Categoria: Mundo

  • ONU: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral

    ONU: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral

    O cenário de riscos globais mudou significativamente nos últimos dois anos. Conflitos e guerras passaram ao centro das preocupações, enquanto os avanços tecnológicos e os riscos econômicos ganharam importância. Ao mesmo tempo, a percepção sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder a esses desafios diminuiu em diversas áreas.

    Os dados fazem parte de um novo relatório das Nações Unidas, baseado em uma pesquisa com cerca de 1,3 mil representantes de governos, empresas, sociedade civil e sistema ONU, de todas as regiões do mundo.

    Os participantes avaliaram 28 riscos globais, agrupados em cinco categorias — política, tecnologia, economia, meio ambiente e sociedade — considerando sua probabilidade, gravidade, velocidade de materialização e o grau de preparação do sistema multilateral para responder a eles.

    A comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2024, mostra uma mudança no mapa de riscos. Naquele ano, as maiores preocupações estavam relacionadas ao meio ambiente, à desinformação e às pandemias. Em 2026, os riscos geopolíticos ganharam destaque.

    O relatório define como vulnerabilidade global a existência de uma grande diferença entre a importância atribuída a um risco e a capacidade percebida das instituições multilaterais de responder a ele.

    Riscos políticos são a principal vulnerabilidade

    Os riscos políticos registraram a mudança mais expressiva desde 2024. Todos foram considerados mais importantes do que há dois anos, enquanto a percepção sobre a preparação das instituições multilaterais caiu em quase todos os casos.

    O risco de guerra em larga escala se destaca especialmente. Ele está entre os riscos mais interconectados, aumentou em importância e apresentou a maior queda na percepção sobre a capacidade de resposta multilateral.

    Inteligência artificial e outras tecnologias ampliam vulnerabilidades

    A percepção sobre a preparação multilateral para riscos tecnológicos permaneceu baixa, em níveis semelhantes aos observados em 2024.

    Por outro lado, aumentou de forma significativa a importância atribuída aos riscos relacionados à inteligência artificial e às tecnologias de fronteira, assim como à concentração de poder impulsionada pela tecnologia.

    As preocupações com possíveis rupturas de sistemas de cibersegurança também permanecem. Segundo a pesquisa, a compreensão desses riscos ainda é limitada, enquanto as tecnologias avançam rapidamente.

    A combinação entre maior importância percebida e baixa preparação coloca os riscos tecnológicos entre as principais vulnerabilidades globais.

    Riscos econômicos ganham espaço

    As preocupações com os riscos econômicos também aumentaram. Quatro dos cinco riscos avaliados nessa categoria foram considerados mais importantes do que em 2024.

    A possibilidade de uma crise financeira global aparece como destaque, especialmente devido à preocupação com seus efeitos sistêmicos e com a capacidade do sistema multilateral de coordenar uma resposta internacional.

    Meio ambiente: menos preocupação relativa, mas lacunas permanecem

    Os riscos ambientais foram considerados, em geral, um pouco menos importantes do que em 2024. A percepção sobre a preparação multilateral, porém, continua desigual.

    A perda de biodiversidade e a poluição em larga escala deixaram de aparecer entre as áreas de maior vulnerabilidade. A mudança ocorreu principalmente porque esses riscos passaram a ser considerados menos importantes, e não porque a preparação para enfrentá-los tenha melhorado.

    A vulnerabilidade continua elevada diante dos riscos relacionados a desastres naturais, devido, em parte, à percepção de baixa capacidade para reduzi-los. A inação diante da mudança do clima continua sendo considerada o risco global de maior importância.

    Riscos sociais apresentam menor vulnerabilidade

    Seis anos após o início da pandemia de COVID-19, diminuiu a preocupação com novas pandemias e riscos biológicos em comparação com 2024.

    Também perderam importância relativa os riscos relacionados a movimentos em massa de pessoas e à proliferação de atores não estatais.

    Ao mesmo tempo, as pessoas participantes consideraram o sistema multilateral mais preparado para responder a esses riscos do que há dois anos.

    Um mapa de riscos em transformação

    A comparação entre as pesquisas de 2024 e 2026 mostra que o cenário global não está apenas mudando, mas que os diferentes riscos estão evoluindo em ritmos distintos.

    Os resultados apontam para uma maior preocupação com conflitos, tecnologias de fronteira e instabilidade econômica, ao mesmo tempo em que algumas ameaças ambientais e sociais perderam importância relativa.

    Para as Nações Unidas, compreender essas mudanças é fundamental para fortalecer a capacidade de prevenção e resposta internacional. Ao oferecer aos Estados-membros e formuladores de políticas uma visão compartilhada e baseada em evidências sobre os riscos globais e a capacidade de resposta do sistema multilateral, o relatório busca contribuir para que ações sejam tomadas antes que os riscos atuais se transformem em crises.

    Para saber mais, acesse o relatório completo e visite a página especial da ONU Brasil para a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. 

    Fonte: brasil.un.org

  • Prevenção do Aliciamento de crianças e adolescentes: uma estratégia essencial para desmantelar o crime organizado, aponta o UNODC

    Prevenção do Aliciamento de crianças e adolescentes: uma estratégia essencial para desmantelar o crime organizado, aponta o UNODC

    O UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) apontou, nesta quinta-feira (17), que prevenir o aliciamento de crianças e adolescentes é um caminho essencial para desmantelar as estruturas do crime organizado no Brasil. 

    A posição foi apresentada durante a mesa “Dos territórios às plataformas: dados e respostas ao aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado”, realizada na Academia de Polícia Civil de São Paulo (Acadepol), como parte do 20º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), um dos principais espaços de debate sobre segurança pública da América Latina. A mesa reuniu representantes do UNODC, da Polícia Federal, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes e do Instituto Latinoamericano para la Paz y la Seguridad.

    O aliciamento de crianças e adolescentes por organizações criminosas é um processo que envolve aproximação, criação de vínculos, oferta de proteção ou vantagens, dependência e coerção. Esse processo, que ocorre nos territórios e no ambiente digital, ainda carece de registros administrativos e estatísticos de segurança pública, o que é requisito essencial para a compreensão do fenômeno e elaboração de políticas públicas eficazes, que responsabilizem os aliciadores, desarticulem os fluxos financeiros e as cadeias de comando por trás do aliciamento. Para o UNODC, esse enfoque pressupõe o reconhecimento do aliciamento como um crime e do status legal de crianças e adolescentes aliciados como vítimas.

    Segundo Alexandra Martins, líder da equipe global de Prevenção e Resposta ao Crime e à Violência contra Crianças, Mulheres e Comunidades do UNODC, o aliciamento de crianças e adolescentes é função operacional das estruturas criminosas e proteger a infância e a adolescência deste fenômeno é tarefa crucial para desmantelar o crime organizado. Assim, ela propôs uma mudança de paradigma e ressaltou a necessidade de mensuração do processo de aliciamento e não apenas do seu desfecho. 

    “O indicador de sucesso de uma política de segurança pública em relação à infância não pode ser quantos adolescentes são apreendidos, mas quantos deixaram de ser aliciados” completou Alexandra.

    Tratar o aliciamento como peça estrutural do crime organizado, e não como um problema à parte, também abre caminho para fortalecer a produção de dados e indicadores sobre esse fenômeno e para construir uma leitura compartilhada entre segurança pública, justiça, proteção social, educação e saúde, capaz de sustentar respostas coordenadas. Essa abordagem está alinhada aos princípios que orientam a atuação do UNODC na Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC) — de que respostas eficazes ao crime organizado devem se apoiar em evidências, cooperação institucional e no fortalecimento de capacidades nacionais.

    No Brasil, no âmbito da proteção de crianças e adolescentes, o UNODC vem apoiando instituições nacionais na construção de diversas iniciativas, entre elas a Estratégia Crescer em Paz, lançada em 2025 e baseada na versão global ENDVAC (End Violence Against Children) do UNODC, além de dialogar com outras iniciativas em curso no país voltadas a essa mesma agenda, como o projeto Protegendo Futuros, desenvolvido em conjunto com a União Europeia; o Crescer em Segurança, cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD); a Plataforma CRIA e a metodologia PIPA de prevenção do uso de álcool e outras drogas; o Pronasci Juventude; e o programa Vidas Protegidas, desenvolvido em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

    Sobre o Protegendo Futuros

    O Protegendo Futuros (Protecting Futures) é uma iniciativa conjunta da União Europeia e do UNODC que atua no Brasil e nas Filipinas para prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes por grupos armados e criminosos, em respeito aos direitos humanos, à igualdade de gênero e ao direito internacional. O projeto tem como principal documento norteador a resolução A/RES/79/188 da Assembleia Geral das Nações Unidas, adotada em dezembro de 2024, apoiando-se também na Convenção sobre os Direitos da Criança e na Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC). No Brasil, sua governança reúne instituições como o Conselho Nacional de Justiça, a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, a Polícia Federal e a Defensoria Pública da União.

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU: Uma em cada três instituições criadas para promover a igualdade de gênero perdeu poder em dois anos

    ONU: Uma em cada três instituições criadas para promover a igualdade de gênero perdeu poder em dois anos

    O Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026, divulgado em 17 de setembro pela ONU Mulheres e pelo Departamento das de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), mostra que, nos lugares onde as mulheres detêm poder real, os resultados melhoram em todas as dimensões da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável — desde a paz até a educação e da pobreza até a ação climática. No entanto, as próprias instituições construídas ao longo de décadas para promover a igualdade de gênero estão sendo sistematicamente enfraquecidas, paralisadas ou revertendo o progresso justamente no momento em que o mundo não pode se dar ao luxo de retroceder.

    As conclusões do Relatório sobre Panorama de Gênero 2026 revelam um retrocesso político em relação à igualdade de gênero que é transversal, mensurável e cada vez mais grave: 

    • Um em cada três mecanismos institucionais para a igualdade de gênero sofreu uma erosão institucional nos últimos dois anos. 

    • Cerca de uma em cada quatro instituições dedicadas à igualdade de gênero teve seu orçamento operacional reduzido no mesmo período. Quase uma em cada dez perdeu totalmente o controle sobre seu orçamento. 

    • O financiamento para a igualdade de gênero caiu para seu nível mais baixo desde 2021, com o financiamento para organizações de direitos das mulheres como mais afetado. 

    • Em meio aos cortes de financiamento, 42% das entidades da ONU relatam um enfraquecimento de seus esforços em prol da igualdade de gênero.

    A concentração do poder político continua acentuada: seis em cada sete países são liderados por homens. As mulheres continuam enfrentando barreiras sistêmicas em todas as etapas. O custo de uma candidatura a um cargo público pode ultrapassar 100 vezes a renda per capita média de um país, o que exclui muitas mulheres antes mesmo do início da disputa. Em alguns países, até oito em cada dez mulheres que concorrem a um cargo público enfrentam violência na vida pública. E quando as mulheres chegam ao governo, ainda são desviadas de forma desproporcional das áreas que detêm maior poder econômico e de segurança. Quase nove em cada dez ministros da área de defesa e mais de oito em cada dez ministros da área de finanças são homens.

    À medida que as mulheres continuam enfrentando barreiras à participação e influência, décadas de conquistas políticas e jurídicas em matéria de igualdade de gênero estão sendo cada vez mais contestadas e, em alguns casos, desmanteladas. Nenhum indicador do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para a Igualdade de Gênero (ODS 5) está no caminho certo para ser alcançado até 2030.

    “As evidências são claras: quando as mulheres lideram, as sociedades ficam mais fortes, as economias são mais resilientes e os resultados são melhores para todos. No entanto, enquanto o poder permanecer concentrado em instituições que excluem sistematicamente as mulheres, as sociedades continuam aquém de seu pleno potencial. A igualdade não pode ser alcançada sem acesso igualitário ao poder — porque igualdade sem poder não é igualdade alguma”, afirmou a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous.

    “Os dados não deixam margem para ambiguidade:, no ritmo atual, ainda faltam 171 anos para alcançarmos a igualdade de gênero. O que o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 mostra é que isso não é inevitável — é o resultado de escolhas, tornadas visíveis por meio dos dados. Investir na igualdade de gênero, nas instituições e nos sistemas estatísticos que as responsabilizam não é um custo. É o caminho mais rápido de volta à promessa da Agenda 2030 de poder igual para todos”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. 

    Esse padrão se estende além do governo. As mulheres ocupam apenas 6% dos cargos de diretora executiva em empresas em todo o mundo e lideram menos de 20% dos tribunais superiores, deixando as decisões que moldam os negócios, o sistema jurídico, o emprego e a economia global predominantemente nas mãos dos homens.

    As conclusões do relatório surgem em um momento decisivo para o sistema multilateral. Os líderes mundiais estão se reunindo para a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU (UNGA81), enquanto a Organização das Nações Unidas se prepara para eleger seu décimo secretário-geral – cargo que nenhuma mulher ocupou nos 80 anos de história da ONU. 

    Enquanto os governos debatem o futuro do multilateralismo, o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 argumenta que nenhuma visão para o futuro do mundo é aceitável sem que mulheres e meninas tenham participação igualitária no poder para moldá-la.

    A Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores do Quênia, Raychelle Omamo, concede entrevista à imprensa após sessão do Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança.
    Legenda: A Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores do Quênia, Raychelle Omamo, concede entrevista à imprensa após sessão do Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança.
    Foto: © ONU/Loey Felipe.

    A ONU Mulheres e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) cobram uma reversão do retrocesso político em relação à igualdade de gênero – e que o poder seja compartilhado de forma mais equitativa. Isso significa garantir que as mulheres tenham voz igualitária nas decisões políticas e econômicas, financiar adequadamente as instituições de igualdade de gênero, proteger as organizações de direitos das mulheres e o espaço cívico, e assegurar que as mulheres tenham poder igualitário para moldar as decisões que afetam as economias, a paz e a segurança, a tecnologia e a vida pública.

    Para saber mais, acesse o relatório completo na página global da ONU Mulheres e siga @onumulheresbr nas redes sociais! 

    NOTAS PARA EDITORES

    O Relatório sobre o Panorama de Gênero é a principal fonte mundial de dados sobre igualdade de gênero e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Com base em mais de 100 fontes de dados, ele acompanha o progresso das mulheres e meninas em todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

    Os dados referem-se a todos os mecanismos de igualdade de gênero. Os mecanismos institucionais para a igualdade de gênero, ou mecanismos de igualdade de gênero, referem-se a estruturas estatais encarregadas de promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas (por exemplo, “Ministério do Desenvolvimento da Mulher e da Criança”, “Diretoria de Igualdade de Gênero”). Esses mecanismos são responsáveis por promover os direitos, a condição social e o bem-estar de mulheres e meninas, bem como por combater normas de gênero discriminatórias.

    Contatos para a imprensa:

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral

    ONU: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral

    O cenário de riscos globais mudou significativamente nos últimos dois anos. Conflitos e guerras passaram ao centro das preocupações, enquanto os avanços tecnológicos e os riscos econômicos ganharam importância. Ao mesmo tempo, a percepção sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder a esses desafios diminuiu em diversas áreas.

    Os dados fazem parte de um novo relatório das Nações Unidas, baseado em uma pesquisa com cerca de 1,3 mil representantes de governos, empresas, sociedade civil e sistema ONU, de todas as regiões do mundo.

    Os participantes avaliaram 28 riscos globais, agrupados em cinco categorias — política, tecnologia, economia, meio ambiente e sociedade — considerando sua probabilidade, gravidade, velocidade de materialização e o grau de preparação do sistema multilateral para responder a eles.

    A comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2024, mostra uma mudança no mapa de riscos. Naquele ano, as maiores preocupações estavam relacionadas ao meio ambiente, à desinformação e às pandemias. Em 2026, os riscos geopolíticos ganharam destaque.

    O relatório define como vulnerabilidade global a existência de uma grande diferença entre a importância atribuída a um risco e a capacidade percebida das instituições multilaterais de responder a ele.

    Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral, aponta relatório das Nações Unidas.

    Legenda: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral, aponta relatório das Nações Unidas.
    Foto: © ONU.

    Riscos políticos são a principal vulnerabilidade

    Os riscos políticos registraram a mudança mais expressiva desde 2024. Todos foram considerados mais importantes do que há dois anos, enquanto a percepção sobre a preparação das instituições multilaterais caiu em quase todos os casos.

    O risco de guerra em larga escala se destaca especialmente. Ele está entre os riscos mais interconectados, aumentou em importância e apresentou a maior queda na percepção sobre a capacidade de resposta multilateral.

    Inteligência artificial e outras tecnologias ampliam vulnerabilidades

    A percepção sobre a preparação multilateral para riscos tecnológicos permaneceu baixa, em níveis semelhantes aos observados em 2024.

    Por outro lado, aumentou de forma significativa a importância atribuída aos riscos relacionados à inteligência artificial e às tecnologias de fronteira, assim como à concentração de poder impulsionada pela tecnologia.

    As preocupações com possíveis rupturas de sistemas de cibersegurança também permanecem. Segundo a pesquisa, a compreensão desses riscos ainda é limitada, enquanto as tecnologias avançam rapidamente.

    A combinação entre maior importância percebida e baixa preparação coloca os riscos tecnológicos entre as principais vulnerabilidades globais.

    Riscos econômicos ganham espaço

    As preocupações com os riscos econômicos também aumentaram. Quatro dos cinco riscos avaliados nessa categoria foram considerados mais importantes do que em 2024.

    A possibilidade de uma crise financeira global aparece como destaque, especialmente devido à preocupação com seus efeitos sistêmicos e com a capacidade do sistema multilateral de coordenar uma resposta internacional.

    Meio ambiente: menos preocupação relativa, mas lacunas permanecem

    Os riscos ambientais foram considerados, em geral, um pouco menos importantes do que em 2024. A percepção sobre a preparação multilateral, porém, continua desigual.

    A perda de biodiversidade e a poluição em larga escala deixaram de aparecer entre as áreas de maior vulnerabilidade. A mudança ocorreu principalmente porque esses riscos passaram a ser considerados menos importantes, e não porque a preparação para enfrentá-los tenha melhorado.

    A vulnerabilidade continua elevada diante dos riscos relacionados a desastres naturais, devido, em parte, à percepção de baixa capacidade para reduzi-los. A inação diante da mudança do clima continua sendo considerada o risco global de maior importância.

    Riscos sociais apresentam menor vulnerabilidade

    Seis anos após o início da pandemia de COVID-19, diminuiu a preocupação com novas pandemias e riscos biológicos em comparação com 2024.

    Também perderam importância relativa os riscos relacionados a movimentos em massa de pessoas e à proliferação de atores não estatais.

    Ao mesmo tempo, as pessoas participantes consideraram o sistema multilateral mais preparado para responder a esses riscos do que há dois anos.

    Um mapa de riscos em transformação

    A comparação entre as pesquisas de 2024 e 2026 mostra que o cenário global não está apenas mudando, mas que os diferentes riscos estão evoluindo em ritmos distintos.

    Os resultados apontam para uma maior preocupação com conflitos, tecnologias de fronteira e instabilidade econômica, ao mesmo tempo em que algumas ameaças ambientais e sociais perderam importância relativa.

    Para as Nações Unidas, compreender essas mudanças é fundamental para fortalecer a capacidade de prevenção e resposta internacional. Ao oferecer aos Estados-membros e formuladores de políticas uma visão compartilhada e baseada em evidências sobre os riscos globais e a capacidade de resposta do sistema multilateral, o relatório busca contribuir para que ações sejam tomadas antes que os riscos atuais se transformem em crises.

    Para saber mais, acesse o relatório completo e visite a página especial da ONU Brasil para a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. 

    Fonte: brasil.un.org

  • Prevenção do Aliciamento de crianças e adolescentes: uma estratégia essencial para desmantelar o crime organizado, aponta o UNODC

    Prevenção do Aliciamento de crianças e adolescentes: uma estratégia essencial para desmantelar o crime organizado, aponta o UNODC

    O UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) apontou, nesta quinta-feira (17), que prevenir o aliciamento de crianças e adolescentes é um caminho essencial para desmantelar as estruturas do crime organizado no Brasil. 

    A posição foi apresentada durante a mesa “Dos territórios às plataformas: dados e respostas ao aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado”, realizada na Academia de Polícia Civil de São Paulo (Acadepol), como parte do 20º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), um dos principais espaços de debate sobre segurança pública da América Latina. A mesa reuniu representantes do UNODC, da Polícia Federal, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes e do Instituto Latinoamericano para la Paz y la Seguridad.

    UNODC discutiu dados, prevenção e respostas ao aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo.
    Legenda: UNODC discutiu dados, prevenção e respostas ao aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo.
    Foto: © Danilo Ramos/FBSP

    O aliciamento de crianças e adolescentes por organizações criminosas é um processo que envolve aproximação, criação de vínculos, oferta de proteção ou vantagens, dependência e coerção. Esse processo, que ocorre nos territórios e no ambiente digital, ainda carece de registros administrativos e estatísticos de segurança pública, o que é requisito essencial para a compreensão do fenômeno e elaboração de políticas públicas eficazes, que responsabilizem os aliciadores, desarticulem os fluxos financeiros e as cadeias de comando por trás do aliciamento. Para o UNODC, esse enfoque pressupõe o reconhecimento do aliciamento como um crime e do status legal de crianças e adolescentes aliciados como vítimas.

    Segundo Alexandra Martins, líder da equipe global de Prevenção e Resposta ao Crime e à Violência contra Crianças, Mulheres e Comunidades do UNODC, o aliciamento de crianças e adolescentes é função operacional das estruturas criminosas e proteger a infância e a adolescência deste fenômeno é tarefa crucial para desmantelar o crime organizado. Assim, ela propôs uma mudança de paradigma e ressaltou a necessidade de mensuração do processo de aliciamento e não apenas do seu desfecho. 

    “O indicador de sucesso de uma política de segurança pública em relação à infância não pode ser quantos adolescentes são apreendidos, mas quantos deixaram de ser aliciados” completou Alexandra.

    Tratar o aliciamento como peça estrutural do crime organizado, e não como um problema à parte, também abre caminho para fortalecer a produção de dados e indicadores sobre esse fenômeno e para construir uma leitura compartilhada entre segurança pública, justiça, proteção social, educação e saúde, capaz de sustentar respostas coordenadas. Essa abordagem está alinhada aos princípios que orientam a atuação do UNODC na Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC) — de que respostas eficazes ao crime organizado devem se apoiar em evidências, cooperação institucional e no fortalecimento de capacidades nacionais.

    No Brasil, no âmbito da proteção de crianças e adolescentes, o UNODC vem apoiando instituições nacionais na construção de diversas iniciativas, entre elas a Estratégia Crescer em Paz, lançada em 2025 e baseada na versão global ENDVAC (End Violence Against Children) do UNODC, além de dialogar com outras iniciativas em curso no país voltadas a essa mesma agenda, como o projeto Protegendo Futuros, desenvolvido em conjunto com a União Europeia; o Crescer em Segurança, cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD); a Plataforma CRIA e a metodologia PIPA de prevenção do uso de álcool e outras drogas; o Pronasci Juventude; e o programa Vidas Protegidas, desenvolvido em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

    Sobre o Protegendo Futuros

    O Protegendo Futuros (Protecting Futures) é uma iniciativa conjunta da União Europeia e do UNODC que atua no Brasil e nas Filipinas para prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes por grupos armados e criminosos, em respeito aos direitos humanos, à igualdade de gênero e ao direito internacional. O projeto tem como principal documento norteador a resolução A/RES/79/188 da Assembleia Geral das Nações Unidas, adotada em dezembro de 2024, apoiando-se também na Convenção sobre os Direitos da Criança e na Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC). No Brasil, sua governança reúne instituições como o Conselho Nacional de Justiça, a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, a Polícia Federal e a Defensoria Pública da União.

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU: Uma em cada três instituições criadas para promover a igualdade de gênero perdeu poder em dois anos

    ONU: Uma em cada três instituições criadas para promover a igualdade de gênero perdeu poder em dois anos

    O Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026, divulgado em 17 de setembro pela ONU Mulheres e pelo Departamento das de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), mostra que, nos lugares onde as mulheres detêm poder real, os resultados melhoram em todas as dimensões da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável — desde a paz até a educação e da pobreza até a ação climática. No entanto, as próprias instituições construídas ao longo de décadas para promover a igualdade de gênero estão sendo sistematicamente enfraquecidas, paralisadas ou revertendo o progresso justamente no momento em que o mundo não pode se dar ao luxo de retroceder.

    As conclusões do Relatório sobre Panorama de Gênero 2026 revelam um retrocesso político em relação à igualdade de gênero que é transversal, mensurável e cada vez mais grave: 

    • Um em cada três mecanismos institucionais para a igualdade de gênero sofreu uma erosão institucional nos últimos dois anos. 

    • Cerca de uma em cada quatro instituições dedicadas à igualdade de gênero teve seu orçamento operacional reduzido no mesmo período. Quase uma em cada dez perdeu totalmente o controle sobre seu orçamento. 

    • O financiamento para a igualdade de gênero caiu para seu nível mais baixo desde 2021, com o financiamento para organizações de direitos das mulheres como mais afetado. 

    • Em meio aos cortes de financiamento, 42% das entidades da ONU relatam um enfraquecimento de seus esforços em prol da igualdade de gênero.

    A concentração do poder político continua acentuada: seis em cada sete países são liderados por homens. As mulheres continuam enfrentando barreiras sistêmicas em todas as etapas. O custo de uma candidatura a um cargo público pode ultrapassar 100 vezes a renda per capita média de um país, o que exclui muitas mulheres antes mesmo do início da disputa. Em alguns países, até oito em cada dez mulheres que concorrem a um cargo público enfrentam violência na vida pública. E quando as mulheres chegam ao governo, ainda são desviadas de forma desproporcional das áreas que detêm maior poder econômico e de segurança. Quase nove em cada dez ministros da área de defesa e mais de oito em cada dez ministros da área de finanças são homens.

    À medida que as mulheres continuam enfrentando barreiras à participação e influência, décadas de conquistas políticas e jurídicas em matéria de igualdade de gênero estão sendo cada vez mais contestadas e, em alguns casos, desmanteladas. Nenhum indicador do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para a Igualdade de Gênero (ODS 5) está no caminho certo para ser alcançado até 2030.

    Jovens participam de uma aula de alfabetização de adultos em Makthar, Tunísia. F
    Legenda: Mulheres participam de uma aula de alfabetização de pessoas adultas em Makthar, Tunísia.
    Foto: © ONU/Sanjeev Kumar.

    “As evidências são claras: quando as mulheres lideram, as sociedades ficam mais fortes, as economias são mais resilientes e os resultados são melhores para todos. No entanto, enquanto o poder permanecer concentrado em instituições que excluem sistematicamente as mulheres, as sociedades continuam aquém de seu pleno potencial. A igualdade não pode ser alcançada sem acesso igualitário ao poder — porque igualdade sem poder não é igualdade alguma”, afirmou a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous.

    “Os dados não deixam margem para ambiguidade:, no ritmo atual, ainda faltam 171 anos para alcançarmos a igualdade de gênero. O que o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 mostra é que isso não é inevitável — é o resultado de escolhas, tornadas visíveis por meio dos dados. Investir na igualdade de gênero, nas instituições e nos sistemas estatísticos que as responsabilizam não é um custo. É o caminho mais rápido de volta à promessa da Agenda 2030 de poder igual para todos”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. 

    Esse padrão se estende além do governo. As mulheres ocupam apenas 6% dos cargos de diretora executiva em empresas em todo o mundo e lideram menos de 20% dos tribunais superiores, deixando as decisões que moldam os negócios, o sistema jurídico, o emprego e a economia global predominantemente nas mãos dos homens.

    As conclusões do relatório surgem em um momento decisivo para o sistema multilateral. Os líderes mundiais estão se reunindo para a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU (UNGA81), enquanto a Organização das Nações Unidas se prepara para eleger seu décimo secretário-geral – cargo que nenhuma mulher ocupou nos 80 anos de história da ONU. 

    Enquanto os governos debatem o futuro do multilateralismo, o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 argumenta que nenhuma visão para o futuro do mundo é aceitável sem que mulheres e meninas tenham participação igualitária no poder para moldá-la.

    A Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores do Quênia, Raychelle Omamo, concede entrevista à imprensa após sessão do Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança.
    Legenda: A Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores do Quênia, Raychelle Omamo, concede entrevista à imprensa após sessão do Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança.
    Foto: © ONU/Loey Felipe.

    A ONU Mulheres e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) cobram uma reversão do retrocesso político em relação à igualdade de gênero – e que o poder seja compartilhado de forma mais equitativa. Isso significa garantir que as mulheres tenham voz igualitária nas decisões políticas e econômicas, financiar adequadamente as instituições de igualdade de gênero, proteger as organizações de direitos das mulheres e o espaço cívico, e assegurar que as mulheres tenham poder igualitário para moldar as decisões que afetam as economias, a paz e a segurança, a tecnologia e a vida pública.

    Para saber mais, acesse o relatório completo na página global da ONU Mulheres e siga @onumulheresbr nas redes sociais! 

    NOTAS PARA EDITORES

    O Relatório sobre o Panorama de Gênero é a principal fonte mundial de dados sobre igualdade de gênero e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Com base em mais de 100 fontes de dados, ele acompanha o progresso das mulheres e meninas em todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

    Os dados referem-se a todos os mecanismos de igualdade de gênero. Os mecanismos institucionais para a igualdade de gênero, ou mecanismos de igualdade de gênero, referem-se a estruturas estatais encarregadas de promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas (por exemplo, “Ministério do Desenvolvimento da Mulher e da Criança”, “Diretoria de Igualdade de Gênero”). Esses mecanismos são responsáveis por promover os direitos, a condição social e o bem-estar de mulheres e meninas, bem como por combater normas de gênero discriminatórias.

    Contatos para a imprensa:

    Fonte: brasil.un.org

  • OIM lança Prêmio Caminhos Cruzados para reconhecer ações em prol da inclusão, proteção e dignidade

    OIM lança Prêmio Caminhos Cruzados para reconhecer ações em prol da inclusão, proteção e dignidade

    A Agência da ONU para as Migrações (OIM) anunciou, em 12 de setembro, a abertura das indicações para a primeira edição do Prêmio Caminho Cruzados, uma iniciativa da OIM que celebra pessoas, organizações e iniciativas que estão transformando a vida de migrantes, pessoas deslocadas e das comunidades que as acolhem.

    O Prêmio reconhece pessoas cujo compromisso e impacto mensurável contribuem para promover uma migração segura, ordenada e regular, ao mesmo tempo em que defendem os direitos, a dignidade, o bem-estar e a inclusão das pessoas em movimento.

    “Todos os dias, vemos migrantes fortalecendo suas comunidades e pessoas se unindo para ajudar quem está em movimento a encontrar segurança, reconstruir suas vidas e contribuir com suas habilidades”, afirmou  a diretora-geral da OIM, Amy Pope. 

    “Enquanto a OIM celebra seu 75º aniversário, o Prêmio Caminhos Cruzados reconhece essas contribuições e as pessoas que as tornam possíveis. Ao compartilhar seu trabalho, esperamos inspirar outras pessoas a transformar compaixão e boas ideias em soluções práticas que melhorem a vida das pessoas.”

    O Prêmio Caminhos Cruzados homenageia contribuições provenientes de diferentes setores da sociedade, incluindo organizações comunitárias, organizações da sociedade civil, lideranças locais, pessoas voluntárias, iniciativas lideradas por migrantes, parceiros do setor privado, instituições acadêmicas, grupos religiosos e comunidades de acolhida. O trabalho desenvolvido por esses atores promove proteção, resiliência, coesão social e prosperidade compartilhada, demonstrando como a colaboração e soluções inovadoras podem gerar mudanças significativas.

    Com raízes no legado de 75 anos da OIM no apoio às pessoas em movimento, o Prêmio reflete o compromisso permanente da Organização com a dignidade humana, a solidariedade e a esperança. Desde sua criação, em 1951, quando foi estabelecida para prestar assistência às pessoas deslocadas por conflitos na Europa do pós-guerra, a OIM evoluiu até se tornar a principal organização das Nações Unidas dedicada à migração em todo o mundo.  

    O Prêmio parte da convicção de que muitos dos exemplos mais inspiradores de liderança e impacto acontecem justamente nos locais mais próximos das comunidades atendidas pela OIM. A pessoa vencedora da primeira edição do Prêmio será anunciada durante um evento especial em comemoração ao 75º aniversário da OIM, em 9 de dezembro de 2026.

    Para mais informações sobre o Prêmio, incluindo os requisitos de elegibilidade, os critérios de seleção e as orientações para fazer uma indicação, acesse a página da OIM Brasil.

    Fonte: brasil.un.org

  • A 15 dias das eleições, ONU Mulheres apresenta dez propostas pela vida das mulheres

    A 15 dias das eleições, ONU Mulheres apresenta dez propostas pela vida das mulheres

    A ONU Mulheres lançou, nesta quinta (17) o documento 10 Propostas pela Vida das Mulheres, voltado a candidatas, candidatos, partidos políticos, instituições públicas e à sociedade. A iniciativa busca qualificar o debate público e fortalecer compromissos com a igualdade de gênero no contexto das eleições de 2026

    “Não há democracia sem mulheres no poder. As desigualdades que mantêm as mulheres longe das instâncias de decisão são as mesmas que organizam a vida delas fora da política: a sobrecarga de cuidado, a diferença salarial e a violência”, afirma a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret.

    “Estas dez propostas são caminhos objetivos para que a democracia brasileira represente, de fato, a maioria da sua população.”

    A representante redigiu e publicou uma carta aberta detalhando a motivação por trás das 10 propostas. Os dados reunidos no documento mostram a dimensão do desafio: 

    • No Brasil, as mulheres dedicam 21,3 horas por semana a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, contra 11,7 horas dos homens. 
    • Nas empresas com mais de 100 funcionários, recebem cerca de 21% menos que os homens. 
    • Uma em cada três mulheres sofre violência ao longo da vida e, em 2025, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no país, 65,1% delas negras e 62,5% mortas dentro da própria casa.

    O documento também trata do clima. Na COP30, em Belém, as mulheres foram 44% das delegações nacionais, mas apenas 36% de quem as chefiava, e nos ministérios de meio ambiente da América Latina ocupam 7% dos cargos de direção, o pior índice do mundo. O Brasil já dispõe de instrumentos para mudar esse quadro, como a Estratégia Transversal Mulheres e Clima, prevista no Plano Clima 2024-2035.

    “O objetivo das propostas é fomentar o debate público e apontar caminhos concretos”, diz Gallianne. “Qualquer candidatura, de qualquer partido, pode assumir esses compromissos. E qualquer eleitora e eleitor pode cobrar. Quem pede o voto das mulheres precisa dizer o que fará por elas.”

    A ONU Mulheres não apoia candidaturas nem partidos. O documento é parte da atuação da organização pela participação política das mulheres e pelo enfrentamento à violência política de gênero e raça no ciclo eleitoral de 2026.

    Para saber mais, acesse as 10 Propostas pela Vida das Mulheres. Reprodução livre, com citação da fonte.

    Sobre a ONU Mulheres

    A ONU Mulheres é a entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e o secretariado da Comissão pelo Status da Mulher da ONU. Atua para transformar leis, instituições, comportamentos sociais e serviços em quatro áreas: liderança e participação política, empoderamento econômico, eliminação da violência contra mulheres e meninas, e mulheres, paz e segurança, além da ação humanitária.

    Contato para a imprensa

    Fonte: brasil.un.org

  • ONU lança Década da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável

    ONU lança Década da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável

    A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, em 4 de setembro, o período de 2027 a 2036 como a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável, estabelecendo um marco global de dez anos para fortalecer a cultura em prol de sociedades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. 

    Iniciada pelo Vietnã, com o apoio de um grupo inter-regional de copatrocinadores e do Grupo de Amigos da Cultura, a Década representa um importante avanço para colocar a cultura no centro do próximo marco mundial de desenvolvimento. Proposta pela Conferência Geral da UNESCO, por meio da Resolução 43 C/41, e apresentada como o projeto de resolução A/80/L.102, a resolução, copatrocinada por 103 Estados-membros, foi adotada por votação registrada, com 174 votos a favor, um contra e nenhuma abstenção.

    A adoção da resolução assume particular relevância diante do atual contexto internacional desafiador. Em um momento marcado pela sobreposição de crises globais e pela crescente pressão sobre a cooperação internacional, os Estados-membros se uniram em torno de uma convicção comum: a cultura pode contribuir para a construção de consensos e para o avanço do desenvolvimento sustentável. A proclamação representa, portanto, não apenas um marco para a cultura, mas também uma reafirmação do multilateralismo e da capacidade da ação coletiva de promover avanços em relação às prioridades globais compartilhadas.

    Da ambição global à ação

    Como organização líder na implementação, a UNESCO elaborará um Plano de Ação para a Década, em consulta com os Estados-membros, as entidades das Nações Unidas e outras partes interessadas. O Plano de Ação traduzirá a ambição da Resolução em prioridades coordenadas e ações concretas. Com base nas Convenções e Recomendações da UNESCO sobre Cultura, em seus programas, em sua expertise em políticas públicas, em seus dados e em suas redes globais, a Década mobilizará governos, organizações internacionais e regionais, a sociedade civil, profissionais da cultura, comunidades e parceiros de desenvolvimento e financiamento em torno de uma ambição comum: colocar a cultura no centro de um futuro mais sustentável, inclusivo, pacífico e resiliente.

    “Esta Década reafirma nosso compromisso compartilhado com a cultura como força motriz do desenvolvimento sustentável. Gostaria de elogiar o Vietnã pela visão e liderança que tornaram possível este marco, bem como todos os Estados-membros que se uniram em torno dele, particularmente o grupo central e o Grupo de Amigos da Cultura. A UNESCO está pronta para traduzir essa ambição global renovada em políticas, investimentos e ações mais sólidas em benefício das pessoas, em todos os lugares”, disse o diretor-geral adjunto para a Cultura da UNESCO, Nayef Al-Fayez. 

    Um membro da companhia de dança Batoto Yetu se apresenta durante a abertura da Segunda Sessão do Fórum Permanente para Pessoas de Ascendência Africana, em 30 de maio de 2023.
    Legenda: Um membro da companhia de dança Batoto Yetu se apresenta durante a abertura da Segunda Sessão do Fórum Permanente para Pessoas de Ascendência Africana, em 30 de maio de 2023.
    Foto: © ONU/Loey Felipe.

    A Cultura como Força para o Desenvolvimento Sustentável

    A Década baseia-se no crescente reconhecimento de que a cultura é um poderoso impulsionador e facilitador do desenvolvimento sustentável. No Pacto para o Futuro de 2024, os Estados-membros reconheceram a cultura como um componente essencial do desenvolvimento sustentável e se comprometeram a integrá-la nas políticas e estratégias econômicas, sociais e ambientais, garantindo, ao mesmo tempo, investimento público adequado para sua proteção e promoção. Esse reconhecimento foi reafirmado no Compromisso de Sevilha, adotado na Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento em 2025, que reconheceu a contribuição da cultura e da economia criativa para o desenvolvimento sustentável e destacou a necessidade de financiamento público adequado para a cultura e investimento em infraestrutura cultural.

    Esse impulso foi ainda mais fortalecido durante a MONDIACULT 2025, quando mais de 100 ministros da Cultura reafirmaram seu compromisso coletivo de consolidar a cultura como um objetivo autônomo e específico em um futuro marco de desenvolvimento das Nações Unidas. Essa ambição foi acompanhada por um compromisso mais amplo no fortalecimento do multilateralismo, tendo a cultura como um dos pilares da cooperação global, da solidariedade e do respeito aos direitos humanos.

    A Década oferece agora uma oportunidade concreta para dar continuidade a essa ambição multilateral, reunindo países e parceiros para transformar o reconhecimento político da cultura em cooperação, investimento e ação sustentáveis. À medida que os países aceleram as ações rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e começam a definir o marco global de desenvolvimento para além de 2030, a Década oferece uma plataforma oportuna para aproveitar as múltiplas contribuições da cultura para as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável.

    Do patrimônio material e imaterial às indústrias culturais e criativas e à participação na vida cultural, a cultura constrói a forma como as sociedades respondem aos desafios globais compartilhados. As indústrias culturais e criativas geram 3,39% do PIB mundial e representam, em média, 3,55% dos empregos, ao mesmo tempo em que criam oportunidades para inovação, diversificação econômica e crescimento. De forma mais ampla, a cultura é uma fonte de conhecimento, criatividade e resiliência, contribuindo para a educação inclusiva, a ação climática, o turismo sustentável, a igualdade de gênero, o empoderamento dos jovens, a coesão social e a paz.

    Abrangendo os últimos quatro anos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os primeiros anos do marco que a sucederá, a Década funcionará como uma ponte estratégica entre os compromissos de hoje e as prioridades globais do futuro. Com base no impulso político gerado pela MONDIACULT 2022 e 2025, a Década contribuirá para promover uma integração mais sistemática da cultura nas políticas de desenvolvimento, nos marcos de cooperação, no financiamento e nos mecanismos de monitoramento.

    Para mais informações, siga @unescobrasil e @unesco nas redes! 

    Contato para a imprensa: 

    Fonte: brasil.un.org

  • OIM lança Prêmio Caminhos Cruzados para reconhecer ações em prol da inclusão, proteção e dignidade

    OIM lança Prêmio Caminhos Cruzados para reconhecer ações em prol da inclusão, proteção e dignidade

    A Agência da ONU para as Migrações (OIM) anunciou, em 12 de setembro, a abertura das indicações para a primeira edição do Prêmio Caminho Cruzados, uma iniciativa da OIM que celebra pessoas, organizações e iniciativas que estão transformando a vida de migrantes, pessoas deslocadas e das comunidades que as acolhem.

    O Prêmio reconhece pessoas cujo compromisso e impacto mensurável contribuem para promover uma migração segura, ordenada e regular, ao mesmo tempo em que defendem os direitos, a dignidade, o bem-estar e a inclusão das pessoas em movimento.

    “Todos os dias, vemos migrantes fortalecendo suas comunidades e pessoas se unindo para ajudar quem está em movimento a encontrar segurança, reconstruir suas vidas e contribuir com suas habilidades”, afirmou  a diretora-geral da OIM, Amy Pope. 

    “Enquanto a OIM celebra seu 75º aniversário, o Prêmio Caminhos Cruzados reconhece essas contribuições e as pessoas que as tornam possíveis. Ao compartilhar seu trabalho, esperamos inspirar outras pessoas a transformar compaixão e boas ideias em soluções práticas que melhorem a vida das pessoas.”

    O Prêmio Caminhos Cruzados homenageia contribuições provenientes de diferentes setores da sociedade, incluindo organizações comunitárias, organizações da sociedade civil, lideranças locais, pessoas voluntárias, iniciativas lideradas por migrantes, parceiros do setor privado, instituições acadêmicas, grupos religiosos e comunidades de acolhida. O trabalho desenvolvido por esses atores promove proteção, resiliência, coesão social e prosperidade compartilhada, demonstrando como a colaboração e soluções inovadoras podem gerar mudanças significativas.

    Com raízes no legado de 75 anos da OIM no apoio às pessoas em movimento, o Prêmio reflete o compromisso permanente da Organização com a dignidade humana, a solidariedade e a esperança. Desde sua criação, em 1951, quando foi estabelecida para prestar assistência às pessoas deslocadas por conflitos na Europa do pós-guerra, a OIM evoluiu até se tornar a principal organização das Nações Unidas dedicada à migração em todo o mundo.  

    O Prêmio parte da convicção de que muitos dos exemplos mais inspiradores de liderança e impacto acontecem justamente nos locais mais próximos das comunidades atendidas pela OIM. A pessoa vencedora da primeira edição do Prêmio será anunciada durante um evento especial em comemoração ao 75º aniversário da OIM, em 9 de dezembro de 2026.

    Para mais informações sobre o Prêmio, incluindo os requisitos de elegibilidade, os critérios de seleção e as orientações para fazer uma indicação, acesse a página da OIM Brasil.

    Fonte: brasil.un.org