Categoria: Mundo

  • Temperatura média da superfície do mar atinge novo recorde em julho

    Temperatura média da superfície do mar atinge novo recorde em julho

    A temperatura da superfície do mar em julho deste ano, em nível global, foi a mais elevada já registrada, informou nesta segunda-feira (10)  o Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S), observatório da União Europeia (UE).

    A temperatura média dos oceanos extrapolares, fora das calotas e regiões polares extremas, atingiu no mês passado 20,96°C, batendo o recorde anterior de 20,89°C medido em 2023.

    Um dos motivos para o aumento foram as temperaturas excepcionalmente altas em grande parte do Pacífico tropical, área onde estão presentes as condições do fenômeno meteorológico conhecido como El Niño que, segundo as previsões, deverão se fortalecer ainda mais nos próximos meses.

    Em volta da Europa, os recordes de temperatura no Atlântico e no Mediterrâneo ocidental estiveram associados a ondas de calor marinhas intensas, que afetaram também os ecossistemas e as comunidades costeiras.

    A parte ocidental do continente viveu o período de junho-julho mais quente já registrado, com 21,62°C, acima do recorde de 2022 e 2,79°C acima da média; durante esse período, sucederam-se ondas de calor e persistiu a seca que já tinha se manifestado em maio.

    As chuvas e a umidade do solo foram excepcionalmente baixas para esse período na França, Espanha, em parte da Alemanha e no Reino Unido.

    O boletim publicado pelo C3S informou ainda que, nas regiões afetadas, o volume dos rios caiu muito abaixo da média ou foi excepcionalmente baixo, o que teve impacto no abastecimento de água, nas regas e na produção de energia em vários países, repercutindo particularmente no Sena, no Reno e no Danúbio.

    “Os sistemas de alta pressão persistentes concentraram calor sobre a Europa ocidental; as temperaturas extremas também amplificaram as secas generalizadas. À medida que os solos secam, perdem a capacidade de proporcionar frescura de forma natural”, explicou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo.

    “É um exemplo claro de como as alterações climáticas estão intensificando as temperaturas extremas, em que o calor e a seca se reforçam cada vez mais”, acrescentou.

    Em nível global, o mês de julho foi o segundo mais quente de que há registro, com temperatura média do ar na superfície de 16,90°C, o mesmo nível de julho do ano passado e atrás do recorde de julho de 2023, ficando 1,47°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.

    “O mês passado foi testemunha de uma atividade de incêndios florestais excepcional na Europa ocidental, em termos de área queimada e emissões”, destacou, por sua vez, Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus.

    Laurence lembrou que as condições provocadas pelas alterações climáticas favorecem incêndios de grandes dimensões e de elevada intensidade no sul da Europa, ao mesmo tempo que prolongam essa condição em direção ao norte.

    Por sua vez, alertou, incêndios de maior dimensão produzem mais fumaça, em maior altitude na atmosfera, o que lhe permite deslocar-se para mais longe e afetar inclusive países situados a milhares de quilómetros que registram relativamente poucos incêndios.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Teerã diz que reabrirá Ormuz quando Estados Unidos aceitarem condições

    Teerã diz que reabrirá Ormuz quando Estados Unidos aceitarem condições

    A Guarda Revolucionária iraniana afirmou neste sábado (8) que a reabertura do Estreito de Ormuz dependerá de os Estados Unidos aceitarem plenamente as condições de Teerã.

    A reabertura acontecerá também quando os norte-americanos deixarem de interferir no processo de negociações regionais, numa referência às conversações entre o Irão e Omã sobre a navegação naquela estratégica passagem marítima.

    “A reabertura do Estreito de Ormuz depende de os Estados Unidos aceitarem plenamente as condições do Irã e deixarem de interferir no processo de negociações regionais”, declarou o porta-voz da Guarda Revolucionária, general Hosein Mohebi, à agência Tasnim, durante visita à província meridional de Hormozgan, nas proximidades de Ormuz.

    O porta-voz militar, que não especificou a que condições se referia, afirmou que a decisão sobre a reabertura da passagem marítima responde exclusivamente aos mecanismos e condições estabelecidos pela República Islâmica e que a questão não está relacionada com as negociações entre Teerã e Mascate.

    O alto representante destacou a relevância do estreito para a República Islâmica, indicando que Ormuz não representa apenas uma rota de importância econômica, mas também um elemento de poder geográfico e estratégico para o país.

    Segundo as autoridades iranianas, o país chegou, nos últimos dias, a um acordo com Omã sobre as características geográficas de uma nova rota de navegação no estreito e está na fase final de elaboração de uma declaração conjunta sobre esse entendimento.

    De acordo com a versão iraniana, a nova rota temporária de navegação atravessará parcialmente águas territoriais iranianas e omanenses e permitirá o trânsito de navios comerciais segundo um novo modelo de gestão, em substituição às rotas provisórias estabelecidas até agora por Teerã e Mascate.

    O Irã anunciou, em meados de julho, novo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do petróleo bruto mundial, em plena escalada de ataques entre o Irã e os Estados Unidos.

    Washington respondeu restabelecendo o bloqueio naval aos portos e navios iranianos, o que paralisou as negociações entre as duas partes no âmbito do memorando de entendimento para a paz assinado em 17 de junho.

    O Irã reiterou nos últimos dias que um eventual acordo entre o Irão e Omã não implicará, por si só, a reabertura imediata da via de navegação.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • ONU promove direitos humanos durante Festival de Inverno no Rio de Janeiro

    ONU promove direitos humanos durante Festival de Inverno no Rio de Janeiro

    A ONU marcou presença no Festival de Inverno Rio com uma ativação dedicada aos direitos humanos, convidando o público a refletir sobre como esses direitos estão presentes no dia a dia de todas as pessoas: no acesso à educação, à saúde, à informação, à cultura e à água, além do direito de viver sem discriminação.

    Durante o Festival, o público pôde conhecer um pouco do trabalho da ONU e da sua atuação na promoção dos direitos humanos – através de um vídeo exibido no telão junto ao palco, um painel informativo e um espaço participativo, no qual as pessoas foram convidadas a escolher e fotografar palavras que representavam valores fundamentais dos direitos humanos.

    Foto: © PECK/Festival de Inverno Rio

    Direitos humanos: um compromisso permanente da ONU

    Desde sua criação, em 1945, a ONU atua para promover a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos. A adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, consolidou princípios fundamentais que continuam guiando o trabalho das Nações Unidas e servindo de referência para governos, instituições e cidadãos em todo o mundo.

    Em um contexto global marcado por desafios como desigualdades, discriminação, conflitos e mudanças climáticas, a promoção dos direitos humanos permanece central para a construção de sociedades resilientes e sustentáveis.

    “O reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo” — Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    A ONU mais próxima da sociedade

    A presença das Nações Unidas no Festival de Inverno reforçou a importância do diálogo com diferentes públicos e espaços culturais, ampliando o conhecimento sobre o trabalho realizado pela ONU no Brasil e no mundo.

    “Participar de eventos culturais como o Festival de Inverno Rio é uma oportunidade valiosa para aproximar a ONU das pessoas e mostrar como os direitos humanos estão presentes no dia a dia de todos nós. A cultura tem um papel fundamental na promoção do diálogo, da diversidade e da inclusão, valores que estão no centro do trabalho das Nações Unidas”, explica o diretor interino do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Damian Cardona.

    Foto: © PECK/Festival de Inverno Rio

    Uma parceria que une cultura e informação

    A presença da ONU no Festival de Inverno Rio é fruto de uma parceria com a PECK, que reforça o potencial da cultura como ferramenta de conscientização e transformação. Ao ocupar espaços de grande circulação e diálogo, a ONU busca ampliar o conhecimento do público sobre temas fundamentais para a construção de um futuro mais justo, inclusivo e sustentável.

    Sustentabilidade e acessibilidade no Festival

    O Festival de Inverno Rio é totalmente inclusivo e reforça sua responsabilidade socioambiental ao oferecer uma experiência acessível para o público PCD, com infraestrutura adaptada, equipe preparada e recursos que garantem conforto e autonomia em todos os espaços do evento. 

    O Festival também cumpre os 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), através da adoção de medidas concretas como a neutralização de carbono, gestão de resíduos, incentivo ao consumo consciente e a realização de ações de impacto social, como arrecadação de agasalhos.

    Para saber mais, siga @onubrasil nas redes! 

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU Brasil e comunicadores indígenas se unem em ação pelo Dia Internacional dos Povos Indígenas

    ONU Brasil e comunicadores indígenas se unem em ação pelo Dia Internacional dos Povos Indígenas

    Em celebração ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado em 9 de agosto, a ONU Brasil promoverá, pelo segundo ano seguido, uma ação especial em suas redes sociais para ampliar a visibilidade das vozes indígenas e valorizar seus conhecimentos, culturas e contribuições para o desenvolvimento sustentável.

    Durante o dia 9 de agosto, os perfis da ONU Brasil (@onubrasil) no Instagram e no TikTok publicarão exclusivamente conteúdos produzidos por Agentes do Verificado de diferentes povos e territórios indígenas do país. A iniciativa busca fortalecer a representatividade indígena na comunicação digital e ampliar o espaço para que os próprios povos indígenas compartilhem suas histórias, perspectivas e experiências diretamente com o público.

    Em 2025, a ação alcançou mais de 640 mil pessoas no Instagram. Neste ano, a expectativa é estimular uma reflexão ainda mais ampla sobre os direitos dos povos indígenas e sua contribuição para enfrentar desafios globais, como a crise climática e a preservação da biodiversidade.

    A data este ano presta uma homenagem às parteiras indígenas, reconhecendo seu papel na proteção da vida, da saúde e do bem-estar de suas comunidades. Além de acompanhar a gestação, o parto e o pós-parto, essas mulheres preservam conhecimentos ancestrais, fortalecem identidades culturais e transmitem saberes entre gerações, desempenhando um papel essencial na continuidade das tradições e no cuidado coletivo.

    “Os conhecimentos dos povos indígenas oferecem respostas fundamentais para alguns dos maiores desafios do nosso tempo, da proteção da biodiversidade à ação climática. Ao abrir nossas plataformas para comunicadores indígenas, reconhecemos seus direitos e, ao mesmo tempo, abrimos espaço para que suas próprias vozes contem suas histórias e compartilhem saberes que protegem vidas, fortalecem culturas e inspiram soluções”, explicou o coordenador residente da ONU no Brasil, Igor Garafulic.

    Os vídeos abordarão temas como saberes ancestrais, maternidade, infância, saúde, liderança feminina, preservação das línguas indígenas e os impactos da crise climática sobre os povos indígenas, além de prestar homenagem às parteiras. Ao mesmo tempo, destacarão como os conhecimentos tradicionais e a proteção dos territórios indígenas contribuem para soluções climáticas, conservação das florestas e proteção da biodiversidade.

    Os povos indígenas representam cerca de 476 milhões de pessoas em aproximadamente 90 países. Embora correspondam a menos de 6% da população mundial, são responsáveis pela proteção de alguns dos ecossistemas mais importantes do planeta e guardiões de uma parcela significativa da biodiversidade remanescente. Ao mesmo tempo, estão entre as populações mais afetadas pelas mudanças climáticas, apesar de terem contribuído muito pouco para suas causas.

    A ação integra a iniciativa Agentes do Verificado, parceria da ONU com a Purpose, que reúne criadores de conteúdo comprometidos com a promoção de informações confiáveis e com o combate à desinformação climática. Ao colocar comunicadores indígenas no centro da narrativa, a campanha reafirma o compromisso das Nações Unidas com a promoção dos direitos dos povos indígenas, a valorização da diversidade cultural e o fortalecimento de uma comunicação mais representativa, inclusiva e baseada em evidências.

    Ao longo deste dias de mobilização, o público poderá acompanhar histórias, conhecimentos e reflexões compartilhados pelos próprios comunicadores indígenas, fortalecendo o diálogo sobre a importância da proteção dos direitos, das culturas, das línguas e dos territórios indígenas para a construção de um futuro mais justo, sustentável e resiliente para todas as pessoas.

    Conheça os Agentes do Verificados, que participarão dessa ação:

    Cristian Wariu 
    Indígena do povo Xavante, comunicador e ativista. Faz graduação em Comunicação. É criador do canal no Youtube “Wari’u”, onde fala sobre povos indígenas na contemporaneidade, ressignificando a luta do movimento indígena através de câmeras digitais, celular e internet.

    José Kaeté
    Indígena Tupinambá do Pará, engenheiro de produção, apresentador, palestrante, comunicador e um criador de conteúdo viajante, que carrega o ativismo responsável em suas redes, sempre com o propósito de mostrar diferentes olhares sobre a Amazônia.

    Kaê Guajajara
    Cantora, compositora e ativista indígena maranhense, nascida em Mirinzal e criada no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Seu trabalho cruza música popular originária, pop e rap com referências da cultura indígena e periférica.

    Maickson Serrão Pavulagem
    Indígena do povo Tupinambá, natural de Boim, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. É jornalista, mestre em Ciências Humanas, doutorando em Antropologia Social, e tem dedicado sua trajetória à valorização das vozes e saberes da Amazônia. Criador do podcast Pavulagem, que narra histórias dos Seres Encantados da floresta a partir das memórias e vozes de ribeirinhos e indígenas. 

    Marciele Albuquerque
    Ativista indígena Munduruku e cunhã-poranga do Boi Caprichoso. Representa a cultura amazônica e luta pela preservação da floresta e pelos direitos indígenas.
     

    Verificado pelo Clima é uma iniciativa das Nações Unidas e da Purpose, apoiada pelo TikTok e outros parceiros. A iniciativa se baseia em estratégias globais de comunicação para promover informações confiáveis sobre mudança climática, alcançando públicos-chave por meio de narrativas criativas e culturalmente relevantes. 

    A Rede de Agentes do Verificado é uma parte essencial desse esforço, aproveitando a credibilidade de cientistas, ativistas, criadores e líderes comunitários para impulsionar ações climáticas significativas.

    Visite a página: https://shareverified.com/topics/climate/

    Para saber mais, siga a ONU Brasil no TikTok e no Instagram e visite a página sobre #EducaçãoClimática. 

    Fonte: brasil.un.org

  • FIDA reúne parceiros em Brasília para revisar carteira de projetos

    FIDA reúne parceiros em Brasília para revisar carteira de projetos

    O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência especializada das Nações Unidas dedicada ao desenvolvimento rural e à agricultura familiar, realizou nesta terça-feira (4), em Brasília, a segunda edição da Revisão da Carteira de Projetos do FIDA no Brasil. O encontro reuniu representantes do FIDA, do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), Ministério da Fazenda (MF) e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), governos estaduais (Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Sergipe e Maranhão), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e equipes dos projetos financiados pelo Fundo para avaliar o andamento das operações, compartilhar experiências e fortalecer a coordenação institucional.

    A iniciativa consolida um espaço de diálogo entre o FIDA e seus principais parceiros nacionais para acompanhar a execução dos projetos, identificar desafios comuns e promover soluções conjuntas voltadas ao fortalecimento do desenvolvimento rural sustentável no país bem como identificar operações futuras.

    Presente desde 1980, o FIDA mantém uma atuação consolidada no Brasil, especialmente na região Nordeste, onde concentra investimentos superiores a US$ 1,1 bilhão. Atualmente, o Brasil abriga o quinto maior portfólio de projetos do FIDA no mundo e 40% da região da América Latina e Caribe.

    Mesa de abertura do evento, com o diretor do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers, e secretário de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Antônio Negromonte Nascimento Junior.
    Legenda: Mesa de abertura do evento, com o diretor do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers, e secretário de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Antônio Negromonte Nascimento Junior.
    Foto: © FIDA.

    As operações apoiadas pelo Fundo promovem o fortalecimento da agricultura familiar, a segurança alimentar, a adaptação às mudanças climáticas, a gestão sustentável dos recursos naturais e a ampliação do acesso à água por meio de tecnologias sociais. Os projetos priorizam agricultores familiares e famílias rurais em situação de vulnerabilidade, com atenção especial às mulheres, aos jovens, aos Povos e Comunidades Tradicionais, às pessoas LGBTQIAPN+ e às pessoas com deficiência.

    Na abertura do evento, o diretor do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers, destacou a importância da revisão da carteira como instrumento de aprendizagem institucional.

    “Esta segunda edição da revisão de carteira confirma o amadurecimento do diálogo entre o FIDA e o Governo brasileiro. Mais do que acompanhar a execução de cada projeto individualmente, o formato de hoje nos permite trocar experiencias, olhar para os desafios comuns às nossas operações e construir soluções coletivas para o meio rural brasileiro.”

    Já o secretário de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do MPO, Antônio Negromonte Nascimento Junior , ressaltou:

    “A consolidação da revisão de carteira como um exercício regular reflete o compromisso pela modernização da gestão dos financiamentos externos. Reunir FIDA, mutuários e ministérios num mesmo espaço fortalece a transparência e a efetividade na execução dos projetos.”

    Durante a programação, o coordenador do Programa do FIDA no Brasil, Hardi Vieira, a Oficial de Programa, Florencia Alejandre e Justina Tellechea, consultora especialista em Tecnologia e Inovação, apresentaram um panorama da atuação do Fundo no país, destacando a evolução do portfólio, os principais resultados alcançados e as perspectivas para ampliar a escala e cooperação com o Governo Federal, os estados da União e bancos regionais de desenvolvimento.

    Apresentação do projeto CompensAÇÃO.
    Legenda: Apresentação do projeto CompensAÇÃO.
    Foto: © FIDA.

    Ao longo do dia, foram discutidos projetos em diferentes estágios de implementação, incluindo o Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI); o Parceiros da Mata, na Bahia; – ambos em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); o CompensAÇÃO, no Sul da Bahia; o Projeto Amazônico de Gestão Sustentável (PAGES), no Maranhão; – ambos em parceria com o Governo da Alemanha; o Projeto Dom Helder Câmara III (PDHC III) no semiárido, coordenado pelo MDA;o Paulo Freire II (PPF II), no Ceará – em parceria com a Agência de Cooperação Internacional da Espanha (AECID); e o Sertão Vivo (PCRP), desenvolvido em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Fundo Verde do Clima (GCF) e os estados do nordeste (Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, e Sergipe). Também foi apresentado o  Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável da Paraíba (PROCASE II) e que está na iminência de entrar em vigor.

    Como principal novidade desta edição, a programação incluiu um Painel de Diálogo entre Projetos, reunindo representantes de todas as operações apoiadas pelo FIDA para debater temas transversais e desafios compartilhados. Entre os assuntos discutidos estiveram desembolso e execução financeira, aquisições, aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG), além da troca de lições aprendidas e boas práticas entre os projetos.

    Esta edição foi realizada em paralelo com outras atividades do FIDA entre as quais a revisão anual do Marco Estratégico do FIDA no País (COSOP) em vigor de 2024 a 2030 e a primeira reunião do Fórum Gestor do Projeto Sertão Vivo (PCRP). 

    Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI);
    Legenda: Apresentação do projeto Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI).
    Foto: © FIDA.

    A primeira edição da Revisão da Carteira foi realizada em setembro de 2025, em formato híbrido, a partir da Casa da ONU, em Brasília. O encontro reuniu representantes do FIDA, da Secretaria de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do MPO e gestores estaduais dos projetos apoiados pelo Fundo. A realização da segunda edição reafirma o compromisso das instituições parceiras com o fortalecimento da governança, da transparência e da efetividade das operações financiadas pelo FIDA no Brasil.

    Para saber mais, siga @ifad_org nas redes e acesse a página do FIDA para o Brasil.

    Fonte: brasil.un.org

  • Milei recua em liberar venda de áreas afetadas por incêndios

    Milei recua em liberar venda de áreas afetadas por incêndios

    Em meio à repressão contra protestos nas ruas, o governo de Javier Milei excluiu da votação no Senado, nesta quinta-feira (6), o capítulo de projeto que previa a possibilidade de vender terras em áreas afetadas por incêndios florestais.  

    Esta é a segunda derrota da semana da Casa Rosada no Senado do país. O capítulo que ampliava os limites para venda de terras a estrangeiros também foi retirado de pauta após pressão popular.

    Os dois projetos compõem um pacote de mudanças chamado pelo governo de Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada.

    Apesar das derrotas, a Casa Rosada conseguiu aprovar duas mudanças, por 37 votos contra 33: uma que facilita e reduz os prazos para despejos de inquilinos inadimplentes e outra que dificulta as expropriações por parte do Estado.

    A líder do governo Milei no Senado, Patricia Bullrich, ao final da votação, justificou que as derrotas foram motivadas pelo tempo excessivo para tramitação da matéria devido ao escândalo de corrupção envolvendo o ex-chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, e a Copa do Mundo.

    “50% do projeto de lei foram aprovados, enquanto os outros 50% não. Decidimos recuar nas questões em que sentimos não ter os votos necessários. É assim que a democracia funciona”, disse em entrevista ao canal argentino TN.

    Após quase 12 horas de sessão no Senado, os temas aprovados agora seguem para análise da Câmara dos Deputados.

    Incêndios florestais

    Atualmente, a legislação argentina proíbe a venda, por 60 anos, de áreas de bosques ou de vegetação úmida afetadas por incêndios. Se a área for destinada a agropecuária e regiões semiurbanas, a proibição para venda é de 30 anos.

    A Lei de 2020 tem o objetivo de inibir o uso dos incêndios criminosos para especulação imobiliária – quando se coloca fogo em determinadas áreas para facilitar a mudança no uso daquele solo –, que pode ser um bosque nativo, por exemplo.

    A Casa Rosada argumentou que a regra tem prazos “extremamente prolongados”, afetando o “exercício do direito à propriedade”. Para o governo Milei, a Lei também não tem resultado em proteção ao meio ambiente.

    “Por um lado, eles [os proprietários] sofrem prejuízos decorrentes do incêndio e, por outro, ficam impedidos, durante décadas, de adaptar o uso de suas terras – o que limita severamente sua capacidade de recuperação econômica e reduz significativamente o valor de suas propriedades”, argumenta um comunicado do governo enviado ao Senado.

    Movimentos sociais e populares têm criticado a mudança. O militante ambientalista Hernán Hougassian, professor de agronomia da Universidade de Buenos Aires, disse à Agência Brasil que ela fragilizaria a proteção ambiental:

    “Pelo projeto, grandes proprietários de terras e grandes empresários podem incendiar florestas nativas, áreas úmidas e regiões ambientalmente sensíveis e, então — uma vez que as chamas se apaguem e as cinzas sejam removidas —, realizar empreendimentos imobiliários e dedicá-las a atividades comerciais especulativas.”

    No início de 2026, regiões da Patagônia argentina foram afetadas por incêndios florestais de grandes proporções que, segundo satélites da Nasa, devastaram 17,5 mil hectares em poucos dias. A área queimada é maior que o município de Niterói (RJ), que têm 13,4 mil hectares. 

    Repressão à protestos

    A votação do projeto no Senado foi marcada por cenas de repressão policial contra manifestações em torno do prédio Legislativo. Em meio a chuva, milhares de pessoas e as forças de segurança protagonizaram cenas de violência em meio a gases lacrimogênios e jatos de água.

    Um repórter fotográfico foi ferido na cabeça e dezenas de trabalhadores da imprensa foram alvos de gases da polícia, segundo informou o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (SiPreBA).  


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Brasil, União Europeia e UNODC se unem contra o aliciamento de crianças e adolescentes por grupos criminosos

    Brasil, União Europeia e UNODC se unem contra o aliciamento de crianças e adolescentes por grupos criminosos

    O Brasil, a União Europeia e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) instituíram formalmente nesta quarta-feira (05/08), em Brasília – DF, os Comitês Diretivo e Técnico do projeto Protegendo Futuros, marcando um passo decisivo para prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes por grupos armados e criminosos. Reunidos pela primeira vez, os comitês validaram um conjunto de prioridades estratégicas para o primeiro ano de implementação do projeto.

    De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 2.079 crianças e adolescentes de 0 a 17 anos foram vítimas de mortes violentas intencionais no Brasil em 2025. Evidências indicam que grupos criminosos têm recrutado cada vez mais crianças e adolescentes por meio de ambientes on-line, incluindo canais de comunicação criptografados e plataformas digitais.

    As principais ações previstas no roteiro do primeiro ano do projeto são:

    • Estudo de pesquisa nacional sobre as trajetórias de adolescentes no sistema socioeducativo. 
    • Revisão técnica de marcos legais e de políticas públicas. 
    • Oficinas de capacitação multissetorial para profissionais dos setores social, de educação, de justiça e de segurança pública. 
    • Iniciativas de prevenção de base comunitária.

    Para isso, vão atuar em conjunto representantes de instituições de justiça, segurança pública e proteção à criança, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa, entidades das Nações Unidas e o Comitê de Participação de Adolescentes do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA).

    Os Comitês Diretivo e Técnico do projeto Protegendo Futuros foram formalmente instituídos em reunião realizada em Brasília - DF, em 5 de agosto de 2026.
    Legenda: Os Comitês Diretivo e Técnico do projeto Protegendo Futuros foram formalmente instituídos em reunião realizada em Brasília – DF, em 5 de agosto de 2026.
    Foto: © UNODC.

    Crianças e adolescentes em todo o mundo estão cada vez mais expostos a crimes e violência, incluindo aliciamento e exploração por grupos armados e criminosos. O UNODC apoia mais de 60 Estados-membros na prevenção e no enfrentamento à violência contra crianças desde o lançamento de seu Programa Global para Acabar com a Violência contra Crianças. 

    No Brasil, grupos criminosos organizados que atuam de forma transnacional arrastam crianças e adolescentes para ciclos de violência que afetam de forma desproporcional as comunidades mais vulneráveis do país. Evidências indicam que grupos criminosos têm recrutado cada vez mais crianças e adolescentes por meio de ambientes on-line, incluindo canais de comunicação criptografados e plataformas digitais.

    Nesse contexto, o Brasil, em parceria com a União Europeia e o UNODC, lançou o Protegendo Futuros, um projeto de três anos concebido para prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes por grupos armados e criminosos. Por meio de uma abordagem integrada que combina prevenção, justiça sensível à criança, reabilitação e reintegração, a iniciativa enfrenta tanto as causas profundas do aliciamento quanto as necessidades das pessoas afetadas, e reconhece que crianças não ingressam em grupos armados e criminosos voluntariamente, devendo ser tratadas, antes de tudo, como vítimas.

    O Comitê Diretivo foi concebido para subsidiar a tomada de decisões estratégicas e orientar a implementação do projeto, com discussões baseadas em boas práticas internacionais e focadas em questões centrais, entre elas: 

    1. Principais fatores determinantes e vulnerabilidades que expõem crianças e adolescentes ao risco. 
    2. Abordagens de prevenção e intervenções de base comunitária com maior efetividade comprovada. 
    3. Lacunas e oportunidades nas respostas institucionais para fortalecer a proteção, a reabilitação, a reintegração e o acesso à justiça.

    Essa abordagem em fases tem como objetivo construir uma base de evidências sólida, fortalecer as capacidades institucionais e comunitárias e lançar as bases para intervenções mais direcionadas e sustentáveis. Ao priorizar essas frentes, o projeto busca maximizar o impacto já nas etapas iniciais, ao mesmo tempo em que garante que as ações futuras permaneçam responsivas às evidências emergentes, às necessidades identificadas e aos contextos locais.

    O projeto Protegendo Futuros: Prevenindo e Respondendo à Violência contra Crianças por Grupos Criminosos está enraizado na cooperação de longa data e de confiança entre o Governo do Brasil, a União Europeia e o UNODC, e foi concebido para se apoiar na liderança e na expertise reconhecidas do Brasil nessa área. A parceria vai potencializar a ampla experiência do país e as boas práticas de condução nacional na proteção de crianças e no enfrentamento ao crime organizado transnacional, ao mesmo tempo em que abre oportunidades para que as conquistas expressivas do Brasil sejam destacadas no cenário internacional.

    O projeto conta com o apoio da União Europeia por meio do serviço de Instrumentos de Política Externa (FPI) da Comissão Europeia.

    Para mais informações, siga @unodcprt nas redes e acesse a página do UNODC no Brasil. 

    Contato para a imprensa:

    • Bruno Fortuna, Assessor de Comunicação, Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC): [email protected]

    Fonte: brasil.un.org

  • Mobilizações levam Milei a recuar sobre venda de terras a estrangeiros

    Mobilizações levam Milei a recuar sobre venda de terras a estrangeiros

    A memória da guerra das Malvinas – quando argentinos e ingleses lutaram na década de 1980 pelo controle do arquipélago no extremo sul da América do Sul – contribuiu para derrota do governo de Javier Milei no projeto que ampliava a venda de terras do país para estrangeiros.

    Apelidado de “estrangeirização das terras argentinas”, o projeto foi alvo de mobilização que reuniu governadores de todos os campos políticos, cantores, atrizes e atores famosos na Argentina, alguns que não costumam se posicionar politicamente, além do jogador da seleção vice-campeã do país, o zagueiro Lisandro Martinez. 

    Diante da pressão social e da falta de apoio no Senado, o governo Milei decidiu retirar o tema da votação prevista para esta quinta-feira (6). Porém, manteve a votação de outro projeto alvo dos manifestantes, que permite a venda de áreas protegidas que tenham sido afetadas por incêndios florestais.       

    O texto da estrangeirização das terras que seria votado era mais moderado se comparado à proposta original, que pretendia acabar com qualquer limite para venda de terras a estrangeiros. O governo defende que o limite dificulta os investimentos internacionais.

    Pelo texto mais recente, o limite seria ampliado de 15% para 25% do total de terras de cada província que poderiam ficar nas mãos de estrangeiros.

    Antes de enviar o projeto ao Senado, Milei tentou derrubar essa limitação por meio de um decreto presidencial, logo que assumiu o poder, em dezembro de 2023. Mas a mudança foi suspensa pelo Poder Judiciário.

    As Malvinas são argentinas 

    O militante ambientalista Hernán Hougassian, professor de agronomia da Universidade de Buenos Aires, participou hoje da marcha na capital do país onde milhares de pessoas protestaram contra a estrangeirização das terras.  

    Hougassian destaca que a “faísca” que incendiou as mobilizações foi o uso da faixa “as Malvinas são argentinas” pelos jogadores da seleção na semifinal contra a Inglaterra um dia antes de o governo Milei tentar votar o tema no Senado. 


    Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Semi Final - England v Argentina - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - July 15, 2026 Argentina's Lisandro Martinez and Giovani Lo Celso celebrate with a Falkland Islands related banner after the match as Argentina qualify for the final of the World Cup REUTERS/Amanda Perobelli     TPX IMAGES OF THE DAY

    Time argentino ergueu faixa sobre as Malvinas na semi-final da Copa do Mundo contra a Inglaterra– Reuters/Amanda Perobelli/Arquivo/Proibida reprodução

    “Essa frase — ‘as Malvinas são argentinas’ — surgiu no exato momento em que o governo de Milei buscava aprovar essa lei autorizando a compra de terras por estrangeiros em nosso país; ou seja, bilionários estrangeiros poderiam vir e comprar terras argentinas sem qualquer limite”, comentou.

    A “ferida aberta” da guerra das Malvinas funcionou com um catalizador contra o projeto. “As Malvinas são argentinas, e todo o território também”, dizia slogan do Centro de Ex-combatentes das Ilhas Malvinas (Cecim La Plata) convocando para os protestos.

    A mobilização começou a ganhar apoio de artistas conhecidos nacionalmente. Entre eles, a Lali Espósito, com 11,9 milhões de seguidores em uma única rede social, assim como Milo J, fenômeno recente da música argentina, e Nicki Nicole, com mais de 22 milhões de seguidores em uma única plataforma.

    O cientista político argentino Leandro Gabiati explicou à Agência Brasil que se formou uma “grande maioria politicamente transversal” que gerou uma grande pressão sobre o Senado, e mesmo um racha dentro do governo Milei, com a posição contrária da vice-presidente Victoria Villarruel.

    “Quando se coloca um tema sensível como soberania e como presença estrangeira comprando terras e ocupando território nacional, logicamente aí se trata de um assunto sensível politicamente”, comentou o especialista.

    Os senadores Alfredo De Angeli e Maximiliano Abad, apesar de não serem do partido de Milei, o Libertad Avanza, vinham apoiando o governo em diversos projetos, mas criticaram a estrangeirização das terras do país.

    Gabiati avalia que foi determinante para o recuo do governo a pressão de governadores de províncias que vieram à público contra a medida.

    “Os governadores se sentiram prejudicados pela proposta. Pela pressão social, mas também pela pressão local, eles entram na discussão pressionando os senadores dos seus estados. Houve uma federalização importante da discussão, que foi o que levou, finalmente, o Senado a não avançar na avaliação da proposta”, concluiu.

    O governo Milei justificou que está “reavaliando” a proposta, sem admitir um arquivamento definitivo. Porém, não há indicativo de quando o assunto pode voltar ao Senado.

    Defesa da propriedade privada

    O projeto sobre a venda de terras argentinas a estrangeiros faz parte de um pacote mais amplo de mudanças legislativas defendidas pelo governo argentino, chamada de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada.

    Entre outras mudanças, as medidas aceleram os processos de despejos, dificultam as expropriações estatais e reduzem as restrições para venda de áreas protegidas ambientalmente após incêndios florestais.

    O ambientalista Hernán Hougassian conta que a sociedade seguirá mobilizada contra essas outras medidas e critica o texto sobre áreas afetadas por incêndios.

    “Pelo projeto, grandes proprietários de terras e grandes empresários podem incendiar florestas nativas, áreas úmidas e regiões ambientalmente sensíveis e, então — uma vez que as chamas se apaguem e as cinzas sejam removidas —, realizar empreendimentos imobiliários e dedicá-las a atividades comerciais especulativas”, criticou.

    A legislação argentina proíbe, por pelo menos 30 anos, a venda de áreas protegidas atingidas por incêndios. Sancionada em 2020, a lei busca evitar o uso de incêndios criminosos como forma de acelerar a mudança do uso dos solos.  

    Segundo o governo Milei, os prazos são excessivamente longos e violam o direito à propriedade privada. A Casa Rosada alega ainda que a legislação não tem servido para proteger o meio ambiente.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Brasil no Mundo debate migração na Europa e conflito em Jerusalém

    Brasil no Mundo debate migração na Europa e conflito em Jerusalém

    A TV Brasil exibe nesta quinta-feira (6), às 21h, uma edição inédita do Brasil no Mundo, programa que analisa os principais acontecimentos internacionais e seus impactos no país. Nesta edição, os jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat debatem a recente crise migratória na Europa e o complexo contexto à sua volta.

    Para enriquecer o debate, o Brasil no Mundo recebe o historiador e cientista político Chico Teixeira, que comenta também a situação de tensão na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, e o alerta da Jordânia a respeito da possibilidade de tomada de controle do local por Israel.

    O convidado desta semana do programa da TV Brasil é professor titular aposentado de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Chico Teixeira também é doutor em história social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e fundador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente da UFRJ.

    Sobre a produção     

    O Brasil no Mundo se dedica a discutir, com profundidade e clareza, os grandes acontecimentos internacionais que moldam a política, a economia e a vida cotidiana. Conduzido por Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, o programa combina análises de contexto, explicações acessíveis e entrevistas com especialistas que ajudam a iluminar os reflexos do cenário global no Brasil.

    Cristina Serra atua como jornalista há cerca de 40 anos, tendo trabalhado na Globo por 26 anos, como correspondente em Nova York, entre outras funções. O jornalista Jamil Chade trabalha há duas décadas como correspondente de diversos veículos no escritório da Organização das Nações Unidas em Genebra, período em que contribuiu com BBC, CNN, Guardian e veículos brasileiros. Já Yan Boechat cobre conflitos internacionais há 20 anos para diversos veículos, como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Já fez reportagens in loco na África, Oriente Médio, Rússia e América Latina.

    O programa já recebeu personalidades como o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30); o geógrafo Elias Jabbour; e a economista Juliana Furno.

    Ao vivo e on demand

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    Serviço

    Brasil no Mundo – às quintas-feiras, a partir das 21h, na TV Brasil

    Reprise – Brasil no Mundo – Madrugada de quinta-feira (6) para sexta (7), às 3h, na TV Brasil

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    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Mobilizações levam Milei a recuar sobre estrangeirização de terras

    Mobilizações levam Milei a recuar sobre estrangeirização de terras

    A memória da guerra das Malvinas – quando argentinos e ingleses lutaram na década de 1980 pelo controle do arquipélago no extremo sul da América do Sul – contribuiu para derrota do governo de Javier Milei no projeto que ampliava a venda de terras do país para estrangeiros.

    Apelidado de “estrangeirização das terras argentinas”, o projeto foi alvo de mobilização que reuniu governadores de todos os campos políticos, cantores, atrizes e atores famosos na Argentina, alguns que não costumam se posicionar politicamente, além do jogador da seleção vice-campeã do país, o zagueiro Lisandro Martinez. 

    Diante da pressão social e da falta de apoio no Senado, o governo Milei decidiu retirar o tema da votação prevista para esta quinta-feira (6). Porém, manteve a votação de outro projeto alvo dos manifestantes, que permite a venda de áreas protegidas que tenham sido afetadas por incêndios florestais.       

    O texto da estrangeirização das terras que seria votado era mais moderado se comparado à proposta original, que pretendia acabar com qualquer limite para venda de terras a estrangeiros. O governo defende que o limite dificulta os investimentos internacionais.

    Pelo texto mais recente, o limite seria ampliado de 15% para 25% do total de terras de cada província que poderiam ficar nas mãos de estrangeiros.

    Antes de enviar o projeto ao Senado, Milei tentou derrubar essa limitação por meio de um decreto presidencial, logo que assumiu o poder, em dezembro de 2023. Mas a mudança foi suspensa pelo Poder Judiciário.

    As Malvinas são argentinas 

    O militante ambientalista Hernán Hougassian, professor de agronomia da Universidade de Buenos Aires, participou hoje da marcha na capital do país onde milhares de pessoas protestaram contra a estrangeirização das terras.  

    Hougassian destaca que a “faísca” que incendiou as mobilizações foi o uso da faixa “as Malvinas são argentinas” pelos jogadores da seleção na semifinal contra a Inglaterra um dia antes de o governo Milei tentar votar o tema no Senado. 


    Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Semi Final - England v Argentina - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - July 15, 2026 Argentina's Lisandro Martinez and Giovani Lo Celso celebrate with a Falkland Islands related banner after the match as Argentina qualify for the final of the World Cup REUTERS/Amanda Perobelli     TPX IMAGES OF THE DAY

    Time argentino ergueu faixa sobre as Malvinas na semi-final da Copa do Mundo contra a Inglaterra– Reuters/Amanda Perobelli/Arquivo/Proibida reprodução

    “Essa frase — ‘as Malvinas são argentinas’ — surgiu no exato momento em que o governo de Milei buscava aprovar essa lei autorizando a compra de terras por estrangeiros em nosso país; ou seja, bilionários estrangeiros poderiam vir e comprar terras argentinas sem qualquer limite”, comentou.

    A “ferida aberta” da guerra das Malvinas funcionou com um catalizador contra o projeto. “As Malvinas são argentinas, e todo o território também”, dizia slogan do Centro de Ex-combatentes das Ilhas Malvinas (Cecim La Plata) convocando para os protestos.

    A mobilização começou a ganhar apoio de artistas conhecidos nacionalmente. Entre eles, a Lali Espósito, com 11,9 milhões de seguidores em uma única rede social, assim como Milo J, fenômeno recente da música argentina, e Nicki Nicole, com mais de 22 milhões de seguidores em uma única plataforma.

    O cientista político argentino Leandro Gabiati explicou à Agência Brasil que se formou uma “grande maioria politicamente transversal” que gerou uma grande pressão sobre o Senado, e mesmo um racha dentro do governo Milei, com a posição contrária da vice-presidente Victoria Villarruel.

    “Quando se coloca um tema sensível como soberania e como presença estrangeira comprando terras e ocupando território nacional, logicamente aí se trata de um assunto sensível politicamente”, comentou o especialista.

    Os senadores Alfredo De Angeli e Maximiliano Abad, apesar de não serem do partido de Milei, o Libertad Avanza, vinham apoiando o governo em diversos projetos, mas criticaram a estrangeirização das terras do país.

    Gabiati avalia que foi determinante para o recuo do governo a pressão de governadores de províncias que vieram à público contra a medida.

    “Os governadores se sentiram prejudicados pela proposta. Pela pressão social, mas também pela pressão local, eles entram na discussão pressionando os senadores dos seus estados. Houve uma federalização importante da discussão, que foi o que levou, finalmente, o Senado a não avançar na avaliação da proposta”, concluiu.

    O governo Milei justificou que está “reavaliando” a proposta, sem admitir um arquivamento definitivo. Porém, não há indicativo de quando o assunto pode voltar ao Senado.

    Defesa da propriedade privada

    O projeto sobre a venda de terras argentinas a estrangeiros faz parte de um pacote mais amplo de mudanças legislativas defendidas pelo governo argentino, chamada de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada.

    Entre outras mudanças, as medidas aceleram os processos de despejos, dificultam as expropriações estatais e reduzem as restrições para venda de áreas protegidas ambientalmente após incêndios florestais.

    O ambientalista Hernán Hougassian conta que a sociedade seguirá mobilizada contra essas outras medidas e critica o texto sobre áreas afetadas por incêndios.

    “Pelo projeto, grandes proprietários de terras e grandes empresários podem incendiar florestas nativas, áreas úmidas e regiões ambientalmente sensíveis e, então — uma vez que as chamas se apaguem e as cinzas sejam removidas —, realizar empreendimentos imobiliários e dedicá-las a atividades comerciais especulativas”, criticou.

    A legislação argentina proíbe, por pelo menos 30 anos, a venda de áreas protegidas atingidas por incêndios. Sancionada em 2020, a lei busca evitar o uso de incêndios criminosos como forma de acelerar a mudança do uso dos solos.  

    Segundo o governo Milei, os prazos são excessivamente longos e violam o direito à propriedade privada. A Casa Rosada alega ainda que a legislação não tem servido para proteger o meio ambiente.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br