Categoria: Mundo

  • Incêndios na França revelam centenas de projéteis da Segunda Guerra

    Incêndios na França revelam centenas de projéteis da Segunda Guerra

    O grande incêndio que atingiu Gironda, departamento do sudoeste de França, revelou centenas de projéteis da Segunda Guerra Mundial, que obrigaram as autoridades a realizar operações antiminas. Em La Porge, os moradores só foram autorizados a voltar para suas casas agora.

    La Porge foi a cidade mais atingida pela devastação de residências por causa do incêndio ao redor de Bordéus. Ali, mais de 180 casas queimara, e as chamas trouxeram à vista o passado.

    Na manhã de segunda-feira (3), um repórter da France-Presse testemunhou a presença, no solo queimado de La Porge, de quatro projéteis com “cerca de 30 centímetros de comprimento, enferrujados e cobertos de terra”.

    “Perigo de morte absoluto: presença de projéteis”, advertiam placas erguidas nos arredores das áreas sujeitas à desminagem.

    Minas

    De acordo com as autoridades locais, as operações de desminagem permitiram recolher cerca de 400 projéteis. Eles serão agora armazenados, para serem posteriormente destruídos em instalações militares.

    Ouvido pela agência noticiosa francesa, o comandante dos bombeiros Thomas Mimiague descreveu explosões sentidas durante o incêndio e que podem ter sido causadas pelos projéteis.

    “Não se trata de um local de armazenamento oficial. Não sabemos bem porque estão ali, acreditamos que tenham sido simplesmente abandonados”, afirmou o responsável.

    As munições encontradas são de origem alemã e francesa. Trata-se, sobretudo, de granadas de morteiros, mas também foram encontrados projéteis explosivos para tanques.

    Residências

    Além de La Porge, a autorização de regresso para moradores também foi acionada para o município vizinho de Lège-Cap-Ferret, incluindo a península turística de Cap Ferret, com exceção dos parques de camping.

    De resto, quase todos os 224 mil moradores e turistas deslocados de 23 municípios, desde 22 de julho, puderam voltar a suas casas ou locais de veraneio.

    O incêndio da região de Bordéus, considerado o mais grave desde 1949, foi dado como contido após queimar mais de 40 mil hectares em 11 dias.

    Na noite de domingo, os bombeiros ainda mediam forças com focos em Var e Gironda e um incêndio nas imediações de Carcassonne.

    Investigação

    O Ministério francês do Interior adiantou que 375 pessoas foram interrogadas, dentre as quais 142 menores, por suposta conexão com os incêndios. Trinta e seis ficaram detidas.

    Os bombeiros franceses admitem que os trabalhos de extinção podem perdurar “até as chuvas de inverno”, com o fogo latente no subsolo durante “vários meses”.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Especialistas divergem sobre anuência de Marrocos em migração à Ceuta

    Especialistas divergem sobre anuência de Marrocos em migração à Ceuta

    Especialistas em relações internacionais divergem em relação ao papel do Marrocos na crise imigratória em Ceuta, cidade espanhola em território africano, que recebeu uma onda de mais de 50 mil imigrantes nos últimos dias, deixando cerca de 100 mortos.

    O professor de História da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nuno Carlos de Fragoso Vidal, avalia que não seria possível uma imigração em massa, como a vista em direção à Ceuta, sem uma anuência do governo marroquino.

    O acadêmico angolano ressaltou à Agência Brasil que o governo espanhol de Pedro Sanchéz tem se aproximado de grupos da esquerda que apoiam a independência do Saara Ocidental, território ocupado por Marrocos, mas que é reivindicado pela Frente Polisário, grupo apoiado pela vizinha Argélia.  

    “O rei de Marrocos [Mohammed VI] chateia-se com esse apoio e resolve retaliar. Certamente aquela imigração em massa teve a anuência das autoridades marroquinas, muito certamente por conta da Frente Polisário, que é profundamente apoiada pelas forças de extrema esquerda da Europa”, disse.

    Controle

    O especialista em Europa e ex-senador pela Itália em 2006, o ítalo-brasileiro José Luís Del Roio, avalia que o governo marroquino controla muito bem todo o território, sendo uma espécie de Estado policial, podendo bloquear a movimentação de grandes contingentes de pessoas.  

    “Não é possível que deixem 80 mil jovens saírem correndo e não fazem nada. Se não fazem nada, é porque não quiseram fazer nada. O sistema marroquino é muito rigoroso no controle territorial. Então existe conivência, sim, do governo marroquino”, afirmou.

    Para o analista de geopolítica Del Roio, a imigração em massa foi “evento programado por forças poderosas”, sendo Israel “o grande suspeito”. “Primeiro, porque tem a capacidade de fazer isso e, segundo, porque Israel está furioso com a posição do governo espanhol em relação a Gaza e Cisjordânia”, disse. 

    Marrocos é um dos países que assinou o Acordo de Abraão, pacto entre Tel Aviv e países árabes usado para normalizar as relações com Israel, independentemente da questão palestina.   

    Juventude sem expectativa 

    Por outro lado, o professor marroquino de relações internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC), ressaltou à Agência Brasil que não há indícios do envolvimento de Marrocos na avalanche humana.

    Nadir lembra que o governo Sanchéz reconheceu o projeto de Marrocos para o Saara Ocidental em 2022, o que teria aplacado as hostilidades do país africano contra o governo Sánchez.

    Para ele, que estava em visita ao Marrocos quando a crise estourou, o acontecimento tem relação com a falta de expectativa de futuro da juventude marroquina e expressa o fracasso do projeto de desenvolvimento do país em alcançar essa parcela da população.

    “O que tenho visto aqui na rua é o mal-estar em relação ao aumento custo de vida, falta de oportunidades e o difícil acesso à saúde pública. Tudo isso faz com que a população marroquina sonhe em emigrar para Europa em busca de melhoria de vida”, disse.

    Inteligência espanhola 

    Os serviços de inteligência espanhóis concluíram, segundo apuração do jornal espanhol El País, que Marrocos não teria planejado a imigração em massa. Porém, o governo de Rabat teria permitido a movimentação dos jovens em seu território, usando a situação politicamente a seu favor.  

    A inteligência do país europeu concluiu que a omissão do governo de Rabat – capital do Marrocos –, foi um ato de “oportunismo” frente a uma crise que já estava em marcha.

    Em 2021, Ceuta foi o destino de outra onda imigratória do Marrocos, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira. Ao contrário da situação atual, naquela época a Espanha acusou Rabat de promover a imigração ao enfraquecer os controles fronteiriços.

    Os acontecimentos em Ceuta têm sido usados para reforçar a defesa de uma política anti-imigração mais rígida na Europa. O governo de Donald Trump chegou a responsabilizar as políticas da Espanha por “facilitar a imigração ilegal em massa para a Europa”.

    Ceuta e Melilla 

    O professor da UFRJ Nuno Carlos de Fragoso Vidal, por outro lado, rejeitou a hipótese de que o Rei Mohammed VI estaria sendo uma “marionete” do governo Trump ou de Israel.

    Analistas têm levantado essa hipótese devido ao fato de a Espanha ter sido o único país da Europa a se opor abertamente a guerra contra o Irã, tendo fechado o espaço aéreo do país para aeronaves militares dos EUA.

    Para o especialista da UFRJ, a anuência marroquina com a imigração tem relação com questões referentes ao próprio Estado do Marrocos. Ele acrescentou que Ceuta, assim como Melilla, é um enclave Espanhol em território Marroquino, e as duas cidades são reclamadas pelo país africano há décadas, sendo estratégico no controle do Estreito de Gibraltar.

    “Em uma altura em que o controle dos estreitos está a ganhar importância geopolítica e geoestratégica, Marrocos pode também estar a criar problemas por conta dessa reclamação”, ponderou Vidal.

    Ainda para o professor de História da África, o fato de a Espanha ter reconhecido o projeto do Marrocos para o Saara Ocidental não pacificou a relação entre Rabat e Madri.

    “Deveria ter pacificado as relações, mas Sanchéz tem se aproximado das alas mais radicais da esquerda espanhola que o sustentam no poder, e esses puxam por uma agenda pró-Sarauí [do povo do Saara Ocidental]”, comentou Nuno Vidal.

    A visita do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez à Argélia no mês passado, e o avanço no congresso da Espanha de projeto que prevê nacionalidade espanhola para saarauis que nasceram durante a ocupação espanhola, até 1976, têm sido apontados como motivos para atritos com o país africano.

    Espanha elogia Marrocos

    O governo da Espanha tem elogiado a postura do governo marroquino durante a crise de imigração, dizendo que Rabat, diferentemente de 2021, estaria colaborando com Madri para deportação dos imigrantes irregulares.

    “Desde o início, Marrocos ofereceu sua cooperação para tentar impedir esse fluxo de pessoas e, sobretudo, garantir seu retorno. A grande maioria dos que entraram já retornou a Marrocos, e o país continua oferecendo essa cooperação”, disse o ministro das relações exteriores José Manuel Albares, em entrevista à RTVE.

    Ao mesmo tempo, Albares acusa grupos “reacionários” internacionais de mobilizarem as redes sociais contra a Espanha.

    Para o analista José Luís Del Roio, o governo espanhol não acusa diretamente Marrocos para evitar o aumento das tensões com o país africano, uma vez que precisa da colaboração dos marroquinos.

    “Eles sabem perfeitamente qual é o quadro. Mas essa é uma decisão de não aumentar a tensão, porque já tem muita tensão, com EUA, com os europeus. É uma situação difícil”, comentou.

    Por outro lado, o presidente da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesus Vivas, afirmou ontem que “Marrocos já demonstrou que não é confiável”.

    Em declaração ao jornal El País, Vivas acrescentou que Marrocos não “quer” ter boas relações e pediu que Espanha e a Europa exijam respeito do Marrocos em relação as fronteiras.

    Marrocos se manifesta

    Neste domingo (2), o governo do Marrocos se pronunciou oficialmente pela primeira vez desde o início da crise de imigração em Ceuta e Melilla. O porta-voz do ministério do interior do país africano disse que a crise foi resultado da disseminação de notícias falsas.

    “Estes acontecimentos não se devem a fatores circunstanciais ou espontâneos, mas sim ao resultado da interação de vários fatores interligados”, disse Rachid El Khalfi, em declaração à imprensa.

    Segundo ele, houve “a instrumentalização tendenciosa” das redes sociais com disseminação de notícias falsas “que visavam criar a ilusão de fácil acesso ao espaço europeu sem consequências legais”.
     


    Brasília - DF - 03/08/2026 - Crise imigratória em Ceuta repercute na Europa e no mundo. Fonte: Google Maps


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Cuba tem novo apagão nacional em menos de 24 horas

    Cuba tem novo apagão nacional em menos de 24 horas

    A rede nacional de energia de Cuba registrou um novo apagão nesta segunda-feira (3), o segundo em menos de 24 horas e o sétimo a afetar toda a ilha neste ano.

    A empresa estatal Unión Eléctrica (UNE) informou nas redes sociais que a nova falha ocorreu na tarde de ontem, durante o processo de restabelecimento do apagão de domingo (2), devido a “eventos meteorológicos” que provocaram danos na rede elétrica, o que incidiu “diretamente nas unidades geradoras” que estava inoperantes.

    “Continuamos trabalhando intensamente para reverter esta situação e alcançar o restabelecimento do sistema o mais rapidamente possível”, acrescentou a mensagem da empresa, ligada ao Ministério de Energia e Minas (Minem).

    Às 22:43 de domingo ocorreu uma interrupção total do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN). O episódio foi reportado pela Unión Eléctrica que informou também que já havia iniciado os trabalhos de restabelecimento. 

    Ao meio-dia de segunda-feira, a empresa estatal de energia informou que tinha restabelecido a eletricidade em 29 circuitos de distribuição em Havana que prestam serviço a 87.480 clientes, o equivalente a 14,27% da cidade, e também em 19 hospitais, entre outros serviços essenciais como o abastecimento de água.

    Restabelecimento

    Sobre o assunto, o diretor do centro nacional de distribuição da UNE, Félix Estrada, explicou à televisão estatal que, no momento da última falha, estavam prestes a sincronizar várias centrais térmicas no Sistema nacional. O processo foi retomado gradualmente para restabelecer o serviço.

    Em situações semelhantes anteriores, o restabelecimento da rede foi um procedimento lento e moroso que chega a durar 24 horas ou mais, pois pressupõe começar a gerar energia com fontes de arranque simples (solar, hidrelétrica, motores de geração) para ir alimentando pequenas áreas que depois se vão interligando.

    O objetivo deste processo é levar o mais rapidamente possível energia suficiente às centrais termoelétricas – principal fonte de geração em Cuba –, para que estas possam voltar a operar e produzir energia em grandes quantidades para satisfazer a procura.

    Em março, a ilha sofreu dois apagões nacionais por uma desconexão total do SEN em menos de uma semana, e em julho somaram-se outros três casos em apenas oito dias.

    Cada falha nacional nestes últimos meses deixou sem corrente a maioria dos 9 milhões de habitantes da ilha.

    Embargo

    A crise energética cubana deve-se à capacidade reduzida de produção elétrica do país e à pressão norte-americana, que não permite que a ilha importe petróleo ou derivados. O país, no entanto, precisa importar cerca de metade das suas necessidades energéticas.

    O governo cubano reconhece que a situação da rede energética da ilha é “aguda, crítica e extremamente tensa”, marcada tanto pelo bloqueio petrolífero norte-americano como por um sistema energético profundamente obsoleto.

    Segundo várias estimativas, a ilha caribenha necessita de mais de 100 mil barris de petróleo por dia para satisfazer as necessidades energéticas, mas produz apenas cerca de 40 mil. O restante precisa vir do exterior.

    O último petroleiro a chegar a Cuba foi o russo Anatoli Kolodkin, um navio sancionado pelos Estados Unidos que entrou na baía de Matanzas em 31 de março com cerca de 730 mil barris de petróleo, montante que deub apenas para cobrir a procura energética da ilha durante duas semanas de abril.

    A situação energética em Cuba paralisou quase totalmente a economia do país, que deve diminuir 6,5% neste ano, após uma queda acumulada de mais de 15% nos cinco anos anteriores.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Viva o Verde SP fortalece gestão de parques com 10 comunidades de São Paulo

    Viva o Verde SP fortalece gestão de parques com 10 comunidades de São Paulo

    Parques municipais de todas as regiões da cidade de São Paulo estão recebendo um reforço para aprimorar sua gestão e desenvolvimento, em busca de melhorias para esses espaços públicos e maior participação da população. O Viva o Verde SP, parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), vai elaborar, junto à sociedade civil, planos participativos de gestão e financiamento de 10 parques do município. E o pontapé inicial está acontecendo diretamente nas comunidades que serão beneficiadas.

    Desde junho, a equipe do Viva o Verde SP participa de reuniões dos Conselhos Gestores e Conselhos Municipais do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CADES) regionais da cidade para apresentar a segunda fase da iniciativa, que busca seguir promovendo uma reaproximação da população com as áreas verdes. Na primeira etapa, que durou 3 anos – de 2022 a 2025 –, foi realizado o diagnóstico de mais de 100 parques, a elaboração de planos de gestão de oito deles (confira aqui os documentos), entre diversas outras ações.

    Agora, o projeto está desenvolvendo um guia metodológico para a elaboração dos Planos de Gestão e Financiamento, documentos que guiam a administração, usos e normas de parques da cidade. Eventualmente, todos esses espaços (atualmente somando 124 parques municipais administrados pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente – SVMA) terão seus próprios planos de gestão.

    Os 10 parques atualmente representados, definidos a partir do Quadro de Priorização dos Parques elaborado na primeira fase do Viva o Verde SP, são:

    – Linear Água Vermelha, Sapopemba, Vila do Rodeio e Linear Zilda Arns Neumann na Zona Leste;

    – Linear Sapé na Zona Centro-Oeste;

    – Jardim Prainha, Nascentes do Ribeirão Colônia e Sete Campos na Zona Sul;

    – Anhanguera e Linear Bananal-Canivete na Zona Norte.

    Parques concentrados principalmente em áreas periféricas de São Paulo já receberam avaliações específicas, e agora terão também novos Planos de Gestão e Financiamento.
    Legenda: Parques concentrados principalmente em áreas periféricas de São Paulo já receberam avaliações específicas, e agora terão também novos Planos de Gestão e Financiamento.
    Foto: © Arte/ONU-Habitat Brasil

    O propósito de um Plano de Gestão e Financiamento é subsidiar a estrutura de governança de um parque, servindo de guia para as pessoas gestoras, e atuar como um mecanismo de controle social por parte da sociedade. O documento busca garantir a continuidade de políticas, programas, projetos e iniciativas para o espaço público e orientar as prioridades e recursos necessários para implementação de cada ação proposta.

    Participação popular 

    As reuniões nos Conselhos Gestores dos parques selecionados e nos CADES têm contribuído para dar destaque aos anseios da população em relação a esses parques. Nesses encontros, gestoras e gestores, pessoas frequentadoras e integrantes dos Conselhos Gestores têm reforçado que engajar as comunidades e realizar oficinas participativas para validar propostas e ouvir moradoras e moradores são ações fundamentais para garantir a inclusão da sociedade na gestão e desenvolvimento dos parques.

    “O Viva o Verde SP fortalece nosso compromisso com uma gestão cada vez mais participativa dos parques municipais e ao envolver conselhos gestores, lideranças locais e a população na construção dos planos de gestão, garantimos que esses espaços atendam às necessidades de cada território. Essa parceria com o ONU-Habitat contribui para tornar nossos parques mais acolhedores, sustentáveis e conectados com as comunidades que os utilizam“, afirma o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley Soares.

    A gestão do Parque Municipal Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, local que é exemplo de área recuperada de aterro e hoje atende uma função social de lazer e prática esportiva, somada à função ambiental – fortalecida com a plantação de centenas de árvores –, destaca que essa aproximação com a comunidade está sendo muito bem recebida na região.

    “O pessoal está bastante confiante com a evolução, com a questão da segurança, do uso dos espaços, com as opções que estão surgindo no parque, que não tinha há um tempo. O que ainda se cobra é a arborização, porque o parque tem poucas árvores. Acredito que a população, o pessoal que mora no entorno, que frequenta o parque, todos gostaram muito da ideia desse projeto, de a gente tentar melhorar, fazer com que a população abrace o local como um parque, e deixe de ver como um extinto aterro sanitário. Essa parceria com o Viva o Verde SP é muito bem-vinda. A parceria está formada: a gente só tem a ganhar com isso”, afirma o gestor Adilson Marcio Ferreira.

    Próximos passos 

    Os encontros incluem uma mobilização prévia de lideranças comunitárias e integrantes dos Conselhos Gestores dos parques, seguida do processo de criação dos planos de gestão. Os próximos passos envolvem etapas como a realização de oficinas participativas para diagnóstico e desenvolvimento de soluções junto à população, validação desses documentos junto à prefeitura e sociedade civil, e realização de sessões de treinamento para implementação dos planos no dia a dia dos parques.

    “A participação do conselho gestor e de lideranças locais na elaboração do plano de gestão e financiamento é fundamental por vários motivos: faz com que o plano atenda com precisão as necessidades específicas da população local, estimula o sentimento de pertencimento e atrai mais visitantes”, explica o coordenador do Viva o Verde SP, Jordi Sánchez-Cuenca.

    Os 10 parques que receberão planos de gestão na fase atual do projeto foram alvo de avaliações específicas na primeira fase, quando foram definidos como prioritários a partir de um diagnóstico de todos os parques municipais da cidade.
    Legenda: Os 10 parques que receberão planos de gestão na fase atual do projeto foram alvo de avaliações específicas na primeira fase, quando foram definidos como prioritários a partir de um diagnóstico de todos os parques municipais da cidade.
    Foto: © ONU-Habitat Brasil

    Em maio, técnicos da prefeitura e do ONU-Habitat se reuniram com representantes da gestão dos parques atendidos pelo projeto para tratar da construção conjunta dos novos planos de gestão. Essas e esses profissionais terão participação direta na elaboração dos documentos, apoiando e conduzindo ações, em especial no contato com os Conselhos Gestores.

    Sobre o Viva o Verde SP 

    O Viva o Verde SP busca promover uma reaproximação da população com as áreas verdes. Para isso, em sua primeira fase (2022-2025), realizou ações voltadas a fortalecer a capacidade de São Paulo para promover espaços públicos verdes no município e nos bairros de forma inclusiva, aprimorando sua estrutura de gestão com foco na participação popular e no protagonismo de meninas e mulheres.

    Ao colaborar com modelos inovadores de gestão e manutenção das áreas verdes, o projeto também contribuiu com o Programa de Metas 2021-2024 do município, que tratou da implementação de oito novos parques no período. Envolvendo diversas frentes de atuação e projetando São Paulo internacionalmente, o Viva o Verde SP vem contribuindo para viabilizar novas e futuras parcerias da capital paulistana com outras cidades comprometidas com a igualdade na distribuição, acesso e uso de espaços públicos verdes.

    Em sua segunda fase, iniciada em 2026, a parceria está implementando as principais recomendações levantadas na primeira etapa. Com foco nas áreas de digitalização, avaliação, gestão e comunicação, a iniciativa vai aplicar estratégias para distribuir mais equitativamente os espaços públicos verdes, elaborar ferramentas digitais de monitoramento e desenho participativo desses locais e ampliar os espaços de engajamento da sociedade civil na gestão dos parques municipais de São Paulo.

    Contatos para a imprensa:

    Fonte: brasil.un.org

  • Número de mortos nos terremotos de junho na Venezuela ultrapassa 6 mil

    Número de mortos nos terremotos de junho na Venezuela ultrapassa 6 mil

    O número de mortos causados pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela em junho subiu para 6.125, segundo dados divulgados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, nesta segunda-feira (3).

    Quase 61 mil pessoas receberam atendimento em hospitais, segundo o gráfico publicado por Rodríguez no Telegram, que acrescentou que 16,5% dos escombros gerados pelos terremotos já haviam sido removidos.

    A presidente interina, Delcy Rodríguez, que conta com o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, defende a resposta do governo em meio a críticas de que militares e outras autoridades chegaram tarde e fizeram pouco para ajudar as vítimas do terremoto, incluindo pessoas que ficaram presas nos escombros.

    Relembre

    No dia 24 de junho, terremotos de 7,2 e 7,5 na escala Richter, de força muito destrutiva, ocorreram com menos de um minuto de intervalo e causaram milhares de desabamentos em diversas regiões do país. As áreas mais afetadas foram La Guaíra e Caracas.

    De acordo com o governo, mais de 850 edifícios foram afetados e 190 ruíram por completo.

    O drama vivido no país vizinho motivou a solidariedade mundo afora. Países como Estados Unidos, China, Brasil, México, Reino Unido, entre outros, enviaram equipes de resgate, equipamentos, remédios e alimentos para a Venezuela.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Espanha cita grupos “reacionários” e fake news em imigração em Ceuta

    Espanha cita grupos “reacionários” e fake news em imigração em Ceuta

    O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que houve uma coordenação da “internacional reacionária” na onda de desinformação que levou milhares de pessoas, em Marrocos, a tentar imigrar para o enclave espanhol de Ceuta, na África.

    “Houve também uma resposta sincronizada da internacional reacionária, que amplificou muito rapidamente o que estava acontecendo e espalhou mentiras e notícias falsas sobre a integridade do Espaço Schengen [que permite o livre trânsito de pessoas na União Europeia] e sobre as ações da Espanha”, disse o chanceler espanhol, nesta segunda-feira (3), em entrevista ao canal RTVE.

    Albares argumenta que houve uma atividade “muito inusual” nas redes sociais que distorceu uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha. A decisão alterou as regras para lidar com imigrantes irregulares que chegam a nado no país, proibindo a deportação sumária.  

    Segundo o ministro, usaram a decisão do tribunal para espalhar notícias falsas de que seria possível imigrar para Espanha sem possibilidade de deportação, o que é falso.

    “Precisamos monitorar as redes sociais e combater a desinformação, que tem sido o elemento-chave para desencadear esse movimento sem precedentes. A reação que temos visto nas redes sociais por parte do movimento reacionário internacional precisa ser combatida de forma clara”, completou o chanceler.

    Ele cobrou solidariedade da Europa, lembrando que as cidades de Ceuta e Melilla são as únicas da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África. 

    Durante a entrevista, o ministro José Manuel Albares fez críticas à Itália, que tem defendido expulsar a Espanha do Espaço Schengen.

    Os acontecimentos em Ceuta têm sido usados para reforçar a defesa de uma política anti-imigração mais rígida na Europa. O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a responsabilizar as políticas da Espanha por “facilitar a imigração ilegal em massa para a Europa”.

    O embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU), Danny Danon, chamou as cidades de Ceuta e Mellila de “enclave coloniais na África”. 

    A encarregada de Negócios de Israel na Espanha, Dana Erlich, precisou vir a público dizer que o comentário de Danon “não representa a posição do Estado de Israel”.

    O governo da Espanha tem acumulado atritos políticos e diplomáticos com Washington e Tel Aviv por se opor à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, e também pelas posturas críticas de Madri em relação à ação de Israel nos territórios palestinos.  


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Cuba volta a ficar no escuro com colapso de rede elétrica

    Cuba volta a ficar no escuro com colapso de rede elétrica

    A rede elétrica de Cuba entrou em colapso no final desse domingo (2), informou a operadora estatal da rede, deixando a ilha — com cerca de 10 milhões de habitantes — às escuras, no momento em que os apagões se tornam cada vez mais frequentes.

    A interrupção ocorre após três apagões em todo o país em julho e surge quando o bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos sobrecarrega ainda mais a envelhecida infraestrutura energética da ilha.

    A União Elétrica de Cuba não forneceu mais detalhes sobre a situação em suas publicações no X e no facebook.

    A pressão sobre o sistema elétrico tem aumentado à medida em que Cuba enfrenta dificuldades para garantir as importações de combustível.

    O país perdeu uma fonte essencial de combustível após um bloqueio petrolífero imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, após a destituição do presidente venezuelano, Nicolás Maduro por Washington, em 3 de janeiro.

    A Venezuela há muito tempo era o principal fornecedor de petróleo de Cuba, e as importações do México também foram interrompidas em meio à crescente pressão dos EUA.

    A crise coincide com uma abertura cautelosa do setor energético cubano, rigidamente controlado, impulsionada pela escassez de combustível e pelas severas sanções dos EUA.

    Recentemente, Havana autorizou seu primeiro empreendimento de importação de combustível com participação estrangeira e permitiu que cerca de 200 empresas cubanas participassem da distribuição de combustível no atacado.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Espanha põe barreira flutuante em Ceuta após fluxo morte de imigrantes

    Espanha põe barreira flutuante em Ceuta após fluxo morte de imigrantes

    A Espanha começou neste sábado (1º) a instalar uma barreira flutuante de 500 metros na fronteira entre o enclave de Ceuta e Marrocos, após a tentativa de travessia que deixou ao menos 67 mortos. Segundo o governo espanhol, a entrada de migrantes na região foi interrompida durante a noite.

    Segundo as autoridades espanholas, cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar desde quinta-feira, num fluxo sem precedentes numa das únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Mais de 48 mil delas voltaram para o Marrocos em 48 horas, informou a Espanha.

    Um vídeo da Reuters divulgado no sábado flagrou soldados e policiais espanhóis patrulhando a praia de Tarajal, praticamente deserta e envolta em neblina.

    Reunião de emergência

    A Guarda Civil começou a instalar a nova barreira às 7h50 do horário local no quebra-mar de Tarajal, um dos principais pontos utilizados por pessoas que tentam entrar no pequeno território espanhol, informou o governo em comunicado.

    A barreira pneumática, juntamente com uma linha de boias navais ancoradas, foi projetada para ficar de 30 a 70 centímetros acima da água e se estender até um metro abaixo da superfície, acrescentou, enquanto um canal entre as barreiras permitirá que embarcações da Guarda Civil patrulhem a área.

    A travessia em massa gerou alarme em toda a União Europeia, e 22 Estados-membros escreveram uma carta solicitando ações coordenadas para proteger as fronteiras externas e outras medidas.

    A Irlanda, que detém a presidência rotativa da UE, afirmou ter convocado uma reunião de emergência por videoconferência com os ministros do Interior do bloco para discutir a crise na terça-feira (4).

    O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de centro-esquerda, criticou na sexta-feira (31) a decisão da Itália de suspender por um mês o acordo de livre circulação de pessoas com Madri, dentro do espaço Schengen.

    “No atual contexto internacional, a UE não pode se dar ao luxo de ter esse tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal”, escreveu Sánchez em uma carta aos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.

    Mortes

    Pelo menos 67 corpos foram recuperados no lado espanhol da fronteira, disseram as autoridades, depois que alguns migrantes se afogaram e outros foram esmagados ao tentar escalar o quebra-mar e a cerca da fronteira.

    Muitos foram levados a migrar por dificuldades econômicas e incentivados por boatos nas redes sociais.

    O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, culpou as redes de tráfico de pessoas por explorarem migrantes vulneráveis ​​e por disseminarem interpretações enganosas de uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol, segundo a qual os migrantes interceptados no mar não podem ser devolvidos sumariamente na ausência de uma barreira física.

    Falando de Ceuta, Grande-Marlaska disse aos repórteres que a Espanha havia restabelecido a ordem em grande parte em 24 horas, mas alertou que a crise ainda não havia terminado formalmente e que os reforços policiais e militares permaneceriam enquanto fossem necessários, embora as travessias noturnas tivessem caído para quase zero.

    “Marrocos não representa qualquer ameaça para Ceuta ou para o resto da Espanha — é um parceiro totalmente confiável”, disse, acrescentando que não havia informações de inteligência indicando que uma entrada em massa fosse iminente.

    O sindicato AUGC, que representa a Guarda Civil espanhola, afirmou estar solicitando um reforço de pelo menos 200 agentes e alertou que é necessário um esforço maior para impedir que as pessoas contornem a nova barreira inflável a nado.

    Madri afirmou que as pessoas que entraram em Ceuta irregularmente não poderiam viajar para o resto da Espanha continental ou para qualquer outro lugar na zona Schengen.

    Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores acrescentou que os viajantes que saem de Ceuta por via marítima ou aérea são submetidos a verificações de identidade pela polícia, o que representa uma segunda camada de controle após a fronteira terrestre com Marrocos.

    Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, introduzindo um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

    Mas rejeitou as sugestões de que o programa de regularização teria incentivado a entrada descontrolada em Ceuta, afirmando que os candidatos devem comprovar residência na Espanha antes de 1º de janeiro de 2026 e cinco meses consecutivos de residência no momento da inscrição.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Incêndios florestais devastam diversas áreas da Grécia

    Incêndios florestais devastam diversas áreas da Grécia

    Incêndios florestais, alimentados por ventos fortes, devastaram diversas áreas da Grécia neste sábado, incluindo as proximidades de Atenas. Foram feitas grandes operações de combate ao fogo e evacuações de emergência em andamento, enquanto as condições pioravam novamente em partes da Espanha e da França.

    A Europa foi devastada por incêndios florestais neste verão, após um período de sucessivas ondas de calor recordes e pouca chuva. Vilarejos na França e na Espanha foram destruídos e centenas de milhares de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas e acomodações de férias.

    O fogo intensificado por ventos se espalharam por toda a Grécia, país que até recentemente havia passado por menos ondas de calor e por uma temporada de incêndios relativamente tranquila.

    Uma transmissão ao vivo da Reuters mostrou bombeiros, policiais e ambulâncias se retirando lentamente diante de uma parede de fogo e fumaça que engolia florestas e arbustos no terreno montanhoso de Agia Paraskevi, perto de Porto Germeno, a cerca de 60 quilômetros a noroeste da capital Atenas.

    As autoridades disseram que os fortes ventos estavam dificultando os esforços de combate aos incêndios, tornando-os impossíveis em alguns locais.

    Sudeste da França

    Na França, um incêndio na região montanhosa de Var, no sudeste do país, que havia sido controlado três dias antes, reacendeu na sexta-feira (31), alastrando-se por mais de 1 mil hectares em seis horas.

    O ministro do Interior francês, Laurent Núñez, disse a jornalistas que a situação no Var era “muito grave” e que os incêndios já afetaram 119 mil hectares na França este ano.

    “A situação está completamente fora de controle”, disse Eric Grohin, diretor do serviço de bombeiros e resgate do departamento de Var, acrescentando que a situação continua “muito complicada”, com temperaturas de 40 graus Celsius e ventos que devem aumentar de intensidade.

    O prefeito local, Simon Babre, também afirmou que vários focos de incêndio foram controlados no sábado por aeronaves de combate a incêndio e mais de 1,5 mil pessoas em terra.

    Quase 2,5 mil pessoas foram evacuadas durante a noite, e os bombeiros trouxeram reforços no sábado, quando se esperava que os ventos se intensificassem e complicassem os esforços para controlar o incêndio.

    No sudoeste da França, o santuário de animais South Gironde estava tratando cervos que escaparam de um grande incêndio perto de Bordeaux, que durou mais de uma semana, mas sofreram queimaduras ou acidentes devido ao pânico, como colisões com carros ou cercas, disse o gerente Patrick Meng.

    “Há centenas de milhares de mortes (de animais); é uma catástrofe”, disse.

    Espanha

    A Espanha continuou combatendo vários focos de incêndio florestal no sábado, dois dias depois de o governo ter declarado o fim do estado de emergência nacional causado pelos enormes incêndios nas províncias centrais do país.

    As condições pioraram na província de León, no norte do país, onde um novo incêndio começou durante a noite, outro permanecia ativo e um terceiro apresentava uma evolução favorável, segundo as autoridades. Na província vizinha de Zamora, um incêndio que devastou cerca de 11 mil hectares apresentou melhora suficiente para que 14 cidades evacuadas pudessem reabrir e as restrições fossem suspensas.

    Na província de Castellón, no leste do país, o incêndio em Vall d’Uixo foi controlado no sétimo dia, após ter consumido quase 10 mil hectares, permitindo o retorno de todos os moradores evacuados. A polícia afirmou suspeitar de incêndio criminoso após encontrar dois focos de ignição distintos.

    Os grandes incêndios nas regiões centrais de Madrid e Ávila, que queimaram mais de 70 mil hectares, foram controlados. Um novo foco perto da represa de San Juan, a oeste da capital, foi extinto na sexta-feira.

    Alertas

    As autoridades gregas emitiram alertas de emergência para diversas áreas no sábado e alertaram para o risco extremo de incêndios florestais nas regiões da Ática e da Eubeia.

    Mais de 300 bombeiros, 92 caminhões de combate a incêndio, máquinas pesadas e aeronaves continuam combatendo um incêndio na região da Beócia, onde mais de 200 pessoas da cidade de Agios Vasileios, a cerca de 80 km a noroeste de Atenas, tiveram que ser evacuadas por via marítima.

    Outras 12 pessoas, fugindo do mesmo incêndio, foram evacuadas da praia de Porto Germeno por barcos da Guarda Costeira Grega e uma embarcação do Corpo de Bombeiros.

    O incêndio em Porto Germeno se dividiu em três frentes e muitas casas foram atingidas pelas chamas na região, informou o jornal Protothema. As autoridades orientaram os moradores das cidades vizinhas de Agia Paraskevi, Kryo Pigadi e Agios Nektarios a evacuarem a área.

    Os países da UE estão tendo uma temporada de incêndios florestais acima da média, ultrapassando já o ano recorde de 2025.

    Em partes da Europa Ocidental e Meridional, um inverno relativamente úmido alimentou florestas e matagais antes que sucessivas ondas de calor transformassem o novo crescimento em material inflamável, deixando combustível abundante para incêndios.

    Mortes

    O impacto dos eventos climáticos extremos vai muito além da devastação generalizada causada pelos incêndios.

    Na Áustria, a Agência Nacional de Saúde e Segurança Alimentar registrou um número recorde de 395 mortes relacionadas ao calor no mês de junho.

    No início desta semana, o Reino Unido informou que cerca de 2.877 pessoas morreram este ano devido a causas relacionadas ao calor, enquanto a França registrou 5.764 mortes no país entre 17 de junho e 2 de julho, e o Instituto Robert Koch (RKI) da Alemanha estimou que 9,8 mil pessoas morreram este ano em decorrência das altas temperaturas.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Waico e Pax Silica: entenda disputa entre China e EUA por futuro da IA

    Waico e Pax Silica: entenda disputa entre China e EUA por futuro da IA

    A China e os Estados Unidos (EUA) lideram iniciativas distintas que buscam influenciar a cadeia produtiva em torno da Inteligência Artificial (IA), com repercussões geopolíticas que podem definir a disputa pelo futuro da tecnologia, vista como fundamental para o desenvolvimento econômico e social dos países.

    A iniciativa dos EUA aposta em criar um sistema com “parceiros confiáveis” para controlar cadeias de suprimento de IA de semicondutores, minerais críticos e energia. Já a proposta liderada por Pequim convoca todas as nações para participar da governança da IA por meio de sistemas de códigos abertos, que permite a apropriação da tecnologia por qualquer empresa ou organização. 

    O governo brasileiro tem afirmado que o país não pode ficar dependente de nenhum modelo, seja chinês ou ocidental, defendendo o diálogo com todas as iniciativas que possibilite alcançar uma soberania digital brasileira. 

    O governo de Donald Trump, enquanto boicota iniciativas multilaterais para estabelecer regras sobre IA nas Nações Unidas (ONU), lançou, em dezembro de 2025, a Pax Silica. Inicialmente, fizeram parte da iniciativa Japão, Israel, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos (EAU), Singapura, Países Baixos (Holanda), Singapura e Austrália. 

    Atualmente, a iniciativa é formada por 23 países e a União Europeia. Em junho deste ano, ingressaram na parceria os países latino-americanos Argentina, El Salvador, Chile, Costa Rica e Panamá. Também compõe o grupo Índia, Catar e Filipinas.  

    A Pax Silica busca coordenar, entre países alinhados à Casa Branca, “uma ordem econômica duradoura que sustente uma era de prosperidade impulsionada pela IA em todos os países parceiros”.

    Entre os objetivos, está o de garantir a “segurança” no acesso aos insumos e matérias-primas de tecnologia, além de “abordar vulnerabilidades” dessa cadeira produtiva e “explorar investimentos conjuntos”.

    O especialista em governança de IA Ettore Arpini, fundador da organização Plures, que apoia a formação de profissionais para atuação em IA, destacou à Agência Brasil que a iniciativa dos EUA favorece poucos países aliados, “deixando o restante do mundo a ver navios”.  

    Segundo Arpini, esse modelo traz riscos para empresas e países que dependam de determinada IA estrangeira para seus negócios.

    “Digamos que o carro-chefe da economia de um país dependa do modelo de IA do Chat GPT, por exemplo. Pode ser que, de uma hora para outra, uma decisão de Washington bloquei o acesso a essa IA. Isso pode congelar a economia inteira do país, que fica totalmente dependente e nas mãos, nesse caso, dos EUA ou dessas poucas big techs”, explicou.


    EUA - Pax Silica is the Department of State’s flagship effort on AI and supply chain security, advancing new economic security consensus among allies and trusted partners. Foto: Divulgação

    Pax Silica, iniciativa dos EUA com países aliados na área de inteligência artificial. Foto: Divulgação – Divulgação

    China e a Waico  

    Por outro lado, a China apostou, para uma governança internacional da tecnologia, no lançamento da Organização Mundial de Cooperação em IA (Waico), criada em julho deste ano, com sede em Xangai. A Waico é aberta para todos os países e assinada por 29 nações, incluindo o Brasil.

    Também assinaram a declaração a Rússia, Indonésia, Cazaquistão, África do Sul, Quênia, Etiópia, Moçambique, Venezuela, Cuba, Omã, Paquistão, entre outros.

    A declaração de criação da Waico defende o desenvolvimento da IA de código aberto, ou seja, que permite o uso livre da tecnologia por terceiros, sem necessidade de manter um contrato pago, como ocorre com as bigtechs dos EUA como OpenIA, dona do Chat GPT, Anthropic, dona do Claude, ou Google, dono do Gemini.


    Signing ceremony of the agreement establishing the World Artificial Intelligence Cooperation Organization. Shanghai, 16 July 2026. Foto: Divulgação

    Cerimônia de lançamento da Waico, em Xangai – Divulgação

    IA com código aberto

    Uma IA de código aberto permite que a tecnologia seja examinada, estudada, modificada e redistribuída por qualquer pessoa ou organização, usando o software em servidor próprio, sem precisar enviar informações a terceiros.

    Por outro lado, a IA com código fechado, de propriedade de uma empresa, pode ser usada apenas mediante autorização do proprietário da tecnologia, geralmente por meio do pagamento de algum valor. Nesses casos, o preço pode ser alterado ou o acesso a tecnologia cortada de uma hora para outra.

    O professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Sérgio Amadeu da Silveira, especialista em tecnologia e sociedade, aponta que iniciativa da China pode trazer ganhos para países que não desenvolveram ainda uma IA de ponta.

    Por outro lado, Silveira pondera que os demais países, como o Brasil, precisam desenvolver a própria infraestrutura local para processar a IA e poder se beneficiar da iniciativa chinesa.

    “Se a gente não desenvolver capacidades aqui dentro e, principalmente, infraestruturas nossas, a gente não vai conseguir nem se apropriar do conhecimento [disponibilizado pela China via IA com código aberto]”, comentou.

    Foco no Sul Global

    A declaração oficial da Waico destaca que a governança global da IA deve ser promovida por todos com objetivo de “reduzir e eliminar barreiras técnicas” e orientada ao desenvolvimento sustentável.

    “O Sul Global deve desenvolver tecnologia e serviços de IA com base em suas próprias condições nacionais, ajudando o Sul Global a realmente entrar em contato e aplicar a inteligência artificial e a promover o desenvolvimento inclusivo”, diz o documento.

    No discurso de lançamento, o presidente da China Xi Jinping mandou recados indiretos aos EUA, destacando que a “segurança nacional” de um país não pode ser alcançada em detrimento da segurança dos outros países.

    “O desenvolvimento da IA não deve ser uma atuação solo de um único país, mas sim uma sinfonia de cooperação global”, afirmou Xi.

    Para o especialista em IA Ettore Arpini, a iniciativa chinesa vai na contramão da lógica desenvolvida pelos EUA.

    “Em vez de concentrar o acesso em quem é já é aliado confiável, o posicionamento da China é de abrir os modelos, acumular aliados e fazer uma governança global com todos os países que quiserem participar. Tudo isso alegando que essa é uma tecnologia transformadora e que precisaria ser entendida como um bem comum”, disse.

    Os especialistas Arpini e Amadeu destacaram que o interesse da China, com a Waico, é também comercial, para além de uma influência geopolítica. Isso porque a China pode ganhar por meio da oferta de infraestrutura para os países que venham a adotar a IA de código aberto em desenvolvimento no país asiático.

    “O Brasil tem que pagar uma assinatura para rodar o Chat GPT. Com a iniciativa Waico, a gente pode rodar um modelo local, aberto, desenvolvido na China. Para Pequim, será interessante a partir do momento que a gente use infraestrutura e chips que a China proveria, e não os EUA”, explicou Ettore Arpini.


    Brasília - 31/07/2026 - Iniciativas da China (Waico) e dos EUA (Pax Silica) para governança da IA. Arte. Foto: governança da IA

    Brasília – 31/07/2026 – Iniciativas da China (Waico) e dos EUA (Pax Silica) para governança da IA. Arte. Foto: governança da IA – Governança da IA


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br