Categoria: Mundo

  • A 15 dias das eleições, ONU Mulheres apresenta dez propostas pela vida das mulheres

    A 15 dias das eleições, ONU Mulheres apresenta dez propostas pela vida das mulheres

    A ONU Mulheres lançou, nesta quinta (17) o documento 10 Propostas pela Vida das Mulheres, voltado a candidatas, candidatos, partidos políticos, instituições públicas e à sociedade. A iniciativa busca qualificar o debate público e fortalecer compromissos com a igualdade de gênero no contexto das eleições de 2026

    “Não há democracia sem mulheres no poder. As desigualdades que mantêm as mulheres longe das instâncias de decisão são as mesmas que organizam a vida delas fora da política: a sobrecarga de cuidado, a diferença salarial e a violência”, afirma a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret.

    “Estas dez propostas são caminhos objetivos para que a democracia brasileira represente, de fato, a maioria da sua população.”

    A representante redigiu e publicou uma carta aberta detalhando a motivação por trás das 10 propostas. Os dados reunidos no documento mostram a dimensão do desafio: 

    • No Brasil, as mulheres dedicam 21,3 horas por semana a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, contra 11,7 horas dos homens. 
    • Nas empresas com mais de 100 funcionários, recebem cerca de 21% menos que os homens. 
    • Uma em cada três mulheres sofre violência ao longo da vida e, em 2025, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no país, 65,1% delas negras e 62,5% mortas dentro da própria casa.

    O documento também trata do clima. Na COP30, em Belém, as mulheres foram 44% das delegações nacionais, mas apenas 36% de quem as chefiava, e nos ministérios de meio ambiente da América Latina ocupam 7% dos cargos de direção, o pior índice do mundo. O Brasil já dispõe de instrumentos para mudar esse quadro, como a Estratégia Transversal Mulheres e Clima, prevista no Plano Clima 2024-2035.

    “O objetivo das propostas é fomentar o debate público e apontar caminhos concretos”, diz Gallianne. “Qualquer candidatura, de qualquer partido, pode assumir esses compromissos. E qualquer eleitora e eleitor pode cobrar. Quem pede o voto das mulheres precisa dizer o que fará por elas.”

    A ONU Mulheres não apoia candidaturas nem partidos. O documento é parte da atuação da organização pela participação política das mulheres e pelo enfrentamento à violência política de gênero e raça no ciclo eleitoral de 2026.

    Para saber mais, acesse as 10 Propostas pela Vida das Mulheres. Reprodução livre, com citação da fonte.

    Sobre a ONU Mulheres

    A ONU Mulheres é a entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e o secretariado da Comissão pelo Status da Mulher da ONU. Atua para transformar leis, instituições, comportamentos sociais e serviços em quatro áreas: liderança e participação política, empoderamento econômico, eliminação da violência contra mulheres e meninas, e mulheres, paz e segurança, além da ação humanitária.

    Contato para a imprensa

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU lança Década da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável

    ONU lança Década da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável

    A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, em 4 de setembro, o período de 2027 a 2036 como a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável, estabelecendo um marco global de dez anos para fortalecer a cultura em prol de sociedades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. 

    Iniciada pelo Vietnã, com o apoio de um grupo inter-regional de copatrocinadores e do Grupo de Amigos da Cultura, a Década representa um importante avanço para colocar a cultura no centro do próximo marco mundial de desenvolvimento. Proposta pela Conferência Geral da UNESCO, por meio da Resolução 43 C/41, e apresentada como o projeto de resolução A/80/L.102, a resolução, copatrocinada por 103 Estados-membros, foi adotada por votação registrada, com 174 votos a favor, um contra e nenhuma abstenção.

    A adoção da resolução assume particular relevância diante do atual contexto internacional desafiador. Em um momento marcado pela sobreposição de crises globais e pela crescente pressão sobre a cooperação internacional, os Estados-membros se uniram em torno de uma convicção comum: a cultura pode contribuir para a construção de consensos e para o avanço do desenvolvimento sustentável. A proclamação representa, portanto, não apenas um marco para a cultura, mas também uma reafirmação do multilateralismo e da capacidade da ação coletiva de promover avanços em relação às prioridades globais compartilhadas.

    Detalhes na parede do Museu Maison des Esclaves, na Ilha de Gorée, na costa de Dakar, no Senegal. A ilha é um símbolo poderoso do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, a Ilha de Gorée concilia a memória histórica com as realidades da vida cotidiana da população da África Ocidental.
    Legenda: Detalhes na parede do Museu Maison des Esclaves, na Ilha de Gorée, na costa de Dakar, no Senegal. A ilha é um símbolo poderoso do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, a Ilha de Gorée concilia a memória histórica com as realidades da vida cotidiana da população da África Ocidental.
    Foto: © ONU/Mark Garten.

    Da ambição global à ação

    Como organização líder na implementação, a UNESCO elaborará um Plano de Ação para a Década, em consulta com os Estados-membros, as entidades das Nações Unidas e outras partes interessadas. O Plano de Ação traduzirá a ambição da Resolução em prioridades coordenadas e ações concretas. Com base nas Convenções e Recomendações da UNESCO sobre Cultura, em seus programas, em sua expertise em políticas públicas, em seus dados e em suas redes globais, a Década mobilizará governos, organizações internacionais e regionais, a sociedade civil, profissionais da cultura, comunidades e parceiros de desenvolvimento e financiamento em torno de uma ambição comum: colocar a cultura no centro de um futuro mais sustentável, inclusivo, pacífico e resiliente.

    “Esta Década reafirma nosso compromisso compartilhado com a cultura como força motriz do desenvolvimento sustentável. Gostaria de elogiar o Vietnã pela visão e liderança que tornaram possível este marco, bem como todos os Estados-membros que se uniram em torno dele, particularmente o grupo central e o Grupo de Amigos da Cultura. A UNESCO está pronta para traduzir essa ambição global renovada em políticas, investimentos e ações mais sólidas em benefício das pessoas, em todos os lugares”, disse o diretor-geral adjunto para a Cultura da UNESCO, Nayef Al-Fayez. 

    Um membro da companhia de dança Batoto Yetu se apresenta durante a abertura da Segunda Sessão do Fórum Permanente para Pessoas de Ascendência Africana, em 30 de maio de 2023.
    Legenda: Um membro da companhia de dança Batoto Yetu se apresenta durante a abertura da Segunda Sessão do Fórum Permanente para Pessoas de Ascendência Africana, em 30 de maio de 2023.
    Foto: © ONU/Loey Felipe.

    A Cultura como Força para o Desenvolvimento Sustentável

    A Década baseia-se no crescente reconhecimento de que a cultura é um poderoso impulsionador e facilitador do desenvolvimento sustentável. No Pacto para o Futuro de 2024, os Estados-membros reconheceram a cultura como um componente essencial do desenvolvimento sustentável e se comprometeram a integrá-la nas políticas e estratégias econômicas, sociais e ambientais, garantindo, ao mesmo tempo, investimento público adequado para sua proteção e promoção. Esse reconhecimento foi reafirmado no Compromisso de Sevilha, adotado na Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento em 2025, que reconheceu a contribuição da cultura e da economia criativa para o desenvolvimento sustentável e destacou a necessidade de financiamento público adequado para a cultura e investimento em infraestrutura cultural.

    Esse impulso foi ainda mais fortalecido durante a MONDIACULT 2025, quando mais de 100 ministros da Cultura reafirmaram seu compromisso coletivo de consolidar a cultura como um objetivo autônomo e específico em um futuro marco de desenvolvimento das Nações Unidas. Essa ambição foi acompanhada por um compromisso mais amplo no fortalecimento do multilateralismo, tendo a cultura como um dos pilares da cooperação global, da solidariedade e do respeito aos direitos humanos.

    A Década oferece agora uma oportunidade concreta para dar continuidade a essa ambição multilateral, reunindo países e parceiros para transformar o reconhecimento político da cultura em cooperação, investimento e ação sustentáveis. À medida que os países aceleram as ações rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e começam a definir o marco global de desenvolvimento para além de 2030, a Década oferece uma plataforma oportuna para aproveitar as múltiplas contribuições da cultura para as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável.

    Do patrimônio material e imaterial às indústrias culturais e criativas e à participação na vida cultural, a cultura constrói a forma como as sociedades respondem aos desafios globais compartilhados. As indústrias culturais e criativas geram 3,39% do PIB mundial e representam, em média, 3,55% dos empregos, ao mesmo tempo em que criam oportunidades para inovação, diversificação econômica e crescimento. De forma mais ampla, a cultura é uma fonte de conhecimento, criatividade e resiliência, contribuindo para a educação inclusiva, a ação climática, o turismo sustentável, a igualdade de gênero, o empoderamento dos jovens, a coesão social e a paz.

    Abrangendo os últimos quatro anos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os primeiros anos do marco que a sucederá, a Década funcionará como uma ponte estratégica entre os compromissos de hoje e as prioridades globais do futuro. Com base no impulso político gerado pela MONDIACULT 2022 e 2025, a Década contribuirá para promover uma integração mais sistemática da cultura nas políticas de desenvolvimento, nos marcos de cooperação, no financiamento e nos mecanismos de monitoramento.

    Para mais informações, siga @unescobrasil e @unesco nas redes! 

    Contato para a imprensa: 

    Fonte: brasil.un.org

  • Sociedade pode se inscrever para integrar delegação do Brasil na COP31

    Sociedade pode se inscrever para integrar delegação do Brasil na COP31

    Chamada pública avalia critérios de diversidade e representatividade

    Os representantes da sociedade civil que quiserem integrar a delegação brasileira na 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31) podem se inscrever na chamada pública até o próximo domingo (20). 

    O objetivo da chamada é assegurar que a delegação brasileira reflita a diversidade da sociedade e sua mobilização em torno da justiça climática.

    A COP 31 será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia. As candidaturas devem ser realizadas no Portal Brasil Participativo. 

    Podem apresentar candidaturas organizações e entidades brasileiras socialmente reconhecidas, com atuação no Brasil e engajadas em temas relacionados ao enfrentamento da mudança do clima. 

    Entre os segmentos contemplados estão: 

    • organizações não governamentais, 
    • institutos, 
    • fundações, 
    • fundos filantrópicos, 
    • movimentos sociais, 
    • redes, 
    • coletivos, 
    • cooperativas, 
    • associações, 
    • organizações representativas de povos e comunidades tradicionais, 
    • entidades sindicais, 
    • centros culturais, 
    • museus, 
    • instituições artísticas e 
    • instituições acadêmicas.

    A chamada considera critérios de diversidade e representatividade na composição da delegação. Cada organização poderá realizar uma única inscrição, indicando até dois representantes. 

    “Nesse contexto, a chamada representa uma oportunidade especialmente relevante para ampliar a participação de organizações da população negra, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana e povos ciganos na agenda internacional de enfrentamento às mudanças climáticas”, informou o Ministério da Igualdade Racial. 

    O governo federal não se responsabilizará pelos custos de participação dos representantes selecionados, incluindo passagens aéreas, hospedagem, alimentação e demais despesas logísticas.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Brasil no Mundo debate disputa entre EUA e China pela liderança em IA

    Brasil no Mundo debate disputa entre EUA e China pela liderança em IA

    Programa vai ao ar às 22h30, na TV Brasil

    O programa Brasil no Mundo desta quinta-feira (17), que vai ao ar às 22h30, na TV Brasil, traz uma análise dos riscos do avanço acelerado da inteligência artificial e a disputa entre Estados Unidos e China pela hegemonia tecnológica, que ganha também uma dimensão militar com a corrida armamentista no espaço.

    Para contribuir com o debate, os jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat recebem Chico Teixeira, professor titular aposentado de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e fundador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente da UFRJ.

    O programa aborda ainda a escalada dos conflitos no Oriente Médio, com o avanço dos Houthis em direção ao estratégico estreito de Bab el-Mandeb, e as novas tensões da guerra na Ucrânia. Por fim, discute o papel dos BRICS na defesa do multilateralismo e da soberania, às vésperas da Assembleia Geral da ONU. 

    Sobre a produção

    O Brasil no Mundo se dedica a discutir, com profundidade e clareza, os grandes acontecimentos internacionais que moldam a política, a economia e a vida cotidiana. Conduzido por Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, o programa combina análises de contexto, explicações acessíveis e entrevistas com especialistas que ajudam a iluminar os reflexos do cenário global no Brasil.

    O programa já recebeu personalidades como a ministra Marina Silva; o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30; o geógrafo Elias Jabbour; e a economista Juliana Furno.

    Ao vivo e on demand

    Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

    Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV.

    Serviço

    Brasil no Mundo – quintas-feiras, às 22h30, na TV Brasil. Reprise na madrugada de quinta para sexta-feira, às 4h30.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Guterres defende adaptação das Forças de Paz da ONU diante de cenário global de conflitos sem precedentes

    Guterres defende adaptação das Forças de Paz da ONU diante de cenário global de conflitos sem precedentes

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou a Assembleia Geral que o número de conflitos no mundo atingiu o nível mais alto desde 1945 e defendeu uma ampla adaptação das operações de paz das Nações Unidas para responder aos desafios atuais de segurança.

    Ao apresentar uma revisão sobre o futuro das operações de paz da ONU, encomendada pelos Estados-membros no âmbito do Pacto para o Futuro, Guterres afirmou que a natureza dos conflitos mudou profundamente nas últimas décadas, exigindo respostas mais ágeis, flexíveis e orientadas por soluções políticas.

    “As operações de paz da ONU são ferramentas indispensáveis para a manutenção da paz e da segurança internacionais, mas, para serem mais eficazes, devem se adaptar às novas realidades”, declarou.

    Conflitos mais complexos

    Segundo o secretário-geral, a comunidade internacional enfrenta um cenário marcado pelo ressurgimento de conflitos entre Estados, guerras internas cada vez mais internacionalizadas, uso crescente de novas tecnologias militares, expansão de redes criminosas transnacionais e aumento dos ataques contra civis.

    Guterres destacou que as mortes relacionadas a combates cresceram acentuadamente nos últimos anos e observou que os acordos de paz abrangentes se tornaram menos frequentes.

    “A proporção de conflitos resolvidos por meio de um acordo de paz é a mais baixa em décadas”, afirmou.

    Para ele, a polarização geopolítica também dificulta a construção de consensos sobre o papel das operações de paz, afetando a definição de mandatos e o apoio político necessário para o sucesso das missões.

    O secretário-geral António Guterres (à esquerda) entrega o prêmio à inspetora Stephanie Königs, da Alemanha, que foi nomeada “Policial do Ano” pelas Nações Unidas, em reconhecimento à sua liderança excepcional e à sua contribuição para a implementação do mandato da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), onde esteve destacada de setembro de 2024 a março de 2026.
    Legenda: O secretário-geral António Guterres (à esquerda) entrega o Prêmio Policial do Ano das Nações Unidas à inspetora Stephanie Königs, da Alemanha, em reconhecimento à sua liderança excepcional e contribuição para a implementação do mandato da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), onde esteve destacada de setembro de 2024 a março de 2026.
    Foto: © ONU/Mark Garten.

    Paz como prioridade política

    Ao apresentar as conclusões da revisão, o chefe da ONU ressaltou que as operações de paz devem ser entendidas como instrumentos políticos voltados para a prevenção de conflitos e a construção da paz.

    “Mas as operações de paz são, acima de tudo, instrumentos políticos”, disse.

    Entre as recomendações apresentadas estão o fortalecimento da diplomacia preventiva, da mediação e dos bons ofícios da ONU, além do uso ampliado de missões políticas especiais com atuação regional.

    Guterres argumentou que a construção da paz deve ocupar posição central nas estratégias da organização e enfatizou a importância do apoio dos Estados-membros.

    “Nenhuma operação de paz, nem nenhum processo político apoiado pelas Nações Unidas, pode ter sucesso sem o apoio sólido e coeso dos Estados-membros”, alertou.

    Soldados da Seção de Assuntos Civis da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) realizam sessões de sensibilização para comunidades em conflito na província de Ituri sobre coabitação pacífica.
    Legenda: Soldados da Seção de Assuntos Civis da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) realizam sessões de sensibilização para comunidades em conflito na província de Ituri sobre coabitação pacífica.
    Foto: © ONU.

    Apoio aos países anfitriões

    Outro eixo da proposta é o fortalecimento das parcerias com os países anfitriões das missões.

    Segundo Guterres, a paz não pode ser imposta de fora e depende do protagonismo nacional.

    “As operações de paz só podem ser eficazes se seus mandatos apoiarem os atores nacionais, que, em última instância, detêm a chave para uma paz sustentável”, declarou.

    Ele também defendeu consultas mais estruturadas entre o Conselho de Segurança, os países anfitriões, os países contribuintes de tropas e policiais e o Secretariado da ONU, visando construir expectativas mais realistas sobre os resultados de cada missão.

    Mandatos mais focados

    A revisão propõe ainda mandatos mais focados e adaptáveis às condições no terreno.

    De acordo com o secretário-geral, as operações devem concentrar esforços em áreas nas quais possuem clara vantagem comparativa, especialmente nas dimensões política e de segurança e, quando autorizado, na proteção de civis.

    Guterres reiterou que missões de manutenção da paz exigem condições mínimas para operar.

    “As operações de manutenção da paz só devem ser mobilizadas quando houver um acordo de paz ou, pelo menos, um cessar-fogo robusto em vigor”, disse. Em seguida, acrescentou: 

    “Não podemos manter a paz quando não há paz para manter”.

    Soldados da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) prestam assistência médica a pessoas deslocadas internamente, no sul do Líbano.
    Legenda: Integrantes da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) prestam assistência médica a pessoas deslocadas internamente, no sul do Líbano.
    Foto: © ONU/Pasqual Gorriz.

    Tecnologia, prestação de contas e proteção das forças de paz

    O secretário-geral também destacou a necessidade de tornar as operações mais ágeis por meio de estruturas administrativas flexíveis, maior capacidade tecnológica e investimentos contínuos em pessoal especializado.

    Ele defendeu a preservação de uma força de trabalho global diversa e reiterou a importância da participação significativa das mulheres em todos os níveis das operações de paz.

    No campo da prestação de contas, afirmou que a ONU deve manter elevados padrões de conduta e desempenho e honrar a confiança depositada pelas populações mais vulneráveis.

    Guterres também condenou os ataques contra forças de paz e pediu responsabilização dos autores.

    “Os ataques contra as forças de paz da ONU devem cessar, e os responsáveis devem ser responsabilizados. Sem impunidade. Sem exceções.”

    Investimento na paz

    Ao encerrar o discurso, o secretário-geral conclamou os Estados-membros a avançarem na implementação das recomendações da revisão e a reforçarem o compromisso com soluções multilaterais para os conflitos.

    Segundo ele, o sucesso das operações de paz dependerá da cooperação entre a ONU, governos nacionais, parceiros regionais e comunidade internacional.

    “Devemos nos adaptar a um mundo em constante mudança”, afirmou. 

    E concluiu: “Devemos encontrar a determinação — e os recursos — para traçar caminhos rumo à paz.”

    Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português, siga @unpeacekeeping nas redes e acesse a página global das Forças de Paz das Nações Unidas. 

    Fonte: brasil.un.org

  • Guterres defende adaptação das Forças de Paz da ONU diante de cenário global de conflitos sem precedentes

    Guterres defende adaptação das Forças de Paz da ONU diante de cenário global de conflitos sem precedentes

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou a Assembleia Geral que o número de conflitos no mundo atingiu o nível mais alto desde 1945 e defendeu uma ampla adaptação das operações de paz das Nações Unidas para responder aos desafios atuais de segurança.

    Ao apresentar uma revisão sobre o futuro das operações de paz da ONU, encomendada pelos Estados-membros no âmbito do Pacto para o Futuro, Guterres afirmou que a natureza dos conflitos mudou profundamente nas últimas décadas, exigindo respostas mais ágeis, flexíveis e orientadas por soluções políticas.

    “As operações de paz da ONU são ferramentas indispensáveis para a manutenção da paz e da segurança internacionais, mas, para serem mais eficazes, devem se adaptar às novas realidades”, declarou.

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, se reúne com membros da força de paz durante visita à sede da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), em 2025.
    Legenda: O secretário-geral da ONU, António Guterres, se reúne com membros da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), em 2025.
    Foto: © ONU/Pasqual Gorriz.

    Conflitos mais complexos

    Segundo o secretário-geral, a comunidade internacional enfrenta um cenário marcado pelo ressurgimento de conflitos entre Estados, guerras internas cada vez mais internacionalizadas, uso crescente de novas tecnologias militares, expansão de redes criminosas transnacionais e aumento dos ataques contra civis.

    Guterres destacou que as mortes relacionadas a combates cresceram acentuadamente nos últimos anos e observou que os acordos de paz abrangentes se tornaram menos frequentes.

    “A proporção de conflitos resolvidos por meio de um acordo de paz é a mais baixa em décadas”, afirmou.

    Para ele, a polarização geopolítica também dificulta a construção de consensos sobre o papel das operações de paz, afetando a definição de mandatos e o apoio político necessário para o sucesso das missões.

    O secretário-geral António Guterres (à esquerda) entrega o prêmio à inspetora Stephanie Königs, da Alemanha, que foi nomeada “Policial do Ano” pelas Nações Unidas, em reconhecimento à sua liderança excepcional e à sua contribuição para a implementação do mandato da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), onde esteve destacada de setembro de 2024 a março de 2026.
    Legenda: O secretário-geral António Guterres (à esquerda) entrega o Prêmio Policial do Ano das Nações Unidas à inspetora Stephanie Königs, da Alemanha, em reconhecimento à sua liderança excepcional e contribuição para a implementação do mandato da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), onde esteve destacada de setembro de 2024 a março de 2026.
    Foto: © ONU/Mark Garten.

    Paz como prioridade política

    Ao apresentar as conclusões da revisão, o chefe da ONU ressaltou que as operações de paz devem ser entendidas como instrumentos políticos voltados para a prevenção de conflitos e a construção da paz.

    “Mas as operações de paz são, acima de tudo, instrumentos políticos”, disse.

    Entre as recomendações apresentadas estão o fortalecimento da diplomacia preventiva, da mediação e dos bons ofícios da ONU, além do uso ampliado de missões políticas especiais com atuação regional.

    Guterres argumentou que a construção da paz deve ocupar posição central nas estratégias da organização e enfatizou a importância do apoio dos Estados-membros.

    “Nenhuma operação de paz, nem nenhum processo político apoiado pelas Nações Unidas, pode ter sucesso sem o apoio sólido e coeso dos Estados-membros”, alertou.

    Soldados da Seção de Assuntos Civis da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) realizam sessões de sensibilização para comunidades em conflito na província de Ituri sobre coabitação pacífica.
    Legenda: Soldados da Seção de Assuntos Civis da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) realizam sessões de sensibilização para comunidades em conflito na província de Ituri sobre coabitação pacífica.
    Foto: © ONU.

    Apoio aos países anfitriões

    Outro eixo da proposta é o fortalecimento das parcerias com os países anfitriões das missões.

    Segundo Guterres, a paz não pode ser imposta de fora e depende do protagonismo nacional.

    “As operações de paz só podem ser eficazes se seus mandatos apoiarem os atores nacionais, que, em última instância, detêm a chave para uma paz sustentável”, declarou.

    Ele também defendeu consultas mais estruturadas entre o Conselho de Segurança, os países anfitriões, os países contribuintes de tropas e policiais e o Secretariado da ONU, visando construir expectativas mais realistas sobre os resultados de cada missão.

    Mandatos mais focados

    A revisão propõe ainda mandatos mais focados e adaptáveis às condições no terreno.

    De acordo com o secretário-geral, as operações devem concentrar esforços em áreas nas quais possuem clara vantagem comparativa, especialmente nas dimensões política e de segurança e, quando autorizado, na proteção de civis.

    Guterres reiterou que missões de manutenção da paz exigem condições mínimas para operar.

    “As operações de manutenção da paz só devem ser mobilizadas quando houver um acordo de paz ou, pelo menos, um cessar-fogo robusto em vigor”, disse. Em seguida, acrescentou: 

    “Não podemos manter a paz quando não há paz para manter”.

    Soldados da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) prestam assistência médica a pessoas deslocadas internamente, no sul do Líbano.
    Legenda: Integrantes da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) prestam assistência médica a pessoas deslocadas internamente, no sul do Líbano.
    Foto: © ONU/Pasqual Gorriz.

    Tecnologia, prestação de contas e proteção das forças de paz

    O secretário-geral também destacou a necessidade de tornar as operações mais ágeis por meio de estruturas administrativas flexíveis, maior capacidade tecnológica e investimentos contínuos em pessoal especializado.

    Ele defendeu a preservação de uma força de trabalho global diversa e reiterou a importância da participação significativa das mulheres em todos os níveis das operações de paz.

    No campo da prestação de contas, afirmou que a ONU deve manter elevados padrões de conduta e desempenho e honrar a confiança depositada pelas populações mais vulneráveis.

    Guterres também condenou os ataques contra forças de paz e pediu responsabilização dos autores.

    “Os ataques contra as forças de paz da ONU devem cessar, e os responsáveis devem ser responsabilizados. Sem impunidade. Sem exceções.”

    Investimento na paz

    Ao encerrar o discurso, o secretário-geral conclamou os Estados-membros a avançarem na implementação das recomendações da revisão e a reforçarem o compromisso com soluções multilaterais para os conflitos.

    Segundo ele, o sucesso das operações de paz dependerá da cooperação entre a ONU, governos nacionais, parceiros regionais e comunidade internacional.

    “Devemos nos adaptar a um mundo em constante mudança”, afirmou. 

    E concluiu: “Devemos encontrar a determinação — e os recursos — para traçar caminhos rumo à paz.”

    Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português, siga @unpeacekeeping nas redes e acesse a página global das Forças de Paz das Nações Unidas. 

    Fonte: brasil.un.org

  • Lula pode se encontrar com prefeito de Nova York nos EUA

    Lula pode se encontrar com prefeito de Nova York nos EUA

    Encontro com Zohran Mamdani deve ocorrer antes de assembleia da ONU

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgou nesta quarta-feira (16) os detalhes da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), na semana que vem.

    Uma das expectativas é sobre o possível encontro de Lula com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, que tomou posse no início deste ano.

    O prefeito novaiorquino é descendente de imigrantes e se tornou o primeiro muçulmano a ocupar o cargo. Ele se considera socialista e é favorável a temas como a causa Palestina, a ampliação da moradia acessível, o congelamento de aluguéis, a gratuidade do transporte público e a criação de políticas voltadas à redução do custo de vida, numa das cidades mais caras do planeta.

    O Palácio Itamaraty informou haver um pedido de encontro bilateral da parte do prefeito, bem como uma lista de outros pedidos, mas a reunião ainda não está oficialmente confirmada do lado brasileiro.

    Discurso

    Lula e sua comitiva desembarcam em Nova York no próximo domingo (20). No dia seguinte, o presidente brasileiro terá sua agenda dedicada a encontros bilaterais com autoridades e chefes de Estado.

    Na terça-feira (22), Lula se encontra com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e em seguida comparece ao plenário da ONU onde fará o pronunciamento de abertura da Assembleia Geral, que tradicionalmente cabe ao presidente brasileiro. O tema deste ano é “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.

    O conteúdo do discurso de Lula ainda está sendo elaborado, mas o presidente deverá reforçar posições históricas do Brasil em defesa da reforma da ONU, defesa do multilateralismo, promoção da paz e da cooperação bilateral, além do combate à pobreza e à fome.

    “Nossa expectativa é que ele [discurso] contenha, em função do momento em que vivemos, uma defesa forte do multilateralismo como linha básica da política externa brasileira, nesse momento em que os conflitos se multiplicam a nível internacional”, destacou o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do MRE.

    Segundo o diplomata, Lula vai defender negociações de paz em torno das guerras em curso, um direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países.

    A previsão é que o presidente retorne ao Brasil ainda na terça-feira, logo após o pronunciamento.

    O Itamaraty não informou sobre a expectativa de um encontro entre Lula e Trump, que não tem confirmação de nenhuma das partes.

    O presidente dos Estados Unidos é o segundo a falar, logo após Lula, e ambos eventualmente poderiam se cruzar nos bastidores do plenário. No ano passado, os dois líderes tiverem um breve contato, quando Lula deixava o palco após seu discurso e Trump se preparava para falar. Na ocasião, o encontro causou boa impressão nos dois presidentes e Trump posteriormente falou em “química excelente” entre eles. Foi o primeiro de três encontros entre os dois líderes desde então.

    O MRE confirmou que a comitiva brasileira será composta pelo chanceler Mauro Vieira e os ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos), Eloy Terena (Povos Indígenas) e Rachel Barros de Oliveira (Igualdade Racial).

    Ainda em Nova York, Mauro Viera deverá presidir uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20, em 2024, para articular governos, organismos internacionais, instituições financeiras e organizações da sociedade civil em torno do enfrentamento da miséria e da fome em larga escala.

    Atualmente, a Aliança reúne mais de 215 membros, incluindo mais de 100 países.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Trump cita PCC e CV e diz que Brasil não conseguiu enfrentar facções

    Trump cita PCC e CV e diz que Brasil não conseguiu enfrentar facções

    Documento de presidente dos EUA foi enviado ao Congresso americano

    O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, criticou o governo brasileiro por, na sua visão, ter falhado no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A declaração consta em documento anual enviado ao Congresso norte-americano, datado de terça-feira (15). Nele, o presidente identifica países considerados importantes no trânsito ou produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027, além de apresentar avaliações individuais sobre diferentes governos.

    De acordo com Trump, enquanto “muitos governos do Hemisfério Ocidental” adotaram “medidas corajosas” para reduzir os fluxos de drogas e erradicar os cartéis, “o governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína”.

    “Essas organizações terroristas brasileiras constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, acrescentou o mandatário norte-americano.

    O governo dos EUA já havia designado o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado em 28 de maio, e a medida entrou oficialmente em vigor em 5 de junho. A decisão foi tomada com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump.

    Na ocasião, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e que suas redes ultrapassariam as fronteiras brasileiras. A designação como organizações terroristas amplia os instrumentos disponíveis às autoridades norte-americanas para aplicar sanções e adotar medidas contra pessoas e entidades associadas a esses grupos.

    Na época, o governo brasileiro contestou a classificação e defendeu que o combate às organizações criminosas seja realizado pelo Brasil, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional.

    Apesar da crítica, o Brasil não é designado no documento de Trump como um país que tenha “falhado de maneira demonstrável” em cumprir suas obrigações internacionais de combate às drogas com base nas leis norte-americanas. Essa classificação foi aplicada a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.

    Além disso, o Brasil também não figura na lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas. São eles: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.

    Reação do Brasil

    Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) refutou alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

    “A posição estampada na referida nota desconsideraria, se acolhida em todos os seus termos, os esforços do Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado, como a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que prevê penas mais severas para líderes de facções e cria mecanismos que asfixiam suas operações”, diz o texto. 

    A pasta argumenta que a manifestação do presidente dos EUA também não leva em consideração “as dezenas de milhares de operações” de combate ao crime por forças federais, “com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos, bem como as múltiplas ações implementadas em 2026 no âmbito do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio último, que sufoca economicamente as facções, fortalece o sistema prisional, qualifica a investigação de homicídios e enfrenta o tráfico de armas”.

    Ainda de acordo com a nota do governo brasileiro, a manifestação norte-americana desconsidera a “robusta cooperação já existente” entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado transnacional. 

    “Além disso, convém frisar a proposta entregue pessoalmente pelo presidente Lula no dia 7/5/2026, em Washington, com detalhamento de medidas conjuntas de enfrentamento à lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas. Até o momento, o país aguarda possível resposta do governo dos EUA”.

    Elogio a governos aliados

    Na mensagem, Donald Trump faz elogios a países com governantes considerados mais próximos aos EUA, como Argentina, Equador e El Salvador.

    O presidente dos EUA também faz menções positivas sobre Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, citando especificamente as mudanças recentes de governo nesses países como fator de alteração da percepção no enfrentamento ao narcotráfico. O tratamento dado a esses governos contrasta justamente com as críticas dirigidas ao Brasil e à Nicarágua no mesmo documento, bem como a outros países com governos menos alinhados.

    No caso da Colômbia, por exemplo, Trump elogia a eleição recente de Abelardo de la Espriella e afirma que o novo presidente assumiu o compromisso de promover uma campanha agressiva contra o cultivo de coca e a produção de cocaína.

    Trump também manifesta apoio ao novo governo boliviano, sob o presidente Rodrigo Paz, eleito em 2025. O presidente norte-americano afirma, no documento, que a eleição abriu “um novo capítulo” nas relações entre os dois países e destaca a expansão da cooperação entre EUA e Bolívia na área de segurança e combate às drogas.

    Em relação ao Peru, Trump elogia o compromisso da nova presidente, Keiko Fujimori, de trabalhar com os estadunidenses e “outros países aliados” para combater organizações criminosas e reduzir o fluxo de cocaína destinado aos EUA.

    Apesar das menções elogiosas, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela permanecem na relação de países considerados importantes no trânsito ou na produção de drogas ilícitas. Essa classificação, ressalva o próprio documento, não significa necessariamente que o governo do país não coopere ou não adote medidas de combate às drogas.

    Países criticados

    Apesar do documento de Trump reconhecer alguns esforços dos vizinhos México e Canadá, o tom em relação a esses países é mais crítico do que sobre os governos alinhados da América do Sul.

    “Embora meu governo tenha protegido com sucesso nossas fronteiras contra a invasão, Canadá e México precisam fazer muito mais para interromper os fluxos de drogas mortais para nosso país. O fentanil continua sendo produzido ilegalmente em laboratórios clandestinos no Canadá, e produtos químicos precursores e drogas sintéticas continuam entrando nos Estados Unidos através do Canadá”, apontou.

    Sobre o México, Trump disse que o país deve adotar medidas adicionais “contra as organizações narcoterroristas que dominam vastas áreas de seu território e continuam ameaçando o povo americano”.

    “O México precisa reforçar a integridade de sua cadeia de fornecimento, buscando maior participação do setor privado e aumentando significativamente as inspeções em seus pontos de entrada”.

    Já sobre a China, maior rival econômico dos EUA, o documento citou que o gigante asiático continua sendo o maior produtor mundial de muitos dos produtos químicos precursores utilizados na produção ilícita de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas.

    “Tratei diretamente desse assunto com o presidente do Estado, Xi Jinping, e, no ano passado, a pedido do meu governo, a China implementou novas exigências para que suas empresas obtenham licenças antes de exportar determinados produtos químicos precursores para a América do Norte. No entanto, criminosos continuam encontrando maneiras de contornar esses controles por meio do uso de produtos químicos precursores não regulamentados”, disse na manifestação.

    Trump cobrou da China medidas “mais agressivas” para reduzir efetivamente o fluxo dessas substâncias, “incluindo a classificação de produtos químicos precursores e substâncias adicionais solicitados pelos Estados Unidos”, acrescentou o presidente norte-americano.

    * Texto atualizado às 21h49 para incluir a posição do Ministério da Justiça


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Brics: declaração final reforça defesa de reforma da governança global

    Brics: declaração final reforça defesa de reforma da governança global

    China e Rússia reiteram apoio a papel de Brasil e Índia na ONU

    Os líderes do Brics divulgaram a declaração final da 18ª Cúpula do grupo, em Nova Délhi, na Índia. O documento reúne os consensos alcançados pelos integrantes do bloco em temas como governança global, comércio, desenvolvimento sustentável, clima, tecnologia, segurança internacional e cooperação entre países em desenvolvimento.

    O Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global.

    A declaração tem caráter político e orienta a atuação conjunta dos países em organismos multilaterais, sinalizando prioridades, consensos e reivindicações que tendem a ser levados a fóruns como a Organização das Nações Unidas (ONU), o G20, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e outras instituições multilaterais.

    Em um cenário marcado por disputas geopolíticas, guerras, tensões comerciais e debates sobre reforma das instituições internacionais, o texto reforça a defesa do multilateralismo e de uma governança global mais representativa.

    Banco do Brics

    Os líderes ressaltaram o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, como instrumento estratégico para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

    O documento incentiva a instituição a ampliar sua capacidade de mobilizar recursos, expandir operações em moedas locais, diversificar fontes de financiamento e apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades e à integração econômica.

    A declaração manifesta, ainda, apoio à ampliação do número de membros do banco e à análise dos pedidos de adesão de países interessados. Os líderes também registraram o lançamento de um portal de conhecimento desenvolvido em parceria entre o Brics e o NDB para compartilhar experiências, boas práticas e informações sobre projetos financiados pela instituição.

    Mecanismos de pagamentos

    O texto ainda destaca as discussões sobre mecanismos de pagamento entre os países-membros.

    Embora não mencione diretamente o Pix, a declaração defende princípios compatíveis com esse tipo de sistema – como a interoperabilidade de plataformas de pagamento, o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços, a integração de canais de mensagens financeiras, o aumento das liquidações comerciais em moedas locais e o desenvolvimento de mecanismos mais rápidos, baratos, acessíveis, eficientes, transparentes e seguros para transações internacionais.

    Brasil

    Entre os temas de maior interesse para o Brasil, o documento reforça a defesa de uma reforma da ONU e do Conselho de Segurança, considerada uma das prioridades históricas da diplomacia brasileira.

    A declaração sustenta que os organismos internacionais precisam refletir melhor a realidade atual e ampliar a representação dos países em desenvolvimento.

    O texto registra ainda que China e Rússia reiteraram apoio às aspirações de Brasil e Índia de desempenhar papel mais relevante nas Nações Unidas, inclusive em um Conselho de Segurança reformado.

    “Reiteramos nosso apoio a uma reforma abrangente da ONU, incluindo seu Conselho de Segurança, com o objetivo de torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, além de ampliar a representação dos países em desenvolvimento em sua composição”, diz o texto.

    Outro ponto relevante para o governo brasileiro é a ênfase dada ao combate à desigualdade. Os líderes do Brics reconhecem que as desigualdades “dentro e entre os países” estão na origem de diversos desafios enfrentados pela comunidade internacional.

    Sul Global

    A declaração destaca o papel do chamado Sul Global na formulação de respostas aos desafios internacionais – em especial para lidar com desaceleração econômica, protecionismo, mudanças tecnológicas e climáticas.

    Além disso, os líderes reafirmam compromisso com a Agenda 2030 da ONU; defendem a erradicação da pobreza como prioridade global; e reiteram posições em favor do combate ao racismo, à xenofobia e à discriminação.

    “Reiteramos a necessidade de intensificar a luta contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e formas correlatas de intolerância, bem como a discriminação baseada em religião, fé ou crença, e todas as suas manifestações contemporâneas em todo o mundo, incluindo as preocupantes tendências de aumento dos discursos de ódio, da desinformação e da divulgação de informações falsas”, diz o documento.

    O texto também pede maior representação de mulheres nos postos de liderança de organismos internacionais.

    Economia, finanças e comércio

    Na área econômica e financeira, o Brics reafirmou o compromisso de aprofundar a cooperação entre os países-membros para promover crescimento sustentável, inovação e redução das desigualdades.

    No campo comercial, os líderes reafirmaram apoio à reforma da OMC e à preservação de um sistema multilateral de comércio baseado em regras.

    O documento manifesta preocupação com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias consideradas incompatíveis com as normas da organização e critica a adoção de medidas protecionistas que possam prejudicar o comércio internacional.

    A declaração também prevê iniciativas para ampliar o comércio entre os países do bloco. Entre elas, estão o fortalecimento das cadeias globais de valor entre os integrantes do Brics; a facilitação do comércio agrícola intrabloco; a digitalização de documentos comerciais; a ampliação da cooperação logística; e a criação de uma plataforma de comercialização de grãos, a chamada Brics Grain Exchange.


    Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

  • Alto Comissário cobra medidas urgentes para enfrentar riscos sem precedentes relacionados à IA

    Alto Comissário cobra medidas urgentes para enfrentar riscos sem precedentes relacionados à IA

    O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda (14) que os Estados e as empresas “pioneiras” mundiais em inteligência artificial ajam com urgência para garantir que uma governança significativa da IA acompanhe seu desenvolvimento acelerado e os riscos sem precedentes aos direitos humanos.

    “Estamos à beira de uma mudança irreversível, que afetará não apenas a nós, mas também as futuras gerações da humanidade”, afirmou o Alto Comissário em uma carta dirigida aos Estados-membros e às empresas desenvolvedoras de IA.

    “A corrida atual em direção a uma IA cada vez mais poderosa representa uma mudança radical rumo a maiores riscos existenciais para todos os aspectos de nossas vidas. Falhas envolvendo sistemas de IA autônoma – sem falar nos sistemas deliberadamente projetados para esse fim – poderiam paralisar serviços essenciais, interromper as comunicações, desestabilizar infraestruturas críticas e atingir o cerne das instituições democráticas”, escreveu ele.

    “Populações inteiras poderiam ficar privadas de água potável, aquecimento e serviços financeiros, e a IA autônoma já está acelerando o ritmo e o alcance da guerra e corroendo as salvaguardas que se interpõem entre nós e o lançamento de armas de destruição em massa.”

    O Alto Comissário destacou a estreita janela de oportunidade para regulamentar a IA e escreveu que nosso destino dependerá fundamentalmente das escolhas deliberadas que estão sendo feitas agora sobre como a IA é projetada, implantada e governada.

    “Os danos causados pela IA não são hipotéticos — eles já estão ocorrendo, de forma evidente”, acrescentou Türk. 

    “Serviços essenciais estão sendo automatizados de maneiras que deixam as pessoas marginalizadas ainda mais para trás. A ânsia por dados e novas e poderosas ferramentas de vigilância estão corroendo a privacidade em grande escala — possivelmente de forma irreversível. Campanhas de desinformação impulsionadas pela IA já estão distorcendo o debate público, minando a coesão social e colocando sob pressão as instituições democráticas de maneiras novas e insidiosas.”

    O Alto Comissário afirmou que as empresas que estão na vanguarda do desenvolvimento de IA de ponta têm tanto a responsabilidade quanto a capacidade de agir imediatamente para reduzir os riscos.

    “É preciso desenvolver uma devida diligência robusta em direitos humanos, que incorpore padrões de segurança acordados, implementá-la em todo o setor e aprimorá-la continuamente. E a implementação desses padrões precisa estar sujeita a monitoramento interno independente para aumentar a transparência e a prestação de contas”, escreveu o alto funcionário das Nações Unidas. 

    O Alto Comissário também enfatizou que os Estados que abrigam empresas líderes em IA de ponta têm a obrigação específica de exigir que essas empresas ajam com responsabilidade e de responsabilizá-las caso não o façam. Ele instou Estados a garantir uma verificação independente e tecnicamente competente das capacidades autônomas, com acesso a modelos, documentação e ambientes de teste, e a exigir a realização contínua de devida diligência em direitos humanos.

    “Dado o que está em jogo e a situação em que nos encontramos hoje, exorto os Estados e as empresas a se mobilizarem com urgência por meio de fóruns multilaterais para traçar um caminho de ação que regule os modelos avançados e de ponta de IA, com base no direito internacional dos direitos humanos”, escreveu ele.

    “Nenhum país pode regular essa tecnologia sozinho. Nenhuma empresa deveria poder decidir por conta própria quais riscos o mundo deve aceitar. Nenhuma pessoa deveria ser obrigada a abrir mão de seus direitos humanos em troca de alegações de progresso tecnológico.”

    “A geração que agora está entrando na idade adulta herdará as consequências das decisões que estão sendo tomadas sobre essa questão sem ter voz ativa nelas. Temos o dever para com eles de garantir que essas decisões sejam tomadas de forma aberta, levando em conta seus direitos e com a humildade que a magnitude desse empreendimento exige.”

    Para saber mais, acesse a página do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH) e o Relatório do Painel Científico Independente do Secretário-Geral da ONU sobre Inteligência Artificial. 

    Contatos para a imprensa:

    Em Genebra:

    Em Nova Iorque:

    Fonte: brasil.un.org