na disputa para suceder o secretário-geral António Guterres, que concluirá seu segundo mandato de cinco anos em 31 de dezembro de 2026. Ainda é possível que mais candidatos entrem na disputa.

    Sua desistência ocorre apenas um dia depois que uma terceira sondagem informal, realizada na sexta-feira, mostrou que seu apoio havia praticamente desmoronado. A mesma sondagem colocou Rebeca Grynspan, da Costa Rica, na liderança.

    O Conselho de Segurança da ONU acabará por recomendar formalmente um único candidato à Assembleia Geral, composta por 193 membros, para a eleição. A aprovação da Assembleia é há muito vista como uma formalidade, uma vez que o Conselho chegue a um consenso.

    (Reportagem de Emma Farge, em Genebra, e Oliver Hirt, em Zurique)


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • China busca conexão e cooperação entre povos por meio dos grandes rios

    China busca conexão e cooperação entre povos por meio dos grandes rios

    Fórum em Chongqing reuniu especialistas de quase 20 países

    A China vem buscando conectar diferentes povos por meio da relação das populações com os grandes rios do planeta. O rio Yangtzé, espinha dorsal da economia chinesa, foi o ponto de encontro de convidados de países cortados por rios como o Amazonas, na América do Sul, o Nilo, na África, o Danúbio, na Europa, e o Mississippi, nos Estados Unidos. 

    Representado por pesquisadores e jornalistas, o Brasil teve lugar de destaque na 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado nesta semana em Chongqing, cidade do coração industrial da China, com seus 32 milhões de habitantes. 

    O evento é parte da estratégia do presidente Xi Jinping, lançada em março de 2023, da Iniciativa para a Civilização Global, que tem entre os objetivos promover “valores comuns” da humanidade por meio da cooperação entre os países.

    Com o tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”, o evento deste ano reuniu especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países, como Egito, Sérvia, Austrália, Reino Unido, México, Turquia e Coreia do Sul.


    China, 18/09/2026 - Abertura da 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado em Chongqing. Foto: CHONGQING DAILY/Divulgação
    Abertura da 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado em Chongqing. Foto: CHONGQING DAILY/Divulgação

    No evento em Chongqing, buscou-se ainda projetar a Rota Econômica do Rio Yangtzé, gigante afluente que corta a China com 6,3 mil quilômetros, sendo considerado, ao lado do rio Amarelo, um dos berços da civilização milenar chinesa e que conecta o interior do país ao porto de Xangai.

    Após mais de 33 horas de viagem de Brasília a Chongqing, a Agência Brasil acompanhou o Fórum deste ano, que contou com uma viagem de cruzeiro por cerca de 440 quilômetros pelo leito do rio Yangtzé, visitando templos e fortalezas com centenas ou milhares de anos de história, como a antiga fortaleza de Shibaozhai e o templo de Zhang Fei.

    Os estudiosos chineses argumentam que a origem do desenvolvimento humano em torno do Yangtzé tem sido deixada de lado na historiografia ocidental. Nos últimos anos, pesquisas arqueológicas locais vêm revelando que a agricultura do arroz na região data de quase 10 mil anos.

    “Durante muito tempo, o centro de gravidade do discurso da pesquisa sobre as civilizações dos grandes rios do mundo inclinou-se para a Mesopotâmia e o Nilo, formando paradigmas analíticos e estruturas disciplinares de estilo ocidental”, afirmou Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Conselho da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

    Presentes no encontro, especialistas egípcios compartilharam, entre outras experiências, o modelo de medição das águas do rio Nilo, uma forma de antecipar secas e enchentes. O professor da Faculdade de Arqueologia da Universidade de Luxor, no Egito, Alaa Hussein Mahmoud Menshawy, destacou a importância desse intercâmbio cultural.

    “Poluição, mudanças climáticas, crescimento populacional e transformações ambientais podem afetar os rios e as comunidades que dependem deles. Ao compartilhar conhecimentos e trabalhar em conjunto, os países podem aprender maneiras mais eficazes de proteger os rios e as populações que deles dependem”, disse.


    China, 18/09/2026 - Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Conselho da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS). Foto: Lucas Pordeus León/Agência Brasil
    Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Conselho da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS). Foto: Lucas Pordeus León/Agência Brasil

    Rio Yangtzé

    O desenvolvimento econômico chinês das últimas cinco décadas, que transformou o país de rural e pobre em uma potência industrial e tecnológica, trouxe diversos problemas ambientais ao rio Yangtzé, o maior da Ásia.

    Entre eles, destaca-se a extinção de uma das únicas três espécies de golfinhos de água doce do mundo, o golfinho Baiji, ou golfinho do rio Yangtzé, em 2006.

    O professor chinês Li Guoqiang reconheceu à Agência Brasil que a China, em busca do desenvolvimento econômico rápido, percorreu caminhos “tortuosos” que danificaram o equilíbrio ecológico do Yangtzé, mas destacou que isso teria mudado.

    “No processo de desenvolvimento contemporâneo, damos mais atenção ao ambiente ecológico porque temos uma concepção: a teoria das duas montanhas, que busca prioridade ecológica e desenvolvimento econômico”, disse.

    Entre as mudanças destacadas em relação ao rio, está a proibição da pesca profissional que já dura dez anos, além de projetos de recuperação do rio.

    Civilização ecológica

    O Estado chinês vem, ao longo dos últimos anos, incorporando às suas políticas a doutrina da civilização ecológica, que busca conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. Em 2012, o tema virou “prioridade nacional” e, em 2018, foi incluído na Constituição, virando uma política de Estado permanente.

    A professora brasileira especialista em biodiversidade Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), destacou no Fórum do Rio Yangtzé deste ano que a industrialização e a urbanização da China e navegação no Yangtzé prejudicaram a fauna do afluente.

    “De um modo geral, houve uma mudança do governo como um todo para se voltar mais à conservação e à restauração dos ambientes porque eles chegaram a um limite, ou começavam a cuidar rápido desse problema ou iriam perder tudo”, comentou à Agência Brasil.


    Brasília - 18/09/2026 - Economia da China. Foto: Agência Brasil
    Arte/Agência Brasil

    Rio Amazonas

    Como parte do esforço para conectar histórias entre os povos ligados a grandes rios, uma equipe da mídia estatal chinesa Centro Internacional de Comunicação do Oeste da China (WCICO) viajou ao Brasil para gravar um documentário, ainda a ser lançado, que busca contar histórias de povos ribeirinhos amazônicos e chineses, chamado “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”.  

    A produtora do documentário, Vivian Yan, disse à Agência Brasil que a diversidade de pessoas e comunidades no Amazonas chamou sua atenção. 

    “Conhecê-las me fez perceber que o Rio Amazonas é muito mais vibrante e multifacetado do que aquilo que eu havia visto na televisão. Me mostrou o quão estreitamente o cotidiano delas está ligado ao rio e ao meio ambiente ao redor”, relata a diretora da Bridging News, que controla o WCICO.

    A professora Vera Maria disse à Agência Brasil esperar que o Brasil possa aprender com a experiência chinesa para evitar erros e minimizar impactos ambientais na exploração econômica da região amazônica.

    “Não adianta trazer o modelo econômico de Minas, de Goiás ou de São Paulo para a Amazônia porque não vai funcionar. Espero que a gente não chegue também a um ponto extremo de destruição para poder correr atrás do prejuízo”, comentou.

    Para a pesquisadora do INPA, é preciso aprender com os povos indígenas amazônicos e apostar em economias que contribuam para manter a floresta em pé, evitando atividades como a dragagem dos rios.

    “A extração ou o cultivo e o uso de plantas amazônicas, como açaí ou a castanha-do-Brasil e outros produtos, estão gerando recursos tão grandes quanto os de outras atividades que levam à destruição da floresta”, disse.

    Vera Maria lembra que todos os mamíferos aquáticos do Rio Amazonas estão classificados, de alguma forma, como ameaçados.

    Outro pesquisador brasileiro presente no Fórum foi André Pereira Reinnert Tokarski, professor do Centro Universitário Alves Faria (Unialfa). Pela segunda vez na China, Tokarski avalia que é preciso encontrar um “caminho do meio” para a Amazônia.

    O especialista avalia que há uma polarização entre, de um lado, uma visão que prega uma exploração predatória que busca apenas lucro imediato e, de outro, uma posição que tende a rejeitar qualquer atividade econômica na região.

    “Qualquer atividade humana causa impacto ambiental. Agora, você deixar uma grande parte da população local na miséria também é um impacto socioambiental não desejável. Contraditoriamente, a Amazônia é a região do país que tem mais água, mas é onde mais se utiliza diesel para geração de energia”, ponderou.
     

    *Repórter viajou a convite do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês (CPC) em Chongqing e da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS). 


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • FMI: IA pode impulsionar crescimento, mas aumentar tensões econômicas

    FMI: IA pode impulsionar crescimento, mas aumentar tensões econômicas

    Alerta foi feito a ministros das Finanças da União Europeia

    A inteligência artificial pode elevar a produtividade europeia em cerca de 1% ao longo de cinco anos, mas corre o risco de ampliar a desigualdade, sobrecarregar as redes de energia e aumentar a dependência de tecnologia estrangeira, a menos que os governos aprofundem a integração econômica, diz documento do Fundo Monetário Internacional.

    A nota, elaborada para uma reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia em Dublin, nos dias 18 e 19 de setembro, informou que os benefícios e custos da IA provavelmente serão distribuídos de forma desigual entre países, regiões e trabalhadores.

    O documento afirma que a conclusão do mercado único da UE ajudaria a difundir a adoção da IA e seus ganhos de maneira mais uniforme entre os 27 países do bloco.Também ecoa as preocupações levantadas pelo ex-presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi e pela Comissão Europeia de que os mercados fragmentados de capital, trabalho e energia da Europa estão impedindo o investimento e a inovação.

    O FMI estimou que cerca de 60% dos trabalhadores nas economias europeias avançadas estão empregados em ocupações altamente expostas à IA. Embora alguns possam se tornar mais produtivos por meio de ferramentas de IA, outros correm o risco de serem deslocados à medida que tarefas rotineiras são automatizadas, afirmou o documento, particularmente em empregos onde é mais provável que a IA substitua a mão de obra do que a complemente.

    De acordo com o documento, os centros de dados da Europa já consomem cerca de 3% da eletricidade do continente e a demanda aumentaria acentuadamente à medida que o uso da IA se expandisse. Grandes centros tecnológicos, como Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin, estão entre as áreas mais expostas, com aglomerados de centros de dados já exercendo pressão sobre as redes elétricas locais.

    Para lidar com isso, a UE deveria investir em infraestrutura de rede transfronteiriça e aprofundar a integração do mercado europeu de energia, disse o FMI.

    O documento também alertou que a Europa corre o risco de desenvolver outra dependência estratégica, pois EUA e China dominam o desenvolvimento de modelos de IA. Afirmou que a Europa precisaria de investimentos significativos em seu próprio setor de IA para evitar ficar dependente de tecnologia estrangeira.

    Os ganhos da IA também provavelmente serão distribuídos de forma desigual entre os países e dentro da UE, segundo o documento. As economias mais avançadas devem se beneficiar de forma desproporcional, pois estão mais bem preparadas para a tecnologia e mais expostas a ela.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Groenlândia e Dinamarca dizem que acordo com EUA não cederá soberania

    Groenlândia e Dinamarca dizem que acordo com EUA não cederá soberania

    Tratado deve ser assinado durante a Assembleia Geral da ONU

    Dinamarca e Groenlândia afirmaram neste sábado (19) que qualquer acordo com os Estados Unidos não comprometerá a soberania da Groenlândia, depois que o presidente Donald Trump disse que o acordo daria a Washington “controle permanente” sobre a segurança da ilha ártica, deixando seu escopo exato pouco claro.

    Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia anunciaram na noite de sexta-feira que firmaram um acordo para que os EUA desenvolvessem uma presença militar significativa na Groenlândia, proibindo os adversários dos EUA de construir suas próprias bases na ilha.

    Detalhes-chave do acordo não foram divulgados, incluindo o grau de presença militar dos EUA no território dinamarquês autônomo e se algum poder formal sobre a política externa e os recursos seria cedido a Washington.

    Dinamarca e Groenlândia expressaram esperança de que o acordo, que deve ser assinado durante a Assembleia Geral da ONU na próxima semana, ponha fim a meses de incerteza provocada pelas ameaças de Trump de assumir o controle da Groenlândia.

    “A próxima semana pode ser uma boa semana — para a Groenlândia, a Dinamarca e os Estados Unidos”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, em comunicado publicado no Facebook hoje.

    “Esperamos que este período de incerteza dê lugar a um acordo vinculativo que fortaleça a segurança no Ártico e no Atlântico Norte e, consequentemente, nossa segurança compartilhada dentro da Otan e da Europa — respeitando, ao mesmo tempo, os limites inegociáveis do Reino (da Dinamarca)”, disse ele.

    Dinamarca e Groenlândia têm insistido repetidamente para que Washington respeite a soberania do Reino da Dinamarca e aceite que a Groenlândia não está à venda.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br